
Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.
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terça-feira, setembro 29, 2009
Suicídios de trabalhadores

Em 18 meses, 24 suicídios. Dá cerca de 1,33 mortes por mês. Uma boa média, para a France Télécom… a PT francesa.
Os funcionários da France Télécom andam a matar-se, o que é algo que dificilmente alguém poderá aceitar calmamente. Nas cartas de despedida, todos falam que não aguentam mais as condições de trabalho, não aguentam mais o clima laboral, não aguentam mais a pressão da empresa, os objectivos inalcançáveis, a prepotência das chefias. Não aguentam a tal ponto que se matam. O último foi um tipo de 51 anos (a minha idade), pai de duas crianças, transferido para um call center da empresa depois do seu posto de trabalho ter sido extinto.
Em Portugal julgo que ainda não aconteceu nada de semelhante. É verdade que, por exemplo, na PSP e na GNR há, com frequência, vagas suicidas… também provocadas pela pressão exercida sobre as pessoas, pela desilusão, pela vida miserável e pela falta de perspectiva de sair dela.
Estas situações são o lado mais negro da exploração a que os trabalhadores estão tantas vezes sujeitos. Levar um trabalhador à morte é algo de indesculpável.
Os funcionários da France Télécom andam a matar-se, o que é algo que dificilmente alguém poderá aceitar calmamente. Nas cartas de despedida, todos falam que não aguentam mais as condições de trabalho, não aguentam mais o clima laboral, não aguentam mais a pressão da empresa, os objectivos inalcançáveis, a prepotência das chefias. Não aguentam a tal ponto que se matam. O último foi um tipo de 51 anos (a minha idade), pai de duas crianças, transferido para um call center da empresa depois do seu posto de trabalho ter sido extinto.
Em Portugal julgo que ainda não aconteceu nada de semelhante. É verdade que, por exemplo, na PSP e na GNR há, com frequência, vagas suicidas… também provocadas pela pressão exercida sobre as pessoas, pela desilusão, pela vida miserável e pela falta de perspectiva de sair dela.
Estas situações são o lado mais negro da exploração a que os trabalhadores estão tantas vezes sujeitos. Levar um trabalhador à morte é algo de indesculpável.
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Um sítio in
Foram umas eleições curiosas. O alegria de Paulo portas, a “trombose” da dona Manuela, a azia de Louçã, a amargura de Jerónimo, o alívio de Sócrates, as síncopes fulminantes dos “pequenos”, à excepção de Garcia Pereira...Quem deu a vitória a Paulo Portas foram os comerciantes, os pequenos industriais e os jovens. É esta a minha convicção. Deu resultado, a estratégia de Portas em martelar sistemáticamente o refrão da campanha do CDS nas questões da segurança, PME’s e desemprego. Mais do que aumentar significativamente a votação no CDS, Portas conseguiu atrair o voto de muitos jovens que votaram pela primeira vez. Os tais que acabaram um percurso escolar e não encontram ocupação profissional... É claro que o refrão de Portas foi cantado, noutros tons, por outros políticos. Mas, nuns casos, Portas teve o condão de parecer mais sinceramente empenhado nessas questões e, noutros casos, teve o privilégio das suas mensagens serem exaustivamente repetidas pelas televisões, rádios e jornais... factor que penaliza seriamente as campanhas dos pequenos partidos que, realmente, não se conseguem fazer ouvir.
Paulo Portas reconstruiu um partido que se arriscava a ficar anquilosado por falta de renovação de militantes. O CDS era um partido velho e, hoje, é um sítio in.
domingo, setembro 27, 2009
Eles ganharam. Nós, ganhámos?
E no fim, eles ganharam todos. Nós, não sei…
A CDU ganha por teve mais votos e mais um deputado que nas eleições anteriores.
O Bloco ganha porque duplicou o grupo parlamentar.
O CDS ganha por há 26 anos que não obtinha um resultado tão saboroso.
O PSD ganha porque também teve mais votos e mais um ou dois deputados que nas eleições anteriores.
O PS ganha porque foi o mais votado e vai, de novo formar governo.
Estranha corrida esta em que todos ganham…
Até o MRPP pode clamar vitória! Teve 52633 votos, ultrapassou a fasquia dos 50 mil e passa a ter direito à subvenção estatal de 3€ e tal por voto obtido. Da próxima vez, o PCTP/MRPP terá mais fôlego para o combate.
Todos os outros, ganharam… experiência.
A CDU ganha por teve mais votos e mais um deputado que nas eleições anteriores.
O Bloco ganha porque duplicou o grupo parlamentar.
O CDS ganha por há 26 anos que não obtinha um resultado tão saboroso.
O PSD ganha porque também teve mais votos e mais um ou dois deputados que nas eleições anteriores.
O PS ganha porque foi o mais votado e vai, de novo formar governo.
Estranha corrida esta em que todos ganham…
Até o MRPP pode clamar vitória! Teve 52633 votos, ultrapassou a fasquia dos 50 mil e passa a ter direito à subvenção estatal de 3€ e tal por voto obtido. Da próxima vez, o PCTP/MRPP terá mais fôlego para o combate.
Todos os outros, ganharam… experiência.
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Reflictamos, ainda

Ainda em reflexão… tenho tentado perceber algumas questões fracturantes da política. As nacionalizações, por exemplo. O Bloco, o PC e o MRPP são abertamente a favor da nacionalização de sectores estratégicos da economia. O CDS diz cobras e lagartos desta ideia… mas o PSD e o PS mantiveram o silêncio sobre o assunto. Mas as nacionalizações são um factor político curioso… Depois do 25 de Abril, quase tudo foi nacionalizado. Na década de 80, quase tudo voltou para as mãos dos privados. Hoje, à pala da crise, voltaram a nacionalizar, nomeadamente bancos e companhias de seguro. Na Europa comunitária, por exemplo, julgo haver já mais de 60 bancos nacionalizados. Entre eles, o BPN… e é aqui que se faz luz sobre esta questão. É que, se virem bem, a Esquerda deseja nacionalizar as empresas que dão lucro, algumas muito lucro mesmo, que na prática são monopólios: EDP, Galp, etc. A Direita aceita que se nacionalizem as empresas que dão prejuízo… que foi o caso do BPN, banco desfalcado pelas falcatruas dos amigos do Cavaco. Ou seja, pelo menos em teoria, a Esquerda quer nacionalizar para distribuir a riqueza produzida de modo equitativo e a Direita aceita a nacionalização para que sejamos nós a pagar os prejuízos que os capitalistas não souberam evitar, por incompetência ou má fé.
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sábado, setembro 26, 2009
Reflexão sobre o voto útil

Como dizia ontem Ricardo Araújo Pereira, na introdução à entrevista com Garcia Pereira, líder do PCTP/MRPP, hoje não se deve falar de política porque, estranhamente, a Lei especifica que devemos reflectir e não discutir. Uma coisa deveras estranha, porque a reflexão não tem de ser, necessariamente, uma atitude estática, passiva. Porque não discutir, também hoje, o objecto da nossa reflexão? Não vejo que venha mal ao Mundo.
Vou, então, reflectir sobre estas eleições…
Quando os pequenos partidos dizem que são silenciados pelos média, têm razão. São mesmo silenciados. O chamado critério jornalístico e o facto de serem pequenos levam a isso. Desde 1979, quando me iniciei no jornalismo, já vivi muitas campanhas eleitorais e percebo que aquilo que não tem tanta aceitação do público merece menos atenção dos média. Este círculo vicioso precisa de ser quebrado e isso só se consegue quando um desses pequenos partidos consegue eleger um deputado. Não só passa a ter dinheiro do orçamento do Estado para gastar em futuras campanhas, como esse deputado acaba por ter acesso aos média e, ao longo do tempo, conseguir publicitar minimamente as posições políticas do partido. Foi o que o Bloco conseguiu, mas levou uns anitos, desde a eleição solitária do Major Tomé como deputado da UDP.
Outra forma de conseguir fundos públicos é ter mais de 50 mil votos. Ultrapassada essa fasquia, o partido passa a receber uma subvenção estatal. E por isso é importante, para os pequenos partidos, que as pessoas votem neles mesmo sabendo, à partida, que não conseguirão eleger ninguém. Numa próxima eleição, a subvenção estatal irá permitir uma campanha mais desafogada e de maior visibilidade e, talvez então, a eleição de um deputado…
Por isto é que o chamado voto útil, de que os grandes partidos tanto gostam, acaba por ter um efeito de desertificação política… um grande partido funciona como um eucalipto gigante plantado no quintal. Não cresce nada à volta…
Além do mais, não acredito que a pulverização dos votos provoque o colapso do regime político. Afinal de contas, não é isto uma Democracia? Então, sejamos democratas e encontremos plataformas de entendimento que permitam a formação de governos de coligação… Até porque, ninguém duvida que, caso seja mesmo necessário, Sócrates e Manuela dormirão na mesma cama (em termos políticos, é claro).
Vou, então, reflectir sobre estas eleições…
Quando os pequenos partidos dizem que são silenciados pelos média, têm razão. São mesmo silenciados. O chamado critério jornalístico e o facto de serem pequenos levam a isso. Desde 1979, quando me iniciei no jornalismo, já vivi muitas campanhas eleitorais e percebo que aquilo que não tem tanta aceitação do público merece menos atenção dos média. Este círculo vicioso precisa de ser quebrado e isso só se consegue quando um desses pequenos partidos consegue eleger um deputado. Não só passa a ter dinheiro do orçamento do Estado para gastar em futuras campanhas, como esse deputado acaba por ter acesso aos média e, ao longo do tempo, conseguir publicitar minimamente as posições políticas do partido. Foi o que o Bloco conseguiu, mas levou uns anitos, desde a eleição solitária do Major Tomé como deputado da UDP.
Outra forma de conseguir fundos públicos é ter mais de 50 mil votos. Ultrapassada essa fasquia, o partido passa a receber uma subvenção estatal. E por isso é importante, para os pequenos partidos, que as pessoas votem neles mesmo sabendo, à partida, que não conseguirão eleger ninguém. Numa próxima eleição, a subvenção estatal irá permitir uma campanha mais desafogada e de maior visibilidade e, talvez então, a eleição de um deputado…
Por isto é que o chamado voto útil, de que os grandes partidos tanto gostam, acaba por ter um efeito de desertificação política… um grande partido funciona como um eucalipto gigante plantado no quintal. Não cresce nada à volta…
Além do mais, não acredito que a pulverização dos votos provoque o colapso do regime político. Afinal de contas, não é isto uma Democracia? Então, sejamos democratas e encontremos plataformas de entendimento que permitam a formação de governos de coligação… Até porque, ninguém duvida que, caso seja mesmo necessário, Sócrates e Manuela dormirão na mesma cama (em termos políticos, é claro).
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sexta-feira, setembro 25, 2009
Só eu sei em quem vou votar

Ontem à noite ouvi um discurso catastrofista. Dizia o orador que a verdade das coisas só surgirá no dia 28, já depois dos votos contados. E que a verdade que nos vai surgir é a de um país afogado no deficit, com a Segurança Social na bancarrota, com desemprego galopante e com um sistema político inoperante. Dizia o homem que nenhum dos “grandes” partidos políticos tem um programa capaz de encontrar soluções para a crise, porque estarão todos comprometidos com os fautores da crise e, portanto, conluiados com os autores morais e materiais do crime. Dizia ele que ainda nenhum desses partidos nos contou a verdadeira dimensão do problema, porque têm medo que não votemos neles… E lembrou-nos das outras vezes em que votámos neles, acreditando na promessas de criação de muitos postos de trabalho, de redução de impostos, de uma vida melhor e… pediu-nos para abrirmos os olhos e vermos bem onde isso nos levou.
No fundo, o que ele nos disse foi que estamos, todos, ele também, a participar numa fraude que consiste em eleger gente a partir de pressupostos falsos, de promessas falsas (que eles já sabem nunca irem cumprir), cegos pela propaganda e tolhidos pelo medo de arriscar.
Por mim, vou arriscar. Não com a esperança de vir a ter novas políticas governamentais (a maioria votará sempre no PS ou no PSD), mas com a esperança de contribuir para a eleição de alguém que não se cale perante a iniquidade.
No fundo, o que ele nos disse foi que estamos, todos, ele também, a participar numa fraude que consiste em eleger gente a partir de pressupostos falsos, de promessas falsas (que eles já sabem nunca irem cumprir), cegos pela propaganda e tolhidos pelo medo de arriscar.
Por mim, vou arriscar. Não com a esperança de vir a ter novas políticas governamentais (a maioria votará sempre no PS ou no PSD), mas com a esperança de contribuir para a eleição de alguém que não se cale perante a iniquidade.
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terça-feira, setembro 22, 2009
Os assessores e o miserabilismo
Tive um único encontro com o Fernando Lima, era ele assessor do Ministro dos Negócios Estrangeiros Martins da Cruz, no governo de Durão Barroso. Foi em Maputo, em 2002, quando o MNE lá esteve em viagem oficial a pretexto de alguma coisa que não me ficou na memória. Não tenho nada a declarar contra ou a favor do desempenho de Lima. Trocámos algumas palavras, ele até contribuiu para que eu tivesse conseguido entrevistar Pascoal Mocumbi, o primeiro-ministro moçambicano na época.
Foi a primeira vez, em quase 30 anos de actividade profissional, que fui acompanhar uma visita ministerial. Mas foi também a primeira vez que trabalhei sabendo que as despesas dessa deslocação estavam por conta do Governo e não da SIC... O Governo pagava para ter jornalistas a cobrir determinados eventos. Sei que o "contrato" daquela deslocação foi negociado entre a editora da secção onde trabalhava (na época, a secção de Política Internacional da SIC-Notícias) e o assessor do senhor Ministro, o "nosso" Fernando Lima... Não sei se estas combinações ainda continuam, mas naquela época tornou-se da praxe. E, obviamente, não era só a SIC que alinhava nisto. A maioria das empresas de Comunicação Social preferia poupar uns tostões, mesmo sob pena de sacrificar a sua independência face ao poder político.
Para muitos jornalistas, esta relação de subordinação económica das suas empresas em relação ao Governo acaba por constituir um entrave ao bom exercício profissional. A muitos falta-lhes a coragem para confrontarem ministros com situações mais delicados, sabendo que as viagenzinhas podem ficar comprometidas... porque quem paga escolhe quem vai, disso tenho poucas dúvidas. Esta promiscuidade é mortal para a independência do jornalismo.
Foi a primeira vez, em quase 30 anos de actividade profissional, que fui acompanhar uma visita ministerial. Mas foi também a primeira vez que trabalhei sabendo que as despesas dessa deslocação estavam por conta do Governo e não da SIC... O Governo pagava para ter jornalistas a cobrir determinados eventos. Sei que o "contrato" daquela deslocação foi negociado entre a editora da secção onde trabalhava (na época, a secção de Política Internacional da SIC-Notícias) e o assessor do senhor Ministro, o "nosso" Fernando Lima... Não sei se estas combinações ainda continuam, mas naquela época tornou-se da praxe. E, obviamente, não era só a SIC que alinhava nisto. A maioria das empresas de Comunicação Social preferia poupar uns tostões, mesmo sob pena de sacrificar a sua independência face ao poder político.
Para muitos jornalistas, esta relação de subordinação económica das suas empresas em relação ao Governo acaba por constituir um entrave ao bom exercício profissional. A muitos falta-lhes a coragem para confrontarem ministros com situações mais delicados, sabendo que as viagenzinhas podem ficar comprometidas... porque quem paga escolhe quem vai, disso tenho poucas dúvidas. Esta promiscuidade é mortal para a independência do jornalismo.
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segunda-feira, setembro 21, 2009
Fome

A propósito de um email que me enviou um amigo brasileiro, lembrei-me do Metro de Paris. Não é raro escutarmos músicos de bom calibre que tocam nos corredores subterrâneos parisienses. O Metropolitano francês até os acarinha, com o tempo eles constituíram-se numa atracção turística e o Metro sabe bem que o som de um bom violino ajuda a estabelecer um ambiente mais harmonioso, mesmo se quem passa mal escuta a harmonia.
Mais do que uma vez dei comigo a pensar quem seriam aqueles músicos. Cheguei até a propor aos repórteres que trabalhavam comigo em Paris que fizessem reportagens sobre os músicos do Metro. Por acaso, acho que nunca fizeram… há sempre outras coisas que surgem e nos empatam as boas intenções. Mas, como ia dizendo, muitas vezes me interroguei sobre aqueles músicos. Muitos deles eram estrangeiros, tal como eu, emigrantes económicos vindos de todos os cantos do Mundo. Lembrei-me das histórias que ouvi contar ao Sérgio Godinho ou ao Jorge Palma, cujos acordes também ecoaram por aqueles corredores. E entristeci-me sempre ao reparar nas poucas moedas que iam caindo nos panos de feltro esticados no chão e na ausência completa de aplausos… e acho que essa deve ser a pior fome de um tocador de música, mesmo nos corredores do Metropolitano, a fome de aplausos.
Mais do que uma vez dei comigo a pensar quem seriam aqueles músicos. Cheguei até a propor aos repórteres que trabalhavam comigo em Paris que fizessem reportagens sobre os músicos do Metro. Por acaso, acho que nunca fizeram… há sempre outras coisas que surgem e nos empatam as boas intenções. Mas, como ia dizendo, muitas vezes me interroguei sobre aqueles músicos. Muitos deles eram estrangeiros, tal como eu, emigrantes económicos vindos de todos os cantos do Mundo. Lembrei-me das histórias que ouvi contar ao Sérgio Godinho ou ao Jorge Palma, cujos acordes também ecoaram por aqueles corredores. E entristeci-me sempre ao reparar nas poucas moedas que iam caindo nos panos de feltro esticados no chão e na ausência completa de aplausos… e acho que essa deve ser a pior fome de um tocador de música, mesmo nos corredores do Metropolitano, a fome de aplausos.
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Mais um para o desemprego

Ou é um agente com uma agenda política escondida ou é um tonto destravado ou, então, é mais um cordeiro sacrificado pela perfídia política. Acreditem no que vos der mais jeito, mas eu não alinho em alegações de loucura temporária nem em actos motivados pelo álcool. Mesmo se 20 anos de serviços fiéis à criatura possam levar qualquer um a desvairar por completo…
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domingo, setembro 20, 2009
Os que assessoram os assessores

O facto de um assessor do Governo ou da Presidência contactar jornalistas, não tem mal. Também não é pecado os jornalistas contactarem assessores. Nem mesmo um director de jornal fala directamente com ministros ou o Presidente da República. O assessor existe precisamente para proteger a entidade, é uma espécie de guarda-costas para questões de comunicação.
O problema coloca-se quando o assessor utiliza o jornalista para veicular falsidades, meias verdades, deturpações. Para isso, o assessor conta com a inexistência de verdadeira investigação jornalística. É raro um jornalista ter tempo para apurar uma história, certificar-se de que não deixou pontas soltas, encontrar todas as respostas possíveis para a questão. É mesmo muito raro. Investigar leva tempo, tempo é dinheiro do patrão e há cada vez menos tempo para essas coisas. Além disso, nem sempre a história caminha na direcção pretendida. O assessor sabe, também, que à partida existe uma tendência para se tentar agradar a quem proporciona uma boa história. O jornalista agradece, o editor rejubila, o director exulta, o patrão faz contas às vendas, às audiências e ao comércio de interesses. O assessor joga ainda com a eventualidade de, a seu tempo, o jornalista poder vir a ser agraciado na sequência daquela troca de favores. Não é raro que o jornalista viva de um salário magrinho e os 2 mil e 500 euros de salário base de um assessor governamental não são de desprezar.
Andamos todos à procura de um futuro mais luminoso e os jornalistas pobres são sempre baratos de comprar.
O problema coloca-se quando o assessor utiliza o jornalista para veicular falsidades, meias verdades, deturpações. Para isso, o assessor conta com a inexistência de verdadeira investigação jornalística. É raro um jornalista ter tempo para apurar uma história, certificar-se de que não deixou pontas soltas, encontrar todas as respostas possíveis para a questão. É mesmo muito raro. Investigar leva tempo, tempo é dinheiro do patrão e há cada vez menos tempo para essas coisas. Além disso, nem sempre a história caminha na direcção pretendida. O assessor sabe, também, que à partida existe uma tendência para se tentar agradar a quem proporciona uma boa história. O jornalista agradece, o editor rejubila, o director exulta, o patrão faz contas às vendas, às audiências e ao comércio de interesses. O assessor joga ainda com a eventualidade de, a seu tempo, o jornalista poder vir a ser agraciado na sequência daquela troca de favores. Não é raro que o jornalista viva de um salário magrinho e os 2 mil e 500 euros de salário base de um assessor governamental não são de desprezar.
Andamos todos à procura de um futuro mais luminoso e os jornalistas pobres são sempre baratos de comprar.
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sexta-feira, setembro 18, 2009
Fontanário inquinado

Quando era pequenino e me iniciei nestas coisas do jornalismo, ensinaram-me que não se deixam perguntas no ar. Um jornalista encontra respostas para as questões que coloca e, de preferência, até mais do que uma.
Quando o Público faz manchetes tipo “Estarão os assessores da Presidência a ser vigiados?”, tripudiando todos os manuais sem procurar sequer o contraditório, era óbvio que alguma coisa estava mal naquela prosa.
Hoje, a tramóia foi desvendada na 1ªpágina do Diário de Notícias. Digamos que quase tudo o que está ali escrito deve ser verdade. E utilizo o “quase” à cautela, porque também me parece claro que o DN está a ser utilizado no contra-ataque do gabinete do primeiro-ministro. E, no final, até pode ser verdade que algum SIS ande por aí a espiar telemóveis e emails de assessores e jornalistas. Ou então, o DN que nos diga quem lhe deu a cópia do email altamente confidencial enviado por um editor do Público ao correspondente do jornal no Funchal.
Na verdade, nada disto surpreende. Já aqui deixei no blogue alguns testemunhos da manipulação exercitada por órgãos de soberania. Leiam este, só para relembrar...
Quando o Público faz manchetes tipo “Estarão os assessores da Presidência a ser vigiados?”, tripudiando todos os manuais sem procurar sequer o contraditório, era óbvio que alguma coisa estava mal naquela prosa.
Hoje, a tramóia foi desvendada na 1ªpágina do Diário de Notícias. Digamos que quase tudo o que está ali escrito deve ser verdade. E utilizo o “quase” à cautela, porque também me parece claro que o DN está a ser utilizado no contra-ataque do gabinete do primeiro-ministro. E, no final, até pode ser verdade que algum SIS ande por aí a espiar telemóveis e emails de assessores e jornalistas. Ou então, o DN que nos diga quem lhe deu a cópia do email altamente confidencial enviado por um editor do Público ao correspondente do jornal no Funchal.
Na verdade, nada disto surpreende. Já aqui deixei no blogue alguns testemunhos da manipulação exercitada por órgãos de soberania. Leiam este, só para relembrar...
O que dirá MFL disto tudo?
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terça-feira, setembro 15, 2009
Regresso à escola

Hoje, a taxa de produtividade do país caiu para metade. Com o propalado 1ºdia de aulas das escolas básicas, os pais das criancinhas viram-se confrontados com a obrigação de terem de preencher fichas e assinar actas que eram rigorosamente lidas de fio a pavio pelos profs (seguindo as instruções ministeriais, certamente) e… pelo menos na escola dos meus filhos, com o facto do 1º dia escolar se resumir a essa espécie de apresentação do ano lectivo feita aos pais… ou seja, as criancinhas foram à escola, experimentaram o pátio e reviram amiguinhos e voltaram para casa. Para mim, foi uma surpresa, já que contava com um dia escolar por inteiro… Moral da história: hoje, não fiz nada. Tomei conta dos meus filhos.
Parece que amanhã é que é a sério…
Parece que amanhã é que é a sério…
segunda-feira, setembro 14, 2009
Uma estopada monumental

Estou a ver o Prós&Contras da RTP-1. É um debate com os chamados “pequenos partidos”. São dez… e não é um debate, apenas uma sequência longa e fastidiosa de declarações de intenção e propostas políticas. Para quem vê, fica tudo demasiado confuso, não se percebe quem é quem e até já nem sei o que disse o primeiro que falou, Garcia Pereira do PCTP/MRPP.
Se queriam debater as propostas dos “pequenos”, então deveriam ter organizado uma série de debates como fizeram com os “grandes”. Mais curtos, cerca de meia-hora para cada debate chegava e sobrava para ficarmos a saber com algum pormenor o que cada um deles propõe.
O serviço público de televisão justificava uma decisão dessas.
Se queriam debater as propostas dos “pequenos”, então deveriam ter organizado uma série de debates como fizeram com os “grandes”. Mais curtos, cerca de meia-hora para cada debate chegava e sobrava para ficarmos a saber com algum pormenor o que cada um deles propõe.
O serviço público de televisão justificava uma decisão dessas.
domingo, setembro 13, 2009
Televisão, da boa

Começaram hoje os tempos de antena relativos à campanha eleitoral. Uma oportunidade para rever algumas caras de políticos que só têm acesso à pantalha nesta ocasião. Na RTP-1, nem de propósito, o primeiro tempo de antena foi do POUS, de Carmelinda Pereira (na foto). Aposto que ninguém com menos de 30 anos sabe quem ela é.
O vídeo do POUS foi o mais pobre de todos. Limitou-se a um monólogo da líder, num estúdio sem decoração.
Seguiu-se o Partido Trabalhista Português. A ideia do vídeo baseou-se numa tentativa de humor completamente falhada. Foi tudo de um amadorismo confrangedor. Não acredito que, assim, consigam convencer muitos eleitores.
São assim, os vídeos de campanha de quase todos os partidos pobres…
Depois vieram CDS, CDU, BE… trabalhos profissionais, sem surpresas. Sem nada de realce o do PND, o MEP apresentou o apoio de Catalina Pestana (ex-Provedora da Casa Pia), o PS (épico) a exibir o medo de perder votos para o PSD e para o BE, e depois veio o 2ºpartido mais antigo de Portugal, PCTP/MRPP, que surpreendeu (e de que maneira!) ao apresentar o apoio de António Pires de Lima, ex-Bastonário da Ordem dos Advogados e personalidade tida como próxima do CDS. Se isto não é surpresa, não sei o que vos poderá surpreender…
O vídeo do POUS foi o mais pobre de todos. Limitou-se a um monólogo da líder, num estúdio sem decoração.
Seguiu-se o Partido Trabalhista Português. A ideia do vídeo baseou-se numa tentativa de humor completamente falhada. Foi tudo de um amadorismo confrangedor. Não acredito que, assim, consigam convencer muitos eleitores.
São assim, os vídeos de campanha de quase todos os partidos pobres…
Depois vieram CDS, CDU, BE… trabalhos profissionais, sem surpresas. Sem nada de realce o do PND, o MEP apresentou o apoio de Catalina Pestana (ex-Provedora da Casa Pia), o PS (épico) a exibir o medo de perder votos para o PSD e para o BE, e depois veio o 2ºpartido mais antigo de Portugal, PCTP/MRPP, que surpreendeu (e de que maneira!) ao apresentar o apoio de António Pires de Lima, ex-Bastonário da Ordem dos Advogados e personalidade tida como próxima do CDS. Se isto não é surpresa, não sei o que vos poderá surpreender…
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sábado, setembro 12, 2009
Águas paradas

A Ongoing vai ter de comprar a TVI se, realmente, quiser ter uma televisão generalista em sinal aberto… as pressões de Nuno Vasconcellos sobre o padrinho não surtiram efeito. Balsemão não sai, só morto.
A questão que se coloca é saber se isso é bom ou mau… assim à primeira vista parece-me mau, primeiro porque se a Ongoing tem 25% da SIC e tomar o controlo da TVI passa a ter uma posição dominante no mercado do audiovisual que, de resto, julgo até ser contrária à Lei. Depois, porque se a Ongoing tiver de comprar a TVI, Moniz voltará ao controlo do canal e nada disto terá servido para mexer as águas.
O que eu gostava de voltar a ver era Moniz e Rangel, frente-a-frente, num último duelo ao pôr-do-sol. Mas, isso, só seria possível com Moniz na SIC e Rangel na TVI.
A questão que se coloca é saber se isso é bom ou mau… assim à primeira vista parece-me mau, primeiro porque se a Ongoing tem 25% da SIC e tomar o controlo da TVI passa a ter uma posição dominante no mercado do audiovisual que, de resto, julgo até ser contrária à Lei. Depois, porque se a Ongoing tiver de comprar a TVI, Moniz voltará ao controlo do canal e nada disto terá servido para mexer as águas.
O que eu gostava de voltar a ver era Moniz e Rangel, frente-a-frente, num último duelo ao pôr-do-sol. Mas, isso, só seria possível com Moniz na SIC e Rangel na TVI.
Engripados

Esta semana que passou tive uma reunião adiada porque… a pessoa com quem me ia encontrar ficou de quarentena devido ao facto de ter dois filhos e a mulher engripados. Dito assim, até dá para encolher os ombros. Mas se acrescentar que se trata de gripe-A talvez tenham um ligeiro estremeção. Pelo menos, eu tive. Involuntariamente, mas tive. O que não me impediu de racionalizar o problema e comparecer à nova marcação da reunião. A pessoa em questão disse-me que lá em casa estava tudo bem, enfim, os miúdos passavam os dias a ver tv e a jogar nas consolas, a mulher lia um romance novo… ele tomava Tamiflu, por mera precaução e a pedido médico, não se sentiu nunca doente. Ou seja, alguém que convive bem de perto com três pessoas engripadas, não contraiu a doença. É a partir deste tipo de dados que temos de reenquadrar a questão e mandar às malvas as notícias alarmistas e mais ou menos publicitárias com que temos sido bombardeados e influenciados nas últimas semanas.
Entretanto, alegadamente por indicação das autoridades sanitárias, no infantário do meu filho mais novo deram inicio a um novo quadro comportamental, digamos assim. Ou seja, deixaram de cumprimentar com aperto de mão quem lhes entra pela porta e pediram para as crianças deixarem de levar brinquedos. Só espero que não deixem de pegar no meu filho ao colo e de lhe dar mimos.
Entretanto, alegadamente por indicação das autoridades sanitárias, no infantário do meu filho mais novo deram inicio a um novo quadro comportamental, digamos assim. Ou seja, deixaram de cumprimentar com aperto de mão quem lhes entra pela porta e pediram para as crianças deixarem de levar brinquedos. Só espero que não deixem de pegar no meu filho ao colo e de lhe dar mimos.
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terça-feira, setembro 08, 2009
Recados
As notícias já não são o que eram e, hoje, torna-se difícil confiar abertamente naquilo que lemos nos jornais ou ouvimos nas rádios e tv’s…

Hoje, por exemplo, li uma notícia que “cheira a recado” à distância… Depois de dar conta da pretensão de Manuela Moura Guedes em ser ouvida na ERC, por causa do conflito que a opõe à administração da TVI, o escriba escreve que “as negociações entre a Prisa (dona da TVI) e a Ongoing parecem correr pelo melhor” … Parecem? A quem?
Escrito assim, parece-me a mim que o recado tem um destinatário: o dono da SIC. O remetente será o dono da Ongoing. O segundo quer comprar a televisão do primeiro, a que está ligado por laços familiares e vinte e tal por cento de acções… mas como o padrinho não quer vender (talvez, afinal, se trate apenas de uma questão de preço…), o afilhado ameaça comprar a empresa rival. Assim, talvez consiga vergar a teimosia do velho.
Talvez não seja nada disto que estou para aqui a dizer e, de facto, a Ongoing queira mesmo comprar a TVI para dar cabo da SIC. Se for assim, a Prisa vai acabar por vender a quem lhe roubou o director-geral que, no âmbito do actual conflito interno, já disse cobras e lagartos dos administradores com quem conviveu durante 11 anos. Além disso, se a Ongoing comprar mesmo a TVI, esse mesmo director-geral acaba por regressar às origens e passará a ser o primeiro português a quem pagaram 3 milhões de € para ir de férias.
Entretanto, outros jornais e alguns partidos políticos alimentam a novela da suspensão do Jornal Nacional de 6ªfeira, teimando em criar um facto político onde só existe uma decisão administrativa, quer queiram, quer não...
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Salazarento - Leiteiro

Agora já sabemos onde os assessores dela vão buscar a inspiração para lhe escreverem os discursos...
Cliquem em cima do texto para lerem melhor.
(surripiado ao 5dias.net)
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Os capitalistas de quem gosto

Se tivesse um cauteleiro que, todas as semanas, me proporcionasse embolsar o 1ºprémio da lotaria, com toda a certeza que seria generoso com ele… qualquer um de nós faria o mesmo, não? Pois é isso mesmo que fazem os actuais accionistas de empresas que já foram públicas e que são tão rentáveis, tão rentáveis, que os seus gestores recebem chorudos prémios anuais, na ordem das dezenas de milhar de euros per capita. Já sei que me estão a chamar de invejoso… não vou contrapor.
Em 2008, o lucro da EDP subiu 20% e atingiu os 1092 milhões de €. A Galp aumentou os lucros em quase 200%. A PT tem lucros acima dos 580 milhões… Podia continuar, mas fiquemo-nos por aqui… O que me indigna, é que esses lucros se baseiam no tarifário que todos nós temos de pagar pelos serviços que essas empresas prestam, serviços que se fossem públicos seriam, com toda a certeza, mais baratos.
Fez algum sentido o Estado privatizar essas empresas para que, agora, meia dúzia de capitalistas se encham à nossa custa? Ganhámos o quê, com a privatização destas empresas? Os tarifários baixaram alguma vez? O atendimento é melhor? Não… Os únicos que ganharam bastante com as privatizações foram os compradores que, apesar de tudo, compraram barato e compraram com o dinheiro dos bancos. Quem paga, somos nós. Assim, também eu seria um grande capitalista, dessem-me acesso ao crédito bancário e empresas públicas de lucro garantido para comprar.
O que eu gosto de ver são aqueles empreendedores que pegam numa ideia, arriscam o pescoço e as pratas da família, criam novos postos de trabalho, que transformam produtos e a vida das pessoas para novas e melhores realidades. Esses são os capitalistas que admiro.
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segunda-feira, setembro 07, 2009
O valor das notícias

O lucro da EDP subiu no ano passado 20%, para 1092 milhões de euros, anunciou a empresa em Março passado, explicando que se tratou de um resultado que saiu ligeiramente acima do esperado. Foi ainda melhor, portanto…
A Galp alcançou lucros de 125 milhões de euros no último trimestre de 2008, uma subida de 198,8% face a igual período do ano anterior. Quase 200%... Os resultados superaram as estimativas, disseram os analistas, quase como quem pedia desculpa por lucros tão obscenos.
No mês passado, a Portugal Telecom (PT) anunciou que os seus lucros semestrais aumentarem em 1,7 % para 256,1 milhões de euros. Também neste caso, a subida dos lucros da empresa ficou acima das previsões dos analistas.
O Banco Espírito Santo fechou o primeiro semestre com lucros de 246,2 milhões, menos 6,8% do que no mesmo período do ano passado, mas acima do esperado pelos analistas.
A Galp alcançou lucros de 125 milhões de euros no último trimestre de 2008, uma subida de 198,8% face a igual período do ano anterior. Quase 200%... Os resultados superaram as estimativas, disseram os analistas, quase como quem pedia desculpa por lucros tão obscenos.
No mês passado, a Portugal Telecom (PT) anunciou que os seus lucros semestrais aumentarem em 1,7 % para 256,1 milhões de euros. Também neste caso, a subida dos lucros da empresa ficou acima das previsões dos analistas.
O Banco Espírito Santo fechou o primeiro semestre com lucros de 246,2 milhões, menos 6,8% do que no mesmo período do ano passado, mas acima do esperado pelos analistas.
Tudo isto, dados publicados pelos média. Assim mesmo, sem mais nem dúvidas...
Daqui concluo que ou os analistas financeiros portugueses são uns nabos ou andam a cantar de ouvido… fazendo os fretes aqueles que pretendem fazer passar a ideia de que a crise obriga a cortes orçamentais, a despedimentos, a reduções salariais, ao encerramento das empresas… ajudando a criar a sensação de que vale tudo para manter o posto de trabalho, até mesmo aceitar o inaceitável.
Daqui concluo que ou os analistas financeiros portugueses são uns nabos ou andam a cantar de ouvido… fazendo os fretes aqueles que pretendem fazer passar a ideia de que a crise obriga a cortes orçamentais, a despedimentos, a reduções salariais, ao encerramento das empresas… ajudando a criar a sensação de que vale tudo para manter o posto de trabalho, até mesmo aceitar o inaceitável.
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Ainda vamos a tempo...
Passei ontem boa parte do dia a ver dois DVD’s. Um é um retrato inquieto sobre o futuro da Humanidade, o outro é um simples manifesto político.
imagem retirada do documentário Home - O Mundo é a nossa casa
Home é um documentário belíssimo cujos produtores não se pouparam a esforços ou despesas para o filmar. É uma volta ao Mundo em balão, toda a história é contada através de imagens aéreas dos sítios mais fantásticos do planeta. E tem um texto fortíssimo… que nos conta a história de milhares de milhões de anos de evolução da vida na Terra. E o modo abrupto como o homo sapiens rompeu equilíbrios estabelecidos desde há milénios. Hoje, a fome alastra e, em todo o Mundo, há mil milhões de pessoas sem que comer. 20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta. A Humanidade pratica a injustiça de modo impiedoso para consigo própria. Na Nigéria, por exemplo, que é o maior produtor de petróleo de África, 70% da população vive na miséria. Em termos globais, metade da riqueza mundial está nas mãos de 2% da população. Home termina com um apelo à moderação, à inteligência e à partilha. Porque talvez ainda haja tempo de evitar a rotura sem retorno de fenómenos como o aquecimento global, que irá transformar o clima da Terra de tal modo que poderá provocar o extermínio da vida no planeta, ou a exaustão dos recursos piscícolas, agrícolas, aquíferos… que, de igual modo, serão sinónimo de morte em larga escala.
imagem retirada do vídeo Garcia PereiraCuriosamente, encontrei alguns pontos comuns com a mensagem do segundo DVD… e não é que o político mencione sequer as suas preocupações ecológicas. Mas é que, também no DVD de Garcia Pereira, se fala em desequilíbrios sociais, iniquidade na distribuição da riqueza, nos crescentes níveis de pobreza que fazem com que já existam 2 milhões de pobres em Portugal, na exploração desenfreada de alguns homo sapiens sobre outros homo sapiens.
Em Home, a primeira frase é… “por favor, oiça-me”.
Em Home, a primeira frase é… “por favor, oiça-me”.
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sábado, setembro 05, 2009
Autocrítica maoísta

Mão amiga fez-me chegar, por email, a seguinte nota:
"Se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros."
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quinta-feira, setembro 03, 2009
E quem vai acreditar nele?...

... mesmo que seja por demais evidente que o homem, neste momento, só tem a perder com tudo isto.
O que mais me intriga é o modo como esta trapalhada se tem desenvolvido. Primeiro, foi o "drama" da rescisão com o Moniz que, aparentemente, se desenrolou sem que a TVI tivesse acautelado um substituto à altura para o lugar de director-geral do canal. Agora, o modo como se tenta afastar a mulher do Moniz, quando já era público e notório que esse afastamento seria inevitavelmente transformado em facto político... e, entretanto, ninguém na TVI parece notar a constante descida das audiências do canal que quase se deixou ultrapassar pela RTP, nos últimos dias.
No bas fond, os interessados em calçar as botas do defunto alinhavam argumentos a favor deles mesmo e os nomes já rolam na passadeira das apostas: Paulo Camacho... Júlia Pinheiro... Tino de Rans...
Mas será que esses espanhóis não têm o telefone do Emídeo Rangel?
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Mitos, não!

Manuela Moura Guedes diz que tem pronta uma peça sobre o Freeport… exibam-na. Se não for na TVI, ofereçam-na à SIC ou à RTP. Alguém a há-de meter no ar. Deixem outros jornalistas, dos jornais, das rádios, visionar essa peça tomba-governos. Não a escondam… não criem mais um mito.
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quarta-feira, setembro 02, 2009
De ir às lágrimas

António Arnaut apresenta, no próximo dia 9, um livro a que intitulou Serviço Nacional de Saúde, 30 anos de Resistência… a apresentação decorrerá na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Não sei se o local foi escolhido pelo sugestivo nome que ostenta, mas com toda a certeza que o simbolismo é fortíssimo, dada a situação em que se encontra o Serviço Nacional de Saúde, 30 anos depois de ter sido instituído…
Pelo SNS, choremos, choremos, choremos…
Pelo SNS, choremos, choremos, choremos…
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terça-feira, setembro 01, 2009
Mil camelos e 4 F-16

Khadafi dá a festa e poucos recusaram o convite. O petróleo e o gás da Líbia são mais do que suficientes para que o Mundo lhe perdoe todos os pecados, antigos e recentes. Pouco importa se a ditadura oprime, desde que continuemos a acender o fogão com o gás líbio e a acelerar nas auto-estradas com o depósito cheio.
Durante décadas, o Ocidente tentou derrubá-lo sem o conseguir. Os americanos bombardearam-no várias vezes, sacrificaram-lhe filhos, mas ele sempre sobreviveu. Teve sorte e um bom serviço de informações…
Na festa, que começa hoje e vai durar seis dias, Chefes de Estado e dignitários prestarão uma espécie de homenagem a um sobrevivente político. Hoje, Khadafi exerce uma grande influência num bom número de países islâmicos, nomeadamente em África, onde a Líbia sustenta regimes e paga a expansão do islamismo. Veja-se o que se passa na Guiné-Bissau, por exemplo.
Portugal é representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Nada contra, todos precisamos do petróleo. Mas, dizem-me, Portugal não se limita a assistir ao desfile dos mil camelos de Khadafi, também participa nele… com quatro F-16 que sobrevoarão os céus de Tripoli. E, isto, se for verdade, é que me parece excessivo e despropositado. Levar quatro aviões de guerra, mais a parafernália de apoio que uma deslocação dessas obriga (mecânicos, sobressalentes, pilotos, aviões de apoio) parece-me “demasiada alegria” pelos 40 anos de ditadura do Coronel.
Durante décadas, o Ocidente tentou derrubá-lo sem o conseguir. Os americanos bombardearam-no várias vezes, sacrificaram-lhe filhos, mas ele sempre sobreviveu. Teve sorte e um bom serviço de informações…
Na festa, que começa hoje e vai durar seis dias, Chefes de Estado e dignitários prestarão uma espécie de homenagem a um sobrevivente político. Hoje, Khadafi exerce uma grande influência num bom número de países islâmicos, nomeadamente em África, onde a Líbia sustenta regimes e paga a expansão do islamismo. Veja-se o que se passa na Guiné-Bissau, por exemplo.
Portugal é representado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Nada contra, todos precisamos do petróleo. Mas, dizem-me, Portugal não se limita a assistir ao desfile dos mil camelos de Khadafi, também participa nele… com quatro F-16 que sobrevoarão os céus de Tripoli. E, isto, se for verdade, é que me parece excessivo e despropositado. Levar quatro aviões de guerra, mais a parafernália de apoio que uma deslocação dessas obriga (mecânicos, sobressalentes, pilotos, aviões de apoio) parece-me “demasiada alegria” pelos 40 anos de ditadura do Coronel.
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segunda-feira, agosto 31, 2009
Novo Paradigma

A decisão da senhora em fazer uma campanha sem comícios é apresentada como “uma volta sem espectáculo e virada principalmente para o esclarecimento dos eleitores” mas, é claro, a verdade está longe de ser essa. Na verdade, a dirigente do PSD deve tremer só com a ideia de ter de participar em acções de campanha na rua, arruadas com bombos e gigantones, comícios gritados. Gostava de a ver no Pavilhão da Tapadinha, de braço no ar, a ritmar as hostes com gritinhos agudos de “PSD! PSD! PSD!”. Gostava de ver, mas não vou ver…
Elucidativo foi, também, a analogia feita entre funerais, missas e campanhas eleitorais. Não sei de qual comparação gosto mais… mas são todas de extremo bom gosto. E revelam um espírito… digamos, arejado… de quem tem uma ideia… digamos, arrojada… da política em Democracia.
Elucidativo foi, também, a analogia feita entre funerais, missas e campanhas eleitorais. Não sei de qual comparação gosto mais… mas são todas de extremo bom gosto. E revelam um espírito… digamos, arejado… de quem tem uma ideia… digamos, arrojada… da política em Democracia.
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domingo, agosto 30, 2009
Espero que os "jotas" tenham aprendido bem a lição

Ainda me hão-de explicar, por favor, porque razão tipos como o ex-futuro-ministro-de- qualquer-coisa Pina Moura têm sempre um ou dois jornalistas dispostos a fazerem eco dos gargarejos que lhe brotam da goela, mesmo os mais simplistas.
É que classificar o programa do PSD como “duro e focado”, “clarificador” e “divisor de águas”, sem o justificar, é o mesmo que dizer nada. Dizer que o programa do PSD assume “que os recursos são escassos”, assim sem mais, é plagiar qualquer um dos manuais de introdução à economia existentes no mercado livreiro. Que “os recursos são escassos” sabemos todos e nem sequer precisamos de ter lido Samuelson ou Mankiw.
Mas Pina Moura diz banalidades destas e foi logo citado nos jornais e televisões. Até vi o inefável Marcelo rejubilar, tanto mais que se trata de alguém que tem tido um percurso político de deriva constante da esquerda para a direita. “Alguém que começou no Estado e chegou ao privado”, dizia o professor aos seus alunos na Universidade de Verão do PSD, lembrando que Pina Moura começou no Partido Comunista e acaba de se colar ao PSD (agora, que o PS está na mó de baixo). Enfim, seguindo o exemplo de outros. Na deriva e na falta de escrúpulo. Para Marcelo, um exemplo a seguir pelas gerações mais novas, malgrado o lambebotismo.
É que classificar o programa do PSD como “duro e focado”, “clarificador” e “divisor de águas”, sem o justificar, é o mesmo que dizer nada. Dizer que o programa do PSD assume “que os recursos são escassos”, assim sem mais, é plagiar qualquer um dos manuais de introdução à economia existentes no mercado livreiro. Que “os recursos são escassos” sabemos todos e nem sequer precisamos de ter lido Samuelson ou Mankiw.
Mas Pina Moura diz banalidades destas e foi logo citado nos jornais e televisões. Até vi o inefável Marcelo rejubilar, tanto mais que se trata de alguém que tem tido um percurso político de deriva constante da esquerda para a direita. “Alguém que começou no Estado e chegou ao privado”, dizia o professor aos seus alunos na Universidade de Verão do PSD, lembrando que Pina Moura começou no Partido Comunista e acaba de se colar ao PSD (agora, que o PS está na mó de baixo). Enfim, seguindo o exemplo de outros. Na deriva e na falta de escrúpulo. Para Marcelo, um exemplo a seguir pelas gerações mais novas, malgrado o lambebotismo.
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sexta-feira, agosto 28, 2009
Genuflexões

Desde o dia 23 que ando a ver o telejornal da televisão pública na Região Autónoma da Madeira. Seis telejornais, sete aparições de Alberto João na pantalha. O madeirense Alberto é um pouco como aquele “cubano” que dá pelo nome de Marcelo… fala sobre tudo, tem opinião sobre tudo, todos o escutam, ninguém prescinde dele. Opiniou contra o casamento gay, contra a visita de Sócrates à “sua” ilha, contra uma alegada influência bolivariana no regime político português, contra a existência de “espiões” nas instituições públicas madeirenses, contra a greve na TAP, embevecido pela realização de uma exposição bienal de arte na ilha de Porto Santo, contra a iniciativa do Governo da República ao promover o turismo na Madeira junto do mercado russo…
Alberto tem o microfone RTP-Madeira sempre aberto para ele…
Alberto tem o microfone RTP-Madeira sempre aberto para ele…
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quarta-feira, agosto 26, 2009
Bolívar, ainda...
Dois dias depois, tenho quase a certeza de que a estátua não passa mesmo de um espantalho para assustar continentais e pretensos colonialistas…
Alberto J.J. acaba de criticar, precisamente, o que ele diz ser a orientação “chavista” e “bolivariana” do governo português. Claro que esta opinião vai ficar englobada naquele rol de “disparates” a que Alberto João já nos habituou, ele próprio joga com isso para dizer tudo o que lhe vem à cabeça. A inimputabilidade de que beneficia acrescenta-lhe fama e glória aos olhos do povoléu e assim vai regendo este “bailinho” da Madeira a seu belo prazer.
Alberto J.J. acaba de criticar, precisamente, o que ele diz ser a orientação “chavista” e “bolivariana” do governo português. Claro que esta opinião vai ficar englobada naquele rol de “disparates” a que Alberto João já nos habituou, ele próprio joga com isso para dizer tudo o que lhe vem à cabeça. A inimputabilidade de que beneficia acrescenta-lhe fama e glória aos olhos do povoléu e assim vai regendo este “bailinho” da Madeira a seu belo prazer.
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segunda-feira, agosto 24, 2009
Bolívar num jardim de Alberto João

Dei com ela (a estátua) esta noite, num passeio pelo Funchal...
Uma surpresa?
Alberto João está no poder na Madeira desde sempre. Portanto, a erecção de uma estátua bolivariana em pleno Funchal só pode ter tido a sua concordância...
É verdade que Simão Bolívar foi um nacionalista empedernido que lutou com ganas contra o Império de Espanha. Levou à independência nada menos que seis países... e, ainda hoje, serve de inspiração aos vários nacionalismos latino-americanos, nomeadamente aos regimes ditos de esquerda. Hugo Chavez, presidente da Venezuela e amigo de Sócrates é um desses fiéis admiradores de Bolívar. Os rebeldes (terroristas, segundo a cartilha dos EUA) das FARC, na Colômbia, também se dizem inspirados pelo mesmo exemplo... daí que possa parecer estranho que o “nosso” Alberto João partilhe um ídolo com as FARC e Chavez... a não ser que a estátua de Simão Bolívar no Funchal sirva, apenas, de espantalho para o Ministro da República e outros representantes das instituições “colonialistas” continentais.
Alberto João está no poder na Madeira desde sempre. Portanto, a erecção de uma estátua bolivariana em pleno Funchal só pode ter tido a sua concordância...
É verdade que Simão Bolívar foi um nacionalista empedernido que lutou com ganas contra o Império de Espanha. Levou à independência nada menos que seis países... e, ainda hoje, serve de inspiração aos vários nacionalismos latino-americanos, nomeadamente aos regimes ditos de esquerda. Hugo Chavez, presidente da Venezuela e amigo de Sócrates é um desses fiéis admiradores de Bolívar. Os rebeldes (terroristas, segundo a cartilha dos EUA) das FARC, na Colômbia, também se dizem inspirados pelo mesmo exemplo... daí que possa parecer estranho que o “nosso” Alberto João partilhe um ídolo com as FARC e Chavez... a não ser que a estátua de Simão Bolívar no Funchal sirva, apenas, de espantalho para o Ministro da República e outros representantes das instituições “colonialistas” continentais.
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sábado, agosto 22, 2009
O caminho faz-se caminhando

Há cerca de 2500 anos, um dos mais proeminentes políticos de Atenas, Péricles, largava pérolas como "as mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos". Péricles era considerado um democrata e, portanto, é um dos pais da nossa Democracia.
É claro que em 2500 anos o pensamento político avançou muito, os preceitos sociais não são os mesmos, a Democracia democratizou-se, digamos assim. Mas é um caminho que ainda não está feito. Estamos nele, mas não vislumbramos o fim da caminhada. Não podemos considerar esta Democracia que temos como uma obra acabada… ainda é demasiado imperfeita.
As assimetrias sociais, a injustiça na distribuição da riqueza, a iniquidade nas oportunidades dependendo do sexo, da raça, do nome de família, do local onde nascemos. São muitas as variantes que provocam desigualdades. Uma delas é o preconceito… que, aliado à ignorância, facilita o engano e a manipulação. Refiro-me, por exemplo, ao preconceito implantado em muitas pessoas relativamente aos pretensos malefícios da esquerda política. Medos alimentados pelo marketing dos partidos sustentados pelo Capitalismo. Aliás, o medo do Comunismo foi (enquanto se justificou) parte integrante do armamento ideológico do Capitalismo. Comiam criancinhas ao pequeno-almoço, os comunistas – e muitos acreditaram piamente nestas tretas. O medo que eles viessem e lhes confiscassem a carroça e o burro, a leira de terra, o naco de pão. Mas se tudo isso fosse levado pela hipoteca ao banco, já não fazia mal…
É claro que em 2500 anos o pensamento político avançou muito, os preceitos sociais não são os mesmos, a Democracia democratizou-se, digamos assim. Mas é um caminho que ainda não está feito. Estamos nele, mas não vislumbramos o fim da caminhada. Não podemos considerar esta Democracia que temos como uma obra acabada… ainda é demasiado imperfeita.
As assimetrias sociais, a injustiça na distribuição da riqueza, a iniquidade nas oportunidades dependendo do sexo, da raça, do nome de família, do local onde nascemos. São muitas as variantes que provocam desigualdades. Uma delas é o preconceito… que, aliado à ignorância, facilita o engano e a manipulação. Refiro-me, por exemplo, ao preconceito implantado em muitas pessoas relativamente aos pretensos malefícios da esquerda política. Medos alimentados pelo marketing dos partidos sustentados pelo Capitalismo. Aliás, o medo do Comunismo foi (enquanto se justificou) parte integrante do armamento ideológico do Capitalismo. Comiam criancinhas ao pequeno-almoço, os comunistas – e muitos acreditaram piamente nestas tretas. O medo que eles viessem e lhes confiscassem a carroça e o burro, a leira de terra, o naco de pão. Mas se tudo isso fosse levado pela hipoteca ao banco, já não fazia mal…
Não pretendo fazer aqui a defesa do Comunismo. Na verdade, os regimes comunistas não me parecem melhores que os inspirados pelo Capitalismo. Ambos fizeram e fazem muitas vítimas inocentes, qualquer deles não hesita em sacrificar seres humanos em nome dos dogmas que os enformam. Pretendo, apenas, relativizar as coisas e argumentar em prol da liberdade de pensamento. Considero que para se escolher verdadeiramente é preciso conhecer. Sem preconceitos. Até porque, hoje, tudo mudou e as práticas políticas dos partidos já pouco têm a ver com as velhas práticas dogmáticas dos anos 60. É por isso que acho que ninguém devia dizer que já sabe em quem vai votar, num reflexo pavloviano ditado por coisas velhas. É a minha opinião.
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sexta-feira, agosto 21, 2009
Bússola

Experimentem. É giro participar. Cliquem neste link.
Só não sei se os termos de comparação entre as nossas respostas e as dos vários partidos políticos serão completamente fiáveis. Segundo creio, os promotores desta "bússola eleitoral" basearam-se nos programas partidários para extraírem as respostas dos respectivos partidos às questões colocadas. E são essas "respostas" que, depois, são comparadas com as nossas. Como a coisa não passou por entrevistas directas com dirigentes partidários, temo que algum termo de comparação não seja completamente fiável. Mas não é por isso que esta "bússola" deixa de ter graça. Até porque a piada está na eventual discrepância entre o resultado da "bússola" e a nossa real intenção de voto. A mim, por exemplo, deu-me como "próximo do PS".
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Blá blá blá rasteirinho

OK, o PC jamais se coligará com o PS ou o BE, nem mesmo num cenário pós-eleitoral em que seja necessário plasmar politicamente a maioria sociológica de esquerda que, de facto, existe em Portugal. Pronto, não se pode levar a mal. O Partido Comunista não quer ir por aí, está no seu direito, ou está com a direita… se quiserem. 
Agora, não lhe fica mesmo nada bem argumentar de forma tão rasteira, tão merdosa, como fez num artigo publicado no Avante…
Pronto, no PC também não voto.

Agora, não lhe fica mesmo nada bem argumentar de forma tão rasteira, tão merdosa, como fez num artigo publicado no Avante…
Pronto, no PC também não voto.
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quinta-feira, agosto 20, 2009
Azuis

Vêm aí cravos azuis transgénicos. A introdução da espécie já foi autorizada pela Holanda e, sendo a Holanda o maior exportador mundial de flores para todo o Mundo, depressa esses cravos de cor monárquica ou social-cristã estarão à venda nas floristas de todo o país.
Já é mau serem transgénicos, mas serem azuis é que não. Já estou a ver um na lapela de Cavaco Silva no próximo 25 de Abril…
Já é mau serem transgénicos, mas serem azuis é que não. Já estou a ver um na lapela de Cavaco Silva no próximo 25 de Abril…
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quarta-feira, agosto 19, 2009
Caspa

O PS orçamentou 5 milhões 540 mil € para a próxima campanha eleitoral. Se tiver 1 milhão e meio de votos, perde as eleições mas a campanha sai-lhe de borla. Com 2 milhões de votos, talvez ganhe as eleições e acaba por ter lucro significativo. Isto, porque o Estado subvenciona os partidos políticos que obtiverem mais de 50 mil votos nas eleições. São, se não erro, 3 € e 50 cêntimos por cada voto. Façam as contas e vejam o negócio que isto não representa. Já não falo das sinecuras que ficam à disposição dos correligionários e amigos, belos tachos com direito a BMW e cartão de crédito para despesas de representação. Mas isso são outras contas do rosário…
Se compararmos o orçamento dos partidos políticos com assento parlamentar com os outros, verificamos que a luta é completamente desigual. Enquanto que os primeiros têm mundos e fundos para gastar em propaganda, os segundos contam tostões e lançam-se à luta se a colecta entre os correligionários chegar para alguma coisa…
Do PS já falámos, agora comparemos o PSD com 3 milhões 340 mil € com a Frente Ecologia e Humanismo que só tem 25 mil €… ou o PCP/PEV com 1 milhão 950 mil € e o MMS com, apenas, 40 mil €… ou mesmo o Bloco de Esquerda com 993 mil € ao pé do PCTP/MRPP com singelos 45 mil €… ou seja, enquanto uns podem comprar os serviços de agências de comunicação, prometer bons empregos e facilitar a carreira dos amigos, outros mal conseguem fazer-se ouvir perante a berraria das máquinas propagandistas dos que andam próximos do poder e dele se alimentam.
Ou seja, os resultados eleitorais têm muito pouco a ver com programas políticos ou ideologias. Apenas com propaganda. Andamos a votar como quem vai ao supermercado à procura do "melhor" shampoo para a caspa.
Se compararmos o orçamento dos partidos políticos com assento parlamentar com os outros, verificamos que a luta é completamente desigual. Enquanto que os primeiros têm mundos e fundos para gastar em propaganda, os segundos contam tostões e lançam-se à luta se a colecta entre os correligionários chegar para alguma coisa…
Do PS já falámos, agora comparemos o PSD com 3 milhões 340 mil € com a Frente Ecologia e Humanismo que só tem 25 mil €… ou o PCP/PEV com 1 milhão 950 mil € e o MMS com, apenas, 40 mil €… ou mesmo o Bloco de Esquerda com 993 mil € ao pé do PCTP/MRPP com singelos 45 mil €… ou seja, enquanto uns podem comprar os serviços de agências de comunicação, prometer bons empregos e facilitar a carreira dos amigos, outros mal conseguem fazer-se ouvir perante a berraria das máquinas propagandistas dos que andam próximos do poder e dele se alimentam.
Ou seja, os resultados eleitorais têm muito pouco a ver com programas políticos ou ideologias. Apenas com propaganda. Andamos a votar como quem vai ao supermercado à procura do "melhor" shampoo para a caspa.
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terça-feira, agosto 18, 2009
Chateia-me

.
Chateia-me que este governo acabe por dar razão à Direita e à Esquerda, de Portas a Garcia Pereira (curiosamente, com o mesmo discurso), por não ter dado prioridade aos apoios às PME’s, a verdadeira espinha dorsal da economia do país. As pequenas e médias empresas garantem mais de 90% do emprego e quase a mesma percentagem do PIB. Quando o governo preferiu investir nos apoios, subsídios e isenções fiscais às grandes multinacionais, ficámos todos à mercê dos caprichos desses capitalistas sem rosto nem alma, que tanto se lhes dá ter uma fábrica aqui como na China, o que lhes interessa são os milhões de lucro e não o bem-estar social.
Também me chateia que, depois do fracasso das “europeias”, o governo tenha entrado numa espécie de “coma”, deixando cair a aplicação de projectos que poderiam, de facto, com rapidez, dar emprego a muitos milhares de pessoas, nomeadamente, operários da construção civil. Para além da tal “falsa humildade” que logo foi detectada, usada e abusada pela oposição política e mediática, Sócrates revelou, de facto,
falta de carácter político – o que não tem nada a ver com arrogância, característica que também não aprecio.
Também me chateia que, depois do fracasso das “europeias”, o governo tenha entrado numa espécie de “coma”, deixando cair a aplicação de projectos que poderiam, de facto, com rapidez, dar emprego a muitos milhares de pessoas, nomeadamente, operários da construção civil. Para além da tal “falsa humildade” que logo foi detectada, usada e abusada pela oposição política e mediática, Sócrates revelou, de facto,
falta de carácter político – o que não tem nada a ver com arrogância, característica que também não aprecio.
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sábado, agosto 15, 2009
Woodstock, o Adelino e a ditadura

Woodstock foi há 40 anos. Meio milhão de pessoas juntaram-se num descampado, perto de uma aldeia chamada Woodstock, nos EUA, e realizaram um festival de música que marcou uma geração na parte Ocidental do Mundo.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Duas notícias espantosas

A primeira.
Utentes dos centros de saúde e hospitais do Alentejo, Algarve e Ribatejo vão ter de aprender a falar espanhol, já que comunicar bem com o médico é condição essencial para ele (o médico) perceber de que maleita se queixam os doentes… e como os médicos vão passar a ser cubanos, hay que ablar bien sinon bamos a morir…
Nada contra a globalização dos cuidados de saúde… mas julgo que a contratação de cubanos se deve, apenas, a um qualquer critério economicista. A mão-de-obra do dito terceiro mundo costuma pedir menos pelo salário… e se isso ainda se aceita numa fábrica de panelas, já num hospital gostaria que o critério fosse a qualidade profissional dos contratados. Espero que, além de baratos, sejam bons médicos.
Utentes dos centros de saúde e hospitais do Alentejo, Algarve e Ribatejo vão ter de aprender a falar espanhol, já que comunicar bem com o médico é condição essencial para ele (o médico) perceber de que maleita se queixam os doentes… e como os médicos vão passar a ser cubanos, hay que ablar bien sinon bamos a morir…
Nada contra a globalização dos cuidados de saúde… mas julgo que a contratação de cubanos se deve, apenas, a um qualquer critério economicista. A mão-de-obra do dito terceiro mundo costuma pedir menos pelo salário… e se isso ainda se aceita numa fábrica de panelas, já num hospital gostaria que o critério fosse a qualidade profissional dos contratados. Espero que, além de baratos, sejam bons médicos.
A segunda.
A GNR recompensa os seus agentes que “caçam” mais multas. Não premeia os que prendem mais assaltantes nem os que apanham mais traficantes... Está, assim, explicada a apetência natural dos que viram a cara aos bandidos. Além de ser muito menos perigoso ir à caça das multas, sempre se consegue algum para ajudar a fechar a marquise.
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quarta-feira, agosto 12, 2009
(o meu) Programa eleitoral - 4

Vamos então falar de Saúde.
Na semana passada fui ao oftalmologista com a minha filha Sara. Eu, há 4 anos que não fazia um exame aos olhos e a miúda está naquela idade em que as dioptrias aumentam acompanhando o crescimento da criança.
15 minutos a cada um e dê cá 110 € (55 each…). No meu caso, fiquei a pensar que mais valia ter ficado quieto, já que o médico não encontrou nada a assinalar e não tenho necessidade de mudar de lentes. O pior é que, como estou desempregado, os recibos não me servem para nada, já que sem rendimentos para declarar ao IRS não posso esperar qualquer recuperação destas despesas. Portanto, os desempregados não podem ir assim ao médico especialista quando acham que precisam. Temos de ir ao Centro de Saúde esperar por uma consulta com o médico de família, esperar que o senhor doutor ache bem passar uma credencial para a especialidade em questão e aguentarmos uns meses que nos chamem para a tal consulta com o especialista. Mas só pagamos as taxas moderadoras…
Comparando com França… o utente vai ao médico que quer, quando quer e paga por uma tabela estipulada pelo Estado. Se bem me lembro, consultas de clínica geral rondam os 20 € e as especialidades são pagas a cerca de 50 €. O médico passa obrigatoriamente uma factura que, poucos dias depois de ser remetida à Segurança Social é reembolsada em boa parte. Ou seja, uma ida ao médico fica em poucos euros… e não há urgências hospitalares entupidas.
Bom, nem tudo serão rosas no serviço de Saúde em França, mas mete o nosso num chinelo. Não sei por quanto tempo, porque parece que Sarkozy anda a pensar em "poupar" uns cobres ao orçamento do Estado e adivinhem lá onde será que ele vai cortar nas despesas...
Portanto… senhores candidatos a deputados, imaginando que se preocupam bastante com estes problemas reais da vida, aguardo pelas vossas promessas eleitorais... para decidir conscientemente em quem votar.
Na semana passada fui ao oftalmologista com a minha filha Sara. Eu, há 4 anos que não fazia um exame aos olhos e a miúda está naquela idade em que as dioptrias aumentam acompanhando o crescimento da criança.
15 minutos a cada um e dê cá 110 € (55 each…). No meu caso, fiquei a pensar que mais valia ter ficado quieto, já que o médico não encontrou nada a assinalar e não tenho necessidade de mudar de lentes. O pior é que, como estou desempregado, os recibos não me servem para nada, já que sem rendimentos para declarar ao IRS não posso esperar qualquer recuperação destas despesas. Portanto, os desempregados não podem ir assim ao médico especialista quando acham que precisam. Temos de ir ao Centro de Saúde esperar por uma consulta com o médico de família, esperar que o senhor doutor ache bem passar uma credencial para a especialidade em questão e aguentarmos uns meses que nos chamem para a tal consulta com o especialista. Mas só pagamos as taxas moderadoras…
Comparando com França… o utente vai ao médico que quer, quando quer e paga por uma tabela estipulada pelo Estado. Se bem me lembro, consultas de clínica geral rondam os 20 € e as especialidades são pagas a cerca de 50 €. O médico passa obrigatoriamente uma factura que, poucos dias depois de ser remetida à Segurança Social é reembolsada em boa parte. Ou seja, uma ida ao médico fica em poucos euros… e não há urgências hospitalares entupidas.
Bom, nem tudo serão rosas no serviço de Saúde em França, mas mete o nosso num chinelo. Não sei por quanto tempo, porque parece que Sarkozy anda a pensar em "poupar" uns cobres ao orçamento do Estado e adivinhem lá onde será que ele vai cortar nas despesas...
Portanto… senhores candidatos a deputados, imaginando que se preocupam bastante com estes problemas reais da vida, aguardo pelas vossas promessas eleitorais... para decidir conscientemente em quem votar.
terça-feira, agosto 11, 2009
Piscadela de olho

Só uma verdadeira Fada como a Helena consegue restaurar egos gastos pelas desilusões.
Agradeço e levanto a Taça com orgulho. Mas é Taça pesada, da responsabilidade acrescida.
Agradeço e levanto a Taça com orgulho. Mas é Taça pesada, da responsabilidade acrescida.
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(o meu) Programa eleitoral - 3

Em Paris, a linha do RER-A (a linha A do comboio suburbano) serve cerca de 2 milhões de pessoas por dia. Nas horas de ponta, o comboio passa de 3 em 3 minutos. Para quem vive a 30 km de distância da cidade, o comboio é a grande alternativa a um bouchon de duas horas… É verdade que, às vezes, a circulação ferroviária sofre atrasos… é relativamente frequente acontecerem avarias ou tentativas de suicídio ou distúrbios entre passageiros que obrigam à intervenção policial e à interrupção da circulação, mas a alternativa continua a ser… um engarrafamento automóvel de duas horas. Além disso, o comboio é mais barato que o automóvel pessoal (o passe social mensal para a zona 5 custa menos de 100 € e é o mais caro), o comboio é muito menos poluente e, quando se vai sentado, sempre dá para ler o jornal ou algumas páginas de um livro enquanto não se chega ao destino.
Tudo isto para vos dizer que gostaria de ver algum dos candidatos a deputados defender soluções para as acessibilidades dos cidadãos ao centro dos grandes centros urbanos, principalmente Lisboa e Porto. Estranho que se fale tão pouco nisto… na necessidade de alargar a rede de metropolitano, na necessidade de se diminuir o consumo de gasolina e gasóleo, em fazer com que se deixe de perder várias horas por dia em engarrafamentos para ir para o emprego e voltar para casa. Nem só de TGV vive o transporte ferroviário…
Tudo isto para vos dizer que gostaria de ver algum dos candidatos a deputados defender soluções para as acessibilidades dos cidadãos ao centro dos grandes centros urbanos, principalmente Lisboa e Porto. Estranho que se fale tão pouco nisto… na necessidade de alargar a rede de metropolitano, na necessidade de se diminuir o consumo de gasolina e gasóleo, em fazer com que se deixe de perder várias horas por dia em engarrafamentos para ir para o emprego e voltar para casa. Nem só de TGV vive o transporte ferroviário…
segunda-feira, agosto 10, 2009
(o meu) Programa eleitoral - 2

Já repararam que, em muitas situações, andamos a pagar duas vezes (pelo menos) o mesmo serviço? Ainda por cima, nem sempre somos bem servidos…
Inscrevi-me num mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Um dos luxos dos desempregados é terem tempo, muito tempo, sem ocupação fértil. Assim, decidi ir para a escola. O pior é que a coisa fica em 2 mil €, pelos três semestres… e dei comigo a pensar em que diabo são empregues os nossos impostos se, quando solicitamos um serviço qualquer ao Estado, temos de o pagar? Pagamos na escola pública, pagamos no hospital público, pagamos no transporte público, pagamos se pedirmos um certificado de registo criminal, pagamos se formos trocar o velho BI amarelo pelo novo cartão azul. Pagamos. Acho que estamos a pagar a dobrar porque pagamos a primeira vez através do sistema fiscal e voltamos a pagar, depois, através das taxas moderadoras, propinas, emolumentos, tributos e portagens. Não gostavam de ver alguém da política debruçar-se sobre este assunto (a política fiscal), ou acham que é um tema menor? Até porque muitos destes serviços a que me refiro são direitos supostamente garantidos constitucionalmente e, acho eu, deveriam ser assegurados independentemente da riqueza do utente.
Inscrevi-me num mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Um dos luxos dos desempregados é terem tempo, muito tempo, sem ocupação fértil. Assim, decidi ir para a escola. O pior é que a coisa fica em 2 mil €, pelos três semestres… e dei comigo a pensar em que diabo são empregues os nossos impostos se, quando solicitamos um serviço qualquer ao Estado, temos de o pagar? Pagamos na escola pública, pagamos no hospital público, pagamos no transporte público, pagamos se pedirmos um certificado de registo criminal, pagamos se formos trocar o velho BI amarelo pelo novo cartão azul. Pagamos. Acho que estamos a pagar a dobrar porque pagamos a primeira vez através do sistema fiscal e voltamos a pagar, depois, através das taxas moderadoras, propinas, emolumentos, tributos e portagens. Não gostavam de ver alguém da política debruçar-se sobre este assunto (a política fiscal), ou acham que é um tema menor? Até porque muitos destes serviços a que me refiro são direitos supostamente garantidos constitucionalmente e, acho eu, deveriam ser assegurados independentemente da riqueza do utente.
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domingo, agosto 09, 2009
Impropérios velhos
Depois da recente nacionalização de um banco e de uma companhia de seguros, gostava de perceber como vai a direita (e alguma esquerda, também) abordar esta questão na próxima campanha eleitoral.
Durante décadas habituei-me a ouvir os maiores impropérios contra as ideologias que professam o controlo estatal sobre sectores estratégicos da economia e… afinal de contas, parece que sempre tinham alguma razão…
A iniciativa privada, realmente, estimula a criatividade (pelo menos a dos saqueadores de bancos) mas não garante uma justa distribuição da riqueza. E, reparem bem, quando digo justa não estou a dizer igualitária.
Durante décadas habituei-me a ouvir os maiores impropérios contra as ideologias que professam o controlo estatal sobre sectores estratégicos da economia e… afinal de contas, parece que sempre tinham alguma razão…
A iniciativa privada, realmente, estimula a criatividade (pelo menos a dos saqueadores de bancos) mas não garante uma justa distribuição da riqueza. E, reparem bem, quando digo justa não estou a dizer igualitária.
sábado, agosto 08, 2009
Dos bons costumes

Percebo muito bem que as empresas tenham códigos de conduta, livros de estilo, regras. São características das respectivas culturas empresariais e, por princípio, ajudam ao negócio. Mas, sempre que oiço, leio, uma notícia sobre a proibição de se usar decotes ou mini saias ou calças de cintura baixa, cheira-me a bafio…
Primeiro, não acredito que alguém que trabalhe, por exemplo, num banco, ou num hospital, vá trabalhar vestido de modo indecente. As pessoas sabem, quanto mais não seja por mero bom senso, como se devem comportar. Nunca vi uma professora do liceu ir dar aulas de vestido transparente, os motoristas da Carris não conduzem de calções (até porque têm farda…), eu não faço reportagens de chinelos (excepto quando o ambiente o permite).
Por estranho que vos pareça, isto vem a (des)propósito de me ter lembrado do ministro que foi despedido por ter feito uns corninhos ao líder da bancada do PC… julgo que, na altura ninguém questionou a decisão de sacrificar o homem, porque se tratava de um gesto de má educação, indigno, etecetra e tal. Deixemo-nos de histórias… quer dizer, andamos a substituir a livre discussão de ideias políticas com base em conceitos moralistas piores que os do tempo da outra senhora… E logo ali, no Parlamento, onde os senhores passam a vida a se insultarem impunemente de alto a baixo.
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de Sócrates… o acto apenas revelou que o 1º ministro não se rege pelos conceitos de lealdade recíproca com os seus parceiros de governo. Deixa-os cair com uma frieza arrepiante, ao mínimo contratempo. Basta que o ministro em causa não seja um yes man. No final, Sócrates mostrou que comanda o governo como qualquer patrão, mais ou menos buçal, que não tem rebuço em despedir o empregado mais incómodo, mesmo que seja um bom profissional.
Primeiro, não acredito que alguém que trabalhe, por exemplo, num banco, ou num hospital, vá trabalhar vestido de modo indecente. As pessoas sabem, quanto mais não seja por mero bom senso, como se devem comportar. Nunca vi uma professora do liceu ir dar aulas de vestido transparente, os motoristas da Carris não conduzem de calções (até porque têm farda…), eu não faço reportagens de chinelos (excepto quando o ambiente o permite).
Por estranho que vos pareça, isto vem a (des)propósito de me ter lembrado do ministro que foi despedido por ter feito uns corninhos ao líder da bancada do PC… julgo que, na altura ninguém questionou a decisão de sacrificar o homem, porque se tratava de um gesto de má educação, indigno, etecetra e tal. Deixemo-nos de histórias… quer dizer, andamos a substituir a livre discussão de ideias políticas com base em conceitos moralistas piores que os do tempo da outra senhora… E logo ali, no Parlamento, onde os senhores passam a vida a se insultarem impunemente de alto a baixo.
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de Sócrates… o acto apenas revelou que o 1º ministro não se rege pelos conceitos de lealdade recíproca com os seus parceiros de governo. Deixa-os cair com uma frieza arrepiante, ao mínimo contratempo. Basta que o ministro em causa não seja um yes man. No final, Sócrates mostrou que comanda o governo como qualquer patrão, mais ou menos buçal, que não tem rebuço em despedir o empregado mais incómodo, mesmo que seja um bom profissional.
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sexta-feira, agosto 07, 2009
Toda é capaz de ser demasiada

Enquanto o PS mantém o rumo em direcção a uma provável derrota eleitoral, o Bloco afadiga-se a arrebanhar a maior percentagem possível de descontentes, descrentes, desiludidos e oportunistas que se queiram mudar do Largo do Rato para a Avenida Almirante Reis. Nada contra, acho mesmo que o Bloco vai ter uma excelente votação e aumentar o seu grupo parlamentar.
Mas temo que o Bloco já comece a ter alguns dos tiques dos chamados partidos do poder. É que, no calor desta luta política, os dirigentes e opinion makers bloquistas andam a espalhar a ideia de que a única alternativa à esquerda reside neles, como se o PC ou o MRPP não fossem dignos de merecer uns votos, também. Falam eles (pela pena do Nuno Ramos de Almeida) da “necessidade de reconstruir um pólo alternativo de esquerda que possa fazer convergir toda a esquerda descontente das políticas neoliberais”. Convenhamos que pretender ter “toda a esquerda” é um bocadito egocêntrico e revelador de alguma intolerância. Não?
Mas temo que o Bloco já comece a ter alguns dos tiques dos chamados partidos do poder. É que, no calor desta luta política, os dirigentes e opinion makers bloquistas andam a espalhar a ideia de que a única alternativa à esquerda reside neles, como se o PC ou o MRPP não fossem dignos de merecer uns votos, também. Falam eles (pela pena do Nuno Ramos de Almeida) da “necessidade de reconstruir um pólo alternativo de esquerda que possa fazer convergir toda a esquerda descontente das políticas neoliberais”. Convenhamos que pretender ter “toda a esquerda” é um bocadito egocêntrico e revelador de alguma intolerância. Não?
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quinta-feira, agosto 06, 2009
Tabefes nada Molex
Diz o “Le Parisien”, simpático diário tablóide da capital francesa, que um administrador da multinacional americana Molex, que fabrica componentes automóveis, foi violentamente agredido por um grupo de trabalhadores em greve, na sequência de um conflito laboral que surgiu depois da empresa ter anunciado o encerramento para o próximo mês de Outubro.
O caldo entornou quando o administrador em questão foi alvejado com ovos podres e os seus guarda-costas tentaram reagir contra os atiradores de ovos. No final, dois guarda-costas foram parar ao hospital e o senhor engenheiro obteve um atestado de baixa médica de 7 dias.
Desde que foi anunciado o encerramento definitivo da fábrica que os trabalhadores entraram em greve. O problema é que a empresa continua a ter muitas encomendas e a administração tentou contratar pessoal eventual para assegurar a produção. Os grevistas, muito justamente, endureceram a luta e deu nisto.
O caso da Molex é a prova provada de que muitos empresários se estão nas tintas para a responsabilidade social e não têm o mínimo rebuço em fechar uma fábrica para a deslocalizar para um país onde seja permitido ter mão-de-obra quase escrava.
O caldo entornou quando o administrador em questão foi alvejado com ovos podres e os seus guarda-costas tentaram reagir contra os atiradores de ovos. No final, dois guarda-costas foram parar ao hospital e o senhor engenheiro obteve um atestado de baixa médica de 7 dias.
Desde que foi anunciado o encerramento definitivo da fábrica que os trabalhadores entraram em greve. O problema é que a empresa continua a ter muitas encomendas e a administração tentou contratar pessoal eventual para assegurar a produção. Os grevistas, muito justamente, endureceram a luta e deu nisto.
O caso da Molex é a prova provada de que muitos empresários se estão nas tintas para a responsabilidade social e não têm o mínimo rebuço em fechar uma fábrica para a deslocalizar para um país onde seja permitido ter mão-de-obra quase escrava.

Desde 1789 que de França só nos chegam boas notícias...
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Politicamente incorrecto
Comprometido(s)
O prémio chama-se "Comprometidos Y Más", é oriundo da América Latina e foi atribuído ao "Escrita em Dia" pelas amigas do "Sustentabilidade É Acção". Aceito, claro, fico contente.
Para permitir que o prémio continue a viajar pela blogosfera, vou atribuí-lo a outros 15 blogues (oh! tarefa ingrata...):
Para permitir que o prémio continue a viajar pela blogosfera, vou atribuí-lo a outros 15 blogues (oh! tarefa ingrata...): - 1. http://altohama.blogspot.com/ Alto Hama
2. http://aventar.eu/ Aventar
3. http://blog-19.blogspot.com/ Blog 19 - 4.http://novomundoperfeito.blogspot.com/ Novo Mundo
5.http://ovalordasideias.blogspot.com/ O Valor das Ideias - 6. http://paramimtantofaz.blogspot.com/ Para Mim Tanto Faz
- 7. http://trovasdebandarra.wordpress.com/ Trovas de Bandarra
- 8. http://aboiada.blogspot.com/ A Boiada
- 9. http://aescadadepenrose.blogspot.com/ A Escada de Penrose
- 10. http://jirenna.blogspot.com/ Jirenna
- 11. http://jumento.blogspot.com/ O Jumento
- 12. http://dias-com-arvores.blogspot.com/ Dias com Árvores
- 13. http://edeuscriouamulher.blogs.sapo.pt/ E Deus Criou a Mulher
- 14. http://jazza-memuito.blogs.sapo.pt/ Jazza-me Muito
- 15. http://pululu.blogspot.com/ Pululu
São estes os eleitos, uns divertem-me outros ensinam-me, alguns são de amigos, outros de desconhecidos, mas são todos bons.
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Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média
