foto de Doug Beasley
A Amnistia Internacional está a tentar travar a execução.
foto de Doug Beasley
A Amnistia Internacional está a tentar travar a execução.
Elefantes em estado selvagem existem, ainda, em 37 países africanos e Angola é o único que não assinou a convenção CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).
Vem tudo na edição de hoje do DN, na secção media, onde num artigo sobre “os nove truques que fazem vender jornais”, pode-se ler, às tantas, que o idolatrado lucro tem dois caminhos para lá se chegar, “cortar custos ou aumentar investimento. Tem-se cortado, cortado, cortado, mas não se tem investido para aumentar receitas, alertam os especialistas, acrescentando que é tempo de investir em pessoas, papel, produtos, promoções e produção. Os custos irão crescer, mas não se pode manter margens para sempre, agindo como canibais."
Esta foto de Timor faz parte do espólio dos afectos desta minha irmã que, um dia, para lá foi ensinar português e por lá deixou a alma… a causa de Timor foi, de resto, a mais bela causa colectiva que os portugueses foram capazes de levar a bom porto.
foto de Wolf Boewig
Lembram-se deste post? Alguém que o leu, algures no Mundo, serviu de ponte para este “reencontro”. Mesmo virtual, não deixa de ser comovente.
Se quiserem conhecer o trabalho deste fotógrafo, o link também vinha na mensagem.
da Revista Além Mar deste mês, sou eu que escrevo. Entrem no sítio, à esquerda do ecrã cliquem na secção ContraPonto.
Só depois os frutos são colocados numa mó para serem esmagados. Tudo à força de braço... Depois de esmagado, tudo aquilo é fervido dentro de um bidão colocado sobre uma fogueira. Esta é a fase mais difícil de suportar, por causa do cheiro gordoroso, nauseabundo, que exala da fervura...
Dessa fervura escorre um óleo avermelhado que, juntamente com a água da fervura, é então separado dos resíduos sólidos. Depois, finalmente, basta tentar separar o óleo da água, aproveitando o facto de serem líquidos de densidades muito diferentes. Quanto menos água o óleo tiver, melhor.

É assim que se produz óleo de palma, um tempero culinário utilizado em muitos países africanos, tanto em pratos de peixe como de carne. Eu gosto.
na Guiné-Bissau
no Congo
Há 14 anos atrás, a SIC dava-se a conhecer, com a Alberta Marques Fernandes (a apresentar um noticiário intercalar a meio da tarde), com uma reportagem da Cândida Pinto sobre o deflagrar dos conflitos em Luanda e, pouco depois, na estreia do célebre programa Praça Pública, com uma reportagem minha e do Carlos Aranha sobre a seca no Alentejo. Mais tarde, o José Alberto Carvalho, no Jornal da Noite…
Agora, talvez queiram saber porque falo neste livro… primeiro, porque acho extraordinário que este livro, que é apresentado como obra de ficção, chame todos os bois pelo nome próprio. Isto é, Albino Luciani é o Papa João Paulo I, Paul Marcinkus é o arcebispo norte-americano que dirigia o Banco do Vaticano, Roberto Calvi é o banqueiro italiano conhecido como o “Banqueiro de Deus” e que foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte em Londres, depois da morte do Papa, Lúcia dos Santos é a “nossa” irmã Lúcia, entre outros personagens que participam na história.
Em 1998 estive no Menongue. Uma terreola pobre perdida na planície e, naquela época, praticamente isolada do resto do Mundo. Cheguei lá em cima de um camião do PAM (Programa Alimentar Mundial, agência da ONU), escoltado por blindados pintados de branco (UNAVEM II)… O camião arrastou-se a 20 quilómetros por hora e sofreu sérias avarias mecânicas por duas vezes. Todas as pontes existentes entre Huambo e Menongue já tinham morrido em combate… o que fazia com que aquela viagem só fosse possível no cacimbo, quando não chove. Foram três dias muito penosos e duas noites de muito frio, a dormir debaixo do camião, alumiado por fogueiras e aquecido pelo whisky que a generosidade do motorista fez com que chegasse para nós também. Como faz frio naquele ermo em Agosto…
Renato kizito
Os miúdos têm roupa decente para vestir, têm educação escolar e religiosa, alguns ainda têm a sorte de aprender uma profissão às custas de patrocínios que Kizito procura obter incessantemente. A falta de dinheiro é a maior aflição do missionário. Dar de comer a dezenas de rapazes, vesti-los e calçá-los, manter o edifício de pé e com um mínimo de goteiras possível, custa uma fortuna.

Um dia, Kizito teve uma ideia brilhante. Engatou um amigo de infância, padeiro de profissão, a ir passar uns meses a Nairobi. Já reformado, tempo não faltava ao velho padeiro. Kizito teve o cuidado de o prevenir sobre as condições em Riruta, o bairro degradado onde vive. Mas o amigo foi.
O padeiro italiano ensinou os miúdos mais velhos a fazer pão. Belos cacetes de pão italiano que passaram a ser vendidos à porta do Centro, na rua enlameada. O negócio foi um sucesso. O problema, então, passou a ser como garantir os fornecimentos de farinha e fermento, de modo a não falhar na produção.

Agora, já sabem. Se forem a Nairobi e se vos apetecer pão quentinho e estaladiço, têm de ir a Riruta, um dos imensos bairros de lata de Nairobi. Os carros dificilmente entram nas ruelas do bairro, mas não há que enganar. Terão de caminhar e… seguir o cheiro a pão fresco. Garanto-vos que será uma experiência e tanto.

Ainda assim, a proposta de reduzir salários, segundo o que li na Lusa, parece-me ser o mal menor… mas preferia ter lido que o empresário e o director do jornal tinham acordado numa nova estratégia expansionista, que tinham decidido partir à conquista dos milhões de pessoas que, todos os dias, olham para o jornal no escaparate dos quiosques e não o compram…
O Público não vende o suficiente, parece… mas é, de facto, o jornal de referência para muitos de nós. É verdade que isso acontece numa lógica de exclusão de partes… não havendo melhor, contentamo-nos com aquilo… o que só reforça a ideia de que o Público tem muito caminho para andar, sr.Belmiro.
Por este andar, o jornal corre o risco de passar a ser feito pelos amiguinhos do director e pelos afilhados do patrão, os únicos que serão protegidos nesta fase de escolher os dispensáveis. Nunca foi o melhor critério de selecção de recursos humanos, mas é o mais usado...
A fotografia é de um sítio que se chama Bomba Alta, um nome curioso para um centro médico dedicado a vítimas de minas terrestres. Fica nos arredores do Huambo, uma cidade que já foi o “coração” de Angola.
Ouvia o homem e "viajei" para... Baidoa, Somália, 1992.
O que quer isto dizer? Que o poder instituído está a fazer tudo para se perpetuar, claro. Kabila joga tudo o que tem, para derrotar Bemba. Bemba pertence à maior etnia congolesa (a mesma do antigo ditador Mobutu) e, por isso, tem suficiente apoio popular para amedrontar Kabila (que herdou o poder, depois do assassinato do pai, com apoio militar fornecido por Angola).
De que riam estes tipos? Hoje, passados 7 anos, já nem sei…
O Pedro Rosa Mendes já me tinha falado naquela viagem de comboio. Julgo que a fez em lua de mel… tinha-me falado com entusiasmo no comboio pachorrento que atravessava as montanhas, desde Quetta até Rawalpindi. 48 horas sem catering… a comida cozinhada em pequenas fogueiras acesas no chão das carruagens… as longas paragens nos apeadeiros no meio de nenhures, os túneis, o serpentear à beira dos precipícios, as seis rezas por dia… tudo isso fez-me apanhar esse comboio também. O Pedro chamou-lhe "o comboio de deus" e eu cheguei a pensar que iria fazer uma reportagem nesse comboio. Mas não fiz. Não me apeteceu.
Fiz boa parte da viagem sentado na borda da carruagem, com as pernas para fora. Foi ali que o tipo me encontrou. Wolf Boewig, franco-alemão, repórter fotográfico. No palavra-puxa-palavra descobrimos que tínhamos um amigo comum. Precisamente o Pedro Rosa Mendes, com quem o Wolf fez vários trabalhos de reportagem, de resto.
A foto está na parede da sala, o livro na estante. Nunca mais vi o Wolf, mas jamais esquecerei tanta capacidade de partilhar.
O paralelismo com o que se passou em 92, em Luanda, é mais do que evidente… Bemba, tal qual fez Savimbi então, também lançou acusações de fraude na contagem dos votos da 1ªvolta. Kabila, tal qual fez José Eduardo dos Santos, utiliza a força do Estado para se proteger…
O mar metia medo. O primeiro dia foi um tormento que, para mim, terminou quando deixei de resistir à agonia do enjoo. Prostrei-me no beliche e deixei-me ficar ali. Nos raros momentos de lucidez, apercebi-me que o temporal desabava sobre o veleiro de 14 metros. Houve momentos em que dei comigo suspenso no ar, entre o beliche e o tecto, quando o barco caía do alto das vagas. Havia barulhos tremendos e cheguei a pensar que o barquito se ia partir. Ressuscitei ao fim de três dias. Comi metade de uma bolacha Maria e senti-me reviver. Apercebi-me então que, de toda a tripulação, apenas três se tinham aguentado satisfatoriamente. O velho John, o skeeper (um verdadeiro lobo do mar), O Zé Santana e o Pedro Laginha. Eles aguentaram o barco em cima de água, mas contaram-me que houve um momento em que eles próprios tinham desistido. Fecharam o barco de modo a impedir ao máximo a entrada de água, recolheram totalmente as velas e deixaram o barco à deriva… contaram-me que o vento tinha chegado aos 120 km/hora e as vagas eram altas como prédios de 7 andares.
A alternativa era o avião da Força Aérea, um pequeno Aviocar, aparelho capaz de aterrar nos 500 metros da pista de terra batida. Mas sem vento… e, assim, o avião também não aterrava. O vento soprou durante 15 dias. Nunca choveu, nem nada. Não fez frio. Não houve nenhum temporal. Era só vento… mas o suficiente para deixar uma ilha isolada, uma população inteira (300 almas…) à espera. Os corvinos não estranhavam. No Inverno é bem pior, claro. Chegam a estar meses sem conseguirem sair da ilha. Vive-se ali um tempo longo, sem ampulhetas.
Há demasiado lixo em Luanda, apesar de se estar a fazer um esforço para o remover para a periferia. Há remoção de lixo do centro da cidade, é verdade. Também é verdade que é feito com imensas deficiências, sem equipamento adequado e, pior que tudo, a lixeira (a céu aberto) fica demasiado perto da cidade e ainda mais perto dos novos bairros periféricos para onde os aspirantes a burgueses se estão a mudar.
Mas persistem os esgotos a céu aberto, as valas de águas residuais, muitas casas de construção precária não têm instalações sanitárias e, assim, há uma multidão que defeca diariamente na via pública. Um ecossistema perfeito para o vírus da cólera…
Se bem se lembram, no início deste ano uma epidemia devastou Luanda e espalhou a doença por todo o país. Na última contagem de que tenho memória, falava-se em dois mil mortos e dezenas de milhar de doentes. O governo angolano começou por rejeitar ajuda, nomeadamente a portuguesa, dizendo com arrogância que tinha capacidade para resolver a situação… mas, em pouco tempo, estendeu a mão aos cheques da União Europeia (3 milhões de €, se não estou em erro…), da China, da Rússia e esmolou médicos às ONG internacionais.
A cólera é uma doença altamente contagiosa que se transmite através da água, manifestando-se por vómitos e diarreia, o que provoca desidratação grave e, por fim, a morte. Água suja é, portanto, caldo alimentador do vírus. E, por isso, impressionou-me ver, diariamente, centenas de mulheres e crianças a "lavar" roupa num esgoto a céu aberto (é a 4ªfotografia) que corre do Futungo para a Samba, a caminho do mar…
O interessante sobre este documento do SPLA é o carimbo que o autentica. Em tinta roxa, certifica-se que o documento que me autorizava a viajar foi passado pelo Sudan Relief and Rehabilitation Association, uma ONG sedeada em Nairobi, no Quénia, que alegadamente se dedicava às crianças órfãs da guerra civil sudanesa. De facto, a sede da SRRA era a “embaixada” do SPLA no Quénia. Era, ainda, através desta ONG que o SPLA administrava boa parte do dinheiro doado pelos seus amigos ou aliados para a sustentação da guerra.Foi fácil obter este documento, sem o qual não teria conseguido viajar. Foi fácil porque quem solicitou a autorização foi a Igreja Católica, através da Diocese de Rumbek, uma cidade importante no sul do Sudão, cujo Bispo, um italiano, vivia refugiado em Nairobi.
Às vezes, encontramos apoios onde menos se espera, não é?

A segunda foto é um recuerdo dessa viagem. À minha direita está Dorinda Cunha, a heroína dessa história que contei num documentário intitulado "Missão Impossível", exibido na SIC, trabalho que mereceu o prémio Jornalismo Contra a Indiferença atribuído pela AMI.
Mas não… falaram-me que Luanda já tem mais de 5 milhões de habitantes e, por isso, tornou-se num sítio caótico e perigoso. Do caos já aqui falei um pouco… da perigosidade, enfim, basta ver como ainda se vive na cidade: janelas gradeadas, portas de aço, guardas armados no interior dos quintais. Há casas que mais parecem jaulas.
É verdade que nada disso é novo. Em 1998, depois de um mês de hotel, decidi sugerir ao meu director que me deixasse alugar um apartamento… era três vezes mais barato para a empresa (no caso Impresa) e cem vezes mais agradável para mim. Aluguei um T3, num 2ºandar no bairro da Maianga. A nossa varanda era a única que não tinha grades. Todas as outras, até ao 5º piso, estavam defendidas por barras de ferro. Para entrar em casa tinha de abrir cinco portas, quatro de ferro e uma de madeira. Cheguei a pensar que, se um dia houvesse um incêndio no prédio, ninguém se salvaria na atrapalhação de ter de fugir através de cinco portas trancadas…
O medo da bandidagem vem de longe, como podem ver. E com milhões de habitantes a viver na maior indigência, não vejo como a situação poderá melhorar no futuro. A verdade é que a pobreza é uma boa desculpa para a criminalidade, embora os maiores criminosos angolanos não sejam pobres…
Nesse ano, lembro-me de uma tarde em que estava no bar do hotel e escutei uma conversa entre dois tipos que negociavam um “esquema” de ambos ganharem dinheiro.
Agora, nestas férias que fiz em Luanda, dei uma volta de barco pela baía… e, lá estavam eles, os navios acabados vendidos ao bom preço de quase novos. Uns afundados, outros semi-submersos, outros tombados de bordo, outros comidos pela ferrugem, todos sem préstimo nem valor.
São dezenas de navios que alguém pagou e pouco usou. Imagino que tenha sido o estado angolano… porque não acredito que algum privado tivesse embarcado naquilo. Mas aposto que todos aqueles navios pertencem a empresas estatais, empresas governadas por corruptos amealhadores de comissões e pouco interessados no bem comum.
A água da baía de Luanda é escura e viscosa. Doentia.
Não tenho 10 medidas milagrosas, como sugeres. Só encontro uma saída: a revolução. Voltar a partir tudo, para compor mais tarde. Nacionalizar tudo de novo e, enfim, redistribuir verdadeiramente. Mas sei que isso é... um sonho.