Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, março 26, 2007

Catedrática trapalhada

Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.
O caso da Independente, depois do que já aconteceu noutras universidades privadas (lembrem-se da Moderna), demonstra que nem tudo o que é privado é bom… ou fiável… ou eficiente…
A responsabilidade do Estado é total, neste caso. Primeiro, porque licenciou a escola. Depois, porque não cuidou de fiscalizar ao longo do tempo se a escola cumpria devidamente com as regras. Terceiro, porque se dispensou de equipar as universidades públicas com cursos em horário pós-laboral e, assim, deu às privadas todo o mercado dos trabalhadores-estudantes. Ou seja, o Estado deu uma fatia do mercado para que as privadas pudessem viver. A implantação das universidades privadas não foi, assim, uma questão definida pela qualidade do serviço prestado, não foi definida por aquilo a que se chama “regulação do mercado”. Foi um favor que se fez a alguns senhores.

Lembrar Salazar

Ah! Salazar, o impoluto! Ganda tuga, meu! Sim senhora, depois de morto lá venceste umas “eleições”. Parabéns! Voltaste a beneficiar da santa estupidez desta malta, o que só prova que fizeste, realmente, bom trabalho enquanto por cá andaste. Aquela coisa de manter o pessoal ignaro e comezinho sustentou-se no tempo, como vês.
És um verdadeiro artista, já o sabíamos, de resto. Quem não sabe do modo habilidoso como safaste os teus amigos daquele escândalo pedófilo que ficou conhecido por “ballet rose”? Vocês, seus maganões, andaram a comer as meninas e, no final, foram absolvidos pelo juiz obediente e abençoados pelo Cerejeira. É isso que é admirável, mantiveram esse ar de figurões importantes, muito respeitáveis, embora podres por dentro. Ainda hoje a coisa perdura. É obra!

sábado, março 24, 2007

As investigações jornalísticas dão resultados tão diferentes, não dão?

Depois das “investigações” exemplares do Público e de O Crime, era de esperar que todos os outros jornais lhes seguissem as pisadas na abordagem do caso da licenciatura de Sócrates. É mais ou menos isso que tem acontecido.
O Correio da Manhã, hoje, traz uma novidade: entrevistou um antigo colega de estudos de Sócrates, alguém que, apesar de nunca mais se ter relacionado com o ex-colega de turma, testemunha o mérito de Sócrates como aluno.
O Correio da Manhã encontrou, ainda, uma explicação lógica para haver notas diferentes às mesmas disciplinas. Segundo a explicação, Sócrates teve uma nota no exame escrito e outra no exame oral:
Betão Armado e Esforçado - 18 (escrita), 17 (oral)
Estruturas Especiais - 16 (escrita), 16 (oral)
Análise de Estruturas - 17 (escrita), 18 (oral)
Projectos e Dissertação - 18 (escrita), 17 (oral).
Ou seja, em duas das orais desceu a nota que trazia do exame escrito, numa manteve e noutra subiu 1 valor. Não vejo nada de anormal nisto. As notas são boas, talvez alguns vejam nisso algo de estranho, mas eu não.

sexta-feira, março 23, 2007

À la africaine...

pintura mural em Bondo, Congo Democrático, 1999
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Angola está quase a ultrapassar a Nigéria como principal produtor de petróleo de África. Angola é uma potência regional emergente e isso sente-se nos países vizinhos. Foi Angola quem pôs Joseph e Laurent Kabila no poder, no Congo Democrático (que raio de designação para um país daqueles…) e que sustentou esse regime “dinástico”durante a guerra civil. Angola fez o mesmo no outro Congo plus petite, idem para o Zimbabwe. Angola não se inibe de provocar quedas de regimes que não lhe convenham. Foi o que fez com todos os que apoiavam Savimbi, só falhando o golpe de estado que preparou na Zâmbia.
Nos países onde a pressão da comunidade internacional consegue a realização de um simulacro de democracia, com eleições gerais mais ou menos livres e justas, os “cavalos” angolanos vencem sempre. Muitas vezes, os derrotados acabam por aceitar integrarem-se no sistema, talvez convencidos de que os deixarão comer na alta manjedoura do poder. Mas não. Há sempre um acidente comprometedor para futuros tão promissores… foi o que aconteceu com John Garang, no Sudão, é o que pode vir a acontecer com Jean Pierre Bemba no Congo, ou com Morgan Tsvangirai no Zimbabwe, se não se põem a pau.
A política africana é fascinante!

quinta-feira, março 22, 2007

Um tabloide de referência

Hoje, o Público roubou uma cacha ao 24 horas. O que será que este facto quererá dizer? Que o jornal de referência se está a tabloidizar, na luta pela sobrevivência?


Refiro-me à história sobre as alegadas irregularidades cometidas por José Sócrates na obtenção da licenciatura em Engenharia Civil, estudos terminados na Universidade Independente.
O que resulta da leitura das páginas 2, 3, 4 e 5 é que o caos organizativo, administrativo, da Universidade Independente não é de hoje. Mas nada prova que tenha existido algum suborno do actual primeiro-ministro para corromper os responsáveis da escola.
Da leitura de todas as peças que o jornal publicou sobre o tema, ressalta também que o Público sentiu obrigação de se justificar perante os seus leitores, pouco habituados a este tipo de jornalismo. Numa nota da Direcção Editorial, o jornal argumenta com “referências múltiplas” que se avolumaram na blogosfera “há cerca de um mês”, sendo que, na verdade, apenas um blog se tem dedicado exaustivamente a esse tema, num caso típico de obsessão, bastante comum na dita blogosfera.
Porque estou eu a defender aqui o homem? Porque este tipo de atentado ao carácter das pessoas é de uma eficácia tremenda. Dificilmente alguém se conseguirá limpar completamente de uma maquinação deste tipo. Nada se provou, mas a dúvida permanecerá para sempre. Foi isto que fizeram a Paulo Pedroso e que, agora, estão a fazer com Sócrates. O jornal investigou e não encontrou nada de conclusivo. Mesmo assim, publicou e, hipocritamente, lava as mãos dizendo que essa investigação “permite aos leitores ajuizarem sobre o que estava certo e o que estava errado no que se dizia à boca pequena”.

quarta-feira, março 21, 2007

Prateleiras

Em todas as redacções por onde já passei, existiam as chamadas “prateleiras”, um local onde o trabalhador era colocado, às vezes isolado dos demais, sem trabalho atribuído, às vezes sem telefone ou sequer cadeira para se sentar. Era para lá que mandavam os tipos caídos em desgraça, por algum motivo. Também passei por algumas “prateleiras”, como é bom de ver. Muitos dos meus amigos também.
Aqui há tempos, o Mário Crespo foi contactado pelo Diário de Notícias, para uma reportagem sobre as ditas “prateleiras”. O Mário viveu alguns anos, na RTP, nessa situação de ostracismo. Foi ainda no tempo em que o José Eduardo Moniz mandava e desmandava na RTP. A situação do Mário acabou por ser resolvida com a sua transferência para a SIC e com uma tardia decisão em tribunal que lhe deu razão. Por ser um caso paradigmático de um trabalhador com experiência em “emprateleiramentos”, o repórter do Diário de Notícias tinha, então, escolhido o Mário para entrevistar. O trabalho foi feito a preceito, com uma boa produção fotográfica e tudo. Mas a reportagem nunca mais sai. Será que foi “emprateleirada”? Será que a influência de Moniz (um velho amigo de Oliveira, o novo patrão do Diário de Notícias) tem alguma coisa a ver com isto? O que será que se passou?

terça-feira, março 20, 2007

A televisão que temos (2)

Prós e Contras. Tema de debate: a televisão.
Balsemão foi à pantalha pública confessar o seu medo pela existência da Entidade Reguladora da Comunicação. O homem tem medo de ser examinado, avaliado. Porque a ERC (com a nova Lei da Televisão que aí vem) passará a ter o dever de avaliar periodicamente o desempenho dos operadores de televisão. No limite, a ERC poderá não renovar as licenças aos prevaricadores. E Balsemão revelou medo. Ele lá sabe.

Balsemão e Morais Sarmento

Morais Sarmento, também lá esteve. O ex-ministro de Durão Barroso que tutelou a Comunicação Social, teve um discurso hábil e muito político. Chegou mesmo a lamentar que, hoje, Marques Mendes não reconheça o bom trabalho que foi feito no serviço público de televisão.
Santos Silva, o actual ministro que tutela a Comunicação Social defendeu bem a sua dama e lembrou ao Dr.Balsemão que os operadores privados usam um bem público, que para isso são licenciados pelo Estado e por isso têm de cumprir com um caderno de encargos. E que não há renovações automáticas de licenças de televisão. Embora, de facto, a questão da renovação só se coloque daqui a 15 anos. Nem percebo porque razão o Dr.Balsemão se preocupa tanto com isso.


Fátima Campos Ferreira

Almerindo Marques jogava em casa. Desajeitado a falar, consumiu-se em auto-elogios. Foi ele o salvador da RTP, confessou Almerindo ao mundo. Mas disse uma coisa interessante: a RTP custa, a cada cidadão, por ano, 26 Euros e trinta cêntimos apenas. Sendo assim, até sai baratinha, esta televisão.

segunda-feira, março 19, 2007

A televisão que temos

Um estudo do Centro de Investigação Média e Democracia, divulgado hoje no âmbito da conferência internacional "Informação e Programação Televisiva de Serviço Público em Contexto Competitivo", que está a decorrer na Gulbenkian, diz que os telejornais dos quatro canais generalistas dão muitas notícias sobre futebol e poucas sobre política internacional. Julgo que esta “moda” de fazer noticiários começou na SIC, com o Emídio Rangel, logo em 92. Foi quando a SIC precisou de deitar mão a todos os truques possíveis e imaginários para ir angariando audiências. Foi aí que a tabloidização da pantalha teve início e o resto do mundo desapareceu dos noticiários. Como a táctica resultou, os outros canais não tardaram a imitar os procedimentos da SIC.
Hoje, exceptuando o telejornal da RTP 2, pouco noticiário internacional se vê nas televisões. Normalmente, limitam-se a dar uma notícia ou duas e fecham a loja. Além dos massacres diários de Bagdad, só temos direito a alguma notícia sobre desastres de comboios ou de aviões, desde que morram muitos.

sábado, março 17, 2007

Lei? Qual Lei?

Ouvi na TSF e creio ter ouvido bem (ia a conduzir…), que os chefes das Forças Armadas ponderam desobedecer aos tribunais administrativos, nos casos em que a justiça civil contradiga a justiça militar.

















A questão (se bem me lembro) foi levantada quando os militares detidos por terem “passeado” na Avenida da Liberdade, castigados com vários dias de prisão, interpuseram providências cautelares e viram as suas razões serem atendidas pelos tribunais civis. Agora, os chefes militares ponderam desobedecer a ordens análogas, no futuro, preferindo pagar indemnizações a libertar os detidos. Sinceramente, até me custa a acreditar que tenha escutado bem, que tenha entendido direito tudo o que foi dito… nesta notícia a TSF citava o Sol e, realmente, devia ter comprado o jornal para ter a certeza dos pormenores da notícia, mas não me apeteceu sujar as mãos. Fico à espera das reacções que, julgo, não tardarão a estalar.
Mas esta ideia peregrina não é inédita. Muitas decisões dos tribunais não são acatadas, nunca. Não sei com que consequências mas, cheira-me, a impunidade reina alegremente.


















Dou-vos o exemplo da SIC do Dr.Balsemão que ainda não acatou a sentença do Supremo Tribunal que mandou reintegrar o jornalista Jorge Schnitzer e pagar-lhe todos os ordenados em falta desde meados de 2003, altura em que o director do Departamento de Desporto foi despedido sem justa causa (assim julgou o tribunal). Já lá vão quase dois meses, se não erro, e Schnitzer continua à espera. Claro que o “contador” não para e, mais tarde ou mais cedo, Schnitzer será reintegrado e devidamente indemnizado. Mas a questão é o modo como uma decisão de um tribunal, que já não pode ser contestada, segundo creio, continua a ser olimpicamente ignorada. Não é só a SIC que se porta mal, mas também o seu patrão, que não honra a condição de senador da República.



















De modo que, se um general de 4 estrelas desobedecer a um tribunal, não abram a boca de espanto.

sexta-feira, março 16, 2007

Assassinos de olhos em bico

Este vídeo foi feito por uma equipa da televisão da Roménia que acompanhava uma expedição de alpinistas no Himalaia. Filmaram, à distância, uma coluna de fugitivos tibetanos que tentava atravessar a fronteira da China com o Nepal, em Nangpa Pass, enquanto eram alvejados impiedosamente por soldados chineses. São imagens chocantes, da vida real de um povo oprimido de um país ocupado. Não sei quantos sobreviveram desta coluna, nem sei quantas vezes estas cenas se repetiram já nos últimos 50 anos, desde que o Tibete foi invadido pela China, mas sei que deveria bastar esta denúncia para que a comunidade internacional encostasse a China à parede.

quinta-feira, março 15, 2007

A Grande Muralha

A greatfirewallofchina.org é uma organização que diz reclamar liberdade de circulação e de publicação na Internet e foca a sua acção na luta contra a censura na China.
Esta organização diz-se composta por web designers, realizadores de documentários e jornalistas, unidos em torno dessa causa.
Não pedem dinheiro a ninguém. Pedem apenas, se aderirmos à causa, que ponhamos uma tarja vermelha com a frase “My site is China proof”.
Fiz o teste e, sem surpresa, o resultado foi que este blog está bloqueado pela China. Gostava de perceber melhor o que isso quer dizer. Significa que os chineses não me podem visitar? Se for isso, é mentira, porque já recebi várias visitas provenientes da China, isto a acreditar no sitemeter…
Numa das respostas às faq do greatfirewallofchina.org diz-se que “The Chinese government has a tradition of keeping its watchful eye on all media. Since the rapid growth of the World Wide Web in the 1990s they have constantly invented new ways of censorship to control the world’s most democratic medium, the Internet, as well. Not everything on the Internet, readily available elsewhere, can be accessed from within China”, pelo que me parece que, de facto, o resultado do teste afirma que o meu blog não pode ser visitado por quem tente acesso a partir da China o que, como já disse, não pode ser verdade porque já fui visitado por vários chineses. Hoje mesmo tive duas visitas, uma proveniente de Beijing às 8 da manhã e outra de Dong, Yunnan, às 22:02 hora local.
Assim, estou desconfiado das intenções destes tipos do greatfirewallofchina.org e não vou usar a tarja.

O tal direito à reciprocidade

Apesar de ser um breve testemunho, revela bem o estado de espírito que reina nas ruas de Luanda.
O comentário ao post de há dois dias está assinado por Su. Não sei quem é, mas isso não o invalida.
Leiam e tirem as vossas conclusões: “…Não é apenas uma “coisa” de gasosa! Notei hoje, quando nos mandaram parar para pedir a carta de condução, a euforia com que os angolanos estão a viver esta "vingança", pelos comentários que se soltavam dos carros que passavam: "Aperta com o tuga!!!" Achei curioso o comentário feito pelo fiscal do Governo da Provincia de Luanda que nos mandou parar, segundo ele em comissão de serviço para a policia nacional e por isso com poderes para nos levar até à esquadra,..." Não sabe o que nos estão a fazer em Portugal? Não viu televisão?"

quarta-feira, março 14, 2007

Novo apartheid

Aqui há tempos redescobri umas fotos de Durban. Estive lá em 2000, quando se realizou uma conferência internacional sobre SIDA. Foi uma experiência muito gratificante, até porque tive oportunidade de ouvir falar Nelson Mandela, de facto, um homem diferente.


Mas esses dias que passei na África do Sul deram, ainda, para perceber alguma coisa do que se estava a passar no país. Depois do apartheid ter sido desmantelado, seria lógico que começasse a surgir uma elite social negra. E isso era visível, por todo o lado. Nas auto-estradas, já se notavam muitos carrões de último modelo, daquelas marcas do costume: BMW, Mercedes, Audi, Nissan, etc. Nas ruas, os enfatados. Nas zonas comerciais, muito movimento. Os motoristas de táxi, no aeroporto, era quase todos brancos. No centro da cidade, também vi pedintes brancos. E vi vários brancos com cartazes pendurados no peito e nas costas a pedir emprego. A pobreza e as dificuldades não cabiam já só aos negros, como dantes.
downtown
Percebi, também, em conversas com quem lá vive, que o novo regime sul-africano decretou aquilo a que chamam “”política de acção afirmativa”, que mais não é senão uma discriminação exercida sobre os brancos, de modo a favorecerem os negros na obtenção de empregos ou nomeação para cargos directivos. Uma lei que pretende equilibrar as injustiças do passado, reservando cargos a todos os níveis das empresas públicas e privadas para a população não-branca. A legislação estabelece que, perante várias candidaturas a determinado lugar, os não-brancos têm sempre preferência na admissão, a não ser que os candidatos brancos possuam maiores habilitações técnico-profissionais, ou que para determinada posição não exista qualquer candidato não-branco com habilitações semelhantes ao do concorrente branco. A aplicação prática da lei tem gerado uma insatisfação crescente entre os brancos, que na prática são impedidos de concorrer a lugares de nível médio e superior nas empresas, uma vez que mesmo em casos em que possuem mais habilitações, acabam por ser preteridos.
Contou-me um jornalista português que vive em Joanesburgo que uma prima tinha concorrido para uma vaga num banco e que lhe tinham dito, logo à partida, que não valia a pena inscrever-se porque nenhum branco ia ficar com aquela vaga, por mais qualificado que fosse.
Pelo que sei, nada mudou, desde então. A tal “política de acção afirmativa” continua a ser exercida e não se sabe quando deixará de haver discriminação contra os brancos na África do Sul.
porto de Durban
Julgo que seria tempo disso acabar. Acho que o país só poderá piorar se essa discriminação não for abolida. Digamos que, sem querer pegar nos chavões do costume (a economia, o politicamente correcto, os Direitos Humanos), acho que é um péssimo exemplo educacional para as novas gerações de sul-africanos. Se, dantes, o apartheid era um regime abjecto, não me parece que, hoje, as coisas caminhem de forma muito diferente. Os sul-africanos estão a formar novas gerações de racistas. Tanto negros como brancos.

terça-feira, março 13, 2007

Angola e o direito à reciprocidade

As cartas de condução portuguesas deixaram de ser válidas em Angola. Depois de Mantorras ter sido detido e levado a tribunal por estar a conduzir com uma carta de condução angolana (não válida em Portugal), eis que o governo de Angola reivindica o “direito à reciprocidade” e passa a aplicar a mesma medida.
Em 1998 a minha carta de condução portuguesa expirou a data indicada na validade. Embora em Portugal o documento continue a ser válido, porque a legislação mudou e as cartas só caducam depois do cidadão fazer 65 anos, o polícia angolano não quis saber disso. Se a data tinha expirado, estava caducada. Multou-me, claro.
No dia seguinte, depois de ter estabelecido o contacto necessário, à mesa do restaurante Mutamba, ao almoço, comprei uma carta angolana por 100 dólares americanos. Foi fácil, rápido e descomplicado. Ainda hoje tenho esse documento (na foto) que, de resto, tenho utilizado sempre que vou a Angola ou, até, noutros países africanos onde essa carta é reconhecida. O mesmo facilitador propôs-me, lembro-me bem, a compra de outra documentação útil, a mais interessante seria, talvez, a autorização de residência. Mas, como não precisava…
Ainda hoje, sei que com facilidade qualquer um pode comprar uma carta de condução, um certificado de habilitações, reconhecer uma assinatura falsa ou satisfazer qualquer outra necessidade do género que dependa, apenas, da “boa vontade” do funcionário da repartição pública. São os esquemas de sobrevivência em que os angolanos se especializaram, ao longo dos anos, de modo a complementarem o salário.

segunda-feira, março 12, 2007

Será eco?



José Pacheco Pereira, ex-deputado do PSD, comentador assalariado da SIC, confessou no passado sábado, no Público, o desejo de ver a RTP desaparecer. Diz ele que “o país ficava muito melhor sem televisão pública” e que “não há nada que a RTP hoje faça, mesmo como instrumento de política externa, que se não possa contratualizar com as privadas”.
Realmente, seria uma boa ideia o Estado pagar à SIC ou à TVI o serviço público. Era mais uma fonte de rendimentos para Balsemão e outros que tais, matava-se o problema da divisão da publicidade que a existência da RTP provoca e, então sim, a sustentabilidade das privadas estaria assegurada ad eternum. Pacheco Pereira deve ter tirado da boca de Balsemão tais palavras.
Diz ele, ainda, que a RTP sempre serviu os regimes instalados. Pois serviu. Serviu a ditadura (que remédio…) e serve, agora, o regime democrático. A RTP serve de bitola para que as privadas não descambem na vulgaridade absoluta e na indigência total quanto à qualidade da programação. Sem a RTP, a tabloidização da pantalha seria inevitável. Mas isso não interessa nada, pois não, Pacheco Pereira? Sem a RTP, quem garante que uma televisão como a SIC, por exemplo, controlada pelo militante nº1 do PSD, não iria servir os interesses instalados no seu interior?
Por último, achei curioso verificar que Pacheco Pereira conhece bem como se monta o controlo sobre um canal de televisão: “tudo isto se faz sem qualquer conspiração, ou telefone directo, ou instrução ou ordem, mas em primeiro lugar pela escolha para os lugares-chaves de pessoas confiáveis”. Pois é assim mesmo que se faz, confirmo eu. Mas também é assim que se faz nas privadas. Rigorosamente da mesma maneira. E, além disso, convém lembrar, já agora, que tanto a actual administração da RTP como a quase totalidade da sua estrutura hierárquica, foram nomeadas no tempo do governo do… PSD.

Utopia

Ora aqui está mais uma inovação deste blog! Vídeos!
Tenho o prazer de vos apresentar o melhor emprego do Mundo.
Para quem precisar de tradução, aqui fica uma explicação sucinta: A Google foi considerada a melhor empresa da América para onde ir trabalhar. No vídeo que exibo, podemos perceber porquê. Em vez de cartão de ponto, a Google tem ginásio, barbeiro, lavagem de carro, sala de jogos, massagens, lavandaria e médico, tudo para que os funcionários se sintam tão bem lá dentro que nem se lembrem de ir para casa aturar a mulher e os filhos. O restaurante é de 5 estrelas e a comida grátis.
A meio do vídeo, alguém diz que aquilo é uma utopia, mas a verdade é que os trabalhadores parecem gostar tanto que os índices de produtividade são altíssimos e os conflitos laborais inexistentes. A empresa recebe 1 milhão de candidaturas por ano, pudera! É um sítio sempre em festa.
De certo modo, este vídeo fez-me lembrar os primeiros anos da SIC. Também ali as pessoas se sentiam tão bem que pouco tempo passavam fora do local de trabalho. Claro que a SIC nunca proporcionou condições de trabalho semelhantes às da Google, nem de longe. Mas havia uma magia no ar, muita alegria no trabalho, muito incentivo à criatividade. Mas esses tempos morreram, pela ganância e incompetência de quem devia ter apostado devidamente nos trabalhadores leais à empresa.
Agora, o exemplo do Google devia ser mostrado aos empresários nacionais. Podia ser que aprendessem alguma coisa.


domingo, março 11, 2007

O mar bate na rocha e quem se lixa é o mexilhão, claro.



O Nuno Ramos de Almeida escreveu que o Governo português decidiu desactivar a embaixada portuguesa no Iraque por considerar perigos vários e falta gritante de condições de segurança e que, ao mesmo tempo, os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras do Ministério da Administração de Interna resolveram recusar o pedido de asilo a um cidadão iraquiano alegando “não estar provado que não existem condições de segurança no Iraque”.
Parece piada, mas não deve ser. A questão é o que fazer numa situação destas? Conceder asilo a todos os iraquianos que o solicitassem?
O argumento do SEF é que, francamente… não lembra ao diabo.

sábado, março 10, 2007

Na Afriki, os deuses devem estar loucos




Aqui há tempos, tive conhecimento de um relatório policial que confirma quase tudo o que Didinho vem agora dizer no seu blog, no texto "O Cartel de Bissau": a Guiné-Bissau transformou-se num narco-Estado.
Dizia esse relatório que a Guiné-Bissau e Cabo Verde funcionam como “armazéns” dos traficantes de droga sul-americanos. A polícia já definiu “dois corredores lusófonos” para o tráfico de droga internacional. Os dois “corredores” partem do Brasil e passam pela Guiné-Bissau e Cabo Verde, sendo que um, depois, vira para Sul, levando a droga para a África do Sul, via Angola e o segundo “corredor” vira a Norte, de modo a que a droga chegue à Europa via Portugal. Chamam-lhes “corredores lusófonos” porque os traficantes criaram estruturas nos países lusófonos, aproveitando uma certa solidariedade existente entre os elementos que recrutam nos diversos países e a facilidade de entendimento existente pela partilha da mesma língua.
Nesse mesmo relatório dizia-se que a polícia portuguesa já tinha agentes em Bissau, para investigar a traficância. Para já, não parecem estar a ter muito sucesso essas investigações, mas a acreditar no que diz agora Didinho no seu blog, será difícil alguém de fora ter sucesso nesse combate, se é verdade que o Estado guineense está tomado pelos traficantes.

Na Afriki

A guerra civil da Costa do Marfim exilou-a em Marselha. É uma rapariga com sorte, malgré tout…

Canta por todo o Mundo. Quem já a viu em palco sabe que é fascinante, carismática, poderosa.
Chama-se Dobet Gnahoré. Acaba de sair o seu segundo disco, “Na Afriki”.

sexta-feira, março 09, 2007

O chinês deve ser mais fácil que o HTML

Primeiro foi a fotografia do topo que desapareceu, inexplicavelmente. Como não sabia como fazer para a repor, como aquele quadrado vazio me estava a chatear, alterei o template do blog, como se pode constatar. Não me chateia nada não ter a tal foto no cabeçalho, mas perdi os contadores que estavam instalados e isso já me chateia um bocado. Não por causa da contagem, mas porque gosto de saber de onde vêm os visitantes que aqui chegam. Há gente de todo o lado, o que é muito surpreendente. Do Brasil, da Rússia, da China e da Austrália, da África do Sul e da Suiça, de Espanha e da Índia, dos Estados Unidos e de França, da Guiné-Bissau e do Canadá, do Qatar, de Itália, da Eslovénia, da Bósnia-Herzegovina, de Marrocos, por aí fora. Eram já 101 os países de proveniência dos visitantes deste blog. Era bom ter essa percepção global. Ainda hoje (antes das alterações ao template), tinha reparado em dois visitantes sul-africanos, por volta das 18 horas. O que virão vocês procurar aqui? A maioria não deixa comentários. O contador era o único vestígio que deixavam. Alguém sabe como devo fazer para os reaver?

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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