Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, agosto 21, 2009

Bússola



Experimentem. É giro participar. Cliquem neste link.



Só não sei se os termos de comparação entre as nossas respostas e as dos vários partidos políticos serão completamente fiáveis. Segundo creio, os promotores desta "bússola eleitoral" basearam-se nos programas partidários para extraírem as respostas dos respectivos partidos às questões colocadas. E são essas "respostas" que, depois, são comparadas com as nossas. Como a coisa não passou por entrevistas directas com dirigentes partidários, temo que algum termo de comparação não seja completamente fiável. Mas não é por isso que esta "bússola" deixa de ter graça. Até porque a piada está na eventual discrepância entre o resultado da "bússola" e a nossa real intenção de voto. A mim, por exemplo, deu-me como "próximo do PS".

Blá blá blá rasteirinho



OK, o PC jamais se coligará com o PS ou o BE, nem mesmo num cenário pós-eleitoral em que seja necessário plasmar politicamente a maioria sociológica de esquerda que, de facto, existe em Portugal. Pronto, não se pode levar a mal. O Partido Comunista não quer ir por aí, está no seu direito, ou está com a direita… se quiserem.
Agora, não lhe fica mesmo nada bem argumentar de forma tão rasteira, tão merdosa, como fez num artigo publicado no Avante
Pronto, no PC também não voto.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Azuis


Vêm aí cravos azuis transgénicos. A introdução da espécie já foi autorizada pela Holanda e, sendo a Holanda o maior exportador mundial de flores para todo o Mundo, depressa esses cravos de cor monárquica ou social-cristã estarão à venda nas floristas de todo o país.
Já é mau serem transgénicos, mas serem azuis é que não. Já estou a ver um na lapela de Cavaco Silva no próximo 25 de Abril…

quarta-feira, agosto 19, 2009

Caspa


O PS orçamentou 5 milhões 540 mil € para a próxima campanha eleitoral. Se tiver 1 milhão e meio de votos, perde as eleições mas a campanha sai-lhe de borla. Com 2 milhões de votos, talvez ganhe as eleições e acaba por ter lucro significativo. Isto, porque o Estado subvenciona os partidos políticos que obtiverem mais de 50 mil votos nas eleições. São, se não erro, 3 € e 50 cêntimos por cada voto. Façam as contas e vejam o negócio que isto não representa. Já não falo das sinecuras que ficam à disposição dos correligionários e amigos, belos tachos com direito a BMW e cartão de crédito para despesas de representação. Mas isso são outras contas do rosário…
Se compararmos o orçamento dos partidos políticos com assento parlamentar com os outros, verificamos que a luta é completamente desigual. Enquanto que os primeiros têm mundos e fundos para gastar em propaganda, os segundos contam tostões e lançam-se à luta se a colecta entre os correligionários chegar para alguma coisa…
Do PS já falámos, agora comparemos o PSD com 3 milhões 340 mil € com a Frente Ecologia e Humanismo que só tem 25 mil €… ou o PCP/PEV com 1 milhão 950 mil € e o MMS com, apenas, 40 mil €… ou mesmo o Bloco de Esquerda com 993 mil € ao pé do PCTP/MRPP com singelos 45 mil €… ou seja, enquanto uns podem comprar os serviços de agências de comunicação, prometer bons empregos e facilitar a carreira dos amigos, outros mal conseguem fazer-se ouvir perante a berraria das máquinas propagandistas dos que andam próximos do poder e dele se alimentam.
Ou seja, os resultados eleitorais têm muito pouco a ver com programas políticos ou ideologias. Apenas com propaganda. Andamos a votar como quem vai ao supermercado à procura do "melhor" shampoo para a caspa.

terça-feira, agosto 18, 2009

Chateia-me


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Chateia-me que este governo acabe por dar razão à Direita e à Esquerda, de Portas a Garcia Pereira (curiosamente, com o mesmo discurso), por não ter dado prioridade aos apoios às PME’s, a verdadeira espinha dorsal da economia do país. As pequenas e médias empresas garantem mais de 90% do emprego e quase a mesma percentagem do PIB. Quando o governo preferiu investir nos apoios, subsídios e isenções fiscais às grandes multinacionais, ficámos todos à mercê dos caprichos desses capitalistas sem rosto nem alma, que tanto se lhes dá ter uma fábrica aqui como na China, o que lhes interessa são os milhões de lucro e não o bem-estar social.
Também me chateia que, depois do fracasso das “europeias”, o governo tenha entrado numa espécie de “coma”, deixando cair a aplicação de projectos que poderiam, de facto, com rapidez, dar emprego a muitos milhares de pessoas, nomeadamente, operários da construção civil. Para além da tal “falsa humildade” que logo foi detectada, usada e abusada pela oposição política e mediática, Sócrates revelou, de facto, falta de carácter político – o que não tem nada a ver com arrogância, característica que também não aprecio.

sábado, agosto 15, 2009

Woodstock, o Adelino e a ditadura


Woodstock foi há 40 anos. Meio milhão de pessoas juntaram-se num descampado, perto de uma aldeia chamada Woodstock, nos EUA, e realizaram um festival de música que marcou uma geração na parte Ocidental do Mundo.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Duas notícias espantosas




A primeira.
Utentes dos centros de saúde e hospitais do Alentejo, Algarve e Ribatejo vão ter de aprender a falar espanhol, já que comunicar bem com o médico é condição essencial para ele (o médico) perceber de que maleita se queixam os doentes… e como os médicos vão passar a ser cubanos, hay que ablar bien sinon bamos a morir…
Nada contra a globalização dos cuidados de saúde… mas julgo que a contratação de cubanos se deve, apenas, a um qualquer critério economicista. A mão-de-obra do dito terceiro mundo costuma pedir menos pelo salário… e se isso ainda se aceita numa fábrica de panelas, já num hospital gostaria que o critério fosse a qualidade profissional dos contratados. Espero que, além de baratos, sejam bons médicos.

A segunda.
A GNR recompensa os seus agentes que “caçam” mais multas. Não premeia os que prendem mais assaltantes nem os que apanham mais traficantes... Está, assim, explicada a apetência natural dos que viram a cara aos bandidos. Além de ser muito menos perigoso ir à caça das multas, sempre se consegue algum para ajudar a fechar a marquise.

quarta-feira, agosto 12, 2009

(o meu) Programa eleitoral - 4


Vamos então falar de Saúde.
Na semana passada fui ao oftalmologista com a minha filha Sara. Eu, há 4 anos que não fazia um exame aos olhos e a miúda está naquela idade em que as dioptrias aumentam acompanhando o crescimento da criança.
15 minutos a cada um e dê cá 110 € (55 each…). No meu caso, fiquei a pensar que mais valia ter ficado quieto, já que o médico não encontrou nada a assinalar e não tenho necessidade de mudar de lentes. O pior é que, como estou desempregado, os recibos não me servem para nada, já que sem rendimentos para declarar ao IRS não posso esperar qualquer recuperação destas despesas. Portanto, os desempregados não podem ir assim ao médico especialista quando acham que precisam. Temos de ir ao Centro de Saúde esperar por uma consulta com o médico de família, esperar que o senhor doutor ache bem passar uma credencial para a especialidade em questão e aguentarmos uns meses que nos chamem para a tal consulta com o especialista. Mas só pagamos as taxas moderadoras…
Comparando com França… o utente vai ao médico que quer, quando quer e paga por uma tabela estipulada pelo Estado. Se bem me lembro, consultas de clínica geral rondam os 20 € e as especialidades são pagas a cerca de 50 €. O médico passa obrigatoriamente uma factura que, poucos dias depois de ser remetida à Segurança Social é reembolsada em boa parte. Ou seja, uma ida ao médico fica em poucos euros… e não há urgências hospitalares entupidas.
Bom, nem tudo serão rosas no serviço de Saúde em França, mas mete o nosso num chinelo. Não sei por quanto tempo, porque parece que Sarkozy anda a pensar em "poupar" uns cobres ao orçamento do Estado e adivinhem lá onde será que ele vai cortar nas despesas...
Portanto… senhores candidatos a deputados, imaginando que se preocupam bastante com estes problemas reais da vida, aguardo pelas vossas promessas eleitorais... para decidir conscientemente em quem votar.

terça-feira, agosto 11, 2009

Piscadela de olho







Só uma verdadeira Fada como a Helena consegue restaurar egos gastos pelas desilusões.
Agradeço e levanto a Taça com orgulho. Mas é Taça pesada, da responsabilidade acrescida.

(o meu) Programa eleitoral - 3


Em Paris, a linha do RER-A (a linha A do comboio suburbano) serve cerca de 2 milhões de pessoas por dia. Nas horas de ponta, o comboio passa de 3 em 3 minutos. Para quem vive a 30 km de distância da cidade, o comboio é a grande alternativa a um bouchon de duas horas… É verdade que, às vezes, a circulação ferroviária sofre atrasos… é relativamente frequente acontecerem avarias ou tentativas de suicídio ou distúrbios entre passageiros que obrigam à intervenção policial e à interrupção da circulação, mas a alternativa continua a ser… um engarrafamento automóvel de duas horas. Além disso, o comboio é mais barato que o automóvel pessoal (o passe social mensal para a zona 5 custa menos de 100 € e é o mais caro), o comboio é muito menos poluente e, quando se vai sentado, sempre dá para ler o jornal ou algumas páginas de um livro enquanto não se chega ao destino.
Tudo isto para vos dizer que gostaria de ver algum dos candidatos a deputados defender soluções para as acessibilidades dos cidadãos ao centro dos grandes centros urbanos, principalmente Lisboa e Porto. Estranho que se fale tão pouco nisto… na necessidade de alargar a rede de metropolitano, na necessidade de se diminuir o consumo de gasolina e gasóleo, em fazer com que se deixe de perder várias horas por dia em engarrafamentos para ir para o emprego e voltar para casa. Nem só de TGV vive o transporte ferroviário…

segunda-feira, agosto 10, 2009

(o meu) Programa eleitoral - 2


Já repararam que, em muitas situações, andamos a pagar duas vezes (pelo menos) o mesmo serviço? Ainda por cima, nem sempre somos bem servidos…
Inscrevi-me num mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Um dos luxos dos desempregados é terem tempo, muito tempo, sem ocupação fértil. Assim, decidi ir para a escola. O pior é que a coisa fica em 2 mil €, pelos três semestres… e dei comigo a pensar em que diabo são empregues os nossos impostos se, quando solicitamos um serviço qualquer ao Estado, temos de o pagar? Pagamos na escola pública, pagamos no hospital público, pagamos no transporte público, pagamos se pedirmos um certificado de registo criminal, pagamos se formos trocar o velho BI amarelo pelo novo cartão azul. Pagamos. Acho que estamos a pagar a dobrar porque pagamos a primeira vez através do sistema fiscal e voltamos a pagar, depois, através das taxas moderadoras, propinas, emolumentos, tributos e portagens. Não gostavam de ver alguém da política debruçar-se sobre este assunto (a política fiscal), ou acham que é um tema menor? Até porque muitos destes serviços a que me refiro são direitos supostamente garantidos constitucionalmente e, acho eu, deveriam ser assegurados independentemente da riqueza do utente.

domingo, agosto 09, 2009

Impropérios velhos

Depois da recente nacionalização de um banco e de uma companhia de seguros, gostava de perceber como vai a direita (e alguma esquerda, também) abordar esta questão na próxima campanha eleitoral.
Durante décadas habituei-me a ouvir os maiores impropérios contra as ideologias que professam o controlo estatal sobre sectores estratégicos da economia e… afinal de contas, parece que sempre tinham alguma razão…
A iniciativa privada, realmente, estimula a criatividade (pelo menos a dos saqueadores de bancos) mas não garante uma justa distribuição da riqueza. E, reparem bem, quando digo justa não estou a dizer igualitária.

sábado, agosto 08, 2009

Dos bons costumes


Percebo muito bem que as empresas tenham códigos de conduta, livros de estilo, regras. São características das respectivas culturas empresariais e, por princípio, ajudam ao negócio. Mas, sempre que oiço, leio, uma notícia sobre a proibição de se usar decotes ou mini saias ou calças de cintura baixa, cheira-me a bafio…
Primeiro, não acredito que alguém que trabalhe, por exemplo, num banco, ou num hospital, vá trabalhar vestido de modo indecente. As pessoas sabem, quanto mais não seja por mero bom senso, como se devem comportar. Nunca vi uma professora do liceu ir dar aulas de vestido transparente, os motoristas da Carris não conduzem de calções (até porque têm farda…), eu não faço reportagens de chinelos (excepto quando o ambiente o permite).
Por estranho que vos pareça, isto vem a (des)propósito de me ter lembrado do ministro que foi despedido por ter feito uns corninhos ao líder da bancada do PC… julgo que, na altura ninguém questionou a decisão de sacrificar o homem, porque se tratava de um gesto de má educação, indigno, etecetra e tal. Deixemo-nos de histórias… quer dizer, andamos a substituir a livre discussão de ideias políticas com base em conceitos moralistas piores que os do tempo da outra senhora… E logo ali, no Parlamento, onde os senhores passam a vida a se insultarem impunemente de alto a baixo.
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de Sócrates… o acto apenas revelou que o 1º ministro não se rege pelos conceitos de lealdade recíproca com os seus parceiros de governo. Deixa-os cair com uma frieza arrepiante, ao mínimo contratempo. Basta que o ministro em causa não seja um yes man. No final, Sócrates mostrou que comanda o governo como qualquer patrão, mais ou menos buçal, que não tem rebuço em despedir o empregado mais incómodo, mesmo que seja um bom profissional.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Toda é capaz de ser demasiada


Enquanto o PS mantém o rumo em direcção a uma provável derrota eleitoral, o Bloco afadiga-se a arrebanhar a maior percentagem possível de descontentes, descrentes, desiludidos e oportunistas que se queiram mudar do Largo do Rato para a Avenida Almirante Reis. Nada contra, acho mesmo que o Bloco vai ter uma excelente votação e aumentar o seu grupo parlamentar.
Mas temo que o Bloco já comece a ter alguns dos tiques dos chamados partidos do poder. É que, no calor desta luta política, os dirigentes e opinion makers bloquistas andam a espalhar a ideia de que a única alternativa à esquerda reside neles, como se o PC ou o MRPP não fossem dignos de merecer uns votos, também. Falam eles (pela pena do Nuno Ramos de Almeida) da “necessidade de reconstruir um pólo alternativo de esquerda que possa fazer convergir toda a esquerda descontente das políticas neoliberais”. Convenhamos que pretender ter “toda a esquerda” é um bocadito egocêntrico e revelador de alguma intolerância. Não?

quinta-feira, agosto 06, 2009

Tabefes nada Molex

Diz o “Le Parisien”, simpático diário tablóide da capital francesa, que um administrador da multinacional americana Molex, que fabrica componentes automóveis, foi violentamente agredido por um grupo de trabalhadores em greve, na sequência de um conflito laboral que surgiu depois da empresa ter anunciado o encerramento para o próximo mês de Outubro.
O caldo entornou quando o administrador em questão foi alvejado com ovos podres e os seus guarda-costas tentaram reagir contra os atiradores de ovos. No final, dois guarda-costas foram parar ao hospital e o senhor engenheiro obteve um atestado de baixa médica de 7 dias.
Desde que foi anunciado o encerramento definitivo da fábrica que os trabalhadores entraram em greve. O problema é que a empresa continua a ter muitas encomendas e a administração tentou contratar pessoal eventual para assegurar a produção. Os grevistas, muito justamente, endureceram a luta e deu nisto.
O caso da Molex é a prova provada de que muitos empresários se estão nas tintas para a responsabilidade social e não têm o mínimo rebuço em fechar uma fábrica para a deslocalizar para um país onde seja permitido ter mão-de-obra quase escrava.

Desde 1789 que de França só nos chegam boas notícias...

Comprometido(s)

O prémio chama-se "Comprometidos Y Más", é oriundo da América Latina e foi atribuído ao "Escrita em Dia" pelas amigas do "Sustentabilidade É Acção". Aceito, claro, fico contente.

Para permitir que o prémio continue a viajar pela blogosfera, vou atribuí-lo a outros 15 blogues (oh! tarefa ingrata...):

quarta-feira, agosto 05, 2009

Bye bye


O “capitão Gancho” abandonou o barco, dizem que a troco de 6 milhões de euros e um lugar na administração da Ongoing, uma empresa de média que quer crescer muito nos próximos tempos.
Aparentemente sai sozinho, mas ninguém acredita que não acabe por levar um ou dois homens de mão. Mesmo contra o que dizem os jornais, acredito que a Manuela também não ficará muito mais tempo… tudo depende da rapidez com que os patrões se decidam a negociar justas indemnizações.
Rei morto, Rei posto. Mas quem será o novo Rei?

(o meu) Programa eleitoral

Na maioria dos casos, o patronato português julga que só pode haver empresas estáveis e produtivas com trabalhadores instáveis, amedrontados e permanentemente ameaçados pelo desemprego. Esse modelo de relação laboral funcionou relativamente bem no início do século passado até ao 25 de Abril de 1974, é o modelo que fez o crescimento dos nossos sectores tradicionais da actividade económica, o têxtil e o calçado, mas é um modelo completamente esgotado. Hoje, as t-shirts e os sapatinhos de design italiano são feitos na China ou na Índia porque, meus senhores, por mais baixinhos que sejam os salários que se paguem a operários portugueses, serão sempre salários muito mais altos que os que recebem os trabalhadores quase escravos desses países asiáticos.

Eu, que percebo pouco de economia e quase nada de finanças… ainda não entendi porque diabo deixámos de ter agricultores e pescadores… actividades que poderiam empregar muitos milhares de pessoas e onde podíamos jogar com vantagem, já que temos o grande lago do Alqueva para regar campos agrícolas e a maior Zona Económica Exclusiva onde quase só pescam barcos espanhóis e franceses. Chateia-me ver tanta água desperdiçada… Ainda hoje comprei no Continente um pargo mulato espanhol, cinco douradas de aquacultura espanholas, uma perca do Nilo (será egípcia?) e um polvo grego. Peixinho portuga só vi carapaus… mas não os achei com boa cara.
Vou a França e à Alemanha e só oiço falar bem da capacidade de trabalho dos operários portugueses que por lá labutam nas metalúrgicas e nas linhas de montagem. Se labutam lá, poderiam fazê-lo aqui… digo eu, não sei. Mas, aqui, só oiço falar na criação de call centers… que raio de coisa se produzirá num sítio desses?... Será isso um serviço exportável? Se calhar é… mas não impede que continuemos a importar 90% do que necessitamos para comer, para vestir, para viver.
Preocupa-me que em Portugal se claudique nas condições laborais. Os jornalistas do Público e os operários da Auto Europa aceitaram trabalhar por menos dinheiro, mas não acredito que esta crise se vença agravando as condições de trabalho das pessoas… e considero indecente que os capitalistas, que desde sempre acumularam riqueza à custa de quem trabalha, queiram agora que sejam os trabalhadores a pagar uma crise para a qual nada contribuíram.
É neste enquadramento que considero inaceitável que alguns opinion makers continuem a propalar a ideia de que a legislação laboral portuguesa é muito rígida, restritiva, impeditiva para o desenvolvimento dos negócios. É mentira. Quem já emigrou sabe bem que, por exemplo, em França é muito mais difícil despedir um funcionário do que em Portugal. É claro que esses opinion makers nunca foram despedidos à pala de um mirabolante processo colectivo de despedimento ou de uma alegada extinção do posto de trabalho..
Nas próximas eleições legislativas, votarei em quem me der garantias de ir tentar mudar este estado de coisas.

terça-feira, agosto 04, 2009

Marradas (da boa série "Reptilário")

Em 2001, para afastar da SIC Emídio Rangel, Balsemão utilizou um jovem homem de mão para o confronto. A coisa deu-se num célebre plenário de trabalhadores, o “velho leão” foi surpreendido pelo atrevimento do “jovem turco”. Acabaram por sair os dois da empresa, mas o jovem já regressou depois de ter feito carreira pela PT e pela RTP. Rangel é, hoje, uma espécie de proscrito, um dos nomes no infame índex do Dr.Balsemão, a quem ninguém quer dar a mão.

Agora, é o próprio Balsemão quem se confronta com um jovem que o desafia pelo controlo de um espaço vital para ambos: a Impresa, que é como quem diz, a SIC. O desafiante é, nada mais nada menos, que o filho do melhor amigo do sefardita, falecido há alguns meses. Nuno Vasconcellos (dois elles), tem um monte de dinheiro e muita ânsia nas veias e quer que o velho lhe venda o suficiente para ter de lhe passar o controlo do império. Se fossem bodes selvagens, andariam à marrada pelo direito a cobrir todas as cabras da manada. Como são capitalistas, a coisa mede-se em % de acções e votos no Conselho de Administração. Não que as cabras não andem por ali, de igual modo…

domingo, agosto 02, 2009

Liberdade


Ao ler jornais, escutar rádio e ver televisão fico com a impressão de que me estão a convencer de que, depois do falhanço da governação de Sócrates, não resta outra alternativa senão votar na Manuela Ferreira Leite.
Trata-se de uma campanha de absoluta desinformação e engano. Como não há alternativa? Claro que há, inúmeras alternativas. Aliás, já vejo o Bloco a esfregar as mãos de contentamento… mas vejo, também, claramente, outras alternativas de aplicação do meu voto. Vislumbro um “cavaleiro solitário” que se prepara para baixar o elmo e picar a montada, em defesa da honra da sua dama: a Liberdade.

sexta-feira, julho 31, 2009

Exercício político





Nos últimos dias tenho conversado com alguns jovens, todos com formação universitária, utilizadores de ferramentas de trabalho utilizadas nas novas tecnologias de comunicação. Sabem tudo sobre Photoshop, HTML, PHP, Java, RPG, Cobol e outros códigos, para mim indecifráveis, mas nenhum me soube dizer quem foi Sá Carneiro, nunca ouviram falar do MRPP, ver televisão não lhes interessa por aí além, não ligam às notícias. Fazem parte dos 63% de abstencionistas nas últimas eleições europeias, embora eu acredite que boa parte da abstenção não se deveu à ignorância mas, antes, à desilusão.

Talvez por isso, todos os candidatos às próximas eleições legislativas (em Setembro) e autárquicas (em Outubro) se preocuparam em marcar presença na Web. Não há partido político, do CDS ao MRPP, não há candidato (do Paulo Portas ao Garcia Pereira) que não tenha já um blogue, um site, o perfil no Twitter e no Facebook. Talvez assim a malta jovem se ligue um pouco mais à política… embora o que realmente nos interessa é que eles (os políticos) passem a ter vergonha na cara e respeitem os compromissos que assumem nas campanhas. Porque as promessas políticas são moedas cunhadas nas duas faces: há o prometer e o cumprir.

A verdadeira artista...





Manuela Ferreira Leite diz que é bom que os ricos "dêem muitas festas, que façam muitas coisas, porque isso dá muitos postos de trabalho a muitas pessoas".

terça-feira, julho 28, 2009

Tribunecas

O crescimento do Bloco de Esquerda faz-se, em boa parte, à custa dos eleitores desiludidos com o PS. Mas, também, aproveitando os descontentes do PC, embora, neste momento, o PC não tenha grandes problemas de dissidência. A reacção do PS é, digamos, óbvia, ao tentar captar elementos proeminentes do Bloco, casos de Joana Amaral Dias e Miguel Vale de Almeida. Ele foi colocado em lugar elegível nas listas pelo círculo de Lisboa e, certamente, ficará conhecido como o primeiro gay assumido no Parlamento. Há outros, mas nunca se assumiram… Ela terá recusado a manjedoura parlamentar e o Bloco anda, agora, a fazer um escândalo com um alegado convite de Sócrates para que Joana ficasse a dirigir não sei que instituto público.

O problema do Bloco não são as sinecuras prometidas, as tribunecas a troco de 30 dinheiros, o problema dos dirigentes do Bloco é que eles sabem que se o PS guinar verdadeiramente à esquerda acaba com eles. O meu problema é que com uma esquerda assim a direita vai ganhar. E... muito estranhamente, com o meu problema não me parece que Sócrates ou Louçã estejam preocupados.

segunda-feira, julho 27, 2009

Pregar aos peixes


Quando ouvimos um político ufanar-se de ser pragmático, ou seja de praticar uma doutrina que releva o valor prático das acções, temos tendência para concordar…. Pois então, trata-se de um homem que sabe o que quer e para onde vai, certamente um bom líder, um daqueles que nunca tem dúvidas e raramente se engana – pensamos logo. Mas, se pararmos para reflectir, percebemos que o pragmático é, apenas, o tipo que defende o que lhe convém e que raramente se importa com os outros. Pragmático é, por norma, aquele que é capaz de vender a alma ao diabo para alcançar um objectivo pessoal. Então, acho que vou passar a dar mais atenção aos que se mantêm leais aos ideais, mesmo às ideologias. Aqueles que ainda acreditam, depois de todos os muros terem caído. Que continuam a pregar aos peixes, derrota eleitoral após derrota eleitoral, e que não se importam. Sempre são mais fiáveis.

sábado, julho 25, 2009

Mau feitio

Quem segue a actualidade internacional sabe bem que os problemas com que nos confrontamos não são exclusivos de Portugal.
O desemprego galopante, a falência e a deslocalização de empresas, a baixa do poder de compra afectam de igual modo a vida de espanhóis, franceses, italianos, ingleses… e não se pode dizer que a culpa seja de Sócrates.
Em França, por exemplo, há até novos fenómenos de radicalização das lutas laborais, com os trabalhadores a organizarem-se em comités ad-hoc e a prescindirem do papel mediador das estruturas sindicais clássicas. Para muitos franceses, a luta pela sobrevivência já ultrapassou as fronteiras da contemporização e deixou de ser admissível permitir que o patronato deslocalize calmamente uma empresa para um país asiático de mão-de-obra quase escrava. As situações violentas têm-se multiplicado no último mês, com vários casos de sequestro de empresários e ameaças de destruição do património das empresas encerradas por mero calculismo capitalista. Há até instalações fabris que foram ocupadas por trabalhadores e armadilhadas com cargas explosivas prontas a serem deflagradas caso a polícia ensaie alguma tentativa de resolver o conflito pela violência legalizada. Os problemas de Sarkozy são bem maiores que os de Sócrates, são à escala do país, como é evidente… mas Sarko não tem eleições à porta. O governo francês tem tentado dialogar com os promotores destas situações, mas os impasses acumulam-se e a França arrisca-se a ter no regaço uma questão social verdadeiramente explosiva no final deste Verão. Por parte dos sindicatos, o silêncio é quase absoluto, pelo que se lê nos jornais… ou foram de férias (um direito inalienável do trabalhador enquanto tem trabalho) ou não sabem o que dizer.
Ah, Marianne… que feitio o teu!

quinta-feira, julho 23, 2009

Voto sentido - 2



Ferreira Leite não tem consciência social, não a sinto sensível aos problemas dos trabalhadores de salário mínimo, dos desempregados, dos sem casa condigna, dos transgressores do limiar da pobreza.
Por isso, rejeito-a. É-me desagradável. Não votarei nela.

domingo, julho 19, 2009

As boas razões para um corte de estradas


Odeio praias cheias de gente, mas os meus filhos não querem saber disso e acham que a água nunca está demasiado fria. Então, lá fui até Carcavelos…
Em Paço D’Arcos, engarrafamento. Trânsito bloqueado, marchava-se a passo lento. Depois de Paço D’Arcos, a explicação… a marginal estava cortada desde ali até à rotunda de Carcavelos, informação fidedigna transmitida por um polícia de serviço ao corte de estrada. As razões em concreto não sei, nem quis saber, mas imagino que esteja relacionado com alguma corrida de bicicletas ou de patins de roda em linha promovida por alguma associação de adeptos do desporto ao ar livre. Nada contra, mas não percebo porque o fazem na via pública. Se a Lei não permite que a indignação da população seja razão para um justo corte de estradas, então não percebo porque se permite este outro tipo de manifestação que, pese embora todas as boas intenções, acaba por redundar no mesmo transtorno para quem precisa de circular pela estrada cortada. Só acrescento que admito que se corte uma estrada por um bom e justo protesto, mas já me chateia ser prejudicado porque há uns tipos que gostam de se exibir a andar de bicicleta. Mas isso sou eu a falar, que tenho mau feitio.

sexta-feira, julho 17, 2009

A discriminação pode ser uma questão geográfica


Sou daqueles que acham que discriminar dadores de sangue homossexuais é uma cretinice. O que está em causa são os chamados comportamentos de risco que propiciam a propagação de doenças como a SIDA, mas o simples facto de se ser homossexual não significa que se seja promíscuo. Conheço alguns casos de homossexuais fiéis ao parceiro e extremamente cuidadosos com questões de saúde. Conheço casos de heterossexuais, homens e mulheres, doidinhos por dar uma facadinha no matrimónio à primeira oportunidade. Conheço hetero que se drogam e gays que só bebem água mineral. E o contrário. É a vida e o comportamento humano. Por isso, acho que excluir os gays da capacidade de doar sangue é uma discriminação idiota. Façam-lhes os testes e se o sangue for bom, aceitem-no. Não sou gay e é o que normalmente acontece comigo, quando dou sangue. E nos últimos anos, o meu sangue tem sido sempre rejeitado, porque a malária me contaminou para todo o sempre e tenho um sangue impróprio para consumo de terceiros. Isto, quando o faço em Portugal. Mas a última vez que doei sangue foi em Luanda, em Abril passado. O enfermeiro de serviço no Hospital Maria Pia aceitou como boa a minha palavra ao dizer-lhe que não ia às putas. Tirou-me a litrada e misturou-a anonimamente com outras que esperavam ocasião de virem a ser precisas. Ainda o avisei da malária, mas ele encolheu os ombros. Quem é que não tem malária em Angola?

Os trabalhadores pagam a crise


É raro que um jornal publique notícias sobre os seus próprios conflitos laborais. O Público fê-lo hoje, talvez porque se trata aparentemente de uma boa notícia, ou seja, do propalado fim do conflito… que, de facto, não acabou nada, continuará dentro de algum tempo, quando o patrão verificar que não é assim que lá vai.
A questão é que o jornal dá prejuízo, 4 milhões ao ano, segundo julgo. E o senhor Azevedo acha que é cortando na massa salarial que vai ganhar dinheiro. Olhando para o exemplo de outros, diria que se trata de um erro. Um projecto de comunicação social ganha-se investindo, reinvestindo, dinheiro e imaginação, levando os criativos a vestir a camisola, fazendo com que o local de trabalho passe a ser uma segunda casa, senão mesmo a primeira. É assim que se vencem essas batalhas, com mel e não com fel. O que o senhor Azevedo está a fazer é a destruir a esperança e a transformar o projecto de um jornal num mero emprego a prazo e mal pago. Assim, não vai lá. A partir de agora, o Público passa a ter jornalistas com medo, inseguros em relação ao futuro, inseguros em relação a si mesmo. Passa a ter trabalhadores que farão tudo para sobreviver, atropelando-se mutuamente, destruindo relações de camaradagem, anulando lealdades, como derradeira esquema de sobrevivência.
O Público “convenceu” os trabalhadores a abdicarem de uma parte do salário, como contrapartida não haverá nenhum processo de despedimento colectivo. Quem será o ingénuo que acredita que o problema ficou resolvido?

quarta-feira, julho 15, 2009

Mãos ao ar, isto é um assalto!


Os casos BCP, BPN e BPP, casos (crimes?) de gestão danosa e de fraude praticados pelos banqueiros que mandavam nesses bancos estão a ajudar a enterrar o governo. Não que o governo tenha tido alguma participação nessas malfeitorias, mas porque o governo e o PS insistiram em defender o governador do Banco de Portugal das acusações de incompetência no desempenho do papel de fiscal de boas práticas bancárias.
Por questões de mero oportunismo político, os partidos da oposição tudo fizeram para queimar o cadeirão de Vítor Constâncio, não por ele ser o governador do BdP mas, apenas, porque ele é do PS. Na reacção, o governo e o PS não o deixaram cair.
Sócrates, Santos Silva e demais, que costumam ser tão lestos a deixar cair carneiros no altar dos sacrifícios, teimaram em defender Constâncio… e vão pagar politicamente por isso. Só lamento que todo o barulho que se faz à volta desta questão da culpa do regulador, sirva apenas para distrair as atenções dos verdadeiros “assaltantes” de bancos.

domingo, julho 12, 2009

E ao escriba, ninguém passa cavaco

Os grandes patrões dos médias europeus anunciaram um cerrar de fileiras na guerra que travam já há uns anos contra os motores de busca e os agregadores de notícias, que utilizam os conteúdos das páginas digitais dos órgãos de comunicação social, casos do Google News ou, numa versão caseira, o eusou.com .
O que eles querem é, cito o que li no Público (que cita Mathias Döfner, presidente do grupo alemão Axel Springer), “uma fatia justa das receitas que são geradas pela exploração comercial dos nossos conteúdos”.
Portanto, o que eles querem é dinheiro, mas argumentam eufemísticamente com a necessidade de se respeitar a propriedade intelectual e, como diz Balsemão (citado pelo Público na sua qualidade de presidente do European Publishers Council), “apelamos aos governos para que apoiem o direito de autor na era da Internet”.
Mathias e Francisco querem receber por aquilo que se recusam a pagar aos jornalistas que trabalham para eles. Quem é o jornalista que recebe direitos de autor pelo seu trabalho? Quem é então o detentor da propriedade intelectual de uma obra, quem a faz ou quem paga o salário ao criativo? Qual destes magnatas da comunicação já alguma vez pagou a um jornalista por utilizar o seu trabalho nas sinergias dos grupos que controlam?
De resto, acho que está por fazer o cálculo dos benefícios usufruídos pelos órgãos de comunicação social ao serem citados pelos serviços agregadores de notícias e motores de busca. É que, invariavelmente, o utente acaba por lá ir parar, quando não é imediatamente dirigido para lá.

sábado, julho 11, 2009

1 + 1 = 11


Tenho feito um esforço, mas não consigo entender esta lógica aritmética que vai somando todos os casos positivos de gripe A. As notícias de hoje dizem que “sete novos casos de gripe A foram confirmados nas últimas 24 horas em Portugal, fazendo subir para 86 o número total de infecções deste vírus no país”, mas na realidade há apenas 7 pessoas internadas nos vários hospitais. As outras já estão curadas.
Segundo creio, todo este alarme se deve à rapidez de propagação do vírus H1N1. Mas não me parece que seja um vírus especialmente letal para justificar sucessivas conferências de imprensa da ministra e entrevistas ao director-geral da Saúde. Ou então há alguma coisa que me escapa, o que até é bem possível porque sou um leigo na matéria.

Mas achei curiosa uma reportagem que vi, no Telejornal, sobre a eventualidade dos políticos em campanha alterarem os hábitos beijoqueiros durante os banhos de multidão... o H1N1 será uma óptima desculpa para fintarem as velhas babadas e as criancinhas ranhosas.

sexta-feira, julho 10, 2009

Retratos e mensagens

O fotógrafo português Edgar Martins viu um trabalho seu ser retirado do site do New York Times, porque em pelo menos uma fotografia a imagem foi manipulada digitalmente. Edgar Martins terá utilizado Photoshop para realçar o efeito que pretendia quando fez a fotografia.
O fotógrafo diz que não é um mero intermediário e que, por isso, não se limita a retratar a realidade. Ele quis provocar um determinado efeito, quis comentar a coisa, dar uma opinião.
A discussão que se levantou é se o que ele fez é legitimo, do ponto de vista jornalístico, que era o que o New York Times pretendia ao encomendar o trabalho ao fotógrafo.
Mas quando a discussão chega a este ponto, não se pode restringir ao trabalho de recolha de imagens dos repórteres fotográficos ou de televisão. Quando um jornalista escreve um texto, as palavras que escolhe influenciam a visão que o leitor vai ter sobre o assunto. Dois jornalistas jamais farão a mesma reportagem sobre o mesmo assunto. A subjectividade é total, mesmo se os dogmas da profissão falam em isenção, equidistância e outras coisas impossíveis de alcançar.

foto de Edgar Martins

quinta-feira, julho 09, 2009

Financiadores

Encontrei um rascunho no computador, um copy paste de uma notícia de meados de Janeiro deste ano que dizia que o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, havia denunciado a existência de uma "onda de aproveitamento" da crise para gerar mais desemprego, situação que tem na origem "a não assumpção das responsabilidades sociais".A notícia citava longamente Oliveira Martins ao dizer que "vemos muitas situações em que percebemos que se está a aproveitar este momento para não assumir as responsabilidades sociais".
Curiosamente, desde então, e já lá vão mais de seis meses, não me lembro de ver nenhum partido político pegar nesta questão. E tenho a impressão que nunca irei ver, tanto mais que vamos entrar em sucessivas campanhas eleitorais e adivinhem quem vão ser os principais financiadores dos partidos políticos, pelo menos daqueles que têm tido os poderes legislativo e executivo na mão.

terça-feira, julho 07, 2009

Vermelho de Natal


Só damos por ele quando há eleições. Não que ele ou o partido não mantenham uma actividade política regular, mas porque só quando são obrigados a isso os órgãos de comunicação social dão cobertura às suas actividades. É por isso que ele só aparece em campanhas eleitorais, em reportagens de circunstância nos noticiários e… nos tempos de antena. É quando os pequenos partidos políticos têm algum ar para respirar. E é assim que se alimenta a ignorância sobre o perfil desses políticos e se mantêm estereótipos criados há dezenas de anos pela propaganda dos partidos maiores.
A propósito disto, hoje ao almoço ouvi uma história deliciosa que não posso deixar de partilhar.
Era Dezembro não sei de que ano e ele andava por Alfama, em campanha para as autárquicas. É um dos seus percursos de eleição, gosta de lá ir e parece que é sempre bem recebido pelos moradores. De ruela em ruela, cumprimentava pessoas e trocava palavras com quem tinha reclamações a fazer. Uma dessas pessoas levou-o a entrar em casa, certamente por causa de alguma obra de reparação que o senhorio ou a câmara deviam fazer e não faziam. O candidato ouvia e enquanto circulava pela casa reparou na árvore de Natal da velhota. “Olha, que bonita árvore de Natal!” disse, “até parece a minha!”, observação que surpreendeu a senhora: “Mas o senhor também faz árvores de Natal?”, perguntou ela ao líder do PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
Garcia Pereira explicou então à senhora que considerava o imaginário do Natal essencial para a educação das crianças e que, como tinha filhos, celebrava a festa todos os anos. Mesmo com esta explicação, julgo que a estranheza da senhora não se terá dissipado. Não é fácil de aceitar que um comunista empedernido se ajoelhe para colocar bolas coloridas e luzinhas cintilantes num pinheiro cortado. Será que eles são humanos?

segunda-feira, julho 06, 2009

Break a leg (salvo seja...)


Não quero parecer demagógico, nem ciumento, nem invejoso… mas acho que o que se passou hoje com a sacralização de Cristiano Ronaldo ultrapassou todos os limites do bom senso e do pudor.
Cristiano Ronaldo é um belíssimo jogador de futebol. Ponto. Não é um cientista de renome, não ganhou nenhum Prémio Nobel, não se distinguiu em nada excepto a jogar à bola. Mesmo dando de barato que o futebol é um desporto do agrado da maioria das pessoas, nada justifica que todas as televisões do país tenham enveredado por dar cobertura a uma mera operação de marketing de um clube espanhol que, por manifesta falta de vergonha, decidiu pagar um balúrdio pela transferência de um jogador de futebol. No que toca à RTP, não vi nenhum serviço público na indigestão de directos realizados ao longo do dia, desde o aeródromo de Tires até ao hotel de luxo onde o rapaz foi tomar um duche antes de se apresentar à massa associativa madrilena. Quanto à SIC e à TVI, não surpreende a orientação tablóide do critério…
Resumindo, gostaria de saber quanto pagou o Real Madrid pela parceria das televisões portuguesas na operação de propaganda que montou.

domingo, julho 05, 2009

Pobre não é cidadão


Tem 50 anos e é mãe de duas adolescentes. Ambas estudam mas uma tem uma doença crónica detectada aos quatro meses de idade, razão pela qual a mãe recebia um complemento de abono de família, uma pequena ajuda do Estado para auxiliar nas imensas despesas médicas. A mãe ficou, agora, desempregada. E ao mesmo tempo que ficou desempregada viu o complemento de abono de família ser cortado. Porque o dito complemento só é pago quando existem descontos para a segurança social. Desempregada, a mãe deixou de fazer descontos… pois a miúda doente crónica deixou de ter direito à ajuda do Estado. Até custa a acreditar...
A frieza deste Estado é inaceitável. Mas se pensarmos que o Estado é aquilo que as pessoas querem que seja, então é a nossa frieza que é inaceitável. Uma frieza que se traduz, tantas vezes, em actos comezinhos e aparentemente distantes deste estado de coisas…
Tenho um amigo que faz parte de uma agremiação recreativa, um clube de bairro onde os sócios cruzam saberes, experiências e anedotas sobre a vida. Um destes dias houve eleições para a direcção da agremiação. O meu amigo não pôde votar porque deixou de pagar quotas desde que deixou de ter dinheiro quando faliu a pequena empresa dele. A falência não o empobreceu apenas, tirou-lhe direitos de cidadania também. Acredito que o magoou bastante ter sido impedido de votar.
Ele e ela têm direito a outro tipo de solidariedade, tanto do Estado como da sociedade.
E não falo de caridade.

sábado, julho 04, 2009

Voto sentido


Nas próximas eleições irei votar. Ainda não sei em quem, mas irei. O meu dilema prende-se com uma profunda desilusão relativamente aos chamados partidos do poder. Já antes votei fora desse binómio e, suspeito, será isso que irei fazer de novo. Julgo que irei contribuir para o enriquecimento da Democracia, ajudando algum dos pequenos partidos que nunca tiveram hipótese de mostrar o que valem, que nunca conseguiram eleger um deputado que fosse. Quero voltar a ver na Assembleia da República um “cavaleiro solitário”, um novo Acácio Barreiros que tão boa conta de si deu e tanto contribuiu para o debate político em 1975. Agora imaginem se pudéssemos ter vários solitários no Parlamento, deputados verdadeiramente descomprometidos com os lobbies dos poderes económico e político, sem disciplinas de voto idiotas e contra-natura, que agissem em consciência e preocupados apenas com a satisfação dos compromissos assumidos perante o eleitorado.

quinta-feira, julho 02, 2009

Burro chifrudo


Manuel Pinho era um ministro politicamente frágil. Por mais de uma vez demonstrou essa fragilidade, deixando-se enredar na maledicência do duelo político-partidário de modo ingénuo. Não é fácil ter estrutura mental para aguentar com todas as torpezas próprias do exercício político. Há quem nunca o consiga e Pinho parece-me ser um deles. Hoje, escorregou fatalmente. Perante um comentário feito em surdina que considerou ofensivo, o ministro partiu para o insulto. Pelo gesto, não percebo se chamava cornudo ao outro se burro. Os dedinhos espetados tanto podem querer significar um par de chifres ou um par de orelhas grandes. Qualquer que seja o significado, acho que todos os dias os senhores deputados se insultam mutuamente de alto a baixo, guarnecidos pelas respectivas imunidades que a qualidade de eleitos lhes confere e nada demais acontece. Ora, Pinho não tem essas prerrogativas, como ministro não foi eleito. Foi despedido, para gáudio da oposição e do “burro chifrudo”.

28 locomotivas a vapor


Em Portugal, os 28 economistas contratados pelo PSD… perdão, conotados com o PSD… perdão, amancebados… enfim, esses 28 doutores em economia, dizem que os grandes investimentos públicos têm de ser repensados, porque não são rentáveis, não criam emprego, não prestam para nada. Se perguntarem às empresas de construção civil ou aos 60 mil operários do sector que já estão no desemprego, talvez encontrem opiniões diferentes, mas não tão doutas, porventura.
Nos Estados Unidos, o presidente Obama também não concorda com os 28 pilares do pensamento económico português. Obama, à semelhança de Sócrates, ou vice-versa, tem também um projecto para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Mas Obama acha que esse investimento público vai ser altamente rentável para os Estados Unidos. Vai ajudar a reduzir a dependência da população face ao transporte automóvel, vai reduzir as importações de petróleo e… ainda, vai ajudar a reduzir as emissões de CO2 e estimular o desenvolvimento económico (imagem só!) mediante a criação de postos de trabalho.
O país é grande e os recursos são à escala, mas o projecto acarinhado por Obama desenha 10 linhas de alta velocidade, oito a ligar as principais cidades da costa Leste e duas na costa do Pacífico. Portugal não fará nenhuma...

quarta-feira, julho 01, 2009

Que se lixem!

Pressões?... Não... o que se passa é que para o deputado Branquinho e o PSD, mas também para todos os outros políticos e partidos, democracia é que na pantalha o governo e o PS tenham 50% do protagonismo noticioso, a oposição parlamentar 48% (dos quais, 28% só para o PSD) e a oposição não parlamentar 2%.
José Alberto Carvalho é obrigado, assim, a ir à Comissão de Ética (?) dar explicações sobre os critérios jornalísticos aplicados na RTP e que, pelos vistos, colidem com a necessidade imperiosa de preencher devidamente as quotas noticiosas da actividade partidária. Que se lixe o critério jornalístico, que se lixe o (des)interesse intrinseco das iniciativas partidárias, que se lixe tudo menos o preenchimento das quotas!

terça-feira, junho 30, 2009

O que vale uma borla


Não leio jornais gratuitos. Acho que o conceito de gratuito é um logro destinado a vender gato por lebre. Os ditos jornais mais não são que veículos publicitários travestidos de informação noticiosa. Não os leio e acabou-se.
Normalmente, leio os jornais na internet. A homepage do meu computador é o site EusouJornalista e é por lá que faço a primeira ronda pelos títulos. Depois, se acho que alguma coisa o justifica, vou ao quiosque e compro um jornal.
Mas, hoje, e pela 2ªvez nos últimos tempos, fui surpreendido com a oferta de um jornal. Parei num posto da BP para abastecer o carro, tomei um café e pedi o jornal i. Com o talão da despesa, o funcionário do posto deu-me o Jornal de Notícias. Há dias aconteceu-me o mesmo com o Público, oferecido num supermercado.
Acho que se trata de um estratagema inaceitável, de uma deslealdade a toda a prova. Basta que se saiba que estão a dar um determinado jornal para que todos os outros títulos deixem de ter procura. A maioria das pessoas não tem grandes convicções quanto à escolha de um jornal e se estão a dar um, sempre se poupa 1 €…
Tenho algumas dúvidas quanto aos benefícios comerciais de uma acção deste género. Será que oferecer um jornal durante algum tempo cria alguma habituação no leitor? Ou será que o valor que damos às borlas é directamente proporcional ao que esse produto nos custou?
Na verdade… eu trouxe o JN, mas ainda nem o folheei. O que eu queria mesmo era ler o i pelas razões que já expus no post anterior.

Nos tempos do XV Governo Constitucional


A manchete do Jornal i de hoje é imbatível, não pelo título em si mas pela prosa que promete na página 16. O presidente da PT acusa a “senhora presidente do PSD” de prejudicar os accionistas da PT ao ter utilizado a compra dos 30% da Média Capital como arma de arremesso no duelo político que trava com o PS, quando pôs em causa o negócio “cujos termos não conhecia”.
Henrique Granadeiro diz que se lembra bem “das tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo” (em 2004) e diz que ainda não esqueceu como o Estado se desfez da rede fixa de comunicações (em 2002), numa época em que valia tudo para combater o deficit público, uma obsessão da ministra Manuela Ferreira Leite que fez com que Jorge Sampaio, o PR na época, tivesse de lhe lembrar que havia “mais vida para além do deficit”. Neste negócio, a PT foi obrigada a pagar muito mais do que o valor real da rede fixa de comunicações, uma artimanha financeira da ministra para conseguir conter o deficit que originou até uma acção da Comissão Europeia contra o Estado português.
Granadeiro veio lembrar aquilo que muitos fazem por esquecer…
Curiosamente, MFL já reagiu às declarações de Granadeiro, mas apenas para negar que tenha feito alguma vez pressões sobre qualquer órgão de comunicação social, coisa de que ninguém a acusava. Granadeiro referiu-se a pressões do governo do PSD. Alguém as terá feito, mas ele não disse que tinha sido a senhora ministra. Quanto às acusações de má gestão da coisa pública, essas sim dirigidas a ela directamente, MFL nada disse.

segunda-feira, junho 29, 2009

Speaky TV


A Speaky.tv é uma das muitas webtv que já existem em Portugal. Mas esta tem uma particularidade, em vez de servir para a divulgação de uma região ou de uma cidade (como a maioria), serve a causa do seu mentor, Fernando Alvim.
A webtv foi inaugurada há dias, entre várias curiosidades, com uma entrevista ao Emídio Rangel, o que por si só é uma boa ideia para uma emissão de estreia, já que Rangel é pai de vários sucessos mediáticos, casos da TSF, SIC e SIC-Notícias. Sucessos que quando “largados” pelo progenitor entraram em declínio ou quanto muito estagnaram.
Essa entrevista, apesar de ter sido gravada há mais de 1 mês, é um documento curioso face à actualidade dos últimos dias. Sobre a TVI, por exemplo, posto perante a probabilidade de Moniz abandonar a direcção do canal e dele ser convidado a assumir, Rangel revelou-se um crítico feroz do estilo “carnívoro” de Manuela Moura Guedes, diz que o que ela faz ofende qualquer jornalista e que o Jornal das 6ªfeiras é “um capricho” de uma pessoa preguiçosa que não prepara as entrevistas. Em conclusão, Rangel diz que se alguma vez for ele a decidir que a demite, até “por razões estéticas”.
A entrevista tem outros tópicos interessantes, Rangel lembra que Balsemão é um “unhas de fome”, e um difamador, alguém com apetência para se rodear por yes men incompetentes. E revela que o homem que já vendeu Presidentes como quem vende sabonetes, já um dia teve de andar a vender enciclopédias para viver.

domingo, junho 28, 2009

MFL errou


Quando Manuela Ferreira Leite disse ter a certeza que Sócrates sabia que a PT estava em negociações com a Media Capital, ou mentiu ou não sabia o que dizia.
Mesmo sabendo que a mentira em política é corriqueira, prefiro pensar que a senhora disse o que disse por mera ignorância. Porque MFL revelou ignorância tanto em relação aos estatutos da PT como ao campo de acção do Estado por possuir 500 acções golden share. É que, como já se viu, nem a PT tinha qualquer obrigação de informar o governo sobre as suas intenções, nem o Estado podia vetar o negócio em causa. Ora, Manuela Ferreira Leite não pode errar tanto, não só por ser candidata a primeiro-ministro mas, também, porque ainda há pouco tempo foi ministra de Estado e das Finanças (XV governo constitucional) e tinha obrigação de saber, ao menos, a capacidade de intervenção do Estado na PT. Esta gaffe só veio lembrar que a senhora, de facto, foi uma má ministra… Agora, só não sei se foi ela quem levou ao engano o Presidente da República, se foi Cavaco que fez com que ela errasse...

sábado, junho 27, 2009

TVI, um estorvo


José Eduardo Moniz tem dado milhões a ganhar à TVI. Ele foi um dos responsáveis pela ultrapassagem da TVI à SIC (o outro foi o próprio Balsemão…) quando percebeu que o Big Brother era o veículo perfeito para subir as audiências do canal. A partir de 2001, a SIC entrou em queda livre e a TVI cimentou-se no 1ºlugar do prime time televisivo, até hoje.
Mas, hoje, Moniz transformou-se num incómodo. Fizeram dele cavalo de batalha entre a oposição e o governo, o que não só estigmatiza politicamente o canal como, pelo que vemos, estorva a concretização de um negócio essencial para os donos da TVI, os espanhóis da Prisa, a contas com uma dívida bancária complicada de gerir e, por isso, obrigados a alienar activos.
Quando um negócio como o da venda de 30% da Media Capital (que engloba a TVI) à PT não se faz porque a eventual substituição de um director-geral se confunde com a luta político-partidária, a permanência desse director-geral transforma-se num pesadelo impossível de gerir. Hoje, Moniz é mais prejudicial que benéfico para a TVI, a Média Capital ou a Prisa.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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