Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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sexta-feira, outubro 20, 2006

Os elefantes também choram

Nunca matei um elefante, mas já comi a carne. No Congo (ex-Zaire), durante a guerra civil, muitas populações sobreviveram graças às proteínas da carne de animais selvagens e muitos elefantes foram mortos. Foi nessas circunstâncias que comi carne de elefante, várias vezes. Não havia outra coisa para comer.

Mas também me emocionei a vê-los em liberdade e segurança, como aconteceu no norte do Quénia, num sítio chamado Sweetwaters, perto de Nanyuki… Sweetwaters é uma reserva natural onde muitos biólogos de todo o Mundo vão realizar pesquisas científicas. Fui lá visitar um desses coca-bichinhos, Tom Butinsky, americano, especializado em pássaros que passava os dias de gravador na mão e binóculos nos olhos a espiar aves canoras.

Para chegar a casa dele, percorríamos vários quilómetros por uma planície de savana e, um dia, demos com uma pequena manada de elefantes que se deleitavam na lama de um charco. A manada tinha crias e foi emocionante sentir a fraternidade que existia entre os elementos do grupo. Habituados a serem espiados, os elefantes não se sentiram ameaçados pela nossa presença e pude fotografá-los à vontade embora não fosse prudente aproximar-me demasiado. As fotos que aqui vos mostro são a memória desse momento.

Os elefantes também choram, diz Barbara Gowdy no livro "O Osso Branco", editado pela Quetzal. E eu juro que os ouvi rir.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Os pândegos

As 50 maiores apreensões de marfim da última década foram de marfim proveniente de Angola. O marfim em questão foi apreendido em 12 países, em diferentes acções policiais, e consta de um relatório recentemente publicado pelo WWF (Fundo Mundial da Vida Animal).
Pela lei angolana, nada impede a comercialização de marfim de elefante, malgrado tratar-se de um animal protegido por convénios internacionais. É assim que é relativamente fácil encontrar peças de marfim à venda nos mercados de artesanato em Luanda, principalmente em Benfica e na Ilha ou nas lojas dos hotéis da capital angolana.

Elefantes em estado selvagem existem, ainda, em 37 países africanos e Angola é o único que não assinou a convenção CITES (Convention on International Trade in Endangered Species).
Antes da guerra civil, segundo dados do WWF, havia mais de 10 mil elefantes no território angolano. Hoje, ninguém sabe bem, mas o WWF contou 246… durante muitos anos, a UNITA foi acusada de devastar as reservas de animais selvagens por necessitar de alimentar as suas tropas de guerrilha e para traficar o marfim dos elefantes. Dizem, (quem se lembra?) que o avião que se despenhou na Jamba com João Soares (filho de Mário Soares) caiu porque estava sobrecarregado com dentes de elefante que a UNITA traficava para a África do Sul. Não sei se é verdade… sei que vários generais das FAA (Forças Armadas de Angola) iam aos fins-de-semana de Luanda para a Kissama realizar safaris de helicóptero, com metralhadoras pesadas, com que chacinavam tudo o que mexesse… uns autênticos pândegos.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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