Hakuna mkate kwa freaks.
quarta-feira, junho 30, 2010
sábado, outubro 24, 2009
Pesos na consciência

Além do mais trata-se de uma crueldade sem nome e isso diz tudo sobre os mandões que decidem incluir um doente com cancro no rol do despedimento colectivo. Essa gente não sabe esperar…
Esta história trouxe-me à memória uma outra, algo similar… passada na redacção da SIC a meio da década de 90, com o jornalista Celestino Amaral. Durante anos a fio, o Celestino foi um daqueles assalariados sem regalias. Passava recibos verdes regularmente, como se fosse um trabalhador eventual, mas cumpria horário como qualquer outro do Expresso. Um dia foi parar à SIC e pouco tempo depois adoeceu. Só a pedido do Emídio Rangel o Celestino foi integrado nos quadros da SIC, mas a doença galopante mal lhe deu tempo para gozar as regalias inerentes, excepto a da baixa médica. Essa, o Celestino gozou ainda durante uns meses.
terça-feira, setembro 22, 2009
Os assessores e o miserabilismo
Foi a primeira vez, em quase 30 anos de actividade profissional, que fui acompanhar uma visita ministerial. Mas foi também a primeira vez que trabalhei sabendo que as despesas dessa deslocação estavam por conta do Governo e não da SIC... O Governo pagava para ter jornalistas a cobrir determinados eventos. Sei que o "contrato" daquela deslocação foi negociado entre a editora da secção onde trabalhava (na época, a secção de Política Internacional da SIC-Notícias) e o assessor do senhor Ministro, o "nosso" Fernando Lima... Não sei se estas combinações ainda continuam, mas naquela época tornou-se da praxe. E, obviamente, não era só a SIC que alinhava nisto. A maioria das empresas de Comunicação Social preferia poupar uns tostões, mesmo sob pena de sacrificar a sua independência face ao poder político.
Para muitos jornalistas, esta relação de subordinação económica das suas empresas em relação ao Governo acaba por constituir um entrave ao bom exercício profissional. A muitos falta-lhes a coragem para confrontarem ministros com situações mais delicados, sabendo que as viagenzinhas podem ficar comprometidas... porque quem paga escolhe quem vai, disso tenho poucas dúvidas. Esta promiscuidade é mortal para a independência do jornalismo.
sábado, setembro 12, 2009
Águas paradas

A questão que se coloca é saber se isso é bom ou mau… assim à primeira vista parece-me mau, primeiro porque se a Ongoing tem 25% da SIC e tomar o controlo da TVI passa a ter uma posição dominante no mercado do audiovisual que, de resto, julgo até ser contrária à Lei. Depois, porque se a Ongoing tiver de comprar a TVI, Moniz voltará ao controlo do canal e nada disto terá servido para mexer as águas.
O que eu gostava de voltar a ver era Moniz e Rangel, frente-a-frente, num último duelo ao pôr-do-sol. Mas, isso, só seria possível com Moniz na SIC e Rangel na TVI.
segunda-feira, julho 06, 2009
Break a leg (salvo seja...)

Cristiano Ronaldo é um belíssimo jogador de futebol. Ponto. Não é um cientista de renome, não ganhou nenhum Prémio Nobel, não se distinguiu em nada excepto a jogar à bola. Mesmo dando de barato que o futebol é um desporto do agrado da maioria das pessoas, nada justifica que todas as televisões do país tenham enveredado por dar cobertura a uma mera operação de marketing de um clube espanhol que, por manifesta falta de vergonha, decidiu pagar um balúrdio pela transferência de um jogador de futebol. No que toca à RTP, não vi nenhum serviço público na indigestão de directos realizados ao longo do dia, desde o aeródromo de Tires até ao hotel de luxo onde o rapaz foi tomar um duche antes de se apresentar à massa associativa madrilena. Quanto à SIC e à TVI, não surpreende a orientação tablóide do critério…
Resumindo, gostaria de saber quanto pagou o Real Madrid pela parceria das televisões portuguesas na operação de propaganda que montou.
sábado, junho 13, 2009
Lado-a-Lado



Este Jornal das 9 feito em Carnaxide é um espaço banal de informação. É claro que o savoir faire do Mário Crespo disfarça um pouco a debilidade da redacção, mas não suprime a falta de criatividade, a agenda sem surpresas, que caracterizam hoje a produção da informação do grupo Sic. Além disso, o Jornal tem desequilíbrios difíceis de aceitar. Por exemplo, às sextas-feiras o espaço de debate chamado de Frente-a-Frente é abrilhantado pelas participações de um militante do CDS e outro do PC. A ideia é ter um tipo de esquerda a defrontar outro da direita, mas quando estão os dois na oposição a coisa não funciona. E ontem foi muito curioso assistir ao “debate”. Quando o CDS dizia mata, o PC respondia esfola. Fartaram-se de bater no ceguinho (ou seja, no governo) e a mediação do Mário resumia-se a um sorriso beato. Aquilo não é um frente-a-frente. Devia-se intitular antes lado-a-lado.
quinta-feira, abril 30, 2009
One sic TV

segunda-feira, março 09, 2009
Ab ira

O caso de Luís Leante, que é também um escritor de renome em Espanha, está a provocar uma onda de indignação. Alunos e colegas de profissão mobilizaram-se para o apoiar nesta hora difícil.
O professor reconhece que a ira tomou conta de si, reconhece que ao fazer o que fez perdeu a razão. Mas isso não faz dele um delinquente.
O furor de Leante fez-me recordar uma fúria idêntica que levou Emídio Rangel a cometer um acto semelhante, quando os securitários da SIC fizeram instalar câmeras de vigilância no interior da redacção. Perante o incómodo dos jornalistas, Rangel subiu ao escadote e arrancou as câmeras com as próprias mãos.
Em Alicante, as autoridades escolares esperam pela decisão judicial, para decidirem o futuro profissional de Luís Leante. Em Carnaxide, os administradores do antigo armazém de bananas começaram, logo ali, a congeminar um futuro negro para o Rangel. Foi uma questão de tempo.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Violência de hoje e de ontem (nas escolas)

Lembro-me de entrar na aula de Matemática a abrir a porta da sala a pontapé. Era um dia de chuva copiosa e pingava água por todo o lado. Avancei agachado, com o chapéu-de-chuva fechado a imitar uma kalashnikov… espetei a ponta do chapéu na barriga do professor, como se fosse uma baioneta… o homem não teve coragem de abrir a boca, virou-se para o quadro e continuou a dar a aula, enquanto a sala rebentava em delírio demente… se me perguntarem porque diabo fiz eu aquilo, não tenho resposta.
Lembro-me de uma professora de Desenho (disciplina que eu não tive) ser molestada fisicamente por um grupo de alunos de direita, chateados porque achavam que as aulas dela eram comícios políticos de esquerda…
Lembro-me de um dia em que o director do liceu foi sovado e expulso a pontapé das instalações do Pedro Nunes, por um grupo afecto ao MRPP… e no dia seguinte a escola ser invadida por chaimites. Os militares fecharam o liceu, não deixaram ninguém sair até que o director, todo entrapado, veio reconhecer os agressores que foram detidos e enviados durante uns dias para Pinheiro da Cruz, onde eram acordados às cinco da manhã com um banho gelado de mangueira.
Outros tempos. Bastante mais violentos. Não eram estas historietas que hoje ocupam os tempos de antena das televisões, em reportagens indigentes que não têm nada para contar.
domingo, maio 27, 2007
A propósito de sarjeta
A crónica do Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana, fala da mixórdia informativa a que as televisões se têm dedicado, desde que desapareceu a menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.Lê-se na crónica que a SIC é a campeã da mixórdia, com 212 notícias e 14 horas de cobertura, em vinte dias em que raras vezes houve uma verdadeira notícia para dar. A maior parte das vezes, os repórteres da SIC limitaram-se a dizer que nada se tinha passado, além de um passeio da mãe da criança pela praia com um peluche na mão ou de mais uma vigília na igreja lá do sítio.
Diz o MST que “uma não-notícia não é notícia em lado algum do mundo” e que o director de informação da SIC “sabe-o bem”. Ora, aqui é que o Miguel se engana…porque, na verdade, o homem já não sabe nada. Esqueceu o que lhe ensinaram, do mesmo modo como trocou amizades antigas pelos favores do patrão, mas isso é outra história.
Um dia, nos finais da década de 80, um repórter da RTP andava a cobrir a campanha eleitoral do MRPP. Foi até ao Porto, onde se realizava um dos comícios escolhidos para integrar essa cobertura noticiosa. Quando chegou ao Monte da Virgem, para montar a reportagem, sentou-se em frente à máquina de escrever e… nada lhe saiu. Não havia uma ideia naquela cabecinha para estruturar a reportagem. Era como se não tivesse acontecido nada. Um outro repórter, que também tinha ido de Lisboa mas para acompanhar a campanha do PC, viu o camarada enrascado e disponibilizou-se para o ajudar. Sentou-se ele em frente à máquina de escrever e disse ao outro para lhe resumir as imagens que tinha e lhe contar algo que lhe tivesse chamado mais a atenção. À medida que o enrascadinho ia balbuciando os acontecimentos, o outro ia escrevendo.
No final do dia, aquela reportagem do comício do MRPP foi a melhor do enrascadinho em toda a campanha.
Assim se fez uma carreira brilhante, não foi Sr. director de informação?
sexta-feira, maio 25, 2007
Luanda, fait divers

Não sei porque carga de água, sempre que fui a Luanda em serviço de reportagem fiquei nesse hotel. A estadia mais longa foi a de 1998. Ao fim de um mês, decidimos (eu e o Carlos Santos) sair dali. Procurámos um apartamento mobilado onde pudéssemos ter um simulacro de lar. Encontrámos um apartamento na Mutamba, que a dona Palmira nos alugou pela módica quantia de 2 mil dólares por mês (400 contos na moeda da época), ainda assim metade do que gastávamos no hotel. Na porta do apartamento colocámos um autocolante da SIC e passámos a designar a habitação como “delegação”. Foi a primeira “delegação” da SIC em Luanda. Porventura, a última.
É dessa “deslocalização” do hotel para o apartamento que o papel que publico me faz lembrar, por causa do “Sra.Palmira” escrito no centro da folha. O resto são números indecifráveis. Enigmáticos números de telefone, estranhas contas de multiplicar e de diminuir e uma referência, em baixo à direita, a uma tal Zany que, infelizmente, não guardei na memória…
terça-feira, maio 22, 2007
Brothers in arms
Não tem data, mas é de 1998, dos meses de Julho a Novembro. O que tem de curioso, esta folha, é a verificação dos nomes de guerra dos generais e outros oficiais de alta patente angolanos. O brigadeiro Jota era o oficial de ligação do CEMGFA com a imprensa. O homem era competente à sua maneira, ou seja, privilegiava os órgãos de comunicação social públicos angolanos em detrimento dos jornalistas estrangeiros que considerava, sempre, tipos suspeitos de simpatia com a UNITA, vá-se lá saber porquê.No rol de nomes e contactos desta pequena folha aparecem, ainda, o brigadeiro Faísca, o brigadeiro Cowboy e o general McKenzie (pessoas de quem não guardo na memória qualquer referência). Já o mesmo não posso dizer do general Faceira, na altura vice-chefe do EMGFA. Graças a ele, conseguimos ultrapassar muitas dificuldades que outros colocaram à realização das nossas reportagens. Foi ele quem nos apresentou ao general João de Matos (o CEMGFA) e que o convenceu a que nos deixasse acompanhá-lo nas visitas que fazia às frentes de combate. Corremos Angola de lés a lés com eles, entrámos até pelo Congo dentro, ocupando dois lugares vagos no pequeno avião Piper que era utilizado pelo Chefe do Estado Maior. Tudo correu bem, até que a desconfiança se instalou de novo, devido à hipersensibilidade dos angolanos em relação ao trabalho dos jornalistas estrangeiros. Assim que recebeu um relatório enviado de Lisboa sobre o que dizíamos nas reportagens que fazíamos em Angola, o general afastou-nos e tudo se tornou mais difícil a partir daí.. Ainda assim, o nosso “estado de graça” durou largas semanas. Um “estado de graça” só possível devido ao estranho sentido de solidariedade existente nas castas militares. Eu explico: o general Faceira era Comando. Tinha sido Comando da tropa portuguesa, no tempo colonial e, depois da independência, juntou-se ao MPLA e formou o corpo de Comandos do exército angolano. Ora aconteceu que o Carlos Santos, o camera-man que estava comigo, também foi Comando e estabeleceu essa ponte com o general angolano. Era evidente a relação que ambos estabeleceram desde o primeiro minuto em que se reconheceram mutuamente como companheiros dessa “espécie militar”. Para mim, aquilo era uma coisa estranha, mas real, e aproveitei-a o melhor que foi possível.
segunda-feira, maio 07, 2007
Mar insonso
Fui ver o grande lago do Alentejo, aquela imensidão de água doce que transformou aldeias do interior alentejano em localidades ribeirinhas, onde pontuam novas tabuletas pintadas de azul com indicações que seriam bizarras há uns anos como, por exemplo, “ancoradouro” ou “cais”.Mudou tudo. Do alto de Monsaraz, para os lados de Espanha, onde dantes só se viam olivais e montados, rebanhos de vacas e de ovelhas, agora há água e ilhas.
Em 2002 fiz uma descida do Guadiana, de canoa, para a realização de um documentário sobre o que o Alqueva iria submergir. O Castelo da Lousa, a aldeia da Luz, o Convento do Alcance, uma fábrica de pasta de papel, o olival da Pega, os moinhos de água, os menires, antas e dólmenes, e uma imensidão de sítios arqueológicos nunca estudados. Daqui a 100 anos, talvez, quando a barragem já não existir, tudo aquilo voltará à luz do dia, só não sei em que condições de preservação. Intitulei esse documentário “Por esse rio abaixo”. Foi um trabalho que gostei de fazer, que passou uma única vez na SIC Notícias, no consulado do Nuno Santos enquanto director daquilo.
domingo, abril 29, 2007
Real Politik
É uma folha A3, com timbre da Agência Lusa, escrita à mão por mim. Não tem data, mas é de Outubro de 1998 e refere-se ao atentado contra a vida de Abel Chivukuvuku, à época o líder parlamentar da UNITA.Chivukuvuku (foto pequena) morava no bairro de Alvalade, numa rua muito movimentada e tinha segurança policial no portão, como habitualmente têm todos os tipos importantes em Luanda. No entanto, os polícias que lhe guardavam o portão de casa, nesse dia de manhã, não estavam lá, inexplicavelmente.
Às 9 horas, quando o carro de Abel Chivukuvuku passou o portão, conduzido pelo motorista que ia levar os dois filhos do patrão à escola, de um outro veículo que circulava pela rua saíram três tiros disparados de uma pistola com silenciador. Ninguém viu a cara do atirador, ninguém reparou na matrícula do carro utilizado no atentado, nem sequer ouviram os disparos por causa do silenciador. Mas duas balas ficaram cravadas na porta do carro e a terceira ficou no capôt. Chivukuvuku não ia no carro e as crianças não foram atingidas.
Não sei se quiseram mesmo matar Chivukuvuku, mas sei que o assustaram bastante. O passo seguinte foi a sua substituição forçada na direcção da bancada parlamentar da UNITA.
Foi por esses dias que surgiu a chamada UNITA-Renovada, um grupo dissidente de Jonas Savimbi e liderado por Eugénio Manuvakola e Jorge Valentim.
Manuvakola foi imposto como novo dirigente parlamentar da UNITA, num golpe palaciano levado à cena pelo próprio presidente do Parlamento angolano. Com os votos do MPLA, o Parlamento declarou ilegal a direcção de Chivukuvuku, que se mantinha leal a Savimbi e passou a reconhecer a dita UNITA-Renovada.

No dia em que isso sucedeu, eu estava lá, no Parlamento e assisti a tudo.
Enquanto a guerra regressava ao país, os primeiros tiros em Luanda contra a UNITA foram disparados neste episódio que aqui vos conto.
Em 98, Luanda voltava a transformar-se numa ratoeira para os tipos da UNITA, como já tinha sido em 92.
Já me tinha referido a este episódio aqui no blogue, em circunstâncias diferentes, mas o reencontro com este papel obrigou-me a regressar a este episódio paradigmático da real politik à angolana.
sexta-feira, abril 27, 2007
Arte e manhas da política. No caso, angolana.

O papel está datado de 31 de Julho de 1998. Eu estava em Angola há cerca de 15 dias, na companhia do Carlos Santos, o camera-man da SIC que me acompanhou. O comunicado fala de um terrível massacre ocorrido numa aldeia da Lunda Norte, onde terão morrido 600 pessoas, segundo se dizia em Luanda. Na verdade, ninguém sabe quantos morreram.
O governo acusou a UNITA da autoria do massacre. A UNITA nunca o reconheceu. O ataque foi, de facto, um assalto para rapinar os diamantes que estavam naquela aldeia que, como tantas outras do Norte de Angola, mais não era que um acampamento de garimpeiros. Atacaram e mataram todos de modo a não deixar testemunhas.
O comunicado da MONUA acusa o Jornal de Angola, a Televisão Pública de Angola e a Rádio Nacional de Angola de difundirem falsas notícias sobre o sucedido, nomeadamente a afirmação de que a MONUA teria identificado os atacantes como sendo militares da UNITA.

Na verdade, o que se dizia à boca pequena, em Luanda, é que o ataque teria sido feito por soldados governamentais, homens tresmalhados, cansados de esperarem por um soldo que nunca chegava, fartos de passar fome e medo.
Alguns dias depois, eu e o Carlos Santos estávamos em Bula, levados pela tropa angolana. Vimos os corpos enterrados nas valas cavadas para o garimpo, vimos as palhotas destruídas e vimos muitas cápsulas de munição espalhadas pelo chão de areia. Não sei quem disparou aquelas balas todas. Sei apenas que eram cápsulas de munição de fabrico espanhol. E sei que Espanha vendia munições e outro equipamento militar ao exército governamental.
terça-feira, abril 10, 2007
Lapsos a mais

terça-feira, março 20, 2007
A televisão que temos (2)
Balsemão foi à pantalha pública confessar o seu medo pela existência da Entidade Reguladora da Comunicação. O homem tem medo de ser examinado, avaliado. Porque a ERC (com a nova Lei da Televisão que aí vem) passará a ter o dever de avaliar periodicamente o desempenho dos operadores de televisão. No limite, a ERC poderá não renovar as licenças aos prevaricadores. E Balsemão revelou medo. Ele lá sabe.
Balsemão e Morais Sarmento
Morais Sarmento, também lá esteve. O ex-ministro de Durão Barroso que tutelou a Comunicação Social, teve um discurso hábil e muito político. Chegou mesmo a lamentar que, hoje, Marques Mendes não reconheça o bom trabalho que foi feito no serviço público de televisão.
Santos Silva, o actual ministro que tutela a Comunicação Social defendeu bem a sua dama e lembrou ao Dr.Balsemão que os operadores privados usam um bem público, que para isso são licenciados pelo Estado e por isso têm de cumprir com um caderno de encargos. E que não há renovações automáticas de licenças de televisão. Embora, de facto, a questão da renovação só se coloque daqui a 15 anos. Nem percebo porque razão o Dr.Balsemão se preocupa tanto com isso.

Fátima Campos Ferreira
Almerindo Marques jogava em casa. Desajeitado a falar, consumiu-se em auto-elogios. Foi ele o salvador da RTP, confessou Almerindo ao mundo. Mas disse uma coisa interessante: a RTP custa, a cada cidadão, por ano, 26 Euros e trinta cêntimos apenas. Sendo assim, até sai baratinha, esta televisão.
segunda-feira, março 19, 2007
A televisão que temos
Um estudo do Centro de Investigação Média e Democracia, divulgado hoje no âmbito da conferência internacional "Informação e Programação Televisiva de Serviço Público em Contexto Competitivo", que está a decorrer na Gulbenkian, diz que os telejornais dos quatro canais generalistas dão muitas notícias sobre futebol e poucas sobre política internacional. Julgo que esta “moda” de fazer noticiários começou na SIC, com o Emídio Rangel, logo em 92. Foi quando a SIC precisou de deitar mão a todos os truques possíveis e imaginários para ir angariando audiências. Foi aí que a tabloidização da pantalha teve início e o resto do mundo desapareceu dos noticiários. Como a táctica resultou, os outros canais não tardaram a imitar os procedimentos da SIC.Hoje, exceptuando o telejornal da RTP 2, pouco noticiário internacional se vê nas televisões. Normalmente, limitam-se a dar uma notícia ou duas e fecham a loja. Além dos massacres diários de Bagdad, só temos direito a alguma notícia sobre desastres de comboios ou de aviões, desde que morram muitos.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Porno SIC


Outro sinal revelador das coisas é o facto de nenhum dos jornalistas do canal ter querido dar a cara nesta denúncia. Prestam declarações sob anonimato, com medo evidente das represálias. Não são homens e mulheres livres, o que para quem exerce o jornalismo como profissão é triste, muito triste.
sábado, fevereiro 03, 2007
Vende-se reptilário
Quero ver o que dirá Marques Mendes, se o Dr.Balsemão vender a Impresa à RTL.A hipótese anda a ser falada insistentemente em alguns jornais, nomeadamente nos económicos. Parece que seria um grande negócio para o patrão da SIC… e sempre se livrava de uma dor de cabeça para a qual já não tem idade.
Acontece que a RTL é uma empresa alemã e, se bem me lembro, quando os espanhóis da PRISA vieram comprar a Média Capital (TVI), o dirigente do PSD acusou o governo de estar a beneficiar os espanhóis a troco de não-sei-o-quê.
O caso foi até levado à Comissão Parlamentar dos Direitos, Liberdades e Garantias, onde o Ministro dos Assuntos Parlamentares foi dizer o óbvio, ou seja, que o governo não tem nada que ver com mudanças dos accionistas de empresas privadas, nem tem que autorizar ou impedir a venda de empresas portuguesas a grupos económicos estrangeiros. Às vezes é pena, mas a verdade é que o governo não tem competência para tanto.
Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média