Quando se está nas vésperas das celebrações dos 20 anos da classificação da cidade, pela UNESCO, como Património da Humanidade…

Na referida entrevista (que não vi reproduzida em nenhum jornal nacional…), o autarca falava do êxodo populacional do centro da cidade para as periferias, sendo certo que, paradoxalmente, Évora é das poucas cidades do interior de Portugal que continua a atrair população. Portanto, se as pessoas querem ir viver para Évora, porque não habitam o centro histórico? Porque é difícil estacionar carros? Acho que deve haver outras razões…
Quando, em Agosto, fui a Évora visitar a minha irmã, não pude deixar de reparar na degradação evidente de muitas casas do centro histórico. Disso dei aqui conta, se bem se recordam. Se não se recordam, façam o favor de seguir estes links... As fotos que acompanham esses textos, e este, são meros exemplos das 600 casas degradadas do centro histórico de Évora, qualquer coisa como 20% do total das habitações.
Todas estas casas têm dono. A Câmara Municipal podia, e devia, responsabilizar esses proprietários pelo estado de degradação dos edifícios e, em caso de recusa ou impossibilidade deles repararem esse património, então ele deveria ser recuperado coercivamente e a propriedade passar, também coercivamente, para a câmara. É que, esse património, embora tenha dono, pertence à Humanidade desde há 20 anos…




Conheço vários casos em que pessoas negras foram rejeitadas para determinadas funções porque “seria mau para o negócio”. Ora, se isto não é racismo, não sei o que será. Revela o preconceito do empregador, provavelmente consequência do preconceito generalizado na população.






Estavam mais de 70 pessoas a ver televisão, esbugalhados, a olhar para um velho documentário da BBC. Às vezes riam-se muito, outras vezes comentavam entre si o sucedido na pantalha. Era uma experiência partilhada com muito entusiasmo, curiosidade, atenção e alegria. Sei que, hoje, desde que haja energia, as sessões de televisão repetem-se em Bili, no norte do Congo. Em Santo Tirso é que já não (excepto quando joga o fêquêpê).
A televisão, como entretenimento inodoro, faz sono. Mesmo as notícias não substituem a realidade. Não se limitem a conhecer o mundo por essa falsa janela.
Agora, transponham esta história que acabo de relatar para a actualidade. Uma outra potência invade um estado bastante mais fraco, sob o pretexto de ir livrar a população da opressão exercida pelos dirigentes políticos locais. Tudo acaba numa chacina inútil, em que ninguém se dá ao trabalho de contar as dezenas de milhar de mortos de um lado, mas sabe-se com exactidão que já morreram 2.263 marines do outro lado. Tudo isto, finalmente, apenas para controlar os “armazéns de marfim”…
Um dia destes andei de metropolitano, de novo. Aproveitei para um tour pelas novas linhas e estações (embora já estejam feitas há anos, para mim são novas). Foi bom, até que apareceu um cego tocador de sanfona, com uma caixa de esmola pendurada. O homem entrou na carruagem e tocou… tocou… tocou… volta e meia, entoava o refrão “Olhó ceguinho!! Ajuuudem o ceguinhoooo!...”. Insistiu durante uma boa parte do trajecto. Angariou alguns cêntimos e, depois, mudou de carruagem. Também saí… no corredor em direcção à superfície, havia outros tocadores de miséria. Uns sentados em banquinhos, outros no chão exibindo mazelas físicas. Tal e qual há 20 anos. Não mudou quase nada, afinal de contas.

Há 23 anos (o tempo voa…) estavam três dos melhores repórteres da RTP, no Rossio, a preparar o arranque de uma reportagem conjunta sobre “Lisboa à Noite”, discutíamos (eu, o Mário Lindolfo e o Paulo Dentinho) como fazer a ligação entre o trabalho dos três… e foi, então, que o Mário Lindolfo olhou para a copa de uma daquelas árvores que ainda lá estão e viu um homem pendurado lá em cima. Estava a desmontar as luzes do natal, disse o operário. E vinha de Espinho. Dormia numas arrecadações na Feira Popular, em Entrecampos. Era a primeira vez que estava em Lisboa. Tínhamos encontrado o elo de ligação para as nossas histórias! Desconfiado das nossas intenções, primeiro recusou-se a descer da árvore para falar connosco. Mesmo assim, convencemo-lo a alinhar, depois de muita conversa e da promessa de lhe pagarmos o incómodo. Cada um de nós iria levar aquele homem a conhecer um aspecto de Lisboa by night. Ele, que quando tinha saído de casa trouxera consigo o bilhete de identidade da sua senhora, para que ela não pudesse circular muito à vontade… durante duas noites inteirinhas não dormiu e aprendeu a conhecer Lisboa como poucos. Foi assim que ele foi às casas de fado do Bairro Alto, desceu com o piquete de emergência aos esgotos da cidade, provou a diferença entre vodka laranja e tinto carrascão, dançou com travestis no Finalmente e foi apanhado numa rusga no Intendente. O que aquele homem cresceu naquelas duas noites é algo difícil de explicar. No fim, aquele a quem chamávamos afectuosamente “bimbo”, na sua última entrevista, ao amanhecer do segundo dia, no Miradouro da Senhora do Monte, olhava para Lisboa e dizia, efectivamente…
Comprei um novo. Chama-se Toshiba. Primeira constatação: em quatro anos, os portáteis baixaram de preço 50%. Segunda constatação: a máquineta já está desactualizada. 




O Mosteiro de Budisavci, julgo que era assim que se chamava o local, foi construído no século XVI com as pedras de uma igreja do século XIV. Quando a Jugoslávia se desagregou, os muçulmanos atiraram-se às igrejas ortodoxas, aos cemitérios sérvios, aos mosteiros, aos museus, aos castelos, aos monumentos e tudo vandalizaram e destruíram.
Quando as acções foram bem organizadas, usaram dinamite e o problema resolveu-se em definitivo. Quando não, limitaram-se a queimar os interiores e a partir tudo quanto puderam. Foi o que aconteceu em Budisavci.
Os soldados portugueses gostavam daquela missão. As velhotas eram simpáticas e os soldados podiam gozar dos prazeres de uns dias no campo. Compravam, muito barato, o mel produzido nas colmeias que as freiras lá tinham e entretinham-se por ali, patrulhando as redondezas. 

Se não adivinharem, sei que a culpa é minha.
Mas esta era em directo, aproveitando a facilidade do país ser plano como uma tábua. A cooperação portuguesa levou centenas, milhares de televisores e antenas de recepção, uma pantalha para cada tabanca da Guiné. A ideia era, precisamente, passar a mesma tv escola que existia aqui em Portugal. Se servia para ensinar meninos portugueses das aldeias recônditas do país, serviria também para ensinar meninos guineenses. O projecto faliu. Os painéis de energia solar não funcionavam bem, as baterias que alimentavam os televisores esgotavam-se, a humidade deu cabo de tudo, não havia técnicos para fazer tanta manutenção. As lixeiras da Guiné ficaram cheias daquela tecnologia impreparada para ambientes agrestes.


Lá dentro, a madrugada ia serena. O hospital estava vazio, coisa estranha. A menina fardada na recepção pediu identificação e qualquer cartão de qualquer companhia de seguros. Como não havia, disse “Ah! É particular”. Pois que fosse.





Até lá, é bem provável que o Dr.Balsemão, ou alguém mandado por ele, trate de passar o cheque de quase 4 anos de salários, décimo terceiro e subsídios de férias, tal como manda a lei. Certamente, o mesmo funcionário tratará de apresentar ao Jorge Schnitzer uma razoável proposta para a rescição amigável do contrato de trabalho. É que se o Schnitzer assume, de facto, o seu posto de trabalho, as gargalhadas de gozo vão abanar seriamente os alicerces do armazém.
Mas também me emocionei a vê-los em liberdade e segurança, como aconteceu no norte do Quénia, num sítio chamado Sweetwaters, perto de Nanyuki… Sweetwaters é uma reserva natural onde muitos biólogos de todo o Mundo vão realizar pesquisas científicas. Fui lá visitar um desses coca-bichinhos,
Para chegar a casa dele, percorríamos vários quilómetros por uma planície de savana e, um dia, demos com uma pequena manada de elefantes que se deleitavam na lama de um charco. A manada tinha crias e foi emocionante sentir a fraternidade que existia entre os elementos do grupo. Habituados a serem espiados, os elefantes não se sentiram ameaçados pela nossa presença e pude fotografá-los à vontade embora não fosse prudente aproximar-me demasiado. As fotos que aqui vos mostro são a memória desse momento.
