Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, novembro 30, 2008

Juramento de Hipócrates



Mas a senhora não cumpre com o protocolo!, diz ela de modo alterado. Assim, não pode ser, acrescenta, e o timbre nervoso acentua-se quando refere que será necessário regressar ao centro de saúde da área de residência, marcar nova consulta com o médico de família para obter as credenciais para ir fazer as análises e, só depois, voltar ali ao hospital onde poderá ser vista por um médico especializado se, e só se, a triagem assim o indicar.
Meia-hora depois, na urgência do mesmo hospital, outro médico diagnosticava risco iminente de aborto mas, estranhamente, enviou a paciente para o centro de saúde e para o mesmo sacrossanto périplo estabelecido num qualquer protocolo que institui a primazia da consulta com o médico de família que, como sabemos, é um médico generalista e que pode não ser minimamente competente para questões especificas como, no caso, gravidez de risco…
O desfecho previsível desta caso que vos relato será uma interrupção involuntária de gravidez e eu só gostava de saber a quem devo bater… talvez aos médicos que se deixaram "protocolarizar" e não passam, hoje, de administrativos zelosos em saber se o doente que ali aparece reside de facto na área de atendimento do hospital ou se o centro de saúde cumpriu com todos os preceitos do protocolo estabelecido com o hospital… e deixam o acto médico para segundo plano.

quarta-feira, novembro 26, 2008

E-mail para BB



BB,


Gostei da tua recente crónica no DN. É bom saber que ainda há quem tenha memória: "o que ocorreu nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões, com a imposição de uma nova ordem que principiava pela substituição das chefias e a remoção de jornalistas qualificados, mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma história sórdida, e esquecida por muitos." Pois é, camarada... um dia fui enviado para a cobertura de um comício do PSD, na campanha para a segunda vitória de Cavaco, reportei uma história paralela ao comício, em que um grupo de trabalhadores quis entregar uma carta ao senhor primeiro-ministro lembrando-lhe uma promessa da primeira campanha que não tinha sido cumprida. Fiz a reportagem no local e, chegado à redacção, procurei no arquivo e encontrei declarações do Cavaco, na anterior campanha, que corroboravam as reclamações dos trabalhadores. Meti tudo na reportagem... e foi a última coisa que fiz de política nacional na RTP. O meu chefe recebeu ordens expressas do director para me deixar quieto. E assim fiquei, de 1989 a 1992, até ir para a SIC.
Um grande abraço.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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