Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, março 06, 2009

Uma Palavra Grande



Este deputado do PSD (na foto) mandou “pró caralho!” um deputado do PS.
O palavrão saiu no calor de uma azeda troca de galhardetes entre os dois.
Não vejo que venha mal ao Mundo o uso do palavrão. Não fica bem a quem o utilizou, é certo… mas, também, quem não se sente não é filho de boa gente… e o homem reagiu assim, à falta de melhor argumento oratório.
A questão é que a irritação surgiu depois de uma alusão a eventual conflito de interesses desse deputado, que é advogado de privados que se movem na área em que se centrava a discussão que se travava no Parlamento. Aqui é que a porca torce o rabo, digamos assim… porque, de facto, continua a ser possível que deputados exerçam actividades extra-parlamentares potencialmente conflituantes com o mandato para o qual foram eleitos.
Isso é que é o caralho!

quinta-feira, março 05, 2009

Ir à bola


Quem diria… mas vão ser os futebolistas a dar-nos uma lição de solidariedade e cidadania. Na 4ªfeira, a notícia foi despoletada pelo apelo à greve geral feito pelo plantel do Estrela da Amadora, cujos jogadores têm salários em atraso.
O problema do Estrela não deve ser caso único, pela certa. Mas as reacções de apoio à greve não se fizeram esperar e chegaram de onde menos se esperaria, ou seja, de alguns dos mais bem pagos jogadores nacionais, casos de Nuno Gomes, do Benfica, ou de Marco Caneira, do Sporting.
Como duvido que os clubes consigam cumprir com o que acordam, não só com os jogadores com quem celebram contratos de trabalho, mas também com a sua própria massa associativa, a quem pedem que votem orçamentos e contas… tudo indica que vai haver uma greve geral de futebolistas no início da próxima época.
Em muitas classes profissionais, este tipo de solidariedade e união seria muito bem vindo e espantaria menos. No caso dos jornalistas, por exemplo… onde solidariedade foi coisa pouco vista e sentida na recente greve que decorreu na Controlinvest. Tal como disse um jornalista visitante deste blog, “a greve foi o que foi, como o são todas as greves da classe. Umbiguismo a rodos nas redacções; os mais velhos já esqueceram o que é a solidariedade, os mais novos duvido que alguma vez o venham a saber.”
Vou passar a ir à bola.

Sacrifício humano


Ontem, houve uma greve no “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e “O Jogo”, títulos do grupo da Controlinveste. Alguém deu por isso? Os jornais saíram na mesma e, na mesma, foram vendidos… e se não espanta que a adesão à greve não tenha ultrapassado os 32%, lamento que ao menos os heróicos grevistas não tenham beneficiado da solidariedade do público. Mas tudo indica que ninguém se preocupou com a causa da greve, que era a de tentar evitar o despedimento de 119 funcionários do grupo, a pretexto de uma reestruturação, da crise e tal, sendo que, muito provavelmente, a verdadeira razão da quebra de vendas esteja na orientação que tem sido dada aos títulos em questão.
O “Jornal de Notícias”, desde que eu me lembro, sempre foi o jornal mais vendido do país. Aquilo sempre foi uma máquina de fazer dinheiro. Não se percebe como se chegou, agora, à necessidade de despedir pessoal por questões economicistas. O “24” podia ter ocupado o espaço deixado vago pelo desaparecimento do “Tal&Qual”, dedicando-se com afinco e profissionalismo à investigação jornalística, mesmo que fosse só de casos de polícia e questões sociais. É um mercado que sempre teve público. O sucesso do “Correio da Manhã” (que pertence a outro grupo) prova-o. Mas não, os responsáveis pelo jornal preferem mudar o embrulho, em vez de melhorar o conteúdo, julgando que, assim, vão conseguir enganar o público. “O Jogo” já devia ter despido a camisola do fêquêpê e ter percebido que o Benfica é que é uma nação. Teria redobrado as vendas, não tenho dúvidas. O “Diário de Notícias” é um caso mais complicado, mas também teria solução empresarial. Resguardo-me de dar aqui dicas sobre o assunto. Contratem-me primeiro.
Mas quero expressar, publicamente, o meu apoio e solidariedade, tanto aos que fizeram a greve, como aos que foram escolhidos para o suplício do desemprego.

terça-feira, março 03, 2009

Crise


Do que tenho lido por aí, a presente crise económica mundial não tem paralelo e, em alguns cantos políticos, é apresentada como uma espécie de “canto do cisne” do capitalismo.
O capitalismo faliu? Por mais engraçada que a ideia seja, não me parece… (na foto, a sede do Bank of China, em Pequim, novos membros do clube dos ricos).
É verdade que muitos capitalistas devem ter perdido algum dinheiro, mas ainda não vi nenhum suicidar-se como, por exemplo, aconteceu em 1929 na primeira grande crise do capitalismo. Ou os ricos aprenderam a viver sem dinheiro ou a coisa não está assim tão preta como eles a pintam.
Nesta crise, julgo que a grande diferença reside na matéria de que é feito o dinheiro. Em 1929 ou mesmo em 1973, o dinheiro era metal sonante, tinha peso, espessura, ocupava espaço. Hoje, o dinheiro é virtual e multiplica-se exponencialmente ao sabor da especulação financeira. Na realidade, é dinheiro que não existe fisicamente, é moeda que nunca foi cunhada, papel que não foi impresso. Daí que, nesta crise, não sei se, realmente, os especuladores bolsistas perderam dinheiro ou se deixaram de o ganhar. Não é bem a mesma coisa.
Seja como for, das crises económicas globais anteriores, 1929 e 1973 (choque petrolífero), julgo que os capitalistas souberam airosamente encontrar saídas e continuar a sua vidinha nas bolsas de valores até com capacidade de manobra reforçada. Desta vez, não deve ser muito diferente.
Esta tarde, ouvi um professor de direito da Nova, Armando Marques Guedes, defender a ideia de que as trilaterais e quejandas estão a preparar mecanismos de governação global, que vão impor aos governos nacionais e aos poderes políticos. Diz ele que o capitalismo se prepara para utilizar a crise para reforçar o controlo que exerce sobre os mecanismos de decisão, em todo o Mundo.

segunda-feira, março 02, 2009

Na morte de Nino e de Tagma



O que eu podia escrever hoje, já escrevi aqui em 19 de Abril de 2006. Quem diria...
E quem diria, ainda, que a nova morgue de Bissau iria ser devidamente "inaugurada" com os cadáveres destes dois irmãos desavindos, abraçados num ódio de morte até ao fim?

domingo, março 01, 2009

Congresso


Terminou agora o congresso do PS, em Espinho. Pelo que vi, nas pantalhas, Sócrates não foi minimamente contestado, passeou-se pelo congresso, tem o partido controlado. Os eventuais adversários não compareceram ao terreiro do duelo. Acobardaram-se ou preferiram a luta de guerrilha na clandestinidade… tácticas muito comuns no nobre exercício da política.
O que me parece, com esta unanimidade instalada, é que os problemas do PS são os mesmos problemas que afligem o secretário-geral, uma confusão que só beneficia o homem e prejudica o grupo.

sábado, fevereiro 28, 2009

A Arte é uma convenção

Segundo a Agência Lusa, “o Director Nacional da PSP, Oliveira Pereira, reconheceu que a PSP errou ao ter apreendido cinco exemplares de um livro que reproduz na capa uma pintura de Gustave Courbet mostrando o sexo de uma mulher, em Braga.
- Eu assumo pessoal e profissionalmente, acho que devemos todos assumir os erros que cometemos e, na minha opinião e depois de uma análise, é minha interpretação que errámos e assumimos o erro, disse Oliveira Pereira.”


E eu, sem querer desculpar ou acusar ninguém, pergunto quantos portugueses ao olharem para a capa do livro não terão uma reacção, no mínimo, de espanto…
O quadro do pintor francês é tão realista que mais parece uma fotografia… e só quem estudou alguma coisa de História da Arte poderá saber que se trata de uma pintura de Gustave Courbet e não uma fotografia tirada por um qualquer voyeur a uma vadia de um dos bares de alterne de Braga…

Desde que a dita senhora foi pintada por Courbet que a polémica não larga a obra do pintor que viu a exibição do quadro ser proibida, tanto em França como noutros países. Aliás, classificar uma obra deste género como Arte é uma questão muito subjectiva, que apenas depende da convenção que se queira adoptar. Noutras circunstâncias, o quadro de Courbet poderia bem ser considerado pornografia, sem grande espanto.

Cá por mim, a PSP está desculpada… além de que esta historieta já atraiu mais atenção do que mereceria… o que só se justifica pela oportunidadezinha rara de se ter uma boa justificação para se publicar uma foto de uma gaja escancarada sem que pareça mal.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

24

Declarações do Pedro Pinto (em directo), na festa de lançamento da TVI (TVI 24, 01:35):
"...quando o Zé Eduardo Moniz me convidou para a TVI, mostrou-me as audiências, estávamos nos 12%, o objectivo era atingir os 18%... e a realidade é que dois meses depois estávamos nos 35%". (sic)


Bravo! A verdade acima de tudo. O que sucedeu em 2001 com a TVI é a prova de que são falsos os argumentos da ERC para pretender chumbar o projecto da Telecinco. Nós também acreditamos que é possível obter shares significativos no arranque do 5ºcanal.
O surgimento da TVI24 é outra evidência de que, mesmo em plena crise, os bons projectos empresariais têm possibilidades de sucesso. A não ser assim, nunca os accionistas da Prisa iriam embarcar numa aventura que lhes custou perto de 10 milhões de euros para terem um canal no cabo.
Curioso é também reparar que alguns opinion makers da nossa praça consideram que há “espaço” para a TVI24 crescer e negam essa mesma possibilidade a um projecto como o da Telecinco.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Telenovelas brasileiras desencantam


A maior produtora mundial de telenovelas, a Rede Globo, está alarmada com a tendência que se verifica no Brasil, e não só, de perda de audiências das telenovelas, noticia o Diário de Notícias.

O instituto brasileiro de audiometria, o Ibope, regista valores mínimos recordes nas principais telenovelas em exibição. No horário das 18 horas, essencial para fixar as audiências do prime-time, a telenovela “Negócio da China” tem uma média de 17 pontos percentuais – a menor de sempre na história da Globo. A novela “Três Irmãs” também apresenta maus resultados, numa média de 23% de share, apenas. Mesmo a jóia da coroa, a novela “Caminho das Índias”, que domina o horário nobre do canal brasileiro (e da SIC, em Portugal) não conseguiu ainda atingir patamares satisfatórios de audiência. Em Portugal, a performance das novelas brasileiras ainda é pior...

Para tentar perceber o que se está a passar, a Globo decidiu renovar as Comissões de Telespectadores (órgão de aconselhamento que o canal brasileiro instituiu para o acompanhamento dos programas que produz) que passarão a integrar jornalistas, publicitários, pedagogos e psicólogos, num esforço para acompanhar a evolução que se verifica nas opções dos telespectadores.

A quebra das audiências deve estar relacionada com a crescente adesão às novas plataformas de comunicação, nomeadamente na internet, onde se multiplicam twitters, blogs, chats, youtubes, messengers ou Windows live, entre uma miríade de novos artefactos que distraem as pessoas da televisão tradicional, cada vez menos interessante.

Nada disto é novo para os mentores da Telecinco que, logo na apresentação do projecto para a televisão que propõem, declararam (com surpresa para alguns) que a grelha de programas do futuro 5ºcanal contempla “ficção portuguesa – filmes, mini-séries, telefilmes, etc. – em prime time e exclui o recurso a telenovelas por considerar este formato esgotado e gasto até à exaustão.”

A Telecinco garante, ainda que “o prime time será essencialmente consagrado à produção portuguesa e ao entretenimento ligeiro” e revela-se atenta e actualizada perante os novos desafios tecnológicos ao definir que ”uma estratégia multi-plataforma será prosseguida de forma consequente. A partir das 02:00 a emissão transformar-se-á num espaço de passatempos interactivos até às 07:00.”

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Zimler - 2

... "Quando eu cresci, o homossexual tinha que ultrapassar os seus próprio preconceitos. Eu entrei em pânico, pensei: “Estou mais interessado em homens do que em mulheres. O que é que isso signfica? Vou ter que mudar a minha personalidade toda? Deixar de gostar dos Beatles e dos Rolling Stones e passar a gostar mais de Judy Garland?” Não tinha modelos de comportamento com quem pudesse testar a minha personalidade. E depois, nem todas as pessoas estão em posição de assumir a sua homossexualidade sem que isso lhes traga repercussões graves e terríveis na vida. Há jovens que se o dissessem aos pais, seriam corridos de casa. E os políticos portugueses se dissessem: “Tenho uma relação com este homem”, não conseguiriam as posições altas que ambicionam.
- Acha mesmo que haveria essa relação de causa-efeito?
Não sei. Como ninguém o faz, não podemos saber. A homossexualidade só é assunto porque há preconceito. Caso contrário, seria tão banal como ter olhos azuis ou verdes, ser alto ou baixo. Luto para um dia seja assim.Eu não falo da minha sexualidade por mim; falo dela por causa do jovem que vive em Beja e da rapariga que vive em Vila de Conde. Ambos se sentem frágeis devido á sua sexualidade, não conseguem assumi-la porque estão rodeados de pessoas com preconceitos. Têm que viver atrás de uma máscara. É por causa deles que falo, para que entendam que podem ser felizes, realizados, viver com amor, com paixão, com tudo. E que não têm que mudar. É importante que cada um de nós viva como é."

Solidário e corajoso, como não se usa mais por estas bandas. Richard Zimler, em entrevista ao Jornal de Notícias.

Zimler - 1

... "Há 20 anos não era necessário pensar muito: o escritor já tinha nome no mercado e continuava a publicar livros medíocres e a vender; os professores não eram avaliados, os medíocres tinham a mesma carreira dos que são excelentes. Tudo isto era muito típico em Portugal. Os meus alunos diziam-me que não se esforçavam porque já sabem que quem vai conseguir a vaga X ou Y é quem tem tio tal ou o primo tal. Este país está sistematicamente a produzir pessoas medíocres, em parte por causa do sistema de cunhas."
Como ele nos conhece bem... o escritor norte-americano Richard Zimler, em entrevista ao Jornal de Notícias.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Comprar português


Fui ao Continente que, aqui na minha terra, se chamava Carrefour até há muito pouco tempo. Apenas para comprar algumas coisas em falta nas prateleiras da dispensa.
Batatas espanholas, farinha Cérelac, da Suíça, assim como os cereais Cherrios. Bolachas Cuétara, de Espanha. Kellogg’s Mini Breaks, da Alemanha. Barras de muesly, espanholas. Cereais Alpen, da Inglaterra. Produtos nacionais, apenas uns burguers de tofu e algas, feitos numa fábrica no Algueirão e salsichas de frango, da Nobre de Rio Maior.
Produzimos cada vez menos e, assim, não vejo como se poderá equilibrar a balança de pagamentos. Um país que não é auto-sustentável corre o risco de se tornar, ele próprio, numa empresa inviável.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A convicção "funda" da ERC


A ERC chumbou as duas candidaturas ao 5ºcanal. No que diz respeito à Telecinco, uma decisão surpreendente e carregada de elementos subjectivos. Digo-o sem, no entanto, conhecer ao pormenor a candidatura em questão. O que sei é o que tenho lido nos jornais, o que me dizem alguns amigos ligados ao projecto e aquilo que a própria ERC tornou público, agora, quando fundamentou a sua decisão de excluir os candidatos.

Depois de ler os fundamentos invocados pela ERC, acredito que não se quis colocar em confronto os conteúdos dos dois projectos, porque estava patente que o da Telecinco era muito superior ao da ZON II. Se os projectos passassem esta fase, as respectivas candidaturas adquiriam direitos previstos na Lei, nomeadamente a capacidade de impugnar decisões da ERC que afectassem a sua posição no concurso e uma eventual decisão a favor da ZON II seria facilmente contrariada em tribunal.

Sendo assim, era necessário chumbar as duas candidaturas. De uma só penada, a ERC surgia como decisor impoluto, severo, rigoroso e equidistante.

Perante a pobreza do projecto da ZON II, foi fácil argumentar com a exiguidade dos meios técnicos propostos ("os meios técnicos propostos não incluem estúdios, equipas ENG, unidades móveis de reportagem ou outros meios de produção tidos como essenciais na actividade televisiva", diz a ERC). O projecto da ZON contempla a constituição de um quadro de pessoal de apenas 59 (cinquenta e nove) colaboradores, incluindo três administradores. A redacção, por exemplo, seria constituída por apenas seis jornalistas que teriam de suprir as necessidades da estação nos sete dias da semana. Como as pessoas têm de folgar dois dias por semana, não se percebe como é que a ZON II queria fazer um canal de televisão com apenas quatro jornalistas por dia em permanência. O projecto foi bem chumbado, nem podia ser de outra forma, depois da candidatura concorrente ter chamado a atenção para essa falha do projecto ZON II. Tratava-se de uma falha factual, concreta e impossível de ser contornada.

Já o argumento para chumbar a Telecinco está envolto em questões subjectivas e especulativas. Diz a ERC que a Telecinco não levou em linha de conta as actuais circunstâncias de recessão do mercado publicitário e que "a concorrente não fundamenta o share que se propõe atingir, situado num intervalo compreendido entre os 20% e os 25%" e que "as estimativas da concorrente revelam-se irrealistas, desajustadas da realidade que caracteriza o sector – por isso se impondo a convicção funda de que foram apresentados pressupostos de rendibilidade e sustentação económico-financeira do projecto que em nenhuma circunstância são devidamente fundamentados."

Gostava de saber se a ERC tem alguma estimativa para a duração da crise, ou se ponderou a evolução do mercado daqui a um ano, quando o 5ºcanal teria de iniciar as suas emissões… para garantir, sem sombra de qualquer dúvida, que as projecções da Telecinco são assim tão irrealistas.

Repito, não conheço ao pormenor a candidatura da Telecinco. Mas sei como se faz televisão. E sei que não há outra maneira de a fazer bem, senão investindo em bons programas de entretenimento, em bons programas de informação, na sabedoria, imaginação e irreverência dos que produzem e realizam os conteúdos e dos que dão a cara na pantalha. Essas condições eu sei que o projecto da Telecinco contempla, porque conheço quem o escreveu.

Por último, há que reconhecer que esta decisão, se for confirmada nos próximos 20 dias úteis (os concorrentes ainda podem recorrer), beneficia apenas os canais instalados e vem de encontro aos mais fervorosos pedidos de Francisco Balsemão (SIC) e de José Eduardo Moniz (TVI), os únicos que ficam realmente a ganhar com a anulação do concurso para a atribuição da concessão do 5ºcanal de televisão generalista de acesso livre em Portugal.

Vitória em toda a linha do Dr.Balsemão


Lisboa, 20 Fev (Lusa) - A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) rejeitou hoje as duas únicas candidaturas ao quinto canal de televisão generalista em sinal aberto, disse à Lusa fonte oficial daquele organismo.
Segundo a mesma fonte, a rejeição da candidatura da Zon deveu-se à falta de meios técnicos e recursos humanos e a da Telecinco por falta de viabilidade económico-financeira.

Reflexos - 8

Nunca os organizadores do carnaval de Torres Vedras imaginaram uma campanha de marketing tão original, tão bem sucedida e eficaz. Sugiro mesmo que se investigue as eventuais ligações familiares, empresariais ou outras, entre a Procuradora-adjunta da 1ª Delegação do Tribunal Judicial de Torres Vedras e algum dos organizadores do corso carnavalesco… quem sabe se a senhora não terá algum primo, tio ou amante por ali... ou tenha, sei lá!, recebido algum suborno para colaborar nesta campanha colorida. Num país como este, nunca se sabe…
Estranho apenas o facto da magistrada ter proibido a exibição das fotos de mulheres pouco vestidas num ecrã de um computador Magalhães… e tenha deixado incólume um boneco do Cristiano Ronaldo com um tomate de fora dos calções… Este facto indicia um certo conflito de interesses da magistrada, que nitidamente prefere os tomates do Cristiano aos rabiosques das moçoilas.
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foto de Alfredo Almeida Coelho da Silva

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Acontece muito a quem não sabe



Extracto do texto (Um think thank para melhorar as instituições públicas) publicado hoje no Público. O texto tem três particularidades: é assinado pelo próprio director do jornal; é louvaminheiro; tem um erro tantas vezes repetido que não pode ser gralha, apenas ignorância.

Por isso, em vez de financiar uma fundação para promover obras sociais ou fomentar a cultura ou a investigação científica - "para isso já existem outras" -, a família optou por uma espécie de think thank. Mas não exactamente um think thank, como os muitos que existem na Europa e nos Estados Unidos."Por regra, os think thanks prosseguem uma agenda política ou ideológica específica", explica António Barreto, que presidirá à administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Até parece que de tanto querer agradar, acabou obrigado obrigado obrigado e venerando… e baralhou-se todo... tropeçou no thank you boss e dali não conseguiu sair... acontece...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Sonhos cortados

Orico Santos é aquele homem que se automutilou em frente a uma juíza, num gabinete do Tribunal da Figueira da Foz. Num gesto de protesto, deixou cair sobre a própria mão um machado que lhe cortou um dedo. Na altura, Orico tentava convencer a juíza a parar com um processo em que ele se sente espoliado de uma propriedade de 20 hectares, numa zona privilegiada em frente ao mar, em Buarcos, e com vista para a serra da Boa Viagem.
Praia de Buarcos, Figueira da Foz
Não conheço o senhor Orico Santos, mas conheço uma filha dele. A propósito desta cena e do que a seguir veio publicado em alguns jornais, recebi um email dela que aqui reproduzo em síntese.
“O meu pai usou do poder de agir, não tendo o poder da palavra. O golpe que lhe cortou um dedo, era para cortar um processo que começou há muitos anos, um processo de falsas promessas, de má-fé, de abuso de poder por parte da autarquia, de actos de vandalismo nunca castigados (dois incêndios em 10 anos), de uma auto-estrada que cortou a propriedade ao meio, de muita despesa com advogados e de muita resistência a tudo isto.
O meu pai nunca desistiu. Construiu uma barragem, irrigou as partes férteis da quinta, cuidou do eucaliptal. Sonhou uma vida sossegada com as filhas e os netos, mas outros sonharam com hotéis de luxo e campos de golfe.
O meu pai automutilou-se porque não encontrou outra maneira de se fazer entender. Ninguém quer ouvir a voz de um reformado agarrado à terra e às convicções. Essa é a minha tristeza e a minha revolta.
O dedo que lhe falta será sempre, para mim, o indicador da luta pelo direito à Justiça.”

Orico Santos é um homem quase só contra o "sistema". Nos jornais, rádios e televisões, um silêncio negligente abafa este terrível caso humano.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Folclore Xenófobo


Quem lançou o mote foi o primeiro-ministro inglês, com o slogan “British Jobs for British Works!" e, sem surpresa, paulatinamente, outros estão a aplicar a mesma medida. Agora foi o governo regional da Madeira, que impôs numerus clausus para trabalhadores estrangeiros: 20 por empresa e só se não houver madeirenses (devidamente registados e com pedigree comprovada) que se candidatem a esses postos de trabalho. Quando a discriminação começa, é difícil dizer onde vai parar...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Reflexos - 7

Foto intitulada "Porto Seguro", autoria de Ana Mokarzel.


Jamais entrarei numa discussão em termos de teoria económica, matéria em relação à qual sou bastante ignorante… o que sei é aquilo que aprendo no dia-a-dia. E o que sei é que, hoje, ganho menos do que ganhava há 10 anos… e, pelo que tenho visto, julgo que o que se passa comigo acontece a muitos outros…
A diminuição salarial tem sido uma longa batalha que o capitalismo trava, desde sempre. Durante algum tempo, nomeadamente a seguir à II Guerra Mundial, creio que os trabalhadores conseguiram, com relativo sucesso, contrariar esse desígnio capitalista. Os patrões foram sendo obrigados a aumentar os salários, mas tratavam de subir os preços (já que havia quem os pudesse pagar…) … mas à medida que as empresas se transformavam em monstros multinacionais, algumas com volume de negócios bem mais volumoso que a maioria dos PIBs dos países existentes, os capitalistas acreditaram que poderiam baixar os custos de produção (salários) e continuar a vender cada vez mais, embora talvez um pouco mais barato, já que com a globalização os mercados alargaram-se exponencialmente…
Sabemos, hoje, que essa “engenharia” financeira não funciona bem. Estamos a viver cada vez pior e todos os dias fecham empresas, pequenas, média e grandes.
Estaremos, então, nessa fase da história económica mundial… na fase em que deixou de ser possível continuar a enganar a realidade, nem mesmo recorrendo ao endividamento privado ou à especulação bolsista. A verdade é que não ganhamos o suficiente para as nossas necessidades. E se deixarmos de comprar, as fábricas fecham… e seremos cada vez mais sem emprego.
Não percebo como é que isto não é entendido. Sem trabalho não há economia, estúpidos!

Não se queixe?


Estamos em ano de eleições e as máquinas partidárias e institucionais preparam-se para o duelo.
Uma das questões essenciais a combater, nesta época de crises, é a natural tendência para o abstencionismo dos povos. Perante a falta de soluções credíveis e sem grandes expectativas, o desinteresse pode generalizar-se e isso traz vários perigos.
É verdade que a falta de participação cívica pode dar maior espaço às intolerâncias e totalitarismos, mas isso não pode ser tábua de salvação para políticas incompetentes e políticos de má-fé… trata-se de um dilema que cabe a cada um de nós resolver em consciência.
Agora, nada disto justifica a agressividade com que o Parlamento Europeu publicita aquilo que entende serem as “boas razões” para se votar nas próximas eleições europeias no dia 7 de Junho… “Se não votar, não se queixe!”? Não conheço argumento mais estúpido… até porque, não votar é, digamos assim, votar em branco e, isso, é a mais pura manifestação de protesto que a Democracia contempla.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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