Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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domingo, julho 12, 2009

E ao escriba, ninguém passa cavaco

Os grandes patrões dos médias europeus anunciaram um cerrar de fileiras na guerra que travam já há uns anos contra os motores de busca e os agregadores de notícias, que utilizam os conteúdos das páginas digitais dos órgãos de comunicação social, casos do Google News ou, numa versão caseira, o eusou.com .
O que eles querem é, cito o que li no Público (que cita Mathias Döfner, presidente do grupo alemão Axel Springer), “uma fatia justa das receitas que são geradas pela exploração comercial dos nossos conteúdos”.
Portanto, o que eles querem é dinheiro, mas argumentam eufemísticamente com a necessidade de se respeitar a propriedade intelectual e, como diz Balsemão (citado pelo Público na sua qualidade de presidente do European Publishers Council), “apelamos aos governos para que apoiem o direito de autor na era da Internet”.
Mathias e Francisco querem receber por aquilo que se recusam a pagar aos jornalistas que trabalham para eles. Quem é o jornalista que recebe direitos de autor pelo seu trabalho? Quem é então o detentor da propriedade intelectual de uma obra, quem a faz ou quem paga o salário ao criativo? Qual destes magnatas da comunicação já alguma vez pagou a um jornalista por utilizar o seu trabalho nas sinergias dos grupos que controlam?
De resto, acho que está por fazer o cálculo dos benefícios usufruídos pelos órgãos de comunicação social ao serem citados pelos serviços agregadores de notícias e motores de busca. É que, invariavelmente, o utente acaba por lá ir parar, quando não é imediatamente dirigido para lá.

sexta-feira, julho 10, 2009

Retratos e mensagens

O fotógrafo português Edgar Martins viu um trabalho seu ser retirado do site do New York Times, porque em pelo menos uma fotografia a imagem foi manipulada digitalmente. Edgar Martins terá utilizado Photoshop para realçar o efeito que pretendia quando fez a fotografia.
O fotógrafo diz que não é um mero intermediário e que, por isso, não se limita a retratar a realidade. Ele quis provocar um determinado efeito, quis comentar a coisa, dar uma opinião.
A discussão que se levantou é se o que ele fez é legitimo, do ponto de vista jornalístico, que era o que o New York Times pretendia ao encomendar o trabalho ao fotógrafo.
Mas quando a discussão chega a este ponto, não se pode restringir ao trabalho de recolha de imagens dos repórteres fotográficos ou de televisão. Quando um jornalista escreve um texto, as palavras que escolhe influenciam a visão que o leitor vai ter sobre o assunto. Dois jornalistas jamais farão a mesma reportagem sobre o mesmo assunto. A subjectividade é total, mesmo se os dogmas da profissão falam em isenção, equidistância e outras coisas impossíveis de alcançar.

foto de Edgar Martins

terça-feira, julho 07, 2009

Vermelho de Natal


Só damos por ele quando há eleições. Não que ele ou o partido não mantenham uma actividade política regular, mas porque só quando são obrigados a isso os órgãos de comunicação social dão cobertura às suas actividades. É por isso que ele só aparece em campanhas eleitorais, em reportagens de circunstância nos noticiários e… nos tempos de antena. É quando os pequenos partidos políticos têm algum ar para respirar. E é assim que se alimenta a ignorância sobre o perfil desses políticos e se mantêm estereótipos criados há dezenas de anos pela propaganda dos partidos maiores.
A propósito disto, hoje ao almoço ouvi uma história deliciosa que não posso deixar de partilhar.
Era Dezembro não sei de que ano e ele andava por Alfama, em campanha para as autárquicas. É um dos seus percursos de eleição, gosta de lá ir e parece que é sempre bem recebido pelos moradores. De ruela em ruela, cumprimentava pessoas e trocava palavras com quem tinha reclamações a fazer. Uma dessas pessoas levou-o a entrar em casa, certamente por causa de alguma obra de reparação que o senhorio ou a câmara deviam fazer e não faziam. O candidato ouvia e enquanto circulava pela casa reparou na árvore de Natal da velhota. “Olha, que bonita árvore de Natal!” disse, “até parece a minha!”, observação que surpreendeu a senhora: “Mas o senhor também faz árvores de Natal?”, perguntou ela ao líder do PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
Garcia Pereira explicou então à senhora que considerava o imaginário do Natal essencial para a educação das crianças e que, como tinha filhos, celebrava a festa todos os anos. Mesmo com esta explicação, julgo que a estranheza da senhora não se terá dissipado. Não é fácil de aceitar que um comunista empedernido se ajoelhe para colocar bolas coloridas e luzinhas cintilantes num pinheiro cortado. Será que eles são humanos?

segunda-feira, julho 06, 2009

Break a leg (salvo seja...)


Não quero parecer demagógico, nem ciumento, nem invejoso… mas acho que o que se passou hoje com a sacralização de Cristiano Ronaldo ultrapassou todos os limites do bom senso e do pudor.
Cristiano Ronaldo é um belíssimo jogador de futebol. Ponto. Não é um cientista de renome, não ganhou nenhum Prémio Nobel, não se distinguiu em nada excepto a jogar à bola. Mesmo dando de barato que o futebol é um desporto do agrado da maioria das pessoas, nada justifica que todas as televisões do país tenham enveredado por dar cobertura a uma mera operação de marketing de um clube espanhol que, por manifesta falta de vergonha, decidiu pagar um balúrdio pela transferência de um jogador de futebol. No que toca à RTP, não vi nenhum serviço público na indigestão de directos realizados ao longo do dia, desde o aeródromo de Tires até ao hotel de luxo onde o rapaz foi tomar um duche antes de se apresentar à massa associativa madrilena. Quanto à SIC e à TVI, não surpreende a orientação tablóide do critério…
Resumindo, gostaria de saber quanto pagou o Real Madrid pela parceria das televisões portuguesas na operação de propaganda que montou.

quarta-feira, julho 01, 2009

Que se lixem!

Pressões?... Não... o que se passa é que para o deputado Branquinho e o PSD, mas também para todos os outros políticos e partidos, democracia é que na pantalha o governo e o PS tenham 50% do protagonismo noticioso, a oposição parlamentar 48% (dos quais, 28% só para o PSD) e a oposição não parlamentar 2%.
José Alberto Carvalho é obrigado, assim, a ir à Comissão de Ética (?) dar explicações sobre os critérios jornalísticos aplicados na RTP e que, pelos vistos, colidem com a necessidade imperiosa de preencher devidamente as quotas noticiosas da actividade partidária. Que se lixe o critério jornalístico, que se lixe o (des)interesse intrinseco das iniciativas partidárias, que se lixe tudo menos o preenchimento das quotas!

terça-feira, junho 30, 2009

O que vale uma borla


Não leio jornais gratuitos. Acho que o conceito de gratuito é um logro destinado a vender gato por lebre. Os ditos jornais mais não são que veículos publicitários travestidos de informação noticiosa. Não os leio e acabou-se.
Normalmente, leio os jornais na internet. A homepage do meu computador é o site EusouJornalista e é por lá que faço a primeira ronda pelos títulos. Depois, se acho que alguma coisa o justifica, vou ao quiosque e compro um jornal.
Mas, hoje, e pela 2ªvez nos últimos tempos, fui surpreendido com a oferta de um jornal. Parei num posto da BP para abastecer o carro, tomei um café e pedi o jornal i. Com o talão da despesa, o funcionário do posto deu-me o Jornal de Notícias. Há dias aconteceu-me o mesmo com o Público, oferecido num supermercado.
Acho que se trata de um estratagema inaceitável, de uma deslealdade a toda a prova. Basta que se saiba que estão a dar um determinado jornal para que todos os outros títulos deixem de ter procura. A maioria das pessoas não tem grandes convicções quanto à escolha de um jornal e se estão a dar um, sempre se poupa 1 €…
Tenho algumas dúvidas quanto aos benefícios comerciais de uma acção deste género. Será que oferecer um jornal durante algum tempo cria alguma habituação no leitor? Ou será que o valor que damos às borlas é directamente proporcional ao que esse produto nos custou?
Na verdade… eu trouxe o JN, mas ainda nem o folheei. O que eu queria mesmo era ler o i pelas razões que já expus no post anterior.

domingo, junho 21, 2009

Espreitar o futuro

Um blogue sem caixa de comentários é um blogue amputado. Por muito que nos custe (refiro-me aos que escrevem nos seus próprios blogues) aturar alguns chatos que por aqui aparecem, a caixa de comentários é a ponte do blogue com o resto do Mundo e é um palco privilegiado para a troca de ideias, para a discussão. Vem isto a propósito de um texto publicado no Novo Mundo e que eu gostaria de ter tido oportunidade de comentar publicamente, até para ter reacções ao meu próprio comentário.
Bom, a Isabela fala sobre o futuro dos jornais, se as edições impressas vão morrer e ser ou não substituídas por versões on line. Diz ela que não se imagina a ler o seu jornal favorito num ecrã de computador... pois eu já só leio jornais no computador e acredito que dentro de alguns anos teremos alguns novos meios de comunicação bem mais populares que os tradicionais.
De acordo com dados do Netscope, o número de visitas aos principais sites noticiosos portugueses aumentou 15 por cento nos primeiros meses de 2009, quando comparado com o período homólogo do ano passado. Os sites noticiosos mais visitados este ano foram A Bola, o Record, O Jogo, o PÚBLICO, Sapo Notícias, Correio da Manhã e o Jornal de Notícias.
Na média dos cinco primeiros meses deste ano, o PÚBLICO lidera entre os jornais generalistas, atingindo pouco mais do que cinco milhões de visitas por mês, um crescimento de 17 por cento face ao ano passado. Já no ranking relativo a Maio de 2009, o PÚBLICO ocupa também a primeira posição no segmento dos generalistas, com 5,3 milhões de visitas. Falamos do Público, um jornal que não consegue vender de modo a tornar-se um verdadeiro negócio para o seu proprietário e que só ainda não fechou porque Belmiro de Azevedo não quis.
De resto, alguns dos grandes patrões do sector acreditam que essa mudança é impossível de conter. Há dias, li uma notícia que dava conta de que Rupert Murdoch vê num futuro próximo o fim da maioria das edições em papel e a transformação dos jornais em produtos analógicos, com actualização constante de notícias. Não haverá volta a dar-lhe, é uma questão geracional, os jovens já não compram jornais mas lêem no computador, no notebook, no iPhone.
Esta revolução já está em marcha. Já há exemplos, como nos EUA e na Finlândia, por exemplo, de jornais que abandonaram o papel para se dedicarem em exclusivo à internet.
Em Portugal, essa mudança ainda não aconteceu, ainda nenhum jornal se atreveu a abandonar o papel, mas todos os principais órgãos de comunicação social têm uma versão net, quer sejam jornais, revistas, rádios ou canais de televisão. E não se limitam a difundir texto, mesmo os jornais e as rádios incluem notícias vídeo nos seus sites, o que revela o formato futuro dos órgãos de comunicação social, que deixarão de se diferenciar em imprensa escrita, rádio ou tv, para serem todos tudo isso ao mesmo tempo.
Alguns jornalistas portugueses mais empreendedores, julgo que empurrados pelo desemprego e a falta de perspectiva de voltarem a ser assalariados, já estão a ensaiar os seus próprios sites noticiosos. Chamo a atenção para o Jornal do Pau, o Diário2.com ou, se quiserem ver uma coisa estrangeira, a Current TV americana. Espreitem… é o futuro.

sábado, junho 20, 2009

PSD ao ataque


Ao chegar a casa, ontem, deparei com o outdoor com a cara de Hernâni Carvalho decorada com o símbolo do PSD e um slogan de campanha eleitoral. Confesso que fiquei surpreendido porque, conhecendo o Hernâni jornalista tenho alguma dificuldade em vislumbrar o Hernâni político… acho que quem se habituou a chamar os bois pelos nomes terá alguma dificuldade em pactuar, negociar, traficar influências, enfim… fazer política.
Mas a verdade é que ele já lá está, inserido no sistema. E a máquina já está a puxar por ele, porque também ontem vi um carro com bandeirolas cor de laranja e megafones a percorrer as ruas de Odivelas. A campanha de Hernâni foi a primeira a arrancar.
As eleições autárquicas em Odivelas têm sido ganhas pelo PS. Ao ir buscar o Hernâni Carvalho, o PSD revela bem que, à falta de méritos unicamente políticos, procura a vitória através de um candidato mediático que dá na pantalha e fala grosso. Deve ter sido mesmo o critério principal para a escolha dele, já que o Hernâni nem sequer vive em Odivelas.

segunda-feira, junho 15, 2009

Moussavi não é nome de flor


É verdade que o que se passa no Irão cheira a falcatrua eleitoral, mas não basta à oposição dizer que houve batota. Será preciso comprová-lo e julgo que isso está longe de ter acontecido. Durante a campanha eleitoral, se os comícios do principal adversário de Ahmadinejad tinham muita gente, os do presidente candidato também… e, mesmo agora, apesar das manifestações de protesto atraírem muita gente, não julgo que o número seja revelador de que a maioria da população está a favor do protesto. O que mais indicia a falcatrua é a reacção musculada das autoridades. Quem não hesita em bater é porque não tem outros argumentos. As cacetadas policiais revelam a verdadeira natureza dos dirigentes políticos iranianos. Mas nada disso basta para reconhecermos o senhor Moussavi como merecedor de crédito.
Um tipo que foi primeiro-ministro do Irão nos anos 80 devia levantar algumas suspeitas, mas como para o Ocidente vale tudo para deitar abaixo Ahmadinejad, o senhor Moussavi passa a ser apresentado como democrata de longa data. Mas não é bem assim… lembro que quando esse senhor foi pau mandado dos Aiatolas, a repressão sobre o povo não teve limites. Não lembro apenas as perseguições políticas, os assassinatos. Lembro que foi ele quem reintroduziu a pena de morte e os castigos corporais na via pública para quem não respeitasse a sharia (lei religiosa). Coisas simples, como sexo fora do casamento, consumo de alcóol ou homossexualidade, passaram a ser crime. O Islamismo passou a ser religião do Estado e todas as outras foram proibidas. Marxistas, católicos, judeus e laicos foram fuzilados. As mulheres foram proibidas de usar maquilhagem ou mini-saias, e ouvir música rock ou rap passou a ser razão mais do que suficiente para levar gente para a cadeia.
Talvez Moussavi tenha mudado, entretanto. Talvez Mousavi tenha ganho as eleições, mas eu não punha as mãos no fogo por ele.

sábado, junho 13, 2009

Lado-a-Lado



Às vezes vejo o Jornal das 9 da Sic-notícias. Trabalhei uns anos no antigo Jornal das 9 do canal 2 da RTP, que foi uma escola de profissionalismo que marcou quem por lá passou, apesar de algumas malfeitorias que por lá se fizeram. Também o Mário Crespo tem alguma nostalgia desse tempo e sei que é por isso que a Sic-notícias recuperou esse título que, entretanto, a RTP estupidamente deixou de utilizar.
Este Jornal das 9 feito em Carnaxide é um espaço banal de informação. É claro que o savoir faire do Mário Crespo disfarça um pouco a debilidade da redacção, mas não suprime a falta de criatividade, a agenda sem surpresas, que caracterizam hoje a produção da informação do grupo Sic. Além disso, o Jornal tem desequilíbrios difíceis de aceitar. Por exemplo, às sextas-feiras o espaço de debate chamado de Frente-a-Frente é abrilhantado pelas participações de um militante do CDS e outro do PC. A ideia é ter um tipo de esquerda a defrontar outro da direita, mas quando estão os dois na oposição a coisa não funciona. E ontem foi muito curioso assistir ao “debate”. Quando o CDS dizia mata, o PC respondia esfola. Fartaram-se de bater no ceguinho (ou seja, no governo) e a mediação do Mário resumia-se a um sorriso beato. Aquilo não é um frente-a-frente. Devia-se intitular antes lado-a-lado.

quinta-feira, junho 04, 2009

Como o Le Monde fala de nós


Au Portugal, les "recibos verdes" incarnent l'extrême précarité du travail – titula hoje o jornal francês Le Monde, revelando uma originalidade vergonhosa que em França não existe.
Não que em frança não exista muito trabalho precário, temporário, em part-time, mas o que não existe é um regime laboral onde o trabalhador não só está completamente desamparado face às prepotências patronais como abandonado pelo próprio Estado, não beneficiando da maioria dos direitos que cabe a um assalariado.
Em França não existem recibos verdes. Nem de cor nenhuma. O que existe é o chamado CDD – contrato de trabalho a termo – que pode ser celebrado por apenas um dia. Se uma empresa precisa de alguém apenas por 1 dia, ou para suprir uma falta pontual, celebra esse contrato de trabalho com o trabalhador e, assim, tanto a empresa como o trabalhador pagam os respectivos impostos. A empresa cumpre com a sua responsabilidade social, o trabalhador vai descontando para a reforma, para o fundo de desemprego, para a segurança social. Trata-se de um regime bastante mais equitativo que esta escravatura a recibo verde a que estamos sujeitos em Portugal.
O artigo traça um panorama negro para os trabalhadores portugueses : « pour le Portugal plus de chômage, plus de précarité, moins de pouvoir d'achat, le tout avec un déficit public et une dette creusés. »

quarta-feira, junho 03, 2009

Debate


Vai passar sem ninguém ver, porque o canal 2 está longe de ser a 1ªopção do telespectador típico português, mas o assunto é interessante. Por isso fica aqui o aviso: hoje, lá plas 11 e meia da noite, no programa da responsabilidade editorial do Clube de Jornalistas, debate-se a alegada e propalada degradação do jornalismo português, nomeadamente o jornalismo televisivo tablóide produzido nos estúdios de Queluz.
Sentam-se à mesa, os jornalistas Francisco Sarsfield Cabral (um veterano da classe, julgo até que já estará reformado…) e João Miguel Tavares (jovem escriba de um diário da capital e que há tempos alimentou uma polémica com Miguel Sousa Tavares (ex-jornalista e actual comentador no Jornal Nacional da TVI) e… (mas que bela ideia!) o bastonário Marinho Pinto. Pena é que, segundo me dizem, a Manuela Moura Guedes não tenha aceite o convite para participar… então sim, seria imperdível.

terça-feira, junho 02, 2009

Seremos todos tablóides?


O avião caiu e logo jornais, rádios e televisões se preocuparam em saber se havia passageiros portugueses a bordo. Morreram 228 pessoas, mas isso não basta. É preciso subir os índices de emoção e ver se temos mais proximidade com a catástrofe. Quanto maior for essa proximidade melhor, porque se torna mais fácil titular com parangonas, encher páginas e tempo de antena mesmo sem haver nada de verdadeiramente noticioso.
Chegámos a ter um português na lista de passageiros, notícia que foi desmentida rapidamente. Nisso, os angolanos têm mais matéria noticiosa. Tivemos de nos remediar com um primo de D.Duarte…

domingo, maio 31, 2009

Money, money, money



É com algum espanto (ainda não perdi essa capacidade…) que noto como quase toda a gente se mostrou impassível perante aquela notícia de que Cavaco Silva e a filha tinham ganho quase 300 mil €, numa compra e venda de acções da SLN.
É que acho que se trata de uma quantidade considerável de dinheiro e não percebo como se conseguem fazer negócios assim sem se ter uma boa fonte de rendimentos. É que é preciso ter dinheiro para investir. É por isso que os pobres não jogam na bolsa nem têm parte em sociedades financeiras.
Se Cavaco nunca tivesse enveredado pela política, se se tivesse mantido como mero professor universitário, teria ele tido dinheiro e os contactos pessoais para investir nesses negócios tão lucrativos?
Não pensem que estou a insinuar qualquer envolvimento do actual presidente nos esquemas esconsos do BPN… mas não deixa de ser curioso que um dos artífices desses esquemas, Dias Loureiro, tenha sido um dos compagnons de route de Cavaco no partido, nos seus governos e no Conselho de Estado.

sexta-feira, maio 29, 2009

ERC/TVI: um pouco mais do mesmo


Nada de surpreendente, nas reacções de alguns dos que trabalham na TVI, relativamente à apreciação da ERC sobre o Jornal nacional de 6ªfeira. Quando estamos integrados numa equipa, é normal um sentimento corporativo de defesa do grupo, mesmo se em consciência não estamos muito certos das razões que invocamos. Sempre foi assim, aconteceu também comigo noutras circunstâncias, e aprendi que acabamos quase sempre por concluir que a empresa ou os chefes não mereciam esse esforço nem o sacrifício de vestir uma camisola incomodativa.
Acredito que, hoje, a redacção da TVI vive sentimentos opostos. Alguns quererão cerrar fileiras à volta de Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz, outros, os mais espertos, estarão a fingir que os apoiam e a dissimular a dissidência, os restantes assumirão a atitude de encolher os ombros e limitar o esforço à realização das tarefas atribuídas, distantes do duelo de interesses de que se consideram estranhos. Comum a todos, apenas a necessidade de preservar o emprego e, por isso, poucos estarão verdadeiramente preocupados com o debate em torno da ética e da deontologia.
Pelas razões contrárias, os da TVI dirão que é muito fácil criticar para quem está de fora. E é a mais pura das verdades. E por isso (porque estou de fora) digo que a liberdade de expressão deve ser um dos pilares do Estado de Direito Democrático em que vivemos. É um direito constitucional, mas não é o único… e por maior que seja o interesse público das notícias relacionadas com eventuais manchas no percurso profissional ou político do actual primeiro-ministro, a Constituição também proclama o direito ao bom nome e reputação, à imagem, à reserva da intimidade da vida privada e familiar…
E se é verdade que um órgão de Comunicação Social não deve ser condenado por reportar a verdade, nem a divulgação dessa verdade deve ser considerada atentatória do direito ao bom nome de quem quer que seja, neste caso falta saber, primeiro, onde está a verdade e, segundo, que a Manuela Moura Guedes deixe de se mascarar de justiceira do povo.
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post scriptum: leio às 00h45, no Público online, que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considerou que "os jornalistas não podem substituir a acutilância pela agressividade, e devem permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas".

quinta-feira, maio 28, 2009

Decisão sem consequências


Como seria de esperar, a ERC condenou a TVI por má conduta ético-deontológica. Diz o comunicado da ERC, que “em causa estão sete peças de três edições do Jornal Nacional de sexta da TVI, que foram analisadas pelos serviços técnicos da ERC depois de terem sido apresentadas 13 queixas na ERC sobre essas edições do serviço noticioso. Todas as queixas têm como elemento comum o facto de acusarem a TVI de violar deveres ético-legais do jornalismo, designadamente de falta de rigor e de isenção, em peças jornalísticas que apresentam o Primeiro-Ministro ou outras pessoas ligadas ao Governo e ao PS como protagonistas.”
A ERC apreciou 13 queixas que lhe foram dirigidas, uma das quais pelo deputado Arons de Carvalho, entre os dias 16 de Fevereiro e 30 de Março de 2009. Não sabemos se haverá mais queixas do mesmo teor, mas é possível que haja. E, sendo assim, é possível que a TVI continue a levar com cartões amarelos. Só que, neste caso, a acumulação de cartões amarelos não dá direito nem a suspensão nem a expulsão do jogo, ou seja, nada disto tem consequências e a TVI poderá continuar a fazer o que tem feito sem problemas, para além de alguma censura pública.
Tudo isto é bom para as audiências (amanhã, o país inteiro vai estar sintonizado na TVI às 20 horas), pelo menos enquanto não houver uma decisão judicial inequívoca em relação aos problemas que envolvem o primeiro-ministro, nomeadamente o caso Freeport e o caso Cova da Beira, este último ainda por explorar devidamente pela média se o compararmos com o tratamento dado ao Freeport.
Voltando ao contencioso ERC/TVI, é óbvio que perante acusações de falta de isenção e imparcialidade, o Jornal Nacional de 6ªfeira não tem salvação possível. Agora, na minha opinião, pese embora a ERC seja, alegadamente, um órgão independente do governo, não se livra da fama de pau mandado e… são legítimas as leituras políticas sobre as decisões que toma. Não faltarão clamores contra esta decisão condenatória que muitos não hesitarão em apelidar de censória. É por isso que este género de conflito deve ser dirimido na barra do tribunal. Onde os arguidos têm direito a defesa e os condenados direito a recurso.

quarta-feira, maio 27, 2009

News from Queluz

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deverá deliberar amanhã, na habitual reunião de conselho, sobre as 15 queixas recebidas contra o ‘Jornal Nacional de 6ª feira’, apresentado por Manuela Moura Guedes, na TVI, noticia hoje o Correio da Manhã.
Entretanto, fontes próximas da TVI dizem-me que o director-geral da estação terá desistido do anunciado processo contra o primeiro-ministro. Se isso for verdade, trata-se de um evidente recuo e será curioso verificar se as 6ªfeiras em Queluz passarão a ser mais calmas.
As mesmas fontes relatam um ambiente tenso na TVI, onde muitos jornalistas não se revêem no estilo, forma e conteúdos do Jornal Nacional de 6ªfeira nem… nos métodos e critérios de gestão de recursos humanos que o casal Moniz pratica.
Cá para mim, os patrões espanhóis dispensavam tudo isto de boa vontade. Problemas de sobra já eles têm, e embora a TVI seja um canal rentável, estas perturbações afectam o valor da empresa e é sabido que a Prisa anda a vender activos um pouco por todo o lado, na tentativa de diminuir uma dívida monstruosa à banca que se agravou com o despoletar da actual crise financeira mundial.

terça-feira, maio 26, 2009

...

Voltando à “vaca fria”, que é como quem diz, à passada sexta-feira na TVI, quando a Manuela Moura Guedes se engalfinhou com o bastonário Marinho Pinto… não acham estranho que, apesar do assunto ter suscitado enorme interesse (veja-se só o que se escreveu nos blogues e no twitter), os jornais de referência e as rádios e televisões não tenham tocado no assunto?
Alguns dirão que é por nojo, mas eu acho que é por proteccionismo, corporativismo profissional, puro calculismo político porque não se sabe se no futuro não vamos precisar de lhes pedir algum favorzito… e como têm medo de ofender, não dizem nada.

sábado, maio 23, 2009

A pantalha incandescente

O bastonário da Ordem dos Advogados é um homem sem medo, não tem papas na língua e marra em frente. Ontem, depois de se ter sentido insultado por Manuela Moura Guedes quando, em directo, foi entrevistado no Jornal Nacional de 6ªfeira da TVI, Marinho Pinto contra-atacou e acusou a apresentadora de notícias de praticar mau jornalismo (VIDEO).
A coisa resultou numa peixeirada digna de se ver, um momento alto da história da televisão portuguesa, onde a minha querida Manela revelou falta de lábia para esgrimir com o advogado.
No final, Marinho Pinto acabou por encenar a defesa dos pontos de vista expressos por José Sócrates, palavras que levaram o director-geral da TVI a anunciar publicamente que iria mover um processo judicial contra o Primeiro-Ministro por difamação. Não sabemos se o chegou a fazer, mas gostávamos de saber. E gostávamos de saber, também, se o mesmo vai acontecer agora com o bastonário da Ordem dos Advogados.

quarta-feira, maio 20, 2009

Escola


A mulher não bate bem da bola e duvido que esteja em condições emocionais para dar aulas, mas alguns dos melhores professores que tive eram, também, um pouco assim: maluquinhos.
Tive um professor de desenho que, quando a malta extravasava no barulho, chamava os prevaricadores para junto da sua secretária, em fila indiana, e despachava-nos a todos com um soco nas bochechas que nos deixava azambuados… correctivo aplicado de modo igual às meninas. Era um homem sem preconceitos de género.
Tive um professor de Matemática que parecia um ogre lunático… mas que com cáculo mental resolvia equações de segundo grau…
Enfim, tive uma professora de Geografia que atraía alunos com mais de 16 anos a casa, sob pretexto de que estavam necessitados de explicações… que acabavam por ser de anatomia. Todos os que lá foram, chumbaram… numa espécie de síndrome da viúva negra.
As coisas foram o que foram, mas nós nunca fomos nem bufos nem espiões. Os paizinhos só sabiam do que era estritamente necessário e a malta desenvencilhava-se melhor sem eles. Também é verdade que naquela época os gravadores de som eram uns trambolhos que dificilmente passariam despercebidos numa sala de aula. Também é verdade que, naquela época, a televisão não prestava para coisas deste género.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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