Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Sem novidade


A revista Meios&Publicidade tem um painel de 70 e tal personalidades a que pomposamente dá o nome de Conselho dos Notáveis. Esse painel serve para fornecer amostras de opinião sobre assuntos relacionados com os media. Vale o que vale, claro está. Mas não deixa de ser interessante observar a opinião do painel. Chamado a pronunciar-se sobre a concessão do 5ºcanal de televisão, o Conselho dos Notáveis pronunciou-se do seguinte modo. 42 % dizem que o projecto da Zon é o que está em melhor posição para ganhar o concurso para o quinto canal de televisão em sinal aberto. Apenas 8% apostam na Telecinco, enquanto 50% dos membros preferem não responder ou não têm opinião sobre o assunto.

O resultado não surpreende, mas gostava de conhecer os fundamentos desta votação.
A maioria dos membros deste conselho são notáveis desconhecidos do público, mas deixo-vos aqui alguns nomes mais populares: Ricardo Costa, Pedro Rolo Duarte, Miguel Coutinho, Martim Avillez de Figueiredo, Horácio Piriquito, Sérgio Figueiredo, Pedro Norton, Paulo Fidalgo, Paulo Fernandes, Mário Bettencourt Resendes, Gonçalo Reis, Nuno Santos, Paes do Amaral, Luís Mergulhão, José Fragoso, Magalhães Crespo, Pedro Norton, Mafalda Mendes de Almeida.

domingo, fevereiro 08, 2009

A Arte do Nim


Azeredo Lopes, quando se referia à liberdade de imprensa: ...E acho que, independentemente de exageros que há sempre em questões fundas, societais, políticas e económicas, tenho podido verificar que temos uma imprensa que é diversificada, plural, polémica.
Pergunta: Vivemos em democracia plena nesse campo?
Azeredo Lopes: O conceito de democracia plena é um ideal e eu como jurista há muito que aprendi que não há nada de pleno. Há uma prossecução contínua e um aperfeiçoamento contínuo. Não acredito sequer naquela lei que considera que há um caminho inelutável para melhor, há avanços e recuos.


Extracto da entrevista concedida pelo Presidente da ERC, publicada hoje no DN.

Reflexos - 2


Reflexos é um espaço dedicado a fotografias, aos seus autores (mesmo das fotos que chegam sem assinatura) e aos momentos perpetuados ou invocados por essas imagens. Fotografias que eu gostaria de ter feito.
A de hoje lembra-nos a última visita de Bush ao Iraque e a coragem do jornalista Muntazer al-Zaidi que lhe arremesou os sapatos dizendo que era "um beijo de despedida, cão!"

Eis o monumento, em bronze, ao sapato de Muntazer al-Zaidi, em Bagdad.

sábado, fevereiro 07, 2009

Emoções e Fantasias




  • O Procurador Geral da República diz que desafiou o SIS a descobrir a origem das fugas de informação no caso Freeport.


  • Os magistrados do Ministério Público ficaram muito preocupados… o corporativismo no seu melhor.


  • O SIS diz que não está a investigar nenhum magistrado.


  • Os partidos da oposição não comentam o caso, mas esfregam as mãos de contentes porque julgam que o tempo corre a seu favor e Sócrates não conseguirá vencer as próximas eleições.


  • As sondagens publicadas este fim-de-semana dizem que o Primeiro-Ministro resiste ao desgaste deste triste caso e que a popularidade de Manuela Ferreira Leite continua abaixo da linha de água.


  • As notícias são falsas e fantasiosas...

Reflexos - 1

Índio brasileiro olha para o futuro.



sexta-feira, fevereiro 06, 2009

British Jobs for British Workers




Ah é? Puto, podes ir. O Real Madrid espera por ti. Sem estrangeiros, o futebol inglês vai dar sono.

Barbaridades


Mutilação Genital Feminina foi o tema da dissertação da minha licenciatura em Relações Internacionais. Há coisas que não se podem aceitar, mesmo sabendo que são costumes antigos, tradições ancestrais. A estupidez não se pode perpetuar à conta disso. A tradição tem de deixar de ser…
Hoje é Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Portugal é considerado pela OMS como país de risco quanto à prática da mutilação, principalmente entre as comunidades islamizadas aqui radicadas, como é o caso, por exemplo, dos provenientes da Guiné-Bissau onde algumas etnias continuam a realizar esse ritual sinistro.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eles estão cheios de medo


Mergulhão, comerciante de publicidade, chamou jornalistas para lhes entregar um recado encomendado: o 5ºcanal é perigoso, muito mais perigoso se se tratar de um canal competitivo que vá disputar audiências com os outros já instalados no mercado.
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”

Na Cama Com...

O Correio da Manhã anuncia hoje que “o novo canal de notícias da TVI, TVI 24, que arranca no próximo dia 26 na TV Cabo, terá um programa semelhante ao famoso ‘Manhattan Connection’, que se popularizou nos anos 90 na grelha da brasileira GNT.
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
O que me irrita, neste texto, é apresentarem a Fernanda Câncio como “jornalista e namorada”, sendo que ficamos com a impressão de que o facto dela se deitar com o Primeiro-Ministro é a sua real mais-valia para a TVI, pelo menos no entender do escriba do Correio da Manhã.
Com quem dormirão Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho?

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Violência de hoje e de ontem (nas escolas)

Tinha ideia que, perante a Lei, os pais respondiam pelos filhos menores. Isto é, quando a criancinha parte uma jarra, os paizinhos têm de a pagar. Ou não? Se calhar não, porque se fosse realmente assim, as malfeitorias das criancinhas já não ficariam impunes...

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, as agressões a professores não são um fenómeno recente. Quando eu era jovem inconsciente, também se agrediam professores. Em 1975, o Liceu Pedro Nunes era um campo de batalha. Defrontavam-se ali as várias juventudes partidárias e as várias classes sociais. Claro que a balbúrdia afectava tudo e todos e o comportamento geral deixava muito a desejar. A autoridade dos professores foi varrida pelos ventos da Liberdade e nem a polícia tinha mão naquilo. Aliás, naquele tempo, a polícia vivia encurralada nas esquadras, com medo até de sair à rua.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Funerais gratuitos


Parece que a crise chegou até aos jornais gratuitos e alguns deles vão fechar ou já fecharam mesmo. É o caso do “Sexta” (coisa que eu nunca li), folha-de-couve feita a meias pelo “Público” e “A Bola”… e que, segundo ouvi dizer, era distribuída à porta dos supermercados e bombas de gasolina. Outro gratuito que desaparece das ruas é o “Meia Hora”, do grupo Cofina (proprietária do “Correio da Manhã”).
Digamos que estes e todos os outros gratuitos nem deviam ter chegado a existir. Para além de darem trabalho a pouquíssimas pessoas, aquilo não é jornalismo. Os gratuitos foram inventados para impingir publicidade, nada mais. Ajudaram a criar a falsa ideia de que um jornal podia ser feito por meia dúzia de pessoas e com único recurso ao serviço das agências noticiosas. Jornalismo não é corta-e-cola nem imitação de notícias com seis linhas.

domingo, fevereiro 01, 2009

Os lobbys e a Crise


Há uns dias, um conhecido e influente patrão dos media, pediu ao Governo para apoiar as empresas que invistam em publicidade. Na opinião deste senhor, seria um meio de dinamizar a economia, já que a publicidade leva as pessoas a consumir… mas explicando melhor o seu raciocínio, disse que “o incremento que se fizer na publicidade tem repercussão indirecta na comunicação social séria, que está em crise, mas prefere morrer de pé, a vender a alma ao diabo”.
Portanto, isto só vale se os tais investidores em publicidade mandarem publicar os seus anúncios nos órgãos sérios, seja lá o que for que isto queira dizer… A questão é deveras intrigante, até porque teríamos de definir bem esse conceito de “órgãos sérios”, mas adiante…
Pois, eu acho que o Governo só devia apoiar as empresas que optassem por não despedir pessoal, apesar da crise. Empresas que decidissem inovar, continuar a arriscar e a investir, como modo de ultrapassar a crise. Porque assim, o Governo acaba por pagar duas vezes… paga uma vez, quando apoia financeiramente, e paga a segunda quando os despedidos dessas empresas que apoiou chegam em massa aos centros de emprego para se inscreverem no subsídiozinho…

sábado, janeiro 31, 2009

Já há culpados, no caso Freeport


Não sei se há alguma “campanha negra” contra o primeiro-ministro, mas sei que já houve. Quem se lembra das insinuações que surgiram na imprensa em 2004 e durante a campanha eleitoral de 2005, sobre a orientação sexual de Sócrates? Eu lembro-me… e lembro-me de ouvir piadas brejeiras de mau gosto de Santana Lopes sobre o assunto… ele que é o protótipo do macho ibérico. Foi um caso raro de infracção à hipócrita solidariedade institucional que, normalmente, os políticos têm uns pelos outros.
Mas, neste caso do licenciamento do Freeport, julgo que há questões que têm de ser bem explicadas. Se já foram, repitam a explicação, agora que estamos todos com atenção. É que também acho estranho que aquela obra tenha sido aprovada tão em cima da data das eleições e, aparentemente, com tanta pressa.
Digo isto, mas não tenho convicções sobre a culpabilidade de Sócrates. Já o mesmo não acontece em relação a outros intervenientes deste processo. Neste caso, há corruptores confessos, os promotores e administradores do Freeport… e há abusadores confessos do bom nome de outrem, como é o caso do primo do actual primeiro-ministro. A esses, se a justiça portuguesa vale de alguma coisa, já ninguém lhes deve tirar uma condenação judicial.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

5º canal - IV

No sítio do projecto Telecinco pode-se ler que “o 5º Canal irá marcar o início de uma nova aventura tecnológica e ocupará o último espaço disponível no espectro radio-eléctrico. O projecto da TELECINCO constitui a derradeira oportunidade para o país dispor de uma televisão de qualidade”.
Por ser verdade e porque estamos perante um tremendo desafio e uma luta desigual, convido-vos não só a visitar o sítio mas, também, a deixar uma mensagem de apoio, a lançar um tema para discussão pública, a participar.

"Inspectora" Fletcher


Acabei por não perceber porque estão a demorar tanto as investigações do caso Freeport. Ao fim de 4 anos, nem suspeitos há… mas ninguém impede as fugas de informação, as violações do segredo de justiça, a propositada degradação da imagem de alguém que pode estar inocente. Até já dou de barato os custos políticos de mais esta trapalhada judicial, mas o que está a acontecer não devia ser possível. A inoperância dos investigadores judiciais e policiais é inaceitável, tanto mais que se torna recorrente…

Lembremo-nos do caso Maddie, que depois de tantas perícias científicas, tanto CSI, depois de constituírem como arguidos os pais da criança desaparecida, os investigadores acabaram por enfiar o rabinho entre as pernas e colocar o dossier na prateleira à espera de melhor prova…
Reparem bem no que está a acontecer com o caso Casa Pia… ao fim de 5 anos de julgamento, a única condenação que se prepara é a do infeliz Bibi… os outros já encomendaram garrafas de champagne e preparam as acções que vão mover contra o Estado para exigirem chorudas indemnizações por perdas e danos irreparáveis, como já fez o deputado Paulo Pedroso.
E a triste figura que o sistema judicial fez no caso Apito Dourado, com as cenas televisionadas da detenção de Pinto da Costa para, no fim, arquivarem o processo…
São “barracas” a mais, dona Cândida.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Cara de Pau


Dias Loureiro diz que "caso sentisse o menor incómodo por parte do Presidente da República", ou se "sentisse ter feito alguma coisa que colocasse em causa o seu papel", se demitiria do Conselho de Estado. Duas frases que, na prática, se opõem. É óbvio que o Presidente da República só pode estar incomodado por tudo o que se passa à volta de um dos seus compagnons de route, mas é óbvio também que Dias Loureiro acha que não é nada com ele. Até dá vontade de rir. O homem está a fazer tudo para ver se se aguenta à tona e cara de pau não lhe falta.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Cão não come melão


Nunca fui muito amigo de pão com marmelada
Do que me lembro é do sabor fresco e sumarento do melão de casca de carvalho, em dias quentes de liberdade absoluta.
De manhã cedo, apanhava um melão na dispensa, punha um canivete no bolso, enfiava o melão numa sacola a tiracolo, chamava o cão e partia para o monte. Íamos à caça de “fracas”, umas galinhas do mato de Angola que vieram dar aos eucaliptais e pinhais de Caneças e Montemor.
Eram horas de grande excitação, principalmente para o cão. Mas aquilo não passava de uma brincadeira, embora um pouco cruel para as galinhas. Depois de farejadas, o cão não as largava… os voos de 20 ou 30 metros de puro desespero não eram suficientes para o cão as perder de vista… aquilo durava até as bichas perderem algumas penas cinzentas e serem abocanhadas. Era então que as galinhas deixavam de se debater e o cão perdia o interesse por elas. Partia logo à procura de outra que ainda mexesse.
A meio do dia, esventrava o melão e refastelava-me sentado à sombra numa pedra, num tronco. O cão só comia quando voltávamos a casa.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Sem mediação é mais simpático


Os discursos, algumas entrevistas, declarações,
os sound-bytes do Presidente da República
podem ser vistos, agora, na Net... http://videos.sapo.pt/OyU2B8vCEuP4s861v6MK.
Iniciativas muito aplaudidas pelo povo,
encantado com as modernices do Presidente.
Longe vão os tempos em que Cavaco Silva declarava não ter tempo (pachorra?) para ler jornais...
Agora já se pode ver na pantanha,
admirar as fotos do seu dia-a-dia http://flickr.com/photos/presidencia,
sem ter de se preocupar com critérios jornalísticos.

Dúvidas freeportianas


Porque será que um decreto governamental assinado a 3 dias da realização de eleições (e que tantas dúvidas levanta agora) foi, semanas mais tarde, calmamente ratificado pelo Presidente da República? A ratificação presidencial não é um mero acto formal. Pelo menos, não devia ser.

Não há mulheres feias, há é homens que bebem pouco


Nos idos de 80, no "Ainda a Noite é Uma Criança",
um bar ali na Praça das Flôres, em São Bento,
havia uma cliente assídua que dava pelo nome de "Bo Derek".
Era bastante baixa, gorducha,
tinha buço e um hálito a cerveja que metia dó...
E, ainda assim, a rapariga não se queixava de falta de homem, dizem...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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