Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, junho 09, 2009

A bomba, um sorriso




Os atentados bombistas já fazem parte do quotidiano e isso retira-lhes capacidade de se tornarem notícia… é o caso do que se passa no Iraque ou no Afeganistão. Ao fim de tantos anos de conflito já quase não sabemos o que por lá se passa, embora pouco tenha mudado. Mas, volta e meia, lá vem um estilhaço de mais uma bomba cravar-se na alma… Vem isto a propósito do atentado que destruiu o Pearl Continental, o melhor hotel de Peshawar, uma cidade paquistanesa próxima da fronteira com o Afeganistão. Nos dias quentes da invasão americana, o Pearl Continental foi poiso obrigatório para todos quantos andavam por ali em reportagem ou a tentar entrar no Afeganistão. Foi lá que vi pela última vez uma camarada de trabalho que, dias depois, atravessou a fronteira afegã e morreu assassinada por assaltantes na estrada de Jalalabad.
Foi no hall do Pearl Continental que a Maria Grazia me sorriu, naquele dia. Foi esse sorriso que esta bomba me trouxe de novo.

Pó eleitoral

















Debate na RTP sobre o futuro próximo deste país, depois das eleições de ontem. Um debate muito esclarecedor. Em representação do PS e do governo, o ministro Santos Silva, quando confrontado com a necessidade do PS se aliar com algum dos outros partidos da esquerda, revelou bem o cisma que divide a esquerda ao apelidar de não-democráticos o BE e o PC… Ou seja, com uma demarcação artificial e espúria, arrogante, o PS deita a perder qualquer possibilidade de se ter um governo de coligação de esquerda, pela primeira vez desde o fim da I República. Santana Lopes e Bagão Félix rejubilaram.














Quanto a atribuírem algum significado, político ou sociológico, aos 62% de abstenções ou aos 6% de votos nulos e brancos, quase nada se disse. Ou seja, as the show must go on, fingem que aquilo não foi nada e toca a andar que prá frente é que é o caminho. Julgo mesmo que foi o único item da discussão em que estiveram todos de acordo, do CDS ao PC.














Outro pormenor triste, foi a relutância revelada pelo BE em se assumir como "partido de poder". Não se percebe muito bem, então, o que andam lá a fazer, se não querem ser governo. De que serve votar neles?
Estes dirigentes de partidos políticos teimam em não perceber que a governabilidade do país está em risco. Continuam a agir como se nada mais houvesse para além da alternância no poder entre o PS e o PSD, com apoios de geometria variável no Parlamento consoante o oportunismo político. Acho que estão muito enganados.

segunda-feira, junho 08, 2009

60% incomoda muita gente


Julgo que não falam a sério os que dizem que quem não foi votar são uns calaceiros que se estão a marimbar para tudo e todos. Não me parece razoável considerar que 60% da população com capacidade eleitoral se encaixa nesse perfil de cidadão. Alguns talvez… mas poucos, seguramente.
Se as pessoas não foram votar foi porque consideraram que não se tratava de um assunto relevante para o futuro da colectividade onde, naturalmente, eles se inserem. E se consideraram as eleições irrelevantes, não se lhes pode deitar as culpas em cima. Talvez a elite dirigente tenha alguma responsabilidade nisso, não acham? Talvez a vidinha ande numa merda tal, que já nada importa muito. Talvez a cifra de 800 mil desempregados tenha alguma coisa a ver com isso, não acham? Talvez o salariozinho de 500 € tenha alguma coisa a ver com isso, não acham? Talvez a falta de opções políticas credíveis tenha algo a ver com isso, não acham?
60% de abstencionistas e 4% de votantes que anularam o voto… para denegrirem o significado do não voto, alguns tentaram dignificar o voto nulo ou branco. Dizem que essa sim, é a opção de protesto válida para quem não encontra em quem votar. Curiosamente, aqui há uns anos, dizia-se que os votos nulos eram devidos à ignorância das pessoas, ao analfabetismo – as pessoas não sabiam ler e não se conseguiam esclarecer. Ou, então, eram os velhos mais a Alzheimer que lhes fazia tremer a mão e falhar o quadrado onde quereriam riscar a cruz… Agora já não, os votos nulos são todos por convicção política. Será que não haverá uns comprimidos para tratar a arrogância intelectual?

A abstenção

Não percebo as críticas a quem decidiu votar abstendo-se. A abstenção é um sentido de voto tão válido como outro qualquer. Na Assembleia da República, por exemplo, quando os legisladores votam, o senhor presidente pergunta, sempre no mesmo tom cordato, “quem vota a favor?”, “quem vota contra?” e “quem se abstém?” , não apontando o dedo aos abstencionistas. Se a decisão de se abster é válida para um deputado, porque não para o cidadão comum?

Dizem-me que não votar é burrice, falta de inteligência, deixar que outros decidam por mim... e muitos dos que o dizem, em eleições anteriores votaram "inteligentemente" no PS ou no PSD ou noutro partido qualquer, o que foi fantástico e deu um resultadão, como estamos todos a ver, de resto. Ir votar apenas por uma questão de fé, tenho pena mas não está (deixou de estar...) nos meus princípios.

A abstenção não é necessariamente um sinal de desinteresse. Mas é, com toda a certeza, um perigoso sinal de rejeição.


domingo, junho 07, 2009

60%

Vencemos, nós os que decidimos não votar como forma de protesto pelo triste estado a que isto chegou… Ninguém teve mais votos que nós. Quando digo nós, falo de mim e dos mais de 5 milhões de portugueses que não pactuaram com o que nos era proposto: encarneirar mais uma vez, fingindo acreditar que os eleitos se iriam preocupar connosco depois de eleitos. Dirão que eles foram eleitos na mesma e que nós não contribuímos para esta escolha democrática. Na verdade, 60% do eleitorado revelou vontade de castigar os protagonistas do teatro político e isso é uma opção com profundo significado político. Pouco interessa se o PS leva 7 ou 8 deputados para o Parlamento Europeu ou se o PSD tem mais um ou mais dois que o comparsa político ou se o Bloco ultrapassou o PC ou se o CDS sobreviveu a mais uma cabala montada pelas agências de comunicação ao serviço sabe-se lá de quem… Nada mudará na nossa vida, mas eles tomaram consciência do ostracismo em que estão envolvidos e temem as consequências disso. De uma maneira ou de outra, todos se referiram ao problema que a abstenção representa e pode ser que, desta vez, essa preocupação não se esfume ao terceiro dia depois das eleições.

sábado, junho 06, 2009

Depois de muito reflectir... decidi votá-los ao desprezo


Pela primeira vez, não vou votar. Desta vez, decidi não legitimar ninguém. Ninguém dirá que fala em meu nome. Em meu nome, falo eu. E se muitas vozes se juntarem à minha, certamente que seremos escutados. Estas eleições europeias podem ser, realmente, importantes. Basta que a população dê um veemente sinal de protesto. Não votar ou votá-los à indiferença, é um dos sinais de protesto possíveis. Se eles forem eleitos por uma minoria ridícula de votantes, poderão lá ficar com os tachos milionários, mais a vaidadezinha toda, mas o ridículo vai-se-lhes agarrar à pele. Talvez assim, sem uma real legitimação democrática, os senhores deputados europeus e a Comissão e os governantes nacionais e os políticos em geral, passem a ter vergonha na cara e comecem a zelar pelos interesses e pelo bem-estar do povo. O não voto é um aviso. O próximo passo poderá ser algum tipo de insurreição civil. Eles sabem e têm medo disso. E se a abstenção nas eleições europeias é já um dado adquirido, a possibilidade desta atitude se repetir nos próximos actos eleitorais tem um significado político que os políticos não poderão deixar de levar em conta. Quem julga que um regime, qualquer regime, pode sobreviver sem adesão popular engana-se.
A actual crise económica tem pai e mãe. É filha do adultério entre o capitalismo e a democracia. Foram os tipos em quem temos andado a votar que o permitiram, que beneficiaram de todos os logros e de todas as impunidades. Votei neles… mas agora não. Dizem-me que podia votar naqueles que nunca tiveram participação nas malfeitorias do meu desagrado. Podia… mas votar em quem quer que seja é legitimar todo o processo político, é legitimar quem vence mesmo que não tenha sido esse o sentido do meu voto.
É importante dar um sinal de que não queremos continuar por este caminho. Não queremos continuar a pagar as asneiras dos outros, as falcatruas dos outros, os desfalques. Desta vez, com o meu voto não contam.

sexta-feira, junho 05, 2009

Acerto de contas, em Bissau

Morreu mais um, lá em Bissau… Baciro Dabó, um tipo que congregou ódios durante toda a sua vida e que só por sorte viveu até esta madrugada. Foi um dos fiéis de Nino Vieira, um dos torturadores do 1º regime de Nino, entre 1980 e 1998, ocupou vários lugares no aparelho de Estado, sempre ligado à segurança do Estado. Quando Nino caiu, derrubado pela rebelião de Ansumane Mané, o bom do Baciro viu a vida mal parada. Foi detido mas nunca julgado pelos muitos crimes de que era acusado pela vox pop. Quando Kumba Yala venceu as eleições, Baciro foi recuperado e voltou aos lugares que tão bem conhecia na segurança do Estado. Quando Nino regressou e venceu as eleições, Baciro sentiu-se certamente redimido. Continuou a fazer das suas, os velhos hábitos não se perdem com facilidade. Esta madrugada, cortaram-lhe o pio. Literalmente. Com 4 balas.
Lamento que o processo político guineense continue a evoluir desta forma. Poder-se-á pensar que os “maus” se estão a eliminar uns aos outros e que acabarão por morrer todos. Talvez morram quase todos, mas haverá sempre um último a sobreviver. Normalmente é o pior de todos.

quinta-feira, junho 04, 2009

Como o Le Monde fala de nós


Au Portugal, les "recibos verdes" incarnent l'extrême précarité du travail – titula hoje o jornal francês Le Monde, revelando uma originalidade vergonhosa que em França não existe.
Não que em frança não exista muito trabalho precário, temporário, em part-time, mas o que não existe é um regime laboral onde o trabalhador não só está completamente desamparado face às prepotências patronais como abandonado pelo próprio Estado, não beneficiando da maioria dos direitos que cabe a um assalariado.
Em França não existem recibos verdes. Nem de cor nenhuma. O que existe é o chamado CDD – contrato de trabalho a termo – que pode ser celebrado por apenas um dia. Se uma empresa precisa de alguém apenas por 1 dia, ou para suprir uma falta pontual, celebra esse contrato de trabalho com o trabalhador e, assim, tanto a empresa como o trabalhador pagam os respectivos impostos. A empresa cumpre com a sua responsabilidade social, o trabalhador vai descontando para a reforma, para o fundo de desemprego, para a segurança social. Trata-se de um regime bastante mais equitativo que esta escravatura a recibo verde a que estamos sujeitos em Portugal.
O artigo traça um panorama negro para os trabalhadores portugueses : « pour le Portugal plus de chômage, plus de précarité, moins de pouvoir d'achat, le tout avec un déficit public et une dette creusés. »

quarta-feira, junho 03, 2009

Debate


Vai passar sem ninguém ver, porque o canal 2 está longe de ser a 1ªopção do telespectador típico português, mas o assunto é interessante. Por isso fica aqui o aviso: hoje, lá plas 11 e meia da noite, no programa da responsabilidade editorial do Clube de Jornalistas, debate-se a alegada e propalada degradação do jornalismo português, nomeadamente o jornalismo televisivo tablóide produzido nos estúdios de Queluz.
Sentam-se à mesa, os jornalistas Francisco Sarsfield Cabral (um veterano da classe, julgo até que já estará reformado…) e João Miguel Tavares (jovem escriba de um diário da capital e que há tempos alimentou uma polémica com Miguel Sousa Tavares (ex-jornalista e actual comentador no Jornal Nacional da TVI) e… (mas que bela ideia!) o bastonário Marinho Pinto. Pena é que, segundo me dizem, a Manuela Moura Guedes não tenha aceite o convite para participar… então sim, seria imperdível.

Bola na trave


O discurso de Figo (igual ao de outras celebridades europeias) foi encomendado pelo Parlamento Europeu e afirma que “não há democracia sem eleições”, o que parece ser uma verdade absoluta. Mas não é. Para além de pensar que é possível organizar democraticamente uma sociedade sem necessariamente recorrer a eleições, a democracia implica outros requisitos. Também podemos afirmar que não há democracia sem justiça social… o que obrigaria a uma distribuição diferente da riqueza, a uma verdadeira igualdade de oportunidades independentemente da origem, religião ou do género, etc. E a liberdade...

Na verdade, os direitos de cidadania não podem ser reconhecidos apenas quando é necessário que a malta vá lá por o voto na urna. Figo... julgo que, desta vez, a bola não entrou.

terça-feira, junho 02, 2009

Seremos todos tablóides?


O avião caiu e logo jornais, rádios e televisões se preocuparam em saber se havia passageiros portugueses a bordo. Morreram 228 pessoas, mas isso não basta. É preciso subir os índices de emoção e ver se temos mais proximidade com a catástrofe. Quanto maior for essa proximidade melhor, porque se torna mais fácil titular com parangonas, encher páginas e tempo de antena mesmo sem haver nada de verdadeiramente noticioso.
Chegámos a ter um português na lista de passageiros, notícia que foi desmentida rapidamente. Nisso, os angolanos têm mais matéria noticiosa. Tivemos de nos remediar com um primo de D.Duarte…

domingo, maio 31, 2009

Money, money, money



É com algum espanto (ainda não perdi essa capacidade…) que noto como quase toda a gente se mostrou impassível perante aquela notícia de que Cavaco Silva e a filha tinham ganho quase 300 mil €, numa compra e venda de acções da SLN.
É que acho que se trata de uma quantidade considerável de dinheiro e não percebo como se conseguem fazer negócios assim sem se ter uma boa fonte de rendimentos. É que é preciso ter dinheiro para investir. É por isso que os pobres não jogam na bolsa nem têm parte em sociedades financeiras.
Se Cavaco nunca tivesse enveredado pela política, se se tivesse mantido como mero professor universitário, teria ele tido dinheiro e os contactos pessoais para investir nesses negócios tão lucrativos?
Não pensem que estou a insinuar qualquer envolvimento do actual presidente nos esquemas esconsos do BPN… mas não deixa de ser curioso que um dos artífices desses esquemas, Dias Loureiro, tenha sido um dos compagnons de route de Cavaco no partido, nos seus governos e no Conselho de Estado.

Meninos de rua


É meia-hora de pura magia, como só na rádio feita pelo Fernando Alves…
Vozes de velhotes, memórias de criança. Histórias de velhos meninos de rua, dos seus brinquedos e fantasias. Os arcos, as fisgas, o jogo do lenço, os berlindes, o ringue (“era um jogo que gostávamos muito porque jogávamos com as raparigas”), o pião, a bola, as corridas de carica no lancil do passeio, “como não haviam os brinquedos que há hoje” diz um deles. Era um tempo em que o horizonte não tinha janelas tecnológicas e “brincávamos com a nossa própria imaginação”. Um reviver fabuloso de risos e sorrisos, de liberdade, de esperança que morreu entretanto:
- Eu ia aos ninhos, aos melros.
- Nós nem sabíamos como os ricos brincavam.
- Não tinha 10 tostões para o eléctrico.
- Eu não ia para a rua, que as raparigas eram malcriadas e a minha mãe não deixava.
- Eu adorava ter sido marinheiro.
Brinca enquanto souberes, diz a voz do Fernando Alves, repetindo o ensinamento que colheu ao fazer esta reportagem.
Vou brincar, então. Vou Tirar o carrinho de rolamentos do sótão, chamar o “Naice” que está ali à espera de rabo a abanar, vou levar os abafadores na algibeira. Vou voltar aquele tempo, quando a rua era para brincar.

sábado, maio 30, 2009

Luís Cabral


Um a um, os velhos dirigentes da Guiné-Bissau estão a morrer. Agora foi a vez de Luís Cabral, o primeiro presidente da Guiné-Bissau depois da independência, deposto em 1980 num golpe de estado liderado por Nino Vieira.
Luís Cabral também não era flor de cheiro… e leva na consciência a responsabilidade pela morte de centenas de compatriotas condenados pelo crime de se terem alistado no exército português durante o período colonial.
Mas, enfim… talvez tenha sido o que menos oportunidades teve para fazer mal à Guiné-Bissau.
Luís, irmão de Amílcar, morreu na cama e do mesmo não se pode gabar a maioria dos que com ele protagonizaram a luta pela independência e os primeiros 35 anos de vida do Estado guineense. Lá na Guiné há-de haver quem o chore à sombra de um grande poilão.
Bom seria que os guineenses tivessem aprendido com a sua própria experiência histórica. Mas não me parece.

Bicesse, algumas memórias


Passaram 18 anos. Durante cerca de um mês, caminhei diariamente para a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril que, em rigor, fica em Bicesse. Não era época de férias, mas a escola tinha sido requisitada pelo governo. Fizeram das instalações um bunker onde só se entrava devidamente credenciado e, mesmo assim, ficávamos na rua, no pátio fronteiro. Felizmente que fazia calor e a nortada do fim da tarde ajudava a refrescar o ânimo de dezenas de repórteres destacados para a cobertura das negociações de paz que ali decorriam entre o governo angolano e a UNITA. Naquela época não havia o hábito de realizar briefings regulares para a imprensa, além de que tanto o governo português como os beligerantes tremiam só de pensar que qualquer palavra dita podia ser mal interpretada. Assim, imaginem a dificuldade de alimentar um jornal televisivo diário (nessa época, trabalhava no Jornal das 9, canal 2 da RTP). Mas a coisa lá foi feita. Tudo terminou no Palácio da Ajuda, onde o Acordo de Paz de Bicesse foi formalmente assinado por José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi.
Foi uma tremenda vitória pessoal de Durão Barroso e a sua rampa de lançamento para a alta-roda da política internacional. Durante semanas a fio, o homem andou de quarto em quarto, de sala em sala, a levar e a trazer papelinhos, recados e sugestões, de um lado para o outro. Reunia em separado com cada uma das partes, escrutinava os possíveis pontos comuns e expurgava as clivagens. UNITA e governo só se encontravam quando se sabia que não se iriam pôr aos murros na mesa. Um trabalho de sapa, que acabou por possibilitar um acordo final. De secretário de estado dos negócios estrangeiros, Durão Barroso rapidamente passou para ministro da mesma pasta, mais tarde primeiro-ministro e, hoje, presidente da Comissão Europeia. Uma notável carreira política que teve início há 18 anos lá em Bicesse… mesmo se esses acordos de paz pouco valeram e a guerra recomeçou em força alguns meses mais tarde, para só acabar de vez em 2002.

sexta-feira, maio 29, 2009

ERC/TVI: um pouco mais do mesmo


Nada de surpreendente, nas reacções de alguns dos que trabalham na TVI, relativamente à apreciação da ERC sobre o Jornal nacional de 6ªfeira. Quando estamos integrados numa equipa, é normal um sentimento corporativo de defesa do grupo, mesmo se em consciência não estamos muito certos das razões que invocamos. Sempre foi assim, aconteceu também comigo noutras circunstâncias, e aprendi que acabamos quase sempre por concluir que a empresa ou os chefes não mereciam esse esforço nem o sacrifício de vestir uma camisola incomodativa.
Acredito que, hoje, a redacção da TVI vive sentimentos opostos. Alguns quererão cerrar fileiras à volta de Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz, outros, os mais espertos, estarão a fingir que os apoiam e a dissimular a dissidência, os restantes assumirão a atitude de encolher os ombros e limitar o esforço à realização das tarefas atribuídas, distantes do duelo de interesses de que se consideram estranhos. Comum a todos, apenas a necessidade de preservar o emprego e, por isso, poucos estarão verdadeiramente preocupados com o debate em torno da ética e da deontologia.
Pelas razões contrárias, os da TVI dirão que é muito fácil criticar para quem está de fora. E é a mais pura das verdades. E por isso (porque estou de fora) digo que a liberdade de expressão deve ser um dos pilares do Estado de Direito Democrático em que vivemos. É um direito constitucional, mas não é o único… e por maior que seja o interesse público das notícias relacionadas com eventuais manchas no percurso profissional ou político do actual primeiro-ministro, a Constituição também proclama o direito ao bom nome e reputação, à imagem, à reserva da intimidade da vida privada e familiar…
E se é verdade que um órgão de Comunicação Social não deve ser condenado por reportar a verdade, nem a divulgação dessa verdade deve ser considerada atentatória do direito ao bom nome de quem quer que seja, neste caso falta saber, primeiro, onde está a verdade e, segundo, que a Manuela Moura Guedes deixe de se mascarar de justiceira do povo.
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post scriptum: leio às 00h45, no Público online, que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considerou que "os jornalistas não podem substituir a acutilância pela agressividade, e devem permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas".

quinta-feira, maio 28, 2009

Dona de casa


Cuidar da casa – tratar da roupa, confeccionar refeições, lavar loiça, tirar o pó, aspirar, arrumar a tralha espalhada pelos miúdos, dar banho ao bebé, levar os outros à escola, ir buscá-los, escutá-los, brincar com eles – é dose! Agora, que estou com tempo, sou eu quem trato disto tudo. Sempre gostei de cozinhar e de dar uma ajuda nas outras coisas, mas eram tarefas mais ou menos esporádicas e realizadas por afecto, não por necessidade, o que quer dizer que nem sempre ajudava muito… Mas agora posso garantir que elas têm razão, quando proclamam que boa parte da desigualdade de género advém da carga de trabalhos que as mulheres têm em casa, depois de uma jornada no emprego.

Nova tecnologia, problemas velhos

Hoje, às 16h13.

Twitter is over capacity.
Too many tweets! Please wait a moment and try again.

© 2009 Twitter

Decisão sem consequências


Como seria de esperar, a ERC condenou a TVI por má conduta ético-deontológica. Diz o comunicado da ERC, que “em causa estão sete peças de três edições do Jornal Nacional de sexta da TVI, que foram analisadas pelos serviços técnicos da ERC depois de terem sido apresentadas 13 queixas na ERC sobre essas edições do serviço noticioso. Todas as queixas têm como elemento comum o facto de acusarem a TVI de violar deveres ético-legais do jornalismo, designadamente de falta de rigor e de isenção, em peças jornalísticas que apresentam o Primeiro-Ministro ou outras pessoas ligadas ao Governo e ao PS como protagonistas.”
A ERC apreciou 13 queixas que lhe foram dirigidas, uma das quais pelo deputado Arons de Carvalho, entre os dias 16 de Fevereiro e 30 de Março de 2009. Não sabemos se haverá mais queixas do mesmo teor, mas é possível que haja. E, sendo assim, é possível que a TVI continue a levar com cartões amarelos. Só que, neste caso, a acumulação de cartões amarelos não dá direito nem a suspensão nem a expulsão do jogo, ou seja, nada disto tem consequências e a TVI poderá continuar a fazer o que tem feito sem problemas, para além de alguma censura pública.
Tudo isto é bom para as audiências (amanhã, o país inteiro vai estar sintonizado na TVI às 20 horas), pelo menos enquanto não houver uma decisão judicial inequívoca em relação aos problemas que envolvem o primeiro-ministro, nomeadamente o caso Freeport e o caso Cova da Beira, este último ainda por explorar devidamente pela média se o compararmos com o tratamento dado ao Freeport.
Voltando ao contencioso ERC/TVI, é óbvio que perante acusações de falta de isenção e imparcialidade, o Jornal Nacional de 6ªfeira não tem salvação possível. Agora, na minha opinião, pese embora a ERC seja, alegadamente, um órgão independente do governo, não se livra da fama de pau mandado e… são legítimas as leituras políticas sobre as decisões que toma. Não faltarão clamores contra esta decisão condenatória que muitos não hesitarão em apelidar de censória. É por isso que este género de conflito deve ser dirimido na barra do tribunal. Onde os arguidos têm direito a defesa e os condenados direito a recurso.

quarta-feira, maio 27, 2009

Agora, que vem aí o Verão...


Hoje dei comigo a falar com um amigo sobre férias. Acontece que estamos os dois desempregados e, assim, o significado da palavra passou a ser algo absurdo. Dupla ou triplamente absurdo…
Se a palavra for articulada no singular, féria… significa salário, pagamento. Receber a féria, era um termo usado ainda não há muito tempo mas que, hoje, caiu no esquecimento.
No plural, férias… é o tempo durante o qual se interrompe a actividade quotidiana, seja a escola ou o trabalho. É tempo para descansar. Ir de férias é bom. A praia, os passeios, lugares novos, gente diferente, outros cheiros, sabores diferentes, sotaques, idiomas, preguiça.
Pois, nem féria nem férias.

News from Queluz

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) deverá deliberar amanhã, na habitual reunião de conselho, sobre as 15 queixas recebidas contra o ‘Jornal Nacional de 6ª feira’, apresentado por Manuela Moura Guedes, na TVI, noticia hoje o Correio da Manhã.
Entretanto, fontes próximas da TVI dizem-me que o director-geral da estação terá desistido do anunciado processo contra o primeiro-ministro. Se isso for verdade, trata-se de um evidente recuo e será curioso verificar se as 6ªfeiras em Queluz passarão a ser mais calmas.
As mesmas fontes relatam um ambiente tenso na TVI, onde muitos jornalistas não se revêem no estilo, forma e conteúdos do Jornal Nacional de 6ªfeira nem… nos métodos e critérios de gestão de recursos humanos que o casal Moniz pratica.
Cá para mim, os patrões espanhóis dispensavam tudo isto de boa vontade. Problemas de sobra já eles têm, e embora a TVI seja um canal rentável, estas perturbações afectam o valor da empresa e é sabido que a Prisa anda a vender activos um pouco por todo o lado, na tentativa de diminuir uma dívida monstruosa à banca que se agravou com o despoletar da actual crise financeira mundial.

terça-feira, maio 26, 2009

Confissão de Oliveira e Costa no Parlamento


RT @vitorcunha: Oliveira e Casca será o Bibi dos bancos?
Mark this: se o Dias Loureiro cumprir um só dia de prisão em Portugal eu como o meu chapéu :)


...

Voltando à “vaca fria”, que é como quem diz, à passada sexta-feira na TVI, quando a Manuela Moura Guedes se engalfinhou com o bastonário Marinho Pinto… não acham estranho que, apesar do assunto ter suscitado enorme interesse (veja-se só o que se escreveu nos blogues e no twitter), os jornais de referência e as rádios e televisões não tenham tocado no assunto?
Alguns dirão que é por nojo, mas eu acho que é por proteccionismo, corporativismo profissional, puro calculismo político porque não se sabe se no futuro não vamos precisar de lhes pedir algum favorzito… e como têm medo de ofender, não dizem nada.

segunda-feira, maio 25, 2009

Na compita eleitoral


Cada vez que oiço alguém do CDS (ou de outro partido qualquer, mas o CDS é quem faz disto bandeira) falar sobre a necessidade de fechar as portas do país à imigração, percebo como a política pode ser um exercício de cinismo.
É tudo mentira, por várias razões, entre as quais a necessidade absoluta de continuarmos a receber mão-de-obra ainda mais barata que a nacional, condição fundamental para as empresas continuarem a ter margens de lucro suficientemente satisfatórias para os interesses dos accionistas e patrões. Normalmente, o imigrante está mais receptivo a trabalhar mais que o estipulado por Lei e por menos dinheiro, o que além de dar maior lucro às empresas, funciona como contrapeso à pressão dos sindicatos nas renegociações salariais sazonais.
Acho razoável dizer que, nesta época de crise financeira em que as empresas dos países industrializados do Ocidente não conseguem competir com o que vem da Ásia, ainda são os imigrantes que garantem alguma capacidade concorrencial em termos de custos de produção…
Acredito que este discurso xenófobo e de exigência de imposição de quotas para a imigração destina-se, apenas, a captar votos. É um discurso para as classes C e D da população (iletrados, rurais, operários), os pobres que têm medo de ficarem ainda mais pobres e que acreditam que são os imigrantes que lhes ficam com o quinhão de terra ou com o apartamento hipotecado, e não o banco ao executar a penhora.

domingo, maio 24, 2009

Maravilhoso Mundo Novo


A notícia já tem 3 dias, mas só hoje a li no Publico online (esta é uma das vantagens da net, poder ler notícias atrasadas sem que o jornal já tenha servido para embrulhar o peixe). Trata-se do propalado aumento de telespectadores subscritores de um qualquer serviço de televisão. Isso é o que diz o título: “Televisão paga superou 2,3 milhões de clientes no final do primeiro trimestre”. Mas, no corpo da notícia, explica-se que não é bem assim, que os serviços de tv por cabo estão a perder clientes, mas que se assiste a uma migração de telespectadores para a oferta de IPTV. E não nos explicam o que diabo é isso da IPTV, que deve ser coisa boa para as pessoas andarem a subscrever esse serviço…
Para quem não sabe, vou tentar explicar: IPTV é televisão fornecida através do chamado “internet protocol”, mas não é webtv. Ou seja, com a IPTV em casa podemos ver o que queremos dentro do naipe de programas que o fornecedor nos disponibiliza. Podemos ver um programa e, em simultâneo gravar outro. Não precisamos de um televisor, basta ter um pc. Além disso, o sistema permite realizar telefonemas e, por exemplo, utilizando uma webcam, podemos estar a ver televisão e ao mesmo tempo estar a falar com alguém no outro lado do Mundo, vendo essa pessoa numa janela que se abre no ecrã. Que eu saiba, a IPTV é disponibilizada em Portugal pela PT e pela Clix, mas pode ser que haja outros fornecedores, não sei.
Julgo que a PT, com o serviço MEO, tem tido bastante sucesso e isso deve explicar o que se diz na notícia que citei acima, quando se refere que a diminuição do número de subscritores da tv por cabo e satélite foi contrabalançada pelo aumento de clientes de “outras tecnologias, como o IPTV, onde se registou um crescimento de 26 por cento”.
Há um maravilhoso mundo novo em tecnologia que nos está a bater à porta. Só precisamos de algum dinheiro para poder usufruir dele.

sábado, maio 23, 2009

A primeira escolha


O Governo anunciou o lançamento de mais uma campanha para publicitar os produtos nacionais, a marca “Made in Portugal”, na tentativa de reanimar o comércio dos produtos nacionais.
Considero a iniciativa interessante mas, na prática, pouco eficiente. O problema é que o mercado nacional está inundado de produtos importados que, na maioria dos casos, nem concorrência têm de marcas nacionais. A indústria portuguesa cada vez produz menos e os empresários preferem remeter-se ao papel de importadores/intermediários do que arriscar na indústria.
Se formos ao supermercado (estive lá esta manhã), as batatas são espanholas, os cereais americanos, o peixe grego, as confecções chinesas, etc. Alguns produtos são fabricados em Portugal, mas sob licença de uma empresa multinacional instalada algures no Mundo, mas estes são os poucos casos em que é possível comprar “Made in Portugal” ajudando a manter alguns postos de trabalho nacionais. Sempre que possível, essa é a minha opção. Não preciso de ser convencido por campanhas governamentais.

A pantalha incandescente

O bastonário da Ordem dos Advogados é um homem sem medo, não tem papas na língua e marra em frente. Ontem, depois de se ter sentido insultado por Manuela Moura Guedes quando, em directo, foi entrevistado no Jornal Nacional de 6ªfeira da TVI, Marinho Pinto contra-atacou e acusou a apresentadora de notícias de praticar mau jornalismo (VIDEO).
A coisa resultou numa peixeirada digna de se ver, um momento alto da história da televisão portuguesa, onde a minha querida Manela revelou falta de lábia para esgrimir com o advogado.
No final, Marinho Pinto acabou por encenar a defesa dos pontos de vista expressos por José Sócrates, palavras que levaram o director-geral da TVI a anunciar publicamente que iria mover um processo judicial contra o Primeiro-Ministro por difamação. Não sabemos se o chegou a fazer, mas gostávamos de saber. E gostávamos de saber, também, se o mesmo vai acontecer agora com o bastonário da Ordem dos Advogados.

quinta-feira, maio 21, 2009

Pormenores


Cheguei às 18 horas em ponto e o auditório da Fundação Mário Soares já estava quase cheio. Consegui um lugar na última fila.
Invocava-se Afonso Costa, emblema da revolução de 5 de Outubro de 1910, várias vezes ministro e chefe de governo durante a I República, político notável cujo pensamento e acção ainda hoje influenciam a nossa vida.
Mas o que acho mais interessante nestas conferências, não é propriamente o desfiar dos acontecimentos marcantes da História, mas os pormenores, as estórias, os tiques dos figurões, as insignificâncias tantas vezes reveladoras.
Mário Soares, por exemplo, confessou que uma das coisas que pensou quando estava a chegar a Portugal, vindo do exílio, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, foi que “temos de fazer isto durar mais do que os 16 anos que durou a I República” e que, aprendendo com os erros de Afonso Costa (que tinha a alcunha do “mata-frades”), ele “sempre procurou evitar um conflito com a Igreja Católica”.
Outro dos oradores, António Reis, lembrou que uma senhora marquesa, casada com um político da época, aspergia o marido com água benta quando sabia que ele tinha estado reunido com Afonso Costa.
Afonso Costa foi um verdadeiro diabo, na óptica da Igreja Católica. A ele se devem as leis do divórcio e da separação do Estado da Igreja, a obrigatoriedade do casamento civil, a proibição de procissões na via pública e, suprema provocação, a abolição do pagamento de pensões às viúvas de padres… mas também a ele se devem as primeiras leis de protecção social, a obrigatoriedade dos seguros contra acidentes de trabalho, a aplicação de um imposto progressivo sobre os rendimentos (quem ganhava mais, pagava mais), etc.
Sabemos como a História se desenrolou. O fracasso da I República deve-se, sem dúvida, à força das forças políticas de direita que levaram avante a contra-revolução de 28 de Maio de 1926. Mas, mais uma vez, há um pormenor revelador das circunstâncias que propiciam os saltos da História, segundo o relato de Fernando Rosas (outro dos oradores desta sessão). No meio de tantas leis republicanas, ninguém se lembrou de revogar a lei que não permitia o voto aos analfabetos. Ora, a grande grande maioria dos operários e camponeses, da população daquela época, eram analfabetos a quem não foi permitido que legitimassem pelo voto o seu apoio às novas políticas republicanas.
Como último pormenor… dizer que já há muito tempo que não me acontecia ser o mais jovem de todos os que estavam na sala.

quarta-feira, maio 20, 2009

Escola


A mulher não bate bem da bola e duvido que esteja em condições emocionais para dar aulas, mas alguns dos melhores professores que tive eram, também, um pouco assim: maluquinhos.
Tive um professor de desenho que, quando a malta extravasava no barulho, chamava os prevaricadores para junto da sua secretária, em fila indiana, e despachava-nos a todos com um soco nas bochechas que nos deixava azambuados… correctivo aplicado de modo igual às meninas. Era um homem sem preconceitos de género.
Tive um professor de Matemática que parecia um ogre lunático… mas que com cáculo mental resolvia equações de segundo grau…
Enfim, tive uma professora de Geografia que atraía alunos com mais de 16 anos a casa, sob pretexto de que estavam necessitados de explicações… que acabavam por ser de anatomia. Todos os que lá foram, chumbaram… numa espécie de síndrome da viúva negra.
As coisas foram o que foram, mas nós nunca fomos nem bufos nem espiões. Os paizinhos só sabiam do que era estritamente necessário e a malta desenvencilhava-se melhor sem eles. Também é verdade que naquela época os gravadores de som eram uns trambolhos que dificilmente passariam despercebidos numa sala de aula. Também é verdade que, naquela época, a televisão não prestava para coisas deste género.

terça-feira, maio 19, 2009

Simplesmente, não funciona


Pode-se ler no Portal do Cidadão: "com a criação do serviço "Nascer Cidadão" é possível efectuar o registo das crianças logo após o seu nascimento nas unidades de saúde que aderiram a este projecto, sem necessidade de deslocação à Conservatória."
No site do Instituto dos Registos e Notariado, em relação ao serviço “Nascer Cidadão”, esclarece-se que com este projecto “pretende-se criar mecanismos que assegurem, de imediato, o registo das crianças após o nascimento, visando também, numa linha de simplificação e desburocratização, facultar aos cidadãos meios simples para o cumprimento de formalidades essenciais à salvaguarda de direitos fundamentais. Destaca-se, a possibilidade de o registo de nascimento das crianças ser feito em unidades de saúde (hospitais e maternidades) logo após o nascimento e sem necessidade de deslocação à conservatória, bem como a identificação precoce de situações de risco para as crianças.” Um dos hospitais onde o “Nascer Cidadão” foi implementado é o Santa Maria, o maior hospital do país, onde nasceu agora o meu 3ºfilho.
Lá estive hoje, à porta do referido gabinete. A senhora funcionária explicou-me serenamente que não ia ser possível efectuar o registo da criança, que pelo menos seria muito difícil, porque o “sistema” estava lento… ou seja, o computador não estava a funcionar. Ao ouvir isto, um outro pai começou a disparatar, porque já era a segunda tentativa que fazia para registar a seu rebento e… o computador continuava sem computar…
Olhando para a máquina em questão, adivinham-se chips estafados e fios eléctricos em mau contacto, bugs e worms a emperrarem o “sistema”.
Este Simplex não está a resultar. Andam a boicotar, torpedear, a desburocratização do funcionalismo público que este governo começou a implementar em 2005. Até parece que fazem de propósito, só para haver ainda mais descontentes que não votem no PS nas próximas eleições...

Salomão teria mandado dividi-la ao meio...

O caso da criança de Braga é o paradigma da insensibilidade do nosso sistema de protecção a menores. A Segurança Social manteve a criança com uma família de acolhimento durante 4 anos e, ao fim desse tempo todo, queriam que não se tivessem criado laços afectivos fortíssimos entre a criança e essa família? Não conheço os pormenores da história, mas sabe-se que a mãe biológica foi prostituta e toxicodependente. Porventura terá conseguido mudar de vida, mas gostava de saber que garantias disso teve o juiz que decidiu confiar nela.
Amanhã, Alexandra será levada para a Rússia, país da naturalidade da mãe biológica e para onde a senhora pretende regressar. Sabemos, pelo que foi escrito em alguns jornais, que mãe e filha irão viver para um lugar a 300 quilómetros de Moscovo, para casa da avó. Isto quer dizer, pelo menos indicia, que a mãe continua sem grandes meios de subsistência e ainda dependente de terceiros…
A criança tem seis anos, nasceu em Braga e, como pouco viveu com a mãe biológica, nunca aprendeu a falar russo. Agora, arrancam-na ao único mundo que conhece e levam-na, de um dia para o outro, para um país e para um meio desconhecidos, onde ela não conseguirá interagir com facilidade porque nem vai perceber o que lhe dizem… o choque será tremendo, mesmo sabendo que as crianças têm uma capacidade de adaptação extraordinária, que aprendem muito mais depressa do que julgamos.
Temos de admitir que a mãe biológica teve o ânimo suficiente para lutar nos tribunais pela posse da sua filha e que isso tem algum significado… mas o que ontem se viu nas pantalhas, na altura em que a criança era retirada dos braços da família de acolhimento e entregue à mãe biológica, foi um acto de grande violência, principalmente para a Alexandra. Se os adultos envolvidos nesta questão não fossem tão egoístas, tão convencidos da razão que lhes assiste, teria sido possível encontrar uma solução mais justa para a criança...
Por fim, julgo que João Pinheiro e Florinda Vieira (o casal que acolheu a menina) têm boas razões pra meter o Estado português em tribunal. Só que isso não lhes irá devolver a menina.

Vai uma novena?


Nestes tempos de Freeport, BPN e BPP, estava à espera que os jornais repescassem a velha história da fraude que rodeou a subscrição pública de angariação de dinheiro para a construção do Cristo-Rei. Os 50 anos da estátua justificariam e sabe-se como o povo gosta desses mexericos. Já em 1959 a história foi abafada, mas naquela época havia a censura e as vontades conjugadas do Cardeal Cerejeira e de Salazar.
Não conheço bem os contornos da história, mas julgo que foram desviados algumas centenas de milhar de contos pelo administrador da obra, um tipo de que não guardei o nome na memória, mas que seria alguém muito próximo da Igreja Católica. A tentação foi demasiada, à vista do monte de dinheiro laboriosamente angariado durante anos e anos nas homilias por todo o país. Ainda assim, o que sobrou deu para finalizar a construção, o que quer dizer que a subscrição pública excedeu em muito as reais necessidades do empreendimento. A dádiva popular foi ainda mais notável se pensarmos que as oferendas foram feitas durante os anos da II Guerra Mundial, uma época de crise económica profunda em Portugal, com fome declarada em muitas zonas do país.
A Igreja Católica organizou, a partir dos finais dos anos 30, aquilo a que se chamou a “Novena das Jóias para Cristo-Rei”, onde se pedia uma contribuição mínima de 1 escudo anual… manifestamente insuficiente como se pode ler numa circular que, em 1937, foi distribuída nas paróquias: “...se a subscrição nacional ficasse a cargo só da gente pobre, os trabalhos de erecção do Monumento teriam de arrastar-se por longos anos, com sumo desgosto dos entusiasmos desta iniciativa que são de todos os bons portugueses., desânimo de muitos, prejuízo de outras beneméritas iniciativas de carácter geral e até com a vergonha e desdoiro que seria para nós – à vista dos nossos irmãos brasileiros tão admiráveis no entusiasmo com que, em menos de um ano, amontoaram os milhares de contos do seu magnífico monumento a Cristo-Rei, no Corcovado…”.
Assim, a “Novena” serviu para aliciar os mais abastados para contribuições que poderiam ir até aos 5 mil escudos (uma boa maquia, para a época, compravam-se carros por menos dinheiro).
Como paga pelas boas acções, a Igreja garantia que “para benfeitores vivos e defuntos serão celebradas trinta missas cada mês, até à conclusão do monumento! E, sobre o coração e o lar de todos eles, cairá incessantemente, com o olhar agradecido de Jesus, o caudal das suas bênçãos…” .
O país inteiro contribuiu para a obra. Pena é que as bênçãos tenham caducado há tanto tempo. Hoje davam-nos jeito…

segunda-feira, maio 18, 2009

Inequivocamente

Hoje reajo a um comentário ao post de ontem. Normalmente não o faço, mas detesto equívocos…
Interrogou-se Alex (nova visitante, bem vinda!): “não será a expressão "mãezinhas e veraneantes" um pouco ácida? É que é um digno direito dos trabalhadores serem pais e terem férias. O problema da "reposição" de recursos humanos não é daqueles funcionários, mas de quem os gere. Feriu-me mais a sua expressão porque sendo mulher, deparo-me em entrevistas de trabalho frequentemente com a questão "tem filhos?" feita já com reservas, o que me faz "realizar" o quão atrasado Portugal ainda é nesta matéria.”
Pois, não podia estar mais de acordo com o que Alex deixou escrito. Acho abominável que as mulheres sejam discriminadas não só por serem mulheres, mas ainda por terem filhos. Trata-se de uma ilegalidade que muitas empresas cometem e que raramente é denunciada.
O propósito do post de ontem era precisamente evidenciar a má gestão do serviço público em questão, cujos responsáveis preferem fechar a loja a substituírem atempadamente os funcionários.
Talvez volte, mais tarde, a escrever sobre isto. Julgo que oportunidades e motivação não faltarão. Agora, tenho de ir mudar a fralda ao meu mais pequenito. Nasceu há 4 dias e é uma delícia de bebé.

domingo, maio 17, 2009

Loja fechada


Sou daqueles que recebe a newsletter semanal do Portal do Cidadão. Gosto de estar informado e de perceber os modos como o Estado trata o cidadão… esta semana, vinha um aviso com o seguinte teor: “A Loja 24, presente na Loja do Cidadão de Odivelas, vai estar indisponível durante o mês de Junho, devido à falta de recursos humanos, por motivo de férias, estatuto de trabalhador estudante e licença de maternidade.”
Isto é, nem mesmo numa altura em que sobejam desempregados, o Estado soube aproveitar esta oportunidade para dar trabalho, mesmo temporário, a alguns deles… nenhuma das situações descritas na newsletter são imprevistas e teria havido tempo para dar formação a alguém para que os trabalhadores-estudantes, as mãezinhas e os veraneantes pudessem ter sido substituídos sem necessidade de fechar a Loja 24 da Loja do Cidadão de Odivelas.

Coisas que se dizem só em campanha eleitoral


A direita política anda a fazer campanha pela redução dos impostos sobre as empresas, a pretexto de proporcionar alívio financeiro e evitar falências e maior desemprego ainda.
Pode até parecer boa ideia, mas acho que não é. Julgo que se trata de mais uma falácia política. Primeiro, porque não será suficiente uma redução de impostos para agradar aos capitalistas. Seria necessário uma anulação de impostos. Só aí eles ficariam verdadeiramente contentes e, talvez, mais condescendentes. Depois, porque sem cobrança de impostos o Estado ficaria sem meios para continuar a subsidiar a segurança social. Sim, é verdade que o subsídio de desemprego é uma miséria e que os restantes serviços sociais prestados pelo Estado são mauzinhos, mas imaginem o que seriam escolas e os hospitais públicos se tudo estivesse nas mãos dos que só pensam no lucro pessoal e egoísta… eles que acham que o subsídio de desemprego, por exemplo, é apenas um incentivo à preguiça e uma regalia a abater num futuro próximo… Por último, se a ideia é assim tão genial, porque será que nunca até hoje nenhum governo a aplicou? Nem mesmo aqueles que a reclamam, agora? Oportunidades não lhes faltaram, nestes 35 anos de exercício da Democracia.
Concordo quando se acusa o Estado de pagar mal e tarde. E isso devia acabar. Não há nenhuma razão para o Estado demorar meses e anos a pagar aos que lhe fornecem bens e serviços. É um mau exemplo e serve de desculpa para os privados fazerem o mesmo entre si. Ninguém paga a ninguém, conheço vários casos de pequenos empresários (são sempre os pequenos que se lixam…) que foram à falência, não por falta de trabalho, mas porque não conseguem cobrar os serviços que prestaram ou os bens que venderam. Assim, os calotes do Estado apenas beneficiam as grandes empresas, as únicas que conseguem aguentar o tempo de espera… sacrificando uns quantos postos de trabalho para equilibrar as contas e continuarem a dar lucro aos accionistas.

sábado, maio 16, 2009

Prevención del suicidio...


"Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.


Vida de cão


O meu filho Hugo gostava de ter um cão. E eu gostava de lhe dar um, mas viver num apartamento cheio de gente mais um cão está fora de questão. Temos um acordo que é, se a vida nos correr bem, vamos arranjar uma “casa com portão” e, então, poderemos ter um cão. Expliquei-lhe que os cães gostam de brincar no quintal, que fechados em casa não são felizes. O Hugo é bom menino. Ele também não quer um cão triste.
Cresci com cães. Até ao fim da adolescência, lá em casa tivemos uns 7 ou 8, mais uma gata e vários peixinhos encarnados. Mais tarde voltei a ter um cão, o Brutus, um Castro Laboreiro esperto e leal.
Do zoológico da juventude, lembro-me com saudade do Naice, um rafeiro dourado e branco, de cauda curta e que só lhe faltava falar. O Naice era o meu cão, foi-me oferecido quando fiz 9 anos. Crescemos juntos. Fomos cúmplices em muitas tropelias. Conversávamos bastante, mas também nos entendíamos bem nos silêncios. Dos muitos privilégios do Naice constava a autorização muito especial de passar da porta da cozinha, ir ao meu quarto e dormir em cima da cama. Durante muitos anos não conheceu trela ou corrente. Na Primavera, desaparecia dias seguidos e regressava magro, magoado, cansado mas de cauda a abanar. Morreu velho e com saudades minhas.
Gostava que o meu filho tivesse um amigo assim. Mas do modo como a vida vai, não sei se alguma vez iremos ter uma casa com portão.

sexta-feira, maio 15, 2009

"Eu sou a Manuela Moura Guedes e este é o Jornal Nacional da TVI, de 6ªfeira..."


Hoje vi, pela primeira vez na íntegra, o trabalho desta equipa que funciona como uma espécie de “tropa especial” da TVI.
A 1ªparte foi claramente um manifesto político. Não houve notícias, mas textos de combate às políticas do governo e ao primeiro-ministro. Repetiram-se imagens e frases que já se viram e ouviram centenas de vezes, como o vídeo onde um inglês corruptor confesso envolve Sócrates no caso Freeport, revimos e voltámos a ouvir, várias vezes, sob diversos pretextos, o inenarrável tio de Sócrates (o homem deve sofrer de Alzheimer…), etc.
A 2ªparte do Jornal Nacional teve vários trabalhos jornalísticos de boa qualidade, nomeadamente a continuação do caso das dezenas de ambulâncias do INEM guardadas num armazém, alegadamente à espera da campanha eleitoral para serem distribuídas pelos vários postos do INEM, e o caso dos médicos que vendem a ética profissional a troco de prendinhas dos laboratórios de produtos farmacêuticos (volta Pequito, que estás perdoado…).
O Jornal Nacional de 6ªfeira terminou com a tribuna reservada a Vasco Pulido Valente. Longos minutos bocejantes, gaguejantes, penosos. Má televisão, a coluna deste Vasco. Manuela Moura Guedes induz a conversa ao ponto de colocar palavras na boca do opinante, quase como se fosse o ponto do teatro. E, ainda assim, não passou de uma conversa banal. Vasco Pulido Valente é um bom polemista com a caneta na mão, mas não tem o dom da palavra. Não entusiasma ninguém, nem a própria Manela.

Telecabo


Nem todas as revistas de televisão são iguais. Esta é, definitivamente, diferente. Para melhor.

quarta-feira, maio 13, 2009

O Bom Patrão

O que sabem os jornalistas uns dos outros? Dos problemas que defrontamos, das pressões, das angústias… Seremos alguns milhares, exercitamo-nos na mesma profissão, mas cada um de nós é uma ilha e quase não nos apercebemos do que se passa nas proximidades. Às vezes, nem na proximidade mais próxima que é a redacção onde trabalhamos.
Vem isto a propósito de um email que recebi de um amigo, também ele jornalista. Dava-me a conhecer um artigo publicado no Jornal de Negócios, em 24 de Novembro passado, a propósito do que se passa no BPN. O artigo é assinado pelo jornalista Camilo Lourenço (1ªfoto), ex-director da revista Exame, onde ele relata as circunstâncias em que foi despedido pelo Dr.Balsemão, na sequência de uma notícia publicada em primeiríssima mão nessa revista, em 2001, onde se alertava para actos de má gestão no BPN.
Logo após a publicação dessa notícia, que fez a manchete dessa edição da Exame, Dias Loureiro conversou com Pinto Balsemão e a revista teve um novo director algum tempo depois. A revista pediu desculpa ao BPN e a vida continuou a sorrir a todos, menos ao jornalista despedido, é claro.
Sete anos passados, sabemos quem tinha razão e sabemos quem enganou, aldrabou, manipulou e quem encobriu tudo isso. O que se passou no BPN, e também no BPP, não será obra de um homem só, mas de um grupo que se conluiou para lucrar de modo ilícito com o dinheiro dos incautos depositantes.
Mas as águas estão separadas. Hoje, só continua enganado quem quer. Balsemão beneficiou injustamente da imagem do “bom patrão”, do empresário que respeitava o critério jornalístico e que não se imiscuía nos conteúdos dos órgãos de que era proprietário e administrador. Uma mentira alimentada pelo próprio, ainda hoje, quando se autoproclama “jornalista”. Pois, não consta que o Dr. Balsemão tencione agora readmitir o jornalista que injustamente despediu ou, sequer, pedir-lhe desculpa.
Pena é que estas situações continuem rodeadas pela penumbra silenciosa do medo e da reverência que os jornalistas prestam a Balsemão.

Destapadas


Elas estão em todos os quiosques. O cidadão vai lá para comprar o jornal do dia e vê-se obrigado a perder longos minutos a olhar para aquelas capas de revistas com fotos de mulheres nuas. E há muito por onde escolher, importadas, em várias línguas estrangeiras ou em português com sotaque ou, mesmo, Made in Portugal genuíno. Em plena crise, quando jornais, rádios e televisões se atarefam a despedir pessoal, a conter custos, surgiu a Playboy de Portugal. O meu aplauso, aos intrépidos empresários (quem serão?) e às irrequietas meninas que dão o corpinho ao manifesto.

O que não falta é quem queira tirar a roupa a troco de alguma mordomia mais ou menos efémera. Não sou moralista nem estou a dizer que não olho para as gajas que se expõem ali, mas confesso que a coisa já não me abala. Será da idade… ou da banalização desse tipo de boneca de porcelana, que me faz sempre lembrar as barbies que a minha filha mutilou quando era mais pequena e que hoje jazem na caixa dos brinquedos esquecidos.
Claro que o corpo tem toda a importância, mas há mais vida para além das curvas com ou sem silicone. O que dá tesão mesmo é ver uma mulher desabotoar-se lentamente, libertar as ânsias, assumir as suas fantasias. Para mim, hoje, já não importa muito se é gorda ou magra, bonita ou feia, culta ou ignorante… desde que não tenha nenhum destes atributos em exagero e seja inteligente.
Nas revistas da especialidade, as pequenas não sorriem, não choram, não duvidam, não têm temperatura, nada. Não se pode confiar nelas. Gente que vive num mundo estranho como se caminhassem sempre com um espelho à frente. Ensaiam pose em tudo, mesmo quando estão na cama. Não agem por intuição, mas por interesse. Tive uma há uns anos, linda, poliglota e fria, e cansei-me dela.
Mulher só vale a pena se tiver mais para mostrar que um corpo. Pelos vistos, não falta quem queira despir-se e ficar pendurada num expositor de jornais. Apesar de tudo, parece ser mais fácil do que destapar a alma e mostrar o que se tem dentro.

domingo, maio 10, 2009

Sem feira nem beira


Tal como o José Saramago, “este ano não irei à Feira do Livro de Lisboa. Que não é como a de Frankfurt, ou a de Guadalajara, no México, nem sequer como a de Madrid, mas que é a nossa e está num lugar bonito…”
Julgo que ele não vai porque estará adoentado. A idade não perdoa, e o nosso Prémio Nobel da Literatura já viveu um bom bocado. Eu não vou, porque o subsídio de desemprego é manifestamente curto para dar de comer à família e ainda conseguir comprar livros. Como não sou masoquista, não ponho lá os pés.

sábado, maio 09, 2009

Engaiolado


Hoje almocei com alguém que conheço há muitos anos. Trabalhámos juntos na RTP, quando ele se iniciou no jornalismo. Fomos parceiros no trabalho e cúmplices fora dele. Nunca foi um grande jornalista, mas fez duas coisas que marcaram a história da RTP: foi um dos repórteres que mais se distinguiu na cobertura do incêndio do Chiado e foi um dos que engendrou o modo de se entrevistar os membros das FP-25 que estavam em greve de fome na prisão de Caxias. Depois, enveredou por outros caminhos mais bem pagos. Ele hoje tem dinheiro, mas confessou-me que nunca mais pôde mandar à merda os figurões que o chateiam. Aprendeu a engolir sapos, submeteu-se, domesticou-se.
Quem olha para ele vê um homem bem sucedido na vida. Grande casa, Mercedes Benz, boa roupa de marca. Mas quando o olhei de frente, acho que vi um certo embaraço, uma sombra de vergonha.

Operário em construção


Um dia, já lá vão mais de 20 anos, tive de construir uma parede. Uma pequena parede, é verdade, mas uma tarefa difícil face à minha ignorância e falta de jeito para esse tipo de trabalhos manuais. Tratava-se do muro de apoio ao lava-loiça da cozinha. Nessa época, tinha alugado uma casa centenária no bairro da Graça, cansado dos engarrafamentos monstruosos na Ponte 25 de Abril. O pior é que o apartamento não tinha cozinha e, portanto, tive de improvisar uma. Daí a necessidade de montar o lava-loiça. Tijolos, cimento, areia, pá de pedreiro, comprei tudo e deitei mãos à obra guiado pelo bom senso e memória visual. No final, o muro ficou quase direito e o lava-loiça assentou bem. Tinha uma ligeira inclinação, mas que até ajudava a escorrer a água na direcção do ralo do esgoto. Perfeito. Aposto que ainda hoje lá está. E julgava que também a minha aprendizagem como pedreiro tinha ficado por ali. Mas hoje percebi que não tenho feito outra coisa, afinal de contas. Todos os dias coloco tijolo sobre tijolo, numa construção interior ainda sem fim à vista.

sexta-feira, maio 08, 2009

As ovelhas e os lobos


Emídio Rangel diz que “…o PS sempre foi desastrado a gerir a comunicação social. Tem um talento enorme para, entre tanta gente boa, ir sempre buscar as ovelhas ranhosas”.
Os seus detractores dirão que são palavras de despeito. Eu acho que ele tem razão. Do mesmo modo, também digo que o Emídio tem ido buscar algumas ovelhas ranhosas para implementar os seus projectos. E isso vê-se, agora, quando eles já só esperam pelo seu funeral para voltarem a reivindicar uma amizade que só existiu enquanto lhes foi conveniente.

quinta-feira, maio 07, 2009

no i


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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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