O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.No PSD, Marques Mendes está praticamente a falar sozinho quando exige um inquérito independente ao dossier académico do Primeiro-Ministro.
Quando isto tudo acabar, vão sobrar os escombros da Universidade Independente e pouco mais. Dirão que a universidade não merece viver, que tem de pagar caro pela desorganização evidente em que viveu durante estes anos todos. Talvez. Mas é irónico que a encerrem quando, finalmente, parecem existir condições para a reorganizar. E quanto aos direitos dos actuais alunos, o silêncio dos governantes permanece.
Ainda quanto à desorganização da Independente, gostaria de ver a mesma justiça ser aplicada a outras instituições de peso bem maior na organização do Estado português. É que também a Assembleia da República não sabe explicar como foi que o registo biográfico de José Sócrates aparece emendado, limitando-se a afirmar que é impossível indagar porque já se passaram muitos anos. Se uma universidade privada tem a obrigação de preservar a integridade dos seus arquivos, a mesma obrigação se exige, por maioria de razão, à Assembleia da República. Ou não?


















