
A praça parecia quase vazia, mas esse é o
problema dos lugares muito amplos que dificilmente se conseguem encher com regularidade. Estariam lá alguns milhares de pessoas, mas pareciam poucas num espaço daquelas dimensões. 
problema dos lugares muito amplos que dificilmente se conseguem encher com regularidade. Estariam lá alguns milhares de pessoas, mas pareciam poucas num espaço daquelas dimensões. 


A organização Human Rights Watch acaba de denunciar as prepotências perpetradas pelo governo angolano nas acções de despejo e demolição de bairros da lata na cidade de Luanda.
Toda aquela miséria concentrada é um barril de pólvora pronto a explodir. Olho para o que acontece no Brasil, hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, e adivinho o futuro de Angola, nomeadamente de Luanda, dentro de poucos anos.


Uns dias depois, a 10 de Maio, no Canhoto, Paulo Pedroso amargava uma prosa incomodativa sobre os factos que obrigaram Helena Roseta a desfiliar-se do PS e a aventurar-se numa campanha eleitoral independente para a presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Segundo Paulo Pedroso, há 3 meses que Helena Roseta escreveu uma carta a José Sócrates disponibilizando-se para a luta eleitoral e nunca recebeu resposta. E isso não se faz, diz Pedroso: “detesto a gestão política pelo silêncio, a corrosiva guerra de nervos. Ela tem efeitos perniciosos sobre a coesão dos grupos, mas conheço gente demais, por vezes até bem intencionada, que abusa desses silêncios convencida que assim fica mais vincada a assimetria da sua posição de poder sobre quem discorda ou diverge. Elegantemente, Roseta diz que as pessoas são livres de responder ou não às cartas que recebem, mas discordo dela nesse ponto. Qualquer militante tem direito a uma resposta, seca e curta que seja, do Secretário-Geral do partido a que pertence, quando se lhe dirija de forma urbana e cordata.”
Ou seja, e só posso concordar com Paulo Pedroso, o Secretário-Geral do PS devia ter respondido a essa carta, nem que fosse para dizer não. A soberba é que não se aceita.
Decidi rescindir o contrato com a TV Cabo.
Não conheço o senhor Ronaldo Caiado, apenas sei que é deputado no parlamento brasileiro e que foi o único, entre todos, que votou contra o aumento de 28,05% dos salários dos políticos.
As próximas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa vão ser curiosas, do ponto de vista socio-político. Os partidos políticos vão ter grandes problemas para encontrar bons candidatos.
Roseta tem bastante experiência política (foi deputada e presidente da Câmara de Cascais), é bastonária da Ordem dos Arquitectos e passa por ser incorruptível, o que é condição suficiente para ser eleita.
Fui ver o grande lago do Alentejo, aquela imensidão de água doce que transformou aldeias do interior alentejano em localidades ribeirinhas, onde pontuam novas tabuletas pintadas de azul com indicações que seriam bizarras há uns anos como, por exemplo, “ancoradouro” ou “cais”.
Encontrámo-nos em Nice, durante uns Jogos Mundiais de Jornalistas, um evento bienal organizado por uma associação internacional de jornalistas a que o Sindicato dos Jornalistas português costumava aderir.
Não vi o debate, mas na reportagem do Paulo Dentinho (hoje, no programa da manhã da RTP) ela aparecia indignada, com o tom de voz um pouco elevado. Logo o adversário lhe aconselhava calma, porque a exaltação parece mal, conforme está convencionado e ele tentou tirar partido disso. E ela respondia-lhe que não estava enervada, que estava, apenas, indignada, que mantinha intacta a sua capacidade de revolta, como quem diz que continua a ser gente, apesar de estar ali a disputar o poder total de uma das nações mais importantes da Europa.
É uma folha A3, com timbre da Agência Lusa, escrita à mão por mim. Não tem data, mas é de Outubro de 1998 e refere-se ao atentado contra a vida de Abel Chivukuvuku, à época o líder parlamentar da UNITA.
Penso logo existo, ora blogda-se.

Cavaco não põe cravos na lapela e não gosta das comemorações do 25 de Abril. Disse-o ontem, quando presidia às ditas celebrações por mera obrigação do ofício, como se depreende. Não gosta e não se resigna e, então, quer mudar tudo, quer alterar o ritual, quer modernizar a coisa, pelo que percebi. E falou da necessidade dos jovens não se resignarem perante a mediocridade vigente.
Agora, os desempregados têm de se apresentar quinzenalmente na Junta de Freguesia onde vivem. Quando se inscrevem no centro do IEFP recebem a primeira intimação para se apresentarem na Junta e, depois, a Junta renova-lhes a data para a próxima apresentação e assim sucessivamente, de quinze em quinze dias.
Em 2002 falou-se “no fim da democracia” quando o desinteresse do eleitorado francês deu espaço à extrema direita de Le Pen que chegou a meter medo ao sistema democrático.

O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.
Como se vê, o caso da licenciatura de Sócrates não é um fait divers político. O líder da oposição já exige uma investigação independente. Suspeito que, tarde ou cedo, essa investigação venha a ser feita. Basta que alguém se lembre de apresentar uma queixa formal na Procuradoria Geral da República, por exemplo. Julgo que muitos políticos, adversários de Sócrates, apostam muito nessa investigação e na suspeita de que ainda existem segredos escondidos no dossier académico de Sócrates na Universidade Independente.
Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço.
Hoje, todos dizem que Sócrates “passou no exame”, mas há indícios de que a coisa não ficará por aqui. Primeiro: se Marques Mendes vem, agora, reclamar uma inspecção ao dossier académico de Sócrates por uma entidade independente do Governo, isso poderá querer dizer que o PSD sabe de mais pormenores que ainda não foram revelados. Segundo: Francisco Louçã usou a expressão “satisfeito por agora”, quando se referiu às explicações dadas pelo Primeiro-Ministro na entrevista à RTP.
Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
O Ministro falou ontem e mostrou-se zangado com os gestores da Universidade Independente, e com razão. Por isso, decretou o fecho compulsivo da universidade. E disse que iria salvaguardar os legítimos interesses dos alunos. Mas não disse como… e é aí que a porca torce o rabo. Ainda hoje fui à Universidade Lusíada para me informar sobre a possibilidade de me transferir para lá. A Lusíada abriu uma época especial de transferência apenas para alunos provenientes da UnI. Ouvi dizer que até há professores da UnI que recebem por cabeça de aluno que consigam levar para a Lusíada… mas é claro que não devemos acreditar em tudo o que se ouve. Mas lá que encontrei professores da UnI por ali, lá isso encontrei.
Sempre duvidei das coincidências. É uma mania minha, se calhar, mas acho que atrás de uma coincidência há, quase sempre, uma mãozinha invisível providencial. Daí que estranho a coincidência do chumbo da OPA do Belmiro sobre a PT e o início da cruzada do Público sobre Sócrates.
Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.


Notícia da agência Lusa, hoje, a meio da tarde:
Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.
Ah! Salazar, o impoluto! Ganda tuga, meu! Sim senhora, depois de morto lá venceste umas “eleições”. Parabéns! Voltaste a beneficiar da santa estupidez desta malta, o que só prova que fizeste, realmente, bom trabalho enquanto por cá andaste. Aquela coisa de manter o pessoal ignaro e comezinho sustentou-se no tempo, como vês.
Depois das “investigações” exemplares do Público e de O Crime, era de esperar que todos os outros jornais lhes seguissem as pisadas na abordagem do caso da licenciatura de Sócrates. É mais ou menos isso que tem acontecido.
Em todas as redacções por onde já passei, existiam as chamadas “prateleiras”, um local onde o trabalhador era colocado, às vezes isolado dos demais, sem trabalho atribuído, às vezes sem telefone ou sequer cadeira para se sentar. Era para lá que mandavam os tipos caídos em desgraça, por algum motivo. Também passei por algumas “prateleiras”, como é bom de ver. Muitos dos meus amigos também.