Penso logo existo, ora blogda-se.Um grande abraço aos que se lembraram disto.
Mas não sei se mereço tamanha distinção.
Não sei mesmo.
Penso logo existo, ora blogda-se.

Cavaco não põe cravos na lapela e não gosta das comemorações do 25 de Abril. Disse-o ontem, quando presidia às ditas celebrações por mera obrigação do ofício, como se depreende. Não gosta e não se resigna e, então, quer mudar tudo, quer alterar o ritual, quer modernizar a coisa, pelo que percebi. E falou da necessidade dos jovens não se resignarem perante a mediocridade vigente.
Agora, os desempregados têm de se apresentar quinzenalmente na Junta de Freguesia onde vivem. Quando se inscrevem no centro do IEFP recebem a primeira intimação para se apresentarem na Junta e, depois, a Junta renova-lhes a data para a próxima apresentação e assim sucessivamente, de quinze em quinze dias.
Em 2002 falou-se “no fim da democracia” quando o desinteresse do eleitorado francês deu espaço à extrema direita de Le Pen que chegou a meter medo ao sistema democrático.

O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.
Como se vê, o caso da licenciatura de Sócrates não é um fait divers político. O líder da oposição já exige uma investigação independente. Suspeito que, tarde ou cedo, essa investigação venha a ser feita. Basta que alguém se lembre de apresentar uma queixa formal na Procuradoria Geral da República, por exemplo. Julgo que muitos políticos, adversários de Sócrates, apostam muito nessa investigação e na suspeita de que ainda existem segredos escondidos no dossier académico de Sócrates na Universidade Independente.
Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço.
Hoje, todos dizem que Sócrates “passou no exame”, mas há indícios de que a coisa não ficará por aqui. Primeiro: se Marques Mendes vem, agora, reclamar uma inspecção ao dossier académico de Sócrates por uma entidade independente do Governo, isso poderá querer dizer que o PSD sabe de mais pormenores que ainda não foram revelados. Segundo: Francisco Louçã usou a expressão “satisfeito por agora”, quando se referiu às explicações dadas pelo Primeiro-Ministro na entrevista à RTP.
Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
O Ministro falou ontem e mostrou-se zangado com os gestores da Universidade Independente, e com razão. Por isso, decretou o fecho compulsivo da universidade. E disse que iria salvaguardar os legítimos interesses dos alunos. Mas não disse como… e é aí que a porca torce o rabo. Ainda hoje fui à Universidade Lusíada para me informar sobre a possibilidade de me transferir para lá. A Lusíada abriu uma época especial de transferência apenas para alunos provenientes da UnI. Ouvi dizer que até há professores da UnI que recebem por cabeça de aluno que consigam levar para a Lusíada… mas é claro que não devemos acreditar em tudo o que se ouve. Mas lá que encontrei professores da UnI por ali, lá isso encontrei.
Sempre duvidei das coincidências. É uma mania minha, se calhar, mas acho que atrás de uma coincidência há, quase sempre, uma mãozinha invisível providencial. Daí que estranho a coincidência do chumbo da OPA do Belmiro sobre a PT e o início da cruzada do Público sobre Sócrates.
Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.
