
O meu camarada José Milhazes, correspondente da Agência Lusa em Moscovo, acaba de publicar (saiu hoje mesmo, mas o lançamento não foi notícia num único jornal...) um livro baseado numa investigação que fez aos arquivos da extinta URSS.
Descobriu Milhazes que, nos anos 60, Nikita Krutschev, secretário-geral do Partido Comunista soviético, decide reconhecer Holden Roberto e a FNLA como representantes do povo angolano na luta anti-colonial e que foi Álvaro Cunhal a conseguir, in extremis, emendar a mão de Nikita e levá-lo a proclamar Agostinho Neto como aliado preferencial. Um esforço bem sucedido e que veio a ter consequência na História africana. Ou como as coisas mais extraordinárias acontecem sem que os próprios intervenientes tenham verdadeira consciência disso..

Vem isto a propósito do frio… é que, nesse Inverno, para nossa desgraça, o frio também apertou desmesuradamente. Na primeira manhã, acordei e vi, pela janela, um nevão fantástico. Para mim, aquilo era novidade quase absoluta. Fiquei maravilhado pelo espectáculo. Tomei um duche, pedi o breakfast e saí para a rua. Dei dois passos e senti agulhas espetadas na cabeça. Levei as mãos à cabeça e o cabelo partiu-se entre os dedos… não tinha secado a cabeça (nunca o faço) e, ao ar livre, a água que estava no cabelo tinha gelado em dois segundos.
Estivemos lá 15 dias. Adorei a cidade e as pessoas. Apenas o frio… não havia roupa que o afastasse. Cheguei a caminhar com as mãos enfiadas (à vez) nas calças, junto aos tomates. Era a única maneira de as manter quentes. E aos ditos cujos.
