Mas, agora, o futuro de Timor só depende dos próprios timorenses, livres de todas as colonizações e opressões, pensamos nós. Será assim? Os últimos acontecimentos revelam que as potências que rodeiam Timor, Indonésia e Austrália, continuam a condicionar as opções dos timorenses. O cheiro do petróleo trouxe demasiados tubarões para as praias timorenses.
A precariedade do Estado, quatro anos depois da independência, faz de Timor um “paraíso para o crime internacional, o terrorismo e para a injustiça social e humanitária”, tal qual afirmou recentemente o ministro da Defesa da Austrália, o senhor Brendon Nelson. Exagero?
A impunidade com que os insurrectos agiram, nos últimos acontecimentos, talvez justifique as palavras do político australiano.
Será que nos enganámos todos, quando desejámos tanto a independência de Timor? Foram razões do coração e não da razão que, dessa vez, influenciaram toda a comunidade internacional? Outro australiano, Don Watson, conselheiro de um antigo primeiro-ministro da Austrália, disse que considerava "ser preferível viver debaixo de uma ocupação impiedosa do que num Estado falhado”, referindo-se a Timor.O afastamento de Alkatiri é visto, por muitos, como uma mudança de regime provocada pela Austrália, face a um dirigente hostil como Mari Alkatiri parecia estar a transformar-se… é esta a opinião de John Pilger, activista dos direitos humanos, um feroz crítico de todos quanto dizem que teria sido preferível Timor continuar integrado num Estado forte e dinâmico como a Indonésia, do que ser um micro-Estado eternamente dependente das ONG e da boa vontade dos EUA, Austrália e Portugal.
Quando se livraram da Indonésia, os dirigentes timorenses escolheram o português como língua oficial do novo Estado. Portugal inchou de orgulho neo-colonialista e fez um esforço real para ajudar a reimplantar o português como língua falante no território. Foi aí que a minha irmã foi a Timor e tirou a fotografia aquele muro grafitado… mas o resultado disso é que, hoje, Timor tem uma língua oficial de nenhuma utilidade para o relacionamento com outros parceiros asiáticos… embora, enfim, falar português sempre é uma marca distintiva e, verdadeiramente, a única que os separa de todos os outros povos indonésios.
Vem isto tudo a propósito de quê, quererão saber… é que, ao olhar para a fotografia que vos mostro aqui, dei comigo a imaginar quanto tempo aquela pintura mural vai resistir…
Muzungo só gostava de apanhar peixe-tigre. Depois de morto, o bicho, por vezes maior que a canoa de Muzungo, tinha de ser rebocado para a aldeia, onde era aberto e limpo para poder secar ao sol. Chamam-lhe “cabalao”, quando está seco…
O rio também tem crocodilos, que também comem peixe. Crocodilos e homens disputam o mesmo prato e é por isso, acho eu, que não se dão bem. Dizem os homens que o crocodilo é uma reincarnação de um espírito maligno. Não sei o que dirão os crocodilos…
Os homens vão para o rio de manhã cedo, ainda quando tudo está escondido pelo nevoeiro. Um nevoeiro espesso, branco, que parece fumo a sair da água. A essa hora, os crocodilos dormem.


A escola pública onde a minha filha estuda fecha as portas na próxima 2ªfeira. Isto é, as aulas já acabaram há umas semanas, mas a empresa que assegurava a Ocupação dos Tempos Livres dos miúdos também vai de férias. Assim, a escola fecha. Assim, 
Cresceram analfabetos, mas num ápice conseguem desmontar e montar uma kalashnikov. São fiéis à tribo e aos seus homens importantes.
Ao todo, há 33 candidatos presidenciais e 9.500 candidatos a deputados… os boletins de voto têm 8 páginas. A maioria dos 25 milhões de eleitores é analfabeta e vê o Mundo à dimensão da tribo… o que se poderá esperar destas eleições, senão um imenso logro e uma tremenda confusão?
Lenin Oil, Pedro Rosa Mendes e
Para se chegar ao abismo da Tundavala, é preciso fazer cerca de 15 quilómetros por estradas de terra batida desde a cidade do Lubango. Acho que não há quem não os faça. Ir ao Lubango e não ir à Tundavala, é pior que ir a Roma e não ver o Papa.
Só lá estive uma vez, em 1986. Fui ao Lubango com o Paulo Dentinho. Lá fizemos parte de três episódios da série “Os Que Não Voltaram”, que a RTP exibiu no ano seguinte, se a memória não me falha.
De modo que, quando fomos levados à Tundavala por um dos portugueses que viviam no Lubango (um dos tais que não voltaram), ele chamou-nos a atenção, disfarçadamente, para o chão. Era um terreno arenoso, de areia clara. Enterrou a biqueira do sapato e, lentamente, trouxe à superfície uma cápsula de bala de kalashnikov. Durante o resto do tempo que passámos ali, eu e o Paulo dedicámo-nos a desenterrar mais cápsulas, disfarçadamente. Eram muitas. Eram a evidência dos fuzilamentos que se fizeram ali, à beira daquele precipício. Já nos tinham dito que, lá em baixo, no fundo da ravina com mais de mil metros, estavam muitos corpos de vítimas da violência política. Tínhamos duvidado mas, a partir daquele dia, passámos a acreditar.
O cartão não está datado. Tem o símbolo da UNITA e as palavras “Comité Renovador” e “IX Congresso”. O mistério está no facto de que o IX Congresso da UNITA ter sido em 2003, em Junho ou Julho, se não me engano e, nessa data, eu não ter estado em Angola. Além disso, a conexão entre o propalado “Comité Renovador” e o IX Congresso do partido não faz qualquer sentido… que raio de cartão é este?
Depois, a polícia cercou e assaltou a sede da UNITA em Luanda. Os militantes que não aderiram à facção renovadora deixaram de poder entrar no edifício.
Arafat instalou-se em Tunis. Anos mais tarde,
Do Largo do Chafariz partem várias ruas bairro acima. Optei pela rua de São Pedro. Por ali, havia muitos prédios degradados. Adivinhava-se o avanço das obras coercivas Alfama dentro. Fiquei encurralado no Beco do Azinhal. Tive de dar meia volta, mas antes admirei a imensa árvore-da-borracha que ganhou ali raízes. Um “cheirinho” a Brasil que até fica bem em Alfama.
Continuei a caminhar pelas ruelas estreitas. Em algumas, de braços abertos tocava nas paredes dos dois lados da rua. Procurava gente, mas não encontrava… embora não faltassem sinais de vida: cuecas e peúgas penduradas nas janelas… miados de gato…
E, de repente, uma senhora. “Boa noite”, em tom sereno para não assustar a senhora. “Só lhe queria perguntar que encanto tem viver nestas ruas velhas…”. Maria de Fátima parou, reparou nas letras do
Foi uma experiência inesquecível. Quando a viagem terminou e pusemos finalmente os pés em terra, o que eu queria mesmo era que aquilo jamais acabasse.



Os homens levaram redes compridas. Centenas de metros de uma rede de malha larga. Com isso, eles fazem uma espécie de funil para onde tentam empurrar os animais. Os animais ficam encurralados nesse corredor estreito e acabam por ficar presos na rede e, assim, são mortos com facilidade. Este método de caçar não implica o uso de armas de fogo. O que eles usam mesmo são lanças compridas. Falta dizer que para levar os animais a fugir na direcção da área cercada, os Azande usam cães. São cães de raça Basenji, uns bichos pequenitos, magrelas, de pelo curto e orelhas bicudas. É um cão feioso e quase ridículo, com uma cauda enrolada que lhes dá um certo ar gay… confesso que pouco olhei para os animais. Nem uma fotografia lhes tirei…
... e, agora, para vos mostrar um cão Basenji no seu meio natural, tive de perder horas na net para achar uma foto tirado nos anos 30, no norte do Congo, onde se vê um Azande e o seu cão… Hoje, as populações foram obrigadas a recorrer, de novo,
Os cãezitos magrelas são, apesar de tudo, bichos rijos e valentes. Comem pouco e enfrentam javalis e outros animais selvagens bastante perigosos e bem maiores que eles. Além disso, têm uma particularidade: não ladram. Emitem uns ganidos e uns grunhos, mas não ladram. Acho que isso os coloca bem próximos do lobo… afinal de contas, um cão que também não ladra.
Quem diria, hem?


Lá fui, já não me lembro quem foi o camera-man. Chegados a Bilbau, depois de pousar as malas no hotel, fomos até ao local onde a conferência ia decorrer. Credenciamo-nos no secretariado e forneceram-nos o programa das festas. Percebi então a razão daquela reportagem: o antigo primeiro-ministro português e conhecido empresário da comunicação social, Dr.Pinto Balsemão, ia botar discurso…
Foi em Durban, precisamente em Julho de 2000, no último dia da XIII Conferência Internacional sobre Sida. Mandela foi ali, para dizer ao Mundo quanto o envergonhava a “postura negocial” das multinacionais farmacêuticas que não estavam dispostas a libertar as patentes de fabrico dos medicamentos essenciais para a luta contra a pandemia e, talvez mais ainda, quanto o envergonhava a actuação do governo sul-africano e do seu líder, afinal de contas o homem que lhe sucedeu na chefia do estado, Thabo Mbeki.

Talvez agora não seja possível ressuscitar o exército cristão maronita, mas pode ser que as Nações Unidas ou os EUA façam uma coisa parecida, ou seja, enviem para a zona um exército qualquer que garanta a segurança e a separação dos inimigos. Uma força de interposição.
Mas o que acho verdadeiramente surpreendente é a dimensão do arsenal do Hezbollah… mísseis de curto e médio alcance de fabrico iraniano, aparentemente os Fajr-3 (alcance de 45 km) e os Fajr-5 (alcance 75 km) e, provavelmente, também o Zelzal-2 (200 km de alcance), para além da arma mais tradicional, o mundialmente famoso Katyushas de fabrico russo (25 km de alcance). Parece-me que, primeiro, Israel foi surpreendido por esta capacidade de fogo do Hezbollah e, segundo, que existe aqui um óbvio “dedinho” do Irão e, talvez, da Síria, de modo a tirarem dividendos seguros de uma situação de conflito como a que já está em curso.
Israel não quis Arafat como interlocutor político. Talvez os israelitas julgassem que com outro dirigente palestiniano poderiam manobrar mais facilmente. Mas esqueceram-se que Arafat queria, essencialmente, construir um estado. Os que o substituiram talvez só queiram destruir. Os generais desta guerra parecem procurar uma batalha definitiva para esta luta... como se fosse possível escolher entre glória ou morte. Loucos.

Era um edifício de rés-do-chão e primeiro andar. Deve ter sido em tempos uma escola, pela traça do prédio. Mas acabou em orfanato, dadas
Aqueles miúdos eram sobreviventes. Estavam vivos, depois de todos os outros terem morrido.
Claudino atravessava a aldeia, todos os dias, para passar umas horas com as velhotas. Pelo caminho, roubava sempre qualquer coisa. Um cacho de bananas, um ananás, uma raiz de mandioca, qualquer coisa que lhes
Gostei muito daquelas horas passadas no Bailundo. Foi interessante verificar como Kofi Annan tratava Savimbi em público, como se o angolano fosse a pessoa mais importante do Mundo. De certo modo, até era. Pelo menos, naquele momento e naquele lugar, era, de facto. Foi igualmente interessante ver como o povo do Bailundo temia aquele chefe. Nunca antes tinha estado com gente tão silenciosa e de olhos tão em baixo. Foi muito interessante, também, apreciar a arrogância de Savimbi quando, depois de terminada a reunião, foi à varanda do 1º piso mostrar Kofi Annan ao povo e discursou em umbundo. Nem uma palavra em português ou inglês, nem mesmo por cortesia com o convidado ou os vários jornalistas estrangeiros que ali estavam ou, até, pelos jornalistas angolanos que não falassem aquele dialecto.
Mas também sei que a tradição ainda é um valor real para os povos que vivem longe das influências globalizantes do Mundo moderno e, por isso, percebo que não se possa confundir a obediência revelada por aquelas pessoas apenas com temor. O respeito pelas hierarquias, o 
No lado congolês, em Matadi, havia uma barreira da polícia para fiscalizar veículos e identidades, mas o soldado angolano fez questão de acelerar e furar a barreira, enquanto gritava pela janela. A excursão tinha um único objectivo: mostrar-nos quem mandava ali.
Nas pontes, havia problemas de sustentabilidade… ou seja, as pontes eram de madeira, simples troncos deitados a unirem as margens dos rios, às vezes com uma face aparada. Apodreciam rapidamente e era necessário verificar se estariam em condições para aguentarem com o peso do carro. Como frequentemente não estavam, lá íamos nós de machado e serrote em punho cortar umas árvores para refazermos a ponte. Como o norte do Congo é uma imensa rede hidrográfica, de 20 em 20 km havia uma ponte para reparar…
Em 
