Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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quinta-feira, março 05, 2009

Sacrifício humano


Ontem, houve uma greve no “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e “O Jogo”, títulos do grupo da Controlinveste. Alguém deu por isso? Os jornais saíram na mesma e, na mesma, foram vendidos… e se não espanta que a adesão à greve não tenha ultrapassado os 32%, lamento que ao menos os heróicos grevistas não tenham beneficiado da solidariedade do público. Mas tudo indica que ninguém se preocupou com a causa da greve, que era a de tentar evitar o despedimento de 119 funcionários do grupo, a pretexto de uma reestruturação, da crise e tal, sendo que, muito provavelmente, a verdadeira razão da quebra de vendas esteja na orientação que tem sido dada aos títulos em questão.
O “Jornal de Notícias”, desde que eu me lembro, sempre foi o jornal mais vendido do país. Aquilo sempre foi uma máquina de fazer dinheiro. Não se percebe como se chegou, agora, à necessidade de despedir pessoal por questões economicistas. O “24” podia ter ocupado o espaço deixado vago pelo desaparecimento do “Tal&Qual”, dedicando-se com afinco e profissionalismo à investigação jornalística, mesmo que fosse só de casos de polícia e questões sociais. É um mercado que sempre teve público. O sucesso do “Correio da Manhã” (que pertence a outro grupo) prova-o. Mas não, os responsáveis pelo jornal preferem mudar o embrulho, em vez de melhorar o conteúdo, julgando que, assim, vão conseguir enganar o público. “O Jogo” já devia ter despido a camisola do fêquêpê e ter percebido que o Benfica é que é uma nação. Teria redobrado as vendas, não tenho dúvidas. O “Diário de Notícias” é um caso mais complicado, mas também teria solução empresarial. Resguardo-me de dar aqui dicas sobre o assunto. Contratem-me primeiro.
Mas quero expressar, publicamente, o meu apoio e solidariedade, tanto aos que fizeram a greve, como aos que foram escolhidos para o suplício do desemprego.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Zimler - 2

... "Quando eu cresci, o homossexual tinha que ultrapassar os seus próprio preconceitos. Eu entrei em pânico, pensei: “Estou mais interessado em homens do que em mulheres. O que é que isso signfica? Vou ter que mudar a minha personalidade toda? Deixar de gostar dos Beatles e dos Rolling Stones e passar a gostar mais de Judy Garland?” Não tinha modelos de comportamento com quem pudesse testar a minha personalidade. E depois, nem todas as pessoas estão em posição de assumir a sua homossexualidade sem que isso lhes traga repercussões graves e terríveis na vida. Há jovens que se o dissessem aos pais, seriam corridos de casa. E os políticos portugueses se dissessem: “Tenho uma relação com este homem”, não conseguiriam as posições altas que ambicionam.
- Acha mesmo que haveria essa relação de causa-efeito?
Não sei. Como ninguém o faz, não podemos saber. A homossexualidade só é assunto porque há preconceito. Caso contrário, seria tão banal como ter olhos azuis ou verdes, ser alto ou baixo. Luto para um dia seja assim.Eu não falo da minha sexualidade por mim; falo dela por causa do jovem que vive em Beja e da rapariga que vive em Vila de Conde. Ambos se sentem frágeis devido á sua sexualidade, não conseguem assumi-la porque estão rodeados de pessoas com preconceitos. Têm que viver atrás de uma máscara. É por causa deles que falo, para que entendam que podem ser felizes, realizados, viver com amor, com paixão, com tudo. E que não têm que mudar. É importante que cada um de nós viva como é."

Solidário e corajoso, como não se usa mais por estas bandas. Richard Zimler, em entrevista ao Jornal de Notícias.

Zimler - 1

... "Há 20 anos não era necessário pensar muito: o escritor já tinha nome no mercado e continuava a publicar livros medíocres e a vender; os professores não eram avaliados, os medíocres tinham a mesma carreira dos que são excelentes. Tudo isto era muito típico em Portugal. Os meus alunos diziam-me que não se esforçavam porque já sabem que quem vai conseguir a vaga X ou Y é quem tem tio tal ou o primo tal. Este país está sistematicamente a produzir pessoas medíocres, em parte por causa do sistema de cunhas."
Como ele nos conhece bem... o escritor norte-americano Richard Zimler, em entrevista ao Jornal de Notícias.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Acontece muito a quem não sabe



Extracto do texto (Um think thank para melhorar as instituições públicas) publicado hoje no Público. O texto tem três particularidades: é assinado pelo próprio director do jornal; é louvaminheiro; tem um erro tantas vezes repetido que não pode ser gralha, apenas ignorância.

Por isso, em vez de financiar uma fundação para promover obras sociais ou fomentar a cultura ou a investigação científica - "para isso já existem outras" -, a família optou por uma espécie de think thank. Mas não exactamente um think thank, como os muitos que existem na Europa e nos Estados Unidos."Por regra, os think thanks prosseguem uma agenda política ou ideológica específica", explica António Barreto, que presidirá à administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Até parece que de tanto querer agradar, acabou obrigado obrigado obrigado e venerando… e baralhou-se todo... tropeçou no thank you boss e dali não conseguiu sair... acontece...

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eles estão cheios de medo


Mergulhão, comerciante de publicidade, chamou jornalistas para lhes entregar um recado encomendado: o 5ºcanal é perigoso, muito mais perigoso se se tratar de um canal competitivo que vá disputar audiências com os outros já instalados no mercado.
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”

Na Cama Com...

O Correio da Manhã anuncia hoje que “o novo canal de notícias da TVI, TVI 24, que arranca no próximo dia 26 na TV Cabo, terá um programa semelhante ao famoso ‘Manhattan Connection’, que se popularizou nos anos 90 na grelha da brasileira GNT.
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
O que me irrita, neste texto, é apresentarem a Fernanda Câncio como “jornalista e namorada”, sendo que ficamos com a impressão de que o facto dela se deitar com o Primeiro-Ministro é a sua real mais-valia para a TVI, pelo menos no entender do escriba do Correio da Manhã.
Com quem dormirão Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho?

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Violência de hoje e de ontem (nas escolas)

Tinha ideia que, perante a Lei, os pais respondiam pelos filhos menores. Isto é, quando a criancinha parte uma jarra, os paizinhos têm de a pagar. Ou não? Se calhar não, porque se fosse realmente assim, as malfeitorias das criancinhas já não ficariam impunes...

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, as agressões a professores não são um fenómeno recente. Quando eu era jovem inconsciente, também se agrediam professores. Em 1975, o Liceu Pedro Nunes era um campo de batalha. Defrontavam-se ali as várias juventudes partidárias e as várias classes sociais. Claro que a balbúrdia afectava tudo e todos e o comportamento geral deixava muito a desejar. A autoridade dos professores foi varrida pelos ventos da Liberdade e nem a polícia tinha mão naquilo. Aliás, naquele tempo, a polícia vivia encurralada nas esquadras, com medo até de sair à rua.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Funerais gratuitos


Parece que a crise chegou até aos jornais gratuitos e alguns deles vão fechar ou já fecharam mesmo. É o caso do “Sexta” (coisa que eu nunca li), folha-de-couve feita a meias pelo “Público” e “A Bola”… e que, segundo ouvi dizer, era distribuída à porta dos supermercados e bombas de gasolina. Outro gratuito que desaparece das ruas é o “Meia Hora”, do grupo Cofina (proprietária do “Correio da Manhã”).
Digamos que estes e todos os outros gratuitos nem deviam ter chegado a existir. Para além de darem trabalho a pouquíssimas pessoas, aquilo não é jornalismo. Os gratuitos foram inventados para impingir publicidade, nada mais. Ajudaram a criar a falsa ideia de que um jornal podia ser feito por meia dúzia de pessoas e com único recurso ao serviço das agências noticiosas. Jornalismo não é corta-e-cola nem imitação de notícias com seis linhas.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Controlinvest: um tiro no porta-aviões

Lisboa, Portugal 15/01/2009 12:03 (LUSA) Temas: Media, empresas, Trabalho, Emprego, Crises



Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A administração da Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores em diferentes áreas do grupo, de acordo com um comunicado interno a que a Lusa teve hoje acesso.
Segundo disse à Lusa fonte da empresa, cerca de metade dos dispensados são jornalistas, sendo que os títulos mais afectados serão os dois maiores jornais do grupo, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.



O síndroma da crise ou a incapacidade de inovar, de inventar, de revolucionar. Vão sempre pelo caminho mais fácil, o corte de cabeças. O pior é que sem cabeças também não há matéria cinzenta...
Outra coisa que nunca me deixa de espantar, é o facto destas crises raramente serem notícia nos órgãos de comunicação social onde se desenrolam. Ainda hoje comprei o DN e não vi lá nada sobre isto...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Luso Jornal



O Luso Jornal não é daquelas "folhas de couve" que só existem para vender publicidade barata. Ao contrário da maioria das publicações existentes nas várias comunidades de portugueses radicados no estrangeiro, o Luso Jornal é um órgão de comunicação social, onde se faz algum jornalismo, nem sempre bom, mas sempre bem intencionado.
O jornal tem edições separadas em França e na Bélgica, distribuição gratuita e acesso livre na net.
Carlos Pereira, o director, faz-me o favor de publicar umas cronicazecas que lhe envio volta e meia (para não perder a prática...).
Enfim, digo-vos isto tudo apenas para vos propôr uma leitura rápida, na página 2 do número desta semana...
Façam o favor de clicar aqui.

domingo, maio 27, 2007

A propósito de sarjeta

A crónica do Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana, fala da mixórdia informativa a que as televisões se têm dedicado, desde que desapareceu a menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.
Lê-se na crónica que a SIC é a campeã da mixórdia, com 212 notícias e 14 horas de cobertura, em vinte dias em que raras vezes houve uma verdadeira notícia para dar. A maior parte das vezes, os repórteres da SIC limitaram-se a dizer que nada se tinha passado, além de um passeio da mãe da criança pela praia com um peluche na mão ou de mais uma vigília na igreja lá do sítio.
Diz o MST que “uma não-notícia não é notícia em lado algum do mundo” e que o director de informação da SIC “sabe-o bem”. Ora, aqui é que o Miguel se engana…porque, na verdade, o homem já não sabe nada. Esqueceu o que lhe ensinaram, do mesmo modo como trocou amizades antigas pelos favores do patrão, mas isso é outra história.
Um dia, nos finais da década de 80, um repórter da RTP andava a cobrir a campanha eleitoral do MRPP. Foi até ao Porto, onde se realizava um dos comícios escolhidos para integrar essa cobertura noticiosa. Quando chegou ao Monte da Virgem, para montar a reportagem, sentou-se em frente à máquina de escrever e… nada lhe saiu. Não havia uma ideia naquela cabecinha para estruturar a reportagem. Era como se não tivesse acontecido nada. Um outro repórter, que também tinha ido de Lisboa mas para acompanhar a campanha do PC, viu o camarada enrascado e disponibilizou-se para o ajudar. Sentou-se ele em frente à máquina de escrever e disse ao outro para lhe resumir as imagens que tinha e lhe contar algo que lhe tivesse chamado mais a atenção. À medida que o enrascadinho ia balbuciando os acontecimentos, o outro ia escrevendo.
No final do dia, aquela reportagem do comício do MRPP foi a melhor do enrascadinho em toda a campanha.
Assim se fez uma carreira brilhante, não foi Sr. director de informação?

quinta-feira, maio 10, 2007

Ronaldo não quer ser reajustado

Não conheço o senhor Ronaldo Caiado, apenas sei que é deputado no parlamento brasileiro e que foi o único, entre todos, que votou contra o aumento de 28,05% dos salários dos políticos.
O termo usado no Brasil para um aumento destes é “reajuste salarial” e eu gostava de saber se os senhores deputados também decidiram reajustar os salários dos restantes trabalhadores do país na mesma ordem de grandeza.
Segundo o que li na edição on-line do jornal Folha de São Paulo, os parlamentares aproveitaram a presença do Papa, que desviou todas as atenções dos media e do povo, para calmamente aprovarem o reajuste.
Engraçado era se o tiro lhes saísse pela culatra, ou seja, que o Papa chamasse a atenção para tamanho atrevimento num país com dezenas de milhões de cidadãos a viver abaixo do limiar da pobreza. Mas desconfio que o Papa está mais preocupado com outros problemas, como o aborto ou a canonização do primeiro santo brasileiro. Dizendo de outro modo, com a política do Vaticano.

domingo, abril 08, 2007

Engenharias políticas

Sempre duvidei das coincidências. É uma mania minha, se calhar, mas acho que atrás de uma coincidência há, quase sempre, uma mãozinha invisível providencial. Daí que estranho a coincidência do chumbo da OPA do Belmiro sobre a PT e o início da cruzada do Público sobre Sócrates.
Desde 2005 que o blogue Do Portugal Profundo anda a publicar textos sobre as alegadas irregularidades da licenciatura de Sócrates e só agora, depois do chumbo da OPA, a coisa chegou aos jornais de referência.
A política tem destas coisas e é por isso que eles (os políticos) andam sempre sobre brasas. Nunca sabem com o que podem contar. Este governo, por exemplo, que parecia sólido que nem rocha há um mês atrás, agora abana que nem varas verdes por causa desta história da licenciatura do primeiro-ministro.
Dir-me-ão que não, que já estou a imaginar mais uma teoria da conspiração. Direi que quando o patrão manda, o director obedece e acciona a cadeia de transmissão onde, no final, há sempre um redactor que faz o trabalho. Depois, há o fenómeno da imitação, tão comum no jornalismo português. Se o "vizinho" aborda um assunto, os outros imitam-no, principalmente se for um dos ditos jornais de referência. Até as televisões copiam os jornais. Sei do que estou a falar, como podem imaginar.
É por isso que considero a crónica de Pacheco Pereira, ontem, no Público, um disparate de fio a pavio. Mas muito bem escrita.

sábado, março 24, 2007

As investigações jornalísticas dão resultados tão diferentes, não dão?

Depois das “investigações” exemplares do Público e de O Crime, era de esperar que todos os outros jornais lhes seguissem as pisadas na abordagem do caso da licenciatura de Sócrates. É mais ou menos isso que tem acontecido.
O Correio da Manhã, hoje, traz uma novidade: entrevistou um antigo colega de estudos de Sócrates, alguém que, apesar de nunca mais se ter relacionado com o ex-colega de turma, testemunha o mérito de Sócrates como aluno.
O Correio da Manhã encontrou, ainda, uma explicação lógica para haver notas diferentes às mesmas disciplinas. Segundo a explicação, Sócrates teve uma nota no exame escrito e outra no exame oral:
Betão Armado e Esforçado - 18 (escrita), 17 (oral)
Estruturas Especiais - 16 (escrita), 16 (oral)
Análise de Estruturas - 17 (escrita), 18 (oral)
Projectos e Dissertação - 18 (escrita), 17 (oral).
Ou seja, em duas das orais desceu a nota que trazia do exame escrito, numa manteve e noutra subiu 1 valor. Não vejo nada de anormal nisto. As notas são boas, talvez alguns vejam nisso algo de estranho, mas eu não.

quinta-feira, março 22, 2007

Um tabloide de referência

Hoje, o Público roubou uma cacha ao 24 horas. O que será que este facto quererá dizer? Que o jornal de referência se está a tabloidizar, na luta pela sobrevivência?


Refiro-me à história sobre as alegadas irregularidades cometidas por José Sócrates na obtenção da licenciatura em Engenharia Civil, estudos terminados na Universidade Independente.
O que resulta da leitura das páginas 2, 3, 4 e 5 é que o caos organizativo, administrativo, da Universidade Independente não é de hoje. Mas nada prova que tenha existido algum suborno do actual primeiro-ministro para corromper os responsáveis da escola.
Da leitura de todas as peças que o jornal publicou sobre o tema, ressalta também que o Público sentiu obrigação de se justificar perante os seus leitores, pouco habituados a este tipo de jornalismo. Numa nota da Direcção Editorial, o jornal argumenta com “referências múltiplas” que se avolumaram na blogosfera “há cerca de um mês”, sendo que, na verdade, apenas um blog se tem dedicado exaustivamente a esse tema, num caso típico de obsessão, bastante comum na dita blogosfera.
Porque estou eu a defender aqui o homem? Porque este tipo de atentado ao carácter das pessoas é de uma eficácia tremenda. Dificilmente alguém se conseguirá limpar completamente de uma maquinação deste tipo. Nada se provou, mas a dúvida permanecerá para sempre. Foi isto que fizeram a Paulo Pedroso e que, agora, estão a fazer com Sócrates. O jornal investigou e não encontrou nada de conclusivo. Mesmo assim, publicou e, hipocritamente, lava as mãos dizendo que essa investigação “permite aos leitores ajuizarem sobre o que estava certo e o que estava errado no que se dizia à boca pequena”.

quarta-feira, março 21, 2007

Prateleiras

Em todas as redacções por onde já passei, existiam as chamadas “prateleiras”, um local onde o trabalhador era colocado, às vezes isolado dos demais, sem trabalho atribuído, às vezes sem telefone ou sequer cadeira para se sentar. Era para lá que mandavam os tipos caídos em desgraça, por algum motivo. Também passei por algumas “prateleiras”, como é bom de ver. Muitos dos meus amigos também.
Aqui há tempos, o Mário Crespo foi contactado pelo Diário de Notícias, para uma reportagem sobre as ditas “prateleiras”. O Mário viveu alguns anos, na RTP, nessa situação de ostracismo. Foi ainda no tempo em que o José Eduardo Moniz mandava e desmandava na RTP. A situação do Mário acabou por ser resolvida com a sua transferência para a SIC e com uma tardia decisão em tribunal que lhe deu razão. Por ser um caso paradigmático de um trabalhador com experiência em “emprateleiramentos”, o repórter do Diário de Notícias tinha, então, escolhido o Mário para entrevistar. O trabalho foi feito a preceito, com uma boa produção fotográfica e tudo. Mas a reportagem nunca mais sai. Será que foi “emprateleirada”? Será que a influência de Moniz (um velho amigo de Oliveira, o novo patrão do Diário de Notícias) tem alguma coisa a ver com isto? O que será que se passou?

segunda-feira, março 12, 2007

Será eco?



José Pacheco Pereira, ex-deputado do PSD, comentador assalariado da SIC, confessou no passado sábado, no Público, o desejo de ver a RTP desaparecer. Diz ele que “o país ficava muito melhor sem televisão pública” e que “não há nada que a RTP hoje faça, mesmo como instrumento de política externa, que se não possa contratualizar com as privadas”.
Realmente, seria uma boa ideia o Estado pagar à SIC ou à TVI o serviço público. Era mais uma fonte de rendimentos para Balsemão e outros que tais, matava-se o problema da divisão da publicidade que a existência da RTP provoca e, então sim, a sustentabilidade das privadas estaria assegurada ad eternum. Pacheco Pereira deve ter tirado da boca de Balsemão tais palavras.
Diz ele, ainda, que a RTP sempre serviu os regimes instalados. Pois serviu. Serviu a ditadura (que remédio…) e serve, agora, o regime democrático. A RTP serve de bitola para que as privadas não descambem na vulgaridade absoluta e na indigência total quanto à qualidade da programação. Sem a RTP, a tabloidização da pantalha seria inevitável. Mas isso não interessa nada, pois não, Pacheco Pereira? Sem a RTP, quem garante que uma televisão como a SIC, por exemplo, controlada pelo militante nº1 do PSD, não iria servir os interesses instalados no seu interior?
Por último, achei curioso verificar que Pacheco Pereira conhece bem como se monta o controlo sobre um canal de televisão: “tudo isto se faz sem qualquer conspiração, ou telefone directo, ou instrução ou ordem, mas em primeiro lugar pela escolha para os lugares-chaves de pessoas confiáveis”. Pois é assim mesmo que se faz, confirmo eu. Mas também é assim que se faz nas privadas. Rigorosamente da mesma maneira. E, além disso, convém lembrar, já agora, que tanto a actual administração da RTP como a quase totalidade da sua estrutura hierárquica, foram nomeadas no tempo do governo do… PSD.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O Tal&Qual com Escrita em Dia

Semanário Tal&Qual, página 25, texto a 4 colunas na secção “Blogue Bem Informado”, faz referência ao Escrita em Dia, citando primeiro a reportagem (acho que lhe posso chamar assim) que fiz em Évora, em Agosto passado, sobre a degradação evidente do centro histórico da cidade, e depois um outro post sobre o mesmo assunto, por ocasião de umas declarações do Presidente da Câmara de Évora que veio dar razão às críticas feitas anteriormente. O trabalho do Tal&Qual repesca, ainda, duas das minhas fotos de prédios degradados do centro histórico. Fiquei mesmo vaidoso…

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Abriu a época das transferências

Acabo de ler o seguinte, na "linha" da Lusa:

Media
João Marcelino anuncia saída da direcção do Correio da Manhã e da Cofina
2007-02-21, 15h59
Lisboa, 21 Fev (Lusa) - O director do Correio da Manhã, João Marcelino, anunciou hoje de manhã, numa reunião de editores, que ia deixar a direcção do diário e o grupo de media Cofina, disse à Lusa fonte da empresa.
Na reunião, o jornalista afirmou que vai desvincular-se do grupo liderado por Paulo Fernandes, não adiantando nenhum pormenor sobre o seu futuro.


Pois eu sei o que vai o homem fazer, agora. Vai ser o novo director do Diário de Notícias. Apostamos?

terça-feira, maio 09, 2006

Cabo Verde, Tarrafal

Por questões profissionais, quase todos os dias leio quase todos os jornais. Portanto, com mais ou menos agrado, tanto passo os olhos pelo 24 Horas como pelo Avante e, com isto, não estou a fazer nenhum paralelismo entre os dois… como é óbvio.
Isto, para dizer que aqui há dias li, com curiosidade, um texto comemorativo dos 70 anos da criação da Colónia Penal do Tarrafal. O texto exagerava um pouco na comparação que fazia entre o Tarrafal e as prisões de Hittler. Na minha opinião, a cadeia portuguesa nunca foi um campo de extermínio. Mas é bom que se saiba que aquilo existiu e que, ainda assim, lá morreram 32 presos por delito de opinião.Sempre que fui a Cabo Verde, estive no Tarrafal. Isto é, sempre que fui a Santiago, estive no Tarrafal. Almoço um peixe grelhado no restaurante sobre a praia e cumpro uma espécie de peregrinação pessoal à antiga prisão. De todas as vezes, senti tristeza por ver o sítio a cair aos pedaços. Ninguém liga a mínima importância àquele local, um desleixo que ofende a memória dos que ali sofreram e morreram por delito de opinião.O Tarrafal nunca foi uma prisão de delinquentes. Era uma prisão política… e, por isso, deveríamos cuidar do Tarrafal, fazer daquilo um atractivo turístico, recuperar as celas, recolocar os instrumentos de tortura, reconstruir a “frigideira”, a enfermaria, a cozinha, as latrinas, o cemitério. Deveríamos pedir autorização ao governo caboverdeano para podermos ajardinar aquilo, pintar as paredes, montar uma lojinha de souvenirs alusivos. Porque é terrível não ter memória.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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