Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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sexta-feira, março 09, 2012

Dead can Dance

On the Storm

quinta-feira, março 01, 2012

Lian portugués

domingo, fevereiro 19, 2012

Carnaval em Dili

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Kari Matenek

terça-feira, janeiro 03, 2012

quarta-feira, janeiro 13, 2010

enviem livros para Timor

pedido chegado por email:


"Caros amigos,
Alguns sabem e outros nem por isso (e assim aqui vai a notícia) mas estou em Timor a dar aulas na UNTL (Universidade Nacional de TimorLeste) no âmbito de uma colaboração com a ESE do Porto. Aquilo que vos venho pedir é o seguinte: livros. Não vou dar a grande conversa que é para montar uma biblioteca ou seja o que for, porque não é. O que se passa é o seguinte... não sei muito bem como funcionam as instituições, nem fui mandatada para angariar seja o que for, mas o que é certo é que sou (somos!) muitas vezes abordados na rua por pessoas que desejariam aprender português mas não possuem um livro sequer e vão pedindo, o que é mto bom. O que é certo é que a minha biblioteca pessoal não suportaria tanta pressão e nem eu, nos míseros 50 quilos a que tive direito na viagem, pude trazer grande coisa para além dos livros de trabalho de que necessito.
COMO MANDAR? Basta dirigirem-se aos correios (CTT) e mandarem uma encomenda tarifa económica para Timor (insistam porque nem todos os funcionários conhecem este tarifário!) e mandam a coisa por 2,49 €. Claro que a encomenda não pode exceder os 2 quilos para poder ser enviada por este preço. Devem enviar as encomendas em meu nome (Joana Alves dos Santos) para: Embaixada de Portugal em Díli, Av. Presidente Nicolau Lobato, Edifício ACAIT, Díli - TIMOR LESTE
E O QUE MANDAR? Mandem por favor livros de ficção, romances, novela, ensaio, livros infantis etc, etc. Evitem gramáticas e manuais escolares. Dicionários, mesmo que um pouquinho desatualizados são bem vindos. Este critério é meu e explico porquê. Alguns timorenses (estudantes e não só) são um bocado fixados em aprender gramática mas ainda não têm os skills básicos de comunicação. Parece-me melhor ideia que possam ler outras coisas, deixar-se apaixonar um bocadinho pelas histórias mesmo que não entendam as palavras todas, do que andarem feitos tolinhos a marrar manuais e gramáticas. O caso dos dicionários é outro. Um aluno, por exemplo, usa um dicionário português-inglês para tentar adivinhar o significado das palavras. Como o inglês dele tb não é grande charuto imaginam como é a coisa.
Bom, espero ter vendido bem o peixe do povo timorense. Falam pouco e mal mas na sua grande maioria manifesta simpatia pela língua portuguesa. De qualquer forma isto não vai lá (muito sinceramente) com umas largas dezenas de professores portugueses por cá. É preciso ter a língua a circular em vários meios e suportes. Espero que respondam ao meu apelo!! Eu por cá andarei sempre com um livrito na carteira para alguém que peça!
beijos grandes

j."

segunda-feira, março 05, 2007

The boys from Camberra

O que se passa em Timor indicia o habitual cinismo que prevalece nas relações internacionais. A Austrália, que tem fortíssimos interesses na exploração do petróleo no off-shore timorense, implantou-se no território com armas e bagagens. Talvez mais armas que bagagens. Com o pretexto de contribuir para a pacificação do território, a tropa australiana começou por proteger o rebelde Alfredo Reinado, soldado formado na Austrália. Quem se lembra da reportagem de Paulo Dentinho, da RTP, em Timor, denunciando essa protecção?
soldado australiano em Timor-Leste


Reinado acabou detido, mas depressa se evadiu. Depois, refugiou-se no interior do país, mas os australianos sempre souberam por onde ele andou e Reinado nunca deixou as zonas que estão sob sua responsabilidade.
Recentemente, o major rebelde assaltou esquadras da polícia e roubou armas automáticas, ainda em zonas sob jurisdição da tropa australiana. Agora, tinha sido cercado num local concreto, numa pequena localidade mas, mais uma vez, os australianos deixaram-no fugir.
O governo australiano não deve estar a pensar em condecorar estes militares, pela competência revelada no cumprimento da missão em Timor. A não ser que a ideia seja manter a instabilidade no território para, assim, melhor poder “reinar”.
Realmente, o petróleo cheira mal.

sábado, janeiro 06, 2007

Quem chorou Gerald Ford em Timor Lorosae?


(pintura mural em Manatuto, foto da minha irmã Vanda)
Nos últimos tempos morreram Pinochet, Saddam e Ford. Sobre os dois primeiros, não lhes perdoámos as malfeitorias, e bem. Na morte de Pinochet, Salvador Allende foi lembrado, assim como os milhares de chilenos e democratas de outras nacionalidades que desapareceram durante o regime do ditador chileno. Saddam foi enforcado, alegadamente por ser o responsável por vários massacres e crimes contra a Humanidade. Gerald Ford foi incensado como santo. E ninguém se lembrou de Timor-Leste…
Então, vamos lá acertar essas contas. Quando Suharto, o ditador indonésio, mandou invadir Timor, estava apenas a jogar o jogo do presidente dos EUA. Quem era esse presidente, em Outubro de 1975? Mister Gerald Ford himself. Na véspera da invasão, precisamente no dia anterior ao ataque, 6 de Outubro, Ford e Kissinger reuniram em Jakarta com Suharto. É público que nessa reunião foi autorizado o ataque.
A ocupação indonésia de Timor durou 24 anos, durante os quais morreram cerca de 200 mil timorenses. O obituário do 39º presidente dos EUA está incompleto. Para além de tudo o que disseram do homem, falta dizer que foi, também, comparsa no genocídio praticado em Timor.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Timor, o mural de Manatuto

Nunca fui a Timor, mas uma das minhas irmãs foi, a Vanda. Ela e todos os outros que conheço e que estiveram em Timor, dizem que aquilo “é um paraíso”. Pelas fotografias que vejo das praias e das montanhas, percebo o que querem dizer. Conheço outros sítios assim. Mas, quanto a Timor, a História conta-nos outra realidade, como todos sabemos. Muitas pessoas foram mortas naquelas praias, muitas valas comuns estão escondidas na floresta verde, muita miséria se esconde nas aldeias das montanhas.
Mas, agora, o futuro de Timor só depende dos próprios timorenses, livres de todas as colonizações e opressões, pensamos nós. Será assim? Os últimos acontecimentos revelam que as potências que rodeiam Timor, Indonésia e Austrália, continuam a condicionar as opções dos timorenses. O cheiro do petróleo trouxe demasiados tubarões para as praias timorenses.
A precariedade do Estado, quatro anos depois da independência, faz de Timor um “paraíso para o crime internacional, o terrorismo e para a injustiça social e humanitária”, tal qual afirmou recentemente o ministro da Defesa da Austrália, o senhor Brendon Nelson. Exagero?
A impunidade com que os insurrectos agiram, nos últimos acontecimentos, talvez justifique as palavras do político australiano.
Será que nos enganámos todos, quando desejámos tanto a independência de Timor? Foram razões do coração e não da razão que, dessa vez, influenciaram toda a comunidade internacional? Outro australiano, Don Watson, conselheiro de um antigo primeiro-ministro da Austrália, disse que considerava "ser preferível viver debaixo de uma ocupação impiedosa do que num Estado falhado”, referindo-se a Timor.
O afastamento de Alkatiri é visto, por muitos, como uma mudança de regime provocada pela Austrália, face a um dirigente hostil como Mari Alkatiri parecia estar a transformar-se… é esta a opinião de John Pilger, activista dos direitos humanos, um feroz crítico de todos quanto dizem que teria sido preferível Timor continuar integrado num Estado forte e dinâmico como a Indonésia, do que ser um micro-Estado eternamente dependente das ONG e da boa vontade dos EUA, Austrália e Portugal.
Quando se livraram da Indonésia, os dirigentes timorenses escolheram o português como língua oficial do novo Estado. Portugal inchou de orgulho neo-colonialista e fez um esforço real para ajudar a reimplantar o português como língua falante no território. Foi aí que a minha irmã foi a Timor e tirou a fotografia aquele muro grafitado… mas o resultado disso é que, hoje, Timor tem uma língua oficial de nenhuma utilidade para o relacionamento com outros parceiros asiáticos… embora, enfim, falar português sempre é uma marca distintiva e, verdadeiramente, a única que os separa de todos os outros povos indonésios.
Vem isto tudo a propósito de quê, quererão saber… é que, ao olhar para a fotografia que vos mostro aqui, dei comigo a imaginar quanto tempo aquela pintura mural vai resistir…

quinta-feira, junho 01, 2006

Ai Timor...

O que se passa em Timor é de indubitável interesse público em Portugal.
Não só porque lá vivem várias centenas de portugueses, não só porque os timorenses mantiveram laços de amizade com Portugal ao longo dos anos, não só porque o território foi colónia portuguesa e isso torna-nos, de certo modo, parte interessada em tudo quanto lá se passa, não só porque a causa da libertação de Timor do jugo indonésio foi a manifestação colectiva mais bonita que os portugueses levaram à cena nos últimos cinco séculos, mas por tudo isso Timor interessa-nos e preocupa-nos.
Assim, os órgãos de comunicação social têm feito notícia do que por lá se passa. Não só pelas razões que apontei, mas porque cenas de tiros e facadas, casas incendiadas e pilhagens, choros e gritos, mortos e feridos sempre serviram bem para vender papel e tempo de antena. Por mais sereno que seja o jornalismo feito, nestas situações a reportagem é sempre emocionante. E isso “agarra” o público. Agora, a verdade é que se não fosse o serviço público de rádio, televisão e agência noticiosa, não haveria notícias de Timor. É a RDP e a RTP, mas principalmente a LUSA quem estão a alimentar os noticiários dos outros.
Dizem-me que a SIC não tem lá ninguém… como se naquela redacção já não houvesse um repórter em condições, capaz de enfrentar aquele tipo de situação com frieza e raciocínio ágil. Será que os directores estarão desautorizados pela administração?... Sinceramente, não percebo.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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