Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, março 10, 2007

Na Afriki, os deuses devem estar loucos




Aqui há tempos, tive conhecimento de um relatório policial que confirma quase tudo o que Didinho vem agora dizer no seu blog, no texto "O Cartel de Bissau": a Guiné-Bissau transformou-se num narco-Estado.
Dizia esse relatório que a Guiné-Bissau e Cabo Verde funcionam como “armazéns” dos traficantes de droga sul-americanos. A polícia já definiu “dois corredores lusófonos” para o tráfico de droga internacional. Os dois “corredores” partem do Brasil e passam pela Guiné-Bissau e Cabo Verde, sendo que um, depois, vira para Sul, levando a droga para a África do Sul, via Angola e o segundo “corredor” vira a Norte, de modo a que a droga chegue à Europa via Portugal. Chamam-lhes “corredores lusófonos” porque os traficantes criaram estruturas nos países lusófonos, aproveitando uma certa solidariedade existente entre os elementos que recrutam nos diversos países e a facilidade de entendimento existente pela partilha da mesma língua.
Nesse mesmo relatório dizia-se que a polícia portuguesa já tinha agentes em Bissau, para investigar a traficância. Para já, não parecem estar a ter muito sucesso essas investigações, mas a acreditar no que diz agora Didinho no seu blog, será difícil alguém de fora ter sucesso nesse combate, se é verdade que o Estado guineense está tomado pelos traficantes.

Na Afriki

A guerra civil da Costa do Marfim exilou-a em Marselha. É uma rapariga com sorte, malgré tout…

Canta por todo o Mundo. Quem já a viu em palco sabe que é fascinante, carismática, poderosa.
Chama-se Dobet Gnahoré. Acaba de sair o seu segundo disco, “Na Afriki”.

sexta-feira, março 09, 2007

O chinês deve ser mais fácil que o HTML

Primeiro foi a fotografia do topo que desapareceu, inexplicavelmente. Como não sabia como fazer para a repor, como aquele quadrado vazio me estava a chatear, alterei o template do blog, como se pode constatar. Não me chateia nada não ter a tal foto no cabeçalho, mas perdi os contadores que estavam instalados e isso já me chateia um bocado. Não por causa da contagem, mas porque gosto de saber de onde vêm os visitantes que aqui chegam. Há gente de todo o lado, o que é muito surpreendente. Do Brasil, da Rússia, da China e da Austrália, da África do Sul e da Suiça, de Espanha e da Índia, dos Estados Unidos e de França, da Guiné-Bissau e do Canadá, do Qatar, de Itália, da Eslovénia, da Bósnia-Herzegovina, de Marrocos, por aí fora. Eram já 101 os países de proveniência dos visitantes deste blog. Era bom ter essa percepção global. Ainda hoje (antes das alterações ao template), tinha reparado em dois visitantes sul-africanos, por volta das 18 horas. O que virão vocês procurar aqui? A maioria não deixa comentários. O contador era o único vestígio que deixavam. Alguém sabe como devo fazer para os reaver?

quinta-feira, março 08, 2007

O que se aprende na escola?


Hoje, estive num colóquio onde ouvi o pintor Eduardo Batarda (que é professor nas Belas Artes) dizer que, em Portugal, “a Universidade anda a enganar as pessoas”. E não se referia à Independente.

quarta-feira, março 07, 2007

50 anos


Queria tanto trabalhar na RTP que aceitei o trabalho de estafeta. Foi em 1977, tinha 19 anos. Durante um ano andei de mota a levar e trazer cassetes e bobinas de filme, de um lado para o outro. Depois, concorri para teletipista, uma função que já nem existe. Chamemos-lhe antes operador de telex. Concorri porque o posto de trabalho era numa sala ao lado da redacção. Era ali que chegavam todas as notícias do que se passava no país e no mundo. Entretanto, iniciei a carreira de jornalista no jornal A Tribuna, pela mão do saudoso Amadeu José de Freitas, um dos “papas” do jornalismo desportivo português. Ao fim de um ano de telexes, escrevi uma carta a pedir a requalificação profissional, dado que era detentor de carteira profissional de jornalista. Fui aceite. Entrei para a equipa que foi fazer o Bom Dia Portugal. Isto foi em 1980. Estive lá até 1992, quando aceitei o convite para ir para a SIC, cansado de “prateleiras” e de injustiças.
O resto da história não vem, agora, ao caso. Apenas quero dizer que estou contente por a RTP ter conseguido aguentar o embate das televisões privadas e começar, agora, a conquistar cada vez mais audiência. Das televisões que temos, é a que vejo.
Só acho que está na hora da RTP deixar de ser administrada por contabilistas e gestores de lobbies, agora que a empresa está financeiramente saneada, segundo parece. Não quero que a RTP volte ao despesismo dos tempos do Moniz, mas acho que o serviço público não tem que dar lucro. Só tem de dar boa programação.

terça-feira, março 06, 2007

Caça à multa

Enquanto que na Brigada de Trânsito da GNR circula um sms com um apelo ao boicote às multas (o que os condutores muito agradeceriam…), a PSP anda num afã à cata dos prevaricadores. Não, não é a correr atrás de bandidos, é mesmo atrás de cidadãos menos cumpridores, apenas. Bons chefes de família, votantes, mas enfim… um tanto ou quanto relapsos quanto a impostos, selos, inspecções, seguros e outras coisas do género, muito importantes para o bom funcionamento da sociedade. Foi assim que, esta manhã, a caminho do emprego, fui multado em 250 €. Como se não houvesse mais nada onde gastar o dinheiro…

segunda-feira, março 05, 2007

The boys from Camberra

O que se passa em Timor indicia o habitual cinismo que prevalece nas relações internacionais. A Austrália, que tem fortíssimos interesses na exploração do petróleo no off-shore timorense, implantou-se no território com armas e bagagens. Talvez mais armas que bagagens. Com o pretexto de contribuir para a pacificação do território, a tropa australiana começou por proteger o rebelde Alfredo Reinado, soldado formado na Austrália. Quem se lembra da reportagem de Paulo Dentinho, da RTP, em Timor, denunciando essa protecção?
soldado australiano em Timor-Leste


Reinado acabou detido, mas depressa se evadiu. Depois, refugiou-se no interior do país, mas os australianos sempre souberam por onde ele andou e Reinado nunca deixou as zonas que estão sob sua responsabilidade.
Recentemente, o major rebelde assaltou esquadras da polícia e roubou armas automáticas, ainda em zonas sob jurisdição da tropa australiana. Agora, tinha sido cercado num local concreto, numa pequena localidade mas, mais uma vez, os australianos deixaram-no fugir.
O governo australiano não deve estar a pensar em condecorar estes militares, pela competência revelada no cumprimento da missão em Timor. A não ser que a ideia seja manter a instabilidade no território para, assim, melhor poder “reinar”.
Realmente, o petróleo cheira mal.

domingo, março 04, 2007

Esse grande filho da Pátria

Sou completamente a favor de um Museu Salazar, ou lá como lhe querem chamar. Também eu, quero esse museu e quero, mesmo, que o ponham lá em Santa Comba Dão.
Quero um museu que não deixe cair no esquecimento as dezenas, centenas de milhar de vítimas da guerra colonial, que não se esqueça dos deportados políticos para o degredo da Guiné ou de Timor, um museu que nos lembre os mortos do Tarrafal e os que tombaram nas várias revoltas que deflagraram desde 1926 até 1974. Espero que esse museu tenha uma vitrina para os espanhóis que se refugiaram em Portugal durante a guerra civil e que Salazar mandou devolver a Franco, para que pudessem ser devidamente torturados e eliminados. Quero um museu que tenha lá em lugar de destaque Humberto Delgado, assassinado a tiro em 1965 em Vila Nueva del Fresno pelos PIDES Rosa Casaco, Agostinho Tienza e Casimiro Monteiro.
Um museu assim, ocupar-me-ia durante horas ou dias. Estou certo que iria vasculhar todas as prateleiras, até encontrar os actos heróicos que levaram à morte (em 1968) de Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, Alentejo, torturado até à morte pela polícia política salazarista, ou de Herculano Augusto, morto à pancada no posto da PSP de Lamego ou do estudante Daniel Teixeira, morto em Caxias. Viajaria por esses corredores, como se fosse numa máquina do tempo, até encontrar todas as outras vítimas desse regime. E foram tantas, tantas.
Um museu assim seria um belo museu, sem dúvida. Ainda melhor se nos lembrasse a magnífica Lei do Condicionamento Industrial, com que Salazar impediu o desenvolvimento do país e nos votou ao atraso tecnológico até hoje. Que visão, que estadista de estalo, esse Salazar. Um museu que nos lembrasse a privação de liberdade, a ausência de democracia, a menoridade das mulheres, o analfabetismo, esse belo país tão bem representado pela imagem do burro e da carroça, como éramos vistos pelo resto do Mundo.
Acho mesmo que é urgente a constituição de um museu assim. O meu voto de apoio ao senhor presidente da autarquia de Santa Comba Dão.

sábado, março 03, 2007

O Santo Sepulcro

Jesus nunca ressuscitou, pela simples razão que nunca foi crucificado. Quem morreu na cruz terá sido um filho de Jesus com Maria Madalena, de nome Judá, que ocupou o lugar do pai, eventualmente, fazendo-se passar por ele. Depois, quando Jesus reapareceu, surgiu o mito da ressurreição.
É mais ou menos esta a tese desenvolvida num documentário de James Cameron, elaborado à volta do achado arqueológico de uma tumba (primeira foto) onde se encontraram vários ossários e documentos escritos em aramaico que indiciam que se pode tratar de uma tumba familiar, pertencente à família de Jesus. Nos diversos ossários (pequenos caixões de pedra onde se encontraram ossadas) estavam inscrições com nomes de, por exemplo, Maria, Mateus, José, Jesus, Judá, etc. O achado arqueológico localiza-se numa zona limítrofe de Jerusalém. A datação situa o achado arqueológico na época de Jesus, há 2.000 anos.

Ossário com a inscrição "José"
Os que acreditam nos dogmas da Igreja Católica, dizem que nada disto é plausível e que tudo se resume a um golpe publicitário para vender o documentário. Pode até ser, mas não sei se o realizador de Titanic precisa de engendrar esquemas destes para vender documentários.
Quanto a mim, continuo com a opinião de que as questões de fé não se discutem. Mas a versão apresentada no documentário parece-me bastante mais plausível do que o dogma da ressurreição.

sexta-feira, março 02, 2007

O Alberto e a Herminda

Aqui há dias estive em Seia. Fui a casa de um amigo que, embora viva em Lisboa, tem ali as suas raízes. Foi uma visita muito interessante, até porque também eu tenho uma costela montanhesa, embora bastante negligenciada.

Seia
O Alberto, além da casa da família, mantém vivo o negócio familiar. Precisamente, a produção de queijo da serra. Um fabuloso queijo da serra. Ao ouvi-lo falar sobre o dito queijo, lembrei-me da minha avó materna que, ela sim, foi queijeira lá nas faldas da serra, em Celorico e na Mesquitela, as terras onde viveu antes de vir para Lisboa.



Seia

Ao ouvir o Alberto falar do leite de ovelha coalhado pela flor do cardo, do cincho onde se aperta o coalho, da cura, do cheiro que aquilo deita, estava a ouvir a minha avó, que tantas vezes me falou do mesmo e que viveu muitos anos saudosa dos tempos de menina.


O Queijo da Serra é, hoje, um património cultural estabelecido. Produzir bom queijo é um bom negócio. O Alberto diz que o queijo que produziu este ano, já estava vendido desde o ano passado. E que, este ano, já vendeu o queijo que há-de produzir no próximo Inverno. Se tivesse sido assim no tempo da minha avó, nunca a Herminda teria vindo para Lisboa.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Estão a emparedar o Património Mundial da UNESCO, em Évora.

Desde 1986 que o centro histórico de Évora faz parte do património mundial classificado pela UNESCO. A lista inclui 830 locais ou monumentos de todo o Mundo que, no conjunto, formam uma herança que todos temos a obrigação de legar às próximas gerações.
Fazer parte desse património não serve, apenas, para incentivar o turismo ou o ego de autarcas e demais políticos. Antes de mais, resulta na obrigação de preservar esse património. Preservar é sinónimo de defender ou proteger. Isto é, não deixar cair de podre os telhados das casas, manter as paredes direitas, os caixilhos nas janelas, as velhas portas de batentes grossos. É também manter os locais vivos, com gente que lá queira morar, com fumo a sair pelas chaminés, com gatos escondidos nas sombras dos alpendres, com artes e ofícios.
Talvez se lembrem que não é a primeira vez que abordo aqui esta questão…

... se volto a falar disto é porque acho que vale a pena, primeiro que tudo. Depois, porque a minha irmã me enviou fotos de uma das casas que anteriormente eu tinha fotografado, relevadoras de como alguém decidiu emparedar uma casa construída antes da partida do Vasco da Gama para a Índia.
Fico com a sensação de que a autarquia de Évora não está a ser competente, na defesa deste património único no Mundo. O que dirá a UNESCO disto?

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Época de saldos

Passei a manhã no Tribunal de Oeiras. Estava arrolado como testemunha de Alexandre Paes, ex-director do 24 Horas, acusado de perseguição difamatória pelo Rodrigo Guedes de Carvalho.
O caso remontava a 2002, aos meses da brasa da SIC, quando o patrão decidiu despedir mais de 200 trabalhadores para não ter que vender parte do capital social da empresa. Travou-se uma luta titânica entre os trabalhadores e a administração que queria despedir barato. Foi um ano de muitas discussões, muitas assembleias de trabalhadores, muita intransigência patronal.
O 24 Horas era dos jornais que acompanhava mais de perto o evoluir da situação no interior da empresa. Quase todos os dias havia pequenas notícias sobre a SIC. Claro que o nome do Rodrigo foi mencionado muitas vezes, até porque ele sempre se pautou por um posicionamento próximo da administração. Às vezes, mesmo, mais papista que o papa.
Foi neste enquadramento que o Rodrigo se sentiu perseguido e difamado pelo jornal. Não lhe caíram bem alguns epítetos, como, por exemplo, “talhante bem arreado”, que é o que me ficou na memória. De início, Rodrigo pedia 10 mil euros de indemnização. Hoje, contentou-se com 3 mil e não chegou a haver julgamento. Se fizermos contas à inflação, cinco anos depois os 3.000 € são uma ridicularia, sendo que ainda há as custas do tribunal e os honorários do advogado para pagar (isto, se o patrão não patrocinou a causa). Afinal de contas, não foi grande ofensa…

domingo, fevereiro 25, 2007

A Margarida e o Nuno

Acabo de ler uma notícia que me deixou aliviado. Trata-se do acordo extra-judicial alcançado pela Margarida Marante e pelo Nuno Santos. Os dois tinham um litígio em tribunal, por alegadas declarações difamatórias da Margarida. Estou aliviado porque eu era testemunha da Margarida e, para ser sincero, não me sentia muito bem nesse papel. Trabalhei muitos anos com os dois. À Margarida, conheço-a desde sempre. Andámos juntos no Liceu Rainha Dona Leonor, fomos camaradas de partido político, camaradas de trabalho na RTP e na SIC. Devo-lhe algumas atenções raras, que outros não tiveram comigo. E gosto da coragem dela. Conheci o Nuno na SIC. Fui o seu primeiro coordenador no programa Praça Pública, que ele apresentava a meias com a Júlia Pinheiro. Depois fui, durante uns dois anos, coordenador do Jornal da Noite aos fins-de-semana, que o Nuno Santos apresentava. Sempre gostei de trabalhar com ele. É um tipo inteligente e eficaz e tem uma especial capacidade de improviso, condição essencial para se ser um bom apresentador de noticiários. Sempre considerei que, na SIC, o Nuno Santos era o segundo melhor pivot, logo depois do José Alberto Carvalho e muito à frente do Rodrigo ou do Camacho. Hoje, o Nuno Santos está a desempenhar de modo brilhante o cargo de Director de Programas da RTP, facto que deve causar muitos engulhos aos tipos que, na SIC, sempre o menosprezaram.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Zeca

Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar

O Tal&Qual com Escrita em Dia

Semanário Tal&Qual, página 25, texto a 4 colunas na secção “Blogue Bem Informado”, faz referência ao Escrita em Dia, citando primeiro a reportagem (acho que lhe posso chamar assim) que fiz em Évora, em Agosto passado, sobre a degradação evidente do centro histórico da cidade, e depois um outro post sobre o mesmo assunto, por ocasião de umas declarações do Presidente da Câmara de Évora que veio dar razão às críticas feitas anteriormente. O trabalho do Tal&Qual repesca, ainda, duas das minhas fotos de prédios degradados do centro histórico. Fiquei mesmo vaidoso…

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Cinco anos depois, pelo menos a guerra acabou.

Savimbi morreu faz hoje 5 anos. Reli o diário de Alcides Sakala no dia 22 de Fevereiro de 2002 e, de novo, admirei-me com o tom frio que se sente das palavras escritas: “recebemos ao princípio da noite, mas com muito cepticismo, a notícia da morte do Presidente, anunciada em três comunicados de imprensa. Um do Governo de Angola, o segundo do Estado-Maior das FAA e o terceiro do Comando da Polícia Nacional de Angola. Anunciavam que o Presidente falecera às quinze horas de hoje, em combate.”
Recordo que depois da derrota no Cuíto, em Dezembro de 1999, a UNITA tinha sido expulsa do Andulo e do Bailundo. Savimbi organizou uma coluna militar, que também incluía milhares de civis, e procurava alcançar a Zâmbia. Essa coluna foi dividida em três, para dificultar a sua localização. Segundo o relato de Alcides Sakala, ele não estava com Savimbi quando o seu grupo caiu na emboscada montada pelas forças armadas angolanas.
Como foi que os de Luanda souberam do paradeiro de Savimbi? Há muitas teorias sobre isso. Uns dizem que foi graças à tecnologia dos americanos, que detectaram o sinal do telefone-satélite utilizado por Savimbi. Outros dizem que o mais velho foi atraiçoado pelos que estavam com ele, tipos cansados de anos de fuga pelo mato, a passar fome e com poucas esperanças de salvação.
Pelo menos a guerra acabou.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Abriu a época das transferências

Acabo de ler o seguinte, na "linha" da Lusa:

Media
João Marcelino anuncia saída da direcção do Correio da Manhã e da Cofina
2007-02-21, 15h59
Lisboa, 21 Fev (Lusa) - O director do Correio da Manhã, João Marcelino, anunciou hoje de manhã, numa reunião de editores, que ia deixar a direcção do diário e o grupo de media Cofina, disse à Lusa fonte da empresa.
Na reunião, o jornalista afirmou que vai desvincular-se do grupo liderado por Paulo Fernandes, não adiantando nenhum pormenor sobre o seu futuro.


Pois eu sei o que vai o homem fazer, agora. Vai ser o novo director do Diário de Notícias. Apostamos?

Terra de cárceres

Angola está ainda longe de ser uma terra de liberdade.
O que aconteceu com Sarah Wikes é a enésima repetição de actos arbitrários e de intimidação sobre jornalistas e activistas dos direitos humanos, perpetrados nos últimos 30 anos.
Em 1986 aconteceu o mesmo com uma equipa da RTP. Idos de São Tomé e Príncipe, todos os cinco elementos desse grupo foram detidos sem explicação, logo à chegada ao aeroporto, privados de passaportes e interrogados pela polícia. Queriam saber o que estávamos ali a fazer. Bom, o que faz um jornalista? Aquela rapaziada não sabia… Ficámos em prisão domiciliária e só ao fim de 11 dias pudemos sair de Luanda, mas sempre acompanhados por um rapaz da segurança do estado.
Mas o que é mais sintomático, é o facto destes dirigentes não se preocuparem com a imagem que o mundo tem deles.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

A Madeira é um jardim

Alberto João Jardim deu o show previsível. Demitiu-se para suceder a si próprio. Vai tentar ser reeleito por uma maioria esmagadora, como tem acontecido, de resto, nos últimos 30 anos. Mas os problemas da Madeira não serão resolvidos desse modo. Jardim pode impor mais uma derrota eleitoral aos seus adversários, isso não espantará. Mas não será assim que a região vai conseguir mais dinheiro do orçamento geral do Estado, nem será assim que a região diminuirá o deficit democrático de que padece.
Sem um bolo tão generoso para distribuir, como de costume, vamos lá a ver se Jardim continuará a beneficiar de tantos apoios, como até hoje.
Há uns dois anos, lembro-me de ter assistido a uma aula de Alberto João, na Universidade Independente, em Lisboa, onde ele lecciona uma cadeira da licenciatura de Administração Regional e Autárquica, e de o ouvir dizer que quem governa o país, verdadeiramente, não é o governo, mas as comissões políticas do PS e do PSD. O que, a ser verdade, significa que não é só contra o governo que ele luta, mas também contra os seus próprios pares no partido.
Cá para mim, está na hora de Jardim se reformar e passar a gozar das benesses inerentes aos senadores da Nação. Neste momento, ele já prejudica mais a Madeira do que a beneficia.

domingo, fevereiro 18, 2007

O senhor Mandatário

Quando no primeiro referendo sobre o aborto o NÃO venceu, há uns anos atrás, não me lembro de alguém ter levado em linha de conta os milhões de votos no SIM que, derrotados, não viram nenhuma legislação ser implementada para amaciarem a criminalização do aborto. Podiam, por exemplo, ter legislado de modo a diminuir as penas de prisão previstas no Código Penal. Mas não, tudo ficou na mesma.
Agora, os defensores do NÃO querem ser levados em linha de conta e, como se o referendo não tivesse sido já realizado, até encontraram um novo Mandatário Nacional: o senhor Presidente da República.
Cavaco saiu a terreiro, finalmente, em defesa do NÃO. Veio lembrar as “boas práticas” europeias no caso da IVG. Porque diabo não se lembrou ele dessas “boas práticas” antes? Durante anos, enquanto a IVG foi considerada crime, nenhum defensor do NÃO se lembrou dessas “boas práticas”. Preferiram continuar a mandar as mulheres para a prisão.
Não sei se estas pessoas não se estão a esquecer que ao referendo não se pode aplicar nenhum método de avaliação proporcional de resultados. Ou se ganha ou se perde. Sempre quero ver o que vão fazer do meu voto.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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