Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, abril 10, 2006

Moçambique, sida

Há dias, ouvi na TSF a divulgação de um estudo elaborado pela Fundação Moçambicana para o Desenvolvimento da Comunidade que aponta para um elevado índice de orfandade provocado pela Sida.
Ouvi isto e pensei que os jornalistas passam a vida a repetir notícias. No final de 2002 já eu dizia o mesmo e não fui o primeiro… Numa das últimas reportagens que fiz para a SIC… (os filhos da mãe despediram-me em Janeiro de 2003) … mostrei o drama que então se vivia no Hospital Central de Maputo, onde 70% dos doentes internados tinham Sida. A cifra foi-me confidenciada pelos médicos do hospital, embora nenhum deles tenha dado a cara pela informação. Era um dado incómodo, secreto, que o Governo moçambicano nunca quis assumir.
Em todas as enfermarias, a maioria dos doentes estava contaminada. Em qualquer enfermaria, desde a psiquiatria até à pediatria, passando pela medicina e pela infecto-contagiosa. Estive na maternidade e, também ali, uma boa percentagem de parturientes tinha Sida e ia dar à luz bebés contaminados. Aquilo era um carrossel demente… 90% dos bebés corriam sério risco de nascerem já infectados e o hospital não tinha anti-retro-virais para dar aos doentes. A verdade das mortes hospitalares era camuflada por certidões de óbito politicamente correctas… tuberculose, meningite, malária sempre pareciam menos mal que Sida.
A situação que encontrei em 2002 foi a mesma que já tinha encontrado dois anos antes e, pelo que ouvi agora, é a mesma que subsiste. Mas nunca nada muda?

4 comentários:

Ana Afonso disse...

Olá
Nada muda mesmo !!
Alias a situação, quer Moçambique quer (especialmente) em Angola, esta cada vez pior. De ano para ano piora quer o numero de infectados com HIV/SIDA quer com tuberculose (multiresistente) quer com malaria (resistente) quer poliomielite quer tetano quer enfim todo o abecedario das hepatites e aqui para nós se posso dar a minha opinião não vejo que possa melhorar ... principalmente porque tudo o que melhorou (sim houve algumas melhoras entretanto pouquinhas mas algumas a nivel de condições hospitalares por exemplo!) foi feito por agencias internacionais e muito trabalho de voluntarios portugueses.
Abraços e sorrisos
Ana Afonso

Isabela disse...

Não é possível combater a SIDA sem aceitação da doença, sem lhe dar nome. Se os médicos não dizem a verdade nas declarações de óbito não estão a prestar um bom serviço. É esse medo que mata, também. Que ajuda a matar, pelo menos.

Su disse...

raramente algo muda.....

jocas maradas

LM disse...

É uma catástrofe que ninguém tem coragem de travar.
E há coisas que mudam,Carlos.
Desde 2002 até agora a presidência já deve ter mudado as viaturas várias vezes.
Fique bem.

AddThis

Bookmark and Share

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

Seguidores