
Bombástico, adj. estrondoso; extravagante
Pífia, adj. desprezível; vil
Pífia, adj. desprezível; vil

O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.
Como se vê, o caso da licenciatura de Sócrates não é um fait divers político. O líder da oposição já exige uma investigação independente. Suspeito que, tarde ou cedo, essa investigação venha a ser feita. Basta que alguém se lembre de apresentar uma queixa formal na Procuradoria Geral da República, por exemplo. Julgo que muitos políticos, adversários de Sócrates, apostam muito nessa investigação e na suspeita de que ainda existem segredos escondidos no dossier académico de Sócrates na Universidade Independente.
Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço.
Hoje, todos dizem que Sócrates “passou no exame”, mas há indícios de que a coisa não ficará por aqui. Primeiro: se Marques Mendes vem, agora, reclamar uma inspecção ao dossier académico de Sócrates por uma entidade independente do Governo, isso poderá querer dizer que o PSD sabe de mais pormenores que ainda não foram revelados. Segundo: Francisco Louçã usou a expressão “satisfeito por agora”, quando se referiu às explicações dadas pelo Primeiro-Ministro na entrevista à RTP.
Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
O Ministro falou ontem e mostrou-se zangado com os gestores da Universidade Independente, e com razão. Por isso, decretou o fecho compulsivo da universidade. E disse que iria salvaguardar os legítimos interesses dos alunos. Mas não disse como… e é aí que a porca torce o rabo. Ainda hoje fui à Universidade Lusíada para me informar sobre a possibilidade de me transferir para lá. A Lusíada abriu uma época especial de transferência apenas para alunos provenientes da UnI. Ouvi dizer que até há professores da UnI que recebem por cabeça de aluno que consigam levar para a Lusíada… mas é claro que não devemos acreditar em tudo o que se ouve. Mas lá que encontrei professores da UnI por ali, lá isso encontrei.
Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.
Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.