Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, maio 07, 2007

Mar insonso

Fui ver o grande lago do Alentejo, aquela imensidão de água doce que transformou aldeias do interior alentejano em localidades ribeirinhas, onde pontuam novas tabuletas pintadas de azul com indicações que seriam bizarras há uns anos como, por exemplo, “ancoradouro” ou “cais”.
Mudou tudo. Do alto de Monsaraz, para os lados de Espanha, onde dantes só se viam olivais e montados, rebanhos de vacas e de ovelhas, agora há água e ilhas.
Em 2002 fiz uma descida do Guadiana, de canoa, para a realização de um documentário sobre o que o Alqueva iria submergir. O Castelo da Lousa, a aldeia da Luz, o Convento do Alcance, uma fábrica de pasta de papel, o olival da Pega, os moinhos de água, os menires, antas e dólmenes, e uma imensidão de sítios arqueológicos nunca estudados. Daqui a 100 anos, talvez, quando a barragem já não existir, tudo aquilo voltará à luz do dia, só não sei em que condições de preservação. Intitulei esse documentário “Por esse rio abaixo”. Foi um trabalho que gostei de fazer, que passou uma única vez na SIC Notícias, no consulado do Nuno Santos enquanto director daquilo.

4 comentários:

Diogo disse...

[“Por esse rio abaixo”]. E que tal por águas territoriais adentro?


O terrível cativeiro de quinze militares britânicos sob o regime de Ahmadinejad

Jon Stewart, do Daily Show, dá-nos, com extraordinário humor, uma imagem pungente do drama vivido pelos quinze militares britânicos enquanto reféns de Ahmadinejad, por alegadamente terem violado águas territoriais iranianas.

Stewart: estou certo que foram submetidos a todo o tipo de horrores. Foram obrigados a usar fatos de treino desirmanados. Tiveram de se entreter com jogos de sala e comer petiscos que se serviam nas festas nos anos oitenta. E foram obrigados a rir com naturalidade...

Vídeo - 2:20m

inominável disse...

eu alargaria o prazo de validade mais umas décadas, mas não sou especialista...

o que tu relatas é uma operação de cosmética do homem sobre a paisagem ou de desrespeito? ou de sobrevivência?

Kalimera disse...

Gosto deste seu pequeno texto e dos elementos que escolheu para ilustrarem a paisagem que observou, na sua agradável descida pelo Guadiana, muito bucólico! A paisagem mais bela do país ( ou não seja eu Alentejana), cita o seu trabalho passado na sic, tenho pena , não vi.
Pois, eu não fico chocada, com as novas palavras que citou "cais, ancoradouro", eu acho que devemos pensar é nos benefícios que a mesma barragem supostamente devia trazer ao nosso país nomeadamente ao Alentejo, isso sim, pois eu acho muito triste, e espero ter focado isso na sua reportagem, que foi feita uma barragem para benefício e aproveitamento Espanhol, não sei se chamou à atenção à falta de patriotismo, à vontade de aproveitar e trabalhar o que é nosso, e não vender tudo a Espanha, em nome do não “dá ganho" semear os campos. Cita os aspectos históricos, que ficam submersos, e refere como estarão eles após os 100 anos, em que diz a barragem já não deve existir. Eu não gosto de apagar a história, mas não acredito que a barragem não viva mais de cem anos, isso é anunciar um mundo perdido, não sou tão pessimista. O que foi submerso pelas águas, sabemos o que acontece, e se teve que ser em nome dum bem maior, que assim seja! Agora o que me preocupa mesmo é o avanço Espanhol no meu amado território, essa história é que eu receio. Cabe a todos nós que gostamos de escrever, e aos que disso fazem profissão, bradar todos os dias para o perigo, e gritar como é importante manter uma das Nações mais homogéneos da União Europeia.

isabel victor disse...

Fiquei a pensar ... neste teu " mar insonso "

Gostei CN

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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