Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quinta-feira, novembro 16, 2006

O vencedor do costume

Como já devem saber, Joseph Kabila foi declarado vencedor das eleições presidenciais no Congo. A comunidade internacional deu cobertura ao processo eleitoral e declarou que tudo se passou de modo transparente, livre e justo. Agora, nada mais se pode fazer, excepto recomeçar a guerra civil. Duvido que Bemba o queira fazer, se conseguir uma repartição equitativa do poder e das riquezas do país. Talvez outros grupos rebeldes mais pequenos e desenquadrados deste jogo político prefiram continuar a desestabilizar o país e a tentar substituir-se à autoridade do estado. Mas, se Bemba alinhar com o novo poder institucional, Kabila tem boas probabilidades de conseguir, pela primeira vez, controlar o imenso Congo.
foto da Associated Press
Mas tudo depende da capacidade negocial de Kabila. Tudo depende de quanto ele vai querer abrir mão. Essa é a grande dúvida. Kabila deve ser um tipo cheio de medo e desconfiança. Vive em Kinshasa rodeado por uma guarda privada de 15 mil homens. É um exército pessoal temível, quanto mais não seja pelo número de soldados. Alguns nem serão congoleses, suspeito. O regime de Kabila foi, digamos assim, imaginado e suportado por Luanda, desde o primeiro minuto. Duvido que José não continue a apoiar Joseph, nestas horas de incerteza. Se Kabila não tivesse sido declarado vencedor, como teria reagido esse exército? Quem teria capacidade para o desarmar?
foto minha, em Bondo, à hora do almoço
Portanto, é bom que o povo saiba que pouco poderá esperar destes senhores que, agora, se vestem da dita legitimidade democrática. A vida continuará dura e faminta mas, pelo menos, que não os matem impunemente nem os escravizem, como até agora.

4 comentários:

Shades of Blue disse...

Que preve voce?

ELCAlmeida disse...

Jean-Pierre Bemba primeiro afirmou que aceitava os resultados (assim o afirmavam alguns órgaos comunicacionais internacionais)apesar de terem ocorrido irregularidades na contagem de votos mas agora parece ter invertido essa posição.
Também o arcebispo de Kinshasa deixou no ar a existência de eventuais fraudes" na votação.
Será que, como bem CN questiona a capacidade negocial de Kabila foi fraca; ou será que o patrono do sul, não que Kabila faça "coligações" pouco oportunas quando na capital estão forças não-congolesas. Relembro uma entrevista de um dirigente congolês ao Jornal de Angola quando lhe perguntaram se havia militares angolanos no Congo; a resposta não poderia ter sido mais diplomática: há acordos de cooperação e boa-vizinhança entre os dosi países: ou seja, foi uma resposta "nim"...
Cumprimentos
Eugénio Almeida

Isabela disse...

Acordos Santos-Kabila?! Muito mau!
O vencedor do costume é a guerra do costume. Não é por acaso que o vencedor, vence. Juro que antigamente não era tão pessimista.

inominável disse...

Mas parece que o Bemba já contestou os resultados... nova guerra civil? temo que sim... as partes do costume... a palhaçada da dita legitimidade democrática...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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