


Para o caçador, o marfim de um animal vale pouco mais de 50 euros. A carne vale 5 vezes mais… depois de fumada, é transportada ás costas ou em bicicletas até à fronteira com a República Centro Africana, a cerca de 100 quilómetros para Norte. Na venda ao público, a carne de elefante atinge preços elevados, tanto mais quanto escasseia à medida que os caçadores têm dificuldade em encontrar animais para abater. O elefante vai desaparecer da vida selvagem. Nesta região já quase desapareceu. Todos os animais que ainda aqui vivem são regularmente perseguidos pelos caçadores locais. Para além do rendimento financeiro que a caça proporciona, é do consumo desta carne que as populações adquirem as proteínas necessárias para sobreviverem.
Nesta luta pela sobrevivência, o caçador também corre riscos. As armas são velhas e muitas de construção artesanal. Algumas vezes, a arma rebenta na cara do caçador… as balas são feitas assim: abre-se um cartucho de zagalotes, derretem-se as pequenas bolas de chumbo, o chumbo derretido é moldado numa única bala, tosca mas mortífera. Volta-se a colocar o chumbo dentro do cartucho cheio de pólvora, compacta-se bem com folhas, pedaços de madeira ou bambu… se não rebentar com a arma na cara do caçador, este tipo de bala consegue ferir de morte qualquer animal, seja de que tamanho for. Assim caem elefantes e búfalos… como o desta foto, de cuja carne nos alimentámos durante alguns dias.


2 comentários:
Esta última foto é horrível. As unhas do animal parecem as de uma pessoa.
E ninguém lhes explica que a extinção destes animais, dos quais agora se alimentam, os vai destruir também? Que a seguir não vai haver animais para matar nem par comer? Que talvez não fosse mau plantar um amendoins, umas abóboras...Isto chatei-me Carlos, muito.
Estamos à espera de quê?
Isabela...
Me fizeste rir!!!
Adorei teu comentário sobre a possibilidade de se alimentarem de outras tantas formas. Não li o texto e passei batido pelas fotos terríveis, mas vim espiar os comentários e me identifiquei com o teu. Também penso desse modo, embora eu saiba que sempre há zilhões de explicações para cenas dessas, mas que em nada amenizam e justificam a crueldade e falta de senso. Podiam trocar essas cenas terríveis, por folhas... Capins... Talos e outros vegetais, caso não haja mesmo outro modo de alimen tação à vista. Sabemos tratar-se de um sistema sóciocultural, mas ainda assim, é gritante...
Acabei por parasitar o CN, para falar contigo...
Desculpas CN...
ò,ó
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