Jamais entrarei numa discussão em termos de teoria económica, matéria em relação à qual sou bastante ignorante… o que sei é aquilo que aprendo no dia-a-dia. E o que sei é que, hoje, ganho menos do que ganhava há 10 anos… e, pelo que tenho visto, julgo que o que se passa comigo acontece a muitos outros…
A diminuição salarial tem sido uma longa batalha que o capitalismo trava, desde sempre. Durante algum tempo, nomeadamente a seguir à II Guerra Mundial, creio que os trabalhadores conseguiram, com relativo sucesso, contrariar esse desígnio capitalista. Os patrões foram sendo obrigados a aumentar os salários, mas tratavam de subir os preços (já que havia quem os pudesse pagar…) … mas à medida que as empresas se transformavam em monstros multinacionais, algumas com volume de negócios bem mais volumoso que a maioria dos PIBs dos países existentes, os capitalistas acreditaram que poderiam baixar os custos de produção (salários) e continuar a vender cada vez mais, embora talvez um pouco mais barato, já que com a globalização os mercados alargaram-se exponencialmente…
Sabemos, hoje, que essa “engenharia” financeira não funciona bem. Estamos a viver cada vez pior e todos os dias fecham empresas, pequenas, média e grandes.
Estaremos, então, nessa fase da história económica mundial… na fase em que deixou de ser possível continuar a enganar a realidade, nem mesmo recorrendo ao endividamento privado ou à especulação bolsista. A verdade é que não ganhamos o suficiente para as nossas necessidades. E se deixarmos de comprar, as fábricas fecham… e seremos cada vez mais sem emprego.
Não percebo como é que isto não é entendido. Sem trabalho não há economia, estúpidos!
Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.
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segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Reflexos - 7
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Não se queixe?

Estamos em ano de eleições e as máquinas partidárias e institucionais preparam-se para o duelo.
Uma das questões essenciais a combater, nesta época de crises, é a natural tendência para o abstencionismo dos povos. Perante a falta de soluções credíveis e sem grandes expectativas, o desinteresse pode generalizar-se e isso traz vários perigos.
É verdade que a falta de participação cívica pode dar maior espaço às intolerâncias e totalitarismos, mas isso não pode ser tábua de salvação para políticas incompetentes e políticos de má-fé… trata-se de um dilema que cabe a cada um de nós resolver em consciência.
Agora, nada disto justifica a agressividade com que o Parlamento Europeu publicita aquilo que entende serem as “boas razões” para se votar nas próximas eleições europeias no dia 7 de Junho… “Se não votar, não se queixe!”? Não conheço argumento mais estúpido… até porque, não votar é, digamos assim, votar em branco e, isso, é a mais pura manifestação de protesto que a Democracia contempla.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Alguém na Zon não sabe jogar limpo. Pirata informático ataca site da Telecinco.

Sempre ouvi falar em pirataria informática, em hackers que assaltam sítios electrónicos de empresas, até assaltam bancos. Mas, realmente, nunca tinha estado próximo de um crime dessa natureza. Até hoje.
O site da Telecinco foi invadido por alguém, com o intuito de manipular o resultado do inquérito “Qual o Conteúdo que mais valoriza numa televisão generalista?” que lá decorre. O intruso conseguiu votar 600 e tal vezes (quando era suposto só ser possível votar uma vez), sempre na mesma resposta… a opção do intruso foi “telenovelas”.
Os técnicos do “service provider” do sítio da Telecinco seguiram o rasto deixado pelo intruso. A origem da intrusão teve origem num computador com IP 212.11.163.75, cuja morada electrónica é 212.113.163.75, domiciliado em a212-113-163-75.netcabo.pt, Lisboa, numa empresa que dá pelo nome de TV Cabo - Portugal backbone. Dizem os experts do “service provider” da Telecinco que por estar no backbone da TV Cabo, indicia que seja um IP interno da Zon.
A ser assim, alguém da Zon quis sabotar o resultado do inquérito em curso. O que só pode significar uma coisa: eles estão cheios de medo.
O site da Telecinco foi invadido por alguém, com o intuito de manipular o resultado do inquérito “Qual o Conteúdo que mais valoriza numa televisão generalista?” que lá decorre. O intruso conseguiu votar 600 e tal vezes (quando era suposto só ser possível votar uma vez), sempre na mesma resposta… a opção do intruso foi “telenovelas”.
Os técnicos do “service provider” do sítio da Telecinco seguiram o rasto deixado pelo intruso. A origem da intrusão teve origem num computador com IP 212.11.163.75, cuja morada electrónica é 212.113.163.75, domiciliado em a212-113-163-75.netcabo.pt, Lisboa, numa empresa que dá pelo nome de TV Cabo - Portugal backbone. Dizem os experts do “service provider” da Telecinco que por estar no backbone da TV Cabo, indicia que seja um IP interno da Zon.
A ser assim, alguém da Zon quis sabotar o resultado do inquérito em curso. O que só pode significar uma coisa: eles estão cheios de medo.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Reflexos - 6

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Carlos,
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Chegaram as andorinhas!
Uma, banhou-se 5 vezes na piscina.
Abraços,
Waldemar
A foto intitula-se "Partitura", autoria de Anderson de Carvalho Soares.
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quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Reflexos - 5

O PS abriu uma nova frente de batalha, como se já não bastassem as que existem.
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Ao anunciar que na próxima legislatura vai propor a legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o PS colocou-se em rota de colisão com a Igreja Católica, com todas as Igrejas.
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Esqueceram-se, porventura, que a Igreja só trata bem os homossexuais que entram para o Seminário.
Esqueceram-se, porventura, que a Igreja só trata bem os homossexuais que entram para o Seminário.
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A foto de hoje é da autoria de Tiago Oliveira Peixoto Braga.
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terça-feira, fevereiro 10, 2009
Uma Grande Incógnita
O projecto da Telecinco foi apresentado já lá vão 15 dias. Neste espaço de tempo, surgiram publicamente algumas reacções, mas quase todas de gente anónima. Em privado, acredito que muitos figurões da nossa praça mediática fizeram chegar mensagens de apoio e felicitações aos mentores do projecto. Porventura, poucos acreditarão que a Telecinco consiga vencer a Zon, mas à cautela lá vão dando palmadinhas nas costas ao homem…
Uma das primeiras iniciativas da Telecinco foi a abertura do seu sítio electrónico e de um blog, onde se coleccionam textos publicados nos vários órgãos de comunicação social sobre a candidatura da Telecinco à concessão do 5ºcanal de televisão generalista e as reacções que esse atrevimento suscitou. No blog, abriu-se um espaço de discussão pública sobre o mesmo tema e já lá foram colocados alguns textos interessantes como, por exemplo, as dificuldades no acesso à profissão, a precariedade no trabalho, o excesso de telenovelas nas grelhas de programas das televisões generalistas, a necessidade de se mudar o ambiente jornalístico em Portugal, etc. A maioria dos temas suscitou reacções e comentários dos visitantes do sítio e do blog e é interessante assistir a este fórum. Mas não há contributos de gente conhecida, daquelas caras que costumam aparecer nas revistas ou nas colunas de opinião dos jornais, exceptuando o escritor Francisco José Viegas que, no seu blog, já disse o que pensava sobre isto.
Folheio diariamente os jornais e não vejo uma única opinião publicada sobre esta questão da concessão do novo canal de televisão. Não há, de facto, uma discussão sobre o assunto, o que me leva a pensar que a guerra se trava muito mais nos bastidores da política do que na praça pública. Mais convicto disto fico quando o patrão da Impresa faz saber que prefere que o novo canal seja concessionado à Zon e não à Telecinco, logo depois do presidente da Omnicom Media Portugal ter vindo dizer que uma eventual vitória da Telecinco no concurso iria provocar uma espécie de tsunami no sector. Não há pressão mais descarada que esta.
Quem vai escolher entre os dois candidatos é a ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, organismo estatal que tutela o sector. Nos próximos dias, segundo o regulamento do concurso público, saberemos se os dois projectos são definitivamente aceites a concurso e, lá para Abril, a ERC terá de divulgar o nome do projecto vencedor. Os critérios de escolha são bastante técnicos e pouco subjectivos. Se o que está estipulado legalmente for cumprido, como deveria ser sempre, é certo que o projecto Telecinco sairá vencedor. Mas sabemos bem que este é o projecto mais detestado pelas outras empresas do sector. Já se viu que SIC, TVI e mesmo a RTP gostarão pouco de ter um concorrente empenhado a disputar-lhes quota de mercado publicitário. Sabemos bem como os grupos de pressão operam verdadeiros milagres e, só por isso, o resultado deste concurso público ainda é uma grande incógnita.
Uma das primeiras iniciativas da Telecinco foi a abertura do seu sítio electrónico e de um blog, onde se coleccionam textos publicados nos vários órgãos de comunicação social sobre a candidatura da Telecinco à concessão do 5ºcanal de televisão generalista e as reacções que esse atrevimento suscitou. No blog, abriu-se um espaço de discussão pública sobre o mesmo tema e já lá foram colocados alguns textos interessantes como, por exemplo, as dificuldades no acesso à profissão, a precariedade no trabalho, o excesso de telenovelas nas grelhas de programas das televisões generalistas, a necessidade de se mudar o ambiente jornalístico em Portugal, etc. A maioria dos temas suscitou reacções e comentários dos visitantes do sítio e do blog e é interessante assistir a este fórum. Mas não há contributos de gente conhecida, daquelas caras que costumam aparecer nas revistas ou nas colunas de opinião dos jornais, exceptuando o escritor Francisco José Viegas que, no seu blog, já disse o que pensava sobre isto.
Folheio diariamente os jornais e não vejo uma única opinião publicada sobre esta questão da concessão do novo canal de televisão. Não há, de facto, uma discussão sobre o assunto, o que me leva a pensar que a guerra se trava muito mais nos bastidores da política do que na praça pública. Mais convicto disto fico quando o patrão da Impresa faz saber que prefere que o novo canal seja concessionado à Zon e não à Telecinco, logo depois do presidente da Omnicom Media Portugal ter vindo dizer que uma eventual vitória da Telecinco no concurso iria provocar uma espécie de tsunami no sector. Não há pressão mais descarada que esta.
Quem vai escolher entre os dois candidatos é a ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, organismo estatal que tutela o sector. Nos próximos dias, segundo o regulamento do concurso público, saberemos se os dois projectos são definitivamente aceites a concurso e, lá para Abril, a ERC terá de divulgar o nome do projecto vencedor. Os critérios de escolha são bastante técnicos e pouco subjectivos. Se o que está estipulado legalmente for cumprido, como deveria ser sempre, é certo que o projecto Telecinco sairá vencedor. Mas sabemos bem que este é o projecto mais detestado pelas outras empresas do sector. Já se viu que SIC, TVI e mesmo a RTP gostarão pouco de ter um concorrente empenhado a disputar-lhes quota de mercado publicitário. Sabemos bem como os grupos de pressão operam verdadeiros milagres e, só por isso, o resultado deste concurso público ainda é uma grande incógnita.
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Reflexos - 4
Quando a crise estalou, os capitalistas correram de mão estendida para os governos, dizendo que se o Estado não resolver a crise vamos todos para o fundo. Claro que os capitalistas estavam, de facto, pouco preocupados com os problemas reais da população. O que eles querem mesmo é garantir a sobrevivência da sua própria "espécie", a perpetuação do poder do capital sobre todos os outros. Os Estados lá estão a injectar dinheiro no sistema financeiro internacional, garantindo a sobrevivência dos bancos, ao que nos dizem, essenciais para que tudo continue como dantes. A questão é saber se queremos mesmo que tudo continue na mesma... Cá para mim, que pouco ou nada entendo de finança, só tenho a certeza de uma coisa: a solução para a crise económica está na criação de empregos. Dar trabalho às pessoas, sem precariedade. Porque a principal mais-valia social é a dignidade.
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A foto de hoje é de Lúcio Letra e intitula-se "Dizer Não".
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segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Reflexos - 3
Na saga cinematográfica, o leão Alex, a zebra Melman, a girafa, o hipopótomo e os outros bichos resolveram mudar de vida e empreender uma viagem, para a qual não estavam autorizados. Lutam contra muitas adversidades, contra a polícia, o exército e até contra os bombeiros.
Na vida real, os tipos lá em Madagáscar também não têm uma vida fácil.
Na vida real, os tipos lá em Madagáscar também não têm uma vida fácil.

Fotografia intitulada "Madagáscar" e assinada por Nuno Lobito.
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Sem novidade
A revista Meios&Publicidade tem um painel de 70 e tal personalidades a que pomposamente dá o nome de Conselho dos Notáveis. Esse painel serve para fornecer amostras de opinião sobre assuntos relacionados com os media. Vale o que vale, claro está. Mas não deixa de ser interessante observar a opinião do painel. Chamado a pronunciar-se sobre a concessão do 5ºcanal de televisão, o Conselho dos Notáveis pronunciou-se do seguinte modo. 42 % dizem que o projecto da Zon é o que está em melhor posição para ganhar o concurso para o quinto canal de televisão em sinal aberto. Apenas 8% apostam na Telecinco, enquanto 50% dos membros preferem não responder ou não têm opinião sobre o assunto.

O resultado não surpreende, mas gostava de conhecer os fundamentos desta votação.
A maioria dos membros deste conselho são notáveis desconhecidos do público, mas deixo-vos aqui alguns nomes mais populares: Ricardo Costa, Pedro Rolo Duarte, Miguel Coutinho, Martim Avillez de Figueiredo, Horácio Piriquito, Sérgio Figueiredo, Pedro Norton, Paulo Fidalgo, Paulo Fernandes, Mário Bettencourt Resendes, Gonçalo Reis, Nuno Santos, Paes do Amaral, Luís Mergulhão, José Fragoso, Magalhães Crespo, Pedro Norton, Mafalda Mendes de Almeida.
A maioria dos membros deste conselho são notáveis desconhecidos do público, mas deixo-vos aqui alguns nomes mais populares: Ricardo Costa, Pedro Rolo Duarte, Miguel Coutinho, Martim Avillez de Figueiredo, Horácio Piriquito, Sérgio Figueiredo, Pedro Norton, Paulo Fidalgo, Paulo Fernandes, Mário Bettencourt Resendes, Gonçalo Reis, Nuno Santos, Paes do Amaral, Luís Mergulhão, José Fragoso, Magalhães Crespo, Pedro Norton, Mafalda Mendes de Almeida.
domingo, fevereiro 08, 2009
A Arte do Nim

Azeredo Lopes, quando se referia à liberdade de imprensa: ...E acho que, independentemente de exageros que há sempre em questões fundas, societais, políticas e económicas, tenho podido verificar que temos uma imprensa que é diversificada, plural, polémica.
Pergunta: Vivemos em democracia plena nesse campo?
Azeredo Lopes: O conceito de democracia plena é um ideal e eu como jurista há muito que aprendi que não há nada de pleno. Há uma prossecução contínua e um aperfeiçoamento contínuo. Não acredito sequer naquela lei que considera que há um caminho inelutável para melhor, há avanços e recuos.
Extracto da entrevista concedida pelo Presidente da ERC, publicada hoje no DN.
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Reflexos - 2

Reflexos é um espaço dedicado a fotografias, aos seus autores (mesmo das fotos que chegam sem assinatura) e aos momentos perpetuados ou invocados por essas imagens. Fotografias que eu gostaria de ter feito.
A de hoje lembra-nos a última visita de Bush ao Iraque e a coragem do jornalista Muntazer al-Zaidi que lhe arremesou os sapatos dizendo que era "um beijo de despedida, cão!"
Eis o monumento, em bronze, ao sapato de Muntazer al-Zaidi, em Bagdad.
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sábado, fevereiro 07, 2009
Emoções e Fantasias

- O Procurador Geral da República diz que desafiou o SIS a descobrir a origem das fugas de informação no caso Freeport.
- O SIS diz que não está a investigar nenhum magistrado.
- Os partidos da oposição não comentam o caso, mas esfregam as mãos de contentes porque julgam que o tempo corre a seu favor e Sócrates não conseguirá vencer as próximas eleições.
- As sondagens publicadas este fim-de-semana dizem que o Primeiro-Ministro resiste ao desgaste deste triste caso e que a popularidade de Manuela Ferreira Leite continua abaixo da linha de água.
- As notícias são falsas e fantasiosas...
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sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Barbaridades

Mutilação Genital Feminina foi o tema da dissertação da minha licenciatura em Relações Internacionais. Há coisas que não se podem aceitar, mesmo sabendo que são costumes antigos, tradições ancestrais. A estupidez não se pode perpetuar à conta disso. A tradição tem de deixar de ser…
Hoje é Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Portugal é considerado pela OMS como país de risco quanto à prática da mutilação, principalmente entre as comunidades islamizadas aqui radicadas, como é o caso, por exemplo, dos provenientes da Guiné-Bissau onde algumas etnias continuam a realizar esse ritual sinistro.
Hoje é Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Portugal é considerado pela OMS como país de risco quanto à prática da mutilação, principalmente entre as comunidades islamizadas aqui radicadas, como é o caso, por exemplo, dos provenientes da Guiné-Bissau onde algumas etnias continuam a realizar esse ritual sinistro.
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Eles estão cheios de medo

Mergulhão, comerciante de publicidade, chamou jornalistas para lhes entregar um recado encomendado: o 5ºcanal é perigoso, muito mais perigoso se se tratar de um canal competitivo que vá disputar audiências com os outros já instalados no mercado.
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”
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Na Cama Com...
O Correio da Manhã anuncia hoje que “o novo canal de notícias da TVI, TVI 24, que arranca no próximo dia 26 na TV Cabo, terá um programa semelhante ao famoso ‘Manhattan Connection’, que se popularizou nos anos 90 na grelha da brasileira GNT.
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
O que me irrita, neste texto, é apresentarem a Fernanda Câncio como “jornalista e namorada”, sendo que ficamos com a impressão de que o facto dela se deitar com o Primeiro-Ministro é a sua real mais-valia para a TVI, pelo menos no entender do escriba do Correio da Manhã.Com quem dormirão Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho?
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terça-feira, fevereiro 03, 2009
Violência de hoje e de ontem (nas escolas)
Tinha ideia que, perante a Lei, os pais respondiam pelos filhos menores. Isto é, quando a criancinha parte uma jarra, os paizinhos têm de a pagar. Ou não? Se calhar não, porque se fosse realmente assim, as malfeitorias das criancinhas já não ficariam impunes...

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, as agressões a professores não são um fenómeno recente. Quando eu era jovem inconsciente, também se agrediam professores. Em 1975, o Liceu Pedro Nunes era um campo de batalha. Defrontavam-se ali as várias juventudes partidárias e as várias classes sociais. Claro que a balbúrdia afectava tudo e todos e o comportamento geral deixava muito a desejar. A autoridade dos professores foi varrida pelos ventos da Liberdade e nem a polícia tinha mão naquilo. Aliás, naquele tempo, a polícia vivia encurralada nas esquadras, com medo até de sair à rua.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.
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segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Funerais gratuitos

Parece que a crise chegou até aos jornais gratuitos e alguns deles vão fechar ou já fecharam mesmo. É o caso do “Sexta” (coisa que eu nunca li), folha-de-couve feita a meias pelo “Público” e “A Bola”… e que, segundo ouvi dizer, era distribuída à porta dos supermercados e bombas de gasolina. Outro gratuito que desaparece das ruas é o “Meia Hora”, do grupo Cofina (proprietária do “Correio da Manhã”).
Digamos que estes e todos os outros gratuitos nem deviam ter chegado a existir. Para além de darem trabalho a pouquíssimas pessoas, aquilo não é jornalismo. Os gratuitos foram inventados para impingir publicidade, nada mais. Ajudaram a criar a falsa ideia de que um jornal podia ser feito por meia dúzia de pessoas e com único recurso ao serviço das agências noticiosas. Jornalismo não é corta-e-cola nem imitação de notícias com seis linhas.
Digamos que estes e todos os outros gratuitos nem deviam ter chegado a existir. Para além de darem trabalho a pouquíssimas pessoas, aquilo não é jornalismo. Os gratuitos foram inventados para impingir publicidade, nada mais. Ajudaram a criar a falsa ideia de que um jornal podia ser feito por meia dúzia de pessoas e com único recurso ao serviço das agências noticiosas. Jornalismo não é corta-e-cola nem imitação de notícias com seis linhas.
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domingo, fevereiro 01, 2009
Os lobbys e a Crise

Há uns dias, um conhecido e influente patrão dos media, pediu ao Governo para apoiar as empresas que invistam em publicidade. Na opinião deste senhor, seria um meio de dinamizar a economia, já que a publicidade leva as pessoas a consumir… mas explicando melhor o seu raciocínio, disse que “o incremento que se fizer na publicidade tem repercussão indirecta na comunicação social séria, que está em crise, mas prefere morrer de pé, a vender a alma ao diabo”.
Portanto, isto só vale se os tais investidores em publicidade mandarem publicar os seus anúncios nos órgãos sérios, seja lá o que for que isto queira dizer… A questão é deveras intrigante, até porque teríamos de definir bem esse conceito de “órgãos sérios”, mas adiante…
Pois, eu acho que o Governo só devia apoiar as empresas que optassem por não despedir pessoal, apesar da crise. Empresas que decidissem inovar, continuar a arriscar e a investir, como modo de ultrapassar a crise. Porque assim, o Governo acaba por pagar duas vezes… paga uma vez, quando apoia financeiramente, e paga a segunda quando os despedidos dessas empresas que apoiou chegam em massa aos centros de emprego para se inscreverem no subsídiozinho…
Portanto, isto só vale se os tais investidores em publicidade mandarem publicar os seus anúncios nos órgãos sérios, seja lá o que for que isto queira dizer… A questão é deveras intrigante, até porque teríamos de definir bem esse conceito de “órgãos sérios”, mas adiante…
Pois, eu acho que o Governo só devia apoiar as empresas que optassem por não despedir pessoal, apesar da crise. Empresas que decidissem inovar, continuar a arriscar e a investir, como modo de ultrapassar a crise. Porque assim, o Governo acaba por pagar duas vezes… paga uma vez, quando apoia financeiramente, e paga a segunda quando os despedidos dessas empresas que apoiou chegam em massa aos centros de emprego para se inscreverem no subsídiozinho…
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