Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, março 26, 2006

Guiné Bissau, a guerra civil - os primeiros tiros

Em 7 de Junho de 1998, no Bairro de Santa Luzia, a casa do Brigadeiro Ansumane Mané foi atacada a tiro por desconhecidos. Um número indeterminado de homens varreu todas as divisões a rajada de metralhadora. Quiseram matar o homem, dizem que a mando do Presidente Nino Vieira.
O Brigadeiro "Brick-Brack" (nome de guerra de Ansumane Mané) parece nunca ter tido dúvidas quanto a isso. Fugiu, convocou os seus fiéis homens de armas e partiu para a vingança.
Pouco depois morriam emboscados alguns dos principais colaboradores do Presidente: o Capitão Tempo da Costa, comandante da Guarda Presidencial, o Embaixador Eugénio Spain e o Capitão Rachid Saiegh. Caíram na emboscada montada na estrada para o aeroporto, morreram na sombra da árvore sagrada de Brá, o grande poilão que ainda hoje lá está. A emboscada era para o próprio Nino Vieira, mas os revoltados precipitaram-se e mataram os homens do protocolo presidencial que iam preparar as cerimónias de despedida ao Presidente que devia ter viajado nesse dia para uma cimeira africana. Nino barricou-se no Palácio, Ansumane mandou cercar a cidade. Só havia três maneiras de sair de Bissau e a estratégia do Brigadeiro Ansumane foi controlar as estradas e o aeroporto, deixando uma saída pelo mar caso o Presidente quisesse fugir.
O problema de Ansumane foi não ter percebido que por onde se sai também se entra. No dia 10, três dias depois, mil e quinhentos soldados senegaleses e mais alguns da Guiné Conakri, desembarcaram no porto de Bissau. Nino resistia, apelou à solidariedade institucional, conseguiu os soldados que não tinha e o apoio político dos governos que poderiam interferir na contenda. A França armou e municiou as tropas senegalesas, Portugal recebeu milhares de refugiados e balançou entre o apoio político ao regime e a clara percepção de que o movimento dos revoltosos crescia a cada dia.

rua de Bissau

No dia 13 de Junho, saí de Lisboa para Dakar, de onde esperava conseguir viajar para Bissau.

4 comentários:

Paulo J. Ribeiro disse...

A questão guineense continua sem fim à vista. Ninguém sabe no que aquilo vai dar. Este país, tal como aconteceu no período colonial, continua sem ser "soberano", isto é, continua sujeito às pressões dos vizinhos sem marcar a sua própria posição. Gostava de ouvir falar da Guiné, sem ter que ouvir falar do Senegal, de Conacri ou de outros. A Guiné terá de ser a própria, com líderes próprios e sem comando à distância.

dakidali disse...

Cada vez que o leio sinto que também gosta de África. Gostava que a Guiné tivesse o sossego que merece.
Beijinhos

O Restaurador disse...

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kiara disse...

sinseramente, eu nao percebo, eu nao percebo porque essas coisas ainda acontecem, eu preciso de paz

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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