Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, março 04, 2006

Congo, 2001 - A Expedição, a floresta Makulungo

Quase dois séculos depois das primeiras expedições coloniais, a ciência fez um esforço para tentar deslindar o mistério e partiu em busca dos gorilas que Le Marinel disse existirem ali. E se é verdade que, hoje, boa parte das investigações científicas sobre biologia tendem a confinar-se ao ambiente protegido e asséptico dos laboratórios, com os animais em cativeiro, aquela foi uma expedição diferente. Ali não houve ambientes protegidos, nem sequer reservas naturais onde os animais estivessem já habituados à presença humana. Aquilo era a selva, a floresta tropical, a grande aventura com que aqueles biólogos iam tentar reescrever o maior número possível de livros científicos… A floresta do Makulungo revelou-se um paraíso em espécies de aves que ninguém sabia existirem ali, revelou-se um refúgio de pequenos mamíferos noctívagos mal conhecidos e, por isso mesmo, pouco estudados pela ciência, aquela floresta revelou-se um santuário para algumas subespécies de primatas, revelou-se uma surpresa no que respeita à existência de animais que não eram supostos serem encontrados naquelas paragens… Encontrámos hienas que só são vistas em savanas, encontrámos elefantes da floresta, uma subespécie mais pequena e mais arredondada, perfeitamente adaptada a caminhar na floresta sem fazer barulho… encontrámos leões, o que também é raro numa floresta… Mas a grande aposta era a descoberta dos gorilas, a confirmação científica dos relatos das expedições do século XIX e dos actuais habitantes daquela floresta, que caçam ali e se alimentam dos animais que por lá vivem… De todos os grandes macacos, o gorila é o mais difícil de observar, porque vive em pequenos grupos familiares e porque há cada vez menos. O gorila está em vias de extinção, não há mais do que alguns milhares em liberdade. A extinção desta espécie deve-se ao abate das florestas e à caça. Além de serem poucos, os gorilas vivem normalmente em florestas densas, onde o homem tem grandes dificuldades em se deslocar. O gorila é tímido e pode passar a vida inteira escondido do olhar dos curiosos. Por tudo isto, não era fácil a tarefa dos cientistas. Mas a verdade é que eles nunca consideraram essencial ver o animal. Bastava-lhes observar os vestígios de como vive. E foi isso que fizeram

5 comentários:

Sony Hari disse...

Este "diário de viagem" começa a tornar-se viciante.
Os cientistas têm, concerteza, a vida mais dificultada, mas é fascinante o comportamento dos Gorilas. Como eu entendo a timidez deles :)

Bruno Pinto disse...

Caro Carlos: como biólogo, parece-me que esta sua viagem terá sido um sonho.

Menina_marota disse...

Fiquei tão interessada e tão comovida, que vou ter que ler tudo o que foi anteriormente escrito sobre esta viagem.
Passei uns anos em África e vi pessoalmente, em liberdade, alguns primatas.
Adorei ler-te e se não se importa vou linkar este Blog para voltar ...

Um abraço e bom fim de semana :)

Caiê disse...

Descobri o blog por acaso e em boa hora! Estou encantada com estas viagens, com a descoberta desta natureza, com o entrever de mais um lado da vida... :)

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Lindos, com olhos meigos e falantes!!! Dá vontade de abraçar!!!

ò,ó

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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