Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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domingo, março 08, 2009

Jornalismo, Que Liberdade ? (Condicionamento...)

Neste caso da concessão do 5ºcanal de televisão, aceitou-se como bom o argumento de que o mercado publicitário não aguentaria mais um canal. É mentira e ainda não vi nenhum jornalista fazer uma simples investigação e publicar que, por exemplo, na Grécia, um país idêntico ao nosso tanto em população como em desenvolvimento económico, existem sete canais privados de televisão, cinco dos quais em sinal aberto. A Grécia não é bom exemplo? Vamos à Irlanda então, que tem três canais públicos e um privado, que competem com os canais ingleses que lhes invadem o espectro – BBC, Sky e ITV. Hungria… três canais públicos e dois privados. Quatrocentos canais locais e regionais, deve ser o país do Mundo com maior oferta televisiva… isto, num estado que viveu sob regime de partido único quase até ao final do século XX. Não me parece que a Hungria tenha um grande mercado publicitário. Fiquemos por aqui nos exemplos. Nem vos quero falar de pequenos países como a Holanda ou a Bélgica, nem dos grandes como a Alemanha ou a França…
A questão aqui em Portugal prende-se com os interesses privados de grupos económicos que estão instalados na área da comunicação social. Compreensivelmente, eles querem preservar o seu espaço vital, porque temem a concorrência. A concorrência obriga a investimento e sim, provavelmente, a redução de lucros – e é contra isso que se batem os grupos de média que hoje temos.
Em Fevereiro de 1931, Salazar lançou os fundamentos do Condicionamento Industrial, regime económico que defendia as empresas instaladas no mercado. Foi sob este proteccionismo que o capitalismo português se manteve até 1974… e, de certo modo, ainda hoje vive, como temos visto nos últimos tempos, com a corrida de banqueiros e industriais aos apoios estatais à pala da crise económica. E, neste caso do 5ºcanal de televisão, verificamos também que, afinal, resquícios desse condicionamento salazarista ainda persistem.

sábado, março 07, 2009

Jornalismo, Que Liberdade ?


Há dias, participei num colóquio organizado pela Universidade Lusíada e o Instituto Democracia Portuguesa. Pediram-me para falar sobre liberdade no exercício do jornalismo. Quando aceitei este convite, em Outubro do ano passado, estava longe de pensar que a Telecinco e a candidatura ao 5ºcanal de televisão generalista em sinal aberto me iriam inspirar, mas foi o que aconteceu.
Publico agora o texto que sustentou essa intervenção, um pouco para tentar compensar a falta de debate que se verificou em todo este processo do licenciamento e, até, no próprio congresso académico… onde, apesar de estar previsto um espaço para debater as intervenções, como é hábito nestas coisas, o moderador de serviço achou por bem sugerir que se passasse de imediato ao repasto, dado o adiantado da hora.
Devo dizer que foi uma decisão que estranhei. Também eu tinha fome, mas… confesso, tenho mais sede de liberdade.
Como se trata de um texto demasiado grande para ser publicado de uma só vez, aqui no blog, vou fazer a coisa por episódios.

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Aqui vai o primeiro:

"Poucos dias antes de divulgar a decisão sobre as candidaturas à concessão do 5ºcanal de televisão generalista em sinal aberto, o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Dr.Azeredo Lopes, confessou numa entrevista conjunta ao Diário de Notícias e à TSF que “o conceito de democracia plena é um ideal” e que ele, como jurista, já há muito que tinha aprendido que tal coisa não existe.
Dias depois, a ERC anunciava a decisão de excluir os dois candidatos, o que na prática equivale à anulação do concurso. Sem prejuízo do que ainda vier a ser decidido… tenho de vos dizer o seguinte: na minha opinião, a decisão da ERC deriva das pressões exercidas para a anulação do concurso. Foi público e notório que os actuais canais privados, SIC e TVI, consideraram indesejável o surgimento de mais um concorrente televisivo. Balsemão disse-o alto e bom som, José Eduardo Moniz disse-o também, outros limitaram-se a repetir os mesmos argumentos alusivos à crise económica mundial e à recessão dos mercados.
Por causa disto, o processo de licenciamento do 5ºcanal tem sido acompanhado por um silêncio quase absoluto nos órgãos de comunicação social. Com uma ou outra excepção, jornais, rádios e televisões calaram este assunto, fazendo o possível para que nada se discuta e tudo possa ser decidido na sombra dos gabinetes.
Estamos a falar do nascimento do último dos canais de televisão de livre acesso em Portugal. É um acontecimento importante, porque não voltará a repetir-se por impedimentos técnicos, o espectro radioeléctrico existente não tem mais capacidade para difusão de canais de televisão. É importante porque trata-se do surgimento de uma nova empresa que pode voltar a revolucionar os média, tal como aconteceu em 1992 com o advento dos canais privados de televisão. Lembro que, em 92, o nascimento da SIC foi o assunto mais debatido nos média, que mais títulos fez nos jornais – por contraste, hoje, quase não há notícias, malgrado a polémica em que a coisa está envolta. Tudo isto é estranho e só se justifica porque não há liberdade no jornalismo em Portugal. Os órgãos de comunicação social estão agrupados em três ou quatro grandes grupos de média… acomodados no sistema vigente e que não desejam ser perturbados. E então, os jornalistas não fazem notícia, não afrontam os interesses do patrão, mesmo que esses interesses sejam contra os interesses do país. Hoje, nas redacções, obedece-se. A liberdade de escrita, de palavra, está reduzida pela necessidade de preservação de um emprego.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

24

Declarações do Pedro Pinto (em directo), na festa de lançamento da TVI (TVI 24, 01:35):
"...quando o Zé Eduardo Moniz me convidou para a TVI, mostrou-me as audiências, estávamos nos 12%, o objectivo era atingir os 18%... e a realidade é que dois meses depois estávamos nos 35%". (sic)


Bravo! A verdade acima de tudo. O que sucedeu em 2001 com a TVI é a prova de que são falsos os argumentos da ERC para pretender chumbar o projecto da Telecinco. Nós também acreditamos que é possível obter shares significativos no arranque do 5ºcanal.
O surgimento da TVI24 é outra evidência de que, mesmo em plena crise, os bons projectos empresariais têm possibilidades de sucesso. A não ser assim, nunca os accionistas da Prisa iriam embarcar numa aventura que lhes custou perto de 10 milhões de euros para terem um canal no cabo.
Curioso é também reparar que alguns opinion makers da nossa praça consideram que há “espaço” para a TVI24 crescer e negam essa mesma possibilidade a um projecto como o da Telecinco.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Telenovelas brasileiras desencantam


A maior produtora mundial de telenovelas, a Rede Globo, está alarmada com a tendência que se verifica no Brasil, e não só, de perda de audiências das telenovelas, noticia o Diário de Notícias.

O instituto brasileiro de audiometria, o Ibope, regista valores mínimos recordes nas principais telenovelas em exibição. No horário das 18 horas, essencial para fixar as audiências do prime-time, a telenovela “Negócio da China” tem uma média de 17 pontos percentuais – a menor de sempre na história da Globo. A novela “Três Irmãs” também apresenta maus resultados, numa média de 23% de share, apenas. Mesmo a jóia da coroa, a novela “Caminho das Índias”, que domina o horário nobre do canal brasileiro (e da SIC, em Portugal) não conseguiu ainda atingir patamares satisfatórios de audiência. Em Portugal, a performance das novelas brasileiras ainda é pior...

Para tentar perceber o que se está a passar, a Globo decidiu renovar as Comissões de Telespectadores (órgão de aconselhamento que o canal brasileiro instituiu para o acompanhamento dos programas que produz) que passarão a integrar jornalistas, publicitários, pedagogos e psicólogos, num esforço para acompanhar a evolução que se verifica nas opções dos telespectadores.

A quebra das audiências deve estar relacionada com a crescente adesão às novas plataformas de comunicação, nomeadamente na internet, onde se multiplicam twitters, blogs, chats, youtubes, messengers ou Windows live, entre uma miríade de novos artefactos que distraem as pessoas da televisão tradicional, cada vez menos interessante.

Nada disto é novo para os mentores da Telecinco que, logo na apresentação do projecto para a televisão que propõem, declararam (com surpresa para alguns) que a grelha de programas do futuro 5ºcanal contempla “ficção portuguesa – filmes, mini-séries, telefilmes, etc. – em prime time e exclui o recurso a telenovelas por considerar este formato esgotado e gasto até à exaustão.”

A Telecinco garante, ainda que “o prime time será essencialmente consagrado à produção portuguesa e ao entretenimento ligeiro” e revela-se atenta e actualizada perante os novos desafios tecnológicos ao definir que ”uma estratégia multi-plataforma será prosseguida de forma consequente. A partir das 02:00 a emissão transformar-se-á num espaço de passatempos interactivos até às 07:00.”

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A convicção "funda" da ERC


A ERC chumbou as duas candidaturas ao 5ºcanal. No que diz respeito à Telecinco, uma decisão surpreendente e carregada de elementos subjectivos. Digo-o sem, no entanto, conhecer ao pormenor a candidatura em questão. O que sei é o que tenho lido nos jornais, o que me dizem alguns amigos ligados ao projecto e aquilo que a própria ERC tornou público, agora, quando fundamentou a sua decisão de excluir os candidatos.

Depois de ler os fundamentos invocados pela ERC, acredito que não se quis colocar em confronto os conteúdos dos dois projectos, porque estava patente que o da Telecinco era muito superior ao da ZON II. Se os projectos passassem esta fase, as respectivas candidaturas adquiriam direitos previstos na Lei, nomeadamente a capacidade de impugnar decisões da ERC que afectassem a sua posição no concurso e uma eventual decisão a favor da ZON II seria facilmente contrariada em tribunal.

Sendo assim, era necessário chumbar as duas candidaturas. De uma só penada, a ERC surgia como decisor impoluto, severo, rigoroso e equidistante.

Perante a pobreza do projecto da ZON II, foi fácil argumentar com a exiguidade dos meios técnicos propostos ("os meios técnicos propostos não incluem estúdios, equipas ENG, unidades móveis de reportagem ou outros meios de produção tidos como essenciais na actividade televisiva", diz a ERC). O projecto da ZON contempla a constituição de um quadro de pessoal de apenas 59 (cinquenta e nove) colaboradores, incluindo três administradores. A redacção, por exemplo, seria constituída por apenas seis jornalistas que teriam de suprir as necessidades da estação nos sete dias da semana. Como as pessoas têm de folgar dois dias por semana, não se percebe como é que a ZON II queria fazer um canal de televisão com apenas quatro jornalistas por dia em permanência. O projecto foi bem chumbado, nem podia ser de outra forma, depois da candidatura concorrente ter chamado a atenção para essa falha do projecto ZON II. Tratava-se de uma falha factual, concreta e impossível de ser contornada.

Já o argumento para chumbar a Telecinco está envolto em questões subjectivas e especulativas. Diz a ERC que a Telecinco não levou em linha de conta as actuais circunstâncias de recessão do mercado publicitário e que "a concorrente não fundamenta o share que se propõe atingir, situado num intervalo compreendido entre os 20% e os 25%" e que "as estimativas da concorrente revelam-se irrealistas, desajustadas da realidade que caracteriza o sector – por isso se impondo a convicção funda de que foram apresentados pressupostos de rendibilidade e sustentação económico-financeira do projecto que em nenhuma circunstância são devidamente fundamentados."

Gostava de saber se a ERC tem alguma estimativa para a duração da crise, ou se ponderou a evolução do mercado daqui a um ano, quando o 5ºcanal teria de iniciar as suas emissões… para garantir, sem sombra de qualquer dúvida, que as projecções da Telecinco são assim tão irrealistas.

Repito, não conheço ao pormenor a candidatura da Telecinco. Mas sei como se faz televisão. E sei que não há outra maneira de a fazer bem, senão investindo em bons programas de entretenimento, em bons programas de informação, na sabedoria, imaginação e irreverência dos que produzem e realizam os conteúdos e dos que dão a cara na pantalha. Essas condições eu sei que o projecto da Telecinco contempla, porque conheço quem o escreveu.

Por último, há que reconhecer que esta decisão, se for confirmada nos próximos 20 dias úteis (os concorrentes ainda podem recorrer), beneficia apenas os canais instalados e vem de encontro aos mais fervorosos pedidos de Francisco Balsemão (SIC) e de José Eduardo Moniz (TVI), os únicos que ficam realmente a ganhar com a anulação do concurso para a atribuição da concessão do 5ºcanal de televisão generalista de acesso livre em Portugal.

Vitória em toda a linha do Dr.Balsemão


Lisboa, 20 Fev (Lusa) - A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) rejeitou hoje as duas únicas candidaturas ao quinto canal de televisão generalista em sinal aberto, disse à Lusa fonte oficial daquele organismo.
Segundo a mesma fonte, a rejeição da candidatura da Zon deveu-se à falta de meios técnicos e recursos humanos e a da Telecinco por falta de viabilidade económico-financeira.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Alguém na Zon não sabe jogar limpo. Pirata informático ataca site da Telecinco.


Sempre ouvi falar em pirataria informática, em hackers que assaltam sítios electrónicos de empresas, até assaltam bancos. Mas, realmente, nunca tinha estado próximo de um crime dessa natureza. Até hoje.
O site da Telecinco foi invadido por alguém, com o intuito de manipular o resultado do inquérito “Qual o Conteúdo que mais valoriza numa televisão generalista?” que lá decorre. O intruso conseguiu votar 600 e tal vezes (quando era suposto só ser possível votar uma vez), sempre na mesma resposta… a opção do intruso foi “telenovelas”.
Os técnicos do “service provider” do sítio da Telecinco seguiram o rasto deixado pelo intruso. A origem da intrusão teve origem num computador com IP 212.11.163.75, cuja morada electrónica é 212.113.163.75, domiciliado em a212-113-163-75.netcabo.pt, Lisboa, numa empresa que dá pelo nome de TV Cabo - Portugal backbone. Dizem os experts do “service provider” da Telecinco que por estar no backbone da TV Cabo, indicia que seja um IP interno da Zon.
A ser assim, alguém da Zon quis sabotar o resultado do inquérito em curso. O que só pode significar uma coisa: eles estão cheios de medo.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Uma Grande Incógnita

O projecto da Telecinco foi apresentado já lá vão 15 dias. Neste espaço de tempo, surgiram publicamente algumas reacções, mas quase todas de gente anónima. Em privado, acredito que muitos figurões da nossa praça mediática fizeram chegar mensagens de apoio e felicitações aos mentores do projecto. Porventura, poucos acreditarão que a Telecinco consiga vencer a Zon, mas à cautela lá vão dando palmadinhas nas costas ao homem…
Uma das primeiras iniciativas da Telecinco foi a abertura do seu sítio electrónico e de um blog, onde se coleccionam textos publicados nos vários órgãos de comunicação social sobre a candidatura da Telecinco à concessão do 5ºcanal de televisão generalista e as reacções que esse atrevimento suscitou. No blog, abriu-se um espaço de discussão pública sobre o mesmo tema e já lá foram colocados alguns textos interessantes como, por exemplo, as dificuldades no acesso à profissão, a precariedade no trabalho, o excesso de telenovelas nas grelhas de programas das televisões generalistas, a necessidade de se mudar o ambiente jornalístico em Portugal, etc. A maioria dos temas suscitou reacções e comentários dos visitantes do sítio e do blog e é interessante assistir a este fórum. Mas não há contributos de gente conhecida, daquelas caras que costumam aparecer nas revistas ou nas colunas de opinião dos jornais, exceptuando o escritor Francisco José Viegas que, no seu blog, já disse o que pensava sobre isto.
Folheio diariamente os jornais e não vejo uma única opinião publicada sobre esta questão da concessão do novo canal de televisão. Não há, de facto, uma discussão sobre o assunto, o que me leva a pensar que a guerra se trava muito mais nos bastidores da política do que na praça pública. Mais convicto disto fico quando o patrão da Impresa faz saber que prefere que o novo canal seja concessionado à Zon e não à Telecinco, logo depois do presidente da Omnicom Media Portugal ter vindo dizer que uma eventual vitória da Telecinco no concurso iria provocar uma espécie de tsunami no sector. Não há pressão mais descarada que esta.
Quem vai escolher entre os dois candidatos é a ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, organismo estatal que tutela o sector. Nos próximos dias, segundo o regulamento do concurso público, saberemos se os dois projectos são definitivamente aceites a concurso e, lá para Abril, a ERC terá de divulgar o nome do projecto vencedor. Os critérios de escolha são bastante técnicos e pouco subjectivos. Se o que está estipulado legalmente for cumprido, como deveria ser sempre, é certo que o projecto Telecinco sairá vencedor. Mas sabemos bem que este é o projecto mais detestado pelas outras empresas do sector. Já se viu que SIC, TVI e mesmo a RTP gostarão pouco de ter um concorrente empenhado a disputar-lhes quota de mercado publicitário. Sabemos bem como os grupos de pressão operam verdadeiros milagres e, só por isso, o resultado deste concurso público ainda é uma grande incógnita.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sem novidade


A revista Meios&Publicidade tem um painel de 70 e tal personalidades a que pomposamente dá o nome de Conselho dos Notáveis. Esse painel serve para fornecer amostras de opinião sobre assuntos relacionados com os media. Vale o que vale, claro está. Mas não deixa de ser interessante observar a opinião do painel. Chamado a pronunciar-se sobre a concessão do 5ºcanal de televisão, o Conselho dos Notáveis pronunciou-se do seguinte modo. 42 % dizem que o projecto da Zon é o que está em melhor posição para ganhar o concurso para o quinto canal de televisão em sinal aberto. Apenas 8% apostam na Telecinco, enquanto 50% dos membros preferem não responder ou não têm opinião sobre o assunto.

O resultado não surpreende, mas gostava de conhecer os fundamentos desta votação.
A maioria dos membros deste conselho são notáveis desconhecidos do público, mas deixo-vos aqui alguns nomes mais populares: Ricardo Costa, Pedro Rolo Duarte, Miguel Coutinho, Martim Avillez de Figueiredo, Horácio Piriquito, Sérgio Figueiredo, Pedro Norton, Paulo Fidalgo, Paulo Fernandes, Mário Bettencourt Resendes, Gonçalo Reis, Nuno Santos, Paes do Amaral, Luís Mergulhão, José Fragoso, Magalhães Crespo, Pedro Norton, Mafalda Mendes de Almeida.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eles estão cheios de medo


Mergulhão, comerciante de publicidade, chamou jornalistas para lhes entregar um recado encomendado: o 5ºcanal é perigoso, muito mais perigoso se se tratar de um canal competitivo que vá disputar audiências com os outros já instalados no mercado.
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”

Na Cama Com...

O Correio da Manhã anuncia hoje que “o novo canal de notícias da TVI, TVI 24, que arranca no próximo dia 26 na TV Cabo, terá um programa semelhante ao famoso ‘Manhattan Connection’, que se popularizou nos anos 90 na grelha da brasileira GNT.
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
O que me irrita, neste texto, é apresentarem a Fernanda Câncio como “jornalista e namorada”, sendo que ficamos com a impressão de que o facto dela se deitar com o Primeiro-Ministro é a sua real mais-valia para a TVI, pelo menos no entender do escriba do Correio da Manhã.
Com quem dormirão Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho?

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Violência de hoje e de ontem (nas escolas)

Tinha ideia que, perante a Lei, os pais respondiam pelos filhos menores. Isto é, quando a criancinha parte uma jarra, os paizinhos têm de a pagar. Ou não? Se calhar não, porque se fosse realmente assim, as malfeitorias das criancinhas já não ficariam impunes...

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, as agressões a professores não são um fenómeno recente. Quando eu era jovem inconsciente, também se agrediam professores. Em 1975, o Liceu Pedro Nunes era um campo de batalha. Defrontavam-se ali as várias juventudes partidárias e as várias classes sociais. Claro que a balbúrdia afectava tudo e todos e o comportamento geral deixava muito a desejar. A autoridade dos professores foi varrida pelos ventos da Liberdade e nem a polícia tinha mão naquilo. Aliás, naquele tempo, a polícia vivia encurralada nas esquadras, com medo até de sair à rua.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.

sábado, janeiro 24, 2009

5ºcanal - III

A surpresa provocada pelo surgimento de um projecto concorrente ao da ZON para a concessão do 5ºcanal de televisão foi mencionada por vários jornais.
A coisa passou-se mais ou menos assim: por volta das 15 e picos, os promotores da iniciativa acompanhados por uma excelente advogada em matéria de concursos públicos, deslocaram-se à ERC para a entrega da candidatura… a essa hora, a comitiva da ZON também já estava a caminho, mas ainda não tinha chegado. Na ERC, os diligentes funcionários não pareceram acreditar no que estava a acontecer. Terão julgado que se tratava de uma “ratoeira” para os apanhados do CQC? Solicitaram logo ali a exibição da caução de 250 mil € exigida por lei. Mas o documento estava dentro de um dos muitos envelopes lacrados e a advogada teve de dizer ao funcionário que se quisesse ver a caução teria de abrir por sua conta e risco o envelope… o que é contra as regras do concurso. Os envelopes, todos os envelopes, só poderiam ser abertos no dia seguinte, às 10 da manhã. Lá tiveram de se conformar… Mas a guerra ainda só agora começou. E de uma coisa podemos todos ter a certeza. Este era um concurso feito para atribuir o canal à ZON… seria uma espécie de pró-forma, um mero ritual, uma encenação sem complicações… a candidatura da Telecinco estragou-lhes a festa.
Curiosamente, minutos depois deste happening, a ZON foi informada do que se estava a passar e até quem eram os promotores da coisa. Informação que só pode ter saído de dentro da própria ERC, acredito. Alguém que tinha o contacto telefónico do porta-voz da ZON… que se apressou a telefonar a um dos autores do projecto, talvez para confirmar que não estava a ser gozado…
De uma maneira ou de outra, estava mesmo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

5ºcanal - II


Ontem, tudo parecia perdido. Hoje, há uma nova esperança.
Digam lá se não é uma boa notícia!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

5ºcanal

Amanhã se verá se teremos um 5ºcanal a sério, capaz de perturbar o situacionismo vigente, ou se o novo canal de televisão vai ser uma coisa inócua, incapaz de abanar consciências e de formar opinião.
Aquilo que hoje se leu nos jornais é um desastre quase absoluto. Depois de terem ousado convidar o proscrito Emídio Rangel para a realização de um projecto capaz de vencer o concurso aberto pelo governo, parece que a ZON se arrependeu de tanto atrevimento. Pela voz do porta-voz, o ex-jornalista da SIC Paulo Camacho, a ZON desistiu do projecto de Rangel e poderá avançar com um modelo alternativo cozinhado pela prata da casa onde, acredito, o próprio Camacho deve ter tido grande influência…
E de que modelo se trata? Citando o Diário de Notícias, será uma televisão que não irá “correr atrás de audiências e com custos controlados, mas obedecendo ao caderno de encargos estipulado pelo governo. Um canal com a maior parte dos serviços e conteúdos contratados em outsourcing, logo incapaz de concorrer com os canais em sinal aberto SIC, TVI e RTP” – fim de citação.
Dito assim, até parece bonitinho… mas, na verdade, é uma coisa estranhíssima. Para que quer a ZON um canal “incapaz”? Quem acredita numa tv privada que não corre atrás das audiências? Será que os accionistas da ZON deram em beneméritos do serviço público, assim de repente? Como será possível que prefiram deitar fora 25 milhões de euros (o custo referido nos jornais do tal canal alternativo), em vez de investirem 50 ou 60 milhões num projecto ganhador?
Na verdade, não consigo entender. Mas, provavelmente, a culpa é dos jornais que não souberam explicar bem os meandros do negócio… é que o tal projecto alternativo magicado pelos quadros da ZON não me parece ter sustentabilidade económica. Limita-se a gastar relativamente pouco dinheiro (25 milhões… para distribuir pelos outsourcings mais amiguinhos) … e embora não conheça o projecto elaborado pelo Emídio Rangel, tenho a certeza de que a sustentabilidade do canal foi uma das suas principais preocupações.
Se o 5ºcanal não se revelar um verdadeiro concorrente dos canais já instalados, o Dr.Balsemão e o señor Polanco ficarão muito agradecidos. O que é um descanso em relação ao futuro de alguns dos quadros da ZON.

quarta-feira, novembro 26, 2008

E-mail para BB



BB,


Gostei da tua recente crónica no DN. É bom saber que ainda há quem tenha memória: "o que ocorreu nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões, com a imposição de uma nova ordem que principiava pela substituição das chefias e a remoção de jornalistas qualificados, mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma história sórdida, e esquecida por muitos." Pois é, camarada... um dia fui enviado para a cobertura de um comício do PSD, na campanha para a segunda vitória de Cavaco, reportei uma história paralela ao comício, em que um grupo de trabalhadores quis entregar uma carta ao senhor primeiro-ministro lembrando-lhe uma promessa da primeira campanha que não tinha sido cumprida. Fiz a reportagem no local e, chegado à redacção, procurei no arquivo e encontrei declarações do Cavaco, na anterior campanha, que corroboravam as reclamações dos trabalhadores. Meti tudo na reportagem... e foi a última coisa que fiz de política nacional na RTP. O meu chefe recebeu ordens expressas do director para me deixar quieto. E assim fiquei, de 1989 a 1992, até ir para a SIC.
Um grande abraço.

domingo, maio 27, 2007

A propósito de sarjeta

A crónica do Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana, fala da mixórdia informativa a que as televisões se têm dedicado, desde que desapareceu a menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.
Lê-se na crónica que a SIC é a campeã da mixórdia, com 212 notícias e 14 horas de cobertura, em vinte dias em que raras vezes houve uma verdadeira notícia para dar. A maior parte das vezes, os repórteres da SIC limitaram-se a dizer que nada se tinha passado, além de um passeio da mãe da criança pela praia com um peluche na mão ou de mais uma vigília na igreja lá do sítio.
Diz o MST que “uma não-notícia não é notícia em lado algum do mundo” e que o director de informação da SIC “sabe-o bem”. Ora, aqui é que o Miguel se engana…porque, na verdade, o homem já não sabe nada. Esqueceu o que lhe ensinaram, do mesmo modo como trocou amizades antigas pelos favores do patrão, mas isso é outra história.
Um dia, nos finais da década de 80, um repórter da RTP andava a cobrir a campanha eleitoral do MRPP. Foi até ao Porto, onde se realizava um dos comícios escolhidos para integrar essa cobertura noticiosa. Quando chegou ao Monte da Virgem, para montar a reportagem, sentou-se em frente à máquina de escrever e… nada lhe saiu. Não havia uma ideia naquela cabecinha para estruturar a reportagem. Era como se não tivesse acontecido nada. Um outro repórter, que também tinha ido de Lisboa mas para acompanhar a campanha do PC, viu o camarada enrascado e disponibilizou-se para o ajudar. Sentou-se ele em frente à máquina de escrever e disse ao outro para lhe resumir as imagens que tinha e lhe contar algo que lhe tivesse chamado mais a atenção. À medida que o enrascadinho ia balbuciando os acontecimentos, o outro ia escrevendo.
No final do dia, aquela reportagem do comício do MRPP foi a melhor do enrascadinho em toda a campanha.
Assim se fez uma carreira brilhante, não foi Sr. director de informação?

quarta-feira, maio 16, 2007

Os novos controleiros

Todos os programas de informação de todos os canais da RTP estão a ser monitorizados pela ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) para se verificar e acautelar desvios ao pluralismo e à diversidade de expressão das várias correntes de pensamento. Para tal, a ERC implementou um método de apreciação das notícias difundidas pela RTP. Esse método sustenta-se em dois parâmetros: a quantidade das notícias e a qualidade das mesmas.









Quanto à qualidade, não percebo como vai ser aplicado esse critério. Primeiro, porque apreciar a qualidade de uma notícia tem uma enorme carga subjectiva. A qualidade depende mais do observador do que da notícia propriamente dita. Se o observador for um tipo de direita, as notícias sobre os sucessos do governo serão de péssima qualidade. Se o observador for mais de esquerda, as notícias sobre as actividades da oposição terão sempre algum defeito. Além disso, com redacções pejadas de estagiários, onde já quase não existem referências profissionais que sejam possíveis de seguir, copiar, pedir conselho e colher ensinamentos, não se pode levar a mal uma certa falta de qualidade. Isto digo eu, que já sou considerado uma espécie de dinossauro profissional…






Quanto ao critério quantitativo, a ERC diz que está a contar o número de notícias que cada noticiário dá sobre o governo e o partido que o sustenta, a oposição parlamentar, a oposição não parlamentar, outras correntes de opinião. E, segundo o documento divulgado no sítio da ERC, o pluralismo político mede-se assim: governo+PS deverão ter 50% das notícias; oposição parlamentar tem direito a 48%; oposição extra-parlamentar, apenas 2%. Portanto, os responsáveis editoriais passam a ter de andar de máquina de calcular na mão e podem meter na gaveta o sacrossanto critério jornalístico.

sexta-feira, maio 11, 2007

É a isto que eu chamo um mau serviço

Decidi rescindir o contrato com a TV Cabo.
A informação que consta no site da empresa indica um número de telefone para onde se deve ligar para tratar deste tipo de assunto. É 0 707299499. Ligo, aparece uma gravação a dizer que se pretendo não sei quê terei de marcar o 1, se pretendo outra coisa terei de marcar o 2, se pretendo com mais molho terei de marcar o 3, por aí fora. Escolho o que pretendo e surge uma segunda gravação com a mesma lengalenga… volto a marcar o número correspondente ao que pretendo e fico à espera que me atendam. Passado um minuto, atendem-me. “Fala fulana de tal, com quem tenho o prazer de falar?” E segue-se uma conversa pretensamente cordial que serve, essencialmente, para eu me identificar com nome completo e número de cliente. Depois, a menina diz-me que para satisfazer o meu pedido tem de transferir a chamada para outra secção. Transfere e fico a ouvir música de elevador de hotel… desde que liguei passaram-se 5 minutos e a chamada é paga. Passam mais dois ou três minutos e aparece, finalmente, outra menina. Esta já sabe o meu nome e ao que eu venho, mas pergunta-me porque razão pretendo cancelar o contrato. Respondo que vou viver para longe, que vou fechar a casa e, portanto, não preciso de tv cabo. Ela insiste em que permaneça cliente, a troco de um serviço mínimo que me custará apenas 11 € e tal por mês. Volto a explicar-lhe que não estou interessado…. E a chamada cai. Fiquei sem saldo.
Carrego o telefone e volto a ligar para o 707… repete-se tudo de novo. Passo a passo, palavra a palavra… até que chego à tal secção competente para resolver a minha questão, ou seja, onde estava quando a chamada telefónica caiu. Volto a repetir que não estou nada interessado em serviços mínimos a 11 € e tal por mês, que quero mesmo é rescindir o contrato. E de novo perguntam-me porquê. Porquê? Por que sim, porque me apetece, porque deixou de me apetecer, porque tenho mais onde gastar o dinheiro, porque prefiro a concorrência, porque estou desempregado, porque deixei de precisar, sei lá. Com que raio de direito se julgam eles para questionar as razões do cliente?
Mas sabem a melhor? É que, no fim disto tudo, depois de 20 minutos de conversa à custa do cliente (a chamada é paga, volto a lembrar) o funcionário da Tv Cabo termina dizendo que, sendo assim, terei de me deslocar a uma das lojas da Tv Cabo, com o BI, para preencher um impresso qualquer.

terça-feira, março 20, 2007

A televisão que temos (2)

Prós e Contras. Tema de debate: a televisão.
Balsemão foi à pantalha pública confessar o seu medo pela existência da Entidade Reguladora da Comunicação. O homem tem medo de ser examinado, avaliado. Porque a ERC (com a nova Lei da Televisão que aí vem) passará a ter o dever de avaliar periodicamente o desempenho dos operadores de televisão. No limite, a ERC poderá não renovar as licenças aos prevaricadores. E Balsemão revelou medo. Ele lá sabe.

Balsemão e Morais Sarmento

Morais Sarmento, também lá esteve. O ex-ministro de Durão Barroso que tutelou a Comunicação Social, teve um discurso hábil e muito político. Chegou mesmo a lamentar que, hoje, Marques Mendes não reconheça o bom trabalho que foi feito no serviço público de televisão.
Santos Silva, o actual ministro que tutela a Comunicação Social defendeu bem a sua dama e lembrou ao Dr.Balsemão que os operadores privados usam um bem público, que para isso são licenciados pelo Estado e por isso têm de cumprir com um caderno de encargos. E que não há renovações automáticas de licenças de televisão. Embora, de facto, a questão da renovação só se coloque daqui a 15 anos. Nem percebo porque razão o Dr.Balsemão se preocupa tanto com isso.


Fátima Campos Ferreira

Almerindo Marques jogava em casa. Desajeitado a falar, consumiu-se em auto-elogios. Foi ele o salvador da RTP, confessou Almerindo ao mundo. Mas disse uma coisa interessante: a RTP custa, a cada cidadão, por ano, 26 Euros e trinta cêntimos apenas. Sendo assim, até sai baratinha, esta televisão.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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