Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, dezembro 28, 2008

2009 em perspectiva nos Media



Disseram-me há dias que a Controlinvest vai iniciar em Janeiro o processo de despedimento de 150 pessoas. Portanto, a ser assim, algumas dezenas de jornalistas do DN, JN, 24 Horas, TSF, etc., vão entrar para o mercado de desemprego. A SIC, como se sabe, tem já em fase adiantada um processo semelhante de rescições mais ou menos amigáveis... Se juntarmos mais umas dezenas que vão saindo de outras empresas é óbvio que a oferta (independentemente da qualidade) é cada vez maior e atingirá lá para o Verão números deprimentes. Digo deprimentes porque isso implica uma forte depressão salarial. A situação é idêntica a nível de produtoras e é possível que a RTP tente também alijar pessoal a curto prazo, a não ser que o governo lhes dê instruções para ficarem quietos... mas uma administração inteligente aproveita sempre estas oportunidades para cortar despesas e, no caso dos jornalistas, até lhes pode dar a entender que nem tudo é mau porque levam umas indemnizações e podem ter oportunidades dado que vêm aí um novo diário e um canal de TV. Para quem arranca é, por seu turno, o ideal para contratar gente ao preço da chuva. O que acontece a seguir é merda pura, mas já nem interessa.

terça-feira, dezembro 23, 2008

(Des)Encontros

(no passado dia 16)
Fernando,
Por mais estranho que te pareça, acabei de te ver e ouvir na pantalha da RTP-I, dizendo como ninguém o "Adeus".
Contigo, meu irmão, as palavras nunca estão gastas.
Tenho uma espécie de nostalgia por uma coisa que nunca aconteceu... a nossa amizade.
Abraços.
Carlos







(ontem)
Carlos,
Por mais estranho que te pareça, os gajos que continuam a passar na pantalha isso que foi gravado há meia dúzia de Natais, ainda não me pagaram um tostão. E todos eles fazem grandes vidas, é Natal sempre que eles querem.
Mas para a fogueira que conta, são palavras como as tuas que aquecem o coração.
Partilho a mesma nostalgia, tão episódico foi o nosso encontro numa Redacção (e as Redacções sempre foram a nossa outra casa; agora que as Redacções se degradam aceleradamente, sentimos que vivemos uma parte essencial da nossa vida sob escombros).
Mas as Redacções dão muitas voltas, tal como a vida, e felizmente também não aconteceu, entre nós... a inimizade. Temos mais de meio caminho andado.
Que em 2009 possamos brindar a coisas boas.
Abraços.
Fernando

domingo, novembro 30, 2008

Juramento de Hipócrates



Mas a senhora não cumpre com o protocolo!, diz ela de modo alterado. Assim, não pode ser, acrescenta, e o timbre nervoso acentua-se quando refere que será necessário regressar ao centro de saúde da área de residência, marcar nova consulta com o médico de família para obter as credenciais para ir fazer as análises e, só depois, voltar ali ao hospital onde poderá ser vista por um médico especializado se, e só se, a triagem assim o indicar.
Meia-hora depois, na urgência do mesmo hospital, outro médico diagnosticava risco iminente de aborto mas, estranhamente, enviou a paciente para o centro de saúde e para o mesmo sacrossanto périplo estabelecido num qualquer protocolo que institui a primazia da consulta com o médico de família que, como sabemos, é um médico generalista e que pode não ser minimamente competente para questões especificas como, no caso, gravidez de risco…
O desfecho previsível desta caso que vos relato será uma interrupção involuntária de gravidez e eu só gostava de saber a quem devo bater… talvez aos médicos que se deixaram "protocolarizar" e não passam, hoje, de administrativos zelosos em saber se o doente que ali aparece reside de facto na área de atendimento do hospital ou se o centro de saúde cumpriu com todos os preceitos do protocolo estabelecido com o hospital… e deixam o acto médico para segundo plano.

quarta-feira, novembro 26, 2008

E-mail para BB



BB,


Gostei da tua recente crónica no DN. É bom saber que ainda há quem tenha memória: "o que ocorreu nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões, com a imposição de uma nova ordem que principiava pela substituição das chefias e a remoção de jornalistas qualificados, mas desafectos ou mesmo dissentes - é uma história sórdida, e esquecida por muitos." Pois é, camarada... um dia fui enviado para a cobertura de um comício do PSD, na campanha para a segunda vitória de Cavaco, reportei uma história paralela ao comício, em que um grupo de trabalhadores quis entregar uma carta ao senhor primeiro-ministro lembrando-lhe uma promessa da primeira campanha que não tinha sido cumprida. Fiz a reportagem no local e, chegado à redacção, procurei no arquivo e encontrei declarações do Cavaco, na anterior campanha, que corroboravam as reclamações dos trabalhadores. Meti tudo na reportagem... e foi a última coisa que fiz de política nacional na RTP. O meu chefe recebeu ordens expressas do director para me deixar quieto. E assim fiquei, de 1989 a 1992, até ir para a SIC.
Um grande abraço.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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