Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, março 07, 2006

Guiné Bissau, a guerra de 89 (2)

No século 19, toda a região sul do Senegal, o território entre os rios Gâmbia e Casamança, pertencia à colónia portuguesa da Guiné. Um acordo com a outra potência colonial da região, a França, levou que Portugal alienasse esse território a favor da França. Foi o modo da França viabilizar em termos agrícolas a sua colónia do Senegal. A norte do rio Gâmbia é o Sahara.
As populações de Casamança nunca aceitaram essa decisão das potências coloniais. Os povos de Casamança são etnicamente próximos dos povos guineenses. A fronteira passou a dividir tribos e famílias. Pior que isso, a nova divisão administrativa forçava o convívio com gente estranha, os povos do norte, pastores do deserto, sem afinidades com as etnias do sul.
Quando o Senegal se tornou independente, o poder político foi assumido pela etnia Wolof, gente vinda do deserto, islamizados, francófonos. Ainda Leopold Senghor não se tinha sentado no cadeirão da presidência da República do Senegal e já as tribos do Sul combinavam entre si as acções da revolta e a exigência da separação do Senegal.Os grupos étnicos de Casamança formaram vários movimentos de resistência armada contra o regime sediado em Dacar, mas o mais importante foi -continua a ser- o MFDC, liderado pelo abade Diamacoune, um padre católico que desde há mais de 30 anos é a face visível da resistência de Casamança

9 comentários:

objectiva3 disse...

Obrigada pela partilha dos seus conhecimentos!

:)

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Atravessei a grande lâmina no rastro de tuas palavras...
Adorei o nome do blog e como estou sem tempo agora, vou te deixar um beijo e garantir que voltarei mais tarde, para te ler com calma!!!

Até mais e obrigada pelo OLÁ...
ò,ó

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Estou deixando recadinhos ao longo do caminho, mas há aqui em tua janela (essa que usas é mesmo muito linda e eu mesma já me debrucei nela...), aquelas famigeradas letrinhas que atrapalham a vida dos menos afortunados em termos de visão...

Aliás e em tempo: essas letrinhas que por fim se enroscam umas às outras, tem mesmo alguma função???

Há de ter... Talvez eu não consiga ver, mas certemente deve ser pela minha deficiente visão...

Beijinhos!!!
ò,ó

Lâmina d'Água, Silêncio & Escriba disse...

Rodei bastante. Ainda me falta a arte 7. As de carnificina com os pobres animais, não vou ler e nem pretendo comentar, mas deixo aqui meu entendimento e repeito à fome, sem que no entanto...

Vamos deixar passar!!!
Beijinhos e muito obrigada por tudo!!! Foi um lindo passeio!!!
Posso atravessar o mar mais vezes??? Será bom...
Tu também poderás fazer isso sempre que desejares. Minha janela também é tua!!!
Beijinhos!!!
ò,ó

Ana disse...

Muito, muito obrigada pelo comentário no meu blog! É para mim uma grande honra que o tenha feito... Como futura jornalista, há que se ter boas referências! O Carlos é uma delas. Obrigada!*

verosimil-utopia disse...

No decorrer do curso que estou a terminar, de Ciências Musicais, estudei um pouco de etnomusicologia.
Dentro do âmbito dessa cadeira, estudámos a música africana, e por isso, abordámos também um pouco da história da formação dos países africanos.

Muito obrigado por partilhares esses conhecimentos! A mim realmente faz-me muita confusão o modo como os europeus traçaram o mapa das nações africanas com regra e esquadro.

Acho maravilhoso o contacto com outros povos, mas envergonho-me de pertencer a uma sociedade que de tão etnocentrista se julga no direito de decidir pelos outros.

Cá em Portugal também temos as nossas tribos, os nossos deuses, os nossos espíritos e fantasmas.

Pena que uns seres superiores não nos visitem para nos ensinar «o que é viver bem». Havia de ser giro!

Um abraço

planaltobie disse...

Senghor foi um dos maiores estadistas africanos. Referia frequentemente o nosso país, dizia com um sorriso, que Senghor vinha do português "senhor".

PCosta

Denudado disse...

Quando se diz que as fronteiras africanas foram traçadas a régua e esquadro, não se está a cometer nenhum exagero. É verdadeiramente impressionante o rigor com que essas fronteiras foram traçadas. Os marcos fronteiriços sucedem-se num alinhamento mesmo perfeito, na mais completa indiferença pelos acidentes do terreno.

Mesmo sabendo que as fronteiras que foram traçadas pelas potências coloniais separaram etnias e até famílias, a passagem dos anos vai transformando essas fronteiras artificiais em fronteiras reais, isto é, a pouco e pouco as pessoas que vivem nas regiões fronteiriças vão sentindo cada vez mais que pertencem a um dos lados; vão-se aproximando dos outros que pertencem a outras etnias mas que estão do mesmo lado da fronteira e vão-se afastando dos seus vizinhos, enfraquecendo os laços que os uniam a eles no passado.

Julgo que ainda não é isto o que acontece na fronteira entre a Guiné-Bissau e o Casamança. Julgo que os guineenses continuam a sentir-se muito próximos dos seus vizinhos do norte e até dos gambianos.

Mas é isto o que acontece na fronteira norte de Angola com o Congo Democrático. Por muito artificial que seja, esta fronteira materializou-se, até nas línguas que são faladas de um lado e do outro. A influência cultural de Kinshasa (que é de facto a capital de toda a África Central) substituiu o idioma kikongo, que se falava no Baixo Congo, pelo lingala afrancesado (pelo menos na pronúncia), que se fala na cidade. Assim, do lado do Congo passou a falar-se lingala e francês, enquanto que do lado de Angola se fala kikongo e português. A fronteira tornou-se real.

Caiê disse...

Tenho uma colega do Senegal que ensina francês e, curiosamente, acha os portugueses mais próximos do seu povo do que os franceses... Isto, culturalmente falando. Mistérios! ;)
Mais uma história, mais rica fiquei pro aqui vir... :)

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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