Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quinta-feira, maio 07, 2009

no i


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Pergunta: quanto pagam?

Nada Simplex

Esta manhã, saí de casa para resolver dois assuntos. Tentar resolver…
Fui até à Direcção Geral do Ensino Superior, onde há quatro meses pedi um certificado de habilitações, porque a universidade onde estudei fechou por ordem do senhor ministro e ficou essa DGES de cumprir com as obrigações para com os antigos alunos da instituição em causa. Quatro meses e vários emails de protesto depois, lá fui preparado para uma peixeirada fosse com quem fosse. Cumpriu-se o vaticínio, logo que a senhora me disse que o meu requerimento “estava a ser analisado” saltou-me a tampa! Mas, é preciso dizê-lo… voltei de mãos a abanar. Continuo sem certificado de habilitações e sem saber quando o terei. A senhora apenas se comprometeu a dizer-me qualquer coisa durante a próxima semana. Razões para tamanha demora na prestação deste serviço: excesso de trabalho…
Montei na mota e fui até à Loja do Cidadão de Odivelas, para uma tarefa mais simples: obter um registo criminal. Hora e meia de espera e… a diligente funcionária não conseguiu imprimir o meu registo criminal. “Será que tem alguma coisa pendente?”, perguntou ela… “Basta uma multa, às vezes”, explicou perante a minha incredulidade.
Alternativas: esperar 12 dias pelo envio do documento pelo correio ou dirigir-me a uma das outras Lojas do Cidadão. Optei por ir e não esperar. Nas Laranjeiras, já não havia senhas de atendimento… e era meio-dia apenas. Meia-hora depois, o mesmo cenário nos Restauradores e o mesmo voltou a repetir-se na Expo. E é suposto que o registo criminal seja dado “na hora”, desde que o governo instaurou um modo simplex de fornecer serviços da responsabilidade do Estado.

quarta-feira, maio 06, 2009

Vichyssoise

O banqueiro sorvendo lentamente a sua vichyssoise: «Fomos inicialmente convidados a participar com garantia do Estado no Banco Privado mas não sabemos de mais nada. Além disso, não estamos interessados em participar em nada…» - palavras de Ricardo Espírito Santo Salgado, CEO do Banco Espírito Santo, comentando a provável falência do BPP, banco do qual Francisco Balsemão é o principal accionista.
Recordo que o BPP afirma precisar urgentemente de 300 milhões de euros para sobreviver, 150 dos quais foram pedidos ao Estado. O resto, teria de vir de outros bancos portugueses…
Mais uma colherada de sopa fria…
Há uns meses, foi público e notório o desentendimento entre os dois capitalistas, a propósito de umas notícias do Expresso que desagradaram ao CEO do BES. Na altura, Ricardo Salgado cortou toda a publicidade no grupo de média de Balsemão, bateu-lhe onde mais dói ao velho, que é no bolso das patacas. Depois, lá fizeram as pazes, mas a vichyssoise ficou guardada…
Continuando a desfiar a memória… a vichyssoise é uma receita de sopa francesa que Paulo Portas celebrizou quando, há uns anos atrás, resolveu contar na televisão uma história sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Disse Portas que Rebelo de Sousa o tinha enganado, ao descrever-lhe uma reunião partidária que nunca se tinha realizado, chegando mesmo ao pormenor de referir que os confrades tinham jantado uma vichyssoise…
Assim acabou a segunda AD, mesmo antes de ter começado. Agora que se volta a falar tanto em novo Bloco Central, vale a pena remexer a vichyssoise, mesmo azeda e bolorenta.

Férias grandes



A meio do zapping dei de caras com o meu amigo Frederico Duarte Carvalho, jornalista dos bons que, infelizmente, tem de trabalhar para um mau patrão. Participava ele num debate sobre as próximas eleições europeias, não como jornalista ou comentador, mas como candidato.
Sim, o Fred é o cabeça-de-lista do PPM ao Parlamento Europeu… não sei se tem alguma hipótese de ser eleito ou se ainda precisará também de comer muita farinha Maizena, mas imagino o prazer que isto lhe está a dar. Não só pela adrenalina própria da corrida eleitoral, mas pelo alivio de não ter de fazer diariamente a IC-19, pelo menos durante o período da campanha eleitoral. A Lei permite que os candidatos sejam dispensados do trabalho, sem perda de regalias ou qualquer penalização pecuniária. Para o Fred, são férias grandes! Para o Jacques Rodrigues, azia.

domingo, maio 03, 2009

Separados à nascença

Celebramos hoje o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Dançamos? Cantamos? Reflectimos? Choramos? Rimos? Lembramo-nos dos jornalistas assassinados para a profissão? Vamos fazer alguma coisa por eles, dar-lhes uma mão? Denunciamos a situação? Alguns até foram nossos amigos, camaradas de trabalho, parceiros em lutas, confidentes, cúmplices. Não. Apenas nos procuramos safar. Dos fracos não reza a história e de estórias está o inferno cheio. Temos de ser dos fortes. Temos de encontrar o nosso cantinho e rezar para não dar nas vistas, não vão eles lembrarem-se de mais uma lipoaspiração à redacção…
Hoje, alguns jornais da nossa praça falam de Liberdade. O Público debruça-se sobre tendências legislativas riscadas a lápis azul… o Diário de Notícias refere-se ao Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, a efeméride do dia. Entre os problemas da difusão da propaganda política (assunto sempre interessante, tanto mais em ano de eleições) e os atropelos à Liberdade de Imprensa cometidos um pouco por todo o Mundo, notei que o desemprego e a precariedade no trabalho quase não são referidos como pilares da actual repressão que se exerce sobre os jornalistas em Portugal.
Ainda assim, ficámos a saber que, segundo o relatório "Freedom of the Press 2009", divulgado esta semana, a Freedom House refere países como Israel e Itália que passaram da situação de imprensa "livre" para "parcialmente livre". No caso israelita trata-se de razões óbvias, no caso italiano a coisa pode espantar mais pessoas, mas as razões são igualmente óbvias: em Itália, tal qual em Portugal, existem muitos jornais, revistas, canais de rádio e tv, mas a concentração destes meios é enorme e, portanto, tudo pertence a meia dúzia de empresários ou grupos económicos e daí o epíteto de “parcialmente livre”... o que não deixa de ser um conceito absurdo. Em Itália, a situação chama mais a atenção pelo facto do Primeiro-Ministro Berlusconi ser o Balsemão lá do sítio... a única diferença está mesmo na diferente capacidade de realização política de Berlusconi e Balsemão, um foi capaz de ser eleito o outro não. Mas a ideologia é a mesma.

sexta-feira, maio 01, 2009

Olhar para Sul

Quando falamos de democracia, raramente pensamos em regimes implantados em África, mas as coisas estão a mudar, devagarinho… e convém ir olhando para lá e percebermos as mudanças.
Na semana passada houve eleições na República da África do Sul. É verdade que venceu o grupo político do costume, mas não da forma do costume, digamos assim.
Vejamos. Votaram 77% dos eleitores, uma percentagem que podemos considerar normal. Venceu o ANC, o que acontece desde que o apartheid foi desmantelado, com um resultado de 65,9%, uma maioria absoluta, mas longe da maioria qualificada que lhe permitiria alterar a constituição do país sem passar cartão às outras formações políticas, como dizem que seria a vontade de uma parte dos grupos que integram o ANC. O partido foi formado por uma coligação de comunistas, grupos sindicais e esquerda liberal defensora do mercado livre. É nessa amálgama que o ANC vive e vai governar o país, mais uma vez. A liderar o ANC e, portanto, a liderar o país, teremos Jacob Zuma, um histórico aureolado por inúmeras suspeitas de corrupção e, até, de violação, mas nunca condenado por esses actos que alegadamente praticou.
Na oposição, o ANC vai ter a Democratic Alliance (16,66% dos votos), o partido que congrega a simpatia da maioria da população branca do país, nomeadamente da comunidade portuguesa. Também ali, esta aliança democrática é um partido de direita. Venceram na província do Cabo, a única região do país onde o ANC não obteve a maioria dos votos.
Com 7,42%, o Congresso do Povo. Com 4,56% (apenas 800 mil votos) o Inkhata, um grupo outrora todo-poderoso com o qual Nelson Mandela, nos idos de 90, teve de negociar cuidadosamente para evitar uma guerra civil de consequências certamente devastadoras. O fracasso do Inkhata é uma boa notícia, porque significa que a política sul africana está a ficar livre do estigma tribal. O Inkhata é um partido de base tribal e se, agora, a maioria dos Zulus decidiu votar num dos outros partidos, talvez até no ANC, isso quer dizer que a democracia teve uma vitória e isso talvez seja o que de mais importante saiu destas eleições.

Resta ver como vai ser a performance de Jacob Zuma. Demagogo e populista, resistiu ao desgaste provocado pelas investigações judiciais e pela má publicidade que isso lhe granjeou nos média do país... e venceu as eleições. Cumpriu um sonho, vamos lá a ver o que faz com ele.

Les uns et les autres




quinta-feira, abril 30, 2009

One sic TV


Ouvem-se os lamentos, de Algés a Carnaxide…
O grupo Impresa manifestou um prejuízo de 6 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. Dizem que é da crise, da retracção do mercado publicitário… uma desculpa, plausível nos dias que correm, mas que não justifica tudo. É que nem todos têm prejuízos… até há quem tenha registado aumento de receitas

Se o Dr. Balsemão reparasse bem no produto final da sua televisão, perceberia a verdade. O desinvestimento na SIC está relacionado com o afastamento dos telespectadores, fartos de sintonizar um canal desinteressante. Até porque no grupo Impresa só a SIC perdeu receitas. Na área de publishing aumentou 2,2% e no digital manteve o mesmo nível.

Xicos & Espertos


quarta-feira, abril 29, 2009

Merda, pá !



Estou chocado... O Mundo Perfeito acabou...

Tantos Tês...


A PT iniciou hoje as emissões experimentais da TDT. Muitos Tês… para nada. A experimentação abrange 29 localidades onde vive 40% da população portuguesa. Parece muito… mas não é nada. Nada, porque ninguém está a beneficiar de coisa alguma… porque a maioria das pessoas não tem equipamento capaz de reproduzir as emissões de TDT: televisores compatíveis com a norma de emissão (MPEG-4/H.264) ou uma caixa descodificadora. Assim, gostava de perceber o que está a PT a experimentar… será que a empresa forneceu a alguém (um painel de telespectadores, escolhido para o efeito, por exemplo) equipamento para a recepção do sinal?
Por outro lado, a PT diz que até ao final de 2010, 80% do território vai estar abrangido pela TDT, se não mesmo a totalidade do território. Tanta pressa, quando o prazo indicado pela UE vai até meados de 2012. Além do mais, gostava de perceber como vai a PT, ou o Estado, ou seja lá quem for, convencer a malta a gastar 50 ou 60 ou 70 € na compra da caixinha descodificadora… porque, do preço do televisor nem vale a pena falar… Ainda acreditava que as pessoas fossem levadas a gastar esse dinheiro se a TDT lhes viesse oferecer alguma coisa de novo. Mas como o 5ºcanal foi atirado para um futuro incerto, não vejo como alguém vai querer gastar esse dinheiro para continuar a ter a mesma televisão que já tem hoje. É que com a TDT não muda nada, em termos práticos, isto é, do ponto de vista do telespectador. Quem tem tv por cabo, já a recebe no formato digital, pelo que não vai notar diferença na qualidade da imagem do seu televisor. Os outros, sem a caixinha nada feito…. O que a TDT possibilita é o aproveitamento do espectro radioeléctrico de um modo mais eficiente, e onde dantes cabiam 4 canais agora poderão caber 40… ou seja, a TDT poderia dar maior liberdade de escolha, mas como não é isso que vai acontecer, então não servirá para nada

Às vezes, Soares é fixe (2ªparte)

E depois do email que ontem recebi e aqui divulguei, hoje não resisti e fui ver, na net, o último Prós e Contras… programa dedicado ao tema “Pensar Portugal”, com quatro senadores da República no palco e uma plateia composta por jovens alunos universitários. Só espero que os miúdos tenham aprendido alguma coisa…
Às tantas, o diálogo a que o meu amigo W se referia, no email de ontem…

“A liberdade de expressão plena é uma conquista de Abril que muito nos orgulha”… dizia Fátima Campos Ferreira… o que fez com que o velho senhor, Mário Soares, argumentasse, um pouco depois… que “a concentração da comunicação social foi feita e está na mão de meia dúzia de pessoas, de grupos económicos… e isso é complicado, porque os jornalistas têm medo… os jornalistas fazem o que lhes mandam, em regra geral. Não quero dizer que não hajam honrosas excepções, mas a verdade é que fazem o que lhes mandam, porque sabem que se não fizerem, por uma razão ou por outra são despedidos e depois não têm para onde ir. É por isso que nós vimos que muitos jornalistas, dos mais notáveis que apareceram depois do 25 de Abril, já deixaram de ser jornalistas… fazem outras coisas, são professores de jornalismo, são professores de outras coisas…"
- Mas onde fica aí a liberdade de expressão?, pergunta ela, com aquele ar surpreso que só uma mulher sabe fazer.
- Fica mal… fica mal, como nós sabemos.

terça-feira, abril 28, 2009

Às vezes, Soares é fixe (email de um amigo)


Viva, Carlos,

Gostei de ver o Mário Soares, esta noite, no Prós e Contras, a falar sobre a liberdade de informação. Há liberdade, segundo ele, mas está limitada, devido, precisamente, à concentração de meios nas mãos de meia dúzia de empresários. Os jornalistas têm que fazer o que o patrão quer, sob pena de, "de uma forma ou outra, acabarem despedidos". Mais -o bochechas não esteve com meias medidas-, muitos dos grandes jornalistas estão fora da profissão porque não há lugar para eles nos actuais OCS: "São, hoje, professores ou outra coisa qualquer".
Ora, o que o Soares diz, matéria sobre a qual estamos de acordo, entronca numa outra questão sobre a qual também já falámos: quem, em Portugal, se lembra de uma reportagem feita por qualquer director, actual, de um jornal, rádio ou TV? Ninguém! Nenhum director, actual, de qualquer órgão de informação, se destacou no jornalismo. Dantes, os directores eram jornalistas com nome, com muitas provas dadas na profissão. Hoje, estão lá apenas porque oferecem garantias de que cumprem as ordens do patrão. E o que se aplica aos directores aplica-se à restante hierarquia.

Abração.

W

segunda-feira, abril 27, 2009

O xarope

O que se passa entre a TVI e o Primeiro-Ministro só prova uma coisa: que aquele canal de televisão, neste momento, não depende do Governo. Tudo o mais que se tentar extrair da questão, é pura mistificação. Nem Sócrates deve estar manietado ou impossibilitado de recorrer aos tribunais, caso se sinta ofendido com o tratamento a que a TVI o tem sujeitado, nem Sócrates é mais ou menos culpado seja do que for só porque a TVI já o condenou, nem a TVI é mais independente do poder político do que quer fazer parecer, lá porque trata o Primeiro-Ministro da maneira como trata…
Gostava de saber, por exemplo, caso a renovação da licença de emissão da TVI não tivesse sido obtida em 2007, se as coisas se passariam da mesma maneira… mas sei que esta é uma questão sem resposta cabal. Uns dirão que sim, outros que não. Ficarei sempre na dúvida.
E porque duvido? Porque sei que o que se passa tem uma motivação política, embora não consiga dizer, sem medo de errar, quem é o político ou a força política que anda a alimentar esta novela. Não é só a coincidência do caso Freeport renascer em sucessivos anos eleitorais… é também a catadupa de informação habilmente ministrada de modo a esticar a coisa infinitamente, é a fina e suave mistura de indícios verosímeis mas falsos com actos comprovados que envenena mortalmente o xarope informativo…
O que se passa, agora, com Sócrates já se passou antes das eleições de 2005 com as “bocas” sobre a sua homossexualidade, e com outros matizes de má língua passou-se com Ferro Rodrigues, com Paulo Pedroso, com Armando Vara, com Sousa Tavares (pai), com Sá Carneiro… todos acusados de malfeitorias várias, nenhum condenado pelos tribunais. Ou os juizes deste país são todos uns merdosos ou os jornalistas têm uma forte tendência para se deixarem instrumentalizar. Fica à vossa consideração...
Na verdade, o caso que envolve Sócrates já foi investigado, instruído e julgado. O veredicto é “culpado”, sentenciou a TVI. Bem podem pedir celeridade à Justiça que já de nada vale. No dia em que o juiz decidir, a TVI até pode não fazer disso notícia…
Entretanto, o que se assiste é ao habitual espectáculo promovido por aqueles que se sustentam servindo interesses privados, camuflados, tantas vezes iníquos mas quase nunca questionados. Alguns deles até são bons jornalistas, mas todos sabemos o que são necessidades…

domingo, abril 26, 2009

sábado, abril 25, 2009

25 de Abril, sempre !


Através da televisão, durante a manhã, estive nas comemorações do 25 de Abril no Parlamento. Ouvi os discursos da praxe e notei que nenhuma bancada ovacionou outro discurso que não o seu próprio… Claro que discursos como o do CDS não merecem aclamação, e percebo que o PS não consiga bater palmas a quem nem mesmo hoje se poupou a críticas à governação de Sócrates, mas que mal vinha ao Mundo se os outros -PSD, PCP, BE e PEV- aplaudissem democraticamente os discursos alheios?
Se nem estas comemorações se conseguem livrar das quezílias partidárias e do calculismo político… ao menos, um pouco de respeito pela grandeza da data.

sexta-feira, abril 24, 2009

Namorados



Só hoje fiquei a saber que a jornalista Fernanda Câncio abandonou um programa da TVI, onde fazia parte de um painel fixo de comentadores. Nunca vi o programa, raramente sintonizo a TVI, mas desde o início que pressentia este desconforto da Fernanda Câncio. Sei que ela gostaria de pensar que foi convidada pelas suas qualidades de opinion maker, pelo seu curriculum como jornalista, pelas ideias que expressa na sua coluna no Diário de Notícias, mas julgo que ela sempre soube que a verdadeira razão da TVI a querer era a sua ligação afectiva com José Sócrates. Tentaram fazer da Fernanda Câncio uma espécie de bombo da festa mas ela não o permitiu. Saiu e fez muito bem.
Infelizmente para a Fernanda Câncio, o facto de ser a namorada de Sócrates irá estigmatiza-la sem remédio. Faça ela o que fizer, diga o que disser, escreva o que escrever, enquanto essa relação afectiva durar ela é, efectivamente, a namorada dele. E o que ela disser soará sempre à voz dele.

terça-feira, abril 21, 2009

Uns são filhos, outros enteados (do que se fala e o que se cala)

O actual Conselho de Estado tem 16 membros. Alguns estão lá por inerência dos cargos que ocupam, como é o caso do Presidente da Assembleia da República ou do Primeiro-Ministro, outros têm direito ao cadeirão por inerência dos cargos que já ocuparam, como é o caso dos antigos Presidentes da República, outros foram nomeados por Cavaco Silva. Uma das prerrogativas do Presidente é, precisamente, nomear os seus conselheiros… Um deles, o banqueiro Dias Loureiro, tem andado nas bocas do mundo por causa do seu envolvimento no caso BPN, um banco que andou a servir de veículo a aldrabices de todo o tamanho e que só se salvou da falência porque foi nacionalizado.
Toda a gente acha que Dias Loureiro se devia demitir, que a sua permanência no Conselho de Estado prejudica não só o órgão mas também a imagem do actual Presidente da República. Cavaco Silva não demite o seu antigo compagnon de route porque não pode. Os senhores Conselheiros não podem ser destituídos, diz a Lei. Também não sabemos se Cavaco quereria demitir o seu amigo de longa data. Ficaremos sempre com essa dúvida… não há forma de a esclarecer convenientemente. E Dias Loureiro não se demite porque enquanto lá estiver goza de imunidade… não pode ser detido nem julgado, portanto, não pode ser condenado, por maior ou mais grave que seja a trafulhice em que se envolveu.
Em rigor, diz o estatuto do Conselho de Estado:

CAPÍTULO III
Imunidades

Artigo 13.º(Irresponsabilidade)

Os membros do Conselho de Estado não respondem civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitirem no exercício das suas funções.

Artigo 14.º(Inviolabilidade)

1. Nenhum membro do Conselho de Estado pode ser detido ou preso sem autorização do Conselho, salvo por crime punível com pena maior e em flagrante delito.

Ora bem, mas há outros que também estão no Conselho de Estado e que também estão envolvidos (não sei se em maior ou menor grau – não sou da polícia) em escândalos financeiros e de que ninguém fala…
Consultada a lista dos Conselheiros, o 16º nome que nos aparece é o do Dr.Balsemão. Este nosso amigo é dos tais que foi escolhido pelo actual Presidente. Ou indicado pelo PSD, vem a dar no mesmo. Toda a gente sabe que Balsemão é o principal accionista do BPP – Banco Privado Português, outro banco que está à beira da falência e a ser investigado judicialmente por alegadas trafulhices de gestão. Enquanto accionista de referência do BPP, o nosso amigo sacou lucros durante anos, lucros esses que, estamos agora a ver, foram obtidos através de uma gestão danosa dos interesses dos depositantes. Estranhamente, ou não, na última assembleia geral do Banco Privado Português um grupo de três dos maiores accionistas da instituição propôs "um voto de louvor e confiança" à administração liderada por João Rendeiro. Nessa proposta, Francisco Pinto Balsemão, Stefano Saviotti, ambos com participações de 6% na Privado Holding, e a Sofip, ligada à família Vaz Guedes, da construtora Somague, com uma posição de 3% no banco, sublinhavam "a forma eficiente e escrupulosa como foi conduzida a actividade da sociedade", bem como "o bom senso e rigor evidenciados na respectiva gestão".
Quer isto dizer que os principais accionistas do BPP aclamaram e beneficiaram despudoradamente dos actos de gestão praticados por João Rendeiro e que as autoridades judiciais indiciam como crime. São, no senso comum (face à Lei, não sei), comparsas, cúmplices, suspeitos de benefícios ilegítimos.
Mas disto ninguém fala, é claro. É muito mais fácil investigar o fripor.

Ajudar a Marta



Trata-se de uma menina que está doente, mas que se pode curar.
Se tiver sorte.

sábado, abril 18, 2009

A SIC já não é o que era...




Email do meu amigo João:




Ontem fui parar à urgência do S. Francisco Xavier com um crise aguda da dor lombar que me tem incomodado. Apanhei o hospital em mudança do sistema informático. Havia na urgência mais gente em uniforme da HP do que batas e uniforme hospitalar. Esperei 5:20 numa cadeira de rodas, cheio de dores, até ser atendido por uma médica numa consulta que durou 20 segundos... Depois, puseram-me a soro com Nolotil e... desapareci do sistema informático. Nenhum médico me encontrava no computador, eu próprio ajudei, sem sucesso, o ortopedista a procurar-me no computador... Finalmente, um dos muitos jovens em uniforme HP, vasculhou menus, lá me encontrou e restituiu-me, ali à frente de doentes e médicos, à realidade hospitalar enquanto o médico comentava com simpatia: "Ah...ok. Encontrei, está aqui. Diz o sistema que o senhor está no hospital há 8 horas e 17 minutos".


Podendo assim voltar a viver na realidade passou a fazer sentido queixar-me de novo das dores que ainda não tinham desaparecido... para, a seguir, perdermos mais uma hora porque o sistema não permitia ao médico passar-me uma receita: "Neste susbsistema de menus não é suposto ter-se acesso às prescrições" dizia o técnico da HP. Saído do hospital às 2:30 da manhã (tendo entrado às 16:45) ainda cheio de dores e fome, não tive energias para mais do que preencher uma página do livro de reclamações ouvir a clamação (do tipo o filho da puta do Sócrates é que devia vir agora aqui) dos utentes que tinham chegado às urgências pela hora de jantar e que, cinco horas depois, ainda não tinham sido atendidos... e pude ainda encolher os ombros perante a tirada determinada da Luisa Pité (SIC e ex-secretária do Rangel e Manuel da Fonseca que acompanhava a mãe numa crise de barriga) que ameaçava "amanhã, a primeira coisa que vou fazer é falar com a Conceição Lino para vir cá o Nós Por Cá" o que não entusiasmou particularmente a plateia da sala de espera.


João






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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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