Maria e Teodora, eram duas velhotas, para lá de septuagenárias, guardadas à vista por um pelotão de soldados da KFOR. Não que estas freiras católicas ortodoxas fossem perigosas criminosas, mas porque os habitantes da aldeia próxima, muçulmanos albaneses, as queriam matar. 
Não eram só as pessoas que desapareciam, mas também todo o património histórico medieval, a memória de quando aqueles territórios eram fronteira entre o ocidente e o oriente.
O Mosteiro de Budisavci, julgo que era assim que se chamava o local, foi construído no século XVI com as pedras de uma igreja do século XIV. Quando a Jugoslávia se desagregou, os muçulmanos atiraram-se às igrejas ortodoxas, aos cemitérios sérvios, aos mosteiros, aos museus, aos castelos, aos monumentos e tudo vandalizaram e destruíram.
Quando as acções foram bem organizadas, usaram dinamite e o problema resolveu-se em definitivo. Quando não, limitaram-se a queimar os interiores e a partir tudo quanto puderam. Foi o que aconteceu em Budisavci.
Os soldados portugueses gostavam daquela missão. As velhotas eram simpáticas e os soldados podiam gozar dos prazeres de uns dias no campo. Compravam, muito barato, o mel produzido nas colmeias que as freiras lá tinham e entretinham-se por ali, patrulhando as redondezas. 

Se não adivinharem, sei que a culpa é minha.
Mas esta era em directo, aproveitando a facilidade do país ser plano como uma tábua. A cooperação portuguesa levou centenas, milhares de televisores e antenas de recepção, uma pantalha para cada tabanca da Guiné. A ideia era, precisamente, passar a mesma tv escola que existia aqui em Portugal. Se servia para ensinar meninos portugueses das aldeias recônditas do país, serviria também para ensinar meninos guineenses. O projecto faliu. Os painéis de energia solar não funcionavam bem, as baterias que alimentavam os televisores esgotavam-se, a humidade deu cabo de tudo, não havia técnicos para fazer tanta manutenção. As lixeiras da Guiné ficaram cheias daquela tecnologia impreparada para ambientes agrestes.


Lá dentro, a madrugada ia serena. O hospital estava vazio, coisa estranha. A menina fardada na recepção pediu identificação e qualquer cartão de qualquer companhia de seguros. Como não havia, disse “Ah! É particular”. Pois que fosse.





Até lá, é bem provável que o Dr.Balsemão, ou alguém mandado por ele, trate de passar o cheque de quase 4 anos de salários, décimo terceiro e subsídios de férias, tal como manda a lei. Certamente, o mesmo funcionário tratará de apresentar ao Jorge Schnitzer uma razoável proposta para a rescição amigável do contrato de trabalho. É que se o Schnitzer assume, de facto, o seu posto de trabalho, as gargalhadas de gozo vão abanar seriamente os alicerces do armazém.
Mas também me emocionei a vê-los em liberdade e segurança, como aconteceu no norte do Quénia, num sítio chamado Sweetwaters, perto de Nanyuki… Sweetwaters é uma reserva natural onde muitos biólogos de todo o Mundo vão realizar pesquisas científicas. Fui lá visitar um desses coca-bichinhos,
Para chegar a casa dele, percorríamos vários quilómetros por uma planície de savana e, um dia, demos com uma pequena manada de elefantes que se deleitavam na lama de um charco. A manada tinha crias e foi emocionante sentir a fraternidade que existia entre os elementos do grupo. Habituados a serem espiados, os elefantes não se sentiram ameaçados pela nossa presença e pude fotografá-los à vontade embora não fosse prudente aproximar-me demasiado. As fotos que aqui vos mostro são a memória desse momento.
Elefantes em estado selvagem existem, ainda, em 37 países africanos e Angola é o único que não assinou a convenção CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).
Vem tudo na edição de hoje do DN, 
Esta foto de Timor faz parte do espólio dos afectos desta minha irmã que, um dia, para lá foi ensinar português e por lá deixou a alma… a causa de Timor foi, de resto, a mais bela causa colectiva que os portugueses foram capazes de levar a bom porto.

Só depois os frutos são colocados numa mó para serem esmagados. Tudo à força de braço... Depois de esmagado, tudo aquilo é fervido dentro de um bidão colocado sobre uma fogueira. Esta é a fase mais difícil de suportar, por causa do cheiro gordoroso, nauseabundo, que exala da fervura...
Dessa fervura escorre um óleo avermelhado que, juntamente com a água da fervura, é então separado dos resíduos sólidos. Depois, finalmente, basta tentar separar o óleo da água, aproveitando o facto de serem líquidos de densidades muito diferentes. Quanto menos água o óleo tiver, melhor. 




Agora, talvez queiram saber porque falo neste livro… primeiro, porque acho extraordinário que este livro, que é apresentado como obra de ficção, chame todos os bois pelo nome próprio. Isto é, Albino Luciani é o Papa João Paulo I, Paul Marcinkus é o arcebispo norte-americano que dirigia o Banco do Vaticano, Roberto Calvi é o banqueiro italiano conhecido como o “Banqueiro de Deus” e que foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte em Londres, depois da morte do Papa, Lúcia dos Santos é a “nossa” irmã Lúcia, entre outros personagens que participam na história.
Em 1998 estive no Menongue. Uma terreola pobre perdida na planície e, naquela época, praticamente isolada do resto do Mundo. Cheguei lá em cima de um camião do PAM (Programa Alimentar Mundial, agência da ONU), escoltado por blindados pintados de branco (UNAVEM II)… O camião arrastou-se a 20 quilómetros por hora e sofreu sérias avarias mecânicas por duas vezes. Todas as pontes existentes entre Huambo e Menongue já tinham morrido em combate… o que fazia com que aquela viagem só fosse possível no cacimbo, quando não chove. Foram três dias muito penosos e duas noites de muito frio, a dormir debaixo do camião, alumiado por fogueiras e aquecido pelo whisky que a generosidade do motorista fez com que chegasse para nós também. Como faz frio naquele ermo em Agosto…



Ainda assim, a proposta de reduzir salários, segundo o que li na Lusa, parece-me ser o mal menor… mas preferia ter lido que o empresário e o director do jornal tinham acordado numa nova estratégia expansionista, que tinham decidido partir à conquista dos milhões de pessoas que, todos os dias, olham para o jornal no escaparate dos quiosques e não o compram…

Ouvia o homem e "viajei" para... 
