Hakuna mkate kwa freaks.
domingo, abril 11, 2010
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Sei que há léguas a nos separar...Tanto mar, tanto mar...

A um metro e meio de mim, um casal espera para ser atendido. Uma funcionária aproximou-se e a senhora perguntou se tinham fichas de inscrição para candidatos a um posto de trabalho ali no supermercado. A funcionária diz que sim e entrega-lhe uma folha. Informa que terá de juntar fotocópias do BI e do cartão de contribuinte. A senhora abana com a cabeça e volta a colocar uma questão:
- Sabe se vocês pegam brasileiros?
A funcionária ficou a pensar e respondeu que, “por acaso”, não tinham nenhum brasileiro a trabalhar ali naquele supermercado. Mas que isso não queria dizer que não contratassem. No fundo, ela não sabia.
A senhora brasileira sorriu, agradeceu e foi embora. A ficha de inscrição ficou em cima do balcão.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Telenovelas brasileiras desencantam

quinta-feira, maio 10, 2007
Ronaldo não quer ser reajustado
Não conheço o senhor Ronaldo Caiado, apenas sei que é deputado no parlamento brasileiro e que foi o único, entre todos, que votou contra o aumento de 28,05% dos salários dos políticos.O termo usado no Brasil para um aumento destes é “reajuste salarial” e eu gostava de saber se os senhores deputados também decidiram reajustar os salários dos restantes trabalhadores do país na mesma ordem de grandeza.
Segundo o que li na edição on-line do jornal Folha de São Paulo, os parlamentares aproveitaram a presença do Papa, que desviou todas as atenções dos media e do povo, para calmamente aprovarem o reajuste.
Engraçado era se o tiro lhes saísse pela culatra, ou seja, que o Papa chamasse a atenção para tamanho atrevimento num país com dezenas de milhões de cidadãos a viver abaixo do limiar da pobreza. Mas desconfio que o Papa está mais preocupado com outros problemas, como o aborto ou a canonização do primeiro santo brasileiro. Dizendo de outro modo, com a política do Vaticano.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Cidade de Deus


segunda-feira, outubro 30, 2006
O penhor
Na hora da vitória, no entanto, Lula falou coisas reveladoras… “"Vamos fazer um segundo mandato muito melhor” , um promessa a tentar fazer esquecer as inúmeras suspeitas de corrupção e favoritismo que rodearam o seu 1ºmandato.

Conheci Lula em 1989, quando ele se batia com Collor de Melo, nas primeiras eleições livres do Brasil. Fui a São Paulo, entrevistá-lo (para a RTP) numa sede do PT. Lembro-me bem das bandeiras com as estrelas vermelhas, das esfinges do Lenin e de Prestes nas paredes, da voz rouca e gramaticalmente desobediente, do dedo decepado (na mão esquerda) pelo torno mecânico. Lembro-me de ter pensado que aquele tipo nunca seria eleito presidente da república. Faltava-lhe o dinheiro e os compromissos com quem o tem. Enganei-me redondamente. A reeleição de Lula prova que a vida dá muitas voltas, realmente. Ele aprendeu a assumir compromissos com os donos do dinheiro, passou a pentear o cabelo e a vestir paletó (casaco, em brasileiro) e melhorou bastante na gramática. Os donos do dinheiro permitem-lhe a pose, mas não lhe devolveram o dedo decepado na jornada fabril.
quarta-feira, maio 17, 2006
O Brasil em guerra

manchete do Diário de Notícias, ontem
Mas o que mais assusta, penso eu, é o desafio das organizações criminosas que não hesitam em iniciar uma guerra contra o estado. O que também assusta muito é a percepção de que há franjas da sociedade que estão dispostas a tudo, como se nada tivessem a perder. Atacam, só pensam em matar, dedicam-se à vingança, como se também quisessem morrer vendendo caro a sua morte. É uma espécie de suicídio, a não ser que os tipos que se meteram nisto pensem que têm alguma hipótese de derrotarem o Estado. Mas, depois disto, ninguém espere que a polícia brasileira tenha respeito pelos direitos dos que lhes caírem nas mãos. 
favela Rosinha, Rio de Janeiro
O crime no Brasil há muito que é um fenómeno bastante visível. Nos anos 80, na minha primeira viagem ao Rio de Janeiro, lembro-me de ter lido nos jornais cariocas que, só no Rio, a média diária de vítimas mortais do crime era superior à média de mortes da guerra do Vietname. E, algumas noites, da janela do quarto do hotel em Copacabana, que em vez de dar para o mar dava para uns morros, lembro-me de ver o risco característico das balas tracejantes, em batalhas de um morro contra outro pelo controlo das bocas de fumo e de zonas de prostituição.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
O Caçador de Marajás
Depois de longas negociações com os assessores de imprensa, depois de semanas de falsas promessas e teimosas insistências, lá conseguimos ½ hora do precioso tempo do senhor candidato. Collor de Melo “não tinha saco” para dar uma entrevista à televisão portuguesa. Portugal não entrava nos calculismos políticos do futuro presidente brasileiro…
A entrevista não teve grande história. O candidato era mestre no discurso demagógico e populista. Mas chamou de “filhos da puta” aos senadores americanos que tinham tido a ideia de propor para a Amazónia o estatuto de “património mundial”, de modo a retirar o território da soberania brasileira e entregá-lo à administração das Nações Unidas. “Ganhei o dia” com o palavrão e fiquei com a certeza de que estava a falar com o candidato que iria vencer as eleições. Bonitão, macho, valentão e rico, não lhe faltava nada para agradar ao público, principalmente às mulheres.

Ao darem a vitória a Collor de Melo, nas primeiras eleições livres depois de 25 anos de regime militar, os brasileiros perderam uma oportunidade de melhorar o país. Collor revelou-se um corrupto e acabou por ter o mandato anulado por decisão do Congresso. Logo ele, que ganhou fama como “caçador de marajás” enquanto foi governador de Alagoas. “Marajá” é a alcunha que o povo brasileiro dá aos que enriquecem ilegalmente.
Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média