O quartel-general do MLC, em Gbadolite, estava guardado por crianças soldados.
Era um grupo de meia dúzia de miúdos, o mais novo andava pelos doze anos e pouco mais alto era que a kalashnikov que carregava nos braços.
O recrutamento de crianças para combater é velho como o Mundo. Mas, hoje, é uma prática condenada pelo Direito Internacional. E, no entanto, os senhores da guerra que continuam a incentivar essa prática nunca foram incomodados por esse facto.

menino-soldado do MLC, em Bondo
A organização católica PIME, que tem muitas missões em África, diz que “as meninas representam 40% dos 300 mil menores envolvidos em conflitos armados em todo o mundo. Estas centenas de milhares de meninas e meninos são obrigados a servir, a trabalhar como espiões, como escravos sexuais, e a morrer no campo de batalha”.
Em documentos da União Europeia, pode-se ler que “no último decénio, os conflitos armados custaram a vida a mais de 2 milhões de crianças, mutilaram 6 milhões, tornaram órfãs 1 milhão e deram lugar a cerca de 20 milhões de crianças deslocadas ou refugiadas. As estimativas actuais falam da existência de cerca de 300 000 meninos-soldados no mundo. Entende-se por meninos-soldados os rapazes e raparigas com menos de 18 anos que façam parte de um exército regular ou de um grupo armado, mesmo que não usem armas. A idade média de recrutamento das crianças-soldados situa-se em redor dos dez anos.”
O Tribunal Penal Internacional considera crime de guerra a participação activa de crianças com menos de 15 anos em hostilidades, bem como o seu recrutamento no exército.
Mas nada disto impediu que a comunidade internacional aceitasse Jean Pierre Bemba como parceiro válido e legítimo para discutir o futuro do Congo e agora, até, para ser candidato à presidência da república. Por outro lado, Bemba é apenas um entre muitos que utilizam desse modo os recursos humanos à sua disposição. Porquê condená-lo? Talvez porque não fosse má ideia começar por algum lado…

Mesmo sem nunca ter entrado no Afeganistão, ali podemos ter uma ideia muito real de como eles vivem. Falei com vários membros daquela comunidade, todos homens, claro. Alguns eram refugiados antigos, do tempo da guerra contra a URSS. Outros, tinham acabado de chegar. Mas a conversa de todos conduzia para a mesma conclusão: os estrangeiros nunca tinham levado nada de bom para o Afeganistão… e, embora seja difícil entender os hábitos medievais daquela gente, acho que eles têm razão nesse capítulo.
Ao almoço fomos convidados para nos sentarmos à mesa, em casa de Haji Abdul Jabbar, um tipo que se portava como chefe da comunidade. Aquele almoço foi o modo dele nos explicar a tradição pashtun de receber quem vem por bem e nunca expulsar de casa um visitante amigo. Em última análise, é ao abrigo dessa tradição que Osama Bin Laden ainda hoje está entre eles.


Pedro Sousa Pereira estava abandonado na SIC. Vivia uma espécie de exílio na sua própria redacção. Agora, os senhores directores vão poder dizer ao patrão que já conseguiram economizar mais mil e quinhentos euros por mês. 

Era a imagem de um homem barbudo, ainda jovem, deitado na via pública. O tipo tinha uma barba escura e a pele suja. Estava no meio de um grupo numeroso de consumidores de heroína, numa avenida de 

Agora, a verdade é que se não fosse o serviço público de rádio, televisão e agência noticiosa, não haveria notícias de Timor. É a RDP e a RTP, mas principalmente a LUSA quem estão a alimentar os noticiários dos outros.
As duas últimas viagens que fiz a Moçambique foram dedicadas a reportagens sobre o tema. Por isso, conheci bem
A informação tinha chegado por um dos assessores presidenciais que antes tinha trabalhado na SIC. Imagino que Sampaio tenha sido melhor aconselhado, mais tarde, porque nunca mais ouvi falar no assunto.
O primeiro conjunto de fotos diz respeito às actividades estudantis femininas, no campo desportivo, e data de 1963-1964... a outra foto diz também respeito a actividades estudantis femininas neste ano lectivo de 2006...
As fotos são uma espécie de antes-e-depois da "libertação" propiciada pelos EUA. Não digo, com isto, que tudo estava bem no tempo de Saddam e que tudo vai mal, hoje. Acho que havia muita coisa mal, nos anos 60, 70, 80, 90, acho que o regime de Saddam foi um regime indecente sob muitos aspectos. Mas, realmente, acho que hoje tudo está bem pior, para a maioria dos iraquianos. E o pormenor revelado pela foto, é apenas isso mesmo... um pormenor.
Além disso, impede também que a propriedade da farmácia possa ser detida por médicos, laboratórios, distribuidores farmacêuticos, privados que prestem cuidados de saúde e subsistemas que comparticipem no preço dos medicamentos.
Os argumentos de Sócrates não podiam ser mais consensuais. Por que diabo haviam os farmacêuticos de ter a exclusividade da propriedade das farmácias? Por acaso, as escolas têm de ser propriedade de professores? As clínicas têm de ser propriedade de médicos? Os jornais são dos jornalistas? A TAP é dos pilotos?
“Vamos calar a boquinha aí debaixo. Vamos escutar e calar!”, ordena o 2º capataz. Olhando para dentro pergunta: “A traseira está?”. A resposta vem do fundo, “a traseira está.” Nova pancada antes de a estrutura se erguer num salto. “Todas por igual. Ao céu”.
O rádio leitor de CDs começa a tocar o andamento da banda que acompanhará a Virgem da Encarnação. Seguindo o andar arrastado das mulheres, Rafael Martin, de 44 anos, desempregado, segura o rádio como se levasse a música ao colo. A t-shirt branca com o rosto da imagem impressa molda-lhe a barriga. Não falta a um ensaio. “À parte destas [coisinhas], venho pela minha Encarnação”, acrescenta. Cumprimenta toda a gente em tom de festa, e não consegue conter as lágrimas de mãos coladas ao rosto quando contempla a imagem da Virgem. A estrutura avança até deparar com mais um carro estacionado. “Parem aí!”, à ordem do capataz mudam de direcção num ângulo de 90 graus. “Pouco a pouco a esquerda à frente, pouco a pouco a direita atrás!”. Ensaiam durante várias horas pelas ruas do bairro. Às vezes começam a meio da tarde, outras à noite com uma luz giratória de sinalização de cargas pesadas em cima do passo.
Por tradição, promessa, ou apenas por curiosidade estas mulheres decidiram entrar na confraria do Amor por 12 euros/ano. Trazem os filhos aos ensaios, passam-nos debaixo do manto da imagem e põem-lhes o costal. Por vezes desentendem-se. “Todas por igual, valentes!”, diz o capataz. Há até quem veja a Igreja com maus olhos. “Isso está tudo podre. Há interesses económicos, políticos, e mais...”, desabafa Verónica Relaño, de 23 anos. Na t-shirt negra tem escrito Full Contact , e nas calças justas Kiss Me. “Rezo todas as noites mas não tenho porque confessar-me a um padre. Dá-me vergonha”.
Avançam sob as ordens de um capataz, por chicotas, trajectos que raramente ultrapassam os 200 metros. O trabalho é árduo. Meia hora depois da saída o cansaço transparece no rosto das costaleras, as garrafas de água começam a passar de mão em mão. Talvez por isso a formação deste grupo de mulheres tivesse sido tão mal recebida pelas irmandades. “O mundo confrade é muito machista”, afirma o segundo capataz, José Delgado de 33 anos, técnico de ar condicionado. “Mas elas souberam criar um estilo único e conseguiram ser respeitadas”.
A fundadora recorda o quanto foram aplaudidas na praça das Tendillas, a Passagem Oficial da Semana Santa em Córdova. “Fomos primeira página do El País e abertura do telejornal”, acrescenta com emoção. Suportou durante 13 anos o peso do passo da Virgem da Encarnação, graças ao pai que se comprometeu a pagar qualquer eventual estrago.
Lá dentro, é fresco. Caminhamos sobre estrados de teca, por entre um emaranhado vegetal que começou a tomar conta do local.
Mas os pavilhões em madeira de cerejeira ainda lá estão, ligados uns aos outros por pontes pedonais feitas de bambu e pau-rosa. Madeira bordada, rendilhada, em relevo, ainda com as cores fortes ao gosto chinês, amarelo torrado, rosa escuro, vermelho vivo, verde claro, azul céu, as cores da loucura de quem tudo queria e tudo podia.
A cidadela chinesa de Mobutu, cheia de lagos e cisnes e pavões. Os cisnes e pavões, o povo comeu-os. Os lagos e a piscina pertencem, agora, aos sapos.
Mas ainda é possível adivinhar as farras que ali se desenrolaram. Ou se enrolaram… depende da imaginação de cada um.
“A minha filha chegou agora de Badajoz, neste carro que aqui estava”, diz uma senhora que passeia o seu cãozinho branco. “Trabalha lá num hospital, e veio para o ensaio. Tem 21 anos”. Perto das 22 horas chega numa scooter amarela outra das confrades. Um blusão preto protege-a da brisa da noite. Entra pela porta da confraria, com um ar apressado, até à sala onde se reúnem as mulheres antes dos ensaios.
O ambiente é de boa disposição. No meio da névoa dos muitos cigarros que se fumam na sala, contam-se piadas, enrola-se o costal no chão, comentam-se pormenores sobre a saída de 9 de Abril, Domingo de Ramos. Num canto duas costaleras puxam uma faixa, enquanto outra a vai enrolando à volta da zona lombar, de forma a que fique muito justa. No total são 64, mas é raro que compareçam todas em tempo de ensaios. A maioria anda na casa dos 20 anos. Umas mais fortes outras aparentemente frágeis. Vestem roupa desportiva, camisolas do Barcelona ou de outros clubes, mas também jeans e camisolas largas. Algumas têm piercings, no lábio ou no nariz. Uma mistura heterogénea de mulheres, que por tradição, curiosidade, promessa, devoção, se encontram debaixo de uma trave que lhes assenta no pescoço durante muitas horas por ano.
Aida Herdia, de 20 anos, começou a carregar passos aos 15, em equipas mistas, na Ciudad Real onde nasceu. Queria experimentar, “saber o que se sentia em penitência debaixo de uma imagem”. Está no exército desde Outubro de 2005, e foi recentemente transferida para Córdova. “Queria mudar de ares”, e estar mais perto da irmandade. Pertencer a confrarias significa, para ela, uma maneira de expressar a devoção e penitência a Deus, no quotidiano. “É a forma de levar a minha cruz”. Confessa que a música que mais mexe com ela é a das bandas da Semana Santa. Sempre marcada pelo ritmo dos tambores e pela melodia das cornetas, num andamento de inspiração militar.
