Escrita em Dia

Memórias de 25 anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.

Sábado, Julho 28, 2007

Interrupção

O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE ALGUNS ANOS.
QUANTO MAIS TARDE, MELHOR.

Segunda-feira, Julho 09, 2007

O malandro do Carlos Pinto Coelho escreveu: "Quero partilhar contigo a imagem dos campos alentejanos quando saí de casa, esta manhã. A sete minutos de viagem, não resisti, parei o carro e guardei para sempre a memória de um espectáculo."

E eu que nas ultimas cinco semanas tenho apanhado chuva todos os dias, não posso deixar de partilhar tanta luz.

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Ousadias

O video é um extracto de um programa produzido pela Teresa Guilherme, julgo que para a SIC, em 1997 ou 98. Supostamente, a gravação da entrevista seria para incluir num programa para as comunidades emigrantes, num canal qualquer de cabo nos Estados Unidos. Enfiei o barrete todo, todinho, da cabeça aos pés. Foi um trabalho bem feito que contou com a minha tradicional ingenuidade... não ha' nada a fazer. Vou morrer assim. Um abraço ao Frederico Duarte Carvalho, que me enviou o link do YouTube.

Domingo, Julho 01, 2007

Por cima e por baixo

Ouvi dizer que quando Paris foi ocupada pelo III Reich, Hitler foi ao Trocadéro para admirar a sua conquista la’ do alto. E’ bem possivel. Realmente, é lindo de se ver. E depois não é so’ a vista, mas a arquitectura dos edificios, os jardins, o restaurante do Museu do Homem e as empregadas que la’ trabalham, a animação que transforma o terraço num palco exotico. Tudo aquilo vale a pena. Ainda não se paga so’ por olhar.

.
.
.
.
.
.
.
.
.
Por baixo do Trocadéro é o mundo dos “sans abri”, mamiferos de sangue quente que delimitam o territorio com marcas odoriferas, como fazem os lobos, mijando nos cantos estrategicos, para que os outros saibam que estão a trespassar terreno alheio. Ninguém se senta naqueles bancos.



Sábado, Junho 30, 2007

No metro


Sonolentos, macambuzios, dobrados, sisudos, tristes, os franceses enchem o metro todas as manhãs. Franceses? Alguns serão, mas ouve-se de tudo, russo, polaco, chinês, thai, wolof, castelhano, àrabe e portunhol. Mas quase sempre vão silenciosos. Dormitando mais umas migalhas a caminho do emprego.














Quase nunca olham pela janela porque, se olhassem, assustavam-se com os monstros que, na escuridão dos tuneis, espreitam a corrida das carruagens.

Domingo, Junho 24, 2007

Nas margens do Orge

E’ uma velha casa burguesa, herança de um avô.
Os netos não têm dinheiro para a manter em perfeitas condições e, assim, dividiram o palacete em pequenos apartamentos que alugam.
Foi construida em 1850, o tempo de Victor Hugo e de grandes convulsões sociais provocadas pela proclamação da Republica e a realização de eleições em que foi eleito Presidente da Republica o monarquico Louis-Napoléon Bonaparte que, pouco depois, iria liderar um golpe de estado para se auto-proclamar Imperador Napoleão III. Uma confusão dos diabos.
Desde então que a casa la’ esta’. Muito ja’ se viveu e morreu dentro daquelas paredes. E’ la’ que vive agora um amigo meu. Mas à cautela, arranjou um cão feroz para afastar os maus espiritos.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Clochard

Nunca se levanta antes das 7 da manhã. Mas depois dessa hora torna-se dificil conciliar o sono com o bulicio matinal da cidade. Deita-se no ultimo banco de pedra da estação. Imagino que ninguém fale com ele excepto, talvez, os da mesma condição.

Para quem procura casa, aqui, a “désocialisation’’ não é uma noção distante nem improvavel. E’ que os preços das casas raiam o absurdo. Apartamentos infimos, T0 ridiculos, não custam menos de 600 € por mês. Uma casa para uma familia de 4 pessoas parece ser algo luxuoso e quase inacessivel ao trabalhador comum. Os senhorios, aqui, não pedem menos de 3 meses de renda adiantados, querem ver os comprovativos de pagamento de impostos e não aceitam trabalhadores com contratos a termo. Ou seja, é facil ficar sem casa e passar a dormir na rua.

Acerca de mim