Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Reflexos - 8

Nunca os organizadores do carnaval de Torres Vedras imaginaram uma campanha de marketing tão original, tão bem sucedida e eficaz. Sugiro mesmo que se investigue as eventuais ligações familiares, empresariais ou outras, entre a Procuradora-adjunta da 1ª Delegação do Tribunal Judicial de Torres Vedras e algum dos organizadores do corso carnavalesco… quem sabe se a senhora não terá algum primo, tio ou amante por ali... ou tenha, sei lá!, recebido algum suborno para colaborar nesta campanha colorida. Num país como este, nunca se sabe…
Estranho apenas o facto da magistrada ter proibido a exibição das fotos de mulheres pouco vestidas num ecrã de um computador Magalhães… e tenha deixado incólume um boneco do Cristiano Ronaldo com um tomate de fora dos calções… Este facto indicia um certo conflito de interesses da magistrada, que nitidamente prefere os tomates do Cristiano aos rabiosques das moçoilas.
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foto de Alfredo Almeida Coelho da Silva

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Acontece muito a quem não sabe



Extracto do texto (Um think thank para melhorar as instituições públicas) publicado hoje no Público. O texto tem três particularidades: é assinado pelo próprio director do jornal; é louvaminheiro; tem um erro tantas vezes repetido que não pode ser gralha, apenas ignorância.

Por isso, em vez de financiar uma fundação para promover obras sociais ou fomentar a cultura ou a investigação científica - "para isso já existem outras" -, a família optou por uma espécie de think thank. Mas não exactamente um think thank, como os muitos que existem na Europa e nos Estados Unidos."Por regra, os think thanks prosseguem uma agenda política ou ideológica específica", explica António Barreto, que presidirá à administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Até parece que de tanto querer agradar, acabou obrigado obrigado obrigado e venerando… e baralhou-se todo... tropeçou no thank you boss e dali não conseguiu sair... acontece...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Sonhos cortados

Orico Santos é aquele homem que se automutilou em frente a uma juíza, num gabinete do Tribunal da Figueira da Foz. Num gesto de protesto, deixou cair sobre a própria mão um machado que lhe cortou um dedo. Na altura, Orico tentava convencer a juíza a parar com um processo em que ele se sente espoliado de uma propriedade de 20 hectares, numa zona privilegiada em frente ao mar, em Buarcos, e com vista para a serra da Boa Viagem.
Praia de Buarcos, Figueira da Foz
Não conheço o senhor Orico Santos, mas conheço uma filha dele. A propósito desta cena e do que a seguir veio publicado em alguns jornais, recebi um email dela que aqui reproduzo em síntese.
“O meu pai usou do poder de agir, não tendo o poder da palavra. O golpe que lhe cortou um dedo, era para cortar um processo que começou há muitos anos, um processo de falsas promessas, de má-fé, de abuso de poder por parte da autarquia, de actos de vandalismo nunca castigados (dois incêndios em 10 anos), de uma auto-estrada que cortou a propriedade ao meio, de muita despesa com advogados e de muita resistência a tudo isto.
O meu pai nunca desistiu. Construiu uma barragem, irrigou as partes férteis da quinta, cuidou do eucaliptal. Sonhou uma vida sossegada com as filhas e os netos, mas outros sonharam com hotéis de luxo e campos de golfe.
O meu pai automutilou-se porque não encontrou outra maneira de se fazer entender. Ninguém quer ouvir a voz de um reformado agarrado à terra e às convicções. Essa é a minha tristeza e a minha revolta.
O dedo que lhe falta será sempre, para mim, o indicador da luta pelo direito à Justiça.”

Orico Santos é um homem quase só contra o "sistema". Nos jornais, rádios e televisões, um silêncio negligente abafa este terrível caso humano.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Folclore Xenófobo


Quem lançou o mote foi o primeiro-ministro inglês, com o slogan “British Jobs for British Works!" e, sem surpresa, paulatinamente, outros estão a aplicar a mesma medida. Agora foi o governo regional da Madeira, que impôs numerus clausus para trabalhadores estrangeiros: 20 por empresa e só se não houver madeirenses (devidamente registados e com pedigree comprovada) que se candidatem a esses postos de trabalho. Quando a discriminação começa, é difícil dizer onde vai parar...

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Reflexos - 7

Foto intitulada "Porto Seguro", autoria de Ana Mokarzel.


Jamais entrarei numa discussão em termos de teoria económica, matéria em relação à qual sou bastante ignorante… o que sei é aquilo que aprendo no dia-a-dia. E o que sei é que, hoje, ganho menos do que ganhava há 10 anos… e, pelo que tenho visto, julgo que o que se passa comigo acontece a muitos outros…
A diminuição salarial tem sido uma longa batalha que o capitalismo trava, desde sempre. Durante algum tempo, nomeadamente a seguir à II Guerra Mundial, creio que os trabalhadores conseguiram, com relativo sucesso, contrariar esse desígnio capitalista. Os patrões foram sendo obrigados a aumentar os salários, mas tratavam de subir os preços (já que havia quem os pudesse pagar…) … mas à medida que as empresas se transformavam em monstros multinacionais, algumas com volume de negócios bem mais volumoso que a maioria dos PIBs dos países existentes, os capitalistas acreditaram que poderiam baixar os custos de produção (salários) e continuar a vender cada vez mais, embora talvez um pouco mais barato, já que com a globalização os mercados alargaram-se exponencialmente…
Sabemos, hoje, que essa “engenharia” financeira não funciona bem. Estamos a viver cada vez pior e todos os dias fecham empresas, pequenas, média e grandes.
Estaremos, então, nessa fase da história económica mundial… na fase em que deixou de ser possível continuar a enganar a realidade, nem mesmo recorrendo ao endividamento privado ou à especulação bolsista. A verdade é que não ganhamos o suficiente para as nossas necessidades. E se deixarmos de comprar, as fábricas fecham… e seremos cada vez mais sem emprego.
Não percebo como é que isto não é entendido. Sem trabalho não há economia, estúpidos!

Não se queixe?


Estamos em ano de eleições e as máquinas partidárias e institucionais preparam-se para o duelo.
Uma das questões essenciais a combater, nesta época de crises, é a natural tendência para o abstencionismo dos povos. Perante a falta de soluções credíveis e sem grandes expectativas, o desinteresse pode generalizar-se e isso traz vários perigos.
É verdade que a falta de participação cívica pode dar maior espaço às intolerâncias e totalitarismos, mas isso não pode ser tábua de salvação para políticas incompetentes e políticos de má-fé… trata-se de um dilema que cabe a cada um de nós resolver em consciência.
Agora, nada disto justifica a agressividade com que o Parlamento Europeu publicita aquilo que entende serem as “boas razões” para se votar nas próximas eleições europeias no dia 7 de Junho… “Se não votar, não se queixe!”? Não conheço argumento mais estúpido… até porque, não votar é, digamos assim, votar em branco e, isso, é a mais pura manifestação de protesto que a Democracia contempla.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Alguém na Zon não sabe jogar limpo. Pirata informático ataca site da Telecinco.


Sempre ouvi falar em pirataria informática, em hackers que assaltam sítios electrónicos de empresas, até assaltam bancos. Mas, realmente, nunca tinha estado próximo de um crime dessa natureza. Até hoje.
O site da Telecinco foi invadido por alguém, com o intuito de manipular o resultado do inquérito “Qual o Conteúdo que mais valoriza numa televisão generalista?” que lá decorre. O intruso conseguiu votar 600 e tal vezes (quando era suposto só ser possível votar uma vez), sempre na mesma resposta… a opção do intruso foi “telenovelas”.
Os técnicos do “service provider” do sítio da Telecinco seguiram o rasto deixado pelo intruso. A origem da intrusão teve origem num computador com IP 212.11.163.75, cuja morada electrónica é 212.113.163.75, domiciliado em a212-113-163-75.netcabo.pt, Lisboa, numa empresa que dá pelo nome de TV Cabo - Portugal backbone. Dizem os experts do “service provider” da Telecinco que por estar no backbone da TV Cabo, indicia que seja um IP interno da Zon.
A ser assim, alguém da Zon quis sabotar o resultado do inquérito em curso. O que só pode significar uma coisa: eles estão cheios de medo.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Reflexos - 6



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Carlos,

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Chegaram as andorinhas!
Uma, banhou-se 5 vezes na piscina.


Abraços,


Waldemar


A foto intitula-se "Partitura", autoria de Anderson de Carvalho Soares.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Reflexos - 5


O PS abriu uma nova frente de batalha, como se já não bastassem as que existem.
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Ao anunciar que na próxima legislatura vai propor a legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, o PS colocou-se em rota de colisão com a Igreja Católica, com todas as Igrejas.
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Esqueceram-se, porventura, que a Igreja só trata bem os homossexuais que entram para o Seminário.
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A foto de hoje é da autoria de Tiago Oliveira Peixoto Braga.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Uma Grande Incógnita

O projecto da Telecinco foi apresentado já lá vão 15 dias. Neste espaço de tempo, surgiram publicamente algumas reacções, mas quase todas de gente anónima. Em privado, acredito que muitos figurões da nossa praça mediática fizeram chegar mensagens de apoio e felicitações aos mentores do projecto. Porventura, poucos acreditarão que a Telecinco consiga vencer a Zon, mas à cautela lá vão dando palmadinhas nas costas ao homem…
Uma das primeiras iniciativas da Telecinco foi a abertura do seu sítio electrónico e de um blog, onde se coleccionam textos publicados nos vários órgãos de comunicação social sobre a candidatura da Telecinco à concessão do 5ºcanal de televisão generalista e as reacções que esse atrevimento suscitou. No blog, abriu-se um espaço de discussão pública sobre o mesmo tema e já lá foram colocados alguns textos interessantes como, por exemplo, as dificuldades no acesso à profissão, a precariedade no trabalho, o excesso de telenovelas nas grelhas de programas das televisões generalistas, a necessidade de se mudar o ambiente jornalístico em Portugal, etc. A maioria dos temas suscitou reacções e comentários dos visitantes do sítio e do blog e é interessante assistir a este fórum. Mas não há contributos de gente conhecida, daquelas caras que costumam aparecer nas revistas ou nas colunas de opinião dos jornais, exceptuando o escritor Francisco José Viegas que, no seu blog, já disse o que pensava sobre isto.
Folheio diariamente os jornais e não vejo uma única opinião publicada sobre esta questão da concessão do novo canal de televisão. Não há, de facto, uma discussão sobre o assunto, o que me leva a pensar que a guerra se trava muito mais nos bastidores da política do que na praça pública. Mais convicto disto fico quando o patrão da Impresa faz saber que prefere que o novo canal seja concessionado à Zon e não à Telecinco, logo depois do presidente da Omnicom Media Portugal ter vindo dizer que uma eventual vitória da Telecinco no concurso iria provocar uma espécie de tsunami no sector. Não há pressão mais descarada que esta.
Quem vai escolher entre os dois candidatos é a ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, organismo estatal que tutela o sector. Nos próximos dias, segundo o regulamento do concurso público, saberemos se os dois projectos são definitivamente aceites a concurso e, lá para Abril, a ERC terá de divulgar o nome do projecto vencedor. Os critérios de escolha são bastante técnicos e pouco subjectivos. Se o que está estipulado legalmente for cumprido, como deveria ser sempre, é certo que o projecto Telecinco sairá vencedor. Mas sabemos bem que este é o projecto mais detestado pelas outras empresas do sector. Já se viu que SIC, TVI e mesmo a RTP gostarão pouco de ter um concorrente empenhado a disputar-lhes quota de mercado publicitário. Sabemos bem como os grupos de pressão operam verdadeiros milagres e, só por isso, o resultado deste concurso público ainda é uma grande incógnita.

Reflexos - 4

Quando a crise estalou, os capitalistas correram de mão estendida para os governos, dizendo que se o Estado não resolver a crise vamos todos para o fundo. Claro que os capitalistas estavam, de facto, pouco preocupados com os problemas reais da população. O que eles querem mesmo é garantir a sobrevivência da sua própria "espécie", a perpetuação do poder do capital sobre todos os outros. Os Estados lá estão a injectar dinheiro no sistema financeiro internacional, garantindo a sobrevivência dos bancos, ao que nos dizem, essenciais para que tudo continue como dantes. A questão é saber se queremos mesmo que tudo continue na mesma... Cá para mim, que pouco ou nada entendo de finança, só tenho a certeza de uma coisa: a solução para a crise económica está na criação de empregos. Dar trabalho às pessoas, sem precariedade. Porque a principal mais-valia social é a dignidade.
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A foto de hoje é de Lúcio Letra e intitula-se "Dizer Não".

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Reflexos - 3

Na saga cinematográfica, o leão Alex, a zebra Melman, a girafa, o hipopótomo e os outros bichos resolveram mudar de vida e empreender uma viagem, para a qual não estavam autorizados. Lutam contra muitas adversidades, contra a polícia, o exército e até contra os bombeiros.
Na vida real, os tipos lá em Madagáscar também não têm uma vida fácil.

Fotografia intitulada "Madagáscar" e assinada por Nuno Lobito.

Sem novidade


A revista Meios&Publicidade tem um painel de 70 e tal personalidades a que pomposamente dá o nome de Conselho dos Notáveis. Esse painel serve para fornecer amostras de opinião sobre assuntos relacionados com os media. Vale o que vale, claro está. Mas não deixa de ser interessante observar a opinião do painel. Chamado a pronunciar-se sobre a concessão do 5ºcanal de televisão, o Conselho dos Notáveis pronunciou-se do seguinte modo. 42 % dizem que o projecto da Zon é o que está em melhor posição para ganhar o concurso para o quinto canal de televisão em sinal aberto. Apenas 8% apostam na Telecinco, enquanto 50% dos membros preferem não responder ou não têm opinião sobre o assunto.

O resultado não surpreende, mas gostava de conhecer os fundamentos desta votação.
A maioria dos membros deste conselho são notáveis desconhecidos do público, mas deixo-vos aqui alguns nomes mais populares: Ricardo Costa, Pedro Rolo Duarte, Miguel Coutinho, Martim Avillez de Figueiredo, Horácio Piriquito, Sérgio Figueiredo, Pedro Norton, Paulo Fidalgo, Paulo Fernandes, Mário Bettencourt Resendes, Gonçalo Reis, Nuno Santos, Paes do Amaral, Luís Mergulhão, José Fragoso, Magalhães Crespo, Pedro Norton, Mafalda Mendes de Almeida.

domingo, fevereiro 08, 2009

A Arte do Nim


Azeredo Lopes, quando se referia à liberdade de imprensa: ...E acho que, independentemente de exageros que há sempre em questões fundas, societais, políticas e económicas, tenho podido verificar que temos uma imprensa que é diversificada, plural, polémica.
Pergunta: Vivemos em democracia plena nesse campo?
Azeredo Lopes: O conceito de democracia plena é um ideal e eu como jurista há muito que aprendi que não há nada de pleno. Há uma prossecução contínua e um aperfeiçoamento contínuo. Não acredito sequer naquela lei que considera que há um caminho inelutável para melhor, há avanços e recuos.


Extracto da entrevista concedida pelo Presidente da ERC, publicada hoje no DN.

Reflexos - 2


Reflexos é um espaço dedicado a fotografias, aos seus autores (mesmo das fotos que chegam sem assinatura) e aos momentos perpetuados ou invocados por essas imagens. Fotografias que eu gostaria de ter feito.
A de hoje lembra-nos a última visita de Bush ao Iraque e a coragem do jornalista Muntazer al-Zaidi que lhe arremesou os sapatos dizendo que era "um beijo de despedida, cão!"

Eis o monumento, em bronze, ao sapato de Muntazer al-Zaidi, em Bagdad.

sábado, fevereiro 07, 2009

Emoções e Fantasias




  • O Procurador Geral da República diz que desafiou o SIS a descobrir a origem das fugas de informação no caso Freeport.


  • Os magistrados do Ministério Público ficaram muito preocupados… o corporativismo no seu melhor.


  • O SIS diz que não está a investigar nenhum magistrado.


  • Os partidos da oposição não comentam o caso, mas esfregam as mãos de contentes porque julgam que o tempo corre a seu favor e Sócrates não conseguirá vencer as próximas eleições.


  • As sondagens publicadas este fim-de-semana dizem que o Primeiro-Ministro resiste ao desgaste deste triste caso e que a popularidade de Manuela Ferreira Leite continua abaixo da linha de água.


  • As notícias são falsas e fantasiosas...

Reflexos - 1

Índio brasileiro olha para o futuro.



sexta-feira, fevereiro 06, 2009

British Jobs for British Workers




Ah é? Puto, podes ir. O Real Madrid espera por ti. Sem estrangeiros, o futebol inglês vai dar sono.

Barbaridades


Mutilação Genital Feminina foi o tema da dissertação da minha licenciatura em Relações Internacionais. Há coisas que não se podem aceitar, mesmo sabendo que são costumes antigos, tradições ancestrais. A estupidez não se pode perpetuar à conta disso. A tradição tem de deixar de ser…
Hoje é Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Portugal é considerado pela OMS como país de risco quanto à prática da mutilação, principalmente entre as comunidades islamizadas aqui radicadas, como é o caso, por exemplo, dos provenientes da Guiné-Bissau onde algumas etnias continuam a realizar esse ritual sinistro.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eles estão cheios de medo


Mergulhão, comerciante de publicidade, chamou jornalistas para lhes entregar um recado encomendado: o 5ºcanal é perigoso, muito mais perigoso se se tratar de um canal competitivo que vá disputar audiências com os outros já instalados no mercado.
Mergulhão defende um canal que finja competir, um canal de televisão que não interfira com os demais, tal qual queriam os poderes instalados. Até aqui, nada a opor, cada qual defende aquilo em que acredita. Mas, nesta defesa, Mergulhão cavalga a mentira e ultrapassa os limites do bom senso. Diz ele que o surgimento de mais um canal de televisão pode “ter um efeito perverso para o pluralismo”, alegando que uma maior repartição do bolo publicitário vai diminuir os orçamentos dos canais de televisão e, assim, afectar a o pluralismo da programação… Ah! Pois… então o melhor seria acabar com todos os canais de televisão e ficarmos só com um… que pudesse comer sozinho o bolo todo e, com a dinheirama, produzir excelentes e plurais programas de televisão. Se for um canal privado, melhor… pensará Mergulhão.
Portanto, em jeito de conclusão, e citando Francisco José Viegas, “o projecto da Telecinco é contra a liberdade de expressão. O projecto da Zon não é. Há coisas que se entendem logo.”

Na Cama Com...

O Correio da Manhã anuncia hoje que “o novo canal de notícias da TVI, TVI 24, que arranca no próximo dia 26 na TV Cabo, terá um programa semelhante ao famoso ‘Manhattan Connection’, que se popularizou nos anos 90 na grelha da brasileira GNT.
Francisco José Viegas, escritor e colunista, de 46 anos, João Pereira Coutinho, de 33 anos, professor universitário e colunista, e Fernanda Câncio, 44, jornalista e namorada do primeiro-ministro José Sócrates, já foram contactados pela TVI para conduzirem este formato semanal.”
O que me irrita, neste texto, é apresentarem a Fernanda Câncio como “jornalista e namorada”, sendo que ficamos com a impressão de que o facto dela se deitar com o Primeiro-Ministro é a sua real mais-valia para a TVI, pelo menos no entender do escriba do Correio da Manhã.
Com quem dormirão Francisco José Viegas e João Pereira Coutinho?

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Violência de hoje e de ontem (nas escolas)

Tinha ideia que, perante a Lei, os pais respondiam pelos filhos menores. Isto é, quando a criancinha parte uma jarra, os paizinhos têm de a pagar. Ou não? Se calhar não, porque se fosse realmente assim, as malfeitorias das criancinhas já não ficariam impunes...

Ao contrário do que tenho ouvido por aí, as agressões a professores não são um fenómeno recente. Quando eu era jovem inconsciente, também se agrediam professores. Em 1975, o Liceu Pedro Nunes era um campo de batalha. Defrontavam-se ali as várias juventudes partidárias e as várias classes sociais. Claro que a balbúrdia afectava tudo e todos e o comportamento geral deixava muito a desejar. A autoridade dos professores foi varrida pelos ventos da Liberdade e nem a polícia tinha mão naquilo. Aliás, naquele tempo, a polícia vivia encurralada nas esquadras, com medo até de sair à rua.
Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Funerais gratuitos


Parece que a crise chegou até aos jornais gratuitos e alguns deles vão fechar ou já fecharam mesmo. É o caso do “Sexta” (coisa que eu nunca li), folha-de-couve feita a meias pelo “Público” e “A Bola”… e que, segundo ouvi dizer, era distribuída à porta dos supermercados e bombas de gasolina. Outro gratuito que desaparece das ruas é o “Meia Hora”, do grupo Cofina (proprietária do “Correio da Manhã”).
Digamos que estes e todos os outros gratuitos nem deviam ter chegado a existir. Para além de darem trabalho a pouquíssimas pessoas, aquilo não é jornalismo. Os gratuitos foram inventados para impingir publicidade, nada mais. Ajudaram a criar a falsa ideia de que um jornal podia ser feito por meia dúzia de pessoas e com único recurso ao serviço das agências noticiosas. Jornalismo não é corta-e-cola nem imitação de notícias com seis linhas.

domingo, fevereiro 01, 2009

Os lobbys e a Crise


Há uns dias, um conhecido e influente patrão dos media, pediu ao Governo para apoiar as empresas que invistam em publicidade. Na opinião deste senhor, seria um meio de dinamizar a economia, já que a publicidade leva as pessoas a consumir… mas explicando melhor o seu raciocínio, disse que “o incremento que se fizer na publicidade tem repercussão indirecta na comunicação social séria, que está em crise, mas prefere morrer de pé, a vender a alma ao diabo”.
Portanto, isto só vale se os tais investidores em publicidade mandarem publicar os seus anúncios nos órgãos sérios, seja lá o que for que isto queira dizer… A questão é deveras intrigante, até porque teríamos de definir bem esse conceito de “órgãos sérios”, mas adiante…
Pois, eu acho que o Governo só devia apoiar as empresas que optassem por não despedir pessoal, apesar da crise. Empresas que decidissem inovar, continuar a arriscar e a investir, como modo de ultrapassar a crise. Porque assim, o Governo acaba por pagar duas vezes… paga uma vez, quando apoia financeiramente, e paga a segunda quando os despedidos dessas empresas que apoiou chegam em massa aos centros de emprego para se inscreverem no subsídiozinho…

sábado, janeiro 31, 2009

Já há culpados, no caso Freeport


Não sei se há alguma “campanha negra” contra o primeiro-ministro, mas sei que já houve. Quem se lembra das insinuações que surgiram na imprensa em 2004 e durante a campanha eleitoral de 2005, sobre a orientação sexual de Sócrates? Eu lembro-me… e lembro-me de ouvir piadas brejeiras de mau gosto de Santana Lopes sobre o assunto… ele que é o protótipo do macho ibérico. Foi um caso raro de infracção à hipócrita solidariedade institucional que, normalmente, os políticos têm uns pelos outros.
Mas, neste caso do licenciamento do Freeport, julgo que há questões que têm de ser bem explicadas. Se já foram, repitam a explicação, agora que estamos todos com atenção. É que também acho estranho que aquela obra tenha sido aprovada tão em cima da data das eleições e, aparentemente, com tanta pressa.
Digo isto, mas não tenho convicções sobre a culpabilidade de Sócrates. Já o mesmo não acontece em relação a outros intervenientes deste processo. Neste caso, há corruptores confessos, os promotores e administradores do Freeport… e há abusadores confessos do bom nome de outrem, como é o caso do primo do actual primeiro-ministro. A esses, se a justiça portuguesa vale de alguma coisa, já ninguém lhes deve tirar uma condenação judicial.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

5º canal - IV

No sítio do projecto Telecinco pode-se ler que “o 5º Canal irá marcar o início de uma nova aventura tecnológica e ocupará o último espaço disponível no espectro radio-eléctrico. O projecto da TELECINCO constitui a derradeira oportunidade para o país dispor de uma televisão de qualidade”.
Por ser verdade e porque estamos perante um tremendo desafio e uma luta desigual, convido-vos não só a visitar o sítio mas, também, a deixar uma mensagem de apoio, a lançar um tema para discussão pública, a participar.

"Inspectora" Fletcher


Acabei por não perceber porque estão a demorar tanto as investigações do caso Freeport. Ao fim de 4 anos, nem suspeitos há… mas ninguém impede as fugas de informação, as violações do segredo de justiça, a propositada degradação da imagem de alguém que pode estar inocente. Até já dou de barato os custos políticos de mais esta trapalhada judicial, mas o que está a acontecer não devia ser possível. A inoperância dos investigadores judiciais e policiais é inaceitável, tanto mais que se torna recorrente…

Lembremo-nos do caso Maddie, que depois de tantas perícias científicas, tanto CSI, depois de constituírem como arguidos os pais da criança desaparecida, os investigadores acabaram por enfiar o rabinho entre as pernas e colocar o dossier na prateleira à espera de melhor prova…
Reparem bem no que está a acontecer com o caso Casa Pia… ao fim de 5 anos de julgamento, a única condenação que se prepara é a do infeliz Bibi… os outros já encomendaram garrafas de champagne e preparam as acções que vão mover contra o Estado para exigirem chorudas indemnizações por perdas e danos irreparáveis, como já fez o deputado Paulo Pedroso.
E a triste figura que o sistema judicial fez no caso Apito Dourado, com as cenas televisionadas da detenção de Pinto da Costa para, no fim, arquivarem o processo…
São “barracas” a mais, dona Cândida.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

O Cara de Pau


Dias Loureiro diz que "caso sentisse o menor incómodo por parte do Presidente da República", ou se "sentisse ter feito alguma coisa que colocasse em causa o seu papel", se demitiria do Conselho de Estado. Duas frases que, na prática, se opõem. É óbvio que o Presidente da República só pode estar incomodado por tudo o que se passa à volta de um dos seus compagnons de route, mas é óbvio também que Dias Loureiro acha que não é nada com ele. Até dá vontade de rir. O homem está a fazer tudo para ver se se aguenta à tona e cara de pau não lhe falta.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Cão não come melão


Nunca fui muito amigo de pão com marmelada
Do que me lembro é do sabor fresco e sumarento do melão de casca de carvalho, em dias quentes de liberdade absoluta.
De manhã cedo, apanhava um melão na dispensa, punha um canivete no bolso, enfiava o melão numa sacola a tiracolo, chamava o cão e partia para o monte. Íamos à caça de “fracas”, umas galinhas do mato de Angola que vieram dar aos eucaliptais e pinhais de Caneças e Montemor.
Eram horas de grande excitação, principalmente para o cão. Mas aquilo não passava de uma brincadeira, embora um pouco cruel para as galinhas. Depois de farejadas, o cão não as largava… os voos de 20 ou 30 metros de puro desespero não eram suficientes para o cão as perder de vista… aquilo durava até as bichas perderem algumas penas cinzentas e serem abocanhadas. Era então que as galinhas deixavam de se debater e o cão perdia o interesse por elas. Partia logo à procura de outra que ainda mexesse.
A meio do dia, esventrava o melão e refastelava-me sentado à sombra numa pedra, num tronco. O cão só comia quando voltávamos a casa.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Sem mediação é mais simpático


Os discursos, algumas entrevistas, declarações,
os sound-bytes do Presidente da República
podem ser vistos, agora, na Net... http://videos.sapo.pt/OyU2B8vCEuP4s861v6MK.
Iniciativas muito aplaudidas pelo povo,
encantado com as modernices do Presidente.
Longe vão os tempos em que Cavaco Silva declarava não ter tempo (pachorra?) para ler jornais...
Agora já se pode ver na pantanha,
admirar as fotos do seu dia-a-dia http://flickr.com/photos/presidencia,
sem ter de se preocupar com critérios jornalísticos.

Dúvidas freeportianas


Porque será que um decreto governamental assinado a 3 dias da realização de eleições (e que tantas dúvidas levanta agora) foi, semanas mais tarde, calmamente ratificado pelo Presidente da República? A ratificação presidencial não é um mero acto formal. Pelo menos, não devia ser.

Não há mulheres feias, há é homens que bebem pouco


Nos idos de 80, no "Ainda a Noite é Uma Criança",
um bar ali na Praça das Flôres, em São Bento,
havia uma cliente assídua que dava pelo nome de "Bo Derek".
Era bastante baixa, gorducha,
tinha buço e um hálito a cerveja que metia dó...
E, ainda assim, a rapariga não se queixava de falta de homem, dizem...

sábado, janeiro 24, 2009

5ºcanal - III

A surpresa provocada pelo surgimento de um projecto concorrente ao da ZON para a concessão do 5ºcanal de televisão foi mencionada por vários jornais.
A coisa passou-se mais ou menos assim: por volta das 15 e picos, os promotores da iniciativa acompanhados por uma excelente advogada em matéria de concursos públicos, deslocaram-se à ERC para a entrega da candidatura… a essa hora, a comitiva da ZON também já estava a caminho, mas ainda não tinha chegado. Na ERC, os diligentes funcionários não pareceram acreditar no que estava a acontecer. Terão julgado que se tratava de uma “ratoeira” para os apanhados do CQC? Solicitaram logo ali a exibição da caução de 250 mil € exigida por lei. Mas o documento estava dentro de um dos muitos envelopes lacrados e a advogada teve de dizer ao funcionário que se quisesse ver a caução teria de abrir por sua conta e risco o envelope… o que é contra as regras do concurso. Os envelopes, todos os envelopes, só poderiam ser abertos no dia seguinte, às 10 da manhã. Lá tiveram de se conformar… Mas a guerra ainda só agora começou. E de uma coisa podemos todos ter a certeza. Este era um concurso feito para atribuir o canal à ZON… seria uma espécie de pró-forma, um mero ritual, uma encenação sem complicações… a candidatura da Telecinco estragou-lhes a festa.
Curiosamente, minutos depois deste happening, a ZON foi informada do que se estava a passar e até quem eram os promotores da coisa. Informação que só pode ter saído de dentro da própria ERC, acredito. Alguém que tinha o contacto telefónico do porta-voz da ZON… que se apressou a telefonar a um dos autores do projecto, talvez para confirmar que não estava a ser gozado…
De uma maneira ou de outra, estava mesmo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

5ºcanal - II


Ontem, tudo parecia perdido. Hoje, há uma nova esperança.
Digam lá se não é uma boa notícia!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

5ºcanal

Amanhã se verá se teremos um 5ºcanal a sério, capaz de perturbar o situacionismo vigente, ou se o novo canal de televisão vai ser uma coisa inócua, incapaz de abanar consciências e de formar opinião.
Aquilo que hoje se leu nos jornais é um desastre quase absoluto. Depois de terem ousado convidar o proscrito Emídio Rangel para a realização de um projecto capaz de vencer o concurso aberto pelo governo, parece que a ZON se arrependeu de tanto atrevimento. Pela voz do porta-voz, o ex-jornalista da SIC Paulo Camacho, a ZON desistiu do projecto de Rangel e poderá avançar com um modelo alternativo cozinhado pela prata da casa onde, acredito, o próprio Camacho deve ter tido grande influência…
E de que modelo se trata? Citando o Diário de Notícias, será uma televisão que não irá “correr atrás de audiências e com custos controlados, mas obedecendo ao caderno de encargos estipulado pelo governo. Um canal com a maior parte dos serviços e conteúdos contratados em outsourcing, logo incapaz de concorrer com os canais em sinal aberto SIC, TVI e RTP” – fim de citação.
Dito assim, até parece bonitinho… mas, na verdade, é uma coisa estranhíssima. Para que quer a ZON um canal “incapaz”? Quem acredita numa tv privada que não corre atrás das audiências? Será que os accionistas da ZON deram em beneméritos do serviço público, assim de repente? Como será possível que prefiram deitar fora 25 milhões de euros (o custo referido nos jornais do tal canal alternativo), em vez de investirem 50 ou 60 milhões num projecto ganhador?
Na verdade, não consigo entender. Mas, provavelmente, a culpa é dos jornais que não souberam explicar bem os meandros do negócio… é que o tal projecto alternativo magicado pelos quadros da ZON não me parece ter sustentabilidade económica. Limita-se a gastar relativamente pouco dinheiro (25 milhões… para distribuir pelos outsourcings mais amiguinhos) … e embora não conheça o projecto elaborado pelo Emídio Rangel, tenho a certeza de que a sustentabilidade do canal foi uma das suas principais preocupações.
Se o 5ºcanal não se revelar um verdadeiro concorrente dos canais já instalados, o Dr.Balsemão e o señor Polanco ficarão muito agradecidos. O que é um descanso em relação ao futuro de alguns dos quadros da ZON.

terça-feira, janeiro 20, 2009

American Dream


A marcha iniciada em 1964 por Martin Luther King, só agora terminou, com a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais norte-americanas. Mas, este facto notável, não deve ser encarado como a vitória de um negro sobre os brancos. Primeiro, porque Obama foi eleito por uma maioria de eleitores brancos. Segundo, porque o novo presidente dos Estados Unidos é tão negro como branco e é até estúpido reduzir Obama a uma única esfera étnica. Terceiro, porque o que é bonito é pensar que o que esta eleição traz de novo é, precisamente, o abandono do preconceito racial.
Pessoalmente, alegra-me o facto do novo presidente dos Estados Unidos da América ser um tipo que se chama Barack Obama, mestiço de pai negro e mãe branca. Olho para os meus filhos e acredito que, para eles, se abriu uma nova janela de oportunidades.
Dito isto, acrescento apenas que Obama tem muito para provar, a partir de hoje, dia da tomada de posse. Como vai ele resolver a questão da retirada das tropas do Iraque? Como vai ele orientar as relações com a Rússia? Como vai ele influenciar a questão palestiniana? Como vai ele resolver o descalabro financeiro em que os EUA estão metidos? Como vai ele fechar a prisão de Guantanamo? Cá estaremos para ver do que será capaz, embora não devamos esperar milagres. Não é por Obama ter sido eleito que muda o regime político dos Estados Unidos.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Controlinvest: um tiro no porta-aviões

Lisboa, Portugal 15/01/2009 12:03 (LUSA) Temas: Media, empresas, Trabalho, Emprego, Crises



Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A administração da Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores em diferentes áreas do grupo, de acordo com um comunicado interno a que a Lusa teve hoje acesso.
Segundo disse à Lusa fonte da empresa, cerca de metade dos dispensados são jornalistas, sendo que os títulos mais afectados serão os dois maiores jornais do grupo, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias.



O síndroma da crise ou a incapacidade de inovar, de inventar, de revolucionar. Vão sempre pelo caminho mais fácil, o corte de cabeças. O pior é que sem cabeças também não há matéria cinzenta...
Outra coisa que nunca me deixa de espantar, é o facto destas crises raramente serem notícia nos órgãos de comunicação social onde se desenrolam. Ainda hoje comprei o DN e não vi lá nada sobre isto...

quarta-feira, janeiro 14, 2009

"Pensem duas vezes antes de casar com muçulmanos. É arranjar um monte de sarilhos!"

Palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa...
Dito assim, fora de qualquer contexto, até parece uma frase xenófoba mas, na verdade, trata-se de um dado factual.
São muitas as histórias de mulheres que perdem todos os seus direitos de cidadania, pelo simples facto de terem casado com homens muçulmanos. O problema não se põe, enquanto a família reside na Europa, mas passa a existir quando o homem regressa às origens e leva a mulher europeia com ele… A viver sob um qualquer regime islâmico, ela fica igual às outras mulheres. Ou seja, perde direitos patrimoniais, perde direitos de poder paternal, pode até perder (consoante o país onde vive) os simples direitos a sair de casa sozinha, de conduzir automóvel, de vestir a seu belo prazer, de ir ao cinema ou de se sentar numa esplanada a beber um chá.

domingo, janeiro 11, 2009

Políticamente muito incorrecto



Quem conhece o Mário Crespo não estranha o efeito daquilo que ele escreve ou diz… o homem escreve com martelo pneumático e fala sem medo (uma raridade…). Quem anda atento ao que se lê nos jornais, também já há-de ter reparado no mesmo que o Mário reparou e que, segundo o Diário de Notícias, motivou uma reacção estranha por parte dos serviços da presidência da república…
Abreviando, para quem não leu o DN de ontem, o Mário Crespo terá dito que “a Presidência recorria a um método "algo preocupante": o uso de fontes anónimas para passar informações falsas para a imprensa (comentário feito a propósito de uma manchete recente do semanário Sol).”
Ora, sentindo-se ofendida, a Presidência da República fez queixa, apresentou o seu protesto, o que é legítimo e normal. Enviou as suas queixas para a direcção de informação da SIC, mas não se deixou ficar por aqui… enviou também a queixinha ao dono do canal…
Ao Diário de Notícias, Mário Crespo disse que estranhava que a Presidência “tenha mandado para o Dr. Balsemão. Não sei o que Nunes Liberato (chefe da Casa Civil do Presidente) pretende com isso. Este é um assunto editorial e não administrativo. Que mande, como mandou, à direcção de informação acho normal. Ao Dr. Balsemão já não acho. E estranho que não me tenha mandado o comunicado a mim."
E eu estranho que não o tenha feito junto da ERC, o organismo do estado que tem a incumbência de zelar pelo cumprimento da Lei no que diz respeito à Comunicação Social.
A única coisa que eu não estranho, volto a dizer, é aquilo que o Mário referiu… ainda aqui há tempos (em 13 de Abril de 2007), escrevi neste blog o seguinte: “Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço. No passado dia 6, o Diário de Notícias, entre outros jornais, publicava a notícia (sustentada por uma fonte da presidência) de que o Presidente da República, preocupado com as consequências da polémica em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro, tinha reunido “discretamente com os seus colaboradores mais próximos para preparar eventuais ondas de choque do caso Universidade Independente”. Leiam aqui.
Horas depois, vários órgãos de comunicação social citavam uma notícia da Lusa, onde se negava que tal reunião se tivesse realizado, segundo “fonte da Presidência da República”, que desmentiu «categoricamente o teor da notícia de hoje publicada pelo Diário de Noticias». Leiam aqui.
Ou seja, duas fontes do mesmo fontanário deram informações díspares. Isto é, a mensagem de Cavaco passou, sem que ele tivesse tido necessidade de abrir a boca. O destinatário recebeu e entendeu o alcance da coisa. E daí a entrevista do Primeiro-Ministro à RTP. Isto é política pura, meus amigos. E não vi nenhum jornalista a denunciar a “fonte” que os levou a fazer este papelão.”
Agora já vi. Boa, Mário, já não me sinto tão só. Espero é que o patrão se porte bem contigo…

sábado, janeiro 10, 2009

2009 em perspectiva nos Media - II parte




Antigo companheiro de trabalho enviou-me esta triste mensagem: três títulos do Grupo Impala vão encerrar... Não será por causa da crise, estou certo, mas o velho Jacques Rodrigues (apesar de ser muito rico) utiliza a conjuntura e aproveita para deitar "carga ao mar"... pouco lhe importando o que vai suceder na vida dos que ali trabalharam... Para já, apenas 39 despedidos, mas as "fontes seguras" falam em 200 até ao fim de 2009...

Paris - Lisboa, de mota

Cheguei hoje às 4 da tarde. Foi mais uma viagem de malucos... No primeiro dia, chuva a granel e frio q.b., mas parei às 17 em Bayonne, já perto de Espanha. Dormi num motel que há mesmo à beira da autoestrada, do lado direito. No dia seguinte, mais chuva mas menos frio. Aliás, ao fim do dia até estava quase bom, com 7 graus de temperatura ambiente. Fiquei em Tordesilhas, mais uma vez. Sou fã do Parador de lá e, nesta época do ano, arranjei um quartito por 70 €...
Esta manhã estavam 2 negativos às 9 horas... a mota toda coberta com uma película de gelo, parecia feita de vidro... esperei até às 10 e meia, antes de me por a andar. Estavam zero graus à porta do Parador, mas quando cheguei à autoestrada a temperatura voltou a ser negativa e não se via a mais de 50 metros de distância, por causa do nevoeiro. Fiz 250 quilómetros com temperaturas entre -1 e 3 graus, neve e gelo por todo o lado e um nevoeiro do cacete. Tive de parar para abastecer, estava ao pé de um letreiro que indicava uma estação de serviço a 100 metros de distância e não conseguia ver o edifício. Os pés pareciam de pau... nunca tive tanto frio na vida, mas só nos pés. Senão, não tinha aguentado. Só depois de ter entrado em Portugal, depois de passar a Guarda é que o nevoeiro levantou. A partir daí foi um passeio, com céu azul e a temperatura a chegar aos 11 graus.Moral da história: não acredites em previsões meteorológicas a 3 dias. E, mesmo no próprio dia, espreita pela janela antes de saires à rua.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Paris - Lisboa, de camião


Partimos por volta das 17, chovia a potes, choveu a potes o tempo todo, esteve um temporal desatado o caminho todo, até mesmo aqui à porta em Odivelas. Fizemos a viagem directa, só com paragens para beber café e mijar. Foram 23 horas, contando com duas que estivemos parados na autoestrada no País Basco, sem gasóleo... a carripana tinha o manómetro avariado e o tipo fez mal as contas e deixou o depósito secar... À conta disso, fiz 4 quilómetros à pata para ir buscar socorro... debaixo de chuva. Eram 3 da manhã. Foi lindo. Revezámo-nos na condução... por mais de uma vez cheguei a fechar os olhos quando ia ao volante... mas nunca consegui dormir quando ia sentado no pendura...Acabou por correr tudo bem, mas agora tenho a casa feita em armazém... nem sei como arrumar tanta tralha...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Luso Jornal



O Luso Jornal não é daquelas "folhas de couve" que só existem para vender publicidade barata. Ao contrário da maioria das publicações existentes nas várias comunidades de portugueses radicados no estrangeiro, o Luso Jornal é um órgão de comunicação social, onde se faz algum jornalismo, nem sempre bom, mas sempre bem intencionado.
O jornal tem edições separadas em França e na Bélgica, distribuição gratuita e acesso livre na net.
Carlos Pereira, o director, faz-me o favor de publicar umas cronicazecas que lhe envio volta e meia (para não perder a prática...).
Enfim, digo-vos isto tudo apenas para vos propôr uma leitura rápida, na página 2 do número desta semana...
Façam o favor de clicar aqui.

Recessão


O primeiro-ministro admitiu que vamos entrar em recessão. Porventura, já entrámos… Mas não vejo onde está a admiração. Se estar em recessão significa produzir menos riqueza do que aquela que precisaríamos para viver melhor, então… Portugal está em recessão há uns 500 anos… Sempre vivemos acima das nossas possibilidades, isso vem em todos os livros de História. Fomos subsidiados pela Liga Hansiática que patrocinou as naus e caravelas que lançamos ao mar, vivemos do ouro surripiado ao Brasil e do infame comércio de escravos, sustentámo-nos com as potencialidades de Angola e Moçambique, delapidámos os fundos do FSE… De modo que, agora, não entendo este frenesim à volta da recessão. Pobre não teme recessões nem se suicida por causa disso. Já os alemães não podem dizer o mesmo…

terça-feira, janeiro 06, 2009

Matar

Na Palestina, em Gaza, morreram dezenas de pessoas que se encontravam abrigadas numa escola que o exército israelita atacou. Os soldados israelitas dizem que responderam a disparos vindos da escola…
Em Lisboa, um polícia da PSP matou com um tiro na cabeça um adolescente de 14 anos. O agente em questão diz que disparou depois de ter sido ameaçado pelo rapaz que empunhava uma pistola.
Do lado das vítimas, em Gaza e em Lisboa, acusa-se a outra parte de violência desmedida, desproporcionalidade de meios, abuso, atentado contra os direitos humanos.




No que diz respeito ao sucedido em Gaza, a versão israelita é plausível. Conheço muitos estratagemas utilizados por soldados em conflito e vivi situações parecidas… também em Bissau, durante a guerra civil de 98/99, por exemplo, os soldados de Nino utilizavam artilharia móvel que colocavam junto a habitações na hora de disparar e que, logo a seguir, retiravam. Quando a resposta vinha, os soldados já lá não estavam, apenas os civis… que eram os que levavam com os obuses em cima.
Quanto ao que se passou em Lisboa, sabemos que o rapaz estava num veículo roubado, com outros quatro comparsas, que não obedeceram à ordem de parar da polícia, fugiram e, depois de apanhados, resistiram à prisão. Foi nessa luta que o polícia disparou…
Lamento as mortes mas não consigo condenar os matadores. Acredito que tanto uns como outros sejam vítimas das circunstâncias... embora seja sempre difícil saber quem está a mentir.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Arafat, a oportunidade perdida



Estive em Gaza, em circunstâncias que já relatei aqui… Vinte anos depois, embora nunca mais lá tenha voltado, julgo que pouco ou nada mudou, pelo menos para melhor.
Já naquela altura não se conseguia vislumbrar uma solução para resolver o conflito israelo-palestiniano… Acredito até que, hoje, o conflito está mais longe de uma solução negociada do que estava há 20 anos. Na altura, existia Yasser Arafat, um dirigente palestiniano que estava disposto a negociar uma solução com Israel. Arafat tinha uma missão na vida, que era a de criar o estado palestiniano independente e era, portanto, um homem disposto a negociar, ao mesmo tempo que lutava, e os dirigentes israelitas deveriam ter percebido isso. Mas Arafat nunca quis uma paz sem condições e os israelitas nunca estiveram dispostos a fazer reais concessões políticas… perderam-se anos a negociar as fronteiras irreais de um futuro estado palestiniano, que acabou dividido e sem continuidade territorial entre Gaza e a Cisjordânia… Israel preferiu isolar Arafat e deixá-lo morrer e, agora, não tem um verdadeiro interlocutor para negociar… o Hamas responde, primeiro, aos interesses hegemónicos de potências regionais como o Irão e a Síria, que utilizam a causa palestiniana como arma de arremesso para ferir Israel… e ao Hamas pouco interessa o bem estar da população palestiniana…
De modo que percebo, agora, a opção militarista assumida por Israel. Não conseguindo negociar com quem não pode ter boa-fé, resta o confronto aberto e a possibilidade de uma vitória militar. O problema é que este conflito pode não ser controlável, dirigentes árabes e islâmicos mais extremistas podem sentir-se compelidos a agir… e tudo isto pode descambar perigosamente…
Por outro lado, a actual invasão de Gaza pode resultar num fiasco para os estrategas israelitas. Gaza é um imenso aglomerado urbano, com milhares de ruelas e túneis, uma anarquia urbanística super-populada, um sítio ideal para emboscar as patrulhas israelitas. Já era assim há 20 anos, quando por lá andei e hoje não será muito diferente, volto a dizer.

domingo, dezembro 28, 2008

2009 em perspectiva nos Media



Disseram-me há dias que a Controlinvest vai iniciar em Janeiro o processo de despedimento de 150 pessoas. Portanto, a ser assim, algumas dezenas de jornalistas do DN, JN, 24 Horas, TSF, etc., vão entrar para o mercado de desemprego. A SIC, como se sabe, tem já em fase adiantada um processo semelhante de rescições mais ou menos amigáveis... Se juntarmos mais umas dezenas que vão saindo de outras empresas é óbvio que a oferta (independentemente da qualidade) é cada vez maior e atingirá lá para o Verão números deprimentes. Digo deprimentes porque isso implica uma forte depressão salarial. A situação é idêntica a nível de produtoras e é possível que a RTP tente também alijar pessoal a curto prazo, a não ser que o governo lhes dê instruções para ficarem quietos... mas uma administração inteligente aproveita sempre estas oportunidades para cortar despesas e, no caso dos jornalistas, até lhes pode dar a entender que nem tudo é mau porque levam umas indemnizações e podem ter oportunidades dado que vêm aí um novo diário e um canal de TV. Para quem arranca é, por seu turno, o ideal para contratar gente ao preço da chuva. O que acontece a seguir é merda pura, mas já nem interessa.

terça-feira, dezembro 23, 2008

(Des)Encontros

(no passado dia 16)
Fernando,
Por mais estranho que te pareça, acabei de te ver e ouvir na pantalha da RTP-I, dizendo como ninguém o "Adeus".
Contigo, meu irmão, as palavras nunca estão gastas.
Tenho uma espécie de nostalgia por uma coisa que nunca aconteceu... a nossa amizade.
Abraços.
Carlos







(ontem)
Carlos,
Por mais estranho que te pareça, os gajos que continuam a passar na pantalha isso que foi gravado há meia dúzia de Natais, ainda não me pagaram um tostão. E todos eles fazem grandes vidas, é Natal sempre que eles querem.
Mas para a fogueira que conta, são palavras como as tuas que aquecem o coração.
Partilho a mesma nostalgia, tão episódico foi o nosso encontro numa Redacção (e as Redacções sempre foram a nossa outra casa; agora que as Redacções se degradam aceleradamente, sentimos que vivemos uma parte essencial da nossa vida sob escombros).
Mas as Redacções dão muitas voltas, tal como a vida, e felizmente também não aconteceu, entre nós... a inimizade. Temos mais de meio caminho andado.
Que em 2009 possamos brindar a coisas boas.
Abraços.
Fernando

domingo, novembro 30, 2008

Juramento de Hipócrates



Mas a senhora não cumpre com o protocolo!, diz ela de modo alterado. Assim, não pode ser, acrescenta, e o timbre nervoso acentua-se quando refere que será necessário regressar ao centro de saúde da área de residência, marcar nova consulta com o médico de família para obter as credenciais para ir fazer as análises e, só depois, voltar ali ao hospital onde poderá ser vista por um médico especializado se, e só se, a triagem assim o indicar.
Meia-hora depois, na urgência do mesmo hospital, outro médico diagnosticava risco iminente de aborto mas, estranhamente, enviou a paciente para o centro de saúde e para o mesmo sacrossanto périplo estabelecido num qualquer protocolo que institui a primazia da consulta com o médico de família que, como sabemos, é um médico generalista e que pode não ser minimamente competente para questões especificas como, no caso, gravidez de risco…
O desfecho previsível desta caso que vos relato será uma interrupção involuntária de gravidez e eu só gostava de saber a quem devo bater… talvez aos médicos que se deixaram "protocolarizar" e não passam, hoje, de administrativos zelosos em saber se o doente que ali aparece reside de facto na área de atendimento do hospital ou se o centro de saúde cumpriu com todos os preceitos do protocolo estabelecido com o hospital… e deixam o acto médico para segundo plano.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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