Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, abril 14, 2006

Moçambique, a esperança

Acabo de ler uma notícia, num jornal sul-africano com edição on-line, sobre Moçambique. Diz o jornalista que a economia moçambicana parece estar no bom caminho do desenvolvimento. A economia cresceu 7,5% em 2005 e em 2006 parece ir bem, novamente. Segundo entendi, o FMI controla as políticas económicas do país com mão-de-ferro. As expectativas são boas: descobertas recentes revelam que existem grandes reservas de gás e está em marcha um mega-projecto mineiro e industrial para a produção de alumínio. A indústria conseguiu desenvolver-se, graças à mão-de-obra barata e há um conjunto de países doadores que continua a apostar em Moçambique. Claro que os doadores não são completamente desinteressados e, digamos assim, não há dádivas de borla… A última vez que estive em Maputo, já lá vão quase 4 anos, surpreendi-me com dois pormenores: inúmeras gruas de construção civil por toda a cidade e out-doors espalhados por todo o lado com ofertas de apartamentos para vender. Achei que aquilo era sinal de desenvolvimento ou, pelo menos, da existência de dinheiro a circular. Disseram-me que o país estava a beneficiar com o crescente mau estar das comunidades brancas na África do Sul, no Zimbabwe e na Namíbia que, assim, estariam a deslocar-se para Moçambique. Infelizmente, Maputo continua rodeada de bairros da lata e vê-se muita gente a dormir nas ruas, principalmente na baixa da cidade. Infelizmente, o sector da saúde luta com problemas colossais, como, em parte, já descrevi aqui num texto anterior. Infelizmente, a maior parte da população do país continua sem ter acesso a água potável e a uma dieta apropriada. A pobreza não é só falta de casa e de emprego, reflecte-se também no sistema escolar, no serviço de saúde, na rede viária, em coisas do género. Lembro-me que aí há cerca de um ano, ano e meio, talvez, os meus amigos Combonianos lideraram um movimento de opinião pública para sensibilizar o governo português a perdoar a dívida de Moçambique. Parece que resultou e, segundo julgo, Moçambique foi um dos países que viu a dívida externa ser perdoada, se não por todos, pela maioria dos países emprestadores. Só espero que façam bom proveito do dinheiro e que os dirigentes saibam dividir a riqueza pelo povo. Acham que é esperança em demasia?

6 comentários:

Isabela disse...

É um bocado, mas como não a ter.
Há umas semanas, num blog moçambicano li uma história de bicicletas. Um país qualquer do ocidente ofereceu cerca de duas dezenas de bicicletas para a polícia do Maputo patrulhar as ruas; metade foram distribuídas, metade desapareceram, correndo o boato que haviam ficado para uso familiar e particular dos polícias mais graduados. O chefe, no entanto, dizia aos jornalistas que estavam no armazém da polícia, mas não mostrou.
Isto é um ,e já acontecia em 1975 com os bens doados pelos países do bloco socialista: eram desviados dsos caminhos que deviam seguiar, entravam na economia paralela e, sabe-se lá como, iam parar às lojas dos cooperantes para serem adquiridos por dólares. Farinha, feijão, comidinha.

LM disse...

Oxalá não, mas o processo há-de ser longo.
Tarde boa.

dakidali disse...

Gostava imenso que Moçambique voltasse a ser como era. Pobres existem em toda a parte, só que em algumas cidades andam escondidos e em sítios que os turistas não veêm. Esperança é o que tenho sempre, quando se gosta de alguém ou de alguma coisa. Espero que se desenvolva, fique limpa , para quando um dia lá voltar não sentir que tudo foi em vão.
Boa Páscoa
Beijinhos

zecadanau disse...

Votos de uma SANTA E FELIZ PÁSCOA

Um @bração do
Zeca da Nau

Denudado disse...

Moçambique foi um dos 18 países que teve a sua dívida externa perdoada a 100% pelo G8, o grupo dos 8 países mais ricos do mundo. Ver, p. ex., aqui.

Isabela disse...

Carlos, eu acho que é preciso ter esperança, acho que é preciso ajudar, e estou disposta a ajudar no que for preciso e estiver ao meu alcance. É preciso mudar atitudes. É isso. Sinceramente, é o que sinto. Caramba, não quero que aquilo volte a ser o que foi, mas que seja aquilo que tem de ser. E podia ser o Jardim de Babilónia. Tu conheces aquilo e sabes que podia.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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