
Se tivesse um cauteleiro que, todas as semanas, me proporcionasse embolsar o 1ºprémio da lotaria, com toda a certeza que seria generoso com ele… qualquer um de nós faria o mesmo, não? Pois é isso mesmo que fazem os actuais accionistas de empresas que já foram públicas e que são tão rentáveis, tão rentáveis, que os seus gestores recebem chorudos prémios anuais, na ordem das dezenas de milhar de euros per capita. Já sei que me estão a chamar de invejoso… não vou contrapor.
Em 2008, o lucro da EDP subiu 20% e atingiu os 1092 milhões de €. A Galp aumentou os lucros em quase 200%. A PT tem lucros acima dos 580 milhões… Podia continuar, mas fiquemo-nos por aqui… O que me indigna, é que esses lucros se baseiam no tarifário que todos nós temos de pagar pelos serviços que essas empresas prestam, serviços que se fossem públicos seriam, com toda a certeza, mais baratos.
Fez algum sentido o Estado privatizar essas empresas para que, agora, meia dúzia de capitalistas se encham à nossa custa? Ganhámos o quê, com a privatização destas empresas? Os tarifários baixaram alguma vez? O atendimento é melhor? Não… Os únicos que ganharam bastante com as privatizações foram os compradores que, apesar de tudo, compraram barato e compraram com o dinheiro dos bancos. Quem paga, somos nós. Assim, também eu seria um grande capitalista, dessem-me acesso ao crédito bancário e empresas públicas de lucro garantido para comprar.
O que eu gosto de ver são aqueles empreendedores que pegam numa ideia, arriscam o pescoço e as pratas da família, criam novos postos de trabalho, que transformam produtos e a vida das pessoas para novas e melhores realidades. Esses são os capitalistas que admiro.




















