Os homens levaram redes compridas. Centenas de metros de uma rede de malha larga. Com isso, eles fazem uma espécie de funil para onde tentam empurrar os animais. Os animais ficam encurralados nesse corredor estreito e acabam por ficar presos na rede e, assim, são mortos com facilidade. Este método de caçar não implica o uso de armas de fogo. O que eles usam mesmo são lanças compridas. Falta dizer que para levar os animais a fugir na direcção da área cercada, os Azande usam cães. São cães de raça Basenji, uns bichos pequenitos, magrelas, de pelo curto e orelhas bicudas. É um cão feioso e quase ridículo, com uma cauda enrolada que lhes dá um certo ar gay… confesso que pouco olhei para os animais. Nem uma fotografia lhes tirei…
... e, agora, para vos mostrar um cão Basenji no seu meio natural, tive de perder horas na net para achar uma foto tirado nos anos 30, no norte do Congo, onde se vê um Azande e o seu cão… Hoje, as populações foram obrigadas a recorrer, de novo, à caça de animais selvagens, depois das aldeias terem sido sucessivamente pilhadas, ao longo de anos a fio, pelos exércitos em luta na guerra civil.Bom, os cães são largados no mato, em matilha, acompanhados por uns pisteiros que os comandam através de assobios. Com este tipo de caça, eles conseguem apanhar herbívoros de pequeno e médio porte, pequenas gazelas ou veados, galinhas do mato e pouco mais.
Os cãezitos magrelas são, apesar de tudo, bichos rijos e valentes. Comem pouco e enfrentam javalis e outros animais selvagens bastante perigosos e bem maiores que eles. Além disso, têm uma particularidade: não ladram. Emitem uns ganidos e uns grunhos, mas não ladram. Acho que isso os coloca bem próximos do lobo… afinal de contas, um cão que também não ladra.Agora imaginem o meu espanto quando, há dias, descobri que os cães Basenji são uma raça velha como o Mundo, que estão referenciados nos hieróglifos egípcios como cães de estimação dos faraós… e que são, hoje, animais de companhia muito estimados nos Estados Unidos e em Inglaterra onde, aliás, existem em grande número.
Quem diria, hem?


Lá fui, já não me lembro quem foi o camera-man. Chegados a Bilbau, depois de pousar as malas no hotel, fomos até ao local onde a conferência ia decorrer. Credenciamo-nos no secretariado e forneceram-nos o programa das festas. Percebi então a razão daquela reportagem: o antigo primeiro-ministro português e conhecido empresário da comunicação social, Dr.Pinto Balsemão, ia botar discurso…
Foi em Durban, precisamente em Julho de 2000, no último dia da XIII Conferência Internacional sobre Sida. Mandela foi ali, para dizer ao Mundo quanto o envergonhava a “postura negocial” das multinacionais farmacêuticas que não estavam dispostas a libertar as patentes de fabrico dos medicamentos essenciais para a luta contra a pandemia e, talvez mais ainda, quanto o envergonhava a actuação do governo sul-africano e do seu líder, afinal de contas o homem que lhe sucedeu na chefia do estado, Thabo Mbeki.

Talvez agora não seja possível ressuscitar o exército cristão maronita, mas pode ser que as Nações Unidas ou os EUA façam uma coisa parecida, ou seja, enviem para a zona um exército qualquer que garanta a segurança e a separação dos inimigos. Uma força de interposição.
Mas o que acho verdadeiramente surpreendente é a dimensão do arsenal do Hezbollah… mísseis de curto e médio alcance de fabrico iraniano, aparentemente os Fajr-3 (alcance de 45 km) e os Fajr-5 (alcance 75 km) e, provavelmente, também o Zelzal-2 (200 km de alcance), para além da arma mais tradicional, o mundialmente famoso Katyushas de fabrico russo (25 km de alcance). Parece-me que, primeiro, Israel foi surpreendido por esta capacidade de fogo do Hezbollah e, segundo, que existe aqui um óbvio “dedinho” do Irão e, talvez, da Síria, de modo a tirarem dividendos seguros de uma situação de conflito como a que já está em curso.
Israel não quis Arafat como interlocutor político. Talvez os israelitas julgassem que com outro dirigente palestiniano poderiam manobrar mais facilmente. Mas esqueceram-se que Arafat queria, essencialmente, construir um estado. Os que o substituiram talvez só queiram destruir. Os generais desta guerra parecem procurar uma batalha definitiva para esta luta... como se fosse possível escolher entre glória ou morte. Loucos.

Era um edifício de rés-do-chão e primeiro andar. Deve ter sido em tempos uma escola, pela traça do prédio. Mas acabou em orfanato, dadas
Aqueles miúdos eram sobreviventes. Estavam vivos, depois de todos os outros terem morrido.
Claudino atravessava a aldeia, todos os dias, para passar umas horas com as velhotas. Pelo caminho, roubava sempre qualquer coisa. Um cacho de bananas, um ananás, uma raiz de mandioca, qualquer coisa que lhes
Gostei muito daquelas horas passadas no Bailundo. Foi interessante verificar como Kofi Annan tratava Savimbi em público, como se o angolano fosse a pessoa mais importante do Mundo. De certo modo, até era. Pelo menos, naquele momento e naquele lugar, era, de facto. Foi igualmente interessante ver como o povo do Bailundo temia aquele chefe. Nunca antes tinha estado com gente tão silenciosa e de olhos tão em baixo. Foi muito interessante, também, apreciar a arrogância de Savimbi quando, depois de terminada a reunião, foi à varanda do 1º piso mostrar Kofi Annan ao povo e discursou em umbundo. Nem uma palavra em português ou inglês, nem mesmo por cortesia com o convidado ou os vários jornalistas estrangeiros que ali estavam ou, até, pelos jornalistas angolanos que não falassem aquele dialecto.
Mas também sei que a tradição ainda é um valor real para os povos que vivem longe das influências globalizantes do Mundo moderno e, por isso, percebo que não se possa confundir a obediência revelada por aquelas pessoas apenas com temor. O respeito pelas hierarquias, o 
No lado congolês, em Matadi, havia uma barreira da polícia para fiscalizar veículos e identidades, mas o soldado angolano fez questão de acelerar e furar a barreira, enquanto gritava pela janela. A excursão tinha um único objectivo: mostrar-nos quem mandava ali.
Nas pontes, havia problemas de sustentabilidade… ou seja, as pontes eram de madeira, simples troncos deitados a unirem as margens dos rios, às vezes com uma face aparada. Apodreciam rapidamente e era necessário verificar se estariam em condições para aguentarem com o peso do carro. Como frequentemente não estavam, lá íamos nós de machado e serrote em punho cortar umas árvores para refazermos a ponte. Como o norte do Congo é uma imensa rede hidrográfica, de 20 em 20 km havia uma ponte para reparar…
Em 



As instalações militares, depois da independência, passaram a clube civil. Chamaram-lhe clube de caçadores, talvez para manter a designação. Sempre que fui à Guiné, procurei ter tempo para passar no Saltinho. Do lado de cima da queda de água dizem que há crocodilos e hipopótamos. Não sei, nunca vi.
O “bicho” mais horrível que vi, no Saltinho, foi o rabo do Odacir Júnior, numa tarde de paródia.
