Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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sexta-feira, julho 17, 2009

A discriminação pode ser uma questão geográfica


Sou daqueles que acham que discriminar dadores de sangue homossexuais é uma cretinice. O que está em causa são os chamados comportamentos de risco que propiciam a propagação de doenças como a SIDA, mas o simples facto de se ser homossexual não significa que se seja promíscuo. Conheço alguns casos de homossexuais fiéis ao parceiro e extremamente cuidadosos com questões de saúde. Conheço casos de heterossexuais, homens e mulheres, doidinhos por dar uma facadinha no matrimónio à primeira oportunidade. Conheço hetero que se drogam e gays que só bebem água mineral. E o contrário. É a vida e o comportamento humano. Por isso, acho que excluir os gays da capacidade de doar sangue é uma discriminação idiota. Façam-lhes os testes e se o sangue for bom, aceitem-no. Não sou gay e é o que normalmente acontece comigo, quando dou sangue. E nos últimos anos, o meu sangue tem sido sempre rejeitado, porque a malária me contaminou para todo o sempre e tenho um sangue impróprio para consumo de terceiros. Isto, quando o faço em Portugal. Mas a última vez que doei sangue foi em Luanda, em Abril passado. O enfermeiro de serviço no Hospital Maria Pia aceitou como boa a minha palavra ao dizer-lhe que não ia às putas. Tirou-me a litrada e misturou-a anonimamente com outras que esperavam ocasião de virem a ser precisas. Ainda o avisei da malária, mas ele encolheu os ombros. Quem é que não tem malária em Angola?

sexta-feira, abril 28, 2006

Malária, mata que se farta

Na primeira vez que fui a Moçambique, apanhei malária. A culpa não é da terra. Já tive malária noutros lugares e tantas vezes que lhes perdi a conta.
Vem sito a propósito da notícia de há dois dias, no site da Lusa (notícia que não vi reproduzida em nenhum jornal), sobre a decisão do Ministério da Saúde de Moçambique passar a fornecer gratuitamente tratamento e medicamentos contra a malária, em todo o país.
É que, quando fiquei doente, naquele ano de 1986, não havia medicamentos no Hospital Central de Maputo. Não era sequer uma questão de ter ou não dinheiro. Não havia. Quer dizer, havia no mercado negro… a um preço que só alguns podiam pagar. Naquela época, o exercício da medicina privada era proibido. Devia ser considerado um perigoso vício da burguesia. Ainda assim, havia médicos que arriscavam, como foi o caso do que se prontificou a ir ver-me à cama onde ardia em febre. Além disso, deu-me os comprimidos de quinino e prescreveu a dose de cavalo, tipo ou te curas ou morres. Eu curei-me, mas sei que, todos os anos, morrem milhares de seres humanos em Moçambique, por causa dessa doença. Li umas estatísticas que falam em 4 mil mortes anuais, o que faz da malária a principal causa de morte no país.
Fico contente por, agora, 30 anos depois da independência, o Estado moçambicano começar a assumir as suas responsabilidades. Para quem não sabe do que estou a falar, vou tentar explicar. A malária é transmitida através de um plasmodium (um parasita) transportado por um mosquito. Ao picar a pele para beber sangue, o mosquito acaba por introduzir o plasmodium no sangue. Depois, esse plasmodium ataca os glóbulos vermelhos, o que provoca infecção, daí a febre. Acho que não expliquei muito mal.
Ainda posso acrescentar que existem dois tipos de plasmodium. O falciparum, menos agressivo e o vivax, mais mortal. Já tive os dois, à vez e em simultâneo. É muito giro.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Parasitas

Passo a passo, os cientistas continuam a batalha contra a doença que mais mata no Mundo: a malária.
Foi notícia, na BBC, que um grupo de cientistas do Instituto Pasteur de Paris conseguiu seguir as “pegadas” do plasmodium (o parasita imaturo), assim que o mosquito pica na pele da vítima. Segundo percebi, os cientistas conseguiram colorir com tinta fluorescente o plasmodium e, assim, puderam seguir-lhe o rasto no organismo de ratinhos cobaias.
Para já, ficámos a saber que cada picada injecta cerca de vinte parasitas no corpo. Não sei onde estas pesquisas irão dar, mas sei que é urgente que se descubra uma vacina ou qualquer outro tipo de tratamento eficaz para debelar esta doença. A malária mata mais que a SIDA. E mata há muito mais tempo… É uma doença terrível, que dá cabo de qualquer um. Já vi homens, fortes como touros, morrerem de malária em 3 dias. Já tremi, diversas vezes, com crises de malária. A minha passagem de ano de 2000 foi numa cama do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, depois de uma viagem ao Congo. Há dois tipos de plasmodium, o falsiparum e o vivax… e já me diagnosticaram os dois em simultâneo. Tenho mais medo desse parasita que de tipos armados em maus…

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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