Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O Tal&Qual com Escrita em Dia

Semanário Tal&Qual, página 25, texto a 4 colunas na secção “Blogue Bem Informado”, faz referência ao Escrita em Dia, citando primeiro a reportagem (acho que lhe posso chamar assim) que fiz em Évora, em Agosto passado, sobre a degradação evidente do centro histórico da cidade, e depois um outro post sobre o mesmo assunto, por ocasião de umas declarações do Presidente da Câmara de Évora que veio dar razão às críticas feitas anteriormente. O trabalho do Tal&Qual repesca, ainda, duas das minhas fotos de prédios degradados do centro histórico. Fiquei mesmo vaidoso…

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Cinco anos depois, pelo menos a guerra acabou.

Savimbi morreu faz hoje 5 anos. Reli o diário de Alcides Sakala no dia 22 de Fevereiro de 2002 e, de novo, admirei-me com o tom frio que se sente das palavras escritas: “recebemos ao princípio da noite, mas com muito cepticismo, a notícia da morte do Presidente, anunciada em três comunicados de imprensa. Um do Governo de Angola, o segundo do Estado-Maior das FAA e o terceiro do Comando da Polícia Nacional de Angola. Anunciavam que o Presidente falecera às quinze horas de hoje, em combate.”
Recordo que depois da derrota no Cuíto, em Dezembro de 1999, a UNITA tinha sido expulsa do Andulo e do Bailundo. Savimbi organizou uma coluna militar, que também incluía milhares de civis, e procurava alcançar a Zâmbia. Essa coluna foi dividida em três, para dificultar a sua localização. Segundo o relato de Alcides Sakala, ele não estava com Savimbi quando o seu grupo caiu na emboscada montada pelas forças armadas angolanas.
Como foi que os de Luanda souberam do paradeiro de Savimbi? Há muitas teorias sobre isso. Uns dizem que foi graças à tecnologia dos americanos, que detectaram o sinal do telefone-satélite utilizado por Savimbi. Outros dizem que o mais velho foi atraiçoado pelos que estavam com ele, tipos cansados de anos de fuga pelo mato, a passar fome e com poucas esperanças de salvação.
Pelo menos a guerra acabou.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Abriu a época das transferências

Acabo de ler o seguinte, na "linha" da Lusa:

Media
João Marcelino anuncia saída da direcção do Correio da Manhã e da Cofina
2007-02-21, 15h59
Lisboa, 21 Fev (Lusa) - O director do Correio da Manhã, João Marcelino, anunciou hoje de manhã, numa reunião de editores, que ia deixar a direcção do diário e o grupo de media Cofina, disse à Lusa fonte da empresa.
Na reunião, o jornalista afirmou que vai desvincular-se do grupo liderado por Paulo Fernandes, não adiantando nenhum pormenor sobre o seu futuro.


Pois eu sei o que vai o homem fazer, agora. Vai ser o novo director do Diário de Notícias. Apostamos?

Terra de cárceres

Angola está ainda longe de ser uma terra de liberdade.
O que aconteceu com Sarah Wikes é a enésima repetição de actos arbitrários e de intimidação sobre jornalistas e activistas dos direitos humanos, perpetrados nos últimos 30 anos.
Em 1986 aconteceu o mesmo com uma equipa da RTP. Idos de São Tomé e Príncipe, todos os cinco elementos desse grupo foram detidos sem explicação, logo à chegada ao aeroporto, privados de passaportes e interrogados pela polícia. Queriam saber o que estávamos ali a fazer. Bom, o que faz um jornalista? Aquela rapaziada não sabia… Ficámos em prisão domiciliária e só ao fim de 11 dias pudemos sair de Luanda, mas sempre acompanhados por um rapaz da segurança do estado.
Mas o que é mais sintomático, é o facto destes dirigentes não se preocuparem com a imagem que o mundo tem deles.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A Madeira é um jardim

Alberto João Jardim deu o show previsível. Demitiu-se para suceder a si próprio. Vai tentar ser reeleito por uma maioria esmagadora, como tem acontecido, de resto, nos últimos 30 anos. Mas os problemas da Madeira não serão resolvidos desse modo. Jardim pode impor mais uma derrota eleitoral aos seus adversários, isso não espantará. Mas não será assim que a região vai conseguir mais dinheiro do orçamento geral do Estado, nem será assim que a região diminuirá o deficit democrático de que padece.
Sem um bolo tão generoso para distribuir, como de costume, vamos lá a ver se Jardim continuará a beneficiar de tantos apoios, como até hoje.
Há uns dois anos, lembro-me de ter assistido a uma aula de Alberto João, na Universidade Independente, em Lisboa, onde ele lecciona uma cadeira da licenciatura de Administração Regional e Autárquica, e de o ouvir dizer que quem governa o país, verdadeiramente, não é o governo, mas as comissões políticas do PS e do PSD. O que, a ser verdade, significa que não é só contra o governo que ele luta, mas também contra os seus próprios pares no partido.
Cá para mim, está na hora de Jardim se reformar e passar a gozar das benesses inerentes aos senadores da Nação. Neste momento, ele já prejudica mais a Madeira do que a beneficia.

domingo, fevereiro 18, 2007

O senhor Mandatário

Quando no primeiro referendo sobre o aborto o NÃO venceu, há uns anos atrás, não me lembro de alguém ter levado em linha de conta os milhões de votos no SIM que, derrotados, não viram nenhuma legislação ser implementada para amaciarem a criminalização do aborto. Podiam, por exemplo, ter legislado de modo a diminuir as penas de prisão previstas no Código Penal. Mas não, tudo ficou na mesma.
Agora, os defensores do NÃO querem ser levados em linha de conta e, como se o referendo não tivesse sido já realizado, até encontraram um novo Mandatário Nacional: o senhor Presidente da República.
Cavaco saiu a terreiro, finalmente, em defesa do NÃO. Veio lembrar as “boas práticas” europeias no caso da IVG. Porque diabo não se lembrou ele dessas “boas práticas” antes? Durante anos, enquanto a IVG foi considerada crime, nenhum defensor do NÃO se lembrou dessas “boas práticas”. Preferiram continuar a mandar as mulheres para a prisão.
Não sei se estas pessoas não se estão a esquecer que ao referendo não se pode aplicar nenhum método de avaliação proporcional de resultados. Ou se ganha ou se perde. Sempre quero ver o que vão fazer do meu voto.

sábado, fevereiro 17, 2007

O Mundo Perfeito

“Acabou de pousar uma avezinha no beiral da minha janela. Olhou para dentro, bateu com o biquinho no vidro, e eu fiquei tão imóvel como uma estante, esperando vê-la entrar por uma frincha que não deixei aberta. Gostaria de ter a minha casa cheia de aves que entrassem e saíssem livremente, fizessem os ninhos entre os livros, a papelada, nos cantos mais seguros. Gostava que a minha casa fosse um pombal, uma torre de aves que eu ouviria arrulhar e piar de manhã e ao final da tarde.” - in Mundo Perfeito , Eu Fico Com as Aves.


O meu avô materno, que morreu diabético e saudoso das aventuras vividas na América, por onde andou a ajudar a construir caminhos-de-ferro no Massachusetts e a limpar vidraças exteriores nos arranha-céus de Nova Iorque, tinha pássaros soltos em casa. Piriquitos de gaiola aberta, que esvoaçavam dos cortinados para o pescoço dele e lhe debicavam carinhosamente as orelhas.
Quando o velhote morreu, os piriquitos fugiram. Preferiram morrer de fome a sofrer de saudades.
De repente, pensei que se a avezinha da Isabela fosse um dos piriquitos do meu avô, o mundo seria, realmente, perfeito.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Porno SIC


Para quem ainda tinha dúvidas, o jornal 24 horas, na edição de hoje, dissipa-as todas, ao revelar um negócio de filmes pornográficos que se efectua na SIC. Quando falo em dúvidas, refiro-me aos padrões morais e deontológicos dos patrões da SIC, claro. Tudo lhes serve para ganhar dinheiro.
Outro sinal revelador das coisas é o facto de nenhum dos jornalistas do canal ter querido dar a cara nesta denúncia. Prestam declarações sob anonimato, com medo evidente das represálias. Não são homens e mulheres livres, o que para quem exerce o jornalismo como profissão é triste, muito triste.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Modernices

A modernidade traz imensas vantagens, é claro, mas também muitos riscos e inconvenientes. Os automóveis, por exemplo, cada vez melhores, mais rápidos, mais tecnológicos e mais caros. Esta manhã, quando vinha trabalhar, passei por cinco carros amachucados na Avenida de Ceuta. Lá estavam eles, os condutores, de telemóvel em punho, uns a chamar a polícia, outros a mãezinha, outros o reboque para levar o trambolho empanado dali para fora. O telemóvel, assim como o automóvel, são acessórios imprescindíveis. O telemóvel então, em poucos anos, transformou-se num artigo de primeiríssima necessidade. Ele toca e nós atendemos logo, como se a nossa vida dependesse daquilo. Como era bom, dantes, lembram-se, em que saíamos de casa ou do local de trabalho e ficávamos livres. Hoje não. O telemóvel é um cordão umbilical com a mulher (que quer saber onde andamos) ou com o patrão (que se lembrou de nos por a trabalhar fora de horas). Muitos empregos, hoje, implicam a obrigatoriedade de ter o telemóvel sempre à mão, de estarmos contactáveis a toda a hora e, portanto, disponíveis para o trabalho. Mas não vejo ninguém a prescindir do aparelhinho.
Ainda me lembro de quando o telefone chegou a minha casa, nos anos 60. Era uma coisa preta, pesada, com um disco onde se enfiava o dedo para marcar os números num movimento de rotação. Era um utensílio das casas burguesas.
Hoje, acho que há mais de 11 milhões de telemóveis activos, em Portugal. Ou seja, mais do que 1 por habitante.


segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Quando a terra treme

Não dei pelo sismo de hoje, mas do que aconteceu em 1969 lembro-me bem. Foi de noite, acordei com um ruído enorme, um ronco de som cavo, e com a casa toda a abanar. Parecia que os móveis estavam a dançar. E os candeeiros também. Lembro-me de ter dado um salto da cama e de ter encontrado a minha mãe que vinha a correr para o meu quarto. Descemos as escadas do prédio a correr. Era um 2ºandar. Só a meio das escadas o som desapareceu e o prédio deixou de abanar. A rua estava cheia de gente. Todos em pijama, descalços, alguns seminus, enfim, todos tinham fugido como estavam. Lembro-me, ainda, de ter sentido duas réplicas nessa noite. Mas já não fugimos para a rua. A televisão estava muda, mas a rádio era o grande meio de informação na época e cumpria o seu papel. Todos ouvíamos os conselhos transmitidos pelas autoridades. Foi uma experiência marcante, essa noite. Tinha 11 anos e nunca mais deixei de ter medo de terramotos.

domingo, fevereiro 11, 2007

Um país mais livre e mais justo

Agora, o Estado já não se pode esconder atrás de uma lei iníqua, uma lei que nada impedia e só obrigava as mulheres a abortar na clandestinidade. Uma lei que custou muitas vidas, estupidamente. Agora, o Estado tem de providenciar condições para que os hospitais públicos atendam as mulheres que, por alguma desgraça da sua vida pessoal, não possam continuar com a gravidez e precisem de abortar. Não acredito, contudo, que o aborto vá aumentar, lá porque passou a ser legal (até às 10 semanas). Não acredito que alguém faça um aborto de ânimo leve, só porque lhe deu na telha. O Marcelo Rebelo de Sousa acredita, assim como a maioria dos bispos da Igreja Católica, mas esses perderam esta luta.

sábado, fevereiro 10, 2007

Referendo

Não sei quem vai ganhar o referendo. Mas se as pessoas votassem para responder, apenas, à questão que se coloca, o SIM teria, certamente, uma vitória esmagadora. É que a questão prende-se com a despenalização do aborto, ou seja, não se coloca nenhuma questão moral, não se questiona qualquer dogma religioso, apenas se pretende saber se o aborto deve continuar a ser penalizado com uma pena de prisão ou se não. Se o aborto é pecado? Não é essa a pergunta. Se não gostamos de crianças? Não é essa a pergunta. Se iremos abortar alguma vez? Não é essa a pergunta. Se quem aborta é de esquerda? Não é essa a pergunta. Se queremos continuar a mandar mulheres para a prisão por terem feito um aborto? Essa é a questão a que temos de responder, em consciência.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Há malucos para tudo (2ªparte)

O Presidente da Gambia insiste na farsa que iniciou há dias.













Depois de ter anunciado ao Mundo que sabia como curar a SIDA, Yahya Jammeh fez agora saber que resultados laboratoriais confirmam o sucesso do seu tratamento. Há coisas fantásticas, não há?
Foi o Pululu quem me voltou a chamar a atenção para isto, ao enviar-me um link para uma notícia da agência noticiosa angolana.















Li, então, que um tal “Souléymane Mboup, da Universidade Cheikh Anta Diop, de Dakar”, confirmou que o primeiro grupo de pacientes do Presidente gambiano apresenta “ausência de plasma viral ou a sua presença em muito fracas quantidades”, pelo que o tratamento à base de ervas medicinais “parece eficaz”.
Pois parece, mas não é. Ou então a comunidade científica internacional não passaria de um bando de idiotas.
O Presidente Jammeh pode ser curandeiro à vontade, que ninguém lhe leva a mal, mas não precisava de brincar com coisas tão sérias. Até pode enganar alguns desgraçados que se agarram a qualquer hipótese de cura, mas que pensará ele do modo como o Mundo o vê?














quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Artes e manhas

Nuno Santos, o actual director de programas da RTP, nunca deve ter sonhado que, um dia, uma decisão sua iria provocar uma acção (neste caso, reacção) legislativa de quase todos os partidos políticos representados na Assembleia da República.
Pois, face à sua decisão de relegar os tempos de antena para as 19 horas (ou seja, antecipar em cerca de ½ hora o habitual horário de transmissão), a Assembleia da República acaba de aprovar uma nova lei que obriga a RTP a colar os tempos de antena ao Telejornal.
Os deputados consideraram que a decisão de Nuno Santos desconsiderava a importância dos tempos de antena e que os relegava para um horário de menor audiência.
Embora, porventura, alheios a essa realidade, os deputados acabaram de fazer um grande favor à SIC e à TVI. As audiências do Telejornal irão baixar, com toda a certeza, sempre que a RTP tiver de passar tempos de antena imediatamente antes. Os tempos de antena são, normalmente, tempo para zapping e muitos telespectadores, uma vez mudado o canal, irão ficar entretidos com qualquer outra programação. O Telejornal, cujas audiências têm sido uma pedra nas engrenagens da SIC e da TVI, fica assim mais fragilizado.
Assim, temo que as audiências dos tempos de antena, às 19h30 ou 19h45, acabem por ser ainda menores do que seriam às 19 horas.
Digamos que se, por absurdo, esta polémica tivesse sido engendrada pelo Dr.Balsemão, não teria sido mais eficaz...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Já não se pode dar milho aos pombos

Muito sinceramente, acho que a gripe das aves está muito mais espalhada do que se diz. Não sei se nos andam a esconder alguma coisa, mas tenho o pressentimento de que a situação é bastante grave e não vejo que se esteja a fazer alguma coisa de concreto para a combater, a não ser que a missão esteja atribuída aos serviços secretos.
Reparem bem. De repente, surge um surto da gripe das aves no centro de Inglaterra, em plena Europa. Entretanto, houve notícias de casos em vários países africanos, Egipto e Nigéria se não me engano. Há, também, notícia de problemas na Indonésia. Ora, se em Inglaterra todos vimos alguma acção eficiente para conter a epidemia, com a eliminação de centenas de milhar de perus, nos outros locais tenho sérias dúvidas de que se esteja a fazer alguma coisa de útil, tendo em conta a tradicional desorganização dos países em causa e a crónica falta de meios com que se debatem. E se o vírus chegou à Nigéria, porque não a muitos outros países africanos? Quem me garante que existe algum tipo de vigilância eficaz em países como, por exemplo, o Mali, a Guiné-Bissau, a República Centro-Africana, o Congo, o Malawi, onde nem sequer existem laboratórios capazes de efectuar análises para detectar o H5N1.
Estamos todos à espera que o diabo do vírus adquira capacidade para se transmitir entre humanos, porque já há muito que adquiriu a capacidade de se transmitir dos pássaros para humanos e outros mamíferos, como cães e gatos.
mercado em Nairobi
E só quando essa tragédia se abater sobe a Humanidade é que alguma coisa será feita, mas depois de alguns milhões terem morrido, por certo. Mais uma vez, o continente africano será o centro de todas as desgraças, quase de certeza. Já assim é no que diz respeito à SIDA e à malária. Agora, a gripe das aves é mais uma sentença de morte para os milhões de debilitados e famintos que vivem nos bairros da lata de Dakar, Nairobi, Kinshasa ou Luanda.
Acredito que a praga devastará, primeiro, as desprotegidas populações de muitos países africanos e asiáticos, mas se os países ricos do Ocidente falharem na descoberta de uma vacina eficaz, também não terão melhor sorte.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

O democrata

Rendo homenagem aos Gato Fedorento e só lhes peço que nunca se verguem. Sim, eu sei que o dinheirinho faz muita falta, mas a espinha dorsal também, como qualquer gato tem obrigação de saber, de resto.
Fabulosamente mortal, a rábula do “democrata” que tudo aceita, mas que impõe a sua opinião a todos os outros. Como o próprio Marcelo tinha acabado de reconhecer, no seu tempo de antena, a seguir ao Telejornal, apanharam-lhe mesmo os tiques e o sorriso rasgado à faca. Tal & qual.

domingo, fevereiro 04, 2007


Voto sim, porque um filho tem de ser desejado, bem-vindo, amado. Porque não entendo que se deva ter filhos por outras razões, legais, sociais ou morais.

sábado, fevereiro 03, 2007

Vende-se reptilário

Quero ver o que dirá Marques Mendes, se o Dr.Balsemão vender a Impresa à RTL.
A hipótese anda a ser falada insistentemente em alguns jornais, nomeadamente nos económicos. Parece que seria um grande negócio para o patrão da SIC… e sempre se livrava de uma dor de cabeça para a qual já não tem idade.
Acontece que a RTL é uma empresa alemã e, se bem me lembro, quando os espanhóis da PRISA vieram comprar a Média Capital (TVI), o dirigente do PSD acusou o governo de estar a beneficiar os espanhóis a troco de não-sei-o-quê.
O caso foi até levado à Comissão Parlamentar dos Direitos, Liberdades e Garantias, onde o Ministro dos Assuntos Parlamentares foi dizer o óbvio, ou seja, que o governo não tem nada que ver com mudanças dos accionistas de empresas privadas, nem tem que autorizar ou impedir a venda de empresas portuguesas a grupos económicos estrangeiros. Às vezes é pena, mas a verdade é que o governo não tem competência para tanto.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Há malucos para tudo

O Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, diz que consegue curar a SIDA, em 3 dias.
O Ministro da Saúde confirma as afirmações do Presidente, garante que os doentes que estão a ser tratados pelo Presidente com ervas medicinais estão a melhorar.
A capacidade de curar a SIDA foi anunciada pelo próprio Jammeh, perante o corpo diplomático destacado em Banjul.
Que se saiba, nenhum dos embaixadores presentes ousou duvidar, em voz alta, das afirmações do Presidente.


Esta notícia está a ser divulgada pela BBC. Se quiserem ouvir tudo, sintonizem sábado o BBC Service’s Weekend Network Africa. Pode ser que alguém tenha a coragem de dizer que estes tipos estão loucos. Afirmar coisas destas é de uma irresponsabilidade tremenda, porque se uns se calam por medo, outros acreditarão piamente nas palavras do Presidente Jammeh. Não é assim que se promove a educação necessária para implementar comportamentos sexuais que contribuam para a luta contra a SIDA.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O exemplo de Cabo Verde

Percebo que a questão dos Direitos Humanos não seja levantada pela delegação governamental portuguesa que visita a China. Um pequeno país como Portugal não pode afrontar um gigante como a China. Se a ideia é desenvolver os negócios com a China, então percebe-se que se feche os olhos a questões delicadas politicamente. Mas lamento que assim seja.
Agora, também não é preciso exagerar e há algumas verdades que não devem ser escondidas ou dissimuladas. A China deve boa parte do seu sucesso económico à exploração que lá se pratica sobre o povo trabalhador. A mão-de-obra chinesa é muito mal paga (salário médio inferior a 100 € por mês), escravizada em longas jornadas diárias de trabalho, sem direito a férias nem à maioria das regalias sociais de que nós, em Portugal, ainda beneficiamos. Se os empresários chineses julgam que poderão vir para aqui praticar as mesmas regras laborais do seu país, talvez seja melhor, para nós e para eles, que fiquem onde estão.

Cidade da Praia, plateau

Vi há dias, na RTP-África, uma reportagem vinda de Cabo Verde, onde uma multidão se manifestava na rua, em frente às inúmeras lojas chinesas, contra a exploração a que estão sujeitos os trabalhadores caboverdeanos empregados nessas empresas chinesas. Lá por causa de uns empregos precários, os caboverdeanos não calaram a revolta que lhes vai na alma e foram para a rua protestar.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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