Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, outubro 24, 2009

Pesos na consciência



O despedimento do jornalista Pedro Murias, trabalhador da Media Capital, tem provocado uma onda de indignação. O Pedro tem um cancro e os próximos tempos não serão fáceis. Sem emprego serão ainda mais difíceis, porque o dinheiro realmente faz falta, principalmente quando se avizinham contas gordas nos médicos e nas farmácias.
Além do mais trata-se de uma crueldade sem nome e isso diz tudo sobre os mandões que decidem incluir um doente com cancro no rol do despedimento colectivo. Essa gente não sabe esperar…
Esta história trouxe-me à memória uma outra, algo similar… passada na redacção da SIC a meio da década de 90, com o jornalista Celestino Amaral. Durante anos a fio, o Celestino foi um daqueles assalariados sem regalias. Passava recibos verdes regularmente, como se fosse um trabalhador eventual, mas cumpria horário como qualquer outro do Expresso. Um dia foi parar à SIC e pouco tempo depois adoeceu. Só a pedido do Emídio Rangel o Celestino foi integrado nos quadros da SIC, mas a doença galopante mal lhe deu tempo para gozar as regalias inerentes, excepto a da baixa médica. Essa, o Celestino gozou ainda durante uns meses.

Também a Media Capital, embora mantendo o despedimento colectivo, veio agora oferecer ao Pedro um seguro de saúde, para amenizar os problemas financeiros que se adivinham. Mas o despedido não lhes vai retirar o peso da consciência e a oferta foi recusada.

3 comentários:

Fada do bosque disse...

Tenho por costume, quase todos os dias ouvir o Fórum da TSF.
Pois bem, na sexta feira passada, para grande angústia minha, o Fórum tinha como o tema a vacinação da gripe. Estava já cansada de ouvir tanto disparate da parte da sub directora da Saúde, quando uma dos ouvintes, começa a sua intervenção desta forma: " vou desviar-me um pouco do tema, para falar da injustiça no despedimento do jornalista Pedro Múrias..." A jornalista, drª Margarida, costuma interromper e dirigir o interveniente para o tema e ás vezes demora um bocado a conseguir. Desta feita desligou a chamada de imediato e só depois disse que não deveria desviar-se do tema. Fiquei perplexa! nunca tal tinha feito...
Para ver, Carlos, como este tema incomoda e de que forma vai a liberdade de expressão, até num dos poucos programas, que dão a voz ao cidadão. Eles lá sabem o que fazem e que o inferno os consuma.

Jihad disse...

Tanta gente chocada com as declarações do Saramago e tão poucos a fazer o que quer que seja para evitar esta crueldade. Sou funcionário da Media Capital e ainda há mais como esta nos bastidores. Carlos, mais uma vez, ajude a divulgar o mail do Chefão da Prisa em Madrid, Juan Luis Cebrian. Creio que vale a pena inundar a caixa do senhor com mails a denunciar esta situação. Talvez consigamos parar esta injustiça. Mail : ceo@prisa.es
Obrigada

TERESA SANTOS disse...

Já nada me espanta! Tudo é válido, tudo é permitido.
Vergonhoso, simplesmente.

AddThis

Bookmark and Share

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

Seguidores