Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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quinta-feira, janeiro 06, 2011

Quantas vezes nasceu Cavaco?

domingo, maio 09, 2010

AH ! AH ! AH !

Telefonaram-me hoje, ao princípio da tarde, com a notícia da morte de um antigo companheiro de trabalho. José Ladeiras morreu, segundo o telefonema suicidou-se.
O Ladeiras era um tipo desconcertante. Tinha a irreverência própria dos inimputáveis. Enquanto estive na RTP, sempre achei que ele mantinha o posto de trabalho por via de alguém que lhe guardava as costas devidamente. Fosse como fosse, era um acto de caridade que ficava bem à empresa. Tem mais valor dar acolhimento a um maluco do que albergar outros inúteis do mesmo calibre só porque pertencem ao partido da moda ou se deitam com o director do momento.
Mas a mesma RTP que o abrigou durante tanto tempo não soube protegê-lo da avidez de sensacionalismo e audiência que fizeram os Gato Fedorento cometer uma crueldade sem limites. O vídeo está aí, para vergonha dos autores… rebaixaram-se a gozar com um ingénuo e generoso personagem. Na busca do gozo, foram mais alarves que uma anedota grosseira. Dizem-me que, depois da triste cena nos Gato Fedorento, o José Ladeiras nunca mais foi o mesmo. Que entrou numa depressão profunda. Acabou por se matar. Que gargalhada!

domingo, março 21, 2010

Quem nos defende da polícia?



Há um silêncio que me incomoda e não posso ser cúmplice de tamanha cobardia. Há dias, um polícia matou um cidadão que não obedeceu à ordem de parar o carro. Poucos se arrepiaram com isto, e até me parece que muitos estarão com pena do coitado do polícia que alega nunca ter tido treino de tiro e, até, de não saber utilizar a arma. Eu diria que… não parece. Um único tiro contra um carro em fuga e foi o suficiente para matar o condutor. Revela belíssima pontaria e extrema destreza no manuseamento do instrumento. Azar? Azar teve o que morreu…
Claro que a corporação policial cerrou fileiras em torno do seu polícia, ajudando a fazer passar a ideia de que será ele a verdadeira vítima deste infeliz incidente e que o outro se não parou é porque tinha algum peso na consciência.
Pois, dou de barato as razões que levaram a vítima mortal a não obedecer à operação stop. Por si só, isso não justifica que um polícia dispare contra alguém. É que quando se dispara uma arma, corre-se o risco de matar. Já no tempo da “outra senhora” a GNR disparava para o ar e havia sempre um alentejano que morria. Era no tempo dos famigerados “alentejanos voadores”.
Não quero que esses tempos voltem.


quarta-feira, março 10, 2010

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Sei que há léguas a nos separar...Tanto mar, tanto mar...


Encostado ao balcão de atendimento ao cliente, no Continente de Loures/Odivelas.
A um metro e meio de mim, um casal espera para ser atendido. Uma funcionária aproximou-se e a senhora perguntou se tinham fichas de inscrição para candidatos a um posto de trabalho ali no supermercado. A funcionária diz que sim e entrega-lhe uma folha. Informa que terá de juntar fotocópias do BI e do cartão de contribuinte. A senhora abana com a cabeça e volta a colocar uma questão:
- Sabe se vocês pegam brasileiros?
A funcionária ficou a pensar e respondeu que, “por acaso”, não tinham nenhum brasileiro a trabalhar ali naquele supermercado. Mas que isso não queria dizer que não contratassem. No fundo, ela não sabia.
A senhora brasileira sorriu, agradeceu e foi embora. A ficha de inscrição ficou em cima do balcão.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Calhandreiros

O Mário Crespo tem o direito de escrever o que lhe vai pela alma e o primeiro-ministro o direito de pensar que o Mário é um “débil mental”. Isto não significa que aquilo que o Mário escreveu seja verdade nem que o primeiro-ministro tenha o direito de considerar o jornalista como “um problema a solucionar”.
O problema é que esta história é, de facto, uma “calhandrice” e descortinar a verdade é das tais tarefas difíceis de concretizar, até porque cada qual tem a sua… O Mário considera a fonte credível e publicou. Mas pode estar a beber de uma fonte “inquinada”, isso não podemos avaliar porque o Mário não a revelou. Só o facto da crónica ter sido publicada num site do PSD indicia o aproveitamento político da questão.
Para mim, trata-se de um fait divers pouco dignificante. Para todos os intervenientes.
Ainda assim, acho que devemos escutar o piar do pássaro. Não para o repetir, mas para aprender.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

A banalização do mal


Para quem aqui vem, não é novidade. Já escrevi, mais do que uma vez, sobre a inqualificável atitude da Media Capital Rádio ao despedir um trabalhador de baixa, doente com um cancro. O que fizeram ao Pedro Múrias é de uma crueldade absoluta. Evidencia a completa e total desprotecção que os trabalhadores sofrem às mãos de empregadores sem alma nem coração.
Despedido, doente, mas ainda combativo, o Pedro Múrias publicou no seu blog uma pequena entrevista com o advogado Garcia Pereira, especialista em Direito do Trabalho.
Diz Garcia Pereira que ...“vivemos outros tempos. Os Tribunais agora até já entendem que nem uma crise cardíaca gravíssima nem sequer a morte do Advogado constituído por um determinado cidadão faz suspender a instância do respectivo processo, já praticamente tudo é possível. Ou seja, temos julgadores ao mesmo nível dos empregadores que actuam como o seu!Agora, e como é óbvio, seja qual for a solução jurídico-formal que se perfilhe, promover o despedimento de alguém que se encontra doente, e sobretudo gravemente doente, constitui um acto inqualificável que em qualquer sociedade minimamente civilizada deveria suscitar a crítica e o repúdio unânimes.”
É o que diz Garcia Pereira, é o que eu penso, também. E lamento não ver nada disto reproduzido nos canais jornalísticos de referência, televisões, rádios ou jornais.

domingo, novembro 29, 2009

inquietante


Tem duas licenciaturas. Uma em cinema, tirada aos 20 e poucos anos por paixão, certamente. Outra em economia, tirada 10 anos depois quando já tinha uma filha e necessidade de um emprego mais certinho e bem pago.
Bom… as voltas da vida levaram-na a emigrar. Hoje, vive nos arredores de Lisboa, serve bicas e embrulha pastéis de nata numa das pastelarias aqui do bairro. Ela conta-me isto e encolhe os ombros de desalento e conformação.
Portugal deve ser um país fantástico, para ter empregadas de mesa licenciadas pelas melhores universidades de Kiev.

quinta-feira, novembro 12, 2009

justiças privadas


Diz-se que a Justiça é um dos pilares da Democracia. Bom, julgo que se pode dizer o mesmo de qualquer regime, porque a Justiça não é, infelizmente, um conceito universal. Molda-se à sociedade a que se dirige. Ou seja, cada um tem a Justiça que merece…
Nós, por exemplo, temos uma Justiça estranha nas atitudes. Uma Justiça que investiga à margem da Lei, que pretende primeiro afirmar-se na opinião pública e só depois nos tribunais, que serve desígnios políticos numa relação umbilical que vem desde os famigerados tribunais plenários do salazarismo. Pouco me importa se o juiz X vota no partido Y ou se o procurador N milita à esquerda ou à direita. Já me chateia que esses senhores utilizem a ferramenta que o estado lhes pôs nas mãos para fins alheios à Justiça.
Não me apetece viver num Estado judicial, à mercê de uns tipos que ninguém elegeu e que não me parecem ser, em algumas situações, nem competentes nem sérios para o desempenho pelo qual recebem bons salários e fartas regalias. E a questão não se prende com eventuais cabalas urdidas em torno de Sócrates… O problema tem mesmo a ver comigo, com os meus filhos, com os meus pares, com os que convivem mal com justiças privadas, corporativas ou ideológicas.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Quando os amigos começam a rarear

Armando Vara é um amigo. Devo-lhe vários favores. Nunca quis nada em troca. Aliás, ainda recentemente me pediu desculpa por ter demorado a dar atenção a uma situação que me afectava e que ele considerava poder ajudar a resolver. Lamento tudo o que se está a passar com ele, até porque acredito que é inocente.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Mas que gente horrível...

Hoje, através do Facebook, tomei conhecimento de uma situação inqualificável. Já não bastava que a Media Capital Rádios esteja a despedir pessoal, por razões de mera racionalização de meios. Ou seja, aos investidores não interessa manter o nível da despesa, não é que eles estejam a passar fome ou com problemas financeiros… não. Apenas lhes interessa manter o nível dos proventos e, portanto, quando se torna difícil ganhar mercado, a solução é despedir. Os despedidos que se amanhem. Mas a questão é que a Media Capital não se inibe de despedir mesmo aqueles que mais precisam de ter meios para combater uma doença… e isso já não é só insensibilidade social, é crueldade pura.
No Facebook, na página de Pedro Murias, estava esta mensagem deixada pelo próprio: “Hoje fui notificado pela Media Capital Rádios que estou numa lista para um despedimento colectivo. Adivinho que não sou caso único. Acredito que por esse país fora se aponta a porta da rua a quem está nestas lutas pela vida!”
Pedro Murias tem um cancro.

terça-feira, setembro 29, 2009

O cepo político


Suicídios de trabalhadores


Em 18 meses, 24 suicídios. Dá cerca de 1,33 mortes por mês. Uma boa média, para a France Télécom… a PT francesa.
Os funcionários da France Télécom andam a matar-se, o que é algo que dificilmente alguém poderá aceitar calmamente. Nas cartas de despedida, todos falam que não aguentam mais as condições de trabalho, não aguentam mais o clima laboral, não aguentam mais a pressão da empresa, os objectivos inalcançáveis, a prepotência das chefias. Não aguentam a tal ponto que se matam. O último foi um tipo de 51 anos (a minha idade), pai de duas crianças, transferido para um call center da empresa depois do seu posto de trabalho ter sido extinto.
Em Portugal julgo que ainda não aconteceu nada de semelhante. É verdade que, por exemplo, na PSP e na GNR há, com frequência, vagas suicidas… também provocadas pela pressão exercida sobre as pessoas, pela desilusão, pela vida miserável e pela falta de perspectiva de sair dela.
Estas situações são o lado mais negro da exploração a que os trabalhadores estão tantas vezes sujeitos. Levar um trabalhador à morte é algo de indesculpável.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Mais um para o desemprego


Ou é um agente com uma agenda política escondida ou é um tonto destravado ou, então, é mais um cordeiro sacrificado pela perfídia política. Acreditem no que vos der mais jeito, mas eu não alinho em alegações de loucura temporária nem em actos motivados pelo álcool. Mesmo se 20 anos de serviços fiéis à criatura possam levar qualquer um a desvairar por completo…

terça-feira, setembro 08, 2009

Salazarento - Leiteiro


Agora já sabemos onde os assessores dela vão buscar a inspiração para lhe escreverem os discursos...
Cliquem em cima do texto para lerem melhor.
(surripiado ao 5dias.net)

sábado, setembro 05, 2009

Autocrítica maoísta


Mão amiga fez-me chegar, por email, a seguinte nota:


"Se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros."

sexta-feira, agosto 14, 2009

Duas notícias espantosas




A primeira.
Utentes dos centros de saúde e hospitais do Alentejo, Algarve e Ribatejo vão ter de aprender a falar espanhol, já que comunicar bem com o médico é condição essencial para ele (o médico) perceber de que maleita se queixam os doentes… e como os médicos vão passar a ser cubanos, hay que ablar bien sinon bamos a morir…
Nada contra a globalização dos cuidados de saúde… mas julgo que a contratação de cubanos se deve, apenas, a um qualquer critério economicista. A mão-de-obra do dito terceiro mundo costuma pedir menos pelo salário… e se isso ainda se aceita numa fábrica de panelas, já num hospital gostaria que o critério fosse a qualidade profissional dos contratados. Espero que, além de baratos, sejam bons médicos.

A segunda.
A GNR recompensa os seus agentes que “caçam” mais multas. Não premeia os que prendem mais assaltantes nem os que apanham mais traficantes... Está, assim, explicada a apetência natural dos que viram a cara aos bandidos. Além de ser muito menos perigoso ir à caça das multas, sempre se consegue algum para ajudar a fechar a marquise.

sexta-feira, julho 31, 2009

A verdadeira artista...





Manuela Ferreira Leite diz que é bom que os ricos "dêem muitas festas, que façam muitas coisas, porque isso dá muitos postos de trabalho a muitas pessoas".

domingo, julho 05, 2009

Pobre não é cidadão


Tem 50 anos e é mãe de duas adolescentes. Ambas estudam mas uma tem uma doença crónica detectada aos quatro meses de idade, razão pela qual a mãe recebia um complemento de abono de família, uma pequena ajuda do Estado para auxiliar nas imensas despesas médicas. A mãe ficou, agora, desempregada. E ao mesmo tempo que ficou desempregada viu o complemento de abono de família ser cortado. Porque o dito complemento só é pago quando existem descontos para a segurança social. Desempregada, a mãe deixou de fazer descontos… pois a miúda doente crónica deixou de ter direito à ajuda do Estado. Até custa a acreditar...
A frieza deste Estado é inaceitável. Mas se pensarmos que o Estado é aquilo que as pessoas querem que seja, então é a nossa frieza que é inaceitável. Uma frieza que se traduz, tantas vezes, em actos comezinhos e aparentemente distantes deste estado de coisas…
Tenho um amigo que faz parte de uma agremiação recreativa, um clube de bairro onde os sócios cruzam saberes, experiências e anedotas sobre a vida. Um destes dias houve eleições para a direcção da agremiação. O meu amigo não pôde votar porque deixou de pagar quotas desde que deixou de ter dinheiro quando faliu a pequena empresa dele. A falência não o empobreceu apenas, tirou-lhe direitos de cidadania também. Acredito que o magoou bastante ter sido impedido de votar.
Ele e ela têm direito a outro tipo de solidariedade, tanto do Estado como da sociedade.
E não falo de caridade.

quarta-feira, julho 01, 2009

Que se lixem!

Pressões?... Não... o que se passa é que para o deputado Branquinho e o PSD, mas também para todos os outros políticos e partidos, democracia é que na pantalha o governo e o PS tenham 50% do protagonismo noticioso, a oposição parlamentar 48% (dos quais, 28% só para o PSD) e a oposição não parlamentar 2%.
José Alberto Carvalho é obrigado, assim, a ir à Comissão de Ética (?) dar explicações sobre os critérios jornalísticos aplicados na RTP e que, pelos vistos, colidem com a necessidade imperiosa de preencher devidamente as quotas noticiosas da actividade partidária. Que se lixe o critério jornalístico, que se lixe o (des)interesse intrinseco das iniciativas partidárias, que se lixe tudo menos o preenchimento das quotas!

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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