Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, abril 04, 2007

As razões de Estado


Não sei quem é Pedro Araújo, jornalista do Jornal de Notícias, mas foi dos poucos que fez bom jornalismo neste caso. Pelo menos ouviu as partes envolvidas nesta questão.
Muitos amigos e conhecidos já me telefonaram para perguntar porque “não ponho a boca no trombone” sobre o que sucedeu na passada 3ªfeira. Não ponho, realmente, porque não tenho motivos para isso, apesar de sentir que sofri uma penalização exagerada para a falta cometida.
Percebo muito bem as motivações do ministro que me exonerou (ora aqui está um belo termo para despedimento!) mas lamento a frieza, a desumanidade e a incompreensão reveladas por ele e por muitos dos jornalistas que trataram este caso.
Cometi o erro de ter sido sensível ao pedido de ajuda de um professor. De uma pessoa por quem tinha estima e que, afinal, se revelou um homenzinho fraco. Cometi o erro de ter tentado ajudar a amenizar as convulsões que se abateram sobre a Universidade Independente, com a agravante de não ter conseguido manter a frieza perante um problema que me afectava pessoalmente. Passei os últimos 4 anos a caminhar para a UNI, raramente faltei a uma aula, tenho notas razoáveis e sempre trabalhei em simultâneo, claro. Quando estava na TSF (e no 1ºano da Faculdade), levantava-me às três e meia da manhã, entrava na TSF uma hora depois, deitava-me ao meio-dia, dormia até às cinco, tinha aulas das seis às 11 da noite, voltava para casa para dormir mais um bocadinho até às 3 e meia. Por isso, ao fim de 4 anos, em que só me falta defender a dissertação, vejo a UNI a ir para o fundo e não consigo ficar frio perante isso. As razões de Estado que me desculpem.

domingo, abril 01, 2007

O meu filho olha para mim e vê-me assim...


Será que estou a criar um Picasso?

sábado, março 31, 2007

Tempo de catanas e kalashnikovs





É jornalismo do melhor que há. Não sei se o livro está à venda por cá. Comprei-o em Nairobi, já lá vão uns anitos. Precisei, agora, de o reler.

Eu e Scott Peterson andámos pelos mesmos sítios, na mesma altura. Ele teve o talento de escrever este livro. Eu tenho a sorte de o poder ler.
Foi uma oportunidade para me arrepiar de novo, como dantes.


Me Against My Brother, at war in Somalia, Sudan and Rwanda, Scott Peterson, Routledge, New York.

ISBN 0-415-92198-8

quarta-feira, março 28, 2007

Ainda Salazar...

Notícia da agência Lusa, hoje, a meio da tarde:

Lisboa, 28 Mar (Lusa) - O Bloco de Esquerda exigiu hoje explicações à RTP sobre o seu "concurso farsa" que "entronizou" Oliveira Salazar como "o maior português de sempre", fazendo uma "rasteira apologia do salazarismo".
Numa declaração política no período antes da ordem do dia do plenário da Assembleia da República, o deputado do BE Fernando Rosas teceu duras críticas ao programa "Grandes Portugueses", que terminou no domingo com a escolha de Oliveira Salazar como "o maior português de sempre", considerando que o Parlamento tem o dever de exigir explicações.
"Esta Assembleia, órgão por excelência da soberania popular e sede primeira da democracia - essa democracia que o fascismo proibiu e espezinhou - tem o estrito dever de exigir da televisão pública as explicações que são devidas à luz do regime legal e constitucional a que está vinculada", sublinhou Fernando Rosas.

Agora, digo eu. Foi uma coincidência, mas a verdade é que li isto logo a seguir a um amigo me ter chamado a atenção para o facto curioso de Salazar ter sido eleito “o maior” no canal televisivo cujo vice-presidente do Conselho de Administração é um salazarista confesso.
Ponces Leão assim o admitiu, faz agora um ano, numa entrevista ao Expresso, onde se declarava nacionalista, admirador de Salazar e onde expressou algumas pérolas do seu pensamento político, tais como algo do género (referindo-se aos Palop) “os pretos não estavam preparados para a independência”.

terça-feira, março 27, 2007

Cidadania

Bissau, eleições legislativas de 2004


Corre na NET um abaixo-assinado pela Paz e Democracia na Guiné-Bissau. Claro que não serão as assinaturas, mesmo que sejam muitas, a resolver a situação do país, mas sempre é uma posição que se toma, perante a arrogância dos poderosos. Para quem quiser saber dos termos do abaixo-assinado, é só clicar AQUI.

segunda-feira, março 26, 2007

Catedrática trapalhada

Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.
O caso da Independente, depois do que já aconteceu noutras universidades privadas (lembrem-se da Moderna), demonstra que nem tudo o que é privado é bom… ou fiável… ou eficiente…
A responsabilidade do Estado é total, neste caso. Primeiro, porque licenciou a escola. Depois, porque não cuidou de fiscalizar ao longo do tempo se a escola cumpria devidamente com as regras. Terceiro, porque se dispensou de equipar as universidades públicas com cursos em horário pós-laboral e, assim, deu às privadas todo o mercado dos trabalhadores-estudantes. Ou seja, o Estado deu uma fatia do mercado para que as privadas pudessem viver. A implantação das universidades privadas não foi, assim, uma questão definida pela qualidade do serviço prestado, não foi definida por aquilo a que se chama “regulação do mercado”. Foi um favor que se fez a alguns senhores.

Lembrar Salazar

Ah! Salazar, o impoluto! Ganda tuga, meu! Sim senhora, depois de morto lá venceste umas “eleições”. Parabéns! Voltaste a beneficiar da santa estupidez desta malta, o que só prova que fizeste, realmente, bom trabalho enquanto por cá andaste. Aquela coisa de manter o pessoal ignaro e comezinho sustentou-se no tempo, como vês.
És um verdadeiro artista, já o sabíamos, de resto. Quem não sabe do modo habilidoso como safaste os teus amigos daquele escândalo pedófilo que ficou conhecido por “ballet rose”? Vocês, seus maganões, andaram a comer as meninas e, no final, foram absolvidos pelo juiz obediente e abençoados pelo Cerejeira. É isso que é admirável, mantiveram esse ar de figurões importantes, muito respeitáveis, embora podres por dentro. Ainda hoje a coisa perdura. É obra!

sábado, março 24, 2007

As investigações jornalísticas dão resultados tão diferentes, não dão?

Depois das “investigações” exemplares do Público e de O Crime, era de esperar que todos os outros jornais lhes seguissem as pisadas na abordagem do caso da licenciatura de Sócrates. É mais ou menos isso que tem acontecido.
O Correio da Manhã, hoje, traz uma novidade: entrevistou um antigo colega de estudos de Sócrates, alguém que, apesar de nunca mais se ter relacionado com o ex-colega de turma, testemunha o mérito de Sócrates como aluno.
O Correio da Manhã encontrou, ainda, uma explicação lógica para haver notas diferentes às mesmas disciplinas. Segundo a explicação, Sócrates teve uma nota no exame escrito e outra no exame oral:
Betão Armado e Esforçado - 18 (escrita), 17 (oral)
Estruturas Especiais - 16 (escrita), 16 (oral)
Análise de Estruturas - 17 (escrita), 18 (oral)
Projectos e Dissertação - 18 (escrita), 17 (oral).
Ou seja, em duas das orais desceu a nota que trazia do exame escrito, numa manteve e noutra subiu 1 valor. Não vejo nada de anormal nisto. As notas são boas, talvez alguns vejam nisso algo de estranho, mas eu não.

sexta-feira, março 23, 2007

À la africaine...

pintura mural em Bondo, Congo Democrático, 1999
.
Angola está quase a ultrapassar a Nigéria como principal produtor de petróleo de África. Angola é uma potência regional emergente e isso sente-se nos países vizinhos. Foi Angola quem pôs Joseph e Laurent Kabila no poder, no Congo Democrático (que raio de designação para um país daqueles…) e que sustentou esse regime “dinástico”durante a guerra civil. Angola fez o mesmo no outro Congo plus petite, idem para o Zimbabwe. Angola não se inibe de provocar quedas de regimes que não lhe convenham. Foi o que fez com todos os que apoiavam Savimbi, só falhando o golpe de estado que preparou na Zâmbia.
Nos países onde a pressão da comunidade internacional consegue a realização de um simulacro de democracia, com eleições gerais mais ou menos livres e justas, os “cavalos” angolanos vencem sempre. Muitas vezes, os derrotados acabam por aceitar integrarem-se no sistema, talvez convencidos de que os deixarão comer na alta manjedoura do poder. Mas não. Há sempre um acidente comprometedor para futuros tão promissores… foi o que aconteceu com John Garang, no Sudão, é o que pode vir a acontecer com Jean Pierre Bemba no Congo, ou com Morgan Tsvangirai no Zimbabwe, se não se põem a pau.
A política africana é fascinante!

quinta-feira, março 22, 2007

Um tabloide de referência

Hoje, o Público roubou uma cacha ao 24 horas. O que será que este facto quererá dizer? Que o jornal de referência se está a tabloidizar, na luta pela sobrevivência?


Refiro-me à história sobre as alegadas irregularidades cometidas por José Sócrates na obtenção da licenciatura em Engenharia Civil, estudos terminados na Universidade Independente.
O que resulta da leitura das páginas 2, 3, 4 e 5 é que o caos organizativo, administrativo, da Universidade Independente não é de hoje. Mas nada prova que tenha existido algum suborno do actual primeiro-ministro para corromper os responsáveis da escola.
Da leitura de todas as peças que o jornal publicou sobre o tema, ressalta também que o Público sentiu obrigação de se justificar perante os seus leitores, pouco habituados a este tipo de jornalismo. Numa nota da Direcção Editorial, o jornal argumenta com “referências múltiplas” que se avolumaram na blogosfera “há cerca de um mês”, sendo que, na verdade, apenas um blog se tem dedicado exaustivamente a esse tema, num caso típico de obsessão, bastante comum na dita blogosfera.
Porque estou eu a defender aqui o homem? Porque este tipo de atentado ao carácter das pessoas é de uma eficácia tremenda. Dificilmente alguém se conseguirá limpar completamente de uma maquinação deste tipo. Nada se provou, mas a dúvida permanecerá para sempre. Foi isto que fizeram a Paulo Pedroso e que, agora, estão a fazer com Sócrates. O jornal investigou e não encontrou nada de conclusivo. Mesmo assim, publicou e, hipocritamente, lava as mãos dizendo que essa investigação “permite aos leitores ajuizarem sobre o que estava certo e o que estava errado no que se dizia à boca pequena”.

quarta-feira, março 21, 2007

Prateleiras

Em todas as redacções por onde já passei, existiam as chamadas “prateleiras”, um local onde o trabalhador era colocado, às vezes isolado dos demais, sem trabalho atribuído, às vezes sem telefone ou sequer cadeira para se sentar. Era para lá que mandavam os tipos caídos em desgraça, por algum motivo. Também passei por algumas “prateleiras”, como é bom de ver. Muitos dos meus amigos também.
Aqui há tempos, o Mário Crespo foi contactado pelo Diário de Notícias, para uma reportagem sobre as ditas “prateleiras”. O Mário viveu alguns anos, na RTP, nessa situação de ostracismo. Foi ainda no tempo em que o José Eduardo Moniz mandava e desmandava na RTP. A situação do Mário acabou por ser resolvida com a sua transferência para a SIC e com uma tardia decisão em tribunal que lhe deu razão. Por ser um caso paradigmático de um trabalhador com experiência em “emprateleiramentos”, o repórter do Diário de Notícias tinha, então, escolhido o Mário para entrevistar. O trabalho foi feito a preceito, com uma boa produção fotográfica e tudo. Mas a reportagem nunca mais sai. Será que foi “emprateleirada”? Será que a influência de Moniz (um velho amigo de Oliveira, o novo patrão do Diário de Notícias) tem alguma coisa a ver com isto? O que será que se passou?

terça-feira, março 20, 2007

A televisão que temos (2)

Prós e Contras. Tema de debate: a televisão.
Balsemão foi à pantalha pública confessar o seu medo pela existência da Entidade Reguladora da Comunicação. O homem tem medo de ser examinado, avaliado. Porque a ERC (com a nova Lei da Televisão que aí vem) passará a ter o dever de avaliar periodicamente o desempenho dos operadores de televisão. No limite, a ERC poderá não renovar as licenças aos prevaricadores. E Balsemão revelou medo. Ele lá sabe.

Balsemão e Morais Sarmento

Morais Sarmento, também lá esteve. O ex-ministro de Durão Barroso que tutelou a Comunicação Social, teve um discurso hábil e muito político. Chegou mesmo a lamentar que, hoje, Marques Mendes não reconheça o bom trabalho que foi feito no serviço público de televisão.
Santos Silva, o actual ministro que tutela a Comunicação Social defendeu bem a sua dama e lembrou ao Dr.Balsemão que os operadores privados usam um bem público, que para isso são licenciados pelo Estado e por isso têm de cumprir com um caderno de encargos. E que não há renovações automáticas de licenças de televisão. Embora, de facto, a questão da renovação só se coloque daqui a 15 anos. Nem percebo porque razão o Dr.Balsemão se preocupa tanto com isso.


Fátima Campos Ferreira

Almerindo Marques jogava em casa. Desajeitado a falar, consumiu-se em auto-elogios. Foi ele o salvador da RTP, confessou Almerindo ao mundo. Mas disse uma coisa interessante: a RTP custa, a cada cidadão, por ano, 26 Euros e trinta cêntimos apenas. Sendo assim, até sai baratinha, esta televisão.

segunda-feira, março 19, 2007

A televisão que temos

Um estudo do Centro de Investigação Média e Democracia, divulgado hoje no âmbito da conferência internacional "Informação e Programação Televisiva de Serviço Público em Contexto Competitivo", que está a decorrer na Gulbenkian, diz que os telejornais dos quatro canais generalistas dão muitas notícias sobre futebol e poucas sobre política internacional. Julgo que esta “moda” de fazer noticiários começou na SIC, com o Emídio Rangel, logo em 92. Foi quando a SIC precisou de deitar mão a todos os truques possíveis e imaginários para ir angariando audiências. Foi aí que a tabloidização da pantalha teve início e o resto do mundo desapareceu dos noticiários. Como a táctica resultou, os outros canais não tardaram a imitar os procedimentos da SIC.
Hoje, exceptuando o telejornal da RTP 2, pouco noticiário internacional se vê nas televisões. Normalmente, limitam-se a dar uma notícia ou duas e fecham a loja. Além dos massacres diários de Bagdad, só temos direito a alguma notícia sobre desastres de comboios ou de aviões, desde que morram muitos.

sábado, março 17, 2007

Lei? Qual Lei?

Ouvi na TSF e creio ter ouvido bem (ia a conduzir…), que os chefes das Forças Armadas ponderam desobedecer aos tribunais administrativos, nos casos em que a justiça civil contradiga a justiça militar.

















A questão (se bem me lembro) foi levantada quando os militares detidos por terem “passeado” na Avenida da Liberdade, castigados com vários dias de prisão, interpuseram providências cautelares e viram as suas razões serem atendidas pelos tribunais civis. Agora, os chefes militares ponderam desobedecer a ordens análogas, no futuro, preferindo pagar indemnizações a libertar os detidos. Sinceramente, até me custa a acreditar que tenha escutado bem, que tenha entendido direito tudo o que foi dito… nesta notícia a TSF citava o Sol e, realmente, devia ter comprado o jornal para ter a certeza dos pormenores da notícia, mas não me apeteceu sujar as mãos. Fico à espera das reacções que, julgo, não tardarão a estalar.
Mas esta ideia peregrina não é inédita. Muitas decisões dos tribunais não são acatadas, nunca. Não sei com que consequências mas, cheira-me, a impunidade reina alegremente.


















Dou-vos o exemplo da SIC do Dr.Balsemão que ainda não acatou a sentença do Supremo Tribunal que mandou reintegrar o jornalista Jorge Schnitzer e pagar-lhe todos os ordenados em falta desde meados de 2003, altura em que o director do Departamento de Desporto foi despedido sem justa causa (assim julgou o tribunal). Já lá vão quase dois meses, se não erro, e Schnitzer continua à espera. Claro que o “contador” não para e, mais tarde ou mais cedo, Schnitzer será reintegrado e devidamente indemnizado. Mas a questão é o modo como uma decisão de um tribunal, que já não pode ser contestada, segundo creio, continua a ser olimpicamente ignorada. Não é só a SIC que se porta mal, mas também o seu patrão, que não honra a condição de senador da República.



















De modo que, se um general de 4 estrelas desobedecer a um tribunal, não abram a boca de espanto.

sexta-feira, março 16, 2007

Assassinos de olhos em bico

Este vídeo foi feito por uma equipa da televisão da Roménia que acompanhava uma expedição de alpinistas no Himalaia. Filmaram, à distância, uma coluna de fugitivos tibetanos que tentava atravessar a fronteira da China com o Nepal, em Nangpa Pass, enquanto eram alvejados impiedosamente por soldados chineses. São imagens chocantes, da vida real de um povo oprimido de um país ocupado. Não sei quantos sobreviveram desta coluna, nem sei quantas vezes estas cenas se repetiram já nos últimos 50 anos, desde que o Tibete foi invadido pela China, mas sei que deveria bastar esta denúncia para que a comunidade internacional encostasse a China à parede.

quinta-feira, março 15, 2007

A Grande Muralha

A greatfirewallofchina.org é uma organização que diz reclamar liberdade de circulação e de publicação na Internet e foca a sua acção na luta contra a censura na China.
Esta organização diz-se composta por web designers, realizadores de documentários e jornalistas, unidos em torno dessa causa.
Não pedem dinheiro a ninguém. Pedem apenas, se aderirmos à causa, que ponhamos uma tarja vermelha com a frase “My site is China proof”.
Fiz o teste e, sem surpresa, o resultado foi que este blog está bloqueado pela China. Gostava de perceber melhor o que isso quer dizer. Significa que os chineses não me podem visitar? Se for isso, é mentira, porque já recebi várias visitas provenientes da China, isto a acreditar no sitemeter…
Numa das respostas às faq do greatfirewallofchina.org diz-se que “The Chinese government has a tradition of keeping its watchful eye on all media. Since the rapid growth of the World Wide Web in the 1990s they have constantly invented new ways of censorship to control the world’s most democratic medium, the Internet, as well. Not everything on the Internet, readily available elsewhere, can be accessed from within China”, pelo que me parece que, de facto, o resultado do teste afirma que o meu blog não pode ser visitado por quem tente acesso a partir da China o que, como já disse, não pode ser verdade porque já fui visitado por vários chineses. Hoje mesmo tive duas visitas, uma proveniente de Beijing às 8 da manhã e outra de Dong, Yunnan, às 22:02 hora local.
Assim, estou desconfiado das intenções destes tipos do greatfirewallofchina.org e não vou usar a tarja.

O tal direito à reciprocidade

Apesar de ser um breve testemunho, revela bem o estado de espírito que reina nas ruas de Luanda.
O comentário ao post de há dois dias está assinado por Su. Não sei quem é, mas isso não o invalida.
Leiam e tirem as vossas conclusões: “…Não é apenas uma “coisa” de gasosa! Notei hoje, quando nos mandaram parar para pedir a carta de condução, a euforia com que os angolanos estão a viver esta "vingança", pelos comentários que se soltavam dos carros que passavam: "Aperta com o tuga!!!" Achei curioso o comentário feito pelo fiscal do Governo da Provincia de Luanda que nos mandou parar, segundo ele em comissão de serviço para a policia nacional e por isso com poderes para nos levar até à esquadra,..." Não sabe o que nos estão a fazer em Portugal? Não viu televisão?"

quarta-feira, março 14, 2007

Novo apartheid

Aqui há tempos redescobri umas fotos de Durban. Estive lá em 2000, quando se realizou uma conferência internacional sobre SIDA. Foi uma experiência muito gratificante, até porque tive oportunidade de ouvir falar Nelson Mandela, de facto, um homem diferente.


Mas esses dias que passei na África do Sul deram, ainda, para perceber alguma coisa do que se estava a passar no país. Depois do apartheid ter sido desmantelado, seria lógico que começasse a surgir uma elite social negra. E isso era visível, por todo o lado. Nas auto-estradas, já se notavam muitos carrões de último modelo, daquelas marcas do costume: BMW, Mercedes, Audi, Nissan, etc. Nas ruas, os enfatados. Nas zonas comerciais, muito movimento. Os motoristas de táxi, no aeroporto, era quase todos brancos. No centro da cidade, também vi pedintes brancos. E vi vários brancos com cartazes pendurados no peito e nas costas a pedir emprego. A pobreza e as dificuldades não cabiam já só aos negros, como dantes.
downtown
Percebi, também, em conversas com quem lá vive, que o novo regime sul-africano decretou aquilo a que chamam “”política de acção afirmativa”, que mais não é senão uma discriminação exercida sobre os brancos, de modo a favorecerem os negros na obtenção de empregos ou nomeação para cargos directivos. Uma lei que pretende equilibrar as injustiças do passado, reservando cargos a todos os níveis das empresas públicas e privadas para a população não-branca. A legislação estabelece que, perante várias candidaturas a determinado lugar, os não-brancos têm sempre preferência na admissão, a não ser que os candidatos brancos possuam maiores habilitações técnico-profissionais, ou que para determinada posição não exista qualquer candidato não-branco com habilitações semelhantes ao do concorrente branco. A aplicação prática da lei tem gerado uma insatisfação crescente entre os brancos, que na prática são impedidos de concorrer a lugares de nível médio e superior nas empresas, uma vez que mesmo em casos em que possuem mais habilitações, acabam por ser preteridos.
Contou-me um jornalista português que vive em Joanesburgo que uma prima tinha concorrido para uma vaga num banco e que lhe tinham dito, logo à partida, que não valia a pena inscrever-se porque nenhum branco ia ficar com aquela vaga, por mais qualificado que fosse.
Pelo que sei, nada mudou, desde então. A tal “política de acção afirmativa” continua a ser exercida e não se sabe quando deixará de haver discriminação contra os brancos na África do Sul.
porto de Durban
Julgo que seria tempo disso acabar. Acho que o país só poderá piorar se essa discriminação não for abolida. Digamos que, sem querer pegar nos chavões do costume (a economia, o politicamente correcto, os Direitos Humanos), acho que é um péssimo exemplo educacional para as novas gerações de sul-africanos. Se, dantes, o apartheid era um regime abjecto, não me parece que, hoje, as coisas caminhem de forma muito diferente. Os sul-africanos estão a formar novas gerações de racistas. Tanto negros como brancos.

terça-feira, março 13, 2007

Angola e o direito à reciprocidade

As cartas de condução portuguesas deixaram de ser válidas em Angola. Depois de Mantorras ter sido detido e levado a tribunal por estar a conduzir com uma carta de condução angolana (não válida em Portugal), eis que o governo de Angola reivindica o “direito à reciprocidade” e passa a aplicar a mesma medida.
Em 1998 a minha carta de condução portuguesa expirou a data indicada na validade. Embora em Portugal o documento continue a ser válido, porque a legislação mudou e as cartas só caducam depois do cidadão fazer 65 anos, o polícia angolano não quis saber disso. Se a data tinha expirado, estava caducada. Multou-me, claro.
No dia seguinte, depois de ter estabelecido o contacto necessário, à mesa do restaurante Mutamba, ao almoço, comprei uma carta angolana por 100 dólares americanos. Foi fácil, rápido e descomplicado. Ainda hoje tenho esse documento (na foto) que, de resto, tenho utilizado sempre que vou a Angola ou, até, noutros países africanos onde essa carta é reconhecida. O mesmo facilitador propôs-me, lembro-me bem, a compra de outra documentação útil, a mais interessante seria, talvez, a autorização de residência. Mas, como não precisava…
Ainda hoje, sei que com facilidade qualquer um pode comprar uma carta de condução, um certificado de habilitações, reconhecer uma assinatura falsa ou satisfazer qualquer outra necessidade do género que dependa, apenas, da “boa vontade” do funcionário da repartição pública. São os esquemas de sobrevivência em que os angolanos se especializaram, ao longo dos anos, de modo a complementarem o salário.

segunda-feira, março 12, 2007

Será eco?



José Pacheco Pereira, ex-deputado do PSD, comentador assalariado da SIC, confessou no passado sábado, no Público, o desejo de ver a RTP desaparecer. Diz ele que “o país ficava muito melhor sem televisão pública” e que “não há nada que a RTP hoje faça, mesmo como instrumento de política externa, que se não possa contratualizar com as privadas”.
Realmente, seria uma boa ideia o Estado pagar à SIC ou à TVI o serviço público. Era mais uma fonte de rendimentos para Balsemão e outros que tais, matava-se o problema da divisão da publicidade que a existência da RTP provoca e, então sim, a sustentabilidade das privadas estaria assegurada ad eternum. Pacheco Pereira deve ter tirado da boca de Balsemão tais palavras.
Diz ele, ainda, que a RTP sempre serviu os regimes instalados. Pois serviu. Serviu a ditadura (que remédio…) e serve, agora, o regime democrático. A RTP serve de bitola para que as privadas não descambem na vulgaridade absoluta e na indigência total quanto à qualidade da programação. Sem a RTP, a tabloidização da pantalha seria inevitável. Mas isso não interessa nada, pois não, Pacheco Pereira? Sem a RTP, quem garante que uma televisão como a SIC, por exemplo, controlada pelo militante nº1 do PSD, não iria servir os interesses instalados no seu interior?
Por último, achei curioso verificar que Pacheco Pereira conhece bem como se monta o controlo sobre um canal de televisão: “tudo isto se faz sem qualquer conspiração, ou telefone directo, ou instrução ou ordem, mas em primeiro lugar pela escolha para os lugares-chaves de pessoas confiáveis”. Pois é assim mesmo que se faz, confirmo eu. Mas também é assim que se faz nas privadas. Rigorosamente da mesma maneira. E, além disso, convém lembrar, já agora, que tanto a actual administração da RTP como a quase totalidade da sua estrutura hierárquica, foram nomeadas no tempo do governo do… PSD.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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