Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, abril 15, 2007

A mudança da maré

O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.
No PSD, Marques Mendes está praticamente a falar sozinho quando exige um inquérito independente ao dossier académico do Primeiro-Ministro.
Quando isto tudo acabar, vão sobrar os escombros da Universidade Independente e pouco mais. Dirão que a universidade não merece viver, que tem de pagar caro pela desorganização evidente em que viveu durante estes anos todos. Talvez. Mas é irónico que a encerrem quando, finalmente, parecem existir condições para a reorganizar. E quanto aos direitos dos actuais alunos, o silêncio dos governantes permanece.
Ainda quanto à desorganização da Independente, gostaria de ver a mesma justiça ser aplicada a outras instituições de peso bem maior na organização do Estado português. É que também a Assembleia da República não sabe explicar como foi que o registo biográfico de José Sócrates aparece emendado, limitando-se a afirmar que é impossível indagar porque já se passaram muitos anos. Se uma universidade privada tem a obrigação de preservar a integridade dos seus arquivos, a mesma obrigação se exige, por maioria de razão, à Assembleia da República. Ou não?

sábado, abril 14, 2007

Autofagia política

Como se vê, o caso da licenciatura de Sócrates não é um fait divers político. O líder da oposição já exige uma investigação independente. Suspeito que, tarde ou cedo, essa investigação venha a ser feita. Basta que alguém se lembre de apresentar uma queixa formal na Procuradoria Geral da República, por exemplo. Julgo que muitos políticos, adversários de Sócrates, apostam muito nessa investigação e na suspeita de que ainda existem segredos escondidos no dossier académico de Sócrates na Universidade Independente.
A prestação do Primeiro-Ministro na RTP foi boa, mas não chegou (nunca chegaria) para calar a boca aos que o querem derrubar seja lá como for. Por isso, esta história ainda terá mais episódios, aposto eu.
Depois da desistência de Guterres, do abandono de Barroso, das trapalhadas de Santana, o país não aguenta mais desilusões do género. Se Sócrates cair, as consequências poderão ser devastadoras para a classe política.
No meio de tudo isto, a Universidade Independente continua a caminhar para o encerramento e ainda não vi ninguém preocupar-se verdadeiramente com o problema das centenas de finalistas que, se não conseguirem terminar os seus cursos este semestre, terão de se transferir para outras universidades e, com isso, gastar mais um ano das suas vidas a estudar, além dos custos financeiros que isso obriga.
Todos falam que os antigos alunos, os que ali se licenciaram, não podem ser prejudicados pelo que se está a passar nem apanhar por tabela com os estilhaços do "caso Sócrates", mas todos se parecem esquecer, ou dar de barato, que os actuais alunos são os que estão a ser mais prejudicados com tudo isto. O senhor Ministro do Ensino Superior, professor doutor Mariano Gago, bem poderia decidir o que tem a decidir salvaguardando os tais legítimos interesses dos alunos.

sexta-feira, abril 13, 2007

As fontes da manipulação

Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço.
No passado dia 6, o Diário de Notícias, entre outros jornais, publicava a notícia (sustentada por uma fonte da presidência) de que o Presidente da República, preocupado com as consequências da polémica em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro, tinha reunido “discretamente com os seus colaboradores mais próximos para preparar eventuais ondas de choque do caso Universidade Independente”. Leiam aqui.
Horas depois, vários órgãos de comunicação social citavam uma notícia da Lusa, onde se negava que tal reunião se tivesse realizado, segundo “fonte da Presidência da República”, que desmentiu «categoricamente o teor da notícia de hoje publicada pelo Diário de Noticias». Leiam aqui.
Ou seja, duas fontes do mesmo fontanário deram informações díspares. Isto é, a mensagem de Cavaco passou, sem que ele tivesse tido necessidade de abrir a boca. O destinatário recebeu e entendeu o alcance da coisa. E daí a entrevista do Primeiro-Ministro à RTP.
Isto é política pura, meus amigos. E não vi nenhum jornalista a denunciar a “fonte” que os levou a fazer este papelão.

quinta-feira, abril 12, 2007

Coelhos da cartola

Hoje, todos dizem que Sócrates “passou no exame”, mas há indícios de que a coisa não ficará por aqui. Primeiro: se Marques Mendes vem, agora, reclamar uma inspecção ao dossier académico de Sócrates por uma entidade independente do Governo, isso poderá querer dizer que o PSD sabe de mais pormenores que ainda não foram revelados. Segundo: Francisco Louçã usou a expressão “satisfeito por agora”, quando se referiu às explicações dadas pelo Primeiro-Ministro na entrevista à RTP.
A minha suspeita é que se o Ministro Mariano Gago confirmar a sua decisão “provisória” de fecho da Universidade Independente, alguns coelhos vão começar a sair da cartola.
Quem viver verá.

quarta-feira, abril 11, 2007

Imaginem lá

Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
Eventualmente, o primeiro-ministro irá safar-se desta trapalhada, mas o preço a pagar será altíssimo. Vou tentar explicar porquê.
Imaginem o Conselho de Ministros. Sócrates na cabeceira de uma longa mesa oval e os seus 16 ministros olham para ele e sorriem. Mas de que sorriem eles? De comiseração, de complacência pedante? Eles, entre os quais estão 8 Doutorados, dois Professores Catedráticos e um Mestre, que respeito terão pelo “quase-engenheiro”?
Imaginem Sócrates a ensaiar um discurso sobre qualificação, rigor ou equidade… quem não irá sorrir, a partir de agora?
Imaginem como deve ter mudado a relação entre Sócrates e Cavaco Silva. O primeiro-ministro fragilizado por esta questão que mancha a sua honorabilidade, face a um PR reconhecidamente austero e suspeito de alguma perfídia política.
Diz-se que o tempo tudo cura, mas a ferida é profunda e vai levar tempo a cicatrizar.

terça-feira, abril 10, 2007

Os legítimos interesses de quem?

O Ministro falou ontem e mostrou-se zangado com os gestores da Universidade Independente, e com razão. Por isso, decretou o fecho compulsivo da universidade. E disse que iria salvaguardar os legítimos interesses dos alunos. Mas não disse como… e é aí que a porca torce o rabo. Ainda hoje fui à Universidade Lusíada para me informar sobre a possibilidade de me transferir para lá. A Lusíada abriu uma época especial de transferência apenas para alunos provenientes da UnI. Ouvi dizer que até há professores da UnI que recebem por cabeça de aluno que consigam levar para a Lusíada… mas é claro que não devemos acreditar em tudo o que se ouve. Mas lá que encontrei professores da UnI por ali, lá isso encontrei.
Mas, quanto aos legítimos interesses dos alunos… os finalistas, por exemplo, quase todos com 23 ou 24 cadeiras feitas, faltando apenas defender a dissertação ou pouco mais, se forem para a Lusíada terão de fazer, pelo menos, 10 cadeiras… ou seja, fazer um 5ºano de licenciatura. E não tem pós-laboral. Se for assim nas outras universidades, gostava de saber o que o Ministro quis dizer com “salvaguardar os legítimos interesses dos alunos”.

Lapsos a mais



Acabo de ouvir, na SIC, que José Sócrates, em 1993 (três anos antes de ter concluído a famigerada licenciatura na Independente), quando foi eleito deputado pela primeira vez, já se fazia apresentar como “engenheiro” e “licenciado em engenharia civil”. É o que consta, segundo a notícia, no who’s who dos eleitos dessa época. Mais uma vez, o engano até pode não ter sido da lavra do actual primeiro-ministro, mas diga ele o que disser, amanhã, à Judite de Sousa na RTP, já poucos irão acreditar nele. Eu, que desde o início lhe dei o benefício da dúvida, já começo a torcer o nariz…

domingo, abril 08, 2007

Engenharias políticas

Sempre duvidei das coincidências. É uma mania minha, se calhar, mas acho que atrás de uma coincidência há, quase sempre, uma mãozinha invisível providencial. Daí que estranho a coincidência do chumbo da OPA do Belmiro sobre a PT e o início da cruzada do Público sobre Sócrates.
Desde 2005 que o blogue Do Portugal Profundo anda a publicar textos sobre as alegadas irregularidades da licenciatura de Sócrates e só agora, depois do chumbo da OPA, a coisa chegou aos jornais de referência.
A política tem destas coisas e é por isso que eles (os políticos) andam sempre sobre brasas. Nunca sabem com o que podem contar. Este governo, por exemplo, que parecia sólido que nem rocha há um mês atrás, agora abana que nem varas verdes por causa desta história da licenciatura do primeiro-ministro.
Dir-me-ão que não, que já estou a imaginar mais uma teoria da conspiração. Direi que quando o patrão manda, o director obedece e acciona a cadeia de transmissão onde, no final, há sempre um redactor que faz o trabalho. Depois, há o fenómeno da imitação, tão comum no jornalismo português. Se o "vizinho" aborda um assunto, os outros imitam-no, principalmente se for um dos ditos jornais de referência. Até as televisões copiam os jornais. Sei do que estou a falar, como podem imaginar.
É por isso que considero a crónica de Pacheco Pereira, ontem, no Público, um disparate de fio a pavio. Mas muito bem escrita.

sábado, abril 07, 2007

O bom aluno

Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.
Quem conhece a realidade do ensino superior privado, sabe que notas altas (do tipo que Sócrates obteve) não são, de todo, estranhas ao sistema. Muitos alunos que chegam às privadas são pessoas mal preparadas, provenientes de um sistema escolar deficiente e permissivo. E há os que vêm dos Palops, com certificados escolares mais do que duvidosos, manifestamente impreparados para um nível de ensino superior. De modo que, quanto mais não seja por comparação, os alunos razoáveis acabam por se verem transformados em alunos muito bons. Foi o que aconteceu, provavelmente, com José Sócrates. Mas ele não tem culpa disso.
As universidades privadas são fábricas de canudos? Pois são, e então? O que queriam que fossem? Elas existem como negócio. Servem para dar dinheiro aos accionistas. Não têm outra função maior.

sexta-feira, abril 06, 2007

Enquadramento sociológico


“Quem não tem experiência deste trabalho nos gabinetes do Governo, não sabe que vivemos rodeados de inimigos…”, disse-me ele.
Mas a verdade é outra. Com os inimigos já nós contamos. Não contamos é com os que julgamos amigos.

quarta-feira, abril 04, 2007

As razões de Estado


Não sei quem é Pedro Araújo, jornalista do Jornal de Notícias, mas foi dos poucos que fez bom jornalismo neste caso. Pelo menos ouviu as partes envolvidas nesta questão.
Muitos amigos e conhecidos já me telefonaram para perguntar porque “não ponho a boca no trombone” sobre o que sucedeu na passada 3ªfeira. Não ponho, realmente, porque não tenho motivos para isso, apesar de sentir que sofri uma penalização exagerada para a falta cometida.
Percebo muito bem as motivações do ministro que me exonerou (ora aqui está um belo termo para despedimento!) mas lamento a frieza, a desumanidade e a incompreensão reveladas por ele e por muitos dos jornalistas que trataram este caso.
Cometi o erro de ter sido sensível ao pedido de ajuda de um professor. De uma pessoa por quem tinha estima e que, afinal, se revelou um homenzinho fraco. Cometi o erro de ter tentado ajudar a amenizar as convulsões que se abateram sobre a Universidade Independente, com a agravante de não ter conseguido manter a frieza perante um problema que me afectava pessoalmente. Passei os últimos 4 anos a caminhar para a UNI, raramente faltei a uma aula, tenho notas razoáveis e sempre trabalhei em simultâneo, claro. Quando estava na TSF (e no 1ºano da Faculdade), levantava-me às três e meia da manhã, entrava na TSF uma hora depois, deitava-me ao meio-dia, dormia até às cinco, tinha aulas das seis às 11 da noite, voltava para casa para dormir mais um bocadinho até às 3 e meia. Por isso, ao fim de 4 anos, em que só me falta defender a dissertação, vejo a UNI a ir para o fundo e não consigo ficar frio perante isso. As razões de Estado que me desculpem.

domingo, abril 01, 2007

O meu filho olha para mim e vê-me assim...


Será que estou a criar um Picasso?

sábado, março 31, 2007

Tempo de catanas e kalashnikovs





É jornalismo do melhor que há. Não sei se o livro está à venda por cá. Comprei-o em Nairobi, já lá vão uns anitos. Precisei, agora, de o reler.

Eu e Scott Peterson andámos pelos mesmos sítios, na mesma altura. Ele teve o talento de escrever este livro. Eu tenho a sorte de o poder ler.
Foi uma oportunidade para me arrepiar de novo, como dantes.


Me Against My Brother, at war in Somalia, Sudan and Rwanda, Scott Peterson, Routledge, New York.

ISBN 0-415-92198-8

quarta-feira, março 28, 2007

Ainda Salazar...

Notícia da agência Lusa, hoje, a meio da tarde:

Lisboa, 28 Mar (Lusa) - O Bloco de Esquerda exigiu hoje explicações à RTP sobre o seu "concurso farsa" que "entronizou" Oliveira Salazar como "o maior português de sempre", fazendo uma "rasteira apologia do salazarismo".
Numa declaração política no período antes da ordem do dia do plenário da Assembleia da República, o deputado do BE Fernando Rosas teceu duras críticas ao programa "Grandes Portugueses", que terminou no domingo com a escolha de Oliveira Salazar como "o maior português de sempre", considerando que o Parlamento tem o dever de exigir explicações.
"Esta Assembleia, órgão por excelência da soberania popular e sede primeira da democracia - essa democracia que o fascismo proibiu e espezinhou - tem o estrito dever de exigir da televisão pública as explicações que são devidas à luz do regime legal e constitucional a que está vinculada", sublinhou Fernando Rosas.

Agora, digo eu. Foi uma coincidência, mas a verdade é que li isto logo a seguir a um amigo me ter chamado a atenção para o facto curioso de Salazar ter sido eleito “o maior” no canal televisivo cujo vice-presidente do Conselho de Administração é um salazarista confesso.
Ponces Leão assim o admitiu, faz agora um ano, numa entrevista ao Expresso, onde se declarava nacionalista, admirador de Salazar e onde expressou algumas pérolas do seu pensamento político, tais como algo do género (referindo-se aos Palop) “os pretos não estavam preparados para a independência”.

terça-feira, março 27, 2007

Cidadania

Bissau, eleições legislativas de 2004


Corre na NET um abaixo-assinado pela Paz e Democracia na Guiné-Bissau. Claro que não serão as assinaturas, mesmo que sejam muitas, a resolver a situação do país, mas sempre é uma posição que se toma, perante a arrogância dos poderosos. Para quem quiser saber dos termos do abaixo-assinado, é só clicar AQUI.

segunda-feira, março 26, 2007

Catedrática trapalhada

Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.
O caso da Independente, depois do que já aconteceu noutras universidades privadas (lembrem-se da Moderna), demonstra que nem tudo o que é privado é bom… ou fiável… ou eficiente…
A responsabilidade do Estado é total, neste caso. Primeiro, porque licenciou a escola. Depois, porque não cuidou de fiscalizar ao longo do tempo se a escola cumpria devidamente com as regras. Terceiro, porque se dispensou de equipar as universidades públicas com cursos em horário pós-laboral e, assim, deu às privadas todo o mercado dos trabalhadores-estudantes. Ou seja, o Estado deu uma fatia do mercado para que as privadas pudessem viver. A implantação das universidades privadas não foi, assim, uma questão definida pela qualidade do serviço prestado, não foi definida por aquilo a que se chama “regulação do mercado”. Foi um favor que se fez a alguns senhores.

Lembrar Salazar

Ah! Salazar, o impoluto! Ganda tuga, meu! Sim senhora, depois de morto lá venceste umas “eleições”. Parabéns! Voltaste a beneficiar da santa estupidez desta malta, o que só prova que fizeste, realmente, bom trabalho enquanto por cá andaste. Aquela coisa de manter o pessoal ignaro e comezinho sustentou-se no tempo, como vês.
És um verdadeiro artista, já o sabíamos, de resto. Quem não sabe do modo habilidoso como safaste os teus amigos daquele escândalo pedófilo que ficou conhecido por “ballet rose”? Vocês, seus maganões, andaram a comer as meninas e, no final, foram absolvidos pelo juiz obediente e abençoados pelo Cerejeira. É isso que é admirável, mantiveram esse ar de figurões importantes, muito respeitáveis, embora podres por dentro. Ainda hoje a coisa perdura. É obra!

sábado, março 24, 2007

As investigações jornalísticas dão resultados tão diferentes, não dão?

Depois das “investigações” exemplares do Público e de O Crime, era de esperar que todos os outros jornais lhes seguissem as pisadas na abordagem do caso da licenciatura de Sócrates. É mais ou menos isso que tem acontecido.
O Correio da Manhã, hoje, traz uma novidade: entrevistou um antigo colega de estudos de Sócrates, alguém que, apesar de nunca mais se ter relacionado com o ex-colega de turma, testemunha o mérito de Sócrates como aluno.
O Correio da Manhã encontrou, ainda, uma explicação lógica para haver notas diferentes às mesmas disciplinas. Segundo a explicação, Sócrates teve uma nota no exame escrito e outra no exame oral:
Betão Armado e Esforçado - 18 (escrita), 17 (oral)
Estruturas Especiais - 16 (escrita), 16 (oral)
Análise de Estruturas - 17 (escrita), 18 (oral)
Projectos e Dissertação - 18 (escrita), 17 (oral).
Ou seja, em duas das orais desceu a nota que trazia do exame escrito, numa manteve e noutra subiu 1 valor. Não vejo nada de anormal nisto. As notas são boas, talvez alguns vejam nisso algo de estranho, mas eu não.

sexta-feira, março 23, 2007

À la africaine...

pintura mural em Bondo, Congo Democrático, 1999
.
Angola está quase a ultrapassar a Nigéria como principal produtor de petróleo de África. Angola é uma potência regional emergente e isso sente-se nos países vizinhos. Foi Angola quem pôs Joseph e Laurent Kabila no poder, no Congo Democrático (que raio de designação para um país daqueles…) e que sustentou esse regime “dinástico”durante a guerra civil. Angola fez o mesmo no outro Congo plus petite, idem para o Zimbabwe. Angola não se inibe de provocar quedas de regimes que não lhe convenham. Foi o que fez com todos os que apoiavam Savimbi, só falhando o golpe de estado que preparou na Zâmbia.
Nos países onde a pressão da comunidade internacional consegue a realização de um simulacro de democracia, com eleições gerais mais ou menos livres e justas, os “cavalos” angolanos vencem sempre. Muitas vezes, os derrotados acabam por aceitar integrarem-se no sistema, talvez convencidos de que os deixarão comer na alta manjedoura do poder. Mas não. Há sempre um acidente comprometedor para futuros tão promissores… foi o que aconteceu com John Garang, no Sudão, é o que pode vir a acontecer com Jean Pierre Bemba no Congo, ou com Morgan Tsvangirai no Zimbabwe, se não se põem a pau.
A política africana é fascinante!

quinta-feira, março 22, 2007

Um tabloide de referência

Hoje, o Público roubou uma cacha ao 24 horas. O que será que este facto quererá dizer? Que o jornal de referência se está a tabloidizar, na luta pela sobrevivência?


Refiro-me à história sobre as alegadas irregularidades cometidas por José Sócrates na obtenção da licenciatura em Engenharia Civil, estudos terminados na Universidade Independente.
O que resulta da leitura das páginas 2, 3, 4 e 5 é que o caos organizativo, administrativo, da Universidade Independente não é de hoje. Mas nada prova que tenha existido algum suborno do actual primeiro-ministro para corromper os responsáveis da escola.
Da leitura de todas as peças que o jornal publicou sobre o tema, ressalta também que o Público sentiu obrigação de se justificar perante os seus leitores, pouco habituados a este tipo de jornalismo. Numa nota da Direcção Editorial, o jornal argumenta com “referências múltiplas” que se avolumaram na blogosfera “há cerca de um mês”, sendo que, na verdade, apenas um blog se tem dedicado exaustivamente a esse tema, num caso típico de obsessão, bastante comum na dita blogosfera.
Porque estou eu a defender aqui o homem? Porque este tipo de atentado ao carácter das pessoas é de uma eficácia tremenda. Dificilmente alguém se conseguirá limpar completamente de uma maquinação deste tipo. Nada se provou, mas a dúvida permanecerá para sempre. Foi isto que fizeram a Paulo Pedroso e que, agora, estão a fazer com Sócrates. O jornal investigou e não encontrou nada de conclusivo. Mesmo assim, publicou e, hipocritamente, lava as mãos dizendo que essa investigação “permite aos leitores ajuizarem sobre o que estava certo e o que estava errado no que se dizia à boca pequena”.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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