Hakuna mkate kwa freaks.
terça-feira, outubro 18, 2011
SEMENTES DO DIABO
terça-feira, maio 03, 2011
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Catana e roda dentada

Eleições livres são uma chatice, obrigam a calcorrear o país, a apanhar poeira nos musseques e a implementar um esquema para as aldrabar. Depois vêm os observadores internacionais, outros chatos. Depois há que encenar toda aquela pose de político amigo do povo. Mais vale assim. Não há e acabou-se.
sexta-feira, outubro 09, 2009
Acasos da História

O meu camarada José Milhazes, correspondente da Agência Lusa em Moscovo, acaba de publicar (saiu hoje mesmo, mas o lançamento não foi notícia num único jornal...) um livro baseado numa investigação que fez aos arquivos da extinta URSS.
Descobriu Milhazes que, nos anos 60, Nikita Krutschev, secretário-geral do Partido Comunista soviético, decide reconhecer Holden Roberto e a FNLA como representantes do povo angolano na luta anti-colonial e que foi Álvaro Cunhal a conseguir, in extremis, emendar a mão de Nikita e levá-lo a proclamar Agostinho Neto como aliado preferencial. Um esforço bem sucedido e que veio a ter consequência na História africana. Ou como as coisas mais extraordinárias acontecem sem que os próprios intervenientes tenham verdadeira consciência disso..
sábado, maio 30, 2009
Bicesse, algumas memórias

Foi uma tremenda vitória pessoal de Durão Barroso e a sua rampa de lançamento para a alta-roda da política internacional. Durante semanas a fio, o homem andou de quarto em quarto, de sala em sala, a levar e a trazer papelinhos, recados e sugestões, de um lado para o outro. Reunia em separado com cada uma das partes, escrutinava os possíveis pontos comuns e expurgava as clivagens. UNITA e governo só se encontravam quando se sabia que não se iriam pôr aos murros na mesa. Um trabalho de sapa, que acabou por possibilitar um acordo final. De secretário de estado dos negócios estrangeiros, Durão Barroso rapidamente passou para ministro da mesma pasta, mais tarde primeiro-ministro e, hoje, presidente da Comissão Europeia. Uma notável carreira política que teve início há 18 anos lá em Bicesse… mesmo se esses acordos de paz pouco valeram e a guerra recomeçou em força alguns meses mais tarde, para só acabar de vez em 2002.
sábado, abril 11, 2009
O poder da palavra
Lara era secretário-geral do MPLA quando Neto morreu. Foi indicado três vezes para lhe suceder e três vezes disse não. Dizem-me que acabou por ser ele a sugerir o nome de José Eduardo dos Santos, um camarada jovem, políticamente bem preparado, sem anti-corpos entre os que fundaram o partido e se embrenharam na mata na guerrilha contra o colonialismo, condições que Lara julgou essenciais para alguém que iria ter uma dificílima missão pela frente. Zedu foi assim, uma espécie de Cavaco Silva da política angolana. Um subalterno que foi a um congresso para fazer “rodagem” política e, por via dos acasos, se viu sentado no cadeirão do poder.
O resto da História que se seguiu já todos sabemos. O que não sabemos é como teria sido se Lara tivesse dito sim.
terça-feira, abril 07, 2009
Concurso
terça-feira, março 10, 2009
Boas-vindas
Quero aqui lembrar que foi ao actual regime angolano que alguns dos fundadores, inspiradores, do Bloco de Esquerda sempre prestaram apoio político e ideológico.
O passar do tempo veio revelar que não era a ideologia que movia os líderes políticos angolanos. Era apenas o exercício do poder em si mesmo, do poder político e do poder económico. Em Angola vive-se num certo tipo de nepotismo? Sim, mas culturalmente o exercício do poder, em África, sempre foi assim. Se considerarmos que nepotismo é o favoritismo que os detentores do poder dão a um círculo próximo de colaboradores ou familiares, então estamos a falar de uma característica tipicamente africana de organização política. Em África, é assim que as sociedades se organizam desde há séculos. Mas a despudorada acumulação de riqueza, tão criticada por ser manifestamente injusta, já é uma característica das modernas sociedades ocidentais capitalistas. Somos nós, no Ocidente, que valorizamos a riqueza acima de tudo, que endeusamos o dinheiro e lhe sacrificamos tudo.
No Público de hoje (edição impressa), Maria Antónia Palla e João Soares, velhos apoiantes de Jonas Savimbi, vêm hoje lembrar feridas ainda mal fechadas, numa tentativa de dar uma lição de moral ao dirigente angolano. Mas a moral não existe no exercício político, por mais que se pintem Soares e Palla. Nunca a política, em lado algum do Mundo, se condicionou a esse tipo de imperativos e, portanto, o “apelo” hoje publicado não faz muito sentido, pese embora todas as palavras politicamente correctas que foram alinhadas no texto: liberdade, justiça, desenvolvimento, democracia, legitimidade, amor, irmãos, povo, verdade, respeito.
Por mim, prefiro o pragmatismo honesto de Cavaco e Sócrates. Angola vale milhões e é uma oportunidade única de termos algum apoio nos próximos anos de crise. Em Angola já estão dezenas de milhar de portugueses e outros tantos para lá caminham. O presidente angolano é muito bem-vindo!
terça-feira, maio 29, 2007
O suspeito do costume
O anterior presidente do Congo, Laurent Kabila (na foto), subiu ao poder graças à ajuda militar angolana, disso ninguém tem dúvidas. O exército angolano ofereceu a Kabila uma brigada de 3 mil homens muito bem armados e treinados. Na maioria, esses homens eram antigos gendarmes catangueses, desejosos de vingar a derrota sofrida frente a Mobutu quando foi da revolta do Catanga.Soube só agora que Kabila aceitou a ajuda desses militares mas que, logo após a vitória, em Maio de 1997, dissolveu essa brigada porque a consideraria perigosa por suspeitar que seria leal aos interesses angolanos.
Ora, se isto for verdade, isso significa que Kabila desconfiava do amigo angolano… e, assim, percebe-se melhor a forma como morreu assassinado em Janeiro de 2001.
sexta-feira, maio 25, 2007
Luanda, fait divers

Não sei porque carga de água, sempre que fui a Luanda em serviço de reportagem fiquei nesse hotel. A estadia mais longa foi a de 1998. Ao fim de um mês, decidimos (eu e o Carlos Santos) sair dali. Procurámos um apartamento mobilado onde pudéssemos ter um simulacro de lar. Encontrámos um apartamento na Mutamba, que a dona Palmira nos alugou pela módica quantia de 2 mil dólares por mês (400 contos na moeda da época), ainda assim metade do que gastávamos no hotel. Na porta do apartamento colocámos um autocolante da SIC e passámos a designar a habitação como “delegação”. Foi a primeira “delegação” da SIC em Luanda. Porventura, a última.
É dessa “deslocalização” do hotel para o apartamento que o papel que publico me faz lembrar, por causa do “Sra.Palmira” escrito no centro da folha. O resto são números indecifráveis. Enigmáticos números de telefone, estranhas contas de multiplicar e de diminuir e uma referência, em baixo à direita, a uma tal Zany que, infelizmente, não guardei na memória…
quarta-feira, maio 23, 2007
Pormenores
No livro, percebe-se que Savimbi fintou a morte mais do que uma vez, ao longo desses últimos meses, jogando ao gato e ao rato com as forças inimigas que o perseguiam. Mas o cerco apertava-se a cada dia que passava, como se o exército governamental soubesse onde Savimbi andava. Há várias teorias sobre isso. Uns dizem que os satélites militares americanos espiavam a marcha da coluna de Savimbi, dando indicações sobre a sua localização ao governo angolano. Outros dizem que o dirigente da UNITA foi localizado pelos americanos, sim, mas através do sinal do telefone satélite que era frequentemente utilizado para contactos com membros e aliados da UNITA no exterior de Angola. Provavelmente, as duas teorias estão certas e os EUA utilizaram toda a tecnologia disponível para ajudar Luanda a vencer aquela guerra. O que é certo é que, de facto, Savimbi tinha pelo menos um telefone satélite. Do meu espólio desses tempos de brasa em Angola, mostro-vos a folha do meu bloco onde está anotado o número desse telefone satélite: 00871382082111.terça-feira, maio 22, 2007
Brothers in arms
Não tem data, mas é de 1998, dos meses de Julho a Novembro. O que tem de curioso, esta folha, é a verificação dos nomes de guerra dos generais e outros oficiais de alta patente angolanos. O brigadeiro Jota era o oficial de ligação do CEMGFA com a imprensa. O homem era competente à sua maneira, ou seja, privilegiava os órgãos de comunicação social públicos angolanos em detrimento dos jornalistas estrangeiros que considerava, sempre, tipos suspeitos de simpatia com a UNITA, vá-se lá saber porquê.No rol de nomes e contactos desta pequena folha aparecem, ainda, o brigadeiro Faísca, o brigadeiro Cowboy e o general McKenzie (pessoas de quem não guardo na memória qualquer referência). Já o mesmo não posso dizer do general Faceira, na altura vice-chefe do EMGFA. Graças a ele, conseguimos ultrapassar muitas dificuldades que outros colocaram à realização das nossas reportagens. Foi ele quem nos apresentou ao general João de Matos (o CEMGFA) e que o convenceu a que nos deixasse acompanhá-lo nas visitas que fazia às frentes de combate. Corremos Angola de lés a lés com eles, entrámos até pelo Congo dentro, ocupando dois lugares vagos no pequeno avião Piper que era utilizado pelo Chefe do Estado Maior. Tudo correu bem, até que a desconfiança se instalou de novo, devido à hipersensibilidade dos angolanos em relação ao trabalho dos jornalistas estrangeiros. Assim que recebeu um relatório enviado de Lisboa sobre o que dizíamos nas reportagens que fazíamos em Angola, o general afastou-nos e tudo se tornou mais difícil a partir daí.. Ainda assim, o nosso “estado de graça” durou largas semanas. Um “estado de graça” só possível devido ao estranho sentido de solidariedade existente nas castas militares. Eu explico: o general Faceira era Comando. Tinha sido Comando da tropa portuguesa, no tempo colonial e, depois da independência, juntou-se ao MPLA e formou o corpo de Comandos do exército angolano. Ora aconteceu que o Carlos Santos, o camera-man que estava comigo, também foi Comando e estabeleceu essa ponte com o general angolano. Era evidente a relação que ambos estabeleceram desde o primeiro minuto em que se reconheceram mutuamente como companheiros dessa “espécie militar”. Para mim, aquilo era uma coisa estranha, mas real, e aproveitei-a o melhor que foi possível.
terça-feira, maio 15, 2007
Um barril de pólvora
A organização Human Rights Watch acaba de denunciar as prepotências perpetradas pelo governo angolano nas acções de despejo e demolição de bairros da lata na cidade de Luanda.Desde 2002 que já se efectuaram 18 acções do género, com a destruição de 3 mil habitações onde viviam 20 mil cidadãos, todos eles pobres e residentes em barracas nos vários musseques de Luanda.
As acções governamentais têm sido realizadas pela polícia e por elementos de empresas de segurança privadas e são caracterizadas pela violência física contra os residentes, detenções arbitrárias e maus tratos contra os detidos.
Segundo o relatório em questão, aos cidadãos não tem sido dada a possibilidade de recurso legal nem o direito a qualquer indemnização. Pura e simplesmente, as pessoas são deixadas no meio da rua, sem haveres nem abrigo.
O relatório da Human Rights Watch foi elaborado com a colaboração da ONG angolana SOS Habitat e acusa o governo de Angola de provocar a deterioração das condições de vida da população mais pobre da capital, em vez de a melhorar.
Quem quiser ler o relatório completo, pode ir aqui. Quem quiser saber mais sobre a acção da Human Rights Watch em Angola, pode ir aqui.
Quem conhece Luanda sabe que a cidade está transformada num atoleiro de musseques, onde vivem mais de 4 milhões de pessoas em condições que não lembram ao diabo. É urgente que se faça algo para melhorar a situação daquela gente, sob pena de, num futuro próximo, a vida em Luanda se tornar impossível por questões de segurança e salubridade.
Toda aquela miséria concentrada é um barril de pólvora pronto a explodir. Olho para o que acontece no Brasil, hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, e adivinho o futuro de Angola, nomeadamente de Luanda, dentro de poucos anos.É claro que o governo angolano pode julgar que resolve a questão social como resolveu a questão militar na guerra civil, mas duvido que, desta vez, venha a ter sucesso. A morte de Savimbi domesticou a UNITA, mas quantos vão ter que morrer se os musseques se revoltarem, em Luanda?
domingo, abril 29, 2007
Real Politik
É uma folha A3, com timbre da Agência Lusa, escrita à mão por mim. Não tem data, mas é de Outubro de 1998 e refere-se ao atentado contra a vida de Abel Chivukuvuku, à época o líder parlamentar da UNITA.Chivukuvuku (foto pequena) morava no bairro de Alvalade, numa rua muito movimentada e tinha segurança policial no portão, como habitualmente têm todos os tipos importantes em Luanda. No entanto, os polícias que lhe guardavam o portão de casa, nesse dia de manhã, não estavam lá, inexplicavelmente.
Às 9 horas, quando o carro de Abel Chivukuvuku passou o portão, conduzido pelo motorista que ia levar os dois filhos do patrão à escola, de um outro veículo que circulava pela rua saíram três tiros disparados de uma pistola com silenciador. Ninguém viu a cara do atirador, ninguém reparou na matrícula do carro utilizado no atentado, nem sequer ouviram os disparos por causa do silenciador. Mas duas balas ficaram cravadas na porta do carro e a terceira ficou no capôt. Chivukuvuku não ia no carro e as crianças não foram atingidas.
Não sei se quiseram mesmo matar Chivukuvuku, mas sei que o assustaram bastante. O passo seguinte foi a sua substituição forçada na direcção da bancada parlamentar da UNITA.
Foi por esses dias que surgiu a chamada UNITA-Renovada, um grupo dissidente de Jonas Savimbi e liderado por Eugénio Manuvakola e Jorge Valentim.
Manuvakola foi imposto como novo dirigente parlamentar da UNITA, num golpe palaciano levado à cena pelo próprio presidente do Parlamento angolano. Com os votos do MPLA, o Parlamento declarou ilegal a direcção de Chivukuvuku, que se mantinha leal a Savimbi e passou a reconhecer a dita UNITA-Renovada.

No dia em que isso sucedeu, eu estava lá, no Parlamento e assisti a tudo.
Enquanto a guerra regressava ao país, os primeiros tiros em Luanda contra a UNITA foram disparados neste episódio que aqui vos conto.
Em 98, Luanda voltava a transformar-se numa ratoeira para os tipos da UNITA, como já tinha sido em 92.
Já me tinha referido a este episódio aqui no blogue, em circunstâncias diferentes, mas o reencontro com este papel obrigou-me a regressar a este episódio paradigmático da real politik à angolana.
sexta-feira, abril 27, 2007
Arte e manhas da política. No caso, angolana.

O papel está datado de 31 de Julho de 1998. Eu estava em Angola há cerca de 15 dias, na companhia do Carlos Santos, o camera-man da SIC que me acompanhou. O comunicado fala de um terrível massacre ocorrido numa aldeia da Lunda Norte, onde terão morrido 600 pessoas, segundo se dizia em Luanda. Na verdade, ninguém sabe quantos morreram.
O governo acusou a UNITA da autoria do massacre. A UNITA nunca o reconheceu. O ataque foi, de facto, um assalto para rapinar os diamantes que estavam naquela aldeia que, como tantas outras do Norte de Angola, mais não era que um acampamento de garimpeiros. Atacaram e mataram todos de modo a não deixar testemunhas.
O comunicado da MONUA acusa o Jornal de Angola, a Televisão Pública de Angola e a Rádio Nacional de Angola de difundirem falsas notícias sobre o sucedido, nomeadamente a afirmação de que a MONUA teria identificado os atacantes como sendo militares da UNITA.

Na verdade, o que se dizia à boca pequena, em Luanda, é que o ataque teria sido feito por soldados governamentais, homens tresmalhados, cansados de esperarem por um soldo que nunca chegava, fartos de passar fome e medo.
Alguns dias depois, eu e o Carlos Santos estávamos em Bula, levados pela tropa angolana. Vimos os corpos enterrados nas valas cavadas para o garimpo, vimos as palhotas destruídas e vimos muitas cápsulas de munição espalhadas pelo chão de areia. Não sei quem disparou aquelas balas todas. Sei apenas que eram cápsulas de munição de fabrico espanhol. E sei que Espanha vendia munições e outro equipamento militar ao exército governamental.
sexta-feira, março 23, 2007
À la africaine...
Nos países onde a pressão da comunidade internacional consegue a realização de um simulacro de democracia, com eleições gerais mais ou menos livres e justas, os “cavalos” angolanos vencem sempre. Muitas vezes, os derrotados acabam por aceitar integrarem-se no sistema, talvez convencidos de que os deixarão comer na alta manjedoura do poder. Mas não. Há sempre um acidente comprometedor para futuros tão promissores… foi o que aconteceu com John Garang, no Sudão, é o que pode vir a acontecer com Jean Pierre Bemba no Congo, ou com Morgan Tsvangirai no Zimbabwe, se não se põem a pau.
A política africana é fascinante!
quinta-feira, março 15, 2007
O tal direito à reciprocidade
Apesar de ser um breve testemunho, revela bem o estado de espírito que reina nas ruas de Luanda.O comentário ao post de há dois dias está assinado por Su. Não sei quem é, mas isso não o invalida.
Leiam e tirem as vossas conclusões: “…Não é apenas uma “coisa” de gasosa! Notei hoje, quando nos mandaram parar para pedir a carta de condução, a euforia com que os angolanos estão a viver esta "vingança", pelos comentários que se soltavam dos carros que passavam: "Aperta com o tuga!!!" Achei curioso o comentário feito pelo fiscal do Governo da Provincia de Luanda que nos mandou parar, segundo ele em comissão de serviço para a policia nacional e por isso com poderes para nos levar até à esquadra,..." Não sabe o que nos estão a fazer em Portugal? Não viu televisão?"
terça-feira, março 13, 2007
Angola e o direito à reciprocidade
Em 1998 a minha carta de condução portuguesa expirou a data indicada na validade. Embora em Portugal o documento continue a ser válido, porque a legislação mudou e as cartas só caducam depois do cidadão fazer 65 anos, o polícia angolano não quis saber disso. Se a data tinha expirado, estava caducada. Multou-me, claro.
No dia seguinte, depois de ter estabelecido o contacto necessário, à mesa do restaurante Mutamba, ao almoço, comprei uma carta angolana por 100 dólares americanos. Foi fácil, rápido e descomplicado. Ainda hoje tenho esse documento (na foto) que, de resto, tenho utilizado sempre que vou a Angola ou, até, noutros países africanos onde essa carta é reconhecida. O mesmo facilitador propôs-me, lembro-me bem, a compra de outra documentação útil, a mais interessante seria, talvez, a autorização de residência. Mas, como não precisava…
Ainda hoje, sei que com facilidade qualquer um pode comprar uma carta de condução, um certificado de habilitações, reconhecer uma assinatura falsa ou satisfazer qualquer outra necessidade do género que dependa, apenas, da “boa vontade” do funcionário da repartição pública. São os esquemas de sobrevivência em que os angolanos se especializaram, ao longo dos anos, de modo a complementarem o salário.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Cinco anos depois, pelo menos a guerra acabou.
Recordo que depois da derrota no Cuíto, em Dezembro de 1999, a UNITA tinha sido expulsa do Andulo e do Bailundo. Savimbi organizou uma coluna militar, que também incluía milhares de civis, e procurava alcançar a Zâmbia. Essa coluna foi dividida em três, para dificultar a sua localização. Segundo o relato de Alcides Sakala, ele não estava com Savimbi quando o seu grupo caiu na emboscada montada pelas forças armadas angolanas.
Como foi que os de Luanda souberam do paradeiro de Savimbi? Há muitas teorias sobre isso. Uns dizem que foi graças à tecnologia dos americanos, que detectaram o sinal do telefone-satélite utilizado por Savimbi. Outros dizem que o mais velho foi atraiçoado pelos que estavam com ele, tipos cansados de anos de fuga pelo mato, a passar fome e com poucas esperanças de salvação.
Pelo menos a guerra acabou.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Terra de cárceres
Angola está ainda longe de ser uma terra de liberdade.O que aconteceu com Sarah Wikes é a enésima repetição de actos arbitrários e de intimidação sobre jornalistas e activistas dos direitos humanos, perpetrados nos últimos 30 anos.
Em 1986 aconteceu o mesmo com uma equipa da RTP. Idos de São Tomé e Príncipe, todos os cinco elementos desse grupo foram detidos sem explicação, logo à chegada ao aeroporto, privados de passaportes e interrogados pela polícia. Queriam saber o que estávamos ali a fazer. Bom, o que faz um jornalista? Aquela rapaziada não sabia… Ficámos em prisão domiciliária e só ao fim de 11 dias pudemos sair de Luanda, mas sempre acompanhados por um rapaz da segurança do estado.
Mas o que é mais sintomático, é o facto destes dirigentes não se preocuparem com a imagem que o mundo tem deles.
Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média
