
Hakuna mkate kwa freaks.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Dúvidas freeportianas

Não há mulheres feias, há é homens que bebem pouco

sábado, janeiro 24, 2009
5ºcanal - III
A coisa passou-se mais ou menos assim: por volta das 15 e picos, os promotores da iniciativa acompanhados por uma excelente advogada em matéria de concursos públicos, deslocaram-se à ERC para a entrega da candidatura… a essa hora, a comitiva da ZON também já estava a caminho, mas ainda não tinha chegado. Na ERC, os diligentes funcionários não pareceram acreditar no que estava a acontecer. Terão julgado que se tratava de uma “ratoeira” para os apanhados do CQC?
Solicitaram logo ali a exibição da caução de 250 mil € exigida por lei. Mas o documento estava dentro de um dos muitos envelopes lacrados e a advogada teve de dizer ao funcionário que se quisesse ver a caução teria de abrir por sua conta e risco o envelope… o que é contra as regras do concurso. Os envelopes, todos os envelopes, só poderiam ser abertos no dia seguinte, às 10 da manhã. Lá tiveram de se conformar… Mas a guerra ainda só agora começou. E de uma coisa podemos todos ter a certeza. Este era um concurso feito para atribuir o canal à ZON… seria uma espécie de pró-forma, um mero ritual, uma encenação sem complicações… a candidatura da Telecinco estragou-lhes a festa.Curiosamente, minutos depois deste happening, a ZON foi informada do que se estava a passar e até quem eram os promotores da coisa. Informação que só pode ter saído de dentro da própria ERC, acredito. Alguém que tinha o contacto telefónico do porta-voz da ZON… que se apressou a telefonar a um dos autores do projecto, talvez para confirmar que não estava a ser gozado…
De uma maneira ou de outra, estava mesmo.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
5ºcanal
Aquilo que hoje se leu nos jornais é um desastre quase absoluto. Depois de terem ousado convidar o proscrito Emídio Rangel para a realização de um projecto capaz de vencer o concurso aberto pelo governo, parece que a ZON se arrependeu de tanto atrevimento. Pela voz do porta-voz, o ex-jornalista da SIC Paulo Camacho, a ZON desistiu do projecto de Rangel e poderá avançar com um modelo alternativo cozinhado pela prata da casa onde, acredito, o próprio Camacho deve ter tido grande influência…

E de que modelo se trata? Citando o Diário de Notícias, será uma televisão que não irá “correr atrás de audiências e com custos controlados, mas obedecendo ao caderno de encargos estipulado pelo governo. Um canal com a maior parte dos serviços e conteúdos contratados em outsourcing, logo incapaz de concorrer com os canais em sinal aberto SIC, TVI e RTP” – fim de citação.
Dito assim, até parece bonitinho… mas, na verdade, é uma coisa estranhíssima. Para que quer a ZON um canal “incapaz”? Quem acredita numa tv privada que não corre atrás das audiências? Será que os accionistas da ZON deram em beneméritos do serviço público, assim de repente? Como será possível que prefiram deitar fora 25 milhões de euros (o custo referido nos jornais do tal canal alternativo), em vez de investirem 50 ou 60 milhões num projecto ganhador?
Na verdade, não consigo entender. Mas, provavelmente, a culpa é dos jornais que não souberam explicar bem os meandros do negócio… é que o tal projecto alternativo magicado pelos quadros da ZON não me parece ter sustentabilidade económica. Limita-se a gastar relativamente pouco dinheiro (25 milhões… para distribuir pelos outsourcings mais amiguinhos) … e embora não conheça o projecto elaborado pelo Emídio Rangel, tenho a certeza de que a sustentabilidade do canal foi uma das suas principais preocupações.
Se o 5ºcanal não se revelar um verdadeiro concorrente dos canais já instalados, o Dr.Balsemão e o señor Polanco ficarão muito agradecidos. O que é um descanso em relação ao futuro de alguns dos quadros da ZON.
terça-feira, janeiro 20, 2009
American Dream

Pessoalmente, alegra-me o facto do novo presidente dos Estados Unidos da América ser um tipo que se chama Barack Obama, mestiço de pai negro e mãe branca. Olho para os meus filhos e acredito que, para eles, se abriu uma nova janela de oportunidades.
Dito isto, acrescento apenas que Obama tem muito para provar, a partir de hoje, dia da tomada de posse. Como vai ele resolver a questão da retirada das tropas do Iraque? Como vai ele orientar as relações com a Rússia? Como vai ele influenciar a questão palestiniana? Como vai ele resolver o descalabro financeiro em que os EUA estão metidos? Como vai ele fechar a prisão de Guantanamo? Cá estaremos para ver do que será capaz, embora não devamos esperar milagres. Não é por Obama ter sido eleito que muda o regime político dos Estados Unidos.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Controlinvest: um tiro no porta-aviões
Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A administração da Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores em diferentes áreas do grupo, de acordo com um comunicado interno a que a Lusa teve hoje acesso.
Segundo disse à Lusa fonte da empresa, cerca de metade dos dispensados são jornalistas, sendo que os títulos mais afectados serão os dois maiores jornais do grupo, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.

O síndroma da crise ou a incapacidade de inovar, de inventar, de revolucionar. Vão sempre pelo caminho mais fácil, o corte de cabeças. O pior é que sem cabeças também não há matéria cinzenta...
Outra coisa que nunca me deixa de espantar, é o facto destas crises raramente serem notícia nos órgãos de comunicação social onde se desenrolam. Ainda hoje comprei o DN e não vi lá nada sobre isto...
quarta-feira, janeiro 14, 2009
"Pensem duas vezes antes de casar com muçulmanos. É arranjar um monte de sarilhos!"
São muitas as histórias de mulheres que perdem todos os seus direitos de cidadania, pelo simples facto de terem casado com homens muçulmanos. O problema não se põe, enquanto a família reside na Europa, mas passa a existir quando o homem regressa às origens e leva a mulher europeia com ele… A viver sob um qualquer regime islâmico, ela fica igual às outras mulheres. Ou seja, perde direitos patrimoniais, perde direitos de poder paternal, pode até perder (consoante o país onde vive) os simples direitos a sair de casa sozinha, de conduzir automóvel, de vestir a seu belo prazer, de ir ao cinema ou de se sentar numa esplanada a beber um chá.
domingo, janeiro 11, 2009
Políticamente muito incorrecto

Abreviando, para quem não leu o DN de ontem, o Mário Crespo terá dito que “a Presidência recorria a um método "algo preocupante": o uso de fontes anónimas para passar informações falsas para a imprensa (comentário feito a propósito de uma manchete recente do semanário Sol).”

Ora, sentindo-se ofendida, a Presidência da República fez queixa, apresentou o seu protesto, o que é legítimo e normal. Enviou as suas queixas para a direcção de informação da SIC, mas não se deixou ficar por aqui… enviou também a queixinha ao dono do canal…
Ao Diário de Notícias, Mário Crespo disse que estranhava que a Presidência “tenha mandado para o Dr. Balsemão. Não sei o que Nunes Liberato (chefe da Casa Civil do Presidente) pretende com isso. Este é um assunto editorial e não administrativo. Que mande, como mandou, à direcção de informação acho normal. Ao Dr. Balsemão já não acho. E estranho que não me tenha mandado o comunicado a mim."
E eu estranho que não o tenha feito junto da ERC, o organismo do estado que tem a incumbência de zelar pelo cumprimento da Lei no que diz respeito à Comunicação Social.
A única coisa que eu não estranho, volto a dizer, é aquilo que o Mário referiu… ainda aqui há tempos (em 13 de Abril de 2007), escrevi neste blog o seguinte: “Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço. No passado dia 6, o Diário de Notícias, entre outros jornais, publicava a notícia (sustentada por uma fonte da presidência) de que o Presidente da República, preocupado com as consequências da polémica em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro, tinha reunido “discretamente com os seus colaboradores mais próximos para preparar eventuais ondas de choque do caso Universidade Independente”. Leiam aqui.
Agora já vi. Boa, Mário, já não me sinto tão só. Espero é que o patrão se porte bem contigo…
sábado, janeiro 10, 2009
2009 em perspectiva nos Media - II parte

Paris - Lisboa, de mota

sexta-feira, janeiro 09, 2009
Paris - Lisboa, de camião

quarta-feira, janeiro 07, 2009
Luso Jornal

Recessão

terça-feira, janeiro 06, 2009
Matar
Em Lisboa, um polícia da PSP matou com um tiro na cabeça um adolescente de 14 anos. O agente em questão diz que disparou depois de ter sido ameaçado pelo rapaz que empunhava uma pistola.
Do lado das vítimas, em Gaza e em Lisboa, acusa-se a outra parte de violência desmedida, desproporcionalidade de meios, abuso, atentado contra os direitos humanos.

No que diz respeito ao sucedido em Gaza, a versão israelita é plausível. Conheço muitos estratagemas utilizados por soldados em conflito e vivi situações parecidas… também em Bissau, durante a guerra civil de 98/99, por exemplo, os soldados de Nino utilizavam artilharia móvel que colocavam junto a habitações na hora de disparar e que, logo a seguir, retiravam. Quando a resposta vinha, os soldados já lá não estavam, apenas os civis… que eram os que levavam com os obuses em cima.
Quanto ao que se passou em Lisboa, sabemos que o rapaz estava num veículo roubado, com outros quatro comparsas, que não obedeceram à ordem de parar da polícia, fugiram e, depois de apanhados, resistiram à prisão. Foi nessa luta que o polícia disparou…
Lamento as mortes mas não consigo condenar os matadores. Acredito que tanto uns como outros sejam vítimas das circunstâncias... embora seja sempre difícil saber quem está a mentir.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Arafat, a oportunidade perdida

Já naquela altura não se conseguia vislumbrar uma solução para resolver o conflito israelo-palestiniano… Acredito até que, hoje, o conflito está mais longe de uma solução negociada do que estava há 20 anos. Na altura, existia Yasser Arafat, um dirigente palestiniano que estava disposto a negociar uma solução com Israel. Arafat tinha uma missão na vida, que era a de criar o estado palestiniano independente e era, portanto, um homem disposto a negociar, ao mesmo tempo que lutava, e os dirigentes israelitas deveriam ter percebido isso. Mas Arafat nunca quis uma paz sem condições e os israelitas nunca estiveram dispostos a fazer reais concessões políticas… perderam-se anos a negociar as fronteiras irreais de um futuro estado palestiniano, que acabou dividido e sem continuidade territorial entre Gaza e a Cisjordânia… Israel preferiu isolar Arafat e deixá-lo morrer e, agora, não tem um verdadeiro interlocutor para negociar… o Hamas responde, primeiro, aos interesses hegemónicos de potências regionais como o Irão e a Síria, que utilizam a causa palestiniana como arma de arremesso para ferir Israel… e ao Hamas pouco interessa o bem estar da população palestiniana…
De modo que percebo, agora, a opção militarista assumida por Israel. Não conseguindo negociar com quem não pode ter boa-fé, resta o confronto aberto e a possibilidade de uma vitória militar. O problema é que este conflito pode não ser controlável, dirigentes árabes e islâmicos mais extremistas podem sentir-se compelidos a agir… e tudo isto pode descambar perigosamente…
Por outro lado, a actual invasão de Gaza pode resultar num fiasco para os estrategas israelitas. Gaza é um imenso aglomerado urbano, com milhares de ruelas e túneis, uma anarquia urbanística super-populada, um sítio ideal para emboscar as patrulhas israelitas. Já era assim há 20 anos, quando por lá andei e hoje não será muito diferente, volto a dizer.
domingo, dezembro 28, 2008
2009 em perspectiva nos Media

terça-feira, dezembro 23, 2008
(Des)Encontros
Fernando,
Por mais estranho que te pareça, acabei de te ver e ouvir na pantalha da RTP-I, dizendo como ninguém o "Adeus".
Contigo, meu irmão, as palavras nunca estão gastas.
Tenho uma espécie de nostalgia por uma coisa que nunca aconteceu... a nossa amizade.
Abraços.
Carlos

(ontem)
Carlos,
Por mais estranho que te pareça, os gajos que continuam a passar na pantalha isso que foi gravado há meia dúzia de Natais, ainda não me pagaram um tostão. E todos eles fazem grandes vidas, é Natal sempre que eles querem.
Mas para a fogueira que conta, são palavras como as tuas que aquecem o coração.
Partilho a mesma nostalgia, tão episódico foi o nosso encontro numa Redacção (e as Redacções sempre foram a nossa outra casa; agora que as Redacções se degradam aceleradamente, sentimos que vivemos uma parte essencial da nossa vida sob escombros).
Mas as Redacções dão muitas voltas, tal como a vida, e felizmente também não aconteceu, entre nós... a inimizade. Temos mais de meio caminho andado.
Que em 2009 possamos brindar a coisas boas.
Abraços.
Fernando
domingo, novembro 30, 2008
Juramento de Hipócrates

Meia-hora depois, na urgência do mesmo hospital, outro médico diagnosticava risco iminente de aborto mas, estranhamente, enviou a paciente para o centro de saúde e para o mesmo sacrossanto périplo estabelecido num qualquer protocolo que institui a primazia da consulta com o médico de família que, como sabemos, é um médico generalista e que pode não ser minimamente competente para questões especificas como, no caso, gravidez de risco…
O desfecho previsível desta caso que vos relato será uma interrupção involuntária de gravidez e eu só gostava de saber a quem devo bater… talvez aos médicos que se deixaram "protocolarizar" e não passam, hoje, de administrativos zelosos em saber se o doente que ali aparece reside de facto na área de atendimento do hospital ou se o centro de saúde cumpriu com todos os preceitos do protocolo estabelecido com o hospital… e deixam o acto médico para segundo plano.
quarta-feira, novembro 26, 2008
E-mail para BB

BB,
sábado, julho 28, 2007
segunda-feira, julho 09, 2007
O malandro do Carlos Pinto Coelho escreveu: "Quero partilhar contigo a imagem dos campos alentejanos quando saí de casa, esta manhã. A sete minutos de viagem, não resisti, parei o carro e guardei para sempre a memória de um espectáculo."E eu que nas ultimas cinco semanas tenho apanhado chuva todos os dias, não posso deixar de partilhar tanta luz.
quarta-feira, julho 04, 2007
Ousadias
O video é um extracto de um programa produzido pela Teresa Guilherme, julgo que para a SIC, em 1997 ou 98. Supostamente, a gravação da entrevista seria para incluir num programa para as comunidades emigrantes, num canal qualquer de cabo nos Estados Unidos. Enfiei o barrete todo, todinho, da cabeça aos pés. Foi um trabalho bem feito que contou com a minha tradicional ingenuidade... não ha' nada a fazer. Vou morrer assim. Um abraço ao Frederico Duarte Carvalho, que me enviou o link do YouTube.
domingo, julho 01, 2007
Por cima e por baixo
.
sábado, junho 30, 2007
No metro

Quase nunca olham pela janela porque, se olhassem, assustavam-se com os monstros que, na escuridão dos tuneis, espreitam a corrida das carruagens.domingo, junho 24, 2007
Nas margens do Orge
Desde então que a casa la’ esta’. Muito ja’ se viveu e morreu dentro daquelas paredes. E’ la’ que vive agora um amigo meu. Mas à cautela, arranjou um cão feroz para afastar os maus espiritos.
quarta-feira, junho 20, 2007
Clochard
Nunca se levanta antes das 7 da manhã. Mas depois dessa hora torna-se dificil conciliar o sono com o bulicio matinal da cidade. Deita-se no ultimo banco de pedra da estação. Imagino que ninguém fale com ele excepto, talvez, os da mesma condição. Para quem procura casa, aqui, a “désocialisation’’ não é uma noção distante nem improvavel. E’ que os preços das casas raiam o absurdo. Apartamentos infimos, T0 ridiculos, não custam menos de 600 € por mês. Uma casa para uma familia de 4 pessoas parece ser algo luxuoso e quase inacessivel ao trabalhador comum. Os senhorios, aqui, não pedem menos de 3 meses de renda adiantados, querem ver os comprovativos de pagamento de impostos e não aceitam trabalhadores com contratos a termo. Ou seja, é facil ficar sem casa e passar a dormir na rua.
quinta-feira, junho 14, 2007
Madrugada sem sono

Ah ! A torre.
quarta-feira, junho 13, 2007
Sarkozy au G8 ou o erro de falar à imprensa depois de almoçar com Putin
Os jornalistas da televisão francesa não passaram estas imagens. Foram os belgas que o fizeram. A cena provocou protestos do governo francês e a tv belga que exibiu esta conferência de imprensa pediu desculpa pelo que fez. Julgo que apenas porque não pode provar que o presidente francês estava realmente un peu touché.
domingo, junho 10, 2007
A minha princesinha

quinta-feira, junho 07, 2007
Morrer de tristeza
Ja’ aqui vos falei dos piriquitos do meu avô, sim… Um dia, quando ele ja’ estava muito doente (foram os diabetes que o mataram), a minha avo’ passou a tratar dos piriquitos. Não sei porque carga de àgua, decidiu separar um casal de piriquitos que viviam juntos ja’ ha’ muito. Os bichos ficaram em gaiolas diferentes, mas viam-se à distância. Na ânsia de se reunirem de novo, tentavam passar por entre as grades, de tal modo que o macho entalou a cabeça e morreu asfixiado. Depois disso, a fêmea deixou de comer. Definhou lentamente, arrancou as proprias penas da barriga. Morreu feita um esquife ossudo e careca. Morreu de tristeza. Como se tivesse bebido um frasco de veneno.sábado, junho 02, 2007
Paris

Quando voltar a escrever aqui, será de lá.
Je pars demain. Retomo a profissão, enfim. Sempre há alguém que considera útil o meu contributo profissional. Vamos lá, então. Sinto que vou viver uma experiência marcante, naquela terra onde nasceram os conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que moldaram os ideais de muita gente.
À bientôt.
quinta-feira, maio 31, 2007
Arquivos da Humanidade
Há um livro, recentemente editado, que deveria ser de leitura obrigatória para todos. Todos, sem excepção. Cada página desse livro é uma lição de coragem e desassombro.Comprei-o agora e ainda nem o li. Mas fiz a experiência de o abrir à toa, aleatoriamente. Na página 282, por exemplo, li o seguinte:
“Ao que acabo de referir sobre a situação tão precária dos Direitos Humanos para boa parte da população mundial, como se já não bastasse, temos de acrescentar, como factor particularmente nefasto para a situação actual dos Direitos Humanos no mundo, a vigente, perversa e espúria tendência, assumida às claras, de se substituir a força do Direito pelo direito da força que gera, ipso facto, como corolário imediato e infelizmente amiúde observado, o surgimento de caldos políticos incentivadores ou permissivos à tortura com comportamentos particularmente desumanos, cínicos e hipócritas que importa desde já estigmatizar e arquivar na nossa memória colectiva a fim de que não possam ser negados amanhã por aqueles que os estimularam, defenderam e praticaram recorrendo a todo o tipo de manipulações, mentiras e demagogias fossem eles governantes, políticos, “pensadores”, analistas, jornalistas, polícias ou militares… Dispondo de arquivos, a sociedade humana democrática poderá confrontá-los, assim o entenda, com as suas atitudes passadas.”
O autor de “Gritos contra a Indiferença” é Fernando Nobre, presidente da AMI, uma daquelas pessoas de quem eu gostaria de ter oportunidade de ser amigo e não apenas conhecido.
quarta-feira, maio 30, 2007
terça-feira, maio 29, 2007
O suspeito do costume
O anterior presidente do Congo, Laurent Kabila (na foto), subiu ao poder graças à ajuda militar angolana, disso ninguém tem dúvidas. O exército angolano ofereceu a Kabila uma brigada de 3 mil homens muito bem armados e treinados. Na maioria, esses homens eram antigos gendarmes catangueses, desejosos de vingar a derrota sofrida frente a Mobutu quando foi da revolta do Catanga.Soube só agora que Kabila aceitou a ajuda desses militares mas que, logo após a vitória, em Maio de 1997, dissolveu essa brigada porque a consideraria perigosa por suspeitar que seria leal aos interesses angolanos.
Ora, se isto for verdade, isso significa que Kabila desconfiava do amigo angolano… e, assim, percebe-se melhor a forma como morreu assassinado em Janeiro de 2001.
domingo, maio 27, 2007
A propósito de sarjeta
A crónica do Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana, fala da mixórdia informativa a que as televisões se têm dedicado, desde que desapareceu a menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.Lê-se na crónica que a SIC é a campeã da mixórdia, com 212 notícias e 14 horas de cobertura, em vinte dias em que raras vezes houve uma verdadeira notícia para dar. A maior parte das vezes, os repórteres da SIC limitaram-se a dizer que nada se tinha passado, além de um passeio da mãe da criança pela praia com um peluche na mão ou de mais uma vigília na igreja lá do sítio.
Diz o MST que “uma não-notícia não é notícia em lado algum do mundo” e que o director de informação da SIC “sabe-o bem”. Ora, aqui é que o Miguel se engana…porque, na verdade, o homem já não sabe nada. Esqueceu o que lhe ensinaram, do mesmo modo como trocou amizades antigas pelos favores do patrão, mas isso é outra história.
Um dia, nos finais da década de 80, um repórter da RTP andava a cobrir a campanha eleitoral do MRPP. Foi até ao Porto, onde se realizava um dos comícios escolhidos para integrar essa cobertura noticiosa. Quando chegou ao Monte da Virgem, para montar a reportagem, sentou-se em frente à máquina de escrever e… nada lhe saiu. Não havia uma ideia naquela cabecinha para estruturar a reportagem. Era como se não tivesse acontecido nada. Um outro repórter, que também tinha ido de Lisboa mas para acompanhar a campanha do PC, viu o camarada enrascado e disponibilizou-se para o ajudar. Sentou-se ele em frente à máquina de escrever e disse ao outro para lhe resumir as imagens que tinha e lhe contar algo que lhe tivesse chamado mais a atenção. À medida que o enrascadinho ia balbuciando os acontecimentos, o outro ia escrevendo.
No final do dia, aquela reportagem do comício do MRPP foi a melhor do enrascadinho em toda a campanha.
Assim se fez uma carreira brilhante, não foi Sr. director de informação?
sábado, maio 26, 2007
O futuro
Convidaram-me para moderar o debate. Aceitei porque gosto do tema, porque quero aprender mais sobre a matéria e porque aos amigos não se diz que não.Foi um debate bastante participado. Das várias orações de sapiência, renovei a convicção que já tinha de que a salvação da Humanidade está na mestiçagem dos povos. Na mestiçagem cultural, racial, o que quiserem. Acredito que os mestiços têm mais condições para se distanciarem de dogmas e preconceitos e, portanto, tornarem-se melhores seres humanos. Acredito muito nisso.
sexta-feira, maio 25, 2007
Luanda, fait divers

Não sei porque carga de água, sempre que fui a Luanda em serviço de reportagem fiquei nesse hotel. A estadia mais longa foi a de 1998. Ao fim de um mês, decidimos (eu e o Carlos Santos) sair dali. Procurámos um apartamento mobilado onde pudéssemos ter um simulacro de lar. Encontrámos um apartamento na Mutamba, que a dona Palmira nos alugou pela módica quantia de 2 mil dólares por mês (400 contos na moeda da época), ainda assim metade do que gastávamos no hotel. Na porta do apartamento colocámos um autocolante da SIC e passámos a designar a habitação como “delegação”. Foi a primeira “delegação” da SIC em Luanda. Porventura, a última.
É dessa “deslocalização” do hotel para o apartamento que o papel que publico me faz lembrar, por causa do “Sra.Palmira” escrito no centro da folha. O resto são números indecifráveis. Enigmáticos números de telefone, estranhas contas de multiplicar e de diminuir e uma referência, em baixo à direita, a uma tal Zany que, infelizmente, não guardei na memória…
quarta-feira, maio 23, 2007
Pormenores
No livro, percebe-se que Savimbi fintou a morte mais do que uma vez, ao longo desses últimos meses, jogando ao gato e ao rato com as forças inimigas que o perseguiam. Mas o cerco apertava-se a cada dia que passava, como se o exército governamental soubesse onde Savimbi andava. Há várias teorias sobre isso. Uns dizem que os satélites militares americanos espiavam a marcha da coluna de Savimbi, dando indicações sobre a sua localização ao governo angolano. Outros dizem que o dirigente da UNITA foi localizado pelos americanos, sim, mas através do sinal do telefone satélite que era frequentemente utilizado para contactos com membros e aliados da UNITA no exterior de Angola. Provavelmente, as duas teorias estão certas e os EUA utilizaram toda a tecnologia disponível para ajudar Luanda a vencer aquela guerra. O que é certo é que, de facto, Savimbi tinha pelo menos um telefone satélite. Do meu espólio desses tempos de brasa em Angola, mostro-vos a folha do meu bloco onde está anotado o número desse telefone satélite: 00871382082111.terça-feira, maio 22, 2007
Brothers in arms
Não tem data, mas é de 1998, dos meses de Julho a Novembro. O que tem de curioso, esta folha, é a verificação dos nomes de guerra dos generais e outros oficiais de alta patente angolanos. O brigadeiro Jota era o oficial de ligação do CEMGFA com a imprensa. O homem era competente à sua maneira, ou seja, privilegiava os órgãos de comunicação social públicos angolanos em detrimento dos jornalistas estrangeiros que considerava, sempre, tipos suspeitos de simpatia com a UNITA, vá-se lá saber porquê.No rol de nomes e contactos desta pequena folha aparecem, ainda, o brigadeiro Faísca, o brigadeiro Cowboy e o general McKenzie (pessoas de quem não guardo na memória qualquer referência). Já o mesmo não posso dizer do general Faceira, na altura vice-chefe do EMGFA. Graças a ele, conseguimos ultrapassar muitas dificuldades que outros colocaram à realização das nossas reportagens. Foi ele quem nos apresentou ao general João de Matos (o CEMGFA) e que o convenceu a que nos deixasse acompanhá-lo nas visitas que fazia às frentes de combate. Corremos Angola de lés a lés com eles, entrámos até pelo Congo dentro, ocupando dois lugares vagos no pequeno avião Piper que era utilizado pelo Chefe do Estado Maior. Tudo correu bem, até que a desconfiança se instalou de novo, devido à hipersensibilidade dos angolanos em relação ao trabalho dos jornalistas estrangeiros. Assim que recebeu um relatório enviado de Lisboa sobre o que dizíamos nas reportagens que fazíamos em Angola, o general afastou-nos e tudo se tornou mais difícil a partir daí.. Ainda assim, o nosso “estado de graça” durou largas semanas. Um “estado de graça” só possível devido ao estranho sentido de solidariedade existente nas castas militares. Eu explico: o general Faceira era Comando. Tinha sido Comando da tropa portuguesa, no tempo colonial e, depois da independência, juntou-se ao MPLA e formou o corpo de Comandos do exército angolano. Ora aconteceu que o Carlos Santos, o camera-man que estava comigo, também foi Comando e estabeleceu essa ponte com o general angolano. Era evidente a relação que ambos estabeleceram desde o primeiro minuto em que se reconheceram mutuamente como companheiros dessa “espécie militar”. Para mim, aquilo era uma coisa estranha, mas real, e aproveitei-a o melhor que foi possível.
sábado, maio 19, 2007
Pagadoras de promessas

A praça parecia quase vazia, mas esse é o
problema dos lugares muito amplos que dificilmente se conseguem encher com regularidade. Estariam lá alguns milhares de pessoas, mas pareciam poucas num espaço daquelas dimensões. sexta-feira, maio 18, 2007
Encontre as diferenças

Mas entre os dois, o tempo passou.
quarta-feira, maio 16, 2007
Os novos controleiros

Quanto à qualidade, não percebo como vai ser aplicado esse critério. Primeiro, porque apreciar a qualidade de uma notícia tem uma enorme carga subjectiva. A qualidade depende mais do observador do que da notícia propriamente dita. Se o observador for um tipo de direita, as notícias sobre os sucessos do governo serão de péssima qualidade. Se o observador for mais de esquerda, as notícias sobre as actividades da oposição terão sempre algum defeito. Além disso, com redacções pejadas de estagiários, onde já quase não existem referências profissionais que sejam possíveis de seguir, copiar, pedir conselho e colher ensinamentos, não se pode levar a mal uma certa falta de qualidade. Isto digo eu, que já sou considerado uma espécie de dinossauro profissional…

Quanto ao critério quantitativo, a ERC diz que está a contar o número de notícias que cada noticiário dá sobre o governo e o partido que o sustenta, a oposição parlamentar, a oposição não parlamentar, outras correntes de opinião. E, segundo o documento divulgado no sítio da ERC, o pluralismo político mede-se assim: governo+PS deverão ter 50% das notícias; oposição parlamentar tem direito a 48%; oposição extra-parlamentar, apenas 2%. Portanto, os responsáveis editoriais passam a ter de andar de máquina de calcular na mão e podem meter na gaveta o sacrossanto critério jornalístico.
terça-feira, maio 15, 2007
Um barril de pólvora
A organização Human Rights Watch acaba de denunciar as prepotências perpetradas pelo governo angolano nas acções de despejo e demolição de bairros da lata na cidade de Luanda.Desde 2002 que já se efectuaram 18 acções do género, com a destruição de 3 mil habitações onde viviam 20 mil cidadãos, todos eles pobres e residentes em barracas nos vários musseques de Luanda.
As acções governamentais têm sido realizadas pela polícia e por elementos de empresas de segurança privadas e são caracterizadas pela violência física contra os residentes, detenções arbitrárias e maus tratos contra os detidos.
Segundo o relatório em questão, aos cidadãos não tem sido dada a possibilidade de recurso legal nem o direito a qualquer indemnização. Pura e simplesmente, as pessoas são deixadas no meio da rua, sem haveres nem abrigo.
O relatório da Human Rights Watch foi elaborado com a colaboração da ONG angolana SOS Habitat e acusa o governo de Angola de provocar a deterioração das condições de vida da população mais pobre da capital, em vez de a melhorar.
Quem quiser ler o relatório completo, pode ir aqui. Quem quiser saber mais sobre a acção da Human Rights Watch em Angola, pode ir aqui.
Quem conhece Luanda sabe que a cidade está transformada num atoleiro de musseques, onde vivem mais de 4 milhões de pessoas em condições que não lembram ao diabo. É urgente que se faça algo para melhorar a situação daquela gente, sob pena de, num futuro próximo, a vida em Luanda se tornar impossível por questões de segurança e salubridade.
Toda aquela miséria concentrada é um barril de pólvora pronto a explodir. Olho para o que acontece no Brasil, hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, e adivinho o futuro de Angola, nomeadamente de Luanda, dentro de poucos anos.É claro que o governo angolano pode julgar que resolve a questão social como resolveu a questão militar na guerra civil, mas duvido que, desta vez, venha a ter sucesso. A morte de Savimbi domesticou a UNITA, mas quantos vão ter que morrer se os musseques se revoltarem, em Luanda?
segunda-feira, maio 14, 2007
Cidadãos por Lisboa

Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média





