Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, abril 25, 2006

Ter ou não ter, flor na lapela

foto da Lusa
O senhor Presidente da República não usou cravo vermelho na lapela. A ausência da flor tem um significado político. Pelas mesmas razões, ou parecidas, os deputados do PSD e do CDS também não usaram.

7 comentários:

escrevi disse...

É pura provocação política.
Que se lixe...
Acho que o cravo de Abril não fica bem a algumas pessoas.

Ana Cristina Ferreira disse...

Será que só quem usa cravo vermelho na lapela do casaco é democrata e defensor da liberdade?
Se assim é, então Portugal não aprendeu nada nestes 32 anos.

dakidali disse...

Pois pareceu-me mal também o PR não levar o seu cravo na lapela. Faz algum mal? Acho que é uma tradição. Será que os tempos estão a mudar?
Beijinhos

Bokarras disse...

Meu caro amigo CN...
Ainda hoje, 32 anos após o 25 de Abril, em algumas aldeias do interior norte deste país que até conheço particularmente bem, quem não vai à missa ao domingo é visto como alguém de vida duvidosa.
Outros, para "limparem" a sua imagem, assumem um papel de "beatas" (as de igreja mesmo) sem que isso signifique mais ou menos fé, mas apenas porque "dá jeito".
Pessoalmente, aplaudo a atitude do PR que, afinal, limitou-se a manter uma atitude que já assumira antes, de não usar cravo, mesmo sabendo que teria dado "mais jeito" se agora aparecesse com cravo na lapela.
O 25 de Abril diz já pouco a muitos, mas ainda há quem não esqueça de alguns que até ao dia 24 de Abril de 1974 estiveram ao lado do antigo regime, e que depois do 25 de Abril foram os primeiros a colocar o cravo na lapela. É que... dava jeito!

Sonia disse...

Para mim o cravo representa a verdadeira beleza do 25 de Abril, um golpe militar concebido e levado a cabo por militares e não por populares. O facto de uma popular ter oferecido a um soldado uma flor vermelha, da cor do sangue, colocada numa espingarda concebida com o único propósito de derramar sangue, é-me precioso. Um regime caiu e as ruas ficaram salpicadas do vermelho dos cravos e não do sangue. Herdar esta história faz-me ter orgulho de ser portuguesa. E acreditem que não existem assim muitos mais motivos.
Sei que muitos sorrirão ao ler esta prosa duma poesia tosca, mas é assim que a quero contar aos meus filhos. Porque o 25 de Abril é poético. E tudo mudou irreversivelmente.
Tinha 3 anos quando aconteceu, de maneira que tive de ir buscar aos livros e aos mais velhos a reconstituição de tal dia. Encontro frequentemente muita gente que ainda foi mais poética do que eu, na altura, participou activamente nos acontecimentos que se seguiram e hoje está tão desiludida, sente-se tão enganada, que nem vota. Também eu estou muito desiludida com a política, com o país, com tanta coisa. Muitas coisas mesmo. Entre elas, ver o "Presidente de todos os portugueses" que, por causa duma politiquice e duma necessidade de se distanciar da esquerda radical, marginal, ou o raio que o parta, não ter na lapela um símbolo que significa o princípio da instituição que quer governar, em vez de presidir. Lá diz o Sérgio que “a democracia é o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”. É mesmo, pois dá liberdade ao Cavaco para ignorar o significado de um cravo. A sério que me entristece que tenha a arrogância previsível, caso o acusem de ser fascista, ou de direita por não usar o dito, me venha com a resposta da liberdade de expressão ou escolha. O essencial está a passar-lhe ao lado. Usar um cravo na lapela significa que não esquecemos que já houve um tempo em que não se podia optar, não se podia discordar e que é possível, e não é assim tão difícil, governar pelo medo e pelo silêncio. E que essa realidade pode voltar com outros instrumentos, outras PIDES( que, duma maneira mais súbtil já existem). E cabe-lhe a ele, como representante máximo da República dizer isso a toda a gente. Não, o "professor Cavaco” está a dar uma outra lição, até que, como bom professor que é, já programou o ano lectivo todo…
É pena que ninguém lhe tenha ensinado na escola que, por exemplo, a economia não é uma ciência exacta, mas sim social e humana. “A democracia é o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros” pois dá liberdade àquele Jardim para proibir (liberdade para proibir é português incorrecto, não é?) que se comemore oficialmente a “Revolução dos cravos”. “A democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros” pois permite-me escrever o que me apetece sobre isto ou outra coisa qualquer. E de mudar de ideias. Nem sequer tenho noção do que seria viver sem o direito de opinar e criticar. E tenho noção que isso, só por si, não implica mudança. Por vezes, até é demasiado fácil. O pior de todos os sistemas fez-me pensar em que sítio, para além da lapela, posso eu colocar um cravo.

PS: desculpe o abuso de liberdade de expressão deste espaço...

Su disse...

acho que é melhor assim, sem fazerem fretes...basta os que fazem todo o tempo......além disso o cravo murchou faz tempo, os ideais congelaram no tempo, temos a liberdade de pensamento, mas essa sempre existiu..
navegar é preciso....r.evolução

jocas maradas

LM disse...

Não fora ridículo, e os deputados do PSD e do CDS iriam de fatinho igual ao do Presidente.
Just in case...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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