Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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sexta-feira, outubro 09, 2009

Acasos da História


Os desígnios da política são insondáveis, cada vez menos podemos acreditar na aparência dos actos que os políticos praticam.
O meu camarada José Milhazes, correspondente da Agência Lusa em Moscovo, acaba de publicar (saiu hoje mesmo, mas o lançamento não foi notícia num único jornal...) um livro baseado numa investigação que fez aos arquivos da extinta URSS.
Descobriu Milhazes que, nos anos 60, Nikita Krutschev, secretário-geral do Partido Comunista soviético, decide reconhecer Holden Roberto e a FNLA como representantes do povo angolano na luta anti-colonial e que foi Álvaro Cunhal a conseguir, in extremis, emendar a mão de Nikita e levá-lo a proclamar Agostinho Neto como aliado preferencial. Um esforço bem sucedido e que veio a ter consequência na História africana. Ou como as coisas mais extraordinárias acontecem sem que os próprios intervenientes tenham verdadeira consciência disso..

sexta-feira, julho 14, 2006

Moscovo, 1985. Exploração de mão-de-obra

Começa hoje, em São Petersburgo, a Cimeira do G-8, os tais senhores que mandam no Mundo.
O camarada Milhazes (no texto São Petersburgo em "estado de sítio") dá conta dos preparativos e cuidados tomados para que nada perturbe o pensamento dos poderosos. Ali vai ser difícil alguém realizar grandes manifestações anti-globalização. O espaço aéreo fechado, os portos marítimos bloqueados, as estradas controladas, as fachadas das casas pintadas, as putas afastadas.
Esta coisa das putas sempre foi um trauma para os mandantes russos, já desde os tempos da defunta União Soviética. Teimavam em existir, contrariando a propaganda do regime, segundo a qual, no reino dos sovietes, não havia desemprego, pedintes nem prostituição.

Moscovo, Hotel Cosmos em 1985

Em 1985, quando passei umas semanas em Moscovo, não vi pedintes mas vi muitas prostitutas. Funcionavam de um modo muito organizado, que incluía acesso fácil aos melhores hotéis e restaurantes da cidade.
Era notório que o esquema abrangia os porteiros e a polícia. Beneficiavam todos das quecas profissionais das senhoras. A única coisa que posso dizer quanto a isso é que, ao menos, pareceu-me que os rendimentos eram distribuídos por bastantes pessoas. Não sei se de um modo equitativo.... afinal de contas, só elas é que davam o corpinho ao manifesto.

domingo, janeiro 22, 2006

URSS 1985, um frio dos tomates

As populações da Rússia e dos países nórdicos estão a sofrer com o frio terrível.
Ouvi, ontem, no Telejornal do Canal 1 que já morreram 76 pessoas em Moscovo. Morrer de frio, deve ser horrível…
Estive em Moscovo, em Dezembro de 1985. Fui… “de férias”, com um amigo e companheiro de trabalho chamado Mário Lindolfo. A viagem fazia parte do prémio que tínhamos recebido nesse ano, por uma reportagem feita em conjunto. Um dia contarei essa história.
Vem isto a propósito do frio… é que, nesse Inverno, para nossa desgraça, o frio também apertou desmesuradamente. Na primeira manhã, acordei e vi, pela janela, um nevão fantástico. Para mim, aquilo era novidade quase absoluta. Fiquei maravilhado pelo espectáculo. Tomei um duche, pedi o breakfast e saí para a rua. Dei dois passos e senti agulhas espetadas na cabeça. Levei as mãos à cabeça e o cabelo partiu-se entre os dedos… não tinha secado a cabeça (nunca o faço) e, ao ar livre, a água que estava no cabelo tinha gelado em dois segundos.

Estivemos lá 15 dias. Adorei a cidade e as pessoas. Apenas o frio… não havia roupa que o afastasse. Cheguei a caminhar com as mãos enfiadas (à vez) nas calças, junto aos tomates. Era a única maneira de as manter quentes. E aos ditos cujos.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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