Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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sábado, janeiro 10, 2009

Paris - Lisboa, de mota

Cheguei hoje às 4 da tarde. Foi mais uma viagem de malucos... No primeiro dia, chuva a granel e frio q.b., mas parei às 17 em Bayonne, já perto de Espanha. Dormi num motel que há mesmo à beira da autoestrada, do lado direito. No dia seguinte, mais chuva mas menos frio. Aliás, ao fim do dia até estava quase bom, com 7 graus de temperatura ambiente. Fiquei em Tordesilhas, mais uma vez. Sou fã do Parador de lá e, nesta época do ano, arranjei um quartito por 70 €...
Esta manhã estavam 2 negativos às 9 horas... a mota toda coberta com uma película de gelo, parecia feita de vidro... esperei até às 10 e meia, antes de me por a andar. Estavam zero graus à porta do Parador, mas quando cheguei à autoestrada a temperatura voltou a ser negativa e não se via a mais de 50 metros de distância, por causa do nevoeiro. Fiz 250 quilómetros com temperaturas entre -1 e 3 graus, neve e gelo por todo o lado e um nevoeiro do cacete. Tive de parar para abastecer, estava ao pé de um letreiro que indicava uma estação de serviço a 100 metros de distância e não conseguia ver o edifício. Os pés pareciam de pau... nunca tive tanto frio na vida, mas só nos pés. Senão, não tinha aguentado. Só depois de ter entrado em Portugal, depois de passar a Guarda é que o nevoeiro levantou. A partir daí foi um passeio, com céu azul e a temperatura a chegar aos 11 graus.Moral da história: não acredites em previsões meteorológicas a 3 dias. E, mesmo no próprio dia, espreita pela janela antes de saires à rua.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Paris - Lisboa, de camião


Partimos por volta das 17, chovia a potes, choveu a potes o tempo todo, esteve um temporal desatado o caminho todo, até mesmo aqui à porta em Odivelas. Fizemos a viagem directa, só com paragens para beber café e mijar. Foram 23 horas, contando com duas que estivemos parados na autoestrada no País Basco, sem gasóleo... a carripana tinha o manómetro avariado e o tipo fez mal as contas e deixou o depósito secar... À conta disso, fiz 4 quilómetros à pata para ir buscar socorro... debaixo de chuva. Eram 3 da manhã. Foi lindo. Revezámo-nos na condução... por mais de uma vez cheguei a fechar os olhos quando ia ao volante... mas nunca consegui dormir quando ia sentado no pendura...Acabou por correr tudo bem, mas agora tenho a casa feita em armazém... nem sei como arrumar tanta tralha...

domingo, julho 01, 2007

Por cima e por baixo

Ouvi dizer que quando Paris foi ocupada pelo III Reich, Hitler foi ao Trocadéro para admirar a sua conquista la’ do alto. E’ bem possivel. Realmente, é lindo de se ver. E depois não é so’ a vista, mas a arquitectura dos edificios, os jardins, o restaurante do Museu do Homem e as empregadas que la’ trabalham, a animação que transforma o terraço num palco exotico. Tudo aquilo vale a pena. Ainda não se paga so’ por olhar.

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Por baixo do Trocadéro é o mundo dos “sans abri”, mamiferos de sangue quente que delimitam o territorio com marcas odoriferas, como fazem os lobos, mijando nos cantos estrategicos, para que os outros saibam que estão a trespassar terreno alheio. Ninguém se senta naqueles bancos.



sábado, junho 30, 2007

No metro


Sonolentos, macambuzios, dobrados, sisudos, tristes, os franceses enchem o metro todas as manhãs. Franceses? Alguns serão, mas ouve-se de tudo, russo, polaco, chinês, thai, wolof, castelhano, àrabe e portunhol. Mas quase sempre vão silenciosos. Dormitando mais umas migalhas a caminho do emprego.














Quase nunca olham pela janela porque, se olhassem, assustavam-se com os monstros que, na escuridão dos tuneis, espreitam a corrida das carruagens.

domingo, junho 24, 2007

Nas margens do Orge

E’ uma velha casa burguesa, herança de um avô.
Os netos não têm dinheiro para a manter em perfeitas condições e, assim, dividiram o palacete em pequenos apartamentos que alugam.
Foi construida em 1850, o tempo de Victor Hugo e de grandes convulsões sociais provocadas pela proclamação da Republica e a realização de eleições em que foi eleito Presidente da Republica o monarquico Louis-Napoléon Bonaparte que, pouco depois, iria liderar um golpe de estado para se auto-proclamar Imperador Napoleão III. Uma confusão dos diabos.
Desde então que a casa la’ esta’. Muito ja’ se viveu e morreu dentro daquelas paredes. E’ la’ que vive agora um amigo meu. Mas à cautela, arranjou um cão feroz para afastar os maus espiritos.

quarta-feira, junho 20, 2007

Clochard

Nunca se levanta antes das 7 da manhã. Mas depois dessa hora torna-se dificil conciliar o sono com o bulicio matinal da cidade. Deita-se no ultimo banco de pedra da estação. Imagino que ninguém fale com ele excepto, talvez, os da mesma condição.

Para quem procura casa, aqui, a “désocialisation’’ não é uma noção distante nem improvavel. E’ que os preços das casas raiam o absurdo. Apartamentos infimos, T0 ridiculos, não custam menos de 600 € por mês. Uma casa para uma familia de 4 pessoas parece ser algo luxuoso e quase inacessivel ao trabalhador comum. Os senhorios, aqui, não pedem menos de 3 meses de renda adiantados, querem ver os comprovativos de pagamento de impostos e não aceitam trabalhadores com contratos a termo. Ou seja, é facil ficar sem casa e passar a dormir na rua.

quinta-feira, junho 14, 2007

Madrugada sem sono



Ah ! A torre.
No bairro onde por enquanto estou a viver, a silhueta da torre é uma presença constante. Vê-se de quase todas as ruas, basta que estejam orientadas num enfiamento favoravel. É de facto uma magnifica inutilidade, como parece que disseram em 1886 quando o engenheiro Eiffel a construiu. Enfim, inutilidade é uma imprecisão grosseira. Todos os anos, seis milhões de pessoas pagam para subir até la’ acima. Realmente, é uma màquina de fazer muito dinheiro.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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