Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, setembro 08, 2009

Os capitalistas de quem gosto


Se tivesse um cauteleiro que, todas as semanas, me proporcionasse embolsar o 1ºprémio da lotaria, com toda a certeza que seria generoso com ele… qualquer um de nós faria o mesmo, não? Pois é isso mesmo que fazem os actuais accionistas de empresas que já foram públicas e que são tão rentáveis, tão rentáveis, que os seus gestores recebem chorudos prémios anuais, na ordem das dezenas de milhar de euros per capita. Já sei que me estão a chamar de invejoso… não vou contrapor.

Em 2008, o lucro da EDP subiu 20% e atingiu os 1092 milhões de €. A Galp aumentou os lucros em quase 200%. A PT tem lucros acima dos 580 milhões… Podia continuar, mas fiquemo-nos por aqui… O que me indigna, é que esses lucros se baseiam no tarifário que todos nós temos de pagar pelos serviços que essas empresas prestam, serviços que se fossem públicos seriam, com toda a certeza, mais baratos.

Fez algum sentido o Estado privatizar essas empresas para que, agora, meia dúzia de capitalistas se encham à nossa custa? Ganhámos o quê, com a privatização destas empresas? Os tarifários baixaram alguma vez? O atendimento é melhor? Não… Os únicos que ganharam bastante com as privatizações foram os compradores que, apesar de tudo, compraram barato e compraram com o dinheiro dos bancos. Quem paga, somos nós. Assim, também eu seria um grande capitalista, dessem-me acesso ao crédito bancário e empresas públicas de lucro garantido para comprar.

O que eu gosto de ver são aqueles empreendedores que pegam numa ideia, arriscam o pescoço e as pratas da família, criam novos postos de trabalho, que transformam produtos e a vida das pessoas para novas e melhores realidades. Esses são os capitalistas que admiro.

segunda-feira, setembro 07, 2009

O valor das notícias


O lucro da EDP subiu no ano passado 20%, para 1092 milhões de euros, anunciou a empresa em Março passado, explicando que se tratou de um resultado que saiu ligeiramente acima do esperado. Foi ainda melhor, portanto…
A Galp alcançou lucros de 125 milhões de euros no último trimestre de 2008, uma subida de 198,8% face a igual período do ano anterior. Quase 200%... Os resultados superaram as estimativas, disseram os analistas, quase como quem pedia desculpa por lucros tão obscenos.
No mês passado, a Portugal Telecom (PT) anunciou que os seus lucros semestrais aumentarem em 1,7 % para 256,1 milhões de euros. Também neste caso, a subida dos lucros da empresa ficou acima das previsões dos analistas.
O Banco Espírito Santo fechou o primeiro semestre com lucros de 246,2 milhões, menos 6,8% do que no mesmo período do ano passado, mas acima do esperado pelos analistas.

Tudo isto, dados publicados pelos média. Assim mesmo, sem mais nem dúvidas...
Daqui concluo que ou os analistas financeiros portugueses são uns nabos ou andam a cantar de ouvido… fazendo os fretes aqueles que pretendem fazer passar a ideia de que a crise obriga a cortes orçamentais, a despedimentos, a reduções salariais, ao encerramento das empresas… ajudando a criar a sensação de que vale tudo para manter o posto de trabalho, até mesmo aceitar o inaceitável.

Ainda vamos a tempo...

Passei ontem boa parte do dia a ver dois DVD’s. Um é um retrato inquieto sobre o futuro da Humanidade, o outro é um simples manifesto político.


imagem retirada do documentário Home - O Mundo é a nossa casa

Home é um documentário belíssimo cujos produtores não se pouparam a esforços ou despesas para o filmar. É uma volta ao Mundo em balão, toda a história é contada através de imagens aéreas dos sítios mais fantásticos do planeta. E tem um texto fortíssimo… que nos conta a história de milhares de milhões de anos de evolução da vida na Terra. E o modo abrupto como o homo sapiens rompeu equilíbrios estabelecidos desde há milénios. Hoje, a fome alastra e, em todo o Mundo, há mil milhões de pessoas sem que comer. 20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta. A Humanidade pratica a injustiça de modo impiedoso para consigo própria. Na Nigéria, por exemplo, que é o maior produtor de petróleo de África, 70% da população vive na miséria. Em termos globais, metade da riqueza mundial está nas mãos de 2% da população. Home termina com um apelo à moderação, à inteligência e à partilha. Porque talvez ainda haja tempo de evitar a rotura sem retorno de fenómenos como o aquecimento global, que irá transformar o clima da Terra de tal modo que poderá provocar o extermínio da vida no planeta, ou a exaustão dos recursos piscícolas, agrícolas, aquíferos… que, de igual modo, serão sinónimo de morte em larga escala.
imagem retirada do vídeo Garcia Pereira
Curiosamente, encontrei alguns pontos comuns com a mensagem do segundo DVD… e não é que o político mencione sequer as suas preocupações ecológicas. Mas é que, também no DVD de Garcia Pereira, se fala em desequilíbrios sociais, iniquidade na distribuição da riqueza, nos crescentes níveis de pobreza que fazem com que já existam 2 milhões de pobres em Portugal, na exploração desenfreada de alguns homo sapiens sobre outros homo sapiens.
Em Home, a primeira frase é… “por favor, oiça-me”.

sábado, setembro 05, 2009

Autocrítica maoísta


Mão amiga fez-me chegar, por email, a seguinte nota:


"Se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros."

quinta-feira, setembro 03, 2009

E quem vai acreditar nele?...


... mesmo que seja por demais evidente que o homem, neste momento, só tem a perder com tudo isto.
O que mais me intriga é o modo como esta trapalhada se tem desenvolvido. Primeiro, foi o "drama" da rescisão com o Moniz que, aparentemente, se desenrolou sem que a TVI tivesse acautelado um substituto à altura para o lugar de director-geral do canal. Agora, o modo como se tenta afastar a mulher do Moniz, quando já era público e notório que esse afastamento seria inevitavelmente transformado em facto político... e, entretanto, ninguém na TVI parece notar a constante descida das audiências do canal que quase se deixou ultrapassar pela RTP, nos últimos dias.
No bas fond, os interessados em calçar as botas do defunto alinhavam argumentos a favor deles mesmo e os nomes já rolam na passadeira das apostas: Paulo Camacho... Júlia Pinheiro... Tino de Rans...
Mas será que esses espanhóis não têm o telefone do Emídeo Rangel?

Mitos, não!


Manuela Moura Guedes diz que tem pronta uma peça sobre o Freeport… exibam-na. Se não for na TVI, ofereçam-na à SIC ou à RTP. Alguém a há-de meter no ar. Deixem outros jornalistas, dos jornais, das rádios, visionar essa peça tomba-governos. Não a escondam… não criem mais um mito.

quarta-feira, setembro 02, 2009

De ir às lágrimas


António Arnaut apresenta, no próximo dia 9, um livro a que intitulou Serviço Nacional de Saúde, 30 anos de Resistência… a apresentação decorrerá na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Não sei se o local foi escolhido pelo sugestivo nome que ostenta, mas com toda a certeza que o simbolismo é fortíssimo, dada a situação em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde, 30 anos depois de ter sido instituído…
Pelo SNS, choremos, choremos, choremos…

terça-feira, setembro 01, 2009

Mil camelos e 4 F-16


Khadafi dá a festa e poucos recusaram o convite. O petróleo e o gás da Líbia são mais do que suficientes para que o Mundo lhe perdoe todos os pecados, antigos e recentes. Pouco importa se a ditadura oprime, desde que continuemos a acender o fogão com o gás líbio e a acelerar nas auto-estradas com o depósito cheio.
Durante décadas, o Ocidente tentou derrubá-lo sem o conseguir. Os americanos bombardearam-no várias vezes, sacrificaram-lhe filhos, mas ele sempre sobreviveu. Teve sorte e um bom serviço de informações…
Na festa, que começa hoje e vai durar seis dias, Chefes de Estado e dignitários prestarão uma espécie de homenagem a um sobrevivente político. Hoje, Khadafi exerce uma grande influência num bom número de países islâmicos, nomeadamente em África, onde a Líbia sustenta regimes e paga a expansão do islamismo. Veja-se o que se passa na Guiné-Bissau, por exemplo.
Portugal é representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Nada contra, todos precisamos do petróleo. Mas, dizem-me, Portugal não se limita a assistir ao desfile dos mil camelos de Khadafi, também participa nele… com quatro F-16 que sobrevoarão os céus de Tripoli. E, isto, se for verdade, é que me parece excessivo e despropositado. Levar quatro aviões de guerra, mais a parafernália de apoio que uma deslocação dessas obriga (mecânicos, sobressalentes, pilotos, aviões de apoio) parece-me “demasiada alegria” pelos 40 anos de ditadura do Coronel.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Novo Paradigma


A decisão da senhora em fazer uma campanha sem comícios é apresentada como “uma volta sem espectáculo e virada principalmente para o esclarecimento dos eleitores” mas, é claro, a verdade está longe de ser essa. Na verdade, a dirigente do PSD deve tremer só com a ideia de ter de participar em acções de campanha na rua, arruadas com bombos e gigantones, comícios gritados. Gostava de a ver no Pavilhão da Tapadinha, de braço no ar, a ritmar as hostes com gritinhos agudos de “PSD! PSD! PSD!”. Gostava de ver, mas não vou ver…
Elucidativo foi, também, a analogia feita entre funerais, missas e campanhas eleitorais. Não sei de qual comparação gosto mais… mas são todas de extremo bom gosto. E revelam um espírito… digamos, arejado… de quem tem uma ideia… digamos, arrojada… da política em Democracia.

domingo, agosto 30, 2009

Espero que os "jotas" tenham aprendido bem a lição


Ainda me hão-de explicar, por favor, porque razão tipos como o ex-futuro-ministro-de- qualquer-coisa Pina Moura têm sempre um ou dois jornalistas dispostos a fazerem eco dos gargarejos que lhe brotam da goela, mesmo os mais simplistas.
É que classificar o programa do PSD como “duro e focado”, “clarificador” e “divisor de águas”, sem o justificar, é o mesmo que dizer nada. Dizer que o programa do PSD assume “que os recursos são escassos”, assim sem mais, é plagiar qualquer um dos manuais de introdução à economia existentes no mercado livreiro. Que “os recursos são escassos” sabemos todos e nem sequer precisamos de ter lido Samuelson ou Mankiw.
Mas Pina Moura diz banalidades destas e foi logo citado nos jornais e televisões. Até vi o inefável Marcelo rejubilar, tanto mais que se trata de alguém que tem tido um percurso político de deriva constante da esquerda para a direita. “Alguém que começou no Estado e chegou ao privado”, dizia o professor aos seus alunos na Universidade de Verão do PSD, lembrando que Pina Moura começou no Partido Comunista e acaba de se colar ao PSD (agora, que o PS está na mó de baixo). Enfim, seguindo o exemplo de outros. Na deriva e na falta de escrúpulo. Para Marcelo, um exemplo a seguir pelas gerações mais novas, malgrado o lambebotismo.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Genuflexões


Desde o dia 23 que ando a ver o telejornal da televisão pública na Região Autónoma da Madeira. Seis telejornais, sete aparições de Alberto João na pantalha. O madeirense Alberto é um pouco como aquele “cubano” que dá pelo nome de Marcelo… fala sobre tudo, tem opinião sobre tudo, todos o escutam, ninguém prescinde dele. Opiniou contra o casamento gay, contra a visita de Sócrates à “sua” ilha, contra uma alegada influência bolivariana no regime político português, contra a existência de “espiões” nas instituições públicas madeirenses, contra a greve na TAP, embevecido pela realização de uma exposição bienal de arte na ilha de Porto Santo, contra a iniciativa do Governo da República ao promover o turismo na Madeira junto do mercado russo…
Alberto tem o microfone RTP-Madeira sempre aberto para ele…

quarta-feira, agosto 26, 2009

Bolívar, ainda...

Dois dias depois, tenho quase a certeza de que a estátua não passa mesmo de um espantalho para assustar continentais e pretensos colonialistas…
Alberto J.J. acaba de criticar, precisamente, o que ele diz ser a orientação “chavista” e “bolivariana” do governo português. Claro que esta opinião vai ficar englobada naquele rol de “disparates” a que Alberto João já nos habituou, ele próprio joga com isso para dizer tudo o que lhe vem à cabeça. A inimputabilidade de que beneficia acrescenta-lhe fama e glória aos olhos do povoléu e assim vai regendo este “bailinho” da Madeira a seu belo prazer.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Bolívar num jardim de Alberto João


Dei com ela (a estátua) esta noite, num passeio pelo Funchal...

Uma surpresa?
Alberto João está no poder na Madeira desde sempre. Portanto, a erecção de uma estátua bolivariana em pleno Funchal só pode ter tido a sua concordância...
É verdade que Simão Bolívar foi um nacionalista empedernido que lutou com ganas contra o Império de Espanha. Levou à independência nada menos que seis países... e, ainda hoje, serve de inspiração aos vários nacionalismos latino-americanos, nomeadamente aos regimes ditos de esquerda. Hugo Chavez, presidente da Venezuela e amigo de Sócrates é um desses fiéis admiradores de Bolívar. Os rebeldes (terroristas, segundo a cartilha dos EUA) das FARC, na Colômbia, também se dizem inspirados pelo mesmo exemplo... daí que possa parecer estranho que o “nosso” Alberto João partilhe um ídolo com as FARC e Chavez... a não ser que a estátua de Simão Bolívar no Funchal sirva, apenas, de espantalho para o Ministro da República e outros representantes das instituições “colonialistas” continentais.

sábado, agosto 22, 2009

O caminho faz-se caminhando


Há cerca de 2500 anos, um dos mais proeminentes políticos de Atenas, Péricles, largava pérolas como "as mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos". Péricles era considerado um democrata e, portanto, é um dos pais da nossa Democracia.
É claro que em 2500 anos o pensamento político avançou muito, os preceitos sociais não são os mesmos, a Democracia democratizou-se, digamos assim. Mas é um caminho que ainda não está feito. Estamos nele, mas não vislumbramos o fim da caminhada. Não podemos considerar esta Democracia que temos como uma obra acabada… ainda é demasiado imperfeita.
As assimetrias sociais, a injustiça na distribuição da riqueza, a iniquidade nas oportunidades dependendo do sexo, da raça, do nome de família, do local onde nascemos. São muitas as variantes que provocam desigualdades. Uma delas é o preconceito… que, aliado à ignorância, facilita o engano e a manipulação. Refiro-me, por exemplo, ao preconceito implantado em muitas pessoas relativamente aos pretensos malefícios da esquerda política. Medos alimentados pelo marketing dos partidos sustentados pelo Capitalismo. Aliás, o medo do Comunismo foi (enquanto se justificou) parte integrante do armamento ideológico do Capitalismo. Comiam criancinhas ao pequeno-almoço, os comunistas – e muitos acreditaram piamente nestas tretas. O medo que eles viessem e lhes confiscassem a carroça e o burro, a leira de terra, o naco de pão. Mas se tudo isso fosse levado pela hipoteca ao banco, já não fazia mal…
Não pretendo fazer aqui a defesa do Comunismo. Na verdade, os regimes comunistas não me parecem melhores que os inspirados pelo Capitalismo. Ambos fizeram e fazem muitas vítimas inocentes, qualquer deles não hesita em sacrificar seres humanos em nome dos dogmas que os enformam. Pretendo, apenas, relativizar as coisas e argumentar em prol da liberdade de pensamento. Considero que para se escolher verdadeiramente é preciso conhecer. Sem preconceitos. Até porque, hoje, tudo mudou e as práticas políticas dos partidos já pouco têm a ver com as velhas práticas dogmáticas dos anos 60. É por isso que acho que ninguém devia dizer que já sabe em quem vai votar, num reflexo pavloviano ditado por coisas velhas. É a minha opinião.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Bússola



Experimentem. É giro participar. Cliquem neste link.



Só não sei se os termos de comparação entre as nossas respostas e as dos vários partidos políticos serão completamente fiáveis. Segundo creio, os promotores desta "bússola eleitoral" basearam-se nos programas partidários para extraírem as respostas dos respectivos partidos às questões colocadas. E são essas "respostas" que, depois, são comparadas com as nossas. Como a coisa não passou por entrevistas directas com dirigentes partidários, temo que algum termo de comparação não seja completamente fiável. Mas não é por isso que esta "bússola" deixa de ter graça. Até porque a piada está na eventual discrepância entre o resultado da "bússola" e a nossa real intenção de voto. A mim, por exemplo, deu-me como "próximo do PS".

Blá blá blá rasteirinho



OK, o PC jamais se coligará com o PS ou o BE, nem mesmo num cenário pós-eleitoral em que seja necessário plasmar politicamente a maioria sociológica de esquerda que, de facto, existe em Portugal. Pronto, não se pode levar a mal. O Partido Comunista não quer ir por aí, está no seu direito, ou está com a direita… se quiserem.
Agora, não lhe fica mesmo nada bem argumentar de forma tão rasteira, tão merdosa, como fez num artigo publicado no Avante
Pronto, no PC também não voto.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Azuis


Vêm aí cravos azuis transgénicos. A introdução da espécie já foi autorizada pela Holanda e, sendo a Holanda o maior exportador mundial de flores para todo o Mundo, depressa esses cravos de cor monárquica ou social-cristã estarão à venda nas floristas de todo o país.
Já é mau serem transgénicos, mas serem azuis é que não. Já estou a ver um na lapela de Cavaco Silva no próximo 25 de Abril…

quarta-feira, agosto 19, 2009

Caspa


O PS orçamentou 5 milhões 540 mil € para a próxima campanha eleitoral. Se tiver 1 milhão e meio de votos, perde as eleições mas a campanha sai-lhe de borla. Com 2 milhões de votos, talvez ganhe as eleições e acaba por ter lucro significativo. Isto, porque o Estado subvenciona os partidos políticos que obtiverem mais de 50 mil votos nas eleições. São, se não erro, 3 € e 50 cêntimos por cada voto. Façam as contas e vejam o negócio que isto não representa. Já não falo das sinecuras que ficam à disposição dos correligionários e amigos, belos tachos com direito a BMW e cartão de crédito para despesas de representação. Mas isso são outras contas do rosário…
Se compararmos o orçamento dos partidos políticos com assento parlamentar com os outros, verificamos que a luta é completamente desigual. Enquanto que os primeiros têm mundos e fundos para gastar em propaganda, os segundos contam tostões e lançam-se à luta se a colecta entre os correligionários chegar para alguma coisa…
Do PS já falámos, agora comparemos o PSD com 3 milhões 340 mil € com a Frente Ecologia e Humanismo que só tem 25 mil €… ou o PCP/PEV com 1 milhão 950 mil € e o MMS com, apenas, 40 mil €… ou mesmo o Bloco de Esquerda com 993 mil € ao pé do PCTP/MRPP com singelos 45 mil €… ou seja, enquanto uns podem comprar os serviços de agências de comunicação, prometer bons empregos e facilitar a carreira dos amigos, outros mal conseguem fazer-se ouvir perante a berraria das máquinas propagandistas dos que andam próximos do poder e dele se alimentam.
Ou seja, os resultados eleitorais têm muito pouco a ver com programas políticos ou ideologias. Apenas com propaganda. Andamos a votar como quem vai ao supermercado à procura do "melhor" shampoo para a caspa.

terça-feira, agosto 18, 2009

Chateia-me


.
Chateia-me que este governo acabe por dar razão à Direita e à Esquerda, de Portas a Garcia Pereira (curiosamente, com o mesmo discurso), por não ter dado prioridade aos apoios às PME’s, a verdadeira espinha dorsal da economia do país. As pequenas e médias empresas garantem mais de 90% do emprego e quase a mesma percentagem do PIB. Quando o governo preferiu investir nos apoios, subsídios e isenções fiscais às grandes multinacionais, ficámos todos à mercê dos caprichos desses capitalistas sem rosto nem alma, que tanto se lhes dá ter uma fábrica aqui como na China, o que lhes interessa são os milhões de lucro e não o bem-estar social.
Também me chateia que, depois do fracasso das “europeias”, o governo tenha entrado numa espécie de “coma”, deixando cair a aplicação de projectos que poderiam, de facto, com rapidez, dar emprego a muitos milhares de pessoas, nomeadamente, operários da construção civil. Para além da tal “falsa humildade” que logo foi detectada, usada e abusada pela oposição política e mediática, Sócrates revelou, de facto, falta de carácter político – o que não tem nada a ver com arrogância, característica que também não aprecio.

sábado, agosto 15, 2009

Woodstock, o Adelino e a ditadura


Woodstock foi há 40 anos. Meio milhão de pessoas juntaram-se num descampado, perto de uma aldeia chamada Woodstock, nos EUA, e realizaram um festival de música que marcou uma geração na parte Ocidental do Mundo.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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