Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, julho 27, 2009

Pregar aos peixes


Quando ouvimos um político ufanar-se de ser pragmático, ou seja de praticar uma doutrina que releva o valor prático das acções, temos tendência para concordar…. Pois então, trata-se de um homem que sabe o que quer e para onde vai, certamente um bom líder, um daqueles que nunca tem dúvidas e raramente se engana – pensamos logo. Mas, se pararmos para reflectir, percebemos que o pragmático é, apenas, o tipo que defende o que lhe convém e que raramente se importa com os outros. Pragmático é, por norma, aquele que é capaz de vender a alma ao diabo para alcançar um objectivo pessoal. Então, acho que vou passar a dar mais atenção aos que se mantêm leais aos ideais, mesmo às ideologias. Aqueles que ainda acreditam, depois de todos os muros terem caído. Que continuam a pregar aos peixes, derrota eleitoral após derrota eleitoral, e que não se importam. Sempre são mais fiáveis.

sábado, julho 25, 2009

Mau feitio

Quem segue a actualidade internacional sabe bem que os problemas com que nos confrontamos não são exclusivos de Portugal.
O desemprego galopante, a falência e a deslocalização de empresas, a baixa do poder de compra afectam de igual modo a vida de espanhóis, franceses, italianos, ingleses… e não se pode dizer que a culpa seja de Sócrates.
Em França, por exemplo, há até novos fenómenos de radicalização das lutas laborais, com os trabalhadores a organizarem-se em comités ad-hoc e a prescindirem do papel mediador das estruturas sindicais clássicas. Para muitos franceses, a luta pela sobrevivência já ultrapassou as fronteiras da contemporização e deixou de ser admissível permitir que o patronato deslocalize calmamente uma empresa para um país asiático de mão-de-obra quase escrava. As situações violentas têm-se multiplicado no último mês, com vários casos de sequestro de empresários e ameaças de destruição do património das empresas encerradas por mero calculismo capitalista. Há até instalações fabris que foram ocupadas por trabalhadores e armadilhadas com cargas explosivas prontas a serem deflagradas caso a polícia ensaie alguma tentativa de resolver o conflito pela violência legalizada. Os problemas de Sarkozy são bem maiores que os de Sócrates, são à escala do país, como é evidente… mas Sarko não tem eleições à porta. O governo francês tem tentado dialogar com os promotores destas situações, mas os impasses acumulam-se e a França arrisca-se a ter no regaço uma questão social verdadeiramente explosiva no final deste Verão. Por parte dos sindicatos, o silêncio é quase absoluto, pelo que se lê nos jornais… ou foram de férias (um direito inalienável do trabalhador enquanto tem trabalho) ou não sabem o que dizer.
Ah, Marianne… que feitio o teu!

quinta-feira, julho 23, 2009

Voto sentido - 2



Ferreira Leite não tem consciência social, não a sinto sensível aos problemas dos trabalhadores de salário mínimo, dos desempregados, dos sem casa condigna, dos transgressores do limiar da pobreza.
Por isso, rejeito-a. É-me desagradável. Não votarei nela.

domingo, julho 19, 2009

As boas razões para um corte de estradas


Odeio praias cheias de gente, mas os meus filhos não querem saber disso e acham que a água nunca está demasiado fria. Então, lá fui até Carcavelos…
Em Paço D’Arcos, engarrafamento. Trânsito bloqueado, marchava-se a passo lento. Depois de Paço D’Arcos, a explicação… a marginal estava cortada desde ali até à rotunda de Carcavelos, informação fidedigna transmitida por um polícia de serviço ao corte de estrada. As razões em concreto não sei, nem quis saber, mas imagino que esteja relacionado com alguma corrida de bicicletas ou de patins de roda em linha promovida por alguma associação de adeptos do desporto ao ar livre. Nada contra, mas não percebo porque o fazem na via pública. Se a Lei não permite que a indignação da população seja razão para um justo corte de estradas, então não percebo porque se permite este outro tipo de manifestação que, pese embora todas as boas intenções, acaba por redundar no mesmo transtorno para quem precisa de circular pela estrada cortada. Só acrescento que admito que se corte uma estrada por um bom e justo protesto, mas já me chateia ser prejudicado porque há uns tipos que gostam de se exibir a andar de bicicleta. Mas isso sou eu a falar, que tenho mau feitio.

sexta-feira, julho 17, 2009

A discriminação pode ser uma questão geográfica


Sou daqueles que acham que discriminar dadores de sangue homossexuais é uma cretinice. O que está em causa são os chamados comportamentos de risco que propiciam a propagação de doenças como a SIDA, mas o simples facto de se ser homossexual não significa que se seja promíscuo. Conheço alguns casos de homossexuais fiéis ao parceiro e extremamente cuidadosos com questões de saúde. Conheço casos de heterossexuais, homens e mulheres, doidinhos por dar uma facadinha no matrimónio à primeira oportunidade. Conheço hetero que se drogam e gays que só bebem água mineral. E o contrário. É a vida e o comportamento humano. Por isso, acho que excluir os gays da capacidade de doar sangue é uma discriminação idiota. Façam-lhes os testes e se o sangue for bom, aceitem-no. Não sou gay e é o que normalmente acontece comigo, quando dou sangue. E nos últimos anos, o meu sangue tem sido sempre rejeitado, porque a malária me contaminou para todo o sempre e tenho um sangue impróprio para consumo de terceiros. Isto, quando o faço em Portugal. Mas a última vez que doei sangue foi em Luanda, em Abril passado. O enfermeiro de serviço no Hospital Maria Pia aceitou como boa a minha palavra ao dizer-lhe que não ia às putas. Tirou-me a litrada e misturou-a anonimamente com outras que esperavam ocasião de virem a ser precisas. Ainda o avisei da malária, mas ele encolheu os ombros. Quem é que não tem malária em Angola?

Os trabalhadores pagam a crise


É raro que um jornal publique notícias sobre os seus próprios conflitos laborais. O Público fê-lo hoje, talvez porque se trata aparentemente de uma boa notícia, ou seja, do propalado fim do conflito… que, de facto, não acabou nada, continuará dentro de algum tempo, quando o patrão verificar que não é assim que lá vai.
A questão é que o jornal dá prejuízo, 4 milhões ao ano, segundo julgo. E o senhor Azevedo acha que é cortando na massa salarial que vai ganhar dinheiro. Olhando para o exemplo de outros, diria que se trata de um erro. Um projecto de comunicação social ganha-se investindo, reinvestindo, dinheiro e imaginação, levando os criativos a vestir a camisola, fazendo com que o local de trabalho passe a ser uma segunda casa, senão mesmo a primeira. É assim que se vencem essas batalhas, com mel e não com fel. O que o senhor Azevedo está a fazer é a destruir a esperança e a transformar o projecto de um jornal num mero emprego a prazo e mal pago. Assim, não vai lá. A partir de agora, o Público passa a ter jornalistas com medo, inseguros em relação ao futuro, inseguros em relação a si mesmo. Passa a ter trabalhadores que farão tudo para sobreviver, atropelando-se mutuamente, destruindo relações de camaradagem, anulando lealdades, como derradeira esquema de sobrevivência.
O Público “convenceu” os trabalhadores a abdicarem de uma parte do salário, como contrapartida não haverá nenhum processo de despedimento colectivo. Quem será o ingénuo que acredita que o problema ficou resolvido?

quarta-feira, julho 15, 2009

Mãos ao ar, isto é um assalto!


Os casos BCP, BPN e BPP, casos (crimes?) de gestão danosa e de fraude praticados pelos banqueiros que mandavam nesses bancos estão a ajudar a enterrar o governo. Não que o governo tenha tido alguma participação nessas malfeitorias, mas porque o governo e o PS insistiram em defender o governador do Banco de Portugal das acusações de incompetência no desempenho do papel de fiscal de boas práticas bancárias.
Por questões de mero oportunismo político, os partidos da oposição tudo fizeram para queimar o cadeirão de Vítor Constâncio, não por ele ser o governador do BdP mas, apenas, porque ele é do PS. Na reacção, o governo e o PS não o deixaram cair.
Sócrates, Santos Silva e demais, que costumam ser tão lestos a deixar cair carneiros no altar dos sacrifícios, teimaram em defender Constâncio… e vão pagar politicamente por isso. Só lamento que todo o barulho que se faz à volta desta questão da culpa do regulador, sirva apenas para distrair as atenções dos verdadeiros “assaltantes” de bancos.

domingo, julho 12, 2009

E ao escriba, ninguém passa cavaco

Os grandes patrões dos médias europeus anunciaram um cerrar de fileiras na guerra que travam já há uns anos contra os motores de busca e os agregadores de notícias, que utilizam os conteúdos das páginas digitais dos órgãos de comunicação social, casos do Google News ou, numa versão caseira, o eusou.com .
O que eles querem é, cito o que li no Público (que cita Mathias Döfner, presidente do grupo alemão Axel Springer), “uma fatia justa das receitas que são geradas pela exploração comercial dos nossos conteúdos”.
Portanto, o que eles querem é dinheiro, mas argumentam eufemísticamente com a necessidade de se respeitar a propriedade intelectual e, como diz Balsemão (citado pelo Público na sua qualidade de presidente do European Publishers Council), “apelamos aos governos para que apoiem o direito de autor na era da Internet”.
Mathias e Francisco querem receber por aquilo que se recusam a pagar aos jornalistas que trabalham para eles. Quem é o jornalista que recebe direitos de autor pelo seu trabalho? Quem é então o detentor da propriedade intelectual de uma obra, quem a faz ou quem paga o salário ao criativo? Qual destes magnatas da comunicação já alguma vez pagou a um jornalista por utilizar o seu trabalho nas sinergias dos grupos que controlam?
De resto, acho que está por fazer o cálculo dos benefícios usufruídos pelos órgãos de comunicação social ao serem citados pelos serviços agregadores de notícias e motores de busca. É que, invariavelmente, o utente acaba por lá ir parar, quando não é imediatamente dirigido para lá.

sábado, julho 11, 2009

1 + 1 = 11


Tenho feito um esforço, mas não consigo entender esta lógica aritmética que vai somando todos os casos positivos de gripe A. As notícias de hoje dizem que “sete novos casos de gripe A foram confirmados nas últimas 24 horas em Portugal, fazendo subir para 86 o número total de infecções deste vírus no país”, mas na realidade há apenas 7 pessoas internadas nos vários hospitais. As outras já estão curadas.
Segundo creio, todo este alarme se deve à rapidez de propagação do vírus H1N1. Mas não me parece que seja um vírus especialmente letal para justificar sucessivas conferências de imprensa da ministra e entrevistas ao director-geral da Saúde. Ou então há alguma coisa que me escapa, o que até é bem possível porque sou um leigo na matéria.

Mas achei curiosa uma reportagem que vi, no Telejornal, sobre a eventualidade dos políticos em campanha alterarem os hábitos beijoqueiros durante os banhos de multidão... o H1N1 será uma óptima desculpa para fintarem as velhas babadas e as criancinhas ranhosas.

sexta-feira, julho 10, 2009

Retratos e mensagens

O fotógrafo português Edgar Martins viu um trabalho seu ser retirado do site do New York Times, porque em pelo menos uma fotografia a imagem foi manipulada digitalmente. Edgar Martins terá utilizado Photoshop para realçar o efeito que pretendia quando fez a fotografia.
O fotógrafo diz que não é um mero intermediário e que, por isso, não se limita a retratar a realidade. Ele quis provocar um determinado efeito, quis comentar a coisa, dar uma opinião.
A discussão que se levantou é se o que ele fez é legitimo, do ponto de vista jornalístico, que era o que o New York Times pretendia ao encomendar o trabalho ao fotógrafo.
Mas quando a discussão chega a este ponto, não se pode restringir ao trabalho de recolha de imagens dos repórteres fotográficos ou de televisão. Quando um jornalista escreve um texto, as palavras que escolhe influenciam a visão que o leitor vai ter sobre o assunto. Dois jornalistas jamais farão a mesma reportagem sobre o mesmo assunto. A subjectividade é total, mesmo se os dogmas da profissão falam em isenção, equidistância e outras coisas impossíveis de alcançar.

foto de Edgar Martins

quinta-feira, julho 09, 2009

Financiadores

Encontrei um rascunho no computador, um copy paste de uma notícia de meados de Janeiro deste ano que dizia que o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, havia denunciado a existência de uma "onda de aproveitamento" da crise para gerar mais desemprego, situação que tem na origem "a não assumpção das responsabilidades sociais".A notícia citava longamente Oliveira Martins ao dizer que "vemos muitas situações em que percebemos que se está a aproveitar este momento para não assumir as responsabilidades sociais".
Curiosamente, desde então, e já lá vão mais de seis meses, não me lembro de ver nenhum partido político pegar nesta questão. E tenho a impressão que nunca irei ver, tanto mais que vamos entrar em sucessivas campanhas eleitorais e adivinhem quem vão ser os principais financiadores dos partidos políticos, pelo menos daqueles que têm tido os poderes legislativo e executivo na mão.

terça-feira, julho 07, 2009

Vermelho de Natal


Só damos por ele quando há eleições. Não que ele ou o partido não mantenham uma actividade política regular, mas porque só quando são obrigados a isso os órgãos de comunicação social dão cobertura às suas actividades. É por isso que ele só aparece em campanhas eleitorais, em reportagens de circunstância nos noticiários e… nos tempos de antena. É quando os pequenos partidos políticos têm algum ar para respirar. E é assim que se alimenta a ignorância sobre o perfil desses políticos e se mantêm estereótipos criados há dezenas de anos pela propaganda dos partidos maiores.
A propósito disto, hoje ao almoço ouvi uma história deliciosa que não posso deixar de partilhar.
Era Dezembro não sei de que ano e ele andava por Alfama, em campanha para as autárquicas. É um dos seus percursos de eleição, gosta de lá ir e parece que é sempre bem recebido pelos moradores. De ruela em ruela, cumprimentava pessoas e trocava palavras com quem tinha reclamações a fazer. Uma dessas pessoas levou-o a entrar em casa, certamente por causa de alguma obra de reparação que o senhorio ou a câmara deviam fazer e não faziam. O candidato ouvia e enquanto circulava pela casa reparou na árvore de Natal da velhota. “Olha, que bonita árvore de Natal!” disse, “até parece a minha!”, observação que surpreendeu a senhora: “Mas o senhor também faz árvores de Natal?”, perguntou ela ao líder do PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
Garcia Pereira explicou então à senhora que considerava o imaginário do Natal essencial para a educação das crianças e que, como tinha filhos, celebrava a festa todos os anos. Mesmo com esta explicação, julgo que a estranheza da senhora não se terá dissipado. Não é fácil de aceitar que um comunista empedernido se ajoelhe para colocar bolas coloridas e luzinhas cintilantes num pinheiro cortado. Será que eles são humanos?

segunda-feira, julho 06, 2009

Break a leg (salvo seja...)


Não quero parecer demagógico, nem ciumento, nem invejoso… mas acho que o que se passou hoje com a sacralização de Cristiano Ronaldo ultrapassou todos os limites do bom senso e do pudor.
Cristiano Ronaldo é um belíssimo jogador de futebol. Ponto. Não é um cientista de renome, não ganhou nenhum Prémio Nobel, não se distinguiu em nada excepto a jogar à bola. Mesmo dando de barato que o futebol é um desporto do agrado da maioria das pessoas, nada justifica que todas as televisões do país tenham enveredado por dar cobertura a uma mera operação de marketing de um clube espanhol que, por manifesta falta de vergonha, decidiu pagar um balúrdio pela transferência de um jogador de futebol. No que toca à RTP, não vi nenhum serviço público na indigestão de directos realizados ao longo do dia, desde o aeródromo de Tires até ao hotel de luxo onde o rapaz foi tomar um duche antes de se apresentar à massa associativa madrilena. Quanto à SIC e à TVI, não surpreende a orientação tablóide do critério…
Resumindo, gostaria de saber quanto pagou o Real Madrid pela parceria das televisões portuguesas na operação de propaganda que montou.

domingo, julho 05, 2009

Pobre não é cidadão


Tem 50 anos e é mãe de duas adolescentes. Ambas estudam mas uma tem uma doença crónica detectada aos quatro meses de idade, razão pela qual a mãe recebia um complemento de abono de família, uma pequena ajuda do Estado para auxiliar nas imensas despesas médicas. A mãe ficou, agora, desempregada. E ao mesmo tempo que ficou desempregada viu o complemento de abono de família ser cortado. Porque o dito complemento só é pago quando existem descontos para a segurança social. Desempregada, a mãe deixou de fazer descontos… pois a miúda doente crónica deixou de ter direito à ajuda do Estado. Até custa a acreditar...
A frieza deste Estado é inaceitável. Mas se pensarmos que o Estado é aquilo que as pessoas querem que seja, então é a nossa frieza que é inaceitável. Uma frieza que se traduz, tantas vezes, em actos comezinhos e aparentemente distantes deste estado de coisas…
Tenho um amigo que faz parte de uma agremiação recreativa, um clube de bairro onde os sócios cruzam saberes, experiências e anedotas sobre a vida. Um destes dias houve eleições para a direcção da agremiação. O meu amigo não pôde votar porque deixou de pagar quotas desde que deixou de ter dinheiro quando faliu a pequena empresa dele. A falência não o empobreceu apenas, tirou-lhe direitos de cidadania também. Acredito que o magoou bastante ter sido impedido de votar.
Ele e ela têm direito a outro tipo de solidariedade, tanto do Estado como da sociedade.
E não falo de caridade.

sábado, julho 04, 2009

Voto sentido


Nas próximas eleições irei votar. Ainda não sei em quem, mas irei. O meu dilema prende-se com uma profunda desilusão relativamente aos chamados partidos do poder. Já antes votei fora desse binómio e, suspeito, será isso que irei fazer de novo. Julgo que irei contribuir para o enriquecimento da Democracia, ajudando algum dos pequenos partidos que nunca tiveram hipótese de mostrar o que valem, que nunca conseguiram eleger um deputado que fosse. Quero voltar a ver na Assembleia da República um “cavaleiro solitário”, um novo Acácio Barreiros que tão boa conta de si deu e tanto contribuiu para o debate político em 1975. Agora imaginem se pudéssemos ter vários solitários no Parlamento, deputados verdadeiramente descomprometidos com os lobbies dos poderes económico e político, sem disciplinas de voto idiotas e contra-natura, que agissem em consciência e preocupados apenas com a satisfação dos compromissos assumidos perante o eleitorado.

quinta-feira, julho 02, 2009

Burro chifrudo


Manuel Pinho era um ministro politicamente frágil. Por mais de uma vez demonstrou essa fragilidade, deixando-se enredar na maledicência do duelo político-partidário de modo ingénuo. Não é fácil ter estrutura mental para aguentar com todas as torpezas próprias do exercício político. Há quem nunca o consiga e Pinho parece-me ser um deles. Hoje, escorregou fatalmente. Perante um comentário feito em surdina que considerou ofensivo, o ministro partiu para o insulto. Pelo gesto, não percebo se chamava cornudo ao outro se burro. Os dedinhos espetados tanto podem querer significar um par de chifres ou um par de orelhas grandes. Qualquer que seja o significado, acho que todos os dias os senhores deputados se insultam mutuamente de alto a baixo, guarnecidos pelas respectivas imunidades que a qualidade de eleitos lhes confere e nada demais acontece. Ora, Pinho não tem essas prerrogativas, como ministro não foi eleito. Foi despedido, para gáudio da oposição e do “burro chifrudo”.

28 locomotivas a vapor


Em Portugal, os 28 economistas contratados pelo PSD… perdão, conotados com o PSD… perdão, amancebados… enfim, esses 28 doutores em economia, dizem que os grandes investimentos públicos têm de ser repensados, porque não são rentáveis, não criam emprego, não prestam para nada. Se perguntarem às empresas de construção civil ou aos 60 mil operários do sector que já estão no desemprego, talvez encontrem opiniões diferentes, mas não tão doutas, porventura.
Nos Estados Unidos, o presidente Obama também não concorda com os 28 pilares do pensamento económico português. Obama, à semelhança de Sócrates, ou vice-versa, tem também um projecto para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Mas Obama acha que esse investimento público vai ser altamente rentável para os Estados Unidos. Vai ajudar a reduzir a dependência da população face ao transporte automóvel, vai reduzir as importações de petróleo e… ainda, vai ajudar a reduzir as emissões de CO2 e estimular o desenvolvimento económico (imagem só!) mediante a criação de postos de trabalho.
O país é grande e os recursos são à escala, mas o projecto acarinhado por Obama desenha 10 linhas de alta velocidade, oito a ligar as principais cidades da costa Leste e duas na costa do Pacífico. Portugal não fará nenhuma...

quarta-feira, julho 01, 2009

Que se lixem!

Pressões?... Não... o que se passa é que para o deputado Branquinho e o PSD, mas também para todos os outros políticos e partidos, democracia é que na pantalha o governo e o PS tenham 50% do protagonismo noticioso, a oposição parlamentar 48% (dos quais, 28% só para o PSD) e a oposição não parlamentar 2%.
José Alberto Carvalho é obrigado, assim, a ir à Comissão de Ética (?) dar explicações sobre os critérios jornalísticos aplicados na RTP e que, pelos vistos, colidem com a necessidade imperiosa de preencher devidamente as quotas noticiosas da actividade partidária. Que se lixe o critério jornalístico, que se lixe o (des)interesse intrinseco das iniciativas partidárias, que se lixe tudo menos o preenchimento das quotas!

terça-feira, junho 30, 2009

O que vale uma borla


Não leio jornais gratuitos. Acho que o conceito de gratuito é um logro destinado a vender gato por lebre. Os ditos jornais mais não são que veículos publicitários travestidos de informação noticiosa. Não os leio e acabou-se.
Normalmente, leio os jornais na internet. A homepage do meu computador é o site EusouJornalista e é por lá que faço a primeira ronda pelos títulos. Depois, se acho que alguma coisa o justifica, vou ao quiosque e compro um jornal.
Mas, hoje, e pela 2ªvez nos últimos tempos, fui surpreendido com a oferta de um jornal. Parei num posto da BP para abastecer o carro, tomei um café e pedi o jornal i. Com o talão da despesa, o funcionário do posto deu-me o Jornal de Notícias. Há dias aconteceu-me o mesmo com o Público, oferecido num supermercado.
Acho que se trata de um estratagema inaceitável, de uma deslealdade a toda a prova. Basta que se saiba que estão a dar um determinado jornal para que todos os outros títulos deixem de ter procura. A maioria das pessoas não tem grandes convicções quanto à escolha de um jornal e se estão a dar um, sempre se poupa 1 €…
Tenho algumas dúvidas quanto aos benefícios comerciais de uma acção deste género. Será que oferecer um jornal durante algum tempo cria alguma habituação no leitor? Ou será que o valor que damos às borlas é directamente proporcional ao que esse produto nos custou?
Na verdade… eu trouxe o JN, mas ainda nem o folheei. O que eu queria mesmo era ler o i pelas razões que já expus no post anterior.

Nos tempos do XV Governo Constitucional


A manchete do Jornal i de hoje é imbatível, não pelo título em si mas pela prosa que promete na página 16. O presidente da PT acusa a “senhora presidente do PSD” de prejudicar os accionistas da PT ao ter utilizado a compra dos 30% da Média Capital como arma de arremesso no duelo político que trava com o PS, quando pôs em causa o negócio “cujos termos não conhecia”.
Henrique Granadeiro diz que se lembra bem “das tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo” (em 2004) e diz que ainda não esqueceu como o Estado se desfez da rede fixa de comunicações (em 2002), numa época em que valia tudo para combater o deficit público, uma obsessão da ministra Manuela Ferreira Leite que fez com que Jorge Sampaio, o PR na época, tivesse de lhe lembrar que havia “mais vida para além do deficit”. Neste negócio, a PT foi obrigada a pagar muito mais do que o valor real da rede fixa de comunicações, uma artimanha financeira da ministra para conseguir conter o deficit que originou até uma acção da Comissão Europeia contra o Estado português.
Granadeiro veio lembrar aquilo que muitos fazem por esquecer…
Curiosamente, MFL já reagiu às declarações de Granadeiro, mas apenas para negar que tenha feito alguma vez pressões sobre qualquer órgão de comunicação social, coisa de que ninguém a acusava. Granadeiro referiu-se a pressões do governo do PSD. Alguém as terá feito, mas ele não disse que tinha sido a senhora ministra. Quanto às acusações de má gestão da coisa pública, essas sim dirigidas a ela directamente, MFL nada disse.

segunda-feira, junho 29, 2009

Speaky TV


A Speaky.tv é uma das muitas webtv que já existem em Portugal. Mas esta tem uma particularidade, em vez de servir para a divulgação de uma região ou de uma cidade (como a maioria), serve a causa do seu mentor, Fernando Alvim.
A webtv foi inaugurada há dias, entre várias curiosidades, com uma entrevista ao Emídio Rangel, o que por si só é uma boa ideia para uma emissão de estreia, já que Rangel é pai de vários sucessos mediáticos, casos da TSF, SIC e SIC-Notícias. Sucessos que quando “largados” pelo progenitor entraram em declínio ou quanto muito estagnaram.
Essa entrevista, apesar de ter sido gravada há mais de 1 mês, é um documento curioso face à actualidade dos últimos dias. Sobre a TVI, por exemplo, posto perante a probabilidade de Moniz abandonar a direcção do canal e dele ser convidado a assumir, Rangel revelou-se um crítico feroz do estilo “carnívoro” de Manuela Moura Guedes, diz que o que ela faz ofende qualquer jornalista e que o Jornal das 6ªfeiras é “um capricho” de uma pessoa preguiçosa que não prepara as entrevistas. Em conclusão, Rangel diz que se alguma vez for ele a decidir que a demite, até “por razões estéticas”.
A entrevista tem outros tópicos interessantes, Rangel lembra que Balsemão é um “unhas de fome”, e um difamador, alguém com apetência para se rodear por yes men incompetentes. E revela que o homem que já vendeu Presidentes como quem vende sabonetes, já um dia teve de andar a vender enciclopédias para viver.

domingo, junho 28, 2009

MFL errou


Quando Manuela Ferreira Leite disse ter a certeza que Sócrates sabia que a PT estava em negociações com a Media Capital, ou mentiu ou não sabia o que dizia.
Mesmo sabendo que a mentira em política é corriqueira, prefiro pensar que a senhora disse o que disse por mera ignorância. Porque MFL revelou ignorância tanto em relação aos estatutos da PT como ao campo de acção do Estado por possuir 500 acções golden share. É que, como já se viu, nem a PT tinha qualquer obrigação de informar o governo sobre as suas intenções, nem o Estado podia vetar o negócio em causa. Ora, Manuela Ferreira Leite não pode errar tanto, não só por ser candidata a primeiro-ministro mas, também, porque ainda há pouco tempo foi ministra de Estado e das Finanças (XV governo constitucional) e tinha obrigação de saber, ao menos, a capacidade de intervenção do Estado na PT. Esta gaffe só veio lembrar que a senhora, de facto, foi uma má ministra… Agora, só não sei se foi ela quem levou ao engano o Presidente da República, se foi Cavaco que fez com que ela errasse...

sábado, junho 27, 2009

TVI, um estorvo


José Eduardo Moniz tem dado milhões a ganhar à TVI. Ele foi um dos responsáveis pela ultrapassagem da TVI à SIC (o outro foi o próprio Balsemão…) quando percebeu que o Big Brother era o veículo perfeito para subir as audiências do canal. A partir de 2001, a SIC entrou em queda livre e a TVI cimentou-se no 1ºlugar do prime time televisivo, até hoje.
Mas, hoje, Moniz transformou-se num incómodo. Fizeram dele cavalo de batalha entre a oposição e o governo, o que não só estigmatiza politicamente o canal como, pelo que vemos, estorva a concretização de um negócio essencial para os donos da TVI, os espanhóis da Prisa, a contas com uma dívida bancária complicada de gerir e, por isso, obrigados a alienar activos.
Quando um negócio como o da venda de 30% da Media Capital (que engloba a TVI) à PT não se faz porque a eventual substituição de um director-geral se confunde com a luta político-partidária, a permanência desse director-geral transforma-se num pesadelo impossível de gerir. Hoje, Moniz é mais prejudicial que benéfico para a TVI, a Média Capital ou a Prisa.

sexta-feira, junho 26, 2009

Coisas do circo (como diz o outro...)


Será que Manuela Ferreira Leite ou Cavaco Silva vão perguntar à Cofina se pretende manter a actual linha editorial da TVI, caso a consigam comprar? E se a resposta for sim, obviamente demito-o, será que Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva irão sentir a liberdade de expressão em perigo? E caso sentirem, será que irão clamar por transparência, não se dê o caso de Sócrates ter convencido o senhor Paulo Fernandes a gastar 150 milhões para o livrar de um incómodo? Será que a palhaçada não tem fim?

Trampa na ventoínha


Por questões meramente políticas e de circunstância, a PT (que é uma empresa privada) viu-se impedida de realizar um negócio que considerava estratégico, a compra de uma percentagem da Media Capital.
Primeiro foram todos os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, que exigiam “transparência”, preocupados com a liberdade de expressão, não fosse José Eduardo Moniz afastado da direcção-geral da TVI quando, na realidade, o problema deles era garantir que a guerrilha mediática contra o PS e Sócrates se mantinha, pelo menos até às eleições. Depois, foi o governo que, para tentar não alimentar mais intriga política, decidiu não autorizar o negócio. «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial», disse o primeiro-ministro.
Como se sabe, o Estado detém uma golden share na PT e pode vetar negócios que considere prejudiciais aos interesses nacionais. Não sei se isto se aplica ao caso vigente, porque de facto nunca esteve em causa a liberdade de expressão. A liberdade foi, mais uma vez, utilizada como arma de arremesso em nome de interesses privados dos grupos políticos. Ferreira Leite e Cavaco foram os primeiros a lançar trampa na ventoinha… devem estar muito contentes.

Saldos eleitorais


Não sei sequer se vou votar e, portanto, estou mais ou menos nas tintas para a questão da simultaneidade das eleições legislativas e das autárquicas. Mas, já agora… deixem-me dizer (claro que deixam, é apenas uma figura de estilo) o que penso sobre o assunto: o problema nem é que o povo confunda os diferentes actos eleitorais, o problema é que os políticos continuem sem saber em que campanha andam metidos. Nas últimas eleições foi o que se viu, em vez de se discutirem questões europeias discutiu-se tudo o resto e ficámos sem perceber quais eram os compromissos que os eleitos assumiam com o eleitorado. E se julgam que lá por não ter votado que me inibo de os criticar, estão bem enganados.
Quem decide a data das eleições autárquicas é o governo e o PR decide a data das legislativas, diz a Lei. E vi numa das pantalhas o PR esclarecer que quem tem de anunciar primeiro a sua data é o governo e que, só depois, ele decidirá a data das legislativas.
Agora, aposto singelo contra dobrado como o Presidente da República vai decidir pela simultaneidade. Contra quase tudo e todos, excepto o PSD, Cavaco vai fazer o jeito à malta do seu partido e vai utilizar o pretexto de poupar umas massas ao erário público e poupar o povo a duas campanhas eleitorais. Para quem é bacalhau basta e mais uma campanha bagunçada servirá muito bem.

quinta-feira, junho 25, 2009

Manuela, Cavaco e a vaca sagrada

A Portugal Telecom nasceu em 1994, pela fusão da Telecom Portugal S.A., da companhia de Telefones de Lisboa e Porto S.A. e da Teledifusora de Portugal S.A.. À época era operador monopolista das telecomunicações e, por isso, o Estado reservou para si 500 acções tipo A, as chamadas golden shares. Mas é uma sociedade de capitais privados, sendo que o Estado reserva para si a prerrogativa de vetar negócios que considere lesivos do interesse nacional.
Lendo os estatutos da PT, chega-se à conclusão que é bem possível que a administração da PT tivesse iniciado contactos para a aquisição de 30% da Media Capital sem pedir licença ao accionista Estado. Como é possível que não tenha participado ainda a nenhum outro accionista.
O artigo terceiro nº1 dos estatutos diz que “a sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais noutras sociedades” e o nº2 do mesmo artigo acrescenta que “a sociedade pode, sem restrições, adquirir ou deter quotas ou acções de quaisquer sociedades”… Sendo certo que, conforme reza o artigo 14º nº2 deliberações desse tipo “não serão aprovadas contra maioria dos votos correspondentes às acções de categoria A”(as tais golden shares detidas pelo Estado), mas isso (julgo eu) não implica que o Estado tenha de acompanhar a par e passo todas as iniciativas da administração da PT, apenas tem de as aprovar no final, votando com todos os outros accionistas em Assembleia Geral.
Portanto, quando Manuela Ferreira Leite vem dizer que “não acredita” que a PT não tivesse consultado o primeiro-ministro sobre a intenção de estabelecer contactos com a PRISA para uma eventual compra de uma percentagem da Media Capital, parece-me obvio que se trata de pura especulação política própria da pré-campanha. Uma pré-campanha em que o Presidente da República decidiu participar activamente, caucionando, dirigindo quiçá a estratégia do PSD, ao abrir “uma excepção” para se referir às fortes suspeitas que esta negociação comercial lhe suscita.
Cada qual vê o Mundo com os próprios olhos, e a mim só me apetece dizer asneiras… já ninguém se lembra do sucedido em Abril de 2002, quando o governo de Durão Barroso tomou posse e a principal preocupação do ministro Morais Sarmento foi sanear o director-geral da RTP, Emídio Rangel. Nesse saneamento foram todos eles cúmplices, de Cavaco a Ferreira Leite e hoje arvoram-se cinicamente em defensores da liberdade de imprensa quando suspeitam que o director-geral da TVI pode vir a ser substituído com a entrada de novos accionistas na Media Capital. Como se Moniz fosse uma vaca sagrada do PSD. Como se a TVI não fosse propriedade privada e os seus accionistas soberanos nas decisões que entenderem por bem tomar. Assim como, de resto, a PT.

quarta-feira, junho 24, 2009

Nunca se engana e raramente tem dúvidas


Se Cavaco decidir que as próximas eleições legislativas e autárquicas se realizarão em simultâneo, estará a decidir contra a grande maioria dos partidos políticos. Só o PSD concorda com Cavaco. Aliás, PSD e Cavaco estão em sintonia perfeita, fazendo lembrar os tempos em que o actual Presidente da República era líder do partido. Aposto, seja o que for, que até às eleições esta sintonia não será desfeita. Depois, tudo depende dos resultados obtidos. Se o PSD vencer, Cavaco governará de facto o país, se o PSD perder, o status quo institucional recuperará a normalidade, com um governo a governar e um presidente a zelar pelo respeito da Constituição.
Se Cavaco votar contra a vontade de 5 dos 6 partidos com representação parlamentar, estará a dar uma lição ao primeiro-ministro. Cavaco, que só foi “humilde” na hora da derrota (nomeadamente nas presidenciais de 96 que perdeu contra Jorge Sampaio), não tem pejo em se manter convicto das suas opiniões nem em desconsiderar com arrogância as opiniões que lhe são contrárias. Algo que Sócrates fazia e parece que, agora, deixou de fazer.
Se Cavaco votar pela simultaneidade das eleições, o PSD será o único partido a concordar com o PR e, assim, surgirá como garante da estabilidade institucional… e isso pode ter consequências eleitorais.

Prémio Lemniscata




O Prémio Lemniscata honra-me muito. Significa que o que escrevo não é indiferente para muitos dos que por aqui passam. Ainda bem.
Assim, agradeço aos que escolheram o Escrita em Dia, nomeadamente ao O Valor das Ideias, ao Sustentabilidade é Acção e ao A Escada de Penrose.
Sem quebrar o elo, atribuo o Lemniscata aos seguintes blogues:


Jornal do Pau

Lóbi do Chá

O Novo Mundo


Portulano Caprino

A Boiada

Blog 19

Bandeira ao Vento


O Jumento

terça-feira, junho 23, 2009

Cara a Cara


Acabei de assistir ao “Cara a Cara”, programa de debate na TVI. No plateau estão sempre os mesmos, no canto direito, pelo PSD, Morais Sarmento… no canto esquerdo, pelo PS, Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares.
O debate trouxe pouca ou nenhuma novidade. Os senhores limitaram-se a defender os respectivos partidos, utilizaram os respectivos arsenais de setas envenenadas, falaram sem surpresa de assuntos já batidos: TGV, auto-estradas, novo aeroporto, quem vai vencer as próximas eleições, blá blá blá… acredito que nenhum convenceu ninguém…
Este tipo de programas, comum a todos os canais televisivos, é pouco ou nada eficaz no que respeita ao esclarecimento do público sobre os problemas que nos afectam. Acredito que a principal razão de existirem nas grelhas de todos os canais é por serem televisão barata. Para fazer aquilo bastam dois tipos que se queiram insultar politicamente, um mediador, três cadeiras e um cenário minimalista. Não há nada mais barato, isto se os cachets dos “artistas” não forem exagerados.
O único atractivo deste “Cara a Cara” é um pouco mórbido… reside em verificar quem chega em pior estado ao final do duelo, se o atirador de esgrima se o boxeur…

Leilão?


A ser verdade o que vem hoje noticiado no jornal i e no Público, a Prisa está prestes a vender 30% da Media Capital, ou seja, da TVI. Haverá três candidatos, a saber, a PT, o senhor Joaquim Oliveira e o senhor Nuno Vasconcellos (com dois elles). Parece que o governo “acompanha” as negociações… não sei bem o que isto quererá dizer, mas se acompanha é bom que repare no seguinte:

1- Nuno Vasconcellos é o dono da Ongoing e já detém 20% da SIC, sendo de prever que com a retirada por velhice ou morte de Balsemão fique ele a controlar o canal de Carnaxide, já que (dizem as más línguas) Balsemão parece que não gerou descendência capaz de assegurar a continuidade do negócio. Logo, se Nuno Vasconcellos ficar com 30% da TVI mais os 20% que para já tem na SIC, arriscamo-nos a ter o senhor Nuno com uma posição de dominância no sector, o que julgo ser contrário à Lei.
2- O senhor Joaquim Oliveira, dono da Controlinveste e da Sport TV, andou a comprar meio Mundo, endividou-se na banca, diz-se que está com dificuldades em cumprir com os juros da dívida, anda a despedir funcionários (na TSF, no Diário de Notícias), fechou o Tal&Qual… e quer, agora, comprar a TVI? Será que a banca lhe empresta mais ainda? Na TVI, Oliveira tem um amigo fiel, o próprio director-geral. Para Moniz seria a oportunidade de passar a controlar um verdadeiro império comunicacional, somando à Média Capital a Controlinveste. Maior concentração de meios seria difícil de imaginar.


A PT… não tem canais de televisão em sinal aberto, mas tem plataformas de distribuição no cabo. A PT é, em si mesma, um bom negócio para os accionistas, não sei se a aquisição de um canal de televisão em sinal aberto será uma mais-valia para o grupo. A TVI hoje é um canal rentável, mas tem um passivo grande que vem dos anos em que as audiências que tinha pareciam um número de telefone… 9 – 2 – 3 – 5 – 4 – 4 – 7 – 8 – 7 …. nos idos de 90. Mas não sou eu que vou dar lições de gestão à PT, até porque não sei.

segunda-feira, junho 22, 2009

Dúvida



Notícia da LUSA, repetida em todos os sites de órgãos de comunicação social, dá conta da descida no número de desempregados inscritos, o que acontece pela primeira vez em 10 meses.
Diz o texto que “o número de inscritos diminuiu pela primeira vez em 10 meses, 0,5 por cento, resultado de um decréscimo de 2.520 inscrições”.
Resta saber se isto significa reanimação da economia ou se é por carência de… trabalhadores ainda com emprego.
foto de Jorge Alfar

Somos todos iranianos



O regime teocrático iraniano está a perder a face. A repressão já se salda em dezenas de manifestantes mortos e isso revela bem a natureza intolerante daqueles ayatolas e dos laicos que os servem.
Por cada morte de manifestantes, Moussavi vê aproximar-se a sua própria e, perdido por um perdido por mil, estica a corda o mais que pode, apelando à continuação das manifestações e a uma greve geral. Moussavi sabe que já não tem perdão possível, sabe que os acontecimentos já o ultrapassaram e só espera continuar a cavalgar esta onda até chegar vivo à praia.
Reparo, com curiosidade, que o que se está a passar parece confirmar uma predição (desejo?) deixado por Joshua num comentário ao meu anterior texto sobre o Irão. Contrapondo ao que eu dizia, que apesar dos protestos Moussavi não passava de um insider do regime, Joshua escreveu: “Certo, mas reciclado ou não, há gente a morrer pela esperança reformadora que ele representa e, no processo contestatário, essas multidões podem criar um efeito em espiral que transcenda largamente o seu símbolo Moussavi e lhe exija ainda mais que a mera transformação aveludada do Regime dos Ayatollahs. O líder pode ser arrastado, como os capitães aprilinos nas suas insatisfações de carreira, para uma coisa inteiramente nova, maior que eles.”

domingo, junho 21, 2009

Espreitar o futuro

Um blogue sem caixa de comentários é um blogue amputado. Por muito que nos custe (refiro-me aos que escrevem nos seus próprios blogues) aturar alguns chatos que por aqui aparecem, a caixa de comentários é a ponte do blogue com o resto do Mundo e é um palco privilegiado para a troca de ideias, para a discussão. Vem isto a propósito de um texto publicado no Novo Mundo e que eu gostaria de ter tido oportunidade de comentar publicamente, até para ter reacções ao meu próprio comentário.
Bom, a Isabela fala sobre o futuro dos jornais, se as edições impressas vão morrer e ser ou não substituídas por versões on line. Diz ela que não se imagina a ler o seu jornal favorito num ecrã de computador... pois eu já só leio jornais no computador e acredito que dentro de alguns anos teremos alguns novos meios de comunicação bem mais populares que os tradicionais.
De acordo com dados do Netscope, o número de visitas aos principais sites noticiosos portugueses aumentou 15 por cento nos primeiros meses de 2009, quando comparado com o período homólogo do ano passado. Os sites noticiosos mais visitados este ano foram A Bola, o Record, O Jogo, o PÚBLICO, Sapo Notícias, Correio da Manhã e o Jornal de Notícias.
Na média dos cinco primeiros meses deste ano, o PÚBLICO lidera entre os jornais generalistas, atingindo pouco mais do que cinco milhões de visitas por mês, um crescimento de 17 por cento face ao ano passado. Já no ranking relativo a Maio de 2009, o PÚBLICO ocupa também a primeira posição no segmento dos generalistas, com 5,3 milhões de visitas. Falamos do Público, um jornal que não consegue vender de modo a tornar-se um verdadeiro negócio para o seu proprietário e que só ainda não fechou porque Belmiro de Azevedo não quis.
De resto, alguns dos grandes patrões do sector acreditam que essa mudança é impossível de conter. Há dias, li uma notícia que dava conta de que Rupert Murdoch vê num futuro próximo o fim da maioria das edições em papel e a transformação dos jornais em produtos analógicos, com actualização constante de notícias. Não haverá volta a dar-lhe, é uma questão geracional, os jovens já não compram jornais mas lêem no computador, no notebook, no iPhone.
Esta revolução já está em marcha. Já há exemplos, como nos EUA e na Finlândia, por exemplo, de jornais que abandonaram o papel para se dedicarem em exclusivo à internet.
Em Portugal, essa mudança ainda não aconteceu, ainda nenhum jornal se atreveu a abandonar o papel, mas todos os principais órgãos de comunicação social têm uma versão net, quer sejam jornais, revistas, rádios ou canais de televisão. E não se limitam a difundir texto, mesmo os jornais e as rádios incluem notícias vídeo nos seus sites, o que revela o formato futuro dos órgãos de comunicação social, que deixarão de se diferenciar em imprensa escrita, rádio ou tv, para serem todos tudo isso ao mesmo tempo.
Alguns jornalistas portugueses mais empreendedores, julgo que empurrados pelo desemprego e a falta de perspectiva de voltarem a ser assalariados, já estão a ensaiar os seus próprios sites noticiosos. Chamo a atenção para o Jornal do Pau, o Diário2.com ou, se quiserem ver uma coisa estrangeira, a Current TV americana. Espreitem… é o futuro.

sábado, junho 20, 2009

Não demorem muito a reflectir, tá?


Uma trintena de grandes economistas veio agora dizer ao governo que os anunciados investimentos públicos em auto-estradas, no aeroporto e no TGV são uma má opção. Dizem que são investimentos de fraca rentabilidade… e talvez sejam, mas tenho pena que só agora venham dizer isso (cheira demasiado a oportunismo). Muitos deles, quando lhes tocou serem ministros fizeram o mesmo ou pior, no que diz respeito à betonização do país.
Sempre ouvi dizer que desenvolver vias de comunicação é condição estruturante para o crescimento económico… mas parece que já não é. Já nem sei o que pensar. E se acho que mais auto-estradas são, porventura, dispensáveis num país tão pequeno e que já tem tantas… se aceito que um novo aeroporto talvez não seja a prioridade nº1 do país (embora gostasse de ver os aviões voarem mais alto sobre Lisboa…), acho que o TGV é essencial, não só porque encurta a distância entre Lisboa e o Porto mas, fundamentalmente, porque se não o fizermos vamos ficar sem ligação ferroviária de alta velocidade com o resto do Mundo. E isso será mais um estigma do nosso subdesenvolvimento no futuro.
Olhando para o Mundo, vemos o presidente Obama a investir dinheiro público na construção e recuperação de infraestruturas, no serviço de saúde, no sistema escolar, na indústria automóvel… com a finalidade de manter e criar emprego para que a economia reanime.
Em Portugal… vamos reflectir... à luz do pensamento de Cavaco.

PSD ao ataque


Ao chegar a casa, ontem, deparei com o outdoor com a cara de Hernâni Carvalho decorada com o símbolo do PSD e um slogan de campanha eleitoral. Confesso que fiquei surpreendido porque, conhecendo o Hernâni jornalista tenho alguma dificuldade em vislumbrar o Hernâni político… acho que quem se habituou a chamar os bois pelos nomes terá alguma dificuldade em pactuar, negociar, traficar influências, enfim… fazer política.
Mas a verdade é que ele já lá está, inserido no sistema. E a máquina já está a puxar por ele, porque também ontem vi um carro com bandeirolas cor de laranja e megafones a percorrer as ruas de Odivelas. A campanha de Hernâni foi a primeira a arrancar.
As eleições autárquicas em Odivelas têm sido ganhas pelo PS. Ao ir buscar o Hernâni Carvalho, o PSD revela bem que, à falta de méritos unicamente políticos, procura a vitória através de um candidato mediático que dá na pantalha e fala grosso. Deve ter sido mesmo o critério principal para a escolha dele, já que o Hernâni nem sequer vive em Odivelas.

A missão de Moussavi


Acho espantoso como no Ocidente se olha para o que se passa no Irão. Quem nunca antes se tenha interessado pelo assunto e leia, agora, os nossos jornais e blogues, ou oiça as nossas rádios e veja as nossas tv’s, há-de ficar a pensar que há um democrata de longa data chamado Moussavi que pretende derrubar o regime vigente e alterar o estado a que se chegou no Irão, onde a teocracia dos Ayatollah’s domina com mão de ferro tudo e todos. Mas não é nada disso que se passa.
Moussavi não é um outsider do regime, nunca foi. Acontece que para os Ayatollah’s o tempo de Moussavi já passou e o rejeitado percebeu que tinha ainda uma janela de oportunidade para não secar politicamente se reaparecesse como reformador. Então, Moussavi reciclou-se, eventualmente angariou apoios entre os adversários da teocracia, dentro e fora do Irão, porventura terá recebido financiamento para alimentar uma campanha eleitoral e o séquito de apoiantes que o enquadrassem na cena política. As democracias ocidentais costumam ser generosas em situações deste género. Foi assim que, durante muitos anos, o PS de Mário Soares foi alimentado por patrocinadores alemães e americanos.
Na minha opinião, Moussavi jamais será um democrata (tem um passado demasiado tenebroso e que, num regime mais aberto, se pode voltar contra ele), mas poderia ser um reformador, permitir alguma abertura política, principalmente na questão dos costumes. Daí o apoio que as mulheres lhe têm prestado, ansiosas por abandonarem o tchador que elas sentem como símbolo da desigualdade e da falta de liberdade.
Nos anos 80, Moussavi foi um fiel servidor do Ayatollah Khomeini, o pai da revolução iraniana e o tirano que instituiu o actual regime. Acredito que, hoje, Moussavi continua a apostar nas virtudes do regime, mas percebeu que sem uma reforma que permita alguma descompressão social os Ayatollah’s acabarão por perder o apoio da maioria da população e o regime acabará por cair. Moussavi quer salvar os Ayatollah’s, não derrubá-los, mas quer ser ele a conduzir essa reforma. Como homem religioso que é, Moussavi sente que essa é a missão que Deus lhe confiou.
Ora, nada disto quer dizer que a democracia está para acontecer no Irão.

sexta-feira, junho 19, 2009

Óh que pena...


Embora não morra de amores pelo homem, acho que o Benfica ficou a perder com a desistência do Moniz na corrida à presidência do clube. Sou daqueles benfiquistas que não contam nem para as estatísticas: não sou sócio, não vou ao estádio, não compro camisolas do clube, não gasto um chavo nos canais temáticos que dão jogos da bola, nada disso. Mas gosto do Benfica, desde pequeno. Alguém me inculcou esse gosto, mas não sei quem nem quando. Sempre me conheci benfiquista, mas sempre achei que sofrer por um clube de futebol não faz sentido. Gosto que a equipa ganhe, quando joga melhor que os outros. Gostaria que o Benfica voltasse a ser um clube de sucesso e, por isso, tenho pena que Moniz tivesse descalçado as chuteiras sem ir a jogo. Acho que o clube precisa de novos dirigentes, de outro tipo de dirigentes. O Benfica precisa de se livrar dos boçais e dos patos-bravos, dos grunhos e dos xicos-espertos que por lá andam há décadas sem proveito nem glória para o Benfica. Precisa de alguém que tenha uma cultura de vida diferente, que não se deixe deslumbrar pelo protagonismo propiciado pelo cadeirão de presidente do Benfica. José Eduardo Moniz podia ser esse dirigente.

Anúncio


A partir de hoje, este blogue passará a ter anúncios publicitários. A vida não está fácil e cá em casa todos temos de contribuir… uns tentando ganhar algum dinheiro, outros tentando poupar. Por isso, caros leitores, sempre que por aqui passarem ajudem o blogue a ganhar algum… basta clicar em cima de um anúncio. O autor do blogue agradece. Espero que o GoogleAdsense só anuncie coisas boas...

quinta-feira, junho 18, 2009

Não


Este caso da Autoeuropa é paradigma da imoralidade do sistema neo-liberal que, com raras excepções, se instalou em quase todos os países do Mundo.
Os trabalhadores recusaram perder mais direitos laborais e disseram não à proposta patronal de pagar menos pelas horas extraordinárias em seis sábados por ano, segundo ouvi na TSF. A proposta partiu da administração da empresa que pretende tornar a fábrica da Wolkswagen mais competitiva, reduzindo o custo da mão-de-obra, apesar deste factor não pesar mais de 5% nos custos de produção da fábrica. Pelo caminho, ficaram ameaças veladas de deslocalizar a fábrica, numa tentativa obvia de influenciar pelo medo a decisão dos trabalhadores.
Ninguém tem dúvidas de que os donos da Wolkswagen não hesitarão em fechar a fábrica portuguesa, caso considerem que vão ganhar mais dinheiro para outro lado qualquer. No fundo, tudo se resume a isso: ganhar mais dinheiro.
Quando nos anos 90 se começou a ouvir falar em globalização, na necessidade de quebrar todas as barreiras ao comércio livre mundial, percebeu-se que os capitalistas babavam-se pelos lucros potenciais que existem em mercados de biliões de pessoas, nomeadamente o chinês e o indiano. Na altura disseram-nos que íamos todos beneficiar com essa globalização, que os produtos iam chegar aqui mais baratos, porque os chineses produziam barato. Não nos disseram que íamos correr o risco de ficarmos todos desempregados, que os capitalistas iam todos fechar as empresas no hemisfério norte para reabri-las nos mercados asiáticos onde podem alegremente explorar indecentemente todo o tipo de mão-de-obra, mesmo a infantil.
Por mim, podem voltar a reerguer as barreiras alfandegárias, a taxar os produtos importados, a definir contingentes de importação. Prescindo das t-shirts a 5 € que se vendem no Continente. Prefiro dar 15 € por umas feitas em Vila do Conde.
Hoje, lamento ver como os dirigentes de um país se rebaixam aos ditames da administração de uma fábrica. O nosso ministro da economia disse esperar que “os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter”, deitando para cima dos torneiros mecânicos o ónus da questão e ilibando os gestores de qualquer tipo de má-fé. Também a promitente primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, falou em “bom senso” – coisa que na opinião dela faltará na cabecinha dos electricistas e fresadores. Nenhum deles defendeu os direitos de quem trabalha na Autoeuropa.

quarta-feira, junho 17, 2009

Atendimento prioritário


Hoje, não foi um dia bom. Saí de manhã para ir até à Caixa de Previdência dos Jornalistas. É verdade que a “caixa dos jornalistas” já não existe, formalmente, mas os serviços de atendimento continuam a ser diferenciados. Ainda estou para perceber, então, por que razão a extinguiram… Fui lá para inscrever o meu 3ºfilho no Abono de Família. Levei a Certidão de Nascimento, os documentos de identificação da mãe, os meus… pensei que era tudo. Mas não… faltava a declaração da Segurança Social a atestar que o abono não foi requerido pela mãe. A palavra do cidadão não basta, a atestação é fundamental. Ainda me passou pela cabeça que a funcionária da Caixa de Previdência poderia aceder à base de dados da Segurança Social e verificar a questão. Afinal de contas… estamos a falar de serviços públicos afins, contíguos. Mas não… tinha de ir a uma Loja do Cidadão e tratar do assunto. Fui.
A fila era longa. Como levava comigo o “rebento”, tirei uma senha F, destinada a situações prioritárias. A senha dizia F-062 e o quadro indicava que o utente F-54 estava a ser atendido… Dos cinco guichets, três estavam a funcionar. Vinte e cinco minutos depois, reparei que utentes chegados depois de mim estavam a ser atendidos. Eram pessoas munidas de senhas A, B, C ou D… e a senha F tinha avançado apenas dois números. Indaguei junto das funcionárias do atendimento, qual era a lógica do atendimento prioritário… e responderam-me que tinha de esperar pela minha vez. Pedi o livro de reclamações.

100 anos

Não liguei patavina ao Dia da Força Aérea que se comemorou no passado sábado. Tinha até recebido um “convite” via email para ir assistir às acrobacias à beira Tejo, mas não me apeteceu sair de casa para me meter em apertos e engarrafamentos e chatices para arrumar o carro e preocupações para não perder nenhum miúdo na multidão. Não fui.
Mas gostei que outros tivessem ido. Acho que a Força Aérea merece o meu carinho, quanto mais não seja porque é o ganha-pão de um bom amigo.
Ora, foi esse “meu” Major quem me enviou uma série de fotos respeitantes ao festival e que não resisto em publicar. Publico-as mais o texto do email dele.

“Nunca fui muito apreciador do género de cinema deste homem. Mas tem filmes maravilhosos. E é um homem notável.
E deu-me um prazer enorme ver o entusiasmo de criança que pôs nisto. Uma aventura que aceitou de peito aberto. Aos 100 anos. Os mesmos da aviação em Portugal. E foi voar num avião com 50 anos. E chegou fresco como uma alface.
Durante o almoço (antes do voo) onde bebeu uns belos copos de tinto, confidenciou-me como se fosse um grande segredo:
- Sabe, eu não tenho medo de envelhecer.... O meu medo é ficar dependente de alguém....”








E parabéns à Força Aérea.

Sustentabilidade

Todos pensamos em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Mas, porventura, deveríamos pensar em deixar filhos melhores para o nosso planeta.

terça-feira, junho 16, 2009

A propósito do TGV




Escreve o director do Expresso, no Twitter:



@HenriquMonteiro política tb é manter as clientelas satisfeitas. O incumbente quer satisfazer a sua, mas o desafiante tb e por isso quer adiar.


Compadres


Irritou-me ouvir o governador do Banco de Portugal admitir ter sido ingénuo perante as “habilidades” do banqueiro Oliveira e Costa. Não pela ingenuidade em si mesma, mas pelo que ela revela. É que tanto um como outro são membros dessa casta que tomou o poder económico e político nas mãos e que faz deste país uma cosa nostra, onde só eles e os seus filhos se dão bem.
Gestores, empresários, banqueiros, engenheiros, advogados e outros que tais, formam um círculo fechado onde coexistem diferentes grupos políticos que se encaixam uns nos outros, num sistema de geometria variável consoante o sucesso relativo que vão tendo a convencer o eleitorado a votar neles.
Olhando para a maioria dos partidos políticos, percebemos que as elites dirigentes não são mais do que grupos familiares ou de amigos. Amigos de longa data, muitos desde os bancos da escola primária ou secundária, ou filhos de famílias que comungam interesses financeiros ou outros. Não é por acaso que as filhas de uns casam com os filhos de outros, gerando futuros políticos de confiança genética a toda a prova.
Não foi ingenuidade, senhor Vítor Constâncio. Foi compadrio.

segunda-feira, junho 15, 2009

Moussavi não é nome de flor


É verdade que o que se passa no Irão cheira a falcatrua eleitoral, mas não basta à oposição dizer que houve batota. Será preciso comprová-lo e julgo que isso está longe de ter acontecido. Durante a campanha eleitoral, se os comícios do principal adversário de Ahmadinejad tinham muita gente, os do presidente candidato também… e, mesmo agora, apesar das manifestações de protesto atraírem muita gente, não julgo que o número seja revelador de que a maioria da população está a favor do protesto. O que mais indicia a falcatrua é a reacção musculada das autoridades. Quem não hesita em bater é porque não tem outros argumentos. As cacetadas policiais revelam a verdadeira natureza dos dirigentes políticos iranianos. Mas nada disso basta para reconhecermos o senhor Moussavi como merecedor de crédito.
Um tipo que foi primeiro-ministro do Irão nos anos 80 devia levantar algumas suspeitas, mas como para o Ocidente vale tudo para deitar abaixo Ahmadinejad, o senhor Moussavi passa a ser apresentado como democrata de longa data. Mas não é bem assim… lembro que quando esse senhor foi pau mandado dos Aiatolas, a repressão sobre o povo não teve limites. Não lembro apenas as perseguições políticas, os assassinatos. Lembro que foi ele quem reintroduziu a pena de morte e os castigos corporais na via pública para quem não respeitasse a sharia (lei religiosa). Coisas simples, como sexo fora do casamento, consumo de alcóol ou homossexualidade, passaram a ser crime. O Islamismo passou a ser religião do Estado e todas as outras foram proibidas. Marxistas, católicos, judeus e laicos foram fuzilados. As mulheres foram proibidas de usar maquilhagem ou mini-saias, e ouvir música rock ou rap passou a ser razão mais do que suficiente para levar gente para a cadeia.
Talvez Moussavi tenha mudado, entretanto. Talvez Mousavi tenha ganho as eleições, mas eu não punha as mãos no fogo por ele.

Ainda vou ter um amigo na secretaria de estado do ambiente


"Um projecto do tipo da AD (Aliança Democrática) de Sá Carneiro, no qual o PPM participou activamente, é o modelo que mais contribuirá para a estabilidade e progresso do país" – diz o meu amigo Fred, cabeça-de-lista do PPM nas últimas eleições europeias.
O PPM oferece-se para representar o papel que cabe aos Verdes na coligação CDU.
Não sei é se a dona Manuela gosta de alface.

domingo, junho 14, 2009

Posto de observação - 1


Não digo que o PS não possa vencer as próximas eleições legislativas, mas que vai ser muito difícil contrariar os ventos de mudança que surgiram das eleições europeias, lá isso vai.
Nos últimos 4 anos, o PS tratou mal toda a gente, incluindo o seu eleitorado mais fiel. Tal como Paulo Pedroso diz, numa entrevista publicada hoje no Correio da Manhã, as reformas levadas a cabo eram necessárias (até a oposição da direita o dizia…), “mas o governo não pode é tratar o eleitorado como se fosse dispensável”.
Percebe-se o que Paulo Pedroso quer dizer: não se governa sempre com a intenção de angariar votos, mas não é possível governar sempre contra tudo e todos. E foi isso que Sócrates fez, nomeadamente ao assumir a opção “beligerante” face aos sindicatos. O que este governo PS fez, podia ter sido feito por qualquer governo de direita, sem espanto.
O governo fez de conta que a luta de classes é um cenário da Guerra Fria e que, hoje, não faz sentido continuar a dar relevo à acção sindical. Um governo socialista deveria ter tido um papel nivelador na desigualdade existente entre patrões e trabalhadores, mas decidiu promover um novo Código de Trabalho que cava ainda mais essa diferença, liberalizando os despedimentos. Na verdade, Sócrates seguiu as pisadas de Cavaco que, via Bagão Félix, deu inicio à chamada “flexibilização” nos anos 90. O patronato sempre disse que as leis protectoras do trabalhador são contrárias ao desenvolvimento, porque afugentam os investidores. Na verdade, o que eles querem dizer é que essas leis afugentam os investidores que não têm qualquer escrúpulo social. O PS nunca devia ter pactuado com isto.
Hoje, vemos bem como a classe média laboral está desamparada, desempregada, sem capacidade para cumprir com os compromissos que lhe foram impostos pelo sistema: a escola privada dos filhos, a prestação da casa própria ou a prestação do carro. Hoje, Portugal é o país onde existem as maiores desigualdades salariais na Europa, entre o que ganham os gestores (onde não há qualquer tecto salarial) e o salário proposto aos restantes trabalhadores (que é cada vez mais baixo). Este fosso salarial atinge dimensões escandalosas mesmo no sector empresarial do Estado, onde seria mais natural haver algum comedimento nesse tipo de atrevimentos. Mas não há.
Hoje, vivemos num país onde desapareceu a escolha de uma profissão como realização profissional… As pessoas procuram uma carreira preocupadas, apenas, com o sucesso social e financeiro, o que, ironicamente, na actual crise, é cada vez mais difícil.
Para vencer as próximas eleições, o PS teria de alterar este estado de coisas. Não me parece que haja tempo para tarefa tamanha e não sei se o eleitorado vai continuar a fiar-se em promessas eleitorais.
A oposição já se prepara para regressar ao poder. Ainda hoje, no Diário de Notícias, Paulo Rangel confirma um provável cenário de acordo pós-eleitoral entre o PSD e o CDS, para formar um governo de coligação.
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sábado, junho 13, 2009

Apagão


Ontem, nos Estados Unidos, mais de 2 milhões de lares viveram uma noite diferente: não conseguiram ligar a televisão. Ou por outra, ligaram mas nada deu na pantalha. A situação vai durar ainda algum tempo a ser resolvida e só daqui a uns meses poderemos ter a certeza das consequências deste apagão televisivo nos índices demográficos das regiões mais afectadas.
Não foi nenhum acto terrorista, apenas uma imposição legal que obrigou ao início das emissões em sinal digital. As tradicionais antenas deixaram de funcionar, a não ser que os utentes tenham adquirido um descodificador para converter o sinal analógico em digital.
O governo americano tem um programa de ajuda financeira para esta fase de adaptação dos utentes à nova tecnologia, mas os 40 dólares de financiamento parece que não chegam para comprar o descodificador…
Cerca de 1800 estações de televisão foram afectadas por esta transição tecnológica.
Em Portugal também estamos à beira de um evento idêntico (o apagão televisivo), já que o Estado (através da ERC) torpedeou o concurso para a atribuição do 5ºcanal generalista (lembram-se?) e não me parece que alguém queira gastar dinheiro para comprar novos equipamentos de recepção do sinal de televisão para continuar a ver a mesma televisão que já vemos. É verdade que em Portugal a Lei diz que a fase transitória pode ir até 2012… mas a PT está em marcha acelerada para dar início às emissões digitais até ao fim deste ano.
A propósito disto (do 5ºcanal), soubemos que um dos concorrentes interpôs uma providência cautelar para “congelar” a decisão da ERC e, assim, impedir que o governo pudesse avançar com novo concurso sem antes o tribunal se pronunciar sobre o modo como o anterior foi anulado. Mas isto foi em Abril, se a memória não me falha e nunca mais se ouviu falar do assunto. Quem sabe o que o tribunal decidiu sobre a providência cautelar? Nenhum OCS pega no assunto, excepção honrosa da revista Telecabo, o que revela bem o apagão que por aí vai sobre isto…

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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